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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963, fascinante sob qualquer ângulo

Daslan Melo Lima


           
           A capa da revista O Cruzeiro daquele 14 de dezembro de 1963, trazia na capa John Fitzgerald Kennedy, presidente dos Estados Unidos, assassinado no dia 22 de novembro. Nada mais do que 425.000 exemplares foram colocadas à venda nas bancas de revistas de todo o Brasil. E das páginas, como para aplacar a dor da perda, "saltava" de duas propagandas a beleza de Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963.

Propaganda do Fio Helanca

Miss Universo não queria tirar esta fotografia - Alegando não ficar bem de perfil. Nós, pelo contrário, achamos que ela é fascinante sob qualquer ângulo. E a foto acima prova que temos razão. 
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Propaganda do creme dental Gessy 

Miss Universo tem uma vida bastante atarefada. Nem sempre há tempo para escovar os dentes após cada refeição. Entretanto, ela sabe como solucionar este problema: "Desde criança aprendi que devia escovar os dentes depois de comer. Mas nem sempre é possível, especialmente agora que fui eleita Miss Universo. Por isso uso sempre o Creme Dental Gessy, que protege muito mais tempo."

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     Fico imaginando quantos exemplares ainda existem daquela O Cruzeiro, Ano XXXVI, número 10, de 14/12/1963. Fico imaginando o retorno alto do investimento daquelas empresas nas propagandas com a imagem de Ieda Maria Vargas. Fecho a revista e parece que a beleza da nossa Miss Universo 1963 deseja "saltar" para desfilar numa imaginária passarela, cinquenta e seis anos depois. 

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sábado, 13 de outubro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - O céu formou as Misses de um jeito diferente

Daslan Melo Lima
          
         O calendário marcava 17 de julho de 1971. A Manchete estava nas bancas de todo o Brasil com quatro chamadas: Moscou, os funerais dos astronautas; Toda a grandeza dos Estados Unidos; Os novos carros para 1972; e Miss Brasil 71. Quem ilustrava a capa de uma das maiores revistas brasileiras de todos os tempos era uma foto feita por Antônio Rudge, cinco misses que marcaram época na história da beleza brasileira.   

Manchete, número 1.004, Ano 20, 17/07/1971

Da esquerda para a direita, em pé: 
Ana Cristina Ridzi (1947-2015), Miss Guanabara, Miss Brasil 1966; 
Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968; 
Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963;   
Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista (Top 15) no Miss Universo 1970. 
Sentada, Eliane Parreira Guimarães, Miss Minas Gerais, Miss Brasil, quinto lugar no Miss Universo 1971. 

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          O jornalista Justino Martins (1917-1983) disse no editorial daquela Manchete"Nos concursos de beleza, é aconselhável julgar as candidatas somente dos sapatos ao penteado, mais ou menos como se medem os peixes, da cauda à cabeça. Isto, porque, em geral, a mulher tem tudo contra ela, nossos defeitos, sua timidez, sua fraqueza. Só tem a  favor a beleza. No caso da nova Miss Brasil, a universitária Eliane Guimarães, acrescenta-se o espírito, que é o supremo recurso do sexo feminino. Quanto ao resto, só mesmo citando Mme. De La Fayette: "Seu corpo e sua pessoa tinham algo de tão admirável que parecia que o céu a formara de um jeito diferente das outras." É a nossa reportagem principal."
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          "Seu corpo e sua pessoa tinham algo de tão admirável que parecia que o céu a formara de um jeito diferente das outras."
              Nesta tarde quente da primavera pernambucana, inspiro-me na citação da escritora francesa Madame de La Fayette (1634-1693) para criar o título desta  Sessão Nostalgia: "O céu formou as Misses de um jeito diferente."

