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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 694, referente ao período de 18 a 24 de novembro de 2018. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 17 de novembro de 2018

Vende-se bolos no pote.

         



          Faz quinze dias que no pequeno cartaz afixado no poste se lia "Aluga-se". Eu passava e perguntava ao vento quantos bens materiais caberiam na casinha, e ele respondia: "Uns três móveis básicos e mil sonhos indispensáveis"O imóvel foi alugado e no novo cartaz se lê "Vende-se bolos no pote"
         Ontem, bati palmas na frente do portão e perguntei quais os sabores dos bolos. A pessoa que atendeu citou vários: laranja, chocolate, banana, abacaxi, etc.  Além de uns três móveis básicos e mil sonhos indispensáveis, a casinha agora abriga um festival de sabores. 
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- Daslan Melo Lima. Timbaúba, Pernambuco.

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Benção, Padim Ciço




Quando você, leitor, leitora, estiver lendo esta secção, estarei em Juazeiro do Norte, Ceará, realizando um sonho antigo: conhecer a terra do Padre Cícero Romão Batista.  
Voltarei mais leve e renovado, com a graça de Deus.
Um abraço e dias iluminados.
Daslan Melo Lima

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SESSÃO NOSTALGIA - A revoada das Misses de 1963

Daslan Melo Lima




          Nos meses de maio e junho de um tempo que se foi, era certo encontrar, nas mais importantes revistas brasileiras, páginas inteiras dedicadas às misses, como estas da Manchete, número 582, ano 11, de 15 de junho de 1963.
"Elas já despertaram para o seu grande sonho. Viram-se, de um momento para o outro, com uma faixa em torno do corpo esbelto e ouviram o doce ruído dos aplausos." 
"Na segunda quinzena de junho mulher e beleza serão o assunto de todas as rodas." 
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Vera Lúcia Maia, Miss Fluminense, Miss Guanabara, terceiro lugar no Miss Brasil.
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Edma Saraiva, Miss Minas Gerais.
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Vera Maria Barros Maia, Miss Ceará.
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Aizita Nascimento, Miss Renascença, sexta colocada no Miss Guanabara.
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Zélia Maria Mendonça Lopes, Miss Sergipe, sexto lugar no Miss Brasil, e Gerusa Sampaio, Miss Bahia. 
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          A palavra revoada, se por um lado traz do túnel do tempo a matéria da Manchete, faz-me lembrar "As Pombas", um soneto de Raimundo Correia (1859-1911). Com ele encerro esta Sessão Nostalgia, um mosaico de lembranças da adolescência povoado de misses e sonhos.

As Pombas

Raimundo Correia

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada.

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

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passarela cultural ***** passarela cultural

Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando mais abaixo, você vai encontrar a seleção de todas as postagens. 
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         A história  de PASSARELA CULTURAL começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, coluna sociocultural do extinto site Timbafest, editado por Walfredo Silva. Em 12/10/2007, a coluna migrou para blog, com o nome de PASSARELA CULTURAL, com o apoio de Evandro Silva, editor do missesnapassarela.blogspot.com.br , que me ensinou como desenvolver uma página na internet/blogspot.                 
      PASSARELA CULTURAL tem uma visibilidade impressa através da coluna sociocultural da revista TIMBAÚBA EM FOCO, publicação da qual sou editor.
    Três secções do meu blog são destaques: DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO, sobre a cena sociocultural de Timbaúba, minha pernambucana terra adotiva; MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE, recordações da minha infância em São José da Laje, a cidade alagoana onde nasci; e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões. A propósito dessa última, registro aqui o meu reconhecimento a duas personalidades que me incentivaram a escrever sobre o assunto e a compartilhar material e pesquisas: Dido Borges e Roberto Macêdo, editor do Miss Newsmissnews.com.br . 

     Muito grato pela atenção de todos. Continuem acessando PASSARELA CULTURAL, www.passarelacultural.blogspot.com.br .

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domingo, 11 de novembro de 2018

"As pessoas grandes são muito esquisitas"





      Devido à estiagem, alguns trechos da zona da mata sul pernambucana, guardando as devidas proporções, lembram um deserto; principalmente se no cenário há um baobá, a árvore citada em "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry
       O menino que um dia eu fui está comigo e recita em silêncio um trecho do famoso livro. "É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um julgamento de ti, és um verdadeiro sábio."
       Depois da foto, com receio de pagar mico, retiro-me do local sem fazer o que gostaria: dar um abraço no baobá. "As pessoas grandes são muito esquisitas", grita silenciosamente o menino que fui, citando outra frase do Pequeno Principe. 
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- Daslan Melo Lima. Fazenda Paquevira, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, 04/11/2018.
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MESMO ASSIM 
        Paro para uma foto na frente de árvores castigadas pela estiagem na mata sul pernambucana. 
       "Você precisa voltar no inverno para ver como isto é belo", diz o dono da propriedade. 
      "Voltarei, se Deus permitir, mas tudo isto é belo, mesmo assim"; respondo abrindo os braços, certo de que as adversidades também dão aulas de beleza e poesia. 
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- Daslan Melo Lima, domingo na Fazenda Paquevira, Vitória de Santo Antão, Pernambuco. 04/11/2108.
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FLOR DE PROVENÇA

       Enquanto caminho nos campos de lavanda do sudoeste da França, busco o ângulo ideal para eternizar o momento através da selfie
    As flores remetem a paisagens da Europa que só conheço através de fotografias. Nada custa fantasiar que estou em Provença, quando na realidade me encontro na mata sul pernambucana, região castigada pela estiagem. 
     A planta é conhecida por Flor de São Miguel, Capela de Viúva, Touca de Viúva, Viuvinha e Petreia. "Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume", dizia William Shakespeare. Vou chamá-la "Flor de Provença". 
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- Daslan Melo Lima. Sitio Paquevira, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, 04/11/2018.

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

A certeza da Grande Viagem


          Todos os dias são propícios para meditarmos sobre os mistérios da vida e da morte; mas o Dia de Finados, no entanto, tem todo um clima predispondo para uma reflexão especial. 
        Na capela consagrada à santa que tem o nome da minha mãe, Ana, os anjos invisíveis e o vento que sopra me dão a certeza que a morte não existe.  Morrer é apenas embarcar na Grande Viagem para cumprir outra missão em um dos fantásticos mundos do Pai. 

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- Daslan Melo Lima. Engenho Miranda, Goiana, Pernambuco, 1º de novembro de 2018.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Áurea Machado aos 80 anos: "a vida me ensinou a ser tolerante"

>>>>>        Lúcida, tranquila, de bem com a vida, D. Áurea celebra oito décadas de existência.


      Áurea de Morais Nunes Machado nasceu no dia 25/10/1938, na Rua Rodrigues Alves, em Timbaúba, filha de Sebastião Matias Barbosa e Felipa de Morais Barbosa, casal que teve nove filhos, sendo quatro homens e cinco mulheres. Seus pais lidavam com uma mercearia, um restaurante e uma hospedaria. “Eu tive uma infância muito feliz. Fui criada na tranquila Travessa do Ipiranga. Era muito amada e tratada como uma princesa. Estudei no Grupo Escolar Prof. Cavalcanti e depois na Escola Santa Maria, onde conclui o curso Pedagógico. Fui professora primária, função que adorava, durante quase 15 anos, em Cruz do Caboclo, Engenho Bonfim e Escola Elizabete Lira”, afirma com ar saudosista.
     Dona Áurea casou aos 21 anos de idade na igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores com o agropecuarista Manoel Nunes Machado, conhecido como “Mané Doutor”, que tinha a mesma idade sua. Foram quatro filhos da união: Marcílio (em memória), Márcia, Martha e Benjamim Arnaldo, que já lhe deram 14 netos e 13 bisnetos. Ficou viúva há 21 anos.
    Pingue-pongue com Áurea Machado – Um filme: Papai Pernilongo. *** Uma música: “Nunca Jamais”. *** Um livro:  O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Alan Kardec. *** Uma cidade inesquecível: Bento Gonçalves, RS. *** Comida: Culinária nordestina. *** Bebida: Suco de Graviola. *** Sobremesa: Pudim de leite condensado. *** Uma festa: Natal. *** O que mais admira numa pessoa: Sinceridade. *** O que não suporta: Falsidade. *** País que adorou conhecer: Portugal. *** Programa de TV: Os jornalísticos. *** Uma saudade perfumada: Calandre. *** Um motivo de orgulho: Ter sido chamada de Aurinha. Ser filha do Sr. Basto e de Dona Felipinha. *** Cor: Verde. *** Viver é... Fazer o bem. *** Morrer é.. Mudar para outra dimensão.
     Faz 30 anos que Doa Áurea conheceu a Doutrina Espírita. Atual Presidente do Centro Espírita Bezerra de Menezes, adora se envolver com as atividades assistenciais da instituição, tais como a sopa e o mungunzá que contempla semanalmente mais de quarenta famílias. Também tem as cestas básicas distribuídas no Natal.  Ao lhe fazer a última pergunta, “O que a vida lhe ensinou nestes 80 anos no planeta? ” Sem hesitar, ela respondeu: “Daslan, 80 anos de vida me ensinou a ser tolerante. ”  
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Dona Áurea Machado reuniu um grupo de familiares e amigos para um almoço no sábado, 27 de outubro, na residência da filha Martha. 

