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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 616, referente ao período de 23 a 29 de abril de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 26 de abril de 2014

MARGARIDA LYRA, CIDADÃ DO CÉU, A FLOR QUE NÃO MORREU

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

Margarida Lyra Barros - Foto: Fernando Machado
      A chuva que caiu na madrugada pernambucana da quarta-feira, 23 de abril, antecipou o pranto dos meus olhos. Às 05h20min, no Hospital Português do Recife, Margarida Lyra dos Anjos Barros perdeu a luta que travava contra um câncer de mama. Tranquila, educada e meiga, era considerada uma das mulheres mais elegantes da sociedade pernambucana, uma diva.


MARGARIDA LYRA, 
A MUSA DOS MEUS PRIMEIROS VERSOS

      Eu e ela nascemos na mesma cidadezinha alagoana, São José da Laje, às margens do Rio Canhoto, e fizemos o curso ginasial no mesmo educandário, o Ginásio São José. Eu morava na Rua do Rosário, e ela frequentava muito a casa da minha vizinha Tânia Lúcia de Oliveira, a Lucinha , filha do camionheiro Antônio Carlos e Maria do Carmo de Oliveira, a Dona Nenê. Margarida era uma garota simples, educada, bela, tranquila, filha de Olympio Lyra, conhecido como Major Nen, tabelião, e tinha oito irmãos, um deles, Milton Lyra, já falecido, foi  juiz do TRT da 6ª Região. 
       As pedras do Rio Canhoto e Margarida  foram as musas ingênuas dos meus primeiros versos.  Não me recordo do texto completo do poema que dediquei a ela, apenas de um pequeno trecho que dizia: Margarida, menina gentil e aplicada, / assiste frequentemente as aulas / e é a tal da petizada.
       Na nossa turma do curso ginasial havia três amigas com nomes de flores: Margarida Lyra, Maria Angélica Lyra e Magnólia Otávia Montenegro Pino. O Dr. Onildon Melo Guimarães, diretor, gostava de dizer: "as três flores estão sempre unidas, Angélica, Magnólia e Margarida." Detalhe: Magnólia faleceu de câncer há 15 anos.


Na São José da Laje dos anos 60, a simplicidade e a atitude de Margarida Lyra, produzida para uma festa carnavalesca. "Você só quer ser a esposa de Rocky Lane", dizia Angélica Lyra, com seu admirável senso de humor. (Foto: Acervo de Mauro Sélvio)




Rocky Lane  (1909-1973), cowboy do cinema americano e ídolo de histórias em quadrinhos 


São José da Laje, AL, no carnaval de um tempo que se foi, Margarida curtindo a folia ao lado de irmãos, amigos e amigas. Em cima do veículo, a terceira da esquerda para a direita. Abaixo, no centro, também em cima. (Fotos: Acervos de José Maria de Mattos e Angélica Lyra). Detalhe: Em ambas imagens, a garota da extrema esquerda é Magnólia Otávia.


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São José da Laje, AL, janeiro de 2008, festa do 8º Enncontro de Lajenses. Acima, Margarida. Abaixo, ela, eu e Angélica Lyra. ***** Fotos: José Maria de Mattos.

            
MARGARIDA LYRA, 
DE SÃO JOSÉ DA LAJE PARA O RECIFE
      
      Margarida veio morar no Recife após a conclusão do curso ginasial. Foi interna da  Associação Cristã Feminina e aluna do Colégio Agnes Erskine. Formou-se em Direito pela Faculdade de Olinda e trabalhou durante 25 anos no TRT, Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, onde se aposentou como diretora.  Margarida era casada com Joezil Barros, presidente dos Diários Associados do Nordeste, conglomerado de empresas de mídia do qual faz parte o Diario de Pernambuco, e deixou uma filha, a arquiteta Rafaella Lyra, fruto do seu primeiro casamento. Rafaella, esposa do empresário Murilo Ramos, está grávida do primogênito.
    