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sábado, 11 de agosto de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - "Miss Universo 1963", uma música de Teixeirinha para Ieda Maria Vargas


Daslan Melo Lima

        São José da Laje, Alagoas, manhã de dezembro de um tempo que se foi. Da casa de um vizinho, através do som de um rádio, vinha a voz do cantor Teixeirinha cantando uma música que enaltecia Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963. Ao contrário de "Coração de Luto", uma triste canção de três anos atrás, inspirada na mãe do artista  que havia morrido carbonizada, a música que tocava na residência ao lado era totalmente diferente. A musa tinha sido eleita a moça mais bela do universo, trinta e três anos depois da também gaúcha Yolanda Pereira, Miss Universo 1930.

Vítor Mateus Teixeira (1927-1985), Teixeirinha, o "Rei do Disco", cantor, compositor e ator gaúcho. 
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Miss Universo 1963

Letra e música de Teixeirinha

O Brasil está orgulhoso com a gaúchinha faceira
Num concurso de beleza tornou-se miss brasileira
Ieda Maria Vargas fez vibrar a nação inteira
Depois deu um show de beleza lá pela terra estrangeira.

Ieda Maria Vargas no Brasil estourou a fita
Tem só dezoito anos a mais linda senhorita
Chegou lá no estrangeiro também saiu favorita
Venceu, é Miss Universo, moça mundial mais bonita.

São duas Miss Universo que o nosso Brasil tem
O mundo inteiro já sabe de onde a beleza vem
É do Rio Grande do Sul, não é desfazer ninguém
É que estou orgulhoso por ser gaúcho também.

Com seu traje de gaúcha tornou-se a mais linda flor
Honrando os trajes dos pampas de gaúcho peleador
Alguns gaúchos do asfalto que ao traje não dá valor
Mas viu que a gauchinha honra o traje, sim senhor

Eu sei, não foi só o traje que lhe tornou vencedora,
Com qualquer traje moderno ela era merecedora.
É que a nossa gauchinha na beleza é professora,
No ginásio das mais lindas promovida à diretora

Salve a Miss Universo Ieda Maria Vargas
Quando soube que vencestes, meu revólver deu descargas
Aos teus pais e teus irmãos Deus não dê horas amargas
Ieda honraste o Rio Grande do chapéu de abas largas

Vamos dar um viva para Ieda Maria Vargas, pessoal!



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         Timbaúba, Pernambuco, tarde da última quarta-feira, 08 de dezembro de 2018. Do celular, através do som do WhatsApp, uma mensagem do meu amigo Roberto Macêdo dizia: "Você já viu isso?", acompanhada deste link


       A emoção tomou conta do menino que um dia eu fui quando cliquei no endereço e a música, na voz de Teixeirinha, graças ao milagre da tecnologia, inundou o ambiente: 
"O Brasil está orgulhoso com a gaúchinha faceira / Num concurso de beleza tornou-se miss brasileira / Ieda Maria Vargas fez vibrar a nação inteira / Depois deu um show de beleza lá pela terra estrangeira." 
       Ouvir a canção com imagens de Ieda Maria Vargas, nossa eterna Miss Brasil, Miss Universo 1963, lembrou um sonho de criança. 

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Fotos de Ieda Maria Vargas: reproduções da revista Manchete
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sábado, 17 de fevereiro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas e Kathee Francis, "sua irmã gêmea"

Daslan Melo Lima

          

Kathee Francis (Miss Nevada, semifinalista-Top 10, no Miss Estados Unidos 1963) tinha um rosto muito parecido com Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963). 
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Capa da revista Fatos & Fotos, Ano III, 27 de julho de 1963, nº 130, acima, em detalhe, e abaixo, completa. 
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      O que escrever neste espaço depois da ressaca do Carnaval de 2018? Enquanto buscava inspiração, recebi do amigo Oscar Bastos Pereira, leitor de PASSARELA CULTURAL, residente em Goiânia, GO, duas imagens suas ao lado de Ieda Maria Vargas. Grande amigo da nossa Miss Brasil e Miss Universo 1963, Oscar esteve recentemente visitando Ieda em Gramado, RS, cidade onde ela reside há muitos anos.  
       Enquanto chove lá fora, copiosamente chove, encontrei o tema ideal para construir a Sessão Nostalgia desta edição. Ieda Maria Vargas, que já foi focalizada outras vezes aqui, aparece agora com sua "irmã gêmea", direto do túnel do tempo, e em duas fotos atuais do acervo do Oscar.

