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sexta-feira, 11 de maio de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Misses e Mães entre flores e reflexões


Daslan Melo Lima

          Esta secção rende um tributo a seis mães que um dia foram eleitas Miss Brasil. Entre flores e citações de personalidades famosas, elas "desfilam" com seus filhos e filhas, levando-nos a refletir sobre esta mágica e nobre palavra chamada MÃE.    
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Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil 
Vice-Miss Universo 1954



Martha Rocha com o esposo Álvaro Piano e os filhos Álvaro Luís  e Carlos Alberto. Martha ficou viúva e teve ainda a filha Claudia, fruto do seu segundo casamento com  Ronaldo Xavier de Lima.




“No momento em que uma criança nasce, a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo. ”  – Osho (1931-1990), líder espiritual indiano 
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Emília Corrêa Lima
Miss Ceará, Miss Brasil
Semifinalista (Top 15) no Miss Universo 1955



Emília Corrêa Lima e o esposo Wilson de Santa Cruz Caldas (1921-2005) com o primogênito Nelson. A Miss Brasil 1955 teve mais duas filhas, Marília e Emília.




“Toda mãe deveria se chamar maravilha.” – José Marti (1853-1895), poeta cubano
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Teresinha Morango
Miss Amazonas, Miss Brasil
 Vice-Miss Universo 1957


Alberto Pittigliani (1918-2003) com Teresinha Morango e os filhos Alberto e Andréa.


“Não tem no mundo flor em terra alguma, nem no mar e em nenhuma baía pérola tal, como um bebê no regaço de sua mãe”.  - Oscar Wilde (1854-1900), escritor irlandês.
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Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil
 Vice-Miss Universo 1958


Jackson Flores, Adalgisa Colombo (1940-2013) e Jackson Flores Jr. Depois de casar com Flavio Teruskin, seu segundo esposo, Adalgisa adotou dois filhos. A Miss Brasil 1958 e o filho Jackson Flores Jr morreram no mesmo ano de 2013. Ela no dia 18 de janeiro, de causa não divulgada pela família,  e ele em 29 de junho, de parada cardíaca. Jackson Flores Jr era jornalista, um dos editores  da Revista Força Aérea e autor de livros sobre aviação. 


“Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe.”  – James Joyce (1882-1941), escritor irlandês.
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Vera Ribeiro
Miss Distrito Federal, Miss Brasil
Quinto lugar no Miss Universo 1959



Vera Ribeiro e a filha única Cristiane, do seu primeiro casamento com Júlio Eduardo Secco


“O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.” – Agatha Christie (1890-1976), escritora inglesa.
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Martha Vasconcellos
Miss Bahia, Miss Brasil
Miss Universo 1968



Martha Vasconcellos e o primogênito Leonardo.  Abaixo, ladeada por Leonardo e Leilane, frutos do seu casamento com Reinaldo Loureiro




"Mãe, são três letras apenas as deste nome bendito / Também o céu tem três letras e nelas cabe o infinito." - Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho 
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     Sobrou uma cesta de rosas vermelhas. Ela é sua, caro leitor, cara leitora. Feche os olhos, imagine o seu perfume e entregue para sua Mãe, independente dela estar ou não neste plano. Ou então, guarde as flores para outro momento. Todo dia é dia de agradecer a Deus pela Mãe que Ele nos deu.  
      
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sábado, 29 de outubro de 2016

SESSAO NOSTALGIA – Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, aquele voo da jandaia azul


Daslan Melo Lima

Emília assomou à janela da cabine de comando do Convair, mal o aparelho aterrissou, e sorria para o povo, que a saudava: Emília! Emília! Emília!
No seu primeiro contato com a terra natal, depois que foi eleita Miss Brasil 1955, Emília Corrêa Lima recebeu, do povo cearense, uma das mais calorosas aclamações de que se tem notícia naquele Estado. Beleza e simpatia para a cidade inteira.

     A revista O Cruzeiro, de 23/07/1955, circulou em todo o País contando como foi a chegada em Fortaleza de Emília Corrêa Lima.  

     
Emília, pelo seu porte esbelto e esguio como o talhe da palmeira será, decerto, uma das mais fortes candidatas, frisava um trecho da matéria.



Brasil quer dizer Emília
Dos céus do Ceará voa a linda jandaia azul rumo a Long Beach. Vai levando beleza para concorrer com as outras belezas do mundo. A vitória é difícil. Boa sorte, Emília!


     Emília Barreto Corrêa Lima ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1955, ano em que a vitoriosa foi a sueca Hillevi Ronbim (1933-1996). 
      Arrodeada de netos e das doces lembranças de um tempo que se foi, Emília deve se emocionar ao folhear aquela O Cruzeiro em que foi comparada a uma das mais lindas aves que ainda desfilam pelo céu nordestino.

sábado, 23 de março de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – Carta a Emília, Miss Brasil


Por Daslan Melo Lima


           
          Nos últimos dias de julho de 1955, a famosa revista O Cruzeiro, a publicação mais lida do Brasil na época, chegava às bancas com uma tiragem de 630.000 exemplares, trazendo como uma das chamadas da capa o 36º Congresso Eucarístico Internacional, evento católico realizado no Rio de Janeiro, e como ilustração o conjunto infantil, também católico, Canarinhos de Petrópolis. Na secção da escritora Rachel de Queiroz (1910-2003), chamada “Última Página”, localizada exatamente na última página de O Cruzeiro, a sua crônica intitulada Carta a Emília, Miss Brasil, era dedicada à cearense Emília Barreto Corrêa Lima, Miss Brasil, representante brasileira no Miss Universo 1955, realizado em Long Beach, concurso vencido pela sueca Hillevi Rombin (1933-1996).

Emília Corrêa Lima, Miss Ceará, Miss Brasil, semifinalista no Miss Universo 1955.
           Eu tenho no meu acervo um exemplar daquela revista e quero compartilhar a relíquia com todos os meus leitores. Abaixo, a crônica de Rachel de Queiroz, transcrita exatamente como se encontra em O Cruzeiro,  de 30/07/1955, respeitando a ortografia em vigor nos anos cinquenta. O texto é um verdadeiro poema em prosa, lindo, terno, humano, místico, sábio, filosófico... Uma pérola que vale a pena conferir.

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CARTA A EMÍLIA, MISS BRASIL

Rachel De Queiroz

Minha flor:

          Quando esta carta sair impressa você talvez já esteja a caminho da América, para a disputa do grande título. É que eu ando por longe, metida no sertão da sua e minha terra, o que dificulta a rapidez das comunicações; mas palavras de amor nunca são demais nem tardias, e são justamente palavras de muito carinho que lhe posso dizer.
          Faz algum tempo que não a vejo. A última vez foi em sua casa; - você e Iaci, de saída para um cinema, creio, se entremostraram ràpidamente na porta da sala, para se fazerem apreciar pela “tia” que chegava de viagem. E reparei logo nessa sua esbelteza de galgo ou de garça, que é talvez o maior dos seus encantos. Nesta nossa terra de brevilíneas, você, longilínea perfeita, é uma maravilhosa exceção. Porém, em lugar da sua beleza e da beleza de sua irmã, igualmente tão linda, o que a família quis comentar foram os seus triunfos de estudiosa, tão de acôrdo com as tradições dos Barreto e dos Corrêa Lima; as famílias sofrem essa preocupação de subestimar a beleza das suas moças. Têm medo de que elas fiquem por demais vaidosas, que percam o amor da virtude e dos estudos, pelo amor da bonita cara e do bonito corpo.
          Felizmente, minha querida Emília, você não se deixou iludir pelas boas intenções dos de casa, e ao invés de tratar apenas de estudar, não se despreocupou de ser bonita. Teve a inteligência de dar valor a esse dom sobre todos os dons, que é a beleza. Sim, não acredite nunca quando lhe disserem que beleza é um acidente que não tem valor, que não dá felicidade, que mais vale inteligência, etc. Isso são chavões nascidos do desejo e da necessidade de consolar os feios. Uma bela mulher é uma perfeita obra de arte. Seja bonita com orgulho, com tranqüilidade, com segurança; cuide bem do seu rosto e do seu corpo, pois nada neste mundo vale mais do que a beleza. Quando eu tinha a sua idade, recebi um prêmio literário. (Recordo isso porque seu pai, então no Rio, no entusiasmo fraternal pela estreante, foi o meu melhor eleitor.) Pois, querida, não êsse modesto prêmio, destinado a estimular uma principiante, mas todos os prêmios literários deste mundo, até o Nobel, eu o daria de bom-gôsto para ser bonita como você o é.
          Eles dizem que não há mérito em ser bonita. Claro. Como não há mérito em ser inteligente, nem em ter bom caráter, nem em ser um gênio musical, nem um maravilhoso poeta. Manuel Bandeira, que foi um dos seus juízes, já nasceu com o dom divino; e com êle nasceu o seu poeta predileto, Carlos Drummond de Andrade. Tudo são dons, dons gratuitos, que se recebem da fonte de todos os dons. Valerão eles menos por isso? E a beleza, entre os dons, é o mais alto de todos: o maior elogio que se pode fazer a uma realização, a uma paisagem, a um poema, é dizer que são belos. Por que a beleza é a coroa que os completa. Nem a virtude se concebe sem beleza, nem a divindade. Não só os deuses dos pagões eram belos: a própria Igreja, dentro da sua austeridade, pinta os santos formosos. Alguém poderia imaginar Nossa Senhora feia? E Cristo, se viesse ao mundo na figura de um homem malformado, não seria até uma profanação? Vi outro dia o retrato autêntico de Santa Teresinha no seu leito de morte: era uma mulher de feições severas, nariz forte, rosto descarnado e precocemente envelhecido. Mas a agiografia oficial jamais permitiu que a reproduzissem assim e, em todas as imagens do culto, Santa Teresinha nos é apresentada como uma jovem de angélica beleza. (E digo angélica, porque os anjos são também padrões de formosura). Por que isso? Não será por frivolidade que a Igreja assim se empenha em tornar seus santos; será antes porque, com o seu profundo conhecimento do coração humano, sabe que a beleza atrai o amor e a devoção. Porque a beleza é como um sêlo de Deus.
        Filha de uma mulher muito linda, sempre adorei a beleza de minha mãe. Contam os de casa que um dia – eu teria uns seis anos - ela me pôs de castigo por motivo que me pareceu imerecido. E ao jantar, horas depois, ainda zangada com a injustiça, eu disse, encarando-a: “Só fico morando aqui porque você é bonita. Se você fosse uma mãe feia, eu fugia de casa”. Ela era também muito inteligente mas, agora que a perdi, o que mais lembro da infância, da mocidade, de todos os tempos em que vivemos juntas, é aquêle rosto formoso, que enchia a nossa casa como uma luz. E ao escrever estas palavras, sinto uma saudade tão grande, parece que uma coisa rebenta dentro do meu peito, e talvez eu não a tivesse amado tanto se ela não fosse tão linda. Nós nos orgulhávamos daquela beleza como de um tesouro de família, e a condição de seus filhos nos parecia um privilégio. Para nós era uma rainha.
          Você foi escolhida a mulher mais bela do Brasil. É um grande título, não acredite em quem lhe deprecie o valor, nunca desdenhe o seu dom maravilhoso. Todos lhe queremos bem por isso, lhe somos gratos por ter nascido e se criado tão bonita, nos orgulhamos de você. Se na América não lhe derem o título máximo, é porque os cegos são êles. Não viu que no ano passado, em lugar da nossa radiante Martha Rocha, prefeririam aquela pequena escocesa de lábios finos?
          Aqui ficamos, numa ansiosa torcida. Mas, volte você ou não com a faixa atribuída a Miss Universo, de qualquer forma será a nossa Miss; a única que nos agrada e igualmente nos encanta, Emília Barreto Corrêa Lima, a Miss Maguari, a Miss Ceará, a Miss Brasil.

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          Sem prejuízo da essência do primoroso texto de Rachel de Queiroz, desejo fazer duas pequenas correções na crônica. Manuel Bandeira (1886-1968) foi jurado do Miss Brasil em 1954 e não em 1955, enquanto Martha Rocha perdeu o título para Miriam Stevenson, norte-americana e não escocesa.


Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, na capa da revista Manchete.

          Emília Barreto Corrêa Lima é um nome que orgulha a memória do concurso Miss Brasil. Reinou com classe, elegância, e após o reinado casou, teve filhos, netos,  e hoje é uma tranquila viúva que mora no Rio de Janeiro. 

           Neste outono de 2013 que teve início há poucos dias, gostaria que todas as aspirantes aos tronos dos cobiçados reinados da beleza brasileira e seus coordenadores mergulhassem nesta Carta a Emília e refletissem nas sábias palavras de Rachel de Queiroz, “porque a beleza é  como um selo de Deus.”

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

SESSÃO NOSTALGIA – Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, e Eunice Weaver, a servidora do bem

-->Daslan Melo Lima
PRÓLOGO
                 A cearense Emília Barreto Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, filha do médico-humanitário Hider Corrêa Lima, envolveu-se durante a maior parte do seu reinado com promoções beneficentes, colaborando intensamente com a obra de Eunice Weaver (1902-1967), uma paulista que dedicou sua vida aos portadores do Mal de Hansen. Emília Corrêa Lima deu um exemplo maravilhoso de como alguém pode usar a beleza para transformar o planeta Terra num mundo melhor.  E Eunice Weaver, “A Servidora do Bem” , deu uma lição inesquecível de como a persistência em nobres ideais podem fazer a diferença no complicado planeta Terra.  
  EMÍLIA CORRÊA LIMA, MISS BRASIL 1955
                Emília Corrêa Lima ficou entre as 15 semifinalistas do concurso Miss Universo, realizado em Long Beach, Estados Unidos, no ano em que a vitoriosa foi a sueca Hillevi Rombin (1933-1996). ''Ela foi uma Miss Brasil discreta, bem de acordo com a sua personalidade. Jamais ofereceu motivo ao sensacionalismo publicitário. Recusou todos os contratos comerciais que lhe foram oferecidos, preferindo continuar na vida de sempre, em sua casa da Rua Carapinima, em Fortaleza. Seu escrúpulo chegou ao ponto de só comparecer a festas de beneficência, recusando cobrar pela presença, no que, evidentemente, não haveria nada demais. Assim foi durante todo o tempo em que esteve no trono da beleza brasileira.''  (Revista O Cruzeiro, 06/10/1956)
EUNICE WEAVER, A SERVIDORA DO BEM
 
                 Eunice Sousa Gabi Weaver nasceu em uma fazenda de café em São Manoel-SP, filha de Henrique Gabbi, um carpinteiro natural de Reggio, Itália, e de Leopoldina Gabbi, natural de Piracicaba, mas descendente de imigrantes suíços, tendo recebido educação austera. Sendo sua mãe portadora de hanseníase, quando Eunice  tinha três anos de idade, a sua família mudou-se para Uruguaiana-RS. Ali fez os seus estudos primários, no Colégio União.
               Tendo prosseguido os seus estudos em São Paulo, formou-se na Escola Normal e fez o curso de  Educação Sanitária.Certo dia de 1927, em visita a uma família amiga, reencontrou o seu antigo professor e diretor do Colégio União, Charles Anderson Weaver, viúvo, casaram-se seis meses depois, tendo ido residir em Juiz de Fora-MG. Embora o casal não tendo tido filhos, Eunice cuidou dos quatro filhos do primeiro casamento do marido. Um ano mais tarde, Charles  foi convidado pela Universidade de New York  para dirigir a Universidade Flutuante da América do Norte,  instalada num transatlântico, que faria uma viagem ao redor do mundo para melhor formação de seus alunos. Tendo aceite o convite, partiu do  Rio de Janeiro acompanhado pela esposa, que aproveitou para estudar Jornalismo, Sociologia, Serviço Social e Filosofias Orientais, em visita a 42 países. Por onde passou, interessou-se pelo problema da hanseníase, principalmente nas ilhas Sandwich, Japão, China, Índia e Egito.
                De volta ao Brasil, fundou em Juiz de Fora a Sociedade de Assistência aos Lázaros.  De madrugada, quando passava o trem para Belo Horizonte, dirigia-se à estação ferroviária, a fim de prestar assistência aos hansenianos que eram transportados no vagão da segunda classe ao Leprosário Santa Isabel , naquela cidade. Ali, oferecia-lhes roupas, cobertores e refeições. Fundou o Educandário Carlos Chagas , em Juiz de Fora  (1921) e o Educandário Santa Maria, no Rio de Janeiro.  Em 1935, obteve do então Presidente da República, Getulio Vargas, a promessa de auxílio oficial para a obra, no montante do dobro do que ela conseguisse arrecadar junto à sociedade civil. Com esse acordo, Eunice dedicou-se a viajar por todo o país, divulgando a campanha da  Federação das Sociedades de Assistências aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.
               Foi a primeira mulher a receber a Ordem Nacional do Mérito, no grau de Comendador, em novembro de 1950, e a primeira pessoa, na América do  Sul,  a receber o  troféu Damien-Dutton. Publicou  "Vida de Florence Nightingale", "A Enfermeira" e "A História Maravilhosa da Vida". Representou o Brasil em inúmeros congressos internacionais sobre a hanseníase, tendo organizado serviços assistenciais no Paraguai,  Cuba, México, Guiatemala, Costa Rica e Venezuela.
               Foi homenageada com o título de "Cidadã Carioca" e com o título de "Cidadã Honorária de Juiz de Fora" . Foi delegada brasileira no 12º Congresso Mundial da Organizção das Nações Unidas, em outubro de 1967. Em diversos Estados do Brasil, instituições de assistência aos hansenianos levam o nome de "Sociedade Eunice Weaver". Em 09/12/1969, faleceu subitamente. O seu corpo foi sepultado ao  lado dos restos mortais do marido, no  Cemitério dos Ingleses, Rio de Janeiro. (Principal fonte de pesquisa: wikipédia)
EPÍLOGO

Selo da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, 1973, um reconhecimento ao trabalho de Eunice Weaver
               Ainda sobre Eunice Weaver - "Corajosa e arrebatada, possuía elevado caráter, que a permitiu manter-se lutando tenazmente em defesa dos seus "filhos", enfrentando dificuldades compreensíveis e situações complexas, nunca lhe faltando, porém, os auxílios da misericórdia do Senhor, e em hora alguma foi escasso o socorro do céu! Apesar das dificuldades naturais, no mais, tudo eram felicidades e contínuas alegrias. Mas, a batalhadora  Eunice Weaver perde inesperadamente o esposo, rompendo-se o elo de luz que lhe sustentava o equilíbrio no labor de consolação e de misericórdia. Na ausência do sempre solícito esposo, a jornada a sós lhe é mais difícil. Amigos leais buscaram animá-la, confortando-a e encorajando-a para a luta, mas a ausência física do idolatrado companheiro, pungia fortemente. Entretanto, em 1959, uma de suas amigas a levou até Pedro Leopoldo para conhecer o médium Chico Xavier e, a mensagem de paz e otimismo transmitida pelo médium, lhe deu forças para continuar." (Fonte: http://www.espiritismogi.com.br)


                             Ainda sobre Emília Corrêa Lima - "Como Miss Brasil, ela teve oportunidade de percorrer o seu próprio país, de ponta a ponta. Conheceu, então, D. Eunice Weaver, com quem colaborou numa campanha de assistência aos lázaros. Até ao Paraguai ela foi, a fim de participar de um  desfile de modas, de  caráter  beneficente. Às vezes eu me senti cansada – declara -, mas bastava olhar para D. Eunice e logo recuperava as forças. Deus recompensou depressa as minhas canseiras, fazendo-me  encontrar a felicidade. São sempre boas as experiências que enriquecem a vida da gente. Ser Miss é uma experiência que dura um ano,  numa idade em que cada ano vale por dez. Do ponto de vista financeiro, não  direi nada. Não recebi muito dinheiro.  Mas aconteceram coisas maravilhosas. Ganhei muitos presentes... Vale a pena ser Miss, sim.  Pelo carinho do povo, pelas boas amizades, pela oportunidade de fazer o bem, cooperando com uma mulher extraordinária, como D. Eunice Weaver. E, ainda, porque foi como Miss Brasil que acabei conhecendo o  homem a quem amo e que é hoje o meu marido. Vale a pena, sim! " (Fonte: Manchete, 11/06/1966).
               Emília Corrêa Lima casou em 15/09/1956, com o oficial do exército e engenheiro Wilson  Santa Cruz Caldas, filho de mãe pernambucana, nascido na Paraíba. Dessa união nasceram três filhos: Nélson, Marília e Emilinha. Radicada no Rio de Janeiro, Emília construiu duas creches em duas comunidades cariocas: ”Andorinha”, na Restinga, e ”Pequena Obra do Presépio”, no Cantagalo, zona sul do Rio de Janeiro, entre os bairros de Ipanema e Copacabana.
                 Gosto de ver as Misses envolvidas em campanhas humanitárias. Gosto do lema do concurso Miss Mundo, "Beleza com Propósito", pois graças a ele muito dinheiro já foi empregado em projetos sociais ao redor do mundo. Gosto de falar de Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955. O lema do Miss Mundo é de 1980, mas,  no distante 1955, Emília já disponibilizava sua  beleza como propósito para a construção de um mundo melhor.
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sábado, 7 de junho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA – EMÍLIA CORRÊA LIMA, O PERFIL DE CONSUMIDOR DA MISS BRASIL 1955

