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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 746, referente ao período de 09 a 15 de agosto de 2020. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 25 de julho de 2020

DOM HENRIQUE SOARES DA COSTA, DESABROCHANDO PARA A ETERNIDADE


Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares, partiu no dia 18, deixando uma lacuna na propagação do sentimento de religiosidade de que o mundo tanto precisa. Alagoano de Penedo, 57 anos completados em 11 de abril, Dom Henrique faleceu no Hospital São José, no Recife, vítima de complicações provocadas pelo fantasma do Coronavírus.
Disse ele um dia:
"Se vamos morrer, por que nascemos?
Nós nascemos pra nos construir.
Nós nascemos como um sonho lindo de Deus.
Essa vida desse mundo ela é semente.
A morte não é o fim.
A morte é o desabrochar pra eternidade,
o verdadeiro nascimento.
Vamos morrer porque nascemos.
Nascemos para ir dizendo sim a Deus,
pra ir crescendo na fé,
no amor de Deus.
Até que na morte possamos nos abrir, desabrochar pra vida que é eterna,
pra vida de sempre,
pra vida da eternidade,
pra vida que nunca se acabará.
Nascemos pra morrer e viver pra eternidade de Deus."

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"A morte é o desabrochar pra eternidade."
Amém!
Assim Seja!
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Daslan Melo Lima
Timbaúba, PE
20.07.2020
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Vide
https://youtu.be/gjYJV96258I

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SESSÃO NOSTALGIA - Miss Secretária 1959

Daslan Melo Lima

Revista QUERIDA, Ano VI, julho de 1959, 2ª quinzena, Número 124, Rio Gráfica e Editora Ltda
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       Muito curioso o texto de um anúncio da empresa Remington Rand na revista QUERIDA daquele julho de 1959.  Quem terá sido a Miss Secretária 1959? Nunca soube quem foi. 

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Passarela Cultural ***** Passarela Cultural ***** Passarela Cultural

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Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL
Navegando abaixo, você encontrará  a seleção das edições anteriores.  
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“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade. “ 
- Paulo Francis  (1930-1997) pseudônimo de Franz Paulo Trannin da Matta Heilborn,  jornalista carioca, escritor, articulista e crítico de teatro, literatura e arte.
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sábado, 11 de julho de 2020

MARTHA ROCHA, A MISS QUE FEZ O BRASIL MUITO MAIS FELIZ

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CAFÉ DA MANHÃ SEM MARTHA ROCHA

Aquele garoto que chegava na padaria, e pedia pão francês para o café da manhã, ficava com água na boca quando via alguém comprar as bolachas "Martha Rocha", nome que homenageava a Miss Bahia, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1954. 
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Aquele garoto, anos depois, quando teve condições de comprar vários quilos de "Martha Rocha", já não se fabricava bolachas com o mesmo nome.
Também não existia mais a padaria do Sr. Manoel Lins d'Emery, o "Seu Neco Emeri", na cidadezinha alagoana de São José da Laje, às margens do Rio Canhoto.

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Aquele garoto que está triste com a notícia da morte da eterna Miss Brasil, sou eu, administrando velhas emoções inacabadas.
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Daslan Melo Lima 
Editor do blog PASSARELA CULTURAL
Timbaúba, PE
05.07.2020

 

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MARTHA ROCHA NÃO MORA MAIS AQUI 


No futuro, ao consultar os obituários deste ano, eles indicarão que ela morreu num dia quatro de julho. Eu, porém, me atrevo a dizer que a morte de Martha começou de forma silenciosa e íntima há quase dois anos quando ela precisou se desfazer da sua casa e ir morar em um abrigo para idosos. Sempre discreta como convém a uma alma nobre, não tornou público seu martírio, nem fez dele um panfleto barato para deleite de curiosos. Com toda certeza engoliu o choro e o sofrimento e seguiu em frente de cabeça em pé, como tantas vezes já havia feito ao longo da vida. 

Foi uma mulher que sempre teve a consciência de que o seu nome era de domínio público, porém a sua história pessoal era somente sua e essa, ela se dava ao sagrado direito de guardar consigo. Uma vida é feita de lembranças. Daquelas que através de objetos físicos ou materiais são guardadas, e de outras que são armazenadas no coração. Ao se recolher em apenas um quarto num abrigo para idosos, Martha tinha a noção de que era forçada a se desfazer de lembranças e pertences que lhe eram tão caros. Certamente sentiu o impacto. Tinha certeza que tanto ela, quanto sua história e sua vida teriam a partir daquele instante, que caber na mala que levava. 