         
A Fatos & Fotos daquele 27 de julho de 1963, em reportagem de  Gervásio Batista e Alberto Ferreira, destacava o sucesso de Ieda Maria Vargas.
Na semana passada, os juízes dispensaram atenção especial a Miss Brasil: Ela era a favorita absoluta entre as latino-americanas.
O sucesso de Miss Brasil, de que sempre se fala cada vez que as candidatas a Miss U se reúnem em Miami, foi realmente muito grande desta vez. O traje de gaúcha estilizado, caiu-lhe muito bem e, mesmo sem falar inglês, Ieda Maria Vargas conseguiu cativar a todos com extrema simpatia.
A própria hostess de Miss Brasil chegou a confidenciar-me, no começo da semana decisiva: "Tive instruções para zelar especialmente por Ieda. E isso é sinal de que ela está cotada. Pode perder, mas os juízes internacionais já reconheceram que ela é uma das mais belas moças da passarela em Miami em 1963."
Uma coincidência ajudou, também, Miss Brasil a "promover-se" em Miami: a extrema semelhança entre ela e Miss Nevada, a americana Kathee Francis. Elas passaram a ser chamadas "as sósias" e, desde então, procuraram posar sempre juntas para os fotógrafos.   

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Ieda Maria Vargas e Oscar Bastos Pereira, encontro em Gramado, RS. 


Alegre, linda  e simpática, Ieda convive com sequelas discretas de dois AVC, Acidente Vascular Cerebral. 
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Chego ao final desta página mergulhado em nostalgia. Chove lá fora, torrencialmente chove. Penso em Ieda Maria Vargas e me lembro de um pensamento de Pitágoras: Uma bela velhice é, comumente, recompensa de uma bela vida.

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Outras Sessões Nostalgia dedicadas a Ieda Maria Vargas:

1 - Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas

2 - Ieda Maria Vargas, a primeira vez que a Miss Universo 1963 chorou em público

3 - Confissões de Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963

4 - Ieda Maria Vargas, três comerciais da Miss Universo 1963

5 - Ieda Maria Vargas, tudo começou bem em Capão da Canoa

6 - Ieda Maria Vargas, o perfil de consumidor da Miss Universo 1963

sábado, 7 de setembro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - Quando as Misses voavam pela Varig

Daslan Melo Lima

          Houve um tempo em que viajar de avião não era uma coisa comum. Subir ou descer a escada de uma aeronave e acenar para as pessoas presentes ao embarque ou desembarque era uma das coisas mais chiques do mundo.  A sempre lembrada empresa Varig foi parceira de vários concursos de Miss Brasil. 
      Através de imagens que pesquisei na Internet, vamos para o  túnel do tempo, viajar com as misses ou entrar com elas no escritório da Varig em New York.

 
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954.
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss universo 1957.
Teresinha Morango, a atriz Ilka Soares e o apresentador Jota Silvestre (1922-2000) num programa de televisão.
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Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958.
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Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia, Miss Universo 1958
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Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, quinta colocada no Miss Universo 1959.
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Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil 1960.
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Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963, ao lado de Carmem Teresinha Lucca, vice-Miss Rio Grande do Sul, Miss Objetiva do Brasil, Miss Objetiva Internacional 1963.
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Telegrama da gerência da Varig em Aracaju, SE, colocando à disposição de Jerusa Farias, Miss Pernambuco 1969, passagens aéreas com direito à acompanhante para uma festa a ser realizada no Iate Clube de Aracaju. ***** Imagem: Acervo de Jerusa Farias/Miss PE 1969.
Túnel do tempo 1969 - Maria do Socorro Costa, Miss Paraíba; Maria Carmen Gentil Barreto, Miss Sergipe; Yara Lúcia Bezerra, Miss Rio Grande do Norte, e Maria Jerusa Freitas  Farias, Miss Pernambuco, depois da festa realizada no Iate Club Aracaju. Momento em que a anfitriã Miss Sergipe acompanhava suas colegas ao aeroporto onde as mesmas retornariam para os seus Estados de origem via Varig. ***** Foto: Acervo de Jerusa Farias/Miss PE 1969.
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        Quando vejo as instalações modernas do Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre, no Recife, fico admirado com tudo aquilo, mas acho o ambiente “frio”. Sinto saudade daquele tempo onde víamos as pessoas subindo ou descendo as escadas dos aviões. Havia mais romantismo e poesia.  


     Dedico esta crônica a minha amiga Adelucia Pereira de Melo, acima, ex-funcionária da Varig, que se emociona muito quando escuta “Esperando Aviões”, de Vander Lee. Detalhe:  Adelucia teve um namorado que nutria uma grande paixão platônica por uma das misses focalizadas nesta Sessão Nostalgia. O nome da Miss? Não direi. Melhor conservar o mistério, a fim de combinar com um tempo que se foi, para sempre se foi.

Esperando aviões

Meus olhos te viram triste  olhando pro infinito 
 Tentando ouvir o som do próprio grito. 
E o louco que ainda me resta   quis te levar pra festa. 
Você me amou de um jeito tão aflito,
que eu queria poder te dizer sem palavras.
Eu queria poder te cantar sem canções.
Eu queria viver morrendo em sua teia,
 seu sangue correndo em minha veia, 
seu cheiro morando em meus pulmões. 

Cada dia que passo sem sua presença,
sou um presidiário cumprindo sentença, 
sou um velho diário perdido na areia,
esperando que você me leia.
Sou pista vazia esperando aviões.
Sou o lamento no canto da sereia, 
esperando o naufrágio das embarcações. 
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Letra e música de Vander Lee

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sábado, 6 de julho de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – CARMEN TERESINHA LUCCA, TÂNIA MARA FRANCO E AINO KORVA, AS VICES DE IEDA MARIA VARGAS

Daslan Melo Lima
 
PRÓLOGO
 
Ieda Maria Vargas com a revista Manchete onde aparece na capa com a faixa, coroa e trofeu de Miss Universo 1963. ***** Foto: Facebook
 
          No dia 22 de junho, fez 50 anos que Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, foi eleita Miss Brasil. No dia 20 deste mês, fará meio século que ela conquistou o título de Miss Universo. No dia 21 do mês passado, no Hotel Casa da Montanha, em Gramado-RS, uma  exposição e um jantar anteciparam a celebração dos  50 anos da conquista do seu título de Miss Universo. Ieda é digna de todas as homenagens, sem dúvida alguma, mas o alvo desta Sessão Nostalgia é  resgatar um pouco daquelas jovens que quase deixaram Ieda Maria Vargas em segundo plano. Garotas que ficaram como suas vices nos concursos Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo daquele terceiro ano de uma década que mudou a face do planeta terra.
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  CARMEN TERESINHA LUCCA,
VICE- MISS RIO GRANDE DO SUL 1963
     


Carmen Teresinha Lucca - Foto: O Cruzeiro


Carmem Teresinha Lucca, Miss Passo Fundo,  estudante de piano, aluna do último ano de Filosofia e professora de matemática da terceira série ginasial  foi  a segunda colocada no Miss Rio Grande do Sul 1963, perdendo por diferença de um ponto para Ieda Maria Vargas. Antes de ser Miss Passo Fundo, Carmen tinha sido coroada Rainha do Comercial e Rainha do Carnaval. Em outubro do mesmo ano, no Clube Pinheiros, em São Paulo-SP, foi  a grande vencedora da fase nacional e internacional do concurso Miss Objetiva, sendo destaque nas mais importantes revistas brasileiras da época, sete páginas da O Cruzeiro e duas da Manchete. No dia 02/08/2008, Carmen Teresinha Lucca recebeu um tributo deste blog,   http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/08/sesso-nostalgia.html


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                                        TANIA MARA FRANCO,
VICE-MISS BRASIL 1963
    

Tânia Mara Franco - Foto: Manchete
Tânia Mara Franco, Miss Paraná, foi a Miss Fotogenia do Miss  Brasil, eleita  por um júri de nove fotógrafos. Perdeu o título de Miss Brasil 1963 para Ieda Maria Vargas por um ponto. ***** “Foi assim a classificação: Ieda, 8 pontos; Paraná (Tânia Mara Franco) 7 pontos...” (O Cruzeiro, 13/07/1963) ***** “Declarações de Tânia Mara Franco, Miss Paraná: Tenho 18 anos, nasci em Ponta Grossa, mas moro no oeste do Paraná, em Guarapuava, a caminho das Cataratas do Iguaçu, beleza natural que todo brasileiro deveria conhecer. Tenho dois irmãos que adoro, gosto de cantar e praticar esportes. É claro que já li O Pequeno Príncipe. Estou fazendo o 2º ano normal e não tenho namorado. Mas é evidente que sonho ser dona de um lar...”(Manchete, 06/07/1963). ***** Tânia Mara Franco representou o país no concurso Miss Beleza Internacional, classificando-se entre as 15 semifinalistas.
 
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AINO KORVA, VICE-MISS UNIVERSO 1963
     

Aino Korva - Foto: Manchete
  
Aino Korva, Miss Dinamarca, 20 anos, foi vice de Ieda Maria Vargas no Miss Universo. Um mês antes, 07 de junho, em Beirute, Líbano, tinha conquistado o terceiro lugar no Miss Europa. Em novembro de 1963, disputou o Miss Mundo e ficou em quarto lugar. Voltou às passarelas no ano seguinte e obteve o segundo  lugar no Miss Escandinávia. Aino Korva  apareceu na capa da Playboy em 1968.




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 EPÍLOGO
            Um ponto a menos, um ponto a mais; um minuto, um segundo, um gesto, uma atitude...  a menos ou a mais, podem fazer a diferença de toda uma vida. Carmen Teresinha Lucca poderia ter sido Miss Rio Grande do Sul 1963. Tânia Mara Franco poderia ter sido Miss Brasil 1963. Aino Korva poderia ter sido Miss Universo 1963. Mas no caminho das três existiu Ieda Maria Vargas.
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sábado, 20 de abril de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – Confissões de Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963


Por Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

         
Timbaúba, Pernambuco, nordeste do Brasil, final da tarde do terceiro domingo de abril de 2013. 
Chove lá fora, pouco, mas chove. Para quem nasceu numa região castigada pela seca e o sol inclemente, a chuva que lá fora cai tem um gosto maravilhoso de festa. E tendo como fundo musical o  som dos pingos d’água , vou resgatar mais um documento referente às grandes misses do passado. Em minhas mãos, a revista Cláudia, abril de 1968, Ano VIII, nº 79, Editora Abril. Vou transcrever uma interessante matéria daquela publicação escrita na primeira pessoa por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. Detalhe: na revista, o nome Ieda está escrito com a letra Y


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Encontro acidental põe frente a frente o especialista e a “perturbadora” de corações: Miss Universo 63 X Dr. Christian Barnard.

YEDA VARGAS E A IMPORTÂNCIA DOS AUTÓGRAFOS

          Foi numa das minhas primeiras viagens depois de ter sido eleita Miss Universo. Estávamos em Lima, meus pais e eu, acompanhados por minha amiga Miss Peru: era a noite em que se comemorava o aniversário da independência do Peru. Um rapaz simpático se aproximou e me pediu um autógrafo. Disse-me que era a primeira vez que falava com uma brasileira. Perguntei de onde ele era. E a resposta: “Capetown, South Africa.” Eu ri, dizendo que era também a primeira vez que conversava com um africano. Naquela noite meu autógrafo  saiu assim:  Ao Dr Christian Barnard, Yeda Maria Vargas, Miss Universo.
          Imagine meu susto quando, há uns dois meses, vi seu retrato nos jornais. Fiquei muito emocionada. Creio que fui das poucas pessoas que tiveram o privilégio de conhecer pessoalmente um homem predestinado a abrir novos rumos para a ciência. Realmente é uma sensação estranha. Como se eu tivesse conhecido Galileu, Newton, Einstein ou Freud, enfim qualquer  uma das figuras famosas que a gente estuda na escola. Já me imagino contando para meus filhos: “Esse aqui eu conheci pessoalmente. Naquele tempo era ele que me pedia autógrafos...”
          Nada entendo de medicina mas acredito que ainda há muita coisas a se fazer nesse campo. Daqui a alguns anos, falar em transplantes vai ser coisa corriqueira. E o mais gozado var ser a dificuldade dos juízes nos concursos de beleza. Vão ter que regulamentar novamente todos os concursos, e uma proibição terá que ser feita: “É expressamente proibida a inscrição de candidatas que se tenham submetido a transplante de olhos, pernas ou qualquer outro que tenha alterado sua beleza original.”

Se eu fosse uma mulher feia minha vida teria sido a mesma coisa

          É claro que eu não teria o titulo de Miss Universo, mas seria essa a única diferença. Beleza não é só físico. Uma escultura não é  considerada obra de arte apenas por ser bonita. É seu valor artístico que a torna mais ou menos bonita. O importante é a personalidade das pessoas. Se eu não fosse bonita, não teria sido Miss Universo, nem tampouco teria viajado. Não teria conhecido outros países e outros povos. Não teria adquirido a visão que adquiri. Sei de tudo isso. Mas eu teria estruturado minha personalidade em torno de outras experiências. O resultado seria o mesmo. Minha participação na vida, a mesma. Eu tenho um amigo muito feio. Porém fascinante. Fascinante pela sua maneira de pensar. Pela sua maneira de conversar. Pelo seu cavalheirismo. Depois de quinze minutos com ele, não há quem o ache feio. Aliás, em nossa roda de amigos ninguém o considera um homem feio. É um dos exemplos que conheço de personalidade que faz beleza. É uma receita que serve para homens e mulheres. Cultivem a personalidade que vocês serão mais belos...

Diferença de sexo não quer dizer superioridade de um sobre o outro

          Homem ou mulher, ambos são seres humanos. A resposta para seus problemas é a mesma. Infelizmente a mulher ainda está, socialmente falando, em posição de inferioridade. Mas isso é o resultado de uma organização econômico social que perdurou por séculos e que só agora se está extinguindo. A mulher de hoje recusa deixar-se “coisificar”. Quer ser reconhecida como o que é realmente é: gente. Não é o fato de ter que cozinhar e cuidar da casa que a diminuiu. Mas a sensação de existir no mundo só para isso.
          Nenhuma mulher deseja masculinizar-se. Muito menos deseja que os homens se tornem femininos. (Credo, já viu esses de mini saia no  Rio?) Elas querem simplesmente participar da vida, não como com concorrentes mas como colaboradoras e companheiras.
          Diferença de sexo não significa superioridade de um sobre o outro. É apenas uma diferença de especializações. É bem verdade que existem mulheres que só dão para a cozinha. É tudo uma questão de talento. Mas também é verdade que existem homens que nem para isso dão...

Os jovens estão querendo demonstrar algo que não possuem: liberdade

     A maior parte das pessoas que ainda me pedem autógrafo na rua é constituída por jovens. E, cada vez que um deles chega perto de mim, não posso deixar de pensar na diferença existente entre os jovens atuais e os de minha época. No meu tempo, o Rock era a última novidade. Porém a gente tinha um pouco de medo de participar dos novos ritmos da juventude. Minha geração é uma geração intermediária: não pertence nem àquela geração contida de antigamente nem a esta que se diz livre e que é a juventude nos dias de hoje.
          A gente sentia um grande desejo de se livrar da opressão dos mais velhos. Ao mesmo tempo tomávamos o maior cuidado para não demolir o mundo. Eu acho que a juventude de hoje armazenou um excesso de energia nesta revolta, e agora não sabe o que fazer dela. Em outras palavras: tem necessidade de liberdade mas não sabe gozá-la.. As demonstrações que existem por aí dizem exatamente isso - os jovens estão querendo demonstrar algo que não possuem: liberdade. Quando a gente fala muito de uma coisa, é porque essa coisa nos faz uma falta angustiosa. E é o que acontece com os jovens de hoje.  Usam e abusam da palavra liberdade. No Brasil, o problema de liberdade é ainda mais grave. Existem muitas normas burguesas. Se alguma moça, por exemplo, começa a trabalhar com quinze ou dezesseis anos, todo mundo começa a falar: “Acho eu as coisas vão mal...” Nos Estados Unidos, mesmo os jovens de famílias ricas trabalham ou procuram trabalhar. E é assim que procuram a sua liberdade  E é assim que adquirem o senso de responsabilidade. É uma liberdade bem diferente daquela que a gente vê no cinema. Ou lê nas revistas.