Daslan Melo Lima


               Faz exatamente 15 anos que uma senhora cearense natural de Sobral, radicada no Rio de Janeiro, veio passar vários dias no Recife, acompanhada do esposo, o paraibano Wilson  Santa Cruz Caldas, com quem estava casada desde 15/09/1956. Era junho de 1993. Com classe e educação, aquela senhora de 59 anos de idade, completados no dia 10 de abril daquele ano,chamava a atenção pela simplicidade de sua elegância, beleza e serenidade. Seu nome: EMÍLIA CORRÊA LIMA DE SANTA CRUZ CALDAS, nascida EMÍLIA CORRÊA BARRETO LIMA, ou simplesmente EMÍLIA CORRÊA LIMA, nome com o qual ficou famosa como MISS BRASIL 1955. Naquele junho de 1993, o jornalista Fernando Machado entrevistou Emília para a prestigiadíssima coluna Perfil do Consumidor, publicada no Jornal do Commercio-Recife, de 07/06/1993.

Uma Miss BrasilIeda Maria Vargas, também Miss Universo.
Uma Miss Universo - Yolanda Pereira, a primeira Miss Universo brasileira.
Uma Miss CearáMaria de Fátima Araújo, que representou meu clube, o Maguari. É minha grande amiga.
Uma mulher bonita - Catherine Deneuve. É lindíssima e uma grande atriz.
Um homem bonito - Robert Redford. Além de bonito é também um grande ator e diretor e faz filmes politicamente corretos.
PerfumeBandit,de Piguet, e Visa, da mesma grife.
XampuElseve, da L’Oreal.
Sapato - Qualquer um que seja cômodo. Adoro tênis e também uma sandália bem fresquinha.
DesodoranteLeite de Rosas. Sempre usei. Não somente como desodorante, mas para retirar maquiagem, como remédio para picada de insetos ou, então, quando dou encontrão nos móveis, etc.
Creme dental - Kolynos, Phillips e Crest.
Comida preferidaCafé com leite, pão com manteiga e queijo Por isso minha refeição preferida é o café da manhã. Adoro feijoada e também tapioca com coco e queijo. Quando venho ao Recife, nunca deixo de ir à Olinda só para comer aquelas deliciosas tapiocas.
Comida que detestaToda comida gordurosa e apimentada
Restaurante que gosta de ir - No Recife, Ponto de Encontro. No Rio, o Nino’s e o Alvaro’s. Em Fortaleza, o Trapiche.
Momento de saudade - Não tenho nenhum específico e, ao mesmo tempo, tenho.
Momento emocionanteQuando nasceu meu primeiro filho e o olhei pela primeira vez.
Flor - Rosa amarela.
Fobia - Fobia mesmo, nenhuma, mas tenho horror, nojo, a gato novo e morcego.
A palavra mais bonita da língua portuguesaSão tantas que eu não sei escolher. Assim de pronto me lembro de: paz, alvorada, claridade, amigo, saudade, adolescência e alegria.
E a mais feiaFome, certamente é terrível ! E ódio.
Personagem da história que gostaria de ser - Admiro vários, mas não gostaria de ser ou ter sido nenhum deles. Gandhi, por exemplo, foi um dos meus ídolos.
Quem gostaria que pintasse o seu retrato - Goya, Michelangelo, Rubens ou Renoir.
FrutaAbacaxi, que costuma aparecer em dezembro, bem maduro e geladinho.Não existe fruta igual.
Um homem elegante - Yves Montand.
Mulher eleganteInês de la Fressenge, Grace Kelly e Audrey Hepburn.
Um mito - John Fitzgerald Kennedy.
Uma personalidadeWalt Disney. Foi um gênio. Seu nome estará sempre ligado à alegria, crianças e encantamento.
A quem daria o Prêmio Nobel da PazA quem resolver com justiça a questão judaico-palestina.
Uma cidade inesquecível - Camocim, uma cidadezinha no litoral do Ceará, onde na infância e juventude passava as férias.
Cidade que gostaria de conhecerMuitas e muitas ainda. Budapeste,Córdoba,Copenhague, Bali, outras mexicanas e peruanas. E olhe que já conheço muitas.
Cidade que gosta de voltar - Paris e Roma.
BebidaSuco de tangerina, ou Royal Salut ou Dimple, on the rocks.
