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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 731, referente ao período de 22 a 28 de setembro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 28 de outubro de 2017

Nikita. "Apenas olhe para o oeste e encontre um amigo"

          


      A primeira vez que ouvi Elton John cantando Nikita, eu estava no centro do Recife, num sábado à tarde, às margens do rio Capibaribe, ao lado do vento, meditando sobre os mistérios da vida e da morte. O meu pouco conhecimento de inglês não possibilitava  entender bem a mensagem,  mas permiti que minh’alma “viajasse” na doce e melancólica  melodia. Uma "viagem" onde encontrei amores impossíveis e proibidos entre sonhos possíveis e permitidos. 
      Faz anos que conheci uma tradução para o português de Nikita. Senti um sentimento estranho, como se já soubesse da letra. Desde então, a canção passou para os primeiros lugares da minha lista de músicas internacionais preferidas. 
     "Apenas olhe para o oeste e encontre um amigo", diz o último versoIndependente das paixões, acredito que aprendi a olhar com equilíbrio não apenas para o oeste, mas para o norte, o sul e o leste.

Ei, Nikita, está frio
no seu cantinho do mundo?
Você poderia andar por todo o globo
e nunca encontraria uma alma mais quente para conhecer.
Ei, eu vi você perto do muro.
Dez dos seus soldados de lata em fila,
com olhos que pareciam gelo no fogo,
o coração humano, um prisioneiro na neve

Oh, Nikita, você nunca saberá nada sobre meu lar.
Eu nunca saberei como deve ser bom te abraçar.
Nikita, eu preciso tanto de você.
Oh, Nikita, o outro lado da fila está em seu horário
contando dez soldados de lata na fila?
Oh, não, Nikita, você nunca saberá.

Você sonha comigo às vezes?
Você vê as cartas que eu escrevo
quando você olha através do arame farpado
Nikita, você conta as estrelas à noite?
 E se chegar um tempo que
armas e portões já não te prenderão mais,
e você estiver livre para fazer uma escolha,
apenas olhe para o oeste e encontre um amigo.

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Elton John canta Nikita,

MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Na praça Clarício Valença Neves, sem pressa

          


      Quando vou a São José da Laje, a minha alagoana "Princesa das Fronteiras",  a vontade é de ficar lá, mas a vida que levo há tanto tempo em Timbaúba, a minha pernambucana "Princesa Serrana", exige minha volta. 
      Por isso passo na praça com pressa e tenho inveja dos idosos que nos bancos conversam, sem pressa.
        Quem me dera envelhecer lentamente, no seio da terra que me viu nascer, até o momento do trem  da minha  Grande Viagem chegar silenciosamente, sem pressa. 
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Daslan Melo Lima  

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - No tempo da Indústria de Calçados Criança



TÚNEL DO TEMPO – Uma imagem no Facebook transmite em tom sépia, silenciosamente, o que foi a época de ouro do polo calçadista em Timbaúba. Funcionárias da Indústria de Calçados Criança posam para uma foto sem saber que anos depois seriam vistas como símbolo de um tempo que se foi.  Quantas já partiram para a Grande Viagem? Diria o poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994): “A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos.”

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SESSÃO NOSTALGIA – As pioneiras do concurso Miss Pernambuco

Daslan Melo Lima

                    Fazia tempo que eu tinha a intenção de render um tributo às primeiras misses pernambucanas.  Esta Sessão Nostalgia vai ao encontro da curiosidade de muitas pessoas que me perguntam sobre os concursos de Miss Pernambuco realizados antes de Alba Souza Leão Carneiro, eleita Miss Pernambuco em 1955. Até onde pesquisei, apenas quatro aconteceram, os de 1929, 1930, 1938 e 1949. 

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CONCURSO MISS PERNAMBUCO 1929

          A primeira Miss Pernambuco foi eleita através de uma promoção do Jornal do Commercio (Recife). As beldades, com idade entre 16 e 25 anos de idade, foram escolhidas pelos leitores através de cupons inseridos no jornal. 
         Na primeira apuração, o resultado apontou para Beatrizinha Lacerda, primeiro lugar; Lúcia Rodrigues de Souza, segundo; Nininha Vareda de Siqueira, terceiro; Connie Braz da Cunha, quarto; e Fernandina Padilha, quinto.  
           Na última apuração, realizada no dia 20 de março, saíram vencedoras Connie Braz da Cunha, primeira colocada, com 31.017 votos; Nininha Vareda, segunda, 26.848; Beatrizinha Lacerda, terceira, 20.251; Lucia Rodrigues de Souza,  quarta, 3.827; e Fernandina Padilha, quinta colocada, com 3.611 votos.
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Connie Braz da Cunha, Miss Pernambuco 1929. 
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Beatrizinha Lacerda, terceiro lugar; Connie Braz da Cunha, primeiro;  e Nininha Vareda de Siqueira, segundo lugar.
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Connie Braz da Cunha, a primeira Miss Pernambuco. 