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Márcia, Benjamin, Áurea Machado, Martha e Silvana (viúva de Marcílio).
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Outras imagens ainda estão pendentes para postagens nesta secção. 
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Um pouco da trajetória de Áurea de Morais Nunes Machado foi destaque na página de Comportamento da revista TIMBAÚBA EM FOCO, outubro/2018, edição n° 90.


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DE OLHO NO PASSADO - João XXIII deixa para o mundo uma nova doutrina de união e paz. A morte de um Santo

Manchete, Ano 11, número 582, 15 de junho de 1963
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Sua Santidade, Papa João XXIII. O Sumo Pontífice deixou para o mundo uma nova doutrina de união e paz. 
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Neste número, o leitor encontrara´ampla reportagem sobre os dramáticos momentos finais do Papa da Bondade. 
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Na Sexta-feira Santa, dia 12 de abril, o Papa oficiava, assistido por Monsenhor Enrico Dante. Sua Santidade, ouvindo a expressão "pérfidos judeus", que cancelara há quatro anos, fez parar a cerimônia e repetir a prece, sem o adjetivo por ele definitivamente condenado.  ***** Faleceu o Papa! O Papa da Bondade Expirou" - assim foi transmitida à imprensa, no Vaticano, a lutuosa notícia, que, embora já esperada, encheu de viva emoção o mundo católico. ***** Texto de R. Magalhães Júnior - Inquérito em Roma de Vito Diniz Neto. 
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Enquanto as multidões oravam, o Dr. Antonio Gasparrini, médico do Papa, deixava o Vaticano em lágrimas, ao convencer-se de que nada mais poderia fazer. 
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O alegre e robusto camponês foi devastado em poucos meses pela doença implacável.
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Os horrores sem fim de duas grandes guerras fizeram de João XXIII um defensor constante da paz entre os povos.
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No verão de 1962, nos jardins de Castel Gandolfo, João XXIII meditou solitariamente nos destino da Igreja Católica e do mundo em crise.
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Durante a prolongada agonia, a luz acesa nos aposentos do Papa representava uma esperança para o mundo cristão. 

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SESSÃO NOSTALGIA - Adalgisa Colombo, desmaio, aplausos e risos naquele sábado de 1958

Daslan Melo Lima


           Long Beach, Califórnia, Estados Unidos, manhã do ensolarado sábado de 19 de julho de 1958. Candidatas aos títulos de Miss Estados Unidos e Miss Universo 1958 posam nos degraus da escada semicircular  do Pacific Coast Club para a fotografia oficial.  
         "Um sol realmente californiano castigava as beldades. Adalgisa começou a sentir-se mal. Disse baixinho para um guarda: Está muito quente. Foi-se apoiando nele, levou a mão à cabeça e pediu-que a amparasse. Levaram-na para a enfermaria. Deram-lhe sais e ela se recuperou. Não quis, todavia, voltar à praia para as fotografias não oficiais. Houve receio que ela não suportasse a temperatura, durante o desfile de carrinhos do Ocean Boulevard. Mas ela resistiu bem. Acenou e sorriu para a multidão, durante todo o percurso. Foi uma das mais aplaudidas pela assistência: 200 mil pessoas para o Long Beach Independent e 100 mil para o Los Angeles Examiner." 

"As fotos são do ligeiro desmaio de Adalgisa Colombo em Long Beach. Apesar de bem carioca, ela não costuma ir à praia."
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Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1958.
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Acima e abaixo, as candidatas ao Miss Estados Unidos e Miss Universo 1958. As setas apontam as semifinalistas. Adalgisa Colombo é a quinta da direita para a esquerda, na fila de baixo.
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Luz Marina Zuluaga (1938-2015), Miss Colômbia, eleita Miss Universo 1958, é  a terceira da direita para a esquerda, na fila do meio.
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Na noite do mesmo sábado, "doze mil pessoas viram a abertura solene do concurso de Miss Universo, no Veterans Memorial Stadium. E viram Adalgisa Colombo, sorridente, oferecer ao prefeito de Long Beach (careca e simpático) um chapéu de cangaceiro. Muitas só não ouviram quando ela usou a palavra present em lugar de gift e se embaraçou para explicar a origem do presente: "Dizem que foi usado por um pistoleiro chamado Lampião, que nossa Polícia Militar matou a tiros no interior do Brasil. Mas não tenha medo. Como o senhor vê, a cabeça dele não foi alvejada. Somente o corpo, que mais parecia um paliteiro". Houve risos e ela não se perturbou. Deixou cair um envelope branco. O "mayor" Robert Kealer o apanhou e Adalgisa lhe disse: "É uma mensagem do prefeito de minha cidade para o senhor". Antes de se despedir dele (pedindo-lhe que tomasse café do Brasil), Adalgisa fez o prefeito dar meia volta. Olhou-o da cabeça aos pés e afirmou: "O senhor é mais elegante que o do Rio de Janeiro". Adalgisa queria esclarecer uma dúvida. Havia iniciado sua saudação dizendo que, por coincidência, os dois prefeitos eram muito simpáticos." 
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Fonte: O Cruzeiro, Ano XXX, Número 43, 09 de agosto de 1958
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No dia 25 de julho de 1958, seis dias depois daquele sábado, Adalgisa Colombo posava para os fotógrafos do mundo inteiro compondo o Top 5 do Miss Universo. ***** Da esquerda para a direita: Adalgisa Colombo, Miss Brasil, segundo lugar; Geri Hoo, Miss Hawaii, terceiro; Luz Marina Zuluaga, primeiro; Eurlyne Howell, quarto, e Alicja Bobrowska, Miss Polônia, quinto lugar. (Imagem: Ebay).

          E assim se passaram sessenta anos, muito tempo mas quase nada, em comparação com a eternidade das nossas almas.

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sábado, 27 de outubro de 2018

Pintei de azul minha calçada, "por não poder de azul pintar as ruas"


          Basta uma pesquisa no Google para descobrir que a cor azul está associada aos sentimentos de lealdade, sabedoria, serenidade e fé.  O azul é considerado benéfico para o corpo e a mente, pois equilibra o metabolismo humano e produz um efeito calmante. É a cor do infinito, dos sonhos, e remete também às emoções profundas e eternas.


        Depois de dois anos sem pintar minha calçada, resolvi outra vez multiplicar o tom do céu e do mar na frente da minha casa. Quem adorava incluir a palavra azul em seus textos era o poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960). E foi inspirado nele que pintei de azul minha calçada “por não poder de azul pintar as ruas.”

Soneto do Desmantelo Azul

Carlos Pena Filho

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
                               
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

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Daslan Melo Lima
Timbaúba, PE, 22/10/2018


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