Um programa de televisãoJô Onze e Meia e Cara a Cara, com Marília Gabriela.
Uma novela inesquecível - Gabriela, Cravo e Canela.
Ator de TV - Meu netinho de oito anos Eduardo Caldas, o Pingüim da novela Corpo e Alma.
Atriz de TV - Glória Pires, Marília Pêra e Natalia Thimberg.
Cantor - Emílio Santiago, Tim Maia e Frank Sinatra.
Cantora - Beth Carvalho, Gal Costa, Elizete Cardoso, Barbra Streisand, Ella Fitzgerald e Donna Summer.
Emilinha Borba ou MarleneEmilinha.
Livro de Cabeceira - Não tenho. Estou lendo atualmente Um Táxi Para Viena D’Áustria, de Antonio Torres.
Escritor João Ubaldo Ribeiro e Gabriel Garcia Marquez.
PoetaCecília Meireles, João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira e Fernando Pessoa.
Quem levaria para uma ilha desertaMeu marido, meus filhos, meus genros e os cinco netos. Ia ser ótimo.
E quem deixaria por lá para sempre - Todos os políticos do mundo. Ia ser divertido vê-los fazendo promessas furadas, cada um querendo passar o outro para trás. Todos querendo falar e nenhum querendo ouvir.
Um médico - Meu pai. Antes de médico, ele foi um humanista.
Uma música que gosta de cantar - Gente Humilde e Sampa.
Hino Musical - Força Estranha.
Compositor - Caetano, Gil e Chico. Mas seria injusto não citar Capiba, Tom Jobim, Noel Rosa e Caymmi.
Uma peça de teatro - Um Sentimento Muito Delicado e todas as peças de Vianninha.
Ator de teatro - Antônio Fagundes.
Atriz de teatro - Fernanda Montenegro e Cleyde Yaconis.
Um político nacionalJayme Lerner.
Um político internacional - Anwar Saddat.
Quem gostaria que compusesse uma música para vocêCustódio Mesquita.
Um cabeleireiro0 meu, o italiano Mário del Ponti.
Um costureiro - Yves Saint Laurent.
Um artista plástico - Pancetti, Teruz e Elizeu Visconti.
Marilyn Monroe ou Greta Garbo - Marilyn Monroe.
Pelé ou Garrincha – Garrincha.
O que não pode falta na sua geladeira - Água.
Motivo de orgulhoTer construído duas creches em favelas cariocas: ”Andorinha”, na Restinga, e” Pequena Obra do Presépio”, no Cantagalo .
Motivo de decepçãoNão tocar violão e nem falar francês e inglês.
Gostaria de ser capa de qual revista - No tempo de Miss fui capa das principais: O Cruzeiro, Manchete e Revista da Semana.
Filme Inesquecível - Zorba, O Grego
Ator de cinema - Gian Maria Volonté e Jack Nicholson.
Atriz de cinema - Vanessa Redgrave, Jéssica Tandi e Whoopi Goldberg.
Pensamento - “Aprendi com a primavera a me deixar cortar e voltar sempre inteira”, de Cecília Meireles.

                Quando Fernando Machado perguntou se tinha valido a pena ter sido Miss Brasil, Emília Corrêa Lima respondeu: “Sim, pelos bons momentos e oportunidades, como viajar e conhecer pessoas interessantes. Fiz amizades que conservo até hoje. Conheci meu marido naquela época, casei, tive filhos e, em decorrência disto, hoje, tenho netos. Eu era jovem. Foram bons tempos e muita coisa boa aconteceu. “
               Resposta de uma mulher bem estruturada que conheceu a glória e o glamour dos anos dourados e não se deixou iludir pelos flashes, pelos holofotes, pela mídia e pelos aplausos. Por tudo isso, Emília Corrêa Lima, Miss Maguari, Miss Ceará, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1955, a filha de Dona Sara e do Dr.Hider, será sempre um dos maiores orgulhos cearenses.
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P.S. Emília cometeu um lapso na entrevista. Sua amiga Maria de Fátima Araújo, Miss Maguari 1956, não foi Miss Ceará. O título de Miss CE 1956 ficou com Maria de Jesus Holanda, Miss Clube dos Diários, 4º lugar no Miss Brasil. Emília foi a única Miss Maguari que ganhou o Miss Ceará.

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