          Constance Braz da Cunha (1911-1997), chamada carinhosamente de Connie, representou a Associação Pernambucana de Atletismo, tinha 1,56 de altura, olhos azuis, filha de uma inglesa rica que morava no bairro de Casa Forte. No dia 26 de março, Connie viajou ao Rio de Janeiro, a bordo do vapor Arlanza, e ficou hospedada, por recomendação do Dr. F. Pessoa de Queiroz (1890-1980), diretor do Jornal do Commercio (Recife), no Copacabana Palace. A vencedora do Miss Brasil 1929, promovido pelo jornal carioca A Noite, foi Olga Bergamini de Sá, representante do Distrito Federal (Rio de Janeiro). Ela disputou o Miss Universo em Galveston, Texas, Estados Unidos, vencido por Lisi Goldarbeiter, Miss Áustria. ***** Fotos: Diário da Tarde.
   
  
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 CONCURSO MISS PERNAMBUCO 1930

         Na tarde do dia 27, último domingo de abril de 1930, no Clube Internacional do Recife, localizado na época na rua da Aurora, centro da capital pernambucana, aconteceu o concurso Miss Pernambuco 1930, promovido pelo Diário da Manhã, jornal dirigido por Carlos de Lima Cavalcanti (1892-1967).
         Inscreveram-se oitenta e seis candidatas. Dez ficaram para a final, sendo uma da cidade de Jaboatão, outra de Olinda e as demais dos bairros recifenses.

Eleonora Pessoa, Miss Areias
Helena Castro, Miss Jaboatão
Glauce Pinto, Miss Boa Vista,
Lulu Faneca, Miss Apipucos
Maria Eulina Regueira, Miss Beberibe,
Maria José Nunes de Souza, Miss Recife,
Neñita Argo Alarcon, Miss Santo Amaro,
Nininha Menezes, Miss Madalena
Yolanda Gama, Miss Soledade,
Yolanda Santos, Miss Olinda  
Lulu Faneca, Miss Apipucos

Finalistas. comissão julgadora e fãs. 
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Yolanda Santos, Miss Pernambuco 1930.
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Neñita Argo Alarcon, terceiro lugar; Yolanda Santos, primeiro; e Glauce Pinto, segundo lugar. 
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O Top 3 na primeira foto. Na segunda imagem, Yolanda Santos, Miss Pernambuco 1930, e Connie Braz da Cunha, Miss Pernambuco 1929.

          A comissão julgadora do Miss Pernambuco 1930 foi composta pelas seguintes personalidades:  jornalista Mário Melo (Jornal Pequeno), presidente do júri; Luiz Cedro, comerciante; Mário Tullio, Mário Nunes, Murilo Lagreca e Bibiano Silva, artistas plásticos; Heitor Maia Filho, secretário; Connie Braz da Cunha, Miss Pernambuco 1929; e os jornalistas Jarbas Peixoto (Diário da Manhã), José Campelo (Diário da Tarde), Willy Lewin (Prá Você), Caio Pereira (Jornal do Commercio), Salvador Nigro (Diário de Pernambuco), Jayme Santos (A Província), Alfredo Porto Silveira (A Pilhéria) e Carlos Rios (A Notícia).
        Resultado do Miss Pernambuco 1930: Yolanda Santos, dezessete anos, primeiro lugar; Glauce Pinto, segundo; e  Neñita Argo de Alarcon, terceiro lugar. 
          Não houve desfile de maiô. Apesar de ter representado a cidade de Olinda, Yolanda Santos era natural do bairro de Casa Forte. Sua viagem para participar do Miss Brasil 1930, no Rio de Janeiro, aconteceu no dia 26 de junho, pelo paquete Pará. A vencedora do Miss Brasil 1930 foi a gaúcha Yolanda Pereira (1910-2001), também eleita Miss Universo na versão promovida pelo jornal carioca A Tarde. No Miss Universo da versão Galveston,  a eleita  foi Dorothy Del Goff, de New Orleans. ***** Fotos: Diário da Manhã.
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CONCURSO MISS PERNAMBUCO 1938

Ísis Bezerra, primeiro lugar, e Maria Thereza Valença Cavalcante, segunda colocada.
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Maria Thereza Valença Cavalcante, Vice-Miss Pernambuco 1938, tornou-se oficialmente Miss Pernambuco 1938, com a renúncia da primeira colocada.
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         Ísis Bezerra, residente em Vitória de Santo Antão, candidata avulsa,  foi a vencedora do concurso Miss Pernambuco 1938, realizado no dia 22 de outubro de 1938, no  Clube Internacional do Recife. Ela recebeu a faixa da esposa do prefeito do Recife, Antônio Novaes Filho. Ísis Bezerra venceu as seguintes candidatas: Graziela Raposo, Miss Escola Doméstica;  Elza Coelho,  Miss Ginásio Pio X; Cordélia Freire,  Miss Olinda; Netty Albuquerque, Miss Vitória de Santo Antão; e Maria Thereza Valença,  Miss Garanhuns. 
            No júri estavam o prefeito do Recife, Antônio Novaes Filho; o advogado Odilon Nestor; a artista plástica Fédora Monteiro Fernandes; o conselheiro João Alfredo; a professora de música Sybilla Odenheimer; o médico Waldemir Miranda e o antropólogo Álvaro Ferraz. O conjunto  Bando Acadêmico tocou para o baile que houve após o anúncio do resultado. 
       Detalhes: Amanda Carneiro de Albuquerque, Miss Clube Português do Recife,  e Elizabeth Fischer, Miss Timbaúba, desistiram de participar do concurso.  Isis Bezerra renunciou ao título quando estava perto de seguir ao Rio de Janeiro para representar Pernambuco no Miss Brasil. Foi substituída pela segunda colocada, Maria Thereza Valença Cavalcante, Miss Garanhuns. 
           Maria Thereza obteve o terceiro lugar no Miss Brasil 1939, que aconteceu no dia 26 de janeiro de 1939, no Cassino da Urca, Distrito Federal (Rio de Janeiro). A eleita foi Vânia Pinto, natural de Campinas, São Paulo, representante do Distrito Federal. Não houve o Miss Universo. A Segunda Guerra Mundial, que teve inicio naquele ano, durou até 1945. *****  Fotos: Diário da Manhã e Diario de Pernambuco.

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CONCURSO MISS PERNAMBUCO 1949

          No dia 26 de março de 1949, o Clube Náutico Capibaribe foi cenário da escolha da Miss Pernambuco 1949, promovido pelo jornal Folha da Manhã. O resultado foi o seguinte:

Maria Auxiliadora Manguinho, de Olinda, primeiro lugar
Terpandra Barreto, segundo
Djardiere Granja Campos; terceiro
Iolanda Mendes; quarto,
Marlene Azevedo Rocha, quinto
 Marion Fernandes, sexto lugar

Maria Auxiliadora Manguinho, Miss Pernambuco 1949
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Terpandra Barreto, segundo,  e Djardiere Campos, terceiro lugar.
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Iolanda Mendes, quarto, e Marlene Rocha, quinto lugar.


          As misses desfilaram de vestidos longos e maiô. As atrações musicais ficaram por conta das orquestras Jazz Melody e Madalena Jazz. A comissão julgadora foi formada por José Celso Regueira Costa, diretor de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife; Valdmir Cardoso, banqueiro; Eros Gonçalves, artista plástico; Ana Canen, atriz; Cesar Leite, jornalista; e  Hermilo Borba Filho, teatrólogo. 
       Maria Auxiliadora Manguinho (1929-2001), cujo sobrenome às vezes aparecia na imprensa como Manguinhos, disputou o Miss Brasil no Hotel Quitandinha, Petrópolis, Rio de Janeiro, em 12/06/1949.  A Miss Brasil daquele ano foi Jussara Marques (1931-2006). Não houve o Miss Universo. ***** Fotos: Diário da Manhã.

