*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 686, referente ao período de 23 a 29 de setembro de 2018. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

domingo, 23 de setembro de 2018

Entre os homens brancos e pretos

     

----------

            Atrás de mim, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos, construída no final do século XVI, pelos senhores de engenho. Ao fundo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construção iniciada pelos negros no final do século XVIII. 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos
---------

         "Raças não existem. Trata-se de um conceito inventado. Não faz sentido dividir as pessoas pela cor da pele”, garante o geneticista mineiro Sérgio Pena.


 Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
----------

         Imagino como era complicado viver naquela época, mas não permito que a melancolia do domingo nublado se instale em minh’alma. Vou rezar na Igreja que está aberta, a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que há anos e anos também atende as preces de brancos e negros. 
-----------
– Daslan Melo Lima, na cidade pernambucana de Goiana, a “Milão brasileira”, Patrimônio Histórico Nacional, a 61 Km do Recife.

*****

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Uma festa junina de 1961



TÚNEL DO TEMPO – Uma foto da turma do segundo ano primário do Grupo Escolar Professora Elizabeth Lira evoca uma festa junina de 1961. Entre um e outro autêntico forró-pé-de-serra, alguém cantava a marchinha “Brigitte Bardot”, de Miguel Gustavo, gravada no carnaval por Jorge Veiga.  

        Ingenuamente maliciosa, a música dizia: “Brigitte Bardot, Bardot / Brigitte beijou, beijou / Lá dentro do cinema / Todo mundo se afobou. /// BB, BB, BB / Por que é que todo mundo / Olha tanto pra você? / Será pelo pé? / -Não é! / Será o nariz? / - Não é! / Será o tornozelo?  / - Não é! / Será o cotovelo? / -Não é! / Você que é boa e que é mulher / Me diga então porque que é.” 
----------
Foto: Janildes Gomes/Facebook de Timbaúba em Números, Fatos e Fotos. 

*****

DE OLHO NO PASSADO - Manchete, Ano 34, Nº 1.765, 15 de fevereiro de 1986

                   


AS GATAS INVADEM A PRAIA DO HAVAÍ - Com seus salões, jardins e piscina transformadas  em paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, o Iate Clube do Rio de Janeiro explodiu em alegria na sua 25ª Noite do Havaí. Como já é tradição, o baile foi uma festa para as cinco mil pessoas que pularam até o raiar do dia. Mulher bonita não faltou. ***** A jovem da esquerda, em pé, com plumas rosas na cabeça, é Márcia Gabrielle, Miss Mato Grosso, Miss Brasil, semifinalista (Top 10) no Miss Universo 1985.

----------




CHALLENGER, DA GLÓRIA À TRAGÉDIA - Terça-feira, 28 de janeiro de 1986, 14h38min (hora do Brasil). O voo do Challenger, ônibus espacial da Nasa,  não durou mais do que 73 segundos.  ***** A tripulação era composta por,  da esquerda para a direita, em pé,  o astronauta Ellison S. Onizuka; a professora Christa McAuliffe;especialista de cargas Gregory Jarvis e a astronauta Judith A. Resnik. Sentados: o piloto Mike J. Smith,  o  comandante da missão Francis R. Scobee e o astronauta Ronald E. McNair.

----------




HELO E KIKI, AS GAROTAS DE IPANEMA - Com 17 anos de idade,  Kiki Pinheiro, filha de Helô, musa da canção "Garota de Ipanema", foi eleita Garota de Ipanema 1986. 


***** 

SESSÃO NOSTALGIA - A mulher brasileira no panorama do mundo

 Daslan Melo Lima  



     
      Na terceira semana de setembro de 1965, a revista Querida, uma publicação quinzenal da Rio Gráfica e Editora Ltda, do Rio de Janeiro, circulava em todo o Brasil trazendo uma matéria sob o título "A Mulher Brasileira No Panorama do Mundo", assinada pelo Dr. Carlos Alberto de Sousa. Transcrita abaixo, a reportagem enaltece a beleza das candidatas ao Miss Brasil 1965, superiores, segundo o autor, às concorrentes ao título de Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro.

