O economista pernambucano João Botafogo gosta muito do assunto Miss. Possui milhares de revistas e mais de três mil fotos. “Adoro mandar digitalizar imagens publicadas nas revistas antigas. Mando proceder um tratamento especial e imprimir. As imagens ficam excelentes”, confessa. Embora reservado e avesso a aparições, gosta de colaborar e dar sugestões a este e outros blogs que focalizam as misses de ontem e de hoje. Com exclusividade, João Botafogo concordou em falar sobre os concursos de beleza e as misses que se tornaram inesquecíveis em sua vida.
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PASSARELA CULTURAL - Quais as suas misses inesquecíveis?
JOÃO BOTAFOGO - Citarei apenas a antiga “Namorada do Brasil”: Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1954.
Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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PC - Qual a jovem mais injustiçada da história do Miss Brasil?
JB – Lenita da Conceição Barros Gomes, Miss Maranhão 1959.
JB – Lenita da Conceição Barros Gomes, Miss Maranhão 1959.
Lenita da Conceição Barros Gomes
Miss Maranhão 1959
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PC - Qual a brasileira mais injustiçada em um concurso internacional?
JB – Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil 1964. Injustiçada no Miss Beleza Internacional 1964, quando lhe deram o terceiro e o não o primeiro lugar.
Vera Lúcia Couto Santos
Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964
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PC - Qual a Miss Brasil que teria sido uma excelente Miss Universo?
JB – Vou citar os nomes de três: Martha Rocha (1954), Adalgisa Colombo (1958) e Martha Jussara da Costa (1979).
JB – Vou citar os nomes de três: Martha Rocha (1954), Adalgisa Colombo (1958) e Martha Jussara da Costa (1979).
Marta Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1958
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PC – Qual a maior diferença dos concursos de ontem para os de hoje?
JB – Antigamente eram concursos empíricos, porém, as brasileiras eram bem preparadas. Maria Augusta da Socila entendia do assunto. Hoje, tem muita tecnologia e cirurgias plásticas. Sou contra.
Maria Augusta Thurmann Nielsen (1923-2009), a Maria Augusta da Socila, mestra da elegância e etiqueta, grande preparadora de misses. (Foto: acervo da família, publicada na revista Caras).
Maria Augusta Thurmann Nielsen (1923-2009), a Maria Augusta da Socila, mestra da elegância e etiqueta, grande preparadora de misses. (Foto: acervo da família, publicada na revista Caras).
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PC – Você aconselharia uma jovem da sua família a disputar um título de Miss?
JB – Só se eu tivesse certeza que ela ganharia o Miss Brasil e estivesse bem preparada para o Miss Universo.
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PC – A atual Miss Espanha é uma mulher trans. O que acha?
JB – Nada contra a sexualidade, mas existem concursos específicos para as trans.
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PC – Qual a mais bela Miss que você conheceu pessoalmente?
JB – Martha Rocha, perfeita. Conheci a eterna Miss Brasil na Feira da Providência, no Rio de Janeiro, em 1972. Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha.
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954, em foto da década de 1970
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PC – Qual o mais belo concurso de Miss?
JB – O Miss Universo de 1987, realizado no World Trade Center, em Singapura.
World Trade Center, Singapura, 26/05/1987
Top 10 do Miss Universo 1987
Da esquerda para a direita: Roberta
Capua, Miss Itália; Geraldine Edith Pebbles Asis, Miss Filipinas; Jessica Patricia Newton Vasquez-Saenz, Miss Peru; Marione Nicole
Teo, Miss Singapura; Carmelita Louise Ariza, Miss Turks & Caicos; Cecilia Carolina Bolocco Fonck, Miss
Chile; Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia; Michelle
Renee Royer, Miss Estados Unidos; Inés
Maria Calero Rodríguez, Miss
Venezuela; e Laurie Tamara Simpson
Rivera, Miss Porto Rico.
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987
O apresentador Bob Baker e Cecília Bolocco, Miss Chile. Atrás, Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987
Top 5 do concurso Miss Universo 1987
Da esquerda para a direita: Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos, terceiro lugar; Roberta Capua, Miss Itália, segundo; Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico, quinto; Cecília Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile, primeira colocada; e Inés Maria Calero Rodriguez, Miss Venezuela, quarto lugar.
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PC – O que acha da ausência dos trajes típicos no Miss Brasil?
JB – Não sinto falta. Antigamente eram trajes típicos mesmo, das regiões, mas depois ficaram parecendo fantasias de carnaval. Lembro-me do traje típico de Martha Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil 1979. O traje se destacou muito. Tratava-se de uma homenagem a Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, educadora, escritora e poetisa potiguar, considerada a primeira feminista do Brasil. Uma referência cultural muito importante.
Martha Jussara da Costa
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979
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PC – Você concorda com quem defende a proposta de que cada miss estadual deveria levar o seu vestido para o Miss Brasil?
JB – Plenamente, divulgaria os estilistas dos seus Estados, pois hoje os trajes de gala são todos semelhantes, até na cor, padronizados. Entre tantos vestidos belos do passado, lembro-me do modelo usado por Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil e Top 15 no Miss Universo 1965. Ela é uma das minhas queridas. Deveria ter sido Top 5 no Miss Universo.
Maria Raquel Helena de Andrade
Miss Guanabara, Miss Brasil, Top 15 no Miss Universo 1965
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PC – Cite um ponto positivo e outro negativo dos concursos promovidos na chamada era Silvio Santos.
JB – Positivo, ter escolhido a paraense Celice Pinto Marques como a Miss Brasil 1982. Negativo, omito-me em falar. Não me sinto à vontade para apontar erros. Tenho o meu gosto, mas não sou “expert” em organização de eventos de beleza.
Celice Pinto Marques da Silva
Miss Pará, Miss Brasil, Top 12 no Miss Universo 1982
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PC – O que falta para os concursos de misses no Brasil despertarem aquele entusiasmo similar ao da Copa do Mundo dos anos 50 e 60?
JB – É difícil pensar numa sugestão. O futebol está no sangue do brasileiro e os concursos de beleza jamais alcançariam esse patamar. Tudo vem espontaneamente.
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PC - Fique à vontade para acrescentar outros comentários que julgar necessários.
JB - Gostei muito da nossa conversa, Daslan Melo Lima. Não citarei mais opiniões, a fim de não causar celeuma. Sou muito controverso. Agradeço a sua gentileza por ter se lembrado de mim para esta entrevista. Estarei sempre à sua disposição.
PC - Grato por sua atenção, João Botafogo. Um abraço.
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