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        Para produzir esta Sessão Nostalgia, recorri a duas fontes:  jornal A Serra, da cidade onde moro, Timbaúba, PE, acervo do Memorial João Ferreira Lima, e matérias postadas no blog do jornalista pernambucano Fernando Machado, fernandomachado.blog.br.
       Um amigo meu, Maciel Manguinho, ator e educador timbaubense, é descendente da Miss Pernambuco 1949. “Minha tia-bisavó é uma lenda da família pela sua coragem. Imagine uma garota de classe média enfrentar uma passarela de maiô no ano de 1949", afirma Maciel, orgulhoso e emocionado. 
      Ter uma Miss na família ainda é motivo de orgulho, mesmo depois de tantos e tantos anos. Aos descendentes de Connie Braz da Cunha, Miss Pernambuco 1929; Yolanda Santos, Miss Pernambuco 1930; Maria Thereza Valença Cavalcante, Miss Pernambuco 1938; e Maria Auxiliadora Manguinho, Miss Pernambuco 1949, misses para sempre misses, o meu abraço, nesta manhã nublada da primavera pernambucana de 2017.   

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sábado, 21 de outubro de 2017

Ninguém deveria aposentar velhos sonhos adormecidos




         Faz anos que coloquei um ramo de orquídeas entre os galhos do meu pé de manga-rosa. Elas murcharam semanas depois, deixando saudade. 
        O destino me surpreendeu há poucos dias com belas orquídeas sobre minha árvore. Acredito que sua essência estava apenas dormindo, sob a vigília de anjos invisíveis. Desabrocharam no tempo apropriado. 
       Ninguém deveria aposentar velhos sonhos adormecidos. O Senhor do Universo sabe a ocasião certa de despertarem e ganhar vida, seja em um dia cinza ou em um dia ensolarado, seja na primavera, verão, outono ou inverno.


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-  Daslan Melo Lima, primavera em Timbaúba, Pernambuco.

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MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - O "bobo" que se aproxima sou eu



              Na casa simples pintada de azul moravam o meu tio-avô Sebastião Souza Melo, sua esposa Otília e os meus primos Maria Augusta, Marinete e José.
          Marinete cortava minhas unhas, colocava-me no colo, dava-me carinho e me acalmava quando eu me assustava ao ver pela janela algum “bobo” passar. Os “bobos“ eram pessoas que usavam máscaras no Carnaval. 
            Quando passo nesta rua, antiga Emílio de Maia e hoje Prefeito Antônio Ferreira, paro na frente da casa de nº 80, olho para a janela e peço ao menino que um dia eu fui que não se assuste. O “bobo” que se aproxima sou eu. 
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Daslan Melo Lima - Memórias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. 

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Albuquerque Rodrigues, quando as famílias se reencontram


>>>>> A psicopedagoga timbaubense Lucimere Andrade conta como foi o último encontro dos descendentes de Chiquinho e Nazinha




        É o que chamamos de “Grande Encontro”, “Grande Família”. É um encontro anual para recordar lindos e maravilhosos momentos, onde trocamos afeto, carinho, respeito, alegria e muito amor: legado deixado por Francisco Rodrigues (Chiquinho) e Maria Narciza (Nazinha), patriarcas de uma família com dez filhos, vinte e oito netos, quarenta e seis bisnetos, sete tetranetos, oito genros, uma nora, esposos e esposas dos netos e bisnetos. É muita gente! Muitos corações! Muitas histórias! Muitas lembranças!
     Lembranças ainda muito vivas daquelas reuniões, encontros, festas, sempre na residência dos nossos avós, em sua casa comercial, a antiga loja A Predileta.  Nossos heróis já estão em outra dimensão junto ao Pai Celestial, assim como as filhas Maria da Conceição e Maria Tereza, os netos Jose Mário e Tadeu, as netas Simone e Alexandra e os genro Luiz e Rui. Por motivos diversos, a grande família foi deixando a terra natal (Timbaúba) e se enraizando em outras cidades. Duas filhas do casal moram no sul, três filhas no Recife e um filho e duas filhas em Timbaúba.
         Com o advento da tecnologia e seus inúmeros recursos, pensamos em agregar mais, interagir mais, estarmos mais juntos através da rede social WhatsApp, formando assim o grupo Família Rodrigues. É um grupo enorme, coeso, dinâmico e muito divertido. Através dele, decidimos nos reunir anualmente, sempre no mês de janeiro. Não mais naquela casa, sempre cheia, alegre, farta, onde tudo era motivo para festas.



       “Eles” já não estão mais entre nós. Aquela casa não existe, só em nossas lembranças. Chiquinho e Nazinha estarão sempre presentes em cada um de nós, em nossas orações. Aquelas tias separadas pela distância estão presentes junto aos seus a cada encontro, através dos recursos que a tecnologia oferece. São homenageadas, lembradas e acompanham em tempo real aos acontecimentos, assim como notícias dos que aqui estão.
      Assim, não deixaremos se perder no tempo o grande legado de nossos heróis. Conosco permanecerá a saudade dos que já se foram e a esperança de um grande encontro na dimensão em que estão. Aqui, já estamos planejando o próximo encontro que provavelmente será mais uma oportunidade de celebrar o amor, a fé e a união, com muita alegria e emoção.


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Esta matéria saiu na página de Comportamento, edição 77, setembro/2017, da revista TIMBAÚBA EM FOCO, à venda na Banca de Revistas do centro da cidade. 
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SESSÃO NOSTALGIA - Célia Maria Carvalho de Sanctis, Miss São Paulo 1971: "Todo dia a gente muda um pouco."

Daslan Melo Lima


          No top 5 do concurso Miss Brasil 1971, uma jovem simpática de 18 anos de idade e 1,78 de altura, chamava a atenção por sua cara de menina vivendo um rito de passagem para a adolescência. Seu nome: Célia Maria Carvalho de Sanctis, Miss São Paulo, que no próximo dia 31 estará celebrando idade nova.  


Célia Maria Carvalho de Sanctis, a primeira Miss Sorocaba a ser eleita Miss São Paulo. As outras foram Sandra Mara Ferreira, Miss Brasil 1973, e Kátia Celestina Moretto (1958-2013), Miss Brasil 1976. 
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Top 5 do Miss Brasil 1971 - Maracanãzinho, Rio de Janeiro, sábado, 03/07/1971. Da esquerda para a direita, Célia Maria Carvalho de Sanctis, Miss São Paulo, quinto lugar; Marize Meyer Costa, Miss Paraná, terceiro;  Eliane Parreira Guimarães, Miss Minas Gerais, primeiro lugar; Lúcia Tavares Petterle, Miss Guanabara, segundo; e Marlene de Oliveira Prates, quarto lugar. *****  Eliane Guimarães conquistou o quinto lugar no Miss Universo 1971, enquanto Lúcia Petterle foi eleita Miss Mundo 1971. ***** Foto: O Cruzeiro.
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Clodovil: "Célia tem chances de ser Miss Universo"


Cruzeiro do Sul, Ano LXVIII, Sorocaba, São Paulo, quarta-feira, 12/05/1971 

"Hugo Lacorte Vitale atendendo a convite formulado pelo Prefeito Crespo Gonzalez, virá a Sorocaba no próximo sábado para auxiliar - fazendo parte da comissão julgadora - a escolher a Miss Sorocaba 71 e a Miss Região Sorocaba 71." 
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Na foto aparecem seis das oito candidatas ao Miss Sorocaba 71. Célia é a primeira, da direita para a esquerda. 
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Cruzeiro do Sul, Ano LXVIII, Sorocaba, São Paulo, quarta-feira, 23/06/1971
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Célia Maria Carvalho de Sanctis disputou o Miss São Paulo ao lado de trinta e seis concorrentes, no Ginásio do Palmeiras. Para Clodovil Hernandez (1937-2009), criador do seu vestido, ela tinha chance de ser Miss Universo. 
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"Dizendo que Célia Maria tem uma "carinha de criança bem cuidada, um corpo divino, bem feito e estatura ideal", e classificando tudo isso como "bem a gosto dos americanos", o costureiro Clodovil disse ontem que se Miss São Paulo chegar ao título  de Miss Brasil, mais facilmente poderá obter o título de Miss Universo."       
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Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, quarta-feira, 23/06/1971
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Sorocaba parou para assistir ao Miss Brasil
Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, quinta-feira, 1º de julho de 1971
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Cruzeiro do Sul, Ano LXVIII, 
Sorocaba, Estado de São Paulo,
 sábado, 03/07/1971,
quatro páginas dedicadas ao Miss Brasil

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Célia, quinto lugar no Miss Brasil 1971, 
status de celebridade 


Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, domingo, 04/07/1971

"Célia Maria, conforme Clodovil previra em Sorocaba, dificilmente conseguiria o título maior do concurso. pois a sua beleza era tipicamente de "bebê Johnson"; "um rosto lindo, de criança, em um corpo perfeito". Ele lembra, entretanto, que se ela fosse eleita, teria grandes chances no concurso de Miss Universo; "é bem a gosto dos americanos". Célia, que fez Sorocaba vibrar e sair às ruas, agora seguirá a Argentina, um novo premio que conseguiu pela beleza."  

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Cruzeiro do Sul,  Sorocaba, SP, Ano LXVIII, terça-feira, 06/07/1971

A moça da foto é Eliane Parreira Guimarães, primeira colocada no Miss Brasil 1971, mas a manchete do jornal é dedicada à quinta colocada.
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Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, terça-feira, 06/07/1971

"Gostei do resultado, "de cara". Acontece que às fico pensando, - não sei, se bairrismo ou não, mas enfim, vai lá - tenho minhas dúvidas se nossa Celinha não deveria ser melhor classificada." 

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Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, terça-feira, 06/07/1971
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Por onde anda a Miss São Paulo 1971


       Terminando o colegial e o curso de Piano, Célia entrou para a Faculdade de Direito de Sorocaba, onde se formou. Em outubro de 1977, conheceu o alemão Jürgen Rudi Müeller, funcionário da Engrenasa, com quem casou dois anos depois, pai dos seus filhos Luciana EuniceGerd Marcelo. 
      Morou na Alemanha por nove anos e trabalhou como gerente de duas boutiques e num escritório de administração de imóveis. O casal voltou a morar em Sorocaba em 1988. Feliz, tranquila, ao lado da família, Célia leva uma vida sem badalações, veste-se com simplicidade e seu único e raro passatempo é jogar tênis no Ipanema Clube. 
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(Fonte: "Célia, a eterna Miss", Exclusiva Up, revista-suplemento do jornal Cruzeiro do Sul, novembro/2002. Reportagem de Eduardo Emídio). 
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"...era, de fato, uma linda mulher, nariz arrebitado, rosto de boneca, sorriso brejeiro, olhos vivos e brilhantes." ***** "Em janeiro de 71, ganhou um convite para representar as mulheres de Sorocaba no Cidade Contra Cidade, programa de Silvio Santos na TV Tupi. Desfilou e garantiu um ponto para Sorocaba, que venceu a disputa."
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"Quando eu tinha dezoito anos já sabia que iria envelhecer e mudar. Todo dia a gente muda um pouco." 
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Detalhe: Na página acima houve um lapso. Célia foi a quinta colocada no Miss Brasil, mas saiu como quarta. 
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"É incrível como as pessoas me tratam bem em todos os lugares. Posso ver em seus olhos que é um sentimento sincero, e isso é muito gostoso. O carinho é o melhor de  tudo."
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          O nome de Célia Maria Carvalho de Sanctis Müeller esteve em evidência há onze anos por uma situação dramática. Ela perdeu um cunhado no voo 1907 da Gol, naquele que foi considerado um dos piores acidentes aéreos da história do Brasil. No dia 29 de setembro de 2006, um boeing da Gol bateu em um jato Legacy no ar e caiu, na região de Peixoto de Azevedo, a 692 km ao Norte de Cuiabá, matando as 154 pessoas que estavam a bordo. Lembro de ter visto Célia na televisão, mostrando grande controle emocional, como uma das representantes das famílias enlutadas que acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos junto à companhia de aviação.

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Beleza em dose tripla - A eterna Miss São Paulo 1971, a filha Luciana Eunice e o filho Gerd Marcelo. ***** Foto: Arquivo da família.
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           Para você, Célia Maria Carvalho de Sanctis Müeller, eterna Miss Sorocaba, meus votos de feliz idade nova. Receba esta matéria como presente de aniversário.
          Para você, Edi Corrêa Leite*, que guarda com tanto carinho as edições do jornal Cruzeiro do Sul, o meu muito obrigado por compartilhar comigo as relíquias do seu acervo. Sem elas, eu não teria produzido esta Sessão Nostalgia dedicada à sua famosa conterrânea, um ícone da história do Miss Brasil. 

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(*) Edi Corrêa Leite, ex-coordenador do concurso Miss Sorocaba, atualmente atua como Auxiliar Administrativo na Rádio Cacique de Sorocaba e produtor do programa Show da Cidade, pela Cacique AM.
Vide suas memórias como coordenador do Miss Sorocaba,
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