                                  ----------


                 A MULHER BRASILEIRA NO PANORAMA DO MUNDO
                                     Dr. Carlos Alberto de Sousa
                                        Especial para QUERIDA


       Conheço grande parte do mundo. E espero em breve visitar a parte oriental do Universo, aproveitando o Congresso em Tóquio, ao qual fui convidado.  
      Já vi brancas, amarelas, pretas. E índias, mulatas, cafuzas, mestiças, eurasianas. Continuo, porém, achando o tipo brasileiro o "fino" em matéria de mulher. Um pouquinho avantajada, como a italiana e a maioria das latinas.
        Creio, mesmo, que 99 por cento das brasileiras não sabem tirar partido dos dotes que Deus lhes deu. Primeiro pela vida sedentária que herdamos da colonização, quando as sinhás-moças viviam embaladas na rede, abanadas pelas escravas, sobrecarregando o físico com toda a sorte de petiscos, docinhos e biscoitos quentinhos saídos do forno. 
      Era uma lei de perdição para a beleza e linhas estéticas. Acresce a circunstância que depois de casadas passavam automaticamente a pertencer à categoria das matronas, mães de muitos filhos, usando modas de senhoras respeitáveis, sem outros interesses que o lar e filhos. Tratava-se de praxe estabelecida a pirataria dos maridos com as escravas que, não raro, tinham do senhor tantos filhos quanto Sinhá Dona. 
      A alimentação substanciosa e farta, casas enormes, fazendas imensas, contribuíam sem dúvida para a moral adotada. Nada escandalizava ninguém. Muitos dos erros do Brasil Colonia ainda perduram hoje.  

                                      MAS A VIDA CONTINUOU...

     Graças às dificuldades da época atual, as mulheres tiveram de sair em campo para trabalhar. Da concorrência com o homem nasceu a necessidade do aspecto físico bem cuidado. Há pouco tivemos um confronto no Rio de Janeiro, no Concurso Internacional da Beleza, a única realização do IV Centenário que atingiu o povo da Guanabara. 

Sue Ann Downey, Miss Estados Unidos, Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro, terceira colocada no Miss Universo 1965.
                                                                  ----------
     

As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da direita para a esquerda: Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar; Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar; Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar; Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar; Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar; Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar; Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar;Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar.
----------
     Não é preciso ser juiz para concluir que o bouquet de mulheres que concorreu ao título de Miss Guanabara e Miss Brasil foi mil vezes superior às estrangeiras. A escolha de Miss Estados Unidos, contudo, foi justa. Suas belas formas e, principalmente, suas pernas influíram na seleção final.
      As americanas têm, em geral, seu ponto fraco no busto, em forma de pera e não globoso como deseja a perfeição e é encontrado comumente entre as brasileiras. A perda desta forma, quando constatada, leva as nossas mulheres aos tratamentos mais disparatados, indo por fim cair na mais sensata das escolhas: o tratamento `à base de hormônios ou o cirurgião plástico. Existe algo, porém, acima da beleza. 

                                               O ENCANTO 

      Miss Alemanha - mocinha magérrima - foi justamente aclamada pelo público e classificada pelo júri. Dona de um charme, de uma alegria e comunicabilidade  que deveria ser a tônica de um concurso de beleza, - que se disputa porque se deseja e onde o povo é o principal juiz - Miss Alemanha, repito, a todos conquistou. Isso as brasileiras deviam aprender. 

