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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 608, referente ao período de 08 a 14 de janeiro de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Encontro de Lajenses, a maiar confraternização de conterrâneos do mundo

Reportagem em construção 

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Dez anos sem Galvãozinho

DEZ ANOS SEM GALVÃOZINHO 





Texto de Admaldo Matos de Assis
Imortal da Academia Pernambucana de Letras
Cadeira 12

          
        Há dois Antônio Galvão Cavalcanti Filho: o político, Galvãozinho, como era afetuosamente tratado pelos eleitores timbaubenses, e o estudante, Galvão, como chamado pelos colegas do curso clássico e da faculdade. Escrevi acima há, e não, houve, pois tanto o homem público como o outrora colega permanecem vivos na memória do povo e dos que lhe querem bem.
          Galvãozinho foi três vezes prefeito de Timbaúba. A primeira, eleito em 1968, aos vinte e três anos, com apoio do seu padrinho de batismo e político, deputado João Ferreira Lima Filho. Mais tarde, eleito e reeleito, em 2000 e 2004. Inteligente, honesto, dotado de notável espírito público, jamais cedeu ao populismo e ao fisiologismo. Pelo contrário, guardou sempre uma visão de estadista, que se preocupa mais com as futuras gerações, do que com a próxima eleição. Em consequência, se destacou pelas obras estruturadoras do município, tais como: Rodoviária Joel Monteiro, Matadouro Público, Ginásio Municipal Dr. Antonio Galvão Cavalcanti, Centro Educacional / PSF Emilia Cavalcanti de Moraes Neta, conclusão do Ginásio de Esportes Jacques Ferreira Lima.
          Conhecemo-nos em 1960, adolescentes, no Colégio Nóbrega. Convivemos quase diariamente até nos bacharelarmos em Direito, pela UFPE, em 1967. Ele foi um dos laureados da turma. Ainda estudantes, atuamos pela primeira vez no Tribunal do Júri, na Comarca de Timbaúba. Conheci sua família, residente em casa vizinha à Matriz. O pai, Galvão, titular de cartório e ex-prefeito; a mãe, Irene, que sobreviveria ao filho quase dez anos, e nunca abriu mão, até a morte, do comércio de leite; suas irmãs, então solteiras, Zed, Laís e Mônica. Estudamos juntos para dois concursos públicos, nos quais fomos aprovados: ele, para a Procuradoria da Fazenda Nacional; eu, para a Secretaria da Fazenda de Pernambuco. Em 1973, não pude comparecer, por motivo profissional, ao seu casamento com Norma, em Penedo, terra da noiva. Convidados, eu e minha mulher, Ceiça, para padrinhos de sua primeira filha, Juliana, recebi a notícia feliz, porém meio encabulado, por achar que a honraria ultrapassava meu mérito. Galvão era assim mesmo: de poucas palavras e atitudes largas. Depois vieram seus outros filhos: Katiane, Galvão Neto e Raquel; ele os queria muitos. Várias vezes saímos – os dois casais – para casas noturnas, a fim de assistir a shows, conversar e beber cuba-libre. Naquele tempo, como disse o poeta, tudo nos parecia impregnado de eternidade. Devo-lhe, ao longo de quase meio século de amizade, além da ajuda nos estudos e nos percalços da existência, o conselho pragmático e a palavra lúcida, nos instantes de devaneio juvenil e até nos arroubos da vida adulta.
           Em 1997, publiquei um conto sobre dois amigos – um residente na cidade e outro no campo. Aos domingos, todos os domingos, durante mais de trinta anos, o morador da cidade recebia o compadre. Iam à missa, dividiam a leitura dos jornais, almoçavam juntos, alinhavavam um diálogo reticente, que parecia dizer nada, – É isso, compadre... É a vida... Isso mesmo... A vida... –, depois cochilavam em espreguiçadeiras no terraço. Sempre, porém, que o visitante se despedia, o outro lamentava: Vá não, compadre, é cedo. A gente tinha tanto o que conversar...  Surpreendido com a notícia da morte de Galvão, me dei conta de que não nos víamos há alguns anos. Lembrei-me do conto. A realidade fora mais ingrata que a ficção, pois não tive a chance da despedida, não pude sequer lhe dizer: A gente tinha tanto o que conversar...
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Admaldo Matos de Assis
Imortal da Academia Pernambucana de Letras
Cadeira 12

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SESSÃO NOSTALGIA -

secção em construção

PAUSAS NA PASSARELA

domingo, 8 de janeiro de 2017

"Terra natal, quanto mais longínqua mas minha"


ENCONTRO DE LAJENSES, UM FESTIVAL DE EMOÇÕES INACABADAS -  "E se o destino tivesse contribuído para que lá eu tivesse permanecido?"  Eis a pergunta que de vez em quando faço ao vento pernambucano. Nunca saberei a resposta exata, diluída em encantos e desencantos. 
        Sei apenas que a infância alagoana às margens do rio Canhoto está presente no meu dia a dia, eternamente tatuada em minh'alma, envolvida em agridoce sabor de poesia. Consola-me o poeta espanhol Luis Cernuda: "Terra natal, quanto mais longínqua mas minha"
           Com a graça de Deus, estarei no próximo sábado, dia 14, na terra que me viu nascer, a fim de marcar presença no já tradicional Encontro de Lajenses, um festival de emoções inacabadas. 
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- Daslan Melo Lima, poetizando em Timbaúba, PE, minha terra adotiva, no segundo domingo de 2017.

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REFLEXÃO
"Há quatro tipos ideais: o cretino, o imbecil, o estúpido e o louco. O normal é a mistura equilibrada dos quatro."
- Umberto Eco (1932-2016), filósofo, semiólogo, linguista e romancista italiano.  
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sábado, 7 de janeiro de 2017

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Francisco Rodrigues da Paixão, o Chico Gordo que era magro

Ele fez fortuna e esteve em Londres com toda família

           
         
          Francisco Rodrigues da Paixão era natural da Paraíba e foi criado no engenho Aurora, em Itambé, PE. Filho de pai português e mãe brasileira, nasceu no dia 12 de fevereiro de 1845 e faleceu no dia 06 de fevereiro de 1945. Iniciou a vida profissional como marceneiro, pintor e dourador de igreja, chegando posteriormente a ser grande comerciante e político em Timbaúba.
        Francisco fez parte da primeira Câmara de Vereadores de Timbaúba e, embora fosse magro, era conhecido por todos como Chico Gordo, devido existir um outro Chico que era realmente gordo.  O apelido foi colocado pelo Vigário Augusto Cabral de Vasconcelos, primeiro pároco de Timbaúba.


       Chico Gordo foi focalizado na coleção Nosso Século, da editora Abril Cultural, onde sua foto aparece com a seguinte legenda: “As elites do Nordeste, seguindo velhos hábitos, costumavam viajar com frequência à Europa. Em 1907, Francisco Rodrigues da Paixão, negociante de Timbaúba (Pernambuco), esteve em Londres com toda família. Lá fez uma compra de chapéus da qual sobreviveu a nota fiscal. ”   
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Fonte: Timbaúba Ontem e Hoje-Volume II, Edições A Província-1996

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TÚNEL DO TEMPO - Turma de professoras do Grupo Escolar Elisabeth Lyra, ano de 1968, todas ex-alunas do Colégio Santa Maria. Entre elas, Walda Calábria, Ana Hermes, Maria Lucia Dias, Terezinha Simões e Jacira Maciel. Estava na moda colocar um acessório chamado bobe nos cabelos sob um lenço amarrado na cabeça. 
      Naquele 1968, uma das músicas brasileiras mais ouvidas era “Modinha”. De Sérgio Bittencourt (1941-1979).  

         Olho a rosa na janela, 
Sonho um sonho pequenino.
Se eu pudesse ser menino,  
Eu roubava essa rosa
e ofertava todo prosa à primeira namorada.
 E nesse pouco ou quase nada,  
Eu dizia o meu amor, o meu amor.

 Olho o sol findando lento, 
 Sonho um sonho de adulto.  
Minha voz na voz do vento,  
Indo em busca do teu vulto  
E o meu verso em pedaços 
 Só querendo teu perdão. 
Eu me perco nos teus passos
E me encontro na canção. 

Aí, ai, amor, 
Eu vou morrer buscando o teu amor. 
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Imagem: Acervo de Nilza Simões.

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SESSÃO NOSTALGIA – Castro, a cidade natal de Marly Simon, Miss Paraná 1969


Daslan Melo Lima

     Quantas cidades ganharam mais visibilidade na mídia graças à vitória de uma jovem num concurso de Miss? Dezenas. Uma delas é Castro, terra natal de Marly Sauerzapf Simon, Miss Paraná 1969, localizada às margens do Rio Iapó, fundada em 1778, município com quase 71 mil habitantes, distante 159 km da capital Curitiba.

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UMA CANÇÃO PARA CASTRO

Nandão Overdose interpreta “Castro Paraná”,


Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.
Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.

Vou seguindo a minha vida, vou lembrando de você
Passa o tempo não tem jeito, impossível te esquecer
A distância que machuca só aumenta a gratidão
Fui feliz mais que ninguém lá no meu velho rincão.

Me agarro na lembrança, eu te vejo ainda
Tão bonita e tão distante em minha imaginação
Canto alto, canto forte que é pra todo mundo ouvir
O tamanho da saudade que ainda mora em mim.

Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.
Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.

Pequenina e tão bonita, feito joia de valor
No caminho do tropeiro, a sua história vingou
Viajante assustado, eu um dia aqui cheguei
Mas foi logo enfeitiçado, me apaixonei por você.

Me agarro na lembrança, eu te vejo ainda
Tão bonita e tão distante em minha imaginação
Canto alto, canto forte, que é pra todo mundo ouvir
O tamanho da saudade que ainda mora em mim.

Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.
Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.

Vou seguindo a minha vida, mas você vai junto a mim
Esses anos se passaram, mas eu nunca te esqueci
Nos momentos mais difíceis, quando eu chorava só,
Me confortava a lembrança do meu rio Iapó.
Nos momentos mais difíceis, quando eu chorava só,
Me confortava a lembrança do meu rio Iapó.

Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.
Vou voltar, vou voltar pra lá
Vou voltar pra Castro, Paraná.
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MARLY SIMON, MISS PARANÁ 1969


Marly Simon, 18 anos, 1,78 de altura, Miss Castro, eleita Miss Paraná 1969, na madrugada de 06/06/1969, e Tita Bastos, sua  treinadora. Vinte e quatro candidatas participaram do concurso.   ***** Foto: misscastrouniverso.blogspot.com.br/
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Marly Simon ladeada por  Heloísa Helena Camargo, à esquerda, segundo lugar, e Elaine Maria Paiva, terceira colocada, representante de Cornélio Procópio. ***** O júri esteve composto por Max Rosmann, Rudolf Kretsch, Diva Maria Stresser, João Milanez, Bráulio Pedroso, Gracy de Oliveira, Neli Fuganti, Raul Giudecelli, Marina Patitussi e Luís Gustavo (famoso por sua personagem na novela Beto Rockefeller). ***** Foto: revista O Cruzeiro, reprodução do missesnapassarela.blogspot.com.br
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Acima, Marly Simon, em foto da revista Manchete, com o vestido que usou na passarela do Maracanãzinho, na noite do concurso Miss Brasil 1969, quando Vera Fischer, Miss Santa Catarina, saiu vitoriosa. ***** Abaixo, o link mostrando seu desfile triunfal pelas ruas de Castro, 

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Oi, Roberto, boa tarde.
Você não  imagina o quanto adorei assistir ao vídeo.
A música é tudo aquilo que eu gostaria de ter composto em homenagem à terra onde nasci, sem falar da emoção de  mergulhar no túnel do tempo e encontrar a Miss Paraná 1969.
Nostalgia pura.
Um abraço.
Daslan

        Esse foi o teor do e-mail que enviei para o Roberto Macêdo, agradecendo o envio, no dia 04, do link para música do Nandão Overdose enaltecendo Castro. Resposta do biógrafo de Martha VasconcellosTive a mesma impressão. rsrsrs. Ao contribuir para a inspiração da minha primeira SESSÃO NOSTALGIA de 2017, Roberto não precisava dizer mais nada, pois sabemos que paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam.
    Guardando as devidas proporções, Castro lembra São José da Laje, às margens do rio Canhoto, a cidadezinha alagoana onde nasci, por isso a letra e a melodia passaram a dose certa de nostalgia que me emocionou tanto. 
      Um abraço para você, leitor, leitora, e que Deus abençoe nossa caminhada durante todos os dias de 2017. 

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PAUSAS NA PASSARELA

Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando abaixo, você encontra uma seleção das postagens das edições anteriores do blog.  

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“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade. “ 
- Paulo Francis  (1930-1997) pseudônimo de Franz Paulo Trannin da Matta Heilborn,  jornalista carioca, escritor, articulista e crítico de teatro, literatura e arte.

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A trajetória de PASSARELA CULTURAL começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest,  editado por Walfredo Silva (Wal Boy). Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL.  ***** PASSARELA CULTURAL também tem uma visibilidade impressa através das colunas socioculturais que assino em dois veículos de comunicação da região: jornal CORREIO DE NOTÍCIAS e revista TIMBAÚBA EM FOCO. ***** Dois carros-chefe do blog são os responsáveis principais por sua popularidade: as secções DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO , sobre a cena sociocultural timbaubense, e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando os antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões. *****  Grato a todos pela atenção. - Daslan Melo Lima

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

FELIZ ANO NOVO TODOS OS DIAS !

"É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre"
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RECEITA DE ANO NOVO


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 


Não precisa 

fazer lista de boas intenções 

para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 


Para ganhar um Ano Novo 

que mereça este nome, 

você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


- Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta mineiro.

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sábado, 24 de dezembro de 2016

"A hora que passou não volta mais"

          
       
      Você já sentiu alguma vez aquela sensação de que foi apenas espectador do momento?  De que se calou e teve receio de continuar, enquanto uma voz silenciosa pedia para interagir com a situação?  Tenho certeza, leitor, leitora, que suas respostas foram sim. As minhas também, dezenas de vezes.

     Por não termos sido parte ativa do cenário, um calafrio percorre nossos corpos e nossas almas. Não ouvimos a voz que gritava em silêncio dentro de nós. 
       E hoje, quando uma sombra invisível passa perguntando pelo tempo que se foi, tentamos ressuscitar sons e cores do passado, mas não conseguimos e nos apegamos a recordações que só fazem aumentar nossas emoções inacabadas.

       O título desta crônica é a tradução de uma citação do poeta romano Ovídio (43 a.C.- c. 18 d.C.), Nec quae praeterit hora redire potest, enquanto a ilustração é uma pintura de André Kohn, pintor russo contemporâneo. Os caminhos dos dois nunca se cruzaram, mas há uma relação estreita na arte de ambos. Na pintura de André Kohn, figuras caminham embaixo da chuva, vivendo o momento, não esperam pela estiagem. Ovídio canta a hora que passou e que não volta mais, jamais, nunca mais.

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REFLEXÃO
"A vida não tem mais do que duas portas: uma de entrar, pelo nascimento; outra de sair, pela morte."
- Rui Barbosa (1849-1923), escritor, orador e político baiano.

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