Não é fácil, tampouco agradável, no entardecer da sua vida, ter que aceitar que ela se reduza a uma mala e você próprio tenha que se ajustar a uma “caixinha” para que nela seja depositada toda sua história. Sensível e inteligente como era, Martha percebeu que este mundo não lhe pertencia mais. Deixou-se seduzir pelas doenças oportunistas que surgiram e no final, acamada, sem se locomover, a audição também lhe foi tirada de forma sorrateira. Visitas eram raras. Afagos poucos. Solidão sempre presente ainda que cercada de vigilantes cuidadores. O palco da vida onde ela começou a brilhar ainda adolescente, de repente tornou-se escuro e vazio, sem aplausos e sem flores. E assim, Martha, ícone de um século, eternizada para sempre como uma deusa da beleza, saiu de cena como todas as grandes estrelas de cinema. Luzes apagadas, mas aplausos efusivos e memória permanente. 

À semelhança do emblemático filme “Alice não mora mais aqui” (1974), de Martin Scorsese, e que concedeu à sua protagonista Ellen Burtstyn o Oscar de melhor atriz por sua interpretação soberba da representação de inúmeras mulheres dos anos sessenta que foram em busca da obtenção do poder sobre suas decisões e suas vidas, Martha Rocha também decidiu que era chegada a hora de sair de “casa” em direção ao mundo que sempre lhe pertenceu e que lhe esperava: o mundo das estrelas... por isso, não chorem senhores.

Martha Rocha não mora mais aqui.
Está posta em merecido lugar de destaque junto ao panteão das estrelas e é a mais brilhante delas todas.
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Dema de Francisco
Dramaturgo, jornalista e memorialista
São Paulo, SP
Facebook / 06.07.2020
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  MARTHA, UMA ROCHA

Conheci Martha Rocha - sim, o Martha dela é com h - em 2007 ou 2008. Havia sugerido o nome dela para a 'Revista Joyce Pascowitch', emplacou de imediato. Naquele tempo ela morava em Volta Redonda e eu no Rio, em pouco tempo estava subindo a serra, sozinho. Cheguei no apartamento dela nervoso, tremia, afinal quem diria que algum dia eu estaria tomando café e entrevistando a maior Miss de todos os tempo?! Logo de cara nos gostamos, meu tremor foi notado por ela, que com toda delicadeza foi comentado com preocupação. Ficamos 2 ou 3 horas juntos, preparei bem a entrevista antes, li sua biografia e tudo mais, e saí de lá satisfeito. O prédio não era luxuoso, mas o apartamento dela sim, só peças boas e a vida dela melhor do que tudo. 

Martha Rocha viveu, de verdade. Teve dois filhos com Alvaro Piano, um milionário louco por ela que veio a falecer cedo, os filhos eram ainda crianças.
Mais tarde se casou com Ronaldo Xavier de Lima, jogador de polo, meio playboy, criado em Copa , tinha grana e também algum sentimento por ela que era tudo, menos amor.
Na lua de mel, durante um cruzeiro ele disse: " Agora vou terminar com o rosto mais bonito do Brasil". Plaft. Ela carregava uma marca debaixo de um dos olhos que disfarçava com uma grossa camada de pancake. Isso foi dito na matéria , não estou revelando segredo. O casamento tem várias versões, mas fico com a dela. Uma coisa é fato, ele era charmosão e traiu Martha com muitas amigas minhas, capas de revista. Alguma coisa ele tinha, pois elas iam no escritório dele tirar a roupa, que só tiravam para as revistas.

Martha ainda teve uma filha com ele - nunca se deram bem - e uma depressão profunda também, ficou magérrima e fumava muito.
Com o tempo a separação era inevitável e ela já madura foi trabalhar na H. Stern de Ipanema, tipo relações púbicas. Martha sempre foi do trabalho e brilhava nos salões do então High-Society do Rio e São Paulo. Além da beleza era iluminada. Quando chegava, parava.
Foi assim quando a levei numa festa de um amigo meu na Vieira Souto, lá muitos gays e senhoras que tiveram seus dias de dondocas e mais nada. Martha parou. Todos queriam tirar fotos com ela - ainda não existia selfie - e ela sempre sorrindo, dizendo que sim e nós na varanda, com o mar de testemunha. Dentro do grande apartamento, dava para sentir o barulho das unhas roídas das tais 'socialites' gordas , duras e invejosas.

Travamos uma bela e saudável amizade. Rodamos. Fomos um dia almoçar no restaurante 'Vernissage' em Penedo, outra vez a peguei para passar uma noite comigo em Bananal - as cortinas eram claras - ela nao dormiu nada, quando saí do meu quarto ela estava já arrumada, conversando com a dona da pousada e louca para ir embora. Sempre com elegância, sabia mandar o recado nas entrelinhas..

Em Volta Redonda ela era a rainha. Os colunistas adoravam ela, agenda cheia, mas por alguma razão - talvez financeira, saúde ou ambas - os filhos levaram ela morar em Niterói. Lá começou a nada dar certo. Martha não curtia a casa, mudou, ficou pouco tempo. Também não queria ser vista, era vaidosa, sabia o valor da sua imagem, de tudo que plantou no imaginário. Se recolheu total, depois de uma queda começou a ter problemas de locomoção. Adorava ler, fazer palavras - cruzadas (das difíceis) e usava as redes sociais com maestria. Nos falávamos pelo FB e também por fone.

Um dia, talvez por já nao ser mais possível ficar sozinha ou com cuidadores, os filhos a colocaram numa casa de repouso. Era o que tinha para agora, para uma mulher que teve uma das maiores coberturas da Avenida Atlântica, com boate e mangueira no jardim. Quando vendeu essa propriedade, o cunhado Piano ficou de aplicar seu dinheiro e sumiu. Na maturidade ainda encarou um câncer no seio, ia e voltava da radioterapia de táxi, sozinha, segurando os seios de tanta dor, quando passava pelas ruas de paralelipípedos.

Martha era para poucos, muitos obas e olas, mas intimidade mesmo, para poucos.Tive a honra de ser um deles. 
Descanse em Paz, minha queria amiga,uma rocha de mulher.
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Renato Fernandes
Jornalista 
São Paulo, SP
Facebook / 06.07.2020

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A VICE QUE DEU CERTO

Se até hoje no Brasil existiu um vice que deu certo, certamente errou quem apostou em José Sarney (vice de Tancredo Neves), Itamar Franco (vice de Fernando Collor) ou Michel Temer (vice da presidenta Dilma). Essa personalidade tem nome  e sobrenome: Maria Martha Hacker Rocha ou simplesmente Martha Rocha. 


E pensar que Martha foi eleita Miss Brasil em 1954 numa eleição quase  indireta apenas por um Colégio Eleitoral formado por sete jurados e sem a presença dos eleitores que seriam tempos depois traduzidos em numerosas platéias que lotavam o Ginásio Maracanãzinho poderia até parecer algo inusitado. Isso se não fossem a honestidade e a lisura dos  jurados na hora de escolher a Miss Bahia como a mais bela entre as seis candidatas de outros estados. Naquele júri ninguém foi  indicado pelo Centrão. Manoel Bandeira (poeta), Helena Silveira (escritora), Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza (jornalistas) jamais aceitariam se corromper nem receber propina para eleger outra menos competente nem bela para Embaixadora da Beleza Brasileira, mesmo sendo o Rio de Janeiro sede da competição ser o Distrito Federal e ter candidata. Daí ter sido legítima a eleição daquela que seria "A Primeira Namoradinha do Brasil". 


Uma década depois para esse título ser da atriz Regina Duarte, mas sem direito a coroa, faixa e manto. Então, qual o motivo de Martha Rocha ser "A Vice que deu certo?". Simples: Foi a partir de sua derrota no concurso Miss Universo por duas polegadas a mais no quadril que os concursos de miss em nosso País se popularizaram ao ponto de disputar a audiência no mesmo patamar de uma final da Copa do Mundo de Futebol. Isso até o final dos anos 60. 

Diferente dos outros vices que tivemos e não deram certo, Martha Rocha tinha carisma e sempre foi aplaudida nas aparições públicas. A eterna Miss Brasil nos deixou aos 87 anos. Teve uma vida de glamour. Tive o prazer de conhecê-la num evento no Recife promovido pelo coordenador do Miss Pernambuco, Miguel Braga. Ela resgatou um pouco a auto-estima do brasileiro que andava em baixa com as duas derrotas da seleção Canarinha nas Copas do Mundo de 50 e 54 e após o trágico suicídio de Getúlio Vargas. 


Teve amores e desamores. Mas isso é assunto para colunas de celebridades e de fofoca. O Blog do Magno é coisa séria. Ontem, Martha Rocha saiu de cena para entrar na história.
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Muciolo Ferreira
Jornalista
Blog do Magno Martins
Recife, PE
05.07.2020  
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Descanse em paz, Martha Rocha, 
você fez o Brasil muito mais feliz!

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Roberto Macêdo
Jornalista, porta-voz da nova franquia do concurso Miss Brasil.
Salvador, BA
Facebook / 05.07.2020

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sábado, 4 de julho de 2020

NO RITMO DO DESTINO

 



Um teclado danificado
aguarda o momento
de ser recolhido para o lixo.
Ao som de samba, forró, rock, etc.,
ele não percebia
que envelhecia.

Enquanto isso,
envelheço ao som do ritmo
que o destino
toca todo dia,
alimentando os versos livres
da minha poesia.
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Daslan Melo Lima
Timbaúba, PE
02.07.2020


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