Na passarela, Ingrig Bethke, Miss Alemanha, terceira colocada no Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro. Na comissão julgadora, da esquerda para a direita: Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964; Teresinha Morango, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957; Vera Ribeiro, Miss Brasil e quinto lugar no Miss Universo 1959; Ieda Maria Vargas, Miss Brasil e Miss Universo 1963; Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, e Martha Rocha, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. (Imagem: revista Fatos & Fotos)
                                                                ----------

      Quanto às qualidades físicas, possuía o par de pernas mais feio que já vi. As coxas lembravam um amarrado de bagaço de cana, destituído já de todo o sumo. Não poderia ser classificada se se levasse em conta apenas a plástica. Eis a razão por que estou escrevendo este artigo. Para provar que o encanto não provem da beleza clássica. Nem mesmo dos vestidos, maquilagem ou penteados. 
      Encanto é sortilégio vindo do íntimo, de uma alegria interior. Da confiança em si própria, em seus méritos. Sem temor da concorrência.

Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarto lugar no Miss Brasil 1965.
----------

     Em matéria de andar, contudo, as nossas ganharam a palma. Dona Maria Augusta, da Socila, pouco conseguiu das misses internacionais, Pareciam soldados prussianos em marcha. As brasileiras, algumas, tinham a graça das garças, a deslizar, como Miss Mato Grosso. 

                                PROGRESSO EM RITMO DE BELEZA

      Cada vez se torna mais selecionado o espetáculo de beleza, eugenia e elegância entre a nossa juventude feminina. Feias não havia. Talvez algumas menos bela ou mais tímida. Todas mereciam apreciação e faziam jus ao desfile. 
      Fiz deste artigo um intervalo na série publicada sobre cuidados científicos de beleza. Meu livro, - "Todas Podem Ser belas"! - a ser lançado brevemente, será um estímulo para a mulher brasileira.
     Aprenda a cultivar beleza, atire fora as ideias retrógradas, o desprezo pelo físico. Dê maior valor à saúde. Por que não reviver o culto grego da beleza, da perfeição? Frinéia salvou-se da condenação à morte por sua plástica invejável. 
     Comece desde hoje - amanhã talvez seja tarde - a tratar de sua pele, do corpo, do conjunto em geral e terá a seus pés o homem amado, fiel, a adorá-la, principalmente se juntar ao físico a vontade e a agudez do espírito. Assim seja.
      Se algo não ficou bem claro, remeta  carta, com envelope selado para a resposta, solicitando informações à revista QUERIDA.  
                                  ---------- 
          Cinquenta e três anos depois, folheio a Querida e me recordo dos concursos de misses no Maracanãzinho. Saudade de O Cruzeiro, Mundo Ilustrado, Manchete e Fatos & Fotos dando grandes destaques em suas páginas. 
                O que fazer? Não permitir que a nostalgia seja mais forte do que eu. Já é Primavera. Assim Seja !

                                   *****

passarela cultural ***** passarela cultural *****

Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando mais abaixo, você vai encontrar a seleção de todas as postagens. 
----------
----------

domingo, 16 de setembro de 2018

"Todas as paixões passam e se apagam"




             "Todas as paixões passam e se apagam, exceto as mais antigas, aquelas da infância", disse o poeta italiano Cesare Pavese
         Lembro da primavera transbordando na minh'alma e das circunstâncias armazenando emoções inacabadas. Agarro-me hoje às fantasias de um tempo que se foi e construo com novos sonhos as inquietações da caminhada. 


----------
 - Daslan Melo Lima, setembro em Sapucaia, Timbaúba, Pernambuco.

*****

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Esdras Farias e “A Parábola da Ilusão”



>>>>>>>> Encontramos na revista Informador de Timbaúba, de 1937, uma foto e um soneto do grande e pouco conhecido poeta.