      No dia 25/09/2011, o jornalista Fernando Machado postou em seu blog o perfil de consumidor da minha conterrânea.  
Um advogado que a história guardou – Ruy Barbosa. 
Um advogado que a história vai guardar – Sobral Pinto. 
Um parecer que gostaria de assinar – Concessão de direitos a trabalhadores. 
E um parecer que deu, mas que não gostaria de ter dado – Certidão, em dissídio coletivo no TRT- 6ª Região, negando direitos a trabalhadores. 
Qual a maior invenção do homem – A informática. 
Qual a pior invenção do homem – Armas mortíferas. 
Um livro de cabeceira – A Biblia Sagrada. 
Um escritor (a) – Lya Luft. 
Mal do século – As drogas. 
Bem do século – O avanço da ciência. 
Comida preferida – Frutos do mar. 
Um restaurante preferido – Bargaço. 
O que não pode faltar na sua geladeira – Frutas e iogurtes. 
Um filme inesquecível – Meia Noite em Paris. 
Um ator – Tony Ramos. 
Uma atriz – Fernanda Montenegro. 
Um compositor – Capiba. 
Uma música inesquecível – La Vie en Rose. 
Um cantor – Charles Aznavour .
Uma cantora – Edith Piaf. 
Que destino turístico do Recife recomendaria ao turista – O Instituto Ricardo Brennand. 
Com quem gostaria de se esbarrar pelas ruas do Recife – Com meu irmão Milton Lyra. 
A palavra mais bonita na linguagem jurídica – Conceder. 
E a mais feia – Negar.


MARGARIDA LYRA, 
A ELEGÂNCIA DE UMA DIVA

      Nos grandes eventos socioculturais do Recife, a presença de Margarida Lyra Barros era sempre destaque e certeza de que sua imagem estaria logo em seguida nas colunas sociais, tanto em blogs como nos jornais.


Margarida, para sempre Lyra, para sempre Barros - Foto: Fernando Machado

Joezil e Margarida - Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A 
Joezil, Margarida, Paula e Rômulo Albuquerque - Foto: Nando Chiapetta
Margarida e Joezil Barros - Imagem: Nando Chiapetta
Ao lado de Anna Maria Maciel, ex-primeira dama de Pernambuco - Foto: Fernando Machado
Celinha Batista, Margarida e Joezil Barros - Imagem: Nando Chiapetta
João Alberto, Joezil Barros e Margarida - Imagem: Paulo Paiva/DP/D.A Press


Margarida e Joezil - Foto: Fernando Machado


Margarida, Joezil, Beneval e Jaqueline Lyra - Foto: Nando Chiapetta 
Ana Lúcia Belo, Alice Souza Leão e Margarida Lyra - Foto: Fernando Machado
Claudia Alencar by Carina Duek e Margarida Barros by Calvin Klein, elegância em dose dupla - Blog do Fernando Machado.
Em clima de carnaval. Acima, Gisele Costa e Margarida. Abaixo, Mauro Alencar, Margarida, Cláudia Domingues Alencar e Joezil Barros - Imagens: blog do Fernando Machado

MARGARIDA LYRA, 
LA VIE EN ROSE

       Sua música preferida, La Vie en Rose, a bela canção de Edith Piaf, sua cantora predileta, diz: 


Olhos que fazem baixar os meus, 
um riso que se perde em sua boca. 
Aí está o retrato sem retoque
do homem a quem eu pertenço.
Quando ele me toma em seus braços, 
ele me fala baixinho,
vejo a vida cor-de-rosa. 
Ele me diz palavras de amor,
palavras de todos os dias, 
e isso me toca. 

Entrou no meu coração
um pouco de felicidade
da qual eu conheço a causa. 


É ele para mim, eu para ele.
Na vida, ele me disse,
jurou pela vida. 
E desde que eu o percebo, 
então sinto em mim meu coração que bate.
Noites de amor a não mais acabar, 
uma grande felicidade que toma seu lugar.
Os aborrecimentos e as tristezas se apagam. 
Feliz, feliz até morrer.


     A letra é da própria Edith Piaf (1915-1963) e a melodia de Louis Guglielmi (1916-1991). Lançada em 1946, La Vie en Rose continua encantando gerações. Na foto acima, clicada por Ricardo Fernandes/DP/D.A Press, a expressão de felicidade de Margarida ao lado do seu amado Joezil Barros, com quem viveu uma vida cor-de-rosa. Confira a música neste link:  https://www.youtube.com/watch?v=jax9gEL-NN8

MARGARIDA LYRA,
CIDADÃ DO CÉU

        
      O velório teve início às 14 h da quarta-feira, no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, área metropolitana do Recife, onde no final da tarde o  Frei Damião Silva presidiu uma cerimônia religiosa. No dia seguinte, às 10h, foi realizado um momento ecumênico celebrado pelo padre Francisco Caetano Pereira, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade (Rua Capitão Lima, Santo Amaro, Recife) e pelo pastor Ney Ladeia, da Igreja Batista da Capunga, Recife. O rosto de Margarida estava maquiado e sereno.


Frei Damião Silva ao lado do corpo de Margarida.
Foto: Fernando Machado
       Palavras do pastor Ney Ladeia: “Margarida tinha a certeza da vida eterna, pois aceitou Jesus como Salvador”. Palavras do padre Francisco Caetano Pereira"Margarida agora é cidadã do céu.  Estamos aqui para celebrar essa nova vida. Ela permanece viva em nossa memória afetiva.”

      No roteiro musical, “Jesus Alegria dos Homens”, de Johann Sebastian Bach (1685-1750), ao som de um violino, e o hino “Mais perto quero estar, meu Deus de Ti”, cantado por um trio de membros da Igreja Batista da Capunga. Esse hino, autoria de Sarah Flower Adams e Lowell Mason, foi a música que a orquestra do Titanic tocou na madrugada de 14 de abril de 1912, quando o famoso navio começou a afundar.

Mais perto quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor que me una a ti, 
sempre hei de suplicar,
mais perto quero estar meu Deus de ti!
Andando triste, aqui na solidão, 
paz e descanso a mim teus braços dão. 
Nas trevas vou sonhar,  
mais perto quero estar meu Deus de ti!

Minh'alma cantará a ti Senhor! 
E em Betel alçará padrão de amor.
Eu sempre hei de rogar, 
mais perto quero estar meu Deus de ti! 

E quando Cristo, enfim, me vier chamar,
nos céus, com serafins irei morar. 
Então me alegrarei; perto de ti, meu Rei, meu Rei, Meu Deus de ti!   
   
        Você pode conferir uma interpretação desse hino clicando neste link:
 https://www.youtube.com/watch?v=DkR02PN1K8M  

MARGARIDA LYRA, 
A FLOR QUE NÃO MORREU




     Havia 110 coroas de flores enviadas por empresas, instituições, parentes e amigos. Várias delas partiram de entidades beneficentes, uma prova de gratidão para com sua benfeitora. Margarida: você sempre será uma linda flor”,  dizia a faixa da coroa enviada por Dina e Mario Gil.


MARGARIDA, 
A REPERCUSSÃO DE UM ADEUS
A emoção deu o tom às manchetes dos jornais pernambucanos
         
      Alguns depoimentos publicados no Diario de Pernambuco, edição de 25/04/2014:
Pedro Eurico, secretário da Criança e da Juventude do estado: "... além de elegante era muito solidária." 
Roberto Pandolfi, secretário de Finanças do Recife: "Margarida era uma amiga ímpar, de grande beleza interior..." 
Murillo Ramos, genro de Margarida: "Dela, ficam os exemplos de coragem e força. Margarida era uma pessoa extremamente amável e agregadora. Era muito ligada à família e deixa como legado sua simplicidade." 
Alice Souza Leão, artista plástica: "... Ela era muito companheira, de coração bom. Margô era iluminada. É uma perda irreparável." 
Fernando Mendonça, empresário: "... ela era muito transparante e solidaria. Quem a conhecia de perto via além da mulher vaidosa. Ela era muito humana e sincera, uma verdadeira dama." 
Jorge Pinho, médico: "A característica mais marcante de Margarida é que ela era muito companheira e tratava a todos da melhor maneira possível. Ela sempre tinha uma palavra de conforto para quem precisava."

     A Assembleia Legislativa de Pernambuco, em reunião de 23/04, aprovou o requerimento nº 3329/2014, do deputado Alberto Feitosa, um Voto de Pesar pelo falecimento de Margarida Lyra.

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ESTADO DE PERNAMBUCO
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Legislatura 17º Ano 2014
Requerimento Nº 3329/2014

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas às formalidades regimentais, 
que seja enviado um VOTO DE PESAR pelo falecimento, em 22 de abril de 2014, da 
Advogada Margarida Lyra dos Anjos Barros, esposa do presidente dos Diários 
Associados do Nordeste, Joezil Barros.
Da decisão desta Casa, e do inteiro teor desta proposição, dê-se conhecimento 
ao Sr. Joezil Barros, no endereço Praça Fleming, 77, apto 1201, Edf. 
Hockenhein, Jaqueira, Recife, CEP 52050-180; e à Sra. Rafaella Lyra, no 
endereço Praça Fleming, 77, apto 1201, Edf. Hockenhein, Jaqueira, Recife, CEP 
52050-180;
Justificativa
Pernambuco se despede de uma grande mulher!
Faleceu em 22 de abril de 2014 a advogada Margarida Lyra dos Anjos Barros, 64 
anos, