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sábado, 21 de julho de 2018

DE OLHO NO PASSADO - Manchete, nº 432, ano 8, 30 de julho de 1960


JOAN CRAWORD ADOROU O RIO - A célebre estrela não perdeu um minuto sequer das 24 horas que passou no Rio de Janeiro. Ainda a bordo do luxuoso transatlântico, no qual está fazendo um cruzeiro turístico, Joan Craword revelou ao repórter que estava ansiosa para conhecer a cidade. Antes, porém, foi convidada a tomar um cafezinho brasileiro, no Touring Club, que fez como se fosse uma pessoa qualquer. Desfazia-se a impressão que muitos tinham da veterana atriz: a mulher arrogante e fechada que se esperava encontrar era uma mulher simples e solícita.
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EM CABO FRIO: BALEIA À VISTA - Os baianos já pescavam longos e pesados cetáceos no tempo do Brasil Colonial. Qual a melhor explicação para o cardume de baleias que acaba de aparecer na altura de Cabo Frio? Elas são originárias do Oceano Atlântico e há duas versões sobre a sua existência nas águas brasileiras. A primeira é de que os cetáceos fogem das geleiras durante o inverno e procuram as correntes do Atlântico: umas se aproximam da costa do Brasil e outras da costa africana. A segunda versão é de que as baleias preferem reproduzir em  águas mais temperadas, razão pela qual, quando voltam às águas geladas, levam os filhotes.
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GINA MACPHERSON, MISS BRASIL 1960 - Sorrindo da derrota em Miami, Gina voltou ao trabalho. Bonita no seu vestido amarelo e sapatos azul-claro, Gina desceu no Galeão com o melhor dos sorrisos. Amuada com a sua má colocação no concurso, em Miami? Nada disso. E sua mamãe ainda está feliz. "Eu ficaria apreensiva se minha filha continuasse a viver nessa roda viva de compromissos para festas e esticadas em boates". 
"Portuguesas!" Foi a exclamação de Miss Brasil, que devia vir acompanhada de Miss Portugal. Mas esta perdeu o avião. E as moças com trajes típicos recepcionaram Gina, que ficou desvanecida pela homenagem.
Todo mundo queria saber como se encontra seu namoro com o jovem americano de Miami. "Foi um mero flerte, nada sério, continuo comprometida com um oficial da armada inglesa, agora em Londres." Mas os repórteres insistiram no seu caso com o americano. "Bem, bonito ele é!"  
E agora, Gina, o que vai fazer? "Voltarei calmamente para o balcão de recepcionista, como antes. Minha vida não se alterará em nenhum ponto, apesar de todas as emoções novas que vivi." 
Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista (Top 15) no Miss Universo 1960. Beijo do papai feliz com a volta da sua querida filha para os fins de semana na fazenda da família.  

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sábado, 17 de março de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Gina Macpherson, Miss Brasil 1960, nem tudo foi em vão

Daslan Melo Lima



          Buscando inspiração para a Sessão Nostalgia desta semana, encontrei num caderno de recortes uma matéria da revista Veja, de 28/02/1973, sob o título Sem poupar esforços. O assunto é curioso. O nome de Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista do Miss Universo 1960, é citado. Vamos conferir? 

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          Em 1961, o Itamaraty suspeitou que estivesse ocorrendo um vazamento de verbas no seu consulado em Miami, chefiado pelo diplomata Ruy de Mello Teixeira. Instalada uma comissão de inquérito, confirmou-se a malversação de 13.600 dólares e também outros equívocos, tais como estelionato, falsificação de documentos, peculato, corrupção e contrabando de peças de automóveis.
      Durante os últimos doze anos, o caso Mello Teixeira, em que ficaram envolvidos também o vice-cônsul Dalton Portella e o funcionário Dernier Augusto Ribeiro Maciel, peregrinou pela Justiça com poucos resultados. Apesar de terem sido desligados do Itamaraty, Teixeira e Maciel foram absolvidos. Portella, menos feliz, foi condenado a três anos e quatro meses de prisão. Na semana passada, com um argumento lógico, o advogado Alfredo Tranjan conseguiu absolver Maciel no tribunal Federal de Recursos. Disse Tranjan: "Se o cônsul, gerador do processo, foi absolvido porque alegou ter recebido ordens superiores, Dalton, seu substituto, não podia ser condenado."
       Que ordens teria recebido o cônsul, que hoje circula alegremente pela noite carioca? Segundo ele e os autos do processo, promover, "sem poupar esforços", a Miss Brasil 1960, Gina Macpherson (1m72cm, 57 Kg e 93 cm de busto e quadris). Mesmo sem se levar em conta a inutilidade dos esforços, pois Gina perdeu, caso esse argumento tenha sido um dos fatores da absolvição, é o caso de se pesquisar melhor o período em que o Itamaraty realizou uma ofensiva no foro multilateral dos concursos de beleza internacionais. 
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         Sob a foto da Miss Brasil 1960, a legenda diz "Gina Macpherson : tudo foi em vão". Eu teria escrito: "Gina Macpherson: nem tudo foi em vão". Sem entrar na questão do imbróglio, minha frase seria um carinho para a nossa bela Miss Brasil 1960. Gina foi a Miss Brasil do início de uma década mágica que mudou a face do planeta Terra. 
          Concluindo, posto abaixo imagens de Gina Macpherson reproduzidas de revistas da época (O Cruzeiro, Manchete e Mundo Ilustrado) e que passaram por um tratamento especial. São presentes de um admirador de Passarela Cultural que faz questão de ficar no anonimato.  A ele, o meu muito obrigado.

Maracanãzinho, noite do Miss Guanabara, Gina desfilando como Miss Botafogo
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Maracanãzinho, noite do Miss Brasil, Gina desfilando como Miss Guanabara
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Gina visitando a redação da revista Mundo Ilustrado
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Gina em traje típico
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Gina sob o sol do Central Park, New York
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Gina em Miami Beach
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Em New York, beleza em dose tripla. Adalgisa Colombo (Miss Distrito Federal, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1958); Gina Macpherson (Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1960); e Teresinha Morango (Miss Amazonas, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1957). 

sábado, 29 de julho de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – Miami, 1960. O show era Gina Macpherson, Miss Brasil

Daslan Melo Lima 


“Aquela, sim, foi uma noite completa! No famoso Hotel Fontainebleau, um dos melhores do mundo, um show em homenagem ao nosso país contou com Gina no último quadro. O auditório aplaudiu a bonita Miss Brasil, que num improviso em inglês arrancou assobios de entusiasmo. Os jornais de Miami encheram suas primeiras páginas com fotos de Gina, que é a favorita.”


        Assim começava a reportagem de dez páginas da revista Manchete, nº 430, ano 8, de 16/07/1960, falando do sucesso que Gina Macpherson, Miss Guanabara e Miss Brasil 1960, tinha feito em Miami Beach, apontada como  favorita para conquistar o título de Miss Universo 1960. O concurso tinha sido realizado no dia 09 de julho, no Miami Beach Auditorium.  
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Miami, que emoção! Suas praias com palmeiras que vergam ao vento. “Mas o Rio é muito mais bonito, sem comparação!” Nesta época, a cidade é quente. E Gina repete a toda hora com seu bonito sorriso: “Puxa, o calor aqui é dez vezes pior que o nosso!” Ela passa os dias fazendo visitas oficiais e não perde ocasião de ver as partes históricas da cidade.
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Na escadaria do avião, de cima para baixo, Maria Stella Márquez Zawadzky, Miss Colômbia; Nancy Aguirre, Miss Bolívia; Mercedes Teresa Ruggia, Miss Paraguai; Maria Teresa Mota Cardoso, Miss Portugal; Íris Teresa Ubal Cabrera, Miss Uruguai, e María Teresa del Río, Miss Espanha.
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As bonitas representantes da Inglaterra (Joan Ellinor Boardman) Israel (Aliza Gur), França (Florence Anne Marie Normand Eyrie) e Bélgica (Huberte Box) a caminho do hotel num carro oficial. ***** Detalhe: As misses Israel e Inglaterra ficaram entre as semifinalistas (Top 15).

A cidade é só alegria e festas. Misses Espanha, Uruguai, Paraguai, Portugal e outras desceram no aeroporto em meio aos acordes de várias bandas. O povo de Miami não sabe o que fazer para mimosear as visitantes com a mais amável das hospitalidades. Mas o assunto é Gina.
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Oriente e Ocidente medem suas forças na passarela. Portugal (María Teresa Mota Cardoso) entra pela primeira vez no concurso com uma bonita candidata. A Espanha (María Teresa del Río) também está presente pela primeira vez na parada da beleza mundial. ***** Detalhe: Miss Espanha foi a quinta colocada. 
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E Miss Colômbia? Repetirá a vitória retumbante de Luz Marina Zuluaga? A Coréia esqueceu por instantes seus problemas internos e veio para ganhar. Para ser completo este concurso só falta mesmo a URSS. Pela primeira vez, Salazar e Franco concordaram com a participação de seus países. A Coréia (Sohn Mi-hee-ja) veio com uma candidata decidida a manter o título na área asiática. É difícil, mas Gina tem muita chance. ***** Detalhe:  Maria Stella Márquez Zawadzky, Miss Colômbia, ficou entre as semifinalistas (Top 15). No dia 12/08/1960, no Long Beach Municipal Auditorium, em Long Beach, ela venceu o primeiro concurso Miss Beleza Internacional.  Miss Coréia foi semifinalista (Top 15) no Miss Universo.
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As rivais de Gina são uns amores – Misses Hong Kong (Vivien Cheung Wai-Wan) e Peru (Medadit Gallino) dois tipos exóticos na lista das mais bonitas. A Escandinávia mandou este ano duas belezas de virar a cabeça dos juízes. Miss França (Florence Anne Marie Normand Eyrie) fez ruído no dia da sua chegada com um cãozinho a tiracolo.
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Enquanto espera o dia do grande desfile, Gina descansa sob as frondosas palmeiras de Miami. Vai ganhar? Ela sorri quando alguém diz que sim. Está no Hotel Shelbourne, conta com a assistência do cônsul Ruy Melo Teixeira e tem bom apoio na imprensa americana. Só há motivos para confiar no seu sucesso.

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       Gina Macpherson ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1960, ano em que a vencedora foi Linda Jeanne Bement, Miss Estados Unidos. Abaixo, os links das matérias que a focalizaram em SESSÃO NOSTALGIA, desde sua eleição como Miss Guanabara até seu desabafo sobre a única mágoa que guarda do tempo de Miss. 
          Para você, Gina Macpherson, primeira Miss Brasil da década mágica de 1960, o meu abraço, esperando que o clima de Niterói, onde mora, esteja tão agradável como este de Timbaúba, Pernambuco, onde resido. O clima aqui está frio, deliciosamente frio, combinando com as recordações de um tempo que se foi, para sempre se foi.
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Miss Guanabara 1960
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Miss Brasil 1960
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O único rancor de Gina Macpherson

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sábado, 22 de abril de 2017

SESSÃO NOSTALGIA - Misses, retratos em branco e preto


Daslan Melo Lima

     Quase meia-noite em Timbaúba, Pernambuco. Pelo Facebook, recebo uma mensagem de Genaro Oliveira Pires, educador baiano. Ele diz que lembrou-se de mim ao encontrar em seu acervo uma foto de Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha Miss Brasil inesquecível. De repente, sem querer, Genaro deu-me inspiração para produzir a penúltima Sessão Nostalgia de abril, pois revendo outras mensagens suas encontrei fotos de rainhas da beleza em nostálgico branco e preto. 


Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. O País sentindo-se injustiçado por ela ter perdido o título universal da beleza devido às lendárias duas polegadas a mais nos quadris. 
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957.
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Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1960. Acenando para o público ao lado da Rainha da Festa da Uva, no Rio Grande do Sul.

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Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, Miss Brasil e quinto lugar no Miss Universo 1962. Visitando o Banco da Bahia antes de viajar para Miami Beach.
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Vera Fischer, Miss Santa Catarina, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1969. Visitando uma indústria catarinense de abatimentos de bovinos 
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Ana Almeny, Miss Surubim, Miss Pernambuco 1970. Durante uma festa no interior pernambucano. 
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Lúcia Petterle, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971, em pose de modelo fotográfico.  
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Ana Maria do Rosário Lerner, Miss Alagoas 1972, e seu singelo traje típico. Singelos eram todos os trajes típicos daquele tempo.

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        Quase meia-noite em Timbaúba, Pernambuco. Antes do sono chegar, estou ouvindo "Retrato em branco e preto", uma canção de Tom Jobim (1927-1994) e Chico Buarque de Holanda, esperando sonhar com os antigos e inesquecíveis concursos de misses. 

Já conheço os passos dessa estrada

Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar



Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

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Retrato em branco e preto

sábado, 14 de junho de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - O único rancor de Gina Macpherson, Miss Brasil 1960

Daslan Melo Lima


      No inicio do mês passado,  no site oglobo.globo.com/, uma matéria de Natasha Mazzacaro,  mostrou como vive hoje  Jean Macpherson, ou melhor, Gina Macpherson, nome pelo qual tornou-se mais conhecida, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1960.  A reportagem tocou num assunto que causou polêmica na época:  Gina não teria alcançado uma melhor colocação em Miami Beach por causa de um namoro com um motorista do concurso.  Em primeiro lugar, vou transcrever, na íntegra, a matéria de Natasha Mazzacaro, e no final, no melhor estilo Sessão Nostalgia, apresentarei o motorista.
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São Francisco, a recatada passarela da Miss Brasil 1960 - Alçada ao posto máximo da beleza nacional, Gina MacPherson não pediu a paz mundial, como tantas outras coroadas
Por 
Gina. Dos tempos de concurso, ela preserva a rotina saudável e o andar de miss – Foto: Márcio Alves

NITERÓI — No dia 11 de junho de 1960 — um sábado temperado de meio de outono —, todos os televisores do país estavam ligados. Em frente a eles, amontoavam-se pais e mães de família, crianças e adolescentes, além dos parentes e vizinhos que, porventura, não possuíssem aparelho televisor em casa. Era noite de Miss Brasil e, naquela época, o concurso causava comoção similar a uma final Brasil-Argentina da Copa do Mundo. Do outro lado da tela, 25 mil pessoas fervilhavam no Maracanãzinho, enquanto Gina MacPherson caminhava elegantemente com um vestido branco de alcinha e saia drapeada esvoaçante, que fizeram com que os jornalistas da época a apelidassem de “O Cisne". Ela não lembra muito bem do momento em que foi alçada ao patamar mais alto de beleza feminina do país, mas se recorda da cegueira momentânea causada pelos holofotes e da sensação de embriaguez quando todas as candidatas correram para abraçá-la.

Poucos dias depois, Gina, então com 19 anos, embarcou para Miami, onde disputaria a faixa de Miss Universo e amargaria uma derrota. Com inglês fluente ensinado pela mãe americana e pelo pai escocês e com um corpo longilíneo, ela era tida como a favorita do certame, mas acabou ficando em sexto lugar.

— Eu nem tinha as tais duas polegadas a mais de quadril que haviam desclassificado a Martha Rocha. Eles chegaram a tirar minha foto com a coroa de Miss Universo, mas quem acabou ganhando foi a americana Linda Bement — conta uma Gina ainda esbelta aos 73 anos, e que até hoje caminha como se tivesse uma pilha imaginária de livros sobre a cabeça.

Na verdade, o único rancor que ela guarda daquela época foi justamente o rumor que surgiu para explicar o sexto lugar no Miss Universo. Cada candidata contava com um motorista universitário, que levava as moças para os compromissos externos. Na festa da premiação, Gina deu as mãos e dançou com o seu cicerone e, fotografada, foi acusada de ter perdido a coroa devido a um suposto namorico.

— Fiquei muito chateada porque não era verdade. Eu namorei e aproveitei muito essa época, mas não com ele. Quis voltar direto para o Brasil, porque tive um outro aborrecimento com o cônsul brasileiro, que queria que eu desfilasse de maiô no aeroporto de Miami. Eu era miss, não vedete — frisa.
De volta para casa, Gina conta que viveu “um ano de Cinderela", antes de decidir se afastar dos holofotes e se dedicar integralmente a sua futura família. Naqueles meses, ela ganhou roupas e joias de senhores mais velhos que se plantavam na porta do Hotel Serrador (o hotel das misses). Certa vez, chegaram da Alfândega caixas de bombons e cartas de amor de um admirador americano que Gina nunca chegou a conhecer. O que muitos ignoravam é que, ao contrário das outras moças que brincavam de miss na frente do espelho, Gina nunca tinha pensado em se candidatar até menos de um mês antes daquele 11 de junho.

Recém-saída da escola, ela foi trabalhar como recepcionista da companhia aérea britânica Boac, que funcionava num escritório envidraçado na Cinelândia. Um belo dia, apareceu um rapaz que se prostrou na calçada por três dias seguidos. Ele era um olheiro do Botafogo e convidou a moça para concorrer a Miss Guanabara pelo clube.

— O Miss Guanabara era muito mais concorrido. Uma moça chegou até a dizer que eu não poderia participar, porque até o meu papagaio falava inglês — diverte-se. — Mas isso foi um rio que passou na minha vida. Não me acho fotogênica e, geralmente, não dou entrevistas — justifica ela sobre as negativas aos muitos pedidos da equipe do GLOBO-Niterói, por cerca de nove meses.

Filha de um importador de uísque, Gina nasceu em Icaraí e passou sua infância entre o Rio Cricket, a piscina do Clube de Regatas e os estudos ministrados pela mãe, uma mulher prática que ensinou às três filhas o valor da independência. Talvez por isso, Gina prefira retocar seu portão sozinha, cuidar do seu jardim, em São Francisco, e fazer ela mesma suas unhas e o cabelo. Ela acredita que tenha escolhido uma rotina pacata por causa do frenesi vivido no período dos concursos. Passada essa fase (nem a faixa de Miss Brasil restou: ela foi roubada há alguns anos, na Inglaterra), ela voltou com o ex-namorado e oficial da Marinha Ademar Garcia (falecido há duas décadas), casou-se, teve três filhos que a chamam de mommy (mamãe, em inglês), cinco netos e espera seu primeiro bisneto. Gina era tão assediada que o casal, quando ia ao cinema, “entrava e saía da sala no escuro", lembra.

— Aproveitei aquele ano, e não me arrependo de nada. Meu temperamento não é o do palco iluminado. A velha guarda me reconhece, mas quando a pessoa não tem certeza, nem digo quem eu sou — enfatiza, sempre enérgica, do alto do seu 1,72 de altura e por trás de seus olhos azuis-turquesa.

Hoje, Gina passa seus dias entre caminhadas e aulas de pilates, saladas (“Sou comportada") e seu grupo de amigas. É com elas que a ex-miss Brasil viaja o mundo todo e lagartixeia na piscina do Sailing Club.

— Só tomo remédio para pressão desde os 32 anos, mas não sinto uma dor no corpo. Meu prazer foi ter viajado para mais de 20 países. Mas não moraria em outro lugar, não. Só sou feliz em Niterói — vaticina.
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O ÚNICO RANCOR DE GINA MACPHERSON 


NAMORO - O universitário americano Steve Crossmark foi, segundo os nossos enviados especiais, uma das razões por que Jean Macpherson não alcançou melhor colocação em Miam Beach. Preferindo estar em sua companhia, Jean (na foto, com SC) não se promoveu, deixando de comparecer a entrevistas, ensaios e banquetes. O rapaz é boa pinta, como vêem. Mas Jean, afinal, foi representar o Brasil num concurso de beleza, não de namoro. Deixasse os arrulhos para depois. *****  (Primeira página da O Cruzeiro, de 23/07/1960, revista de propriedade do grupo  Diarios e Emissoras Associados, promotor do concurso Miss Brasil. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)
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ROMANCE EM MIAMI – Em companhia de sua hostess, Miss Brasil prepara-se para tomar o carro oficial do concurso posto à sua disposição. O motorista é Steve Crossmark, universitário, membro de excelente família de Miami Beach. E desse contato de “boa vizinhança” surgiu um romance que Jean Macpherson não procurou esconder. (O Cruzeiro, 23/07/1960. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)

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Gina Macpherson, boas recordações de Miami Beach


      A bronca pública que O Cruzeiro deu em Gina, sem dúvida, foi muito forte. Daí surgiu o único rancor que a Miss Brasil 1960 guardou do seu reinado. 
     Era o primeiro ano de uma década que mudou a face do planeta Terra. Os valores eram outros, o mundo era outro... De alguma forma, Gina se destacou de forma positiva, como atestam vários textos e imagens postados na mesma edição daquela  revista: Gina sendo madrinha de uma aeronave, vestida de baiana ao lado do prefeito de Miami, posando com a coroa de Miss Universo durante um ensaio, etc. (O Cruzeiro, de 23/07/1960). ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)


HOTEL QUIS MOSTRAR PERNAMBUCO A JEAN - Na faixa dos hoteis milionários de Miami Beach, o maior e mais famoso é o Hotel Fontainebleau. Em sua buate “La Ronde” estava sendo encenado o show Estravaganza Latina e Jean Macpherson foi convidada, com uma caravana brasileira, para assistir ao espetáculo. Uma parte era intitulada “Welcome to Pernambuco”, sem frevo mas com samba em ritmo de mambo. Ela foi recebida com palmas, dançando um samba sofisticado com um carioca de imitação. Fez sucesso, a brasileirinha. (O Cruzeiro, 23/07/1960. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)

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Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil 1960. (Foto: O Cruzeiro).

      Torço para que você, Gina Macpherson, eterna Miss Brasil 1960, leia esta Sessão Nostalgia. Quero que saiba que seu nome está na relação das minhas namoradas platônicas. Gina, Miss para sempre Miss, figura inesquecível dos mágicos anos 60, década da qual fui testemunha, sem imaginar que um dia estaria diante de um computador resgatando essas histórias e espalhando-as para o mundo.

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sábado, 7 de setembro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - Quando as Misses voavam pela Varig

Daslan Melo Lima

          Houve um tempo em que viajar de avião não era uma coisa comum. Subir ou descer a escada de uma aeronave e acenar para as pessoas presentes ao embarque ou desembarque era uma das coisas mais chiques do mundo.  A sempre lembrada empresa Varig foi parceira de vários concursos de Miss Brasil. 
      Através de imagens que pesquisei na Internet, vamos para o  túnel do tempo, viajar com as misses ou entrar com elas no escritório da Varig em New York.

 
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954.
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss universo 1957.
Teresinha Morango, a atriz Ilka Soares e o apresentador Jota Silvestre (1922-2000) num programa de televisão.
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Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958.
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Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia, Miss Universo 1958
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Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, quinta colocada no Miss Universo 1959.
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Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil 1960.
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Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963, ao lado de Carmem Teresinha Lucca, vice-Miss Rio Grande do Sul, Miss Objetiva do Brasil, Miss Objetiva Internacional 1963.
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Telegrama da gerência da Varig em Aracaju, SE, colocando à disposição de Jerusa Farias, Miss Pernambuco 1969, passagens aéreas com direito à acompanhante para uma festa a ser realizada no Iate Clube de Aracaju. ***** Imagem: Acervo de Jerusa Farias/Miss PE 1969.
Túnel do tempo 1969 - Maria do Socorro Costa, Miss Paraíba; Maria Carmen Gentil Barreto, Miss Sergipe; Yara Lúcia Bezerra, Miss Rio Grande do Norte, e Maria Jerusa Freitas  Farias, Miss Pernambuco, depois da festa realizada no Iate Club Aracaju. Momento em que a anfitriã Miss Sergipe acompanhava suas colegas ao aeroporto onde as mesmas retornariam para os seus Estados de origem via Varig. ***** Foto: Acervo de Jerusa Farias/Miss PE 1969.
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        Quando vejo as instalações modernas do Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre, no Recife, fico admirado com tudo aquilo, mas acho o ambiente “frio”. Sinto saudade daquele tempo onde víamos as pessoas subindo ou descendo as escadas dos aviões. Havia mais romantismo e poesia.  


     Dedico esta crônica a minha amiga Adelucia Pereira de Melo, acima, ex-funcionária da Varig, que se emociona muito quando escuta “Esperando Aviões”, de Vander Lee. Detalhe:  Adelucia teve um namorado que nutria uma grande paixão platônica por uma das misses focalizadas nesta Sessão Nostalgia. O nome da Miss? Não direi. Melhor conservar o mistério, a fim de combinar com um tempo que se foi, para sempre se foi.

Esperando aviões

Meus olhos te viram triste  olhando pro infinito 
 Tentando ouvir o som do próprio grito. 
E o louco que ainda me resta   quis te levar pra festa. 
Você me amou de um jeito tão aflito,
que eu queria poder te dizer sem palavras.
Eu queria poder te cantar sem canções.
Eu queria viver morrendo em sua teia,
 seu sangue correndo em minha veia, 
seu cheiro morando em meus pulmões. 

Cada dia que passo sem sua presença,
sou um presidiário cumprindo sentença, 
sou um velho diário perdido na areia,
esperando que você me leia.
Sou pista vazia esperando aviões.
Sou o lamento no canto da sereia, 
esperando o naufrágio das embarcações. 
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Letra e música de Vander Lee

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