Daslan Melo Lima
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Minha paixão pelos concursos de misses começou com ela: Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia e Miss Brasil 1962. Recentemente, encontrei na Internet uma matéria sobre Maria Olívia, abaixo reproduzida. Trata-se de uma entrevista postada na revista Kappa Magazine, Ano 1, Edição 14, Nº 14, de 28/02/2011, editada pela Abelhaneda Editora e Serviços de Comunicação Ltda, de Araraquara, São Paulo.
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PERSONAGEM DA KAPPA
Maria Olívia Cavalcanti Pereira de Cordis
Por Patrícia Piacentini
Fotos Henrique Santos
Pouca gente sabe, mas a Miss Brasil 1962 mora desde o final da década de 60 em Araraquara. Maria Olívia Cavalcanti Pereira de Cordis, 66 anos, é bastante discreta, por isso, não revela sua história para as pessoas, gosta de ser anônima, preservando o período de glamour apenas em sua rica memória. Apesar do nome de solteira ser Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, a Miss Brasil ficou conhecida como Maria Olívia Rebouças. Com um porte de modelo que mantém até hoje, ela conta com carinho como foi que a menina tímida da cidade de Itabuna, sul da Bahia, transformou-se em Miss.
Segundo ela, tudo aconteceu muito de repente, depois que foi estudar em Salvador. "O professor falou para eu representar a escola em um concurso de estudantes. Era tímida, não sabia andar na passarela, mas ganhei", conta. Na época, Evandro da Costa Lima, que cuidava de fantasias de carnaval, já previa o futuro de Maria Olívia; um dia, apostava ele, ela seria a Miss Brasil.
Em seguida, Maria Olívia ganhou o Miss Bahia e o concurso Miss Brasil tornou-se uma realidade: "Tinha medo de ir para o Rio de Janeiro, mas eu assumi que ia entrar e encarei o mundo", conta ela.
"Estava no hotel Copacabana Palace sendo produzida por cabeleireiros, com grandes costureiros por perto. Fazia frio e estava de maiô. Era noite e o Maracanãzinho fervia", relembra com detalhes.
E continua: "Entrei e escutei um aplauso aqui, outro ali, era grandioso", diz, mostrando a capa da revista Cruzeiro da época, que exibe sua foto recebendo a coroa de Miss. Ela também mostrou a faixa de Miss Brasil, além de diversas fotos suas de fotógrafos renomados.
CARREIRA INTERNACIONAL - Na época, Maria Olívia estava sempre acompanhada por Ruth Pacheco de Oliveira, que era como uma empresária e sabia todos os protocolos que a modelo deveria seguir. Logo em seguida, ela foi para Miami (EUA) representar o Brasil no Miss Universo, concurso em que ficou em 4º lugar, entre 80 moças do mundo inteiro. "Ganhei o prêmio de melhor fantasia", orgulha-se.
A Miss teve a oportunidade de continuar a carreira nos Estados Unidos, mas seu pai a trouxe de volta. "Quando voltei, tive que acompanhar a vencedora do Miss Universo por todo o Brasil. Era tudo muito sério, tinha glamour, não era vulgar", enfatiza. "Vivia no avião, cada dia em um lugar", completa. Ela também trabalhou na França, porque tinha um contrato com a Willys-Renault e participava dos salões de automóvel. "Trabalhei ao lado do Pelé", revela.
"Fiquei nessa trajetória durante quatro anos e passei por situações agradáveis e desagradáveis. É muita gente oferecendo dinheiro, tive que me educar. Com o tempo, consegui preservar o meu espaço", destaca.
CASAMENTO - Ouvindo a história da Miss Brasil, fica difícil entender por que ela veio para Araraquara, ainda mais por ter a família na Bahia. Quem a trouxe para a cidade foi seu marido, que tinha uma fazenda aqui. "Nos conhecemos no Rio de Janeiro. Namoramos seis meses e casamos na Bahia. Casei com quem eu queria", afirma ela. E casamento de Miss chama muita atenção. "Tinha umas mil e poucas pessoas. Meu vestido era deslumbrante", completa.
Veio para cá, ficou na fazenda e hoje mora na mesma casa para qual se mudou em 1968. Criou sua família em Araraquara: quatro filhos e quatro netos. No começo, conta que estranhou, mas foi participando de grupos e conhecendo as pessoas. "Hoje gosto imensamente de Araraquara".
Maria Olivia diz que, às vezes, as pessoas desconfiam que já a conhecem e ela se diverte com as situações. E muito hábitos do tempo de Miss ela mantem até hoje, como estar sempre com maquiagem e cabelo arrumado.
"Conheci o mundo sendo correta e as coisas para mim devem ser organizadas", destaca ela, que se questiona se hoje os concursos são tão sérios como na sua época. "Eu tive sorte e fui ousada. Não busquei o sonho; o sonho veio me buscar", finaliza.
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Detalhe: Maria Olivia é viúva do advogado e fazendeiro Olavo Almeida Pereira de Cordis. Ao contrario do que diz a reportagem, ela foi a quinta e não a quarta colocada no Miss Universo 1962. Chamava-se Evandro de Castro Lima (1920-1985), o figurinista e carnavalesco baiano que apostava no futuro de Maria Olívia como Miss Brasil. ***** Grato ao Edi Corrêa Leite, ex-coordenador do concurso Miss Sorocaba, que me deu a dica para localizar a matéria da Kappa Magazine na Internet.
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"Não busquei o sonho; o sonho veio me buscar", disse Maria Olívia Rebouças Cavalcanti. Não busquei a paixão pelas misses; a paixão veio ao meu encontro em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, quando vi minha Tia Soledade absorvida com a leitura da revista O Cruzeiro e quis saber sobre o que lia.
O assunto principal era a moça da capa, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil, posando na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo e no Cais dos Saveiros, em Salvador, Bahia.
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Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha Miss Brasil inesquecível