           Esdras Leonam Alves de Farias nasceu na cidade do Recife, na rua das Flores, em 20 de novembro de 1889. Foi funcionário público, poeta, jornalista e tradutor. Escreveu poemas, sonetos, crônicas e artigos em diversos jornais e revistas pernambucanos (de 1910 a 1954), além de exercer, em alguns desses periódicos, a função de diretor, proprietário e redator. Este Esdras muitos conhecem por sua trajetória intelectual. Entretanto, pouco se sabe sobre o homem Esdras. Isso, talvez, se deva a sua timidez: “Por índole ou pelo meio em que vivia, tornei-me um homem de natureza tímida, isolado, um pessimista sem ser um desiludido”.
       Ainda menino trabalhou arduamente em um engenho de banguê. Morou no bairro de Beberibe, na cidade do Recife. Construiu sua intelectualidade com a força de vontade e o desejo de ser alguém. Foi um autodidata: “sedento de leituras instrutivas, lia folhinhas de porta, almanaques, livros emprestados, filados, o que me aparecia de literatura tão complexa e desordenada.”  Seu perfil pessoal nos foi revelado por meio de seus trabalhos literários, além de outros a ele dedicados ou em depoimentos de quem o conheceu.

A Parábola da Ilusão

Eu tive, quando moço, a pretensão
de ser feliz. E, pretensioso, assim
de outro não sei com tanta obstinação
e em entusiasmo fosse igual a mim.

Talvez principalmente pelo fim,
nesse fascínio do meu coração
- Adiante, moço! – E até 20 anos vim
conduzindo a esperança pela mão.

Depois, nada mais sei. Segui sozinho.
Desdenha, o coração, se ainda hoje o chamo
diante de outras miragens do caminho.

É que o meu coração,  segundo creio,
não sabe mais como se diz – eu amo
E nem, também, como se diz -  odeio.

----------------

Fontes: Fundação Joaquim Nabuco e Informador de Timbaúba 1937

*****

DE OLHO NO PASSADO - Manchete, Ano 15, Nº 785, 06 de maio de 1967



MARIA DE FÁTIMA, UM MODELO DE MULHER - Maria de Fátima Monteiro. Morena. Olhos verdes. Vinte anos. Adora os Beatles. Minissaia, sim. Casamento, ainda não. Há muitos dias, o telefone de sua casa não para de tocar. Produtores de televisão, diretores de cinema, agências de publicidade e revistas estrangeiras estão mais do que interessadas nela. Tudo isso começou, abrindo um sonho novo para Maria de Fátima, depois que MANCHETE publicou sua foto de biquíni, lançando uma jovem até então desconhecida como candidata a candidata ao concurso de Miss Guanabara. Ela atende e responde amavelmente a todos os telefonemas: uns querem fotografá-la para uma reportagem; outros tentam provar que nada melhor existe no mundo do que ser modelo famoso.

Cercada de convites por todos os lados, Maria de Fátima não perde a calma (sua beleza é firme, tranquila, consciente, simples). A única coisa que a fascina é o cursinho de Medicina, onde perde (“ganho!”) oito horas de estudos diários. E um sonho secundário: pilotar carros de corrida. Maria de Fátima admite que, no máximo, poderá aceitar uma proposta para ser manequim. Não tem opinião formada sobre a guerra do Vietnã, nem sobre política, mas confessa, baixinho: “Sou fã de Carlos Lacerda...” Lamenta, finalmente, sua retirada voluntária do concurso Miss Guanabara, mas acha que, mesmo assim, os dias de candidata a candidata já deram trabalho e alegria enormes. - Fotos de Paulo Scheunstuhl.  




----------


RECIFE SEMPRE JOVEM - A capital do Nordeste comemora seu 430º aniversário. Mais de um milhão de habitantes, trinta e duas escolas superiores, duzentas e cinquenta secundárias, quase três mil primárias. Centenas de indústrias abrigando milhares de operários. Centro irradiador da cultura e do progresso na área que mais cresce e progride no país. 
----------

MARGOT E NUREIV, A DANÇA FANTÁSTICA - Há uma semana, o Rio está vivendo ao ritmo dos gestos e da música de  Margot Fonteyn e Rudolf Nureiev. Dançam juntos desde 1960 e se entendem perfeitamente bem, apesar dos temperamentos opostos. 
----------
Propaganda do Amido de Milho Maizena

*****

SESSÃO NOSTALGIA - Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte 1962, sensação no treino do Flamengo

Daslan Melo Lima         


         Na primeira semana de janeiro de 1966, a revista Manchete circulou em todo o País trazendo na capa a famosa modelo Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte, finalista (Top 8) no concurso Miss Brasil 1962. Ela trajava um vestido amarelo de uma coleção parisiense e ao seu lado estavam três jogadores de futebol: Silva, Jaime e Marco Aurélio, craques do Flamengo, Campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro. 


Da esquerda para a direita: Silva, Geórgia, Jaime e Marco Aurélio.

       
      O objetivo da visita de Geórgia Quental ao treino do Flamengo, onde causou mais sensação do que Silva, Jaime e Marco Aurélio, foi posar para a matéria "Vida de Manequim", reportagem de Jacinto de Thormes e fotos de Hélio Santos. Em nove páginas, algumas modelos brasileiras famosas falavam do glamour da profissão. Detalhe: A palavra "manequim" na época era muito  popular para designar as mulheres que desfilavam nas passarelas da moda.
----------

Por onde andam as personagens daquela capa da Manchte?

Geórgia Quental

---------
Geórgia Quental em foto recente - Facebook

          Bomba no cinema nacional! Em 1963, estreia o filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Nelson Rodrigues. De repente, uma grã-fina chamada Lúcia abre o vestido e mostra seus seios perfeitos para um bicheiro, interpretado por Jece Valadão. Quem é ela? Georgia Quental, a fenomenal. “Para mim, ela foi um símbolo da Canadá de Luxe na década de 1960”, diz Ruy Castro. (...) 
        Mesmo sendo top na Canadá de Luxe, a moça tinha o sonho de ser Miss Brasil. Em 1962, tentou, representando o Rio Grande do Norte. Não foi classificada entre as três finalistas. No mesmo ano deu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos: “Diziam que os juízes estavam com medo que eu fosse me comportar mal nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Vivem falando que sou maluca, que não tenho responsabilidade. De certo, acharam que eu não ia aparecer nos programas marcados para a Miss Brasil. Mas isso é injusto”.
          Georgia entrou na Canadá por meio de anúncio de jornal, para ajudar a mãe viúva no orçamento. Fãs tinha, de montão. (... ) Fechou a carreira como manequim muito bem, em Paris, já com quase 40 anos, desfilando para Pierre Balmain.
          Hoje é uma senhora sempre arrumada que pode ser vista (...) no bairro Peixoto, no Rio... Ainda continua a chamar atenção. 
----------
Fonte: "As musas da Casa Canadá, berço do glamour carioca nos anos 50 e 60". Por Renato Fernandes para a revista Joyce Pascovitc, agosto/2015.
----------
Detalhe: Geórgia de Lucca Quental, gaúcha de Porto Alegre, nascida em 23/04/1939, aspirava ser Miss Brasil desde 1958, quando era manequim da Casa Canadá, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Geórgia e sua colega de trabalho Adalgisa Colombo decidiram disputar o Miss Distrito Federal 1958. Mena Fiala, dona da Casa Canadá, resolveu apoiar apenas uma candidata e optou por Adalgisa, que há quatro anos se preparava para isso. Adalgisa Colombo foi eleita Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.
      Em 1962, no auge da sua carreira como modelo, Geórgia Quental não tinha abdicado do sonho de ser Miss e resolveu enfrentar os preconceitos. A maioria das garotas candidatas não se conformavam em ter uma modelo profissional como concorrente. Muita gente entendia que a concorrência era desleal, que uma profissional das passarelas não podia disputar um título de Miss. Geórgia se defendia: Se outros países apresentam modelos, por que não podemos fazer o mesmo?   Foi aí que, após ser impedida de concorrer ao Miss Brasília pelo Iate Clube, aceitou convite para disputar o Miss Brasil pelo estado do Rio Grande do Norte.

----------

Silva

----------

          Walter Machado da Silva, o Silva, que ficou conhecido no Rio de Janeiro pelo apelido de Batuta, trabalha hoje como organizador de eventos no Flamengo e ainda bate uma bolinha nos masters do rubro-negro. Em 2006, formou-se em Direito e passou a exercer a profissão de advogado. Silva, que nasceu em Ribeirão Preto (SP) no dia 2 de janeiro de 1940, começou a carreira no São Paulo FC. Foi para o Botafogo de Ribeirão e logo despertou o interesse do Corinthians, que o contratou em 1962. Deixou o Corinthians em 1964 para jogar no futebol carioca. Passou primeiro pelo Flamengo e depois pelo Vasco da Gama e Botafogo, por empréstimo. 
     Em 1967, Silva jogava com a camisa do Santos ao lado dos jogadores Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres entre outros. Times pelos quais passou: São, Paulo, Batatais, Botafogo SP, Corinthians, Flamengo, Barcelona (Espanha), Santos, Flamengo, Racing, Vasco, Rio Negro, Atlético Júnior (Colômbia), Tiqueres Flores (Venezuela) e Seleção Brasileira. Silva foi um dos jogadores convocados pelo técnico Vicente Feola para a Copa da Inglaterra em 1966.

      A vida de Silva inspirou Marcelo Schwob a escrever sua biografia.  
---------- 
Fonte de pesquisa sobre Silva, Jaime, Marco Aurélio e suas fotos atuais:  terceirotempo.bol.uol.com.br.
----------

Jaime

----------

       Jayme Pimenta Valente Filho, o ex-zagueiro Jayme do Flamengo, nasceu no Rio de Janeiro em 20 de junho de 1942. Antes de jogar no Clube de Regatas Flamengo, ele foi jogador de vôlei e Campeão Carioca pelo Sírio-libanês,  em 1958.  Após parar com a bola, tornou-se treinador de futebol. Dirigiu a seleção do Marrocos e clubes do mundo árabe. Comandou também o Mengão em 29 jogos entre 1977 e 1978, além do América, seleção do Catar, seleção do Congo e seleção Olímpica do Brasil. 
      Atualmente segue residindo em sua cidade natal onde é um bem sucedido executivo no campo universitário. Em 2008, trabalhava como diretor e professor do Instituto de Educação Física e Desportos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Jornalista formado pela ECO - Escola de Comunicação da UFRJ, com passagens por emissoras como TV Globo, TV Educativa e Jornal O Dia.
       Jayme defendeu com orgulho na Universidade do Porto, em Portugal, sua tese de doutorado em preparação física intitulada "Mario Jorge Lobo Zagallo, entre o Sagrado e o Profano, uma história de vida".  
----------

Marco Aurélio

----------

        
             Marco Aurélio, o Marco Aurélio Saldanha Rocha, goleiro do Flamengo entre 1964 e 1971, onde conquistou o título do IV Centenário, mora hoje na cidade de Maringá, Paraná. Lá, Marco Aurélio, que nasceu em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1940, e atualmente está aposentado. Também foi proprietário de uma escolinha de futebol, em Maringá-PR, e trabalhou como funcionário público estadual, atuando como Secretário Estadual de Esportes.
        No estado do Paraná, Marco Aurélio foi revelado pelo Clube Atlético Paranaense, onde teve como companheiro o famoso Vanderlei. O ex-arqueiro também teve passagem pelo Bahia. Um fato interessante é que Marco Aurélio foi o último goleiro profissional a sofrer um gol de Garrincha com a camisa do Botafogo.
         Marco Aurélio é casado com Neusa Maria Lopes Rocha, pai de três filhas (Vanessa, Michelle e Francielle) e avô de Larissa , filha de Vanessa.
----------

                O trio Misses, Futebol e Carnaval, nesta ordem ou não, já foi o que havia de mais popular no Brasil.  Certas coisas permanecem no inconsciente coletivo por décadas e décadas. Enquanto houver alguém apaixonado pelo assunto, eternas serão as Misses, o Futebol e o Carnaval. 

*****


Mais Geórgia Quental em PASSARELA CULTURAL, clique: