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domingo, 24 de março de 2019

SESSÃO NOSTALGIA – Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958, irreverências e borbulhas de champanhe


Daslan Melo Lima

Adalgisa Colombo 

Está prevista para o próximo mês, na Globo e no Gloplay, a estreia da minissérie Se  eu Fechar os Olhos Agora, escrita por Ricardo Linhares, com direção artística de Carlos Manga Jr, inspirada no livro homônimo de Edney Silvestre. A atriz Mariana Ximenes viverá o papel de Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.


                            Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958

         No livro “Feliz 1958 – O Ano Que Não Devia Terminar”, de Joaquim Ferreira dos Santos, Editora Record – Rio de Janeiro – 1997, há  várias revelações que dizem muito da personalidade irreverente da carioca Adalgisa Colombo, a manequim da Casa Canadá que se tornou um ícone da beleza brasileira.


       “Fui a primeira miss produzida em laboratório da história. Eu sabia que não tinha os olhos azul-turquesa da Marta Rocha: precisava inventar um diferencial, uma armação que superasse as outras. ”
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        “O maquiador oficial do concurso enchia de pancake as pernas de todas as candidatas, para esconder imperfeições. Aquilo dava um tom horrível à pele, morto. Deixei que o maquiador fizesse o trabalho, mas antes de desfilar fui ao banheiro e tirei tudo, no lugar coloquei óleo Johnson. Deu brilho, sensualidade, um aspecto mais saudável e atraente. ”
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    “Para que as pernas ficassem mais compridas ainda dei uma cavadinha no saiotezinho do maiô. Não era uma peça inteiriça como as de hoje. Vinha com um meio saiote para não deixar muito definido o desenho do sexo da mulher. Com a cavada, a sexualidade também ficou mais evidente e agressiva. ”
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     “As misses adoravam o cabelão nos ombros porque dava um clima mais romântico. Eu desfilei de coque. Era a maneira de valorizar o pescoço, uma parte muito sensual do corpo, e também os ombros. ”
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     “Um dos momentos mais tensos do desfile é quando a candidata vai ao microfone. Desde o ano anterior eu já estava trabalhando na Rádio Globo, com um programa de entrevistas, que era uma maneira de me preparar para o concurso. Me saí bem no teste do microfone, embora tenha sido um pouco agressiva no discurso. Disse que cada um devia se comportar do jeito que a educação lhe recomendasse. ”
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      “Pela primeira vez o concurso tinha uma diretora de desfile, a Maria Augusta, da Socila, uma casa de curso de etiqueta que estava começando naquele ano. Só que eu era uma profissional de desfile, desfilava no estilo francês, e a Maria Augusta inventava umas coisas muito estranhas pras misses. Umas rodadinhas, uns pivôs, que faziam a arquibancada vibrar, mas muito cafonas. Me recusei a fazer as marcacões dela. Desfilei como se estivesse na Canadá.”
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         Adalgisa tinha 1,65m de altura, 56 quilos, 89cm de busto, 61cm de cintura, 21 de tornozelo e 89 de quadris, além de todos aqueles truques que já vimos, mas o concurso de Miss Brasil exigia mais. Exigia uma avaliação, digamos, intelectual das moças nos bastidores. Os juízes passavam por elas e faziam perguntas de conhecimentos e sagacidade gerais. Adalgisa ainda se lembra do momento em que foi sabatinada por Nazaré.
      - "Se o fecho-ecler do seu vestido abrisse no meio do desfile, o que você faria?" – perguntou o ilustre costureiro. Adalgisa de início boquiabriu-se, depois pasmou-se. Enfim respondeu: - "Deixaria aberto, Nazaré. Decotado ficaria bem melhor.''  
       Ouçam o discurso que ela    fez, em inglês, of course, para Robert Kealer, o prefeito de Long Beach, a quem acabara de entregar um chapéu de cangaceiro: “Dizem que este chapéu foi usado por um pistoleiro chamado Lampião, que nossa policia militar matou no interior do Brasil. Mas não tenha medo, senhor prefeito, como o senhor vê, a cabeça dele não foi alvejada, somente o corpo. Coitado! Parecia um paliteiro.”
     Depois das gargalhadas, Adalgisa pediu que Kealer desse uma voltinha. Por alguma associação de imagens, lembrou do prefeito carioca, Negrão de Lima, que usava uma piteira toda empertigada e um chapéu gelô. “O senhor é elegante como o prefeito da minha cidade”, encantou Adalgisa. Virando-se para  a plateia americana, ela encerrou no mesmo tom. “Colombo descobriu vocês. Espero que agora vocês descubram a Colombo."