Se o Presidente Costa e Silva quisesse um autógrafo meu...

          O Presidente Costa e Silva nunca me pediu um autógrafo. Aliás, eu é que deveria procurar um autógrafo dele. Mas se por acaso ele me aparecesse e pedisse autógrafo em troca de três pedidos meus, eu pediria o seguinte: que não deixasse achatar ainda mais o salário dos trabalhadores, que não permitisse nova alta no custo de vida e que desse casas para todos morarem. Não precisava ser casa grande. Mas uma casa simples, decente. Só quem anda  nas  malocas é que pode avaliar o que passa aquela gente. De resto, não entendo nada de política. Acho engraçado a gente discutir sobre pessoas que nem conhece. E mais engraçado ainda é tentar resolver num pedaço de papel problemas tão graves, sem conhecer a verdade sobre eles. Por isso gostei muito da resposta do ex-presidente Kubitschek, quando lhe perguntaram, nos Estados Unidos, por que gastava tanto dinheiro na construção de Brasília: “Pelo mesmo motivo por que vocês gastam tanto dinheiro para mandar um foguete à Lua.” Acho que cada um deve cuidar do que é seu, e pronto.

Ser Miss Universo não foi a coisa mais importante da minha vida

          Foi muito bom ter sido Miss Universo. Mas não a coisa mais importante. Importante na verdade é viver,  por tudo que a vida nos oferece. E, falando do concurso em si,  não nego que seja uma promoção comercial, nem mesmo seus promotores negam. Mas daí a se dizer que existe uma grossa camada de imoralidade e que as moças estão sujeitas a toda espécie de perigos, isso não. Quem se respeita a si próprio  é respeitado pelos demais.
          Eu jamais sofri vexame de qualquer espécie, durante todo o transcorrer do concurso, e digo mais:  as candidatas são proibidas de sair a sós com rapazes para evitar  comentários.   Se minha filha desejar  participar de um desses concursos, permitirei com todo o prazer. Para mim foi uma experiência fascinante. O que não se pode é construir a felicidade sobre um só fato ou uma só pessoa. A gente para ser feliz tem que construir um mundo interior e participar com ele do mundo das outras pessoas. Importante é tudo. Importante é ter meus amigos. É ter meus pais como amigos. É ter José Carlos, gostar dele, ser amada por ele. Importante foi o dia 29 de março. Aí, na igreja, dei o autógrafo que passou a ser o mais importante de minha vida: Yeda Maria Vargas Athanasio.

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EPÍLOGO


          Christian Barnard (1922-2001) ficou famoso por ter sido o primeiro médico a realizar uma cirurgia de transplante de coração.
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          Ieda Maria Vargas tem dois filhos, está viúva de José Carlos Athanasio e mora atualmente em Gramado, RS.(Foto:  Sociedade/João Pulita, clicrbs.com.br/rs)
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          Entre as mais gratas recordações da minha vida, guardo o momento em que conheci  Ieda Maria Vargas pessoalmente, durante um evento no Clube Português do Recife, há 20 anos, ocasião onde pedi  que autografasse um dos meus álbuns de recortes.
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        Chove lá fora, pouco, mas chove. Chove lá fora e por isso, na minha fantasia, este pedaço do meu amado Nordeste está com clima do Rio Grande do Sul, berço de Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963.

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