      Os organizadores do Miss Universo levavam as misses para um tour por Hollywood, sempre uma boa oportunidade de fotos para as revistas e, quem sabe, um romance consagrador para alguma moça. Adalgisa já estava comprometida com um empresário e alto funcionário da embaixada americana. De repente, um dos atores, o mais paparicado de todos, virou-se incomodado para aquela moça blasê. 
- Você não vai me pedir um autógrafo?
- Quem é você?
- Eu sou Hugh O’Brien, o Wyat Earp. Todo mundo me conhece.
 - Nunca ouvi falar, mas escreve aqui.
      O rapaz, que só faria sucesso no Brasil a partir do ano seguinte, com a mesma série, subitamente animou-se e tascou lá o autógrafo no papelzinho. Acreditem no que vem em seguida, porque aconteceu e está sendo contado aqui por primeira vez – e pela própria autora da façanha. “Eu pequei o papelzinho e piquei tudo bem pequenininho na cara dele" – relembra Adalgisa gargalhando. - "Onde já se viu homem tão convencido!"

      Evidentemente, nem todos estavam preparados para tanta autossuficiência. Pelo menos um dos juízes do Miss Universo confessou que foi por aí, por causa dessa arrogância, que o júri preferiu dar o título à colombiana Luz Marina, deixando Adalgisa com o segundo lugar. Foi o desenhista Vargas, famoso pelos desenhos de falsas pin-ups no início da Playboy americana. "Adalgisa perdeu porque deixou a naturalidade de lado"admitiu Vargas. Marta Rocha já tinha perdido porque tentara imitar os gestos e o andar de Marilyn Monroe. Agora é a vez de Adalgisa. Ela desfilou como se fosse a Gisa, modelo internacional. Não pode. A Miss Colômbia era mais espontânea e acabou ficando mais bonita com isso.
     Vargas queria mulheres de papel. Adalgisa era difícil de dobrar.

A recomendação de Adalgisa Colombo para Sônia Maria Campos, 
Vice-Miss Brasil 1958

Sônia Maria Campos
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Sônia Maria Campos e Adalgisa Colombo
Fotos de Gervásio Batista Manchete, Ano 6, nº 325, 12/07/1958
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          Ainda do livro de Joaquim Ferreira dos Santos: Em 1958, segundo a reportagem de Luís Edgar de Andrade, texto, e Indalécio Vanderley, foto – uma das duplas de ouro do incrível escrete de O Cruzeiro - , a grande concorrente de Adalgisa foi a morena Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, dona de grandes predicados físicos e que ainda por cima, como se não bastasse tal glória, “lê Shakespeare no original”. Sua eleição em Recife tinha ganhado contornos antropológicos: as adversárias, apesar do sotaque arretado da gota, eram todas louras. Foi preciso que Gilberto Freyre, com seu zelo genético, saísse de Apipucos para discursar veemente contra a excentricidade.
         Sônia tirou o segundo lugar no Miss Brasil, o que lhe dava o direito de disputar o concurso Miss Mundo em Londres. Antes de viajar, está em O Cruzeiro, Adalgisa lhe fez uma recomendação muito catita: - "Não deixe de ir à Holanda. Lá tem as tulipas, e as vaquinhas no inverno vestem um casaquinho abotoado na cintura.”

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Mariana XimenesFoto: Maurício Fidalgo / TV Globo

          “Ela tem um humor ácido e preciso, tem uma sagacidade absurda, mas, ao mesmo tempo, tem uma amargura bem profunda, mas que ela não revela. Tem tiradas absolutamente inteligentes. É uma mulher irreverente e se expressa desta forma na hora de se vestir, no cabelo, na maquiagem, nas unhas e na própria atitude. A Adalgisa é como borbulhas de champanhe”, ressaltou Mariana Ximenes sobre sua personagem ao gshow.globo.com

        Espero que a minissérie Se eu fechar os Olhos Agora focalize com fidelidade a personalidade e a trajetória de Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1958, entre irreverências e borbulhas de champanhe.

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Adalgisa Colombo, desmaio, aplausos e risos naquele sábado de 1958

Daslan Melo Lima


           Long Beach, Califórnia, Estados Unidos, manhã do ensolarado sábado de 19 de julho de 1958. Candidatas aos títulos de Miss Estados Unidos e Miss Universo 1958 posam nos degraus da escada semicircular  do Pacific Coast Club para a fotografia oficial.  
         "Um sol realmente californiano castigava as beldades. Adalgisa começou a sentir-se mal. Disse baixinho para um guarda: Está muito quente. Foi-se apoiando nele, levou a mão à cabeça e pediu-que a amparasse. Levaram-na para a enfermaria. Deram-lhe sais e ela se recuperou. Não quis, todavia, voltar à praia para as fotografias não oficiais. Houve receio que ela não suportasse a temperatura, durante o desfile de carrinhos do Ocean Boulevard. Mas ela resistiu bem. Acenou e sorriu para a multidão, durante todo o percurso. Foi uma das mais aplaudidas pela assistência: 200 mil pessoas para o Long Beach Independent e 100 mil para o Los Angeles Examiner." 

"As fotos são do ligeiro desmaio de Adalgisa Colombo em Long Beach. Apesar de bem carioca, ela não costuma ir à praia."
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Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1958.
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Acima e abaixo, as candidatas ao Miss Estados Unidos e Miss Universo 1958. As setas apontam as semifinalistas. Adalgisa Colombo é a quinta da direita para a esquerda, na fila de baixo.
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Luz Marina Zuluaga (1938-2015), Miss Colômbia, eleita Miss Universo 1958, é  a terceira da direita para a esquerda, na fila do meio.
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Na noite do mesmo sábado, "doze mil pessoas viram a abertura solene do concurso de Miss Universo, no Veterans Memorial Stadium. E viram Adalgisa Colombo, sorridente, oferecer ao prefeito de Long Beach (careca e simpático) um chapéu de cangaceiro. Muitas só não ouviram quando ela usou a palavra present em lugar de gift e se embaraçou para explicar a origem do presente: "Dizem que foi usado por um pistoleiro chamado Lampião, que nossa Polícia Militar matou a tiros no interior do Brasil. Mas não tenha medo. Como o senhor vê, a cabeça dele não foi alvejada. Somente o corpo, que mais parecia um paliteiro". Houve risos e ela não se perturbou. Deixou cair um envelope branco. O "mayor" Robert Kealer o apanhou e Adalgisa lhe disse: "É uma mensagem do prefeito de minha cidade para o senhor". Antes de se despedir dele (pedindo-lhe que tomasse café do Brasil), Adalgisa fez o prefeito dar meia volta. Olhou-o da cabeça aos pés e afirmou: "O senhor é mais elegante que o do Rio de Janeiro". Adalgisa queria esclarecer uma dúvida. Havia iniciado sua saudação dizendo que, por coincidência, os dois prefeitos eram muito simpáticos." 
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Fonte: O Cruzeiro, Ano XXX, Número 43, 09 de agosto de 1958
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No dia 25 de julho de 1958, seis dias depois daquele sábado, Adalgisa Colombo posava para os fotógrafos do mundo inteiro compondo o Top 5 do Miss Universo. ***** Da esquerda para a direita: Adalgisa Colombo, Miss Brasil, segundo lugar; Geri Hoo, Miss Hawaii, terceiro; Luz Marina Zuluaga, primeiro; Eurlyne Howell, quarto, e Alicja Bobrowska, Miss Polônia, quinto lugar. (Imagem: Ebay).

          E assim se passaram sessenta anos, muito tempo mas quase nada, em comparação com a eternidade das nossas almas.

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sábado, 6 de outubro de 2018

DE OLHO NO PASSADO - Manchete, Ano 16, Nº 838, 11 de maio de 1968


CATHERINE DENEUVE, ANJO OU DEMÔNIO? -  A jovem senhora é linda, rica e apaixonada pelo marido mas todos os dias, à tarde, ela se dirige a um apartamento, onde se entrega a toda espécie de sordidez. Esse é o papel interpretado por Catherine Deneuve em A Bela da Tarde, o filme de Luis Buñuel que está escandalizando as plateias do Rio e São Paulo. 
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O DESAFIO DA AMÉRICA LATINA - Em 1966, o senador Robert Kennedy visitou o Brasil e vários países da América Latina. No Rio, assistiu a um jogo no Maracanã e cumprimentou Pelé, no vestiário. No Nordeste, conheceu a situação dos trabalhadores agrícolas. Por toda parte ouviu líderes e gente do povo. De volta aos Estados Unidos, pronunciou um discurso de grande repercussão sobre o "desafio da América Latina". Pouco depois, o discurso tornou-se livro e acaba de ser publicado no Brasil.
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MÁXIMO GORKI, A VOZ DA ALMA RUSSA - A dimensão da fama de Alexei Maximovich Pyeshkov pode ser medida por três simples fatos: o nome de sua cidade natal, o da mais importante rua e o do mais notável teatro de Moscou foram mudados em sua honra. Ou, melhor, em honra do nome literário que ele tornou célebre em seus contos, romances e peças de teatro: Máximo Gorki, ou seja Máximo Amargo. Este é o ano do seu centenário, pois ele nasceu em 1868 em Nijni-Novgorod, hoje Gorki, situada a leste de Moscou. Nada fazia supor que o menino, filho de um simples estofador de móveis, morto quando ele tinha 5 anos, e criado por um avô avarento e cruel, viesse a se tornar uma das mais ilustres personalidades literárias do seu tempo. Durante sua existência, seu status social mudaria da pobreza e da obscuridade para a abastança e a glória. Mas as mudanças de seu país não seriam menores. ***** (Texto de Raimundo Magalhães Júnior - Foto da Agência Novosti)

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VANDERLEU, O PEQUENO LORDE - Os milionários da canção jovem tornaram-se proprietários de mansões cada vez mais luxuosas e surpreendentemente sofisticadas. Para morar, Vanderlei Cardoso, cantor "pra frente", prefere os ambientes "pra trás": móveis Luis XV e Luís XVI, espelhos, jacarandá, veludo. No seu apartamento de 21 cômodos, ocupando uma área de 400 metros quadrados, em São Paulo, é possível fazer uma viagem através de outras épocas. O tom do classicismo francês predomina sobre os outros. Ali, Vanderlei sente-se um lorde. 
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CONVITE DE ADALGISA COLOMBO, MISS DISTRITO FEDERAL, MISS BRASIL E VICE-MISS UNIVERSO 1958 -  Estrela de um comercial da revista Joia. ***** "Você está convidado para um encontro comigo e com as mais famosas personalidades brasileiras de todos os setores. Será em maio próximo, no número especial de JÓIA dedicado à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, a famosa ABBR. Nós esperamos por você. Lembre-se: é em JÓIA de maio." 

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sábado, 7 de julho de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - João Botafogo em entrevista exclusiva: "Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha"

Daslan Melo Lima                

          O economista pernambucano João Botafogo gosta muito do assunto Miss. Possui milhares de revistas e mais de três mil fotos. “Adoro mandar digitalizar imagens publicadas nas revistas antigas. Mando proceder um tratamento especial e imprimir. As imagens ficam excelentes”, confessa.  Embora reservado e avesso a aparições, gosta de colaborar e dar sugestões a este e outros blogs que focalizam as misses de ontem e de hoje.  Com exclusividade, João Botafogo concordou em falar sobre os concursos de beleza e as misses que se tornaram inesquecíveis em sua vida. 
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PASSARELA CULTURAL  - Quais as suas misses inesquecíveis?
JOÃO BOTAFOGO - Citarei apenas a antiga “Namorada do Brasil”: Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1954.


Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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PC - Qual a jovem mais injustiçada da história do Miss Brasil?

JB – Lenita da Conceição Barros Gomes, Miss Maranhão 1959.

Lenita da Conceição Barros Gomes
Miss Maranhão 1959

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PC - Qual a brasileira mais injustiçada em um concurso internacional?
JB Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil 1964. Injustiçada no Miss Beleza Internacional 1964, quando lhe deram o terceiro e o não o primeiro lugar. 


Vera Lúcia Couto Santos
Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964
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PC - Qual a Miss Brasil que teria sido uma excelente Miss Universo?
JBVou citar os nomes de três: Martha Rocha (1954), Adalgisa Colombo (1958) e Martha Jussara da Costa (1979).


Marta Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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 Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1958
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Martha Jussara da Costa
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979
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PC – Qual a maior diferença dos concursos de ontem para os de hoje?
JB Antigamente eram concursos empíricos, porém, as brasileiras eram bem preparadas. Maria Augusta da Socila entendia do assunto. Hoje, tem muita tecnologia e cirurgias plásticas. Sou contra.


Maria Augusta Thurmann Nielsen (1923-2009), a Maria Augusta da Socila, mestra da elegância e etiqueta, grande preparadora de misses. (Foto: acervo da família, publicada na revista Caras).
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PC – Você aconselharia uma jovem da sua família a disputar um título de Miss?
JBSó se eu tivesse certeza que ela ganharia o Miss Brasil e estivesse bem preparada para o Miss Universo.
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PC – A atual Miss Espanha é uma mulher trans. O que acha?
JB –  Nada contra a sexualidade, mas existem concursos específicos para as trans.
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PC – Qual a mais bela Miss que você conheceu pessoalmente?
JBMartha Rocha, perfeita. Conheci a eterna Miss Brasil na Feira da Providência, no Rio de Janeiro, em 1972. Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha.
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954, em foto da década de 1970 
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PC – Qual o mais belo concurso de Miss?
JB O Miss Universo de 1987, realizado no World Trade Center, em Singapura. 


World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
Top 10 do Miss Universo 1987 
Da esquerda para a direita:  Roberta Capua, Miss Itália; Geraldine Edith Pebbles Asis, Miss Filipinas; Jessica Patricia Newton Vasquez-Saenz, Miss Peru; Marione Nicole Teo, Miss Singapura; Carmelita Louise Ariza, Miss Turks & Caicos; Cecilia Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile; Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia; Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos; Inés Maria Calero Rodríguez, Miss Venezuela; e Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico.
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
O apresentador Bob Baker e Cecília Bolocco, Miss Chile. Atrás, Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
Top 5 do concurso Miss Universo 1987 
Da esquerda para a direita: Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos, terceiro lugar; Roberta Capua, Miss Itália, segundo; Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico, quinto; Cecília Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile, primeira colocada; e Inés Maria Calero Rodriguez, Miss Venezuela, quarto lugar. 
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PC – O que acha da ausência dos trajes típicos no Miss Brasil?
JBNão sinto falta. Antigamente eram trajes típicos mesmo, das regiões, mas  depois ficaram parecendo fantasias de carnaval. Lembro-me do traje típico de Martha Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil 1979. O traje se destacou muito. Tratava-se de uma homenagem a Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, educadora, escritora e poetisa potiguar, considerada a primeira feminista do Brasil. Uma referência cultural muito importante. 


Martha Jussara da Costa 
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979

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PC – Você concorda com quem defende a proposta de que cada miss estadual deveria levar o seu vestido para o Miss Brasil?
JBPlenamente, divulgaria os estilistas dos seus Estados, pois hoje os trajes de gala são todos semelhantes, até na cor, padronizados. Entre tantos vestidos belos do passado, lembro-me do modelo usado por Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil e Top 15 no Miss Universo 1965. Ela é uma das minhas queridas. Deveria ter sido Top 5 no Miss Universo.


Maria Raquel Helena de Andrade
Miss Guanabara, Miss Brasil, Top 15 no Miss Universo 1965

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PC – Cite um ponto positivo e outro negativo dos concursos promovidos na chamada era Silvio Santos.
JBPositivo, ter escolhido a paraense Celice Pinto Marques como a Miss Brasil 1982. Negativo, omito-me em falar. Não me sinto à vontade para apontar erros. Tenho o meu gosto, mas não sou “expert” em organização de eventos de beleza.


Celice Pinto Marques da Silva
Miss Pará, Miss Brasil, Top 12 no Miss Universo 1982
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PC – O que falta para os concursos de misses no Brasil despertarem aquele entusiasmo similar ao da Copa do Mundo dos anos 50 e 60?
JBÉ difícil pensar numa sugestão. O futebol está no sangue do brasileiro e os concursos de beleza jamais alcançariam esse patamar. Tudo vem espontaneamente.
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PC - Fique à vontade para acrescentar outros comentários que julgar necessários.
JBGostei muito da nossa conversa, Daslan Melo Lima. Não citarei mais opiniões, a fim de não causar celeuma. Sou muito controverso. Agradeço a sua gentileza por ter se lembrado de mim para esta entrevista. Estarei sempre à sua disposição.
PCGrato por sua atenção, João Botafogo. Um abraço.
         
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sexta-feira, 11 de maio de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Misses e Mães entre flores e reflexões


Daslan Melo Lima

          Esta secção rende um tributo a seis mães que um dia foram eleitas Miss Brasil. Entre flores e citações de personalidades famosas, elas "desfilam" com seus filhos e filhas, levando-nos a refletir sobre esta mágica e nobre palavra chamada MÃE.    
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Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil 
Vice-Miss Universo 1954



Martha Rocha com o esposo Álvaro Piano e os filhos Álvaro Luís  e Carlos Alberto. Martha ficou viúva e teve ainda a filha Claudia, fruto do seu segundo casamento com  Ronaldo Xavier de Lima.




“No momento em que uma criança nasce, a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo. ”  – Osho (1931-1990), líder espiritual indiano 
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Emília Corrêa Lima
Miss Ceará, Miss Brasil
Semifinalista (Top 15) no Miss Universo 1955



Emília Corrêa Lima e o esposo Wilson de Santa Cruz Caldas (1921-2005) com o primogênito Nelson. A Miss Brasil 1955 teve mais duas filhas, Marília e Emília.




“Toda mãe deveria se chamar maravilha.” – José Marti (1853-1895), poeta cubano
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Teresinha Morango
Miss Amazonas, Miss Brasil
 Vice-Miss Universo 1957


Alberto Pittigliani (1918-2003) com Teresinha Morango e os filhos Alberto e Andréa.


“Não tem no mundo flor em terra alguma, nem no mar e em nenhuma baía pérola tal, como um bebê no regaço de sua mãe”.  - Oscar Wilde (1854-1900), escritor irlandês.
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Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil
 Vice-Miss Universo 1958


Jackson Flores, Adalgisa Colombo (1940-2013) e Jackson Flores Jr. Depois de casar com Flavio Teruskin, seu segundo esposo, Adalgisa adotou dois filhos. A Miss Brasil 1958 e o filho Jackson Flores Jr morreram no mesmo ano de 2013. Ela no dia 18 de janeiro, de causa não divulgada pela família,  e ele em 29 de junho, de parada cardíaca. Jackson Flores Jr era jornalista, um dos editores  da Revista Força Aérea e autor de livros sobre aviação. 


“Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe.”  – James Joyce (1882-1941), escritor irlandês.
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Vera Ribeiro
Miss Distrito Federal, Miss Brasil
Quinto lugar no Miss Universo 1959



Vera Ribeiro e a filha única Cristiane, do seu primeiro casamento com Júlio Eduardo Secco


“O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.” – Agatha Christie (1890-1976), escritora inglesa.
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Martha Vasconcellos
Miss Bahia, Miss Brasil
Miss Universo 1968



Martha Vasconcellos e o primogênito Leonardo.  Abaixo, ladeada por Leonardo e Leilane, frutos do seu casamento com Reinaldo Loureiro




"Mãe, são três letras apenas as deste nome bendito / Também o céu tem três letras e nelas cabe o infinito." - Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho 
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     Sobrou uma cesta de rosas vermelhas. Ela é sua, caro leitor, cara leitora. Feche os olhos, imagine o seu perfume e entregue para sua Mãe, independente dela estar ou não neste plano. Ou então, guarde as flores para outro momento. Todo dia é dia de agradecer a Deus pela Mãe que Ele nos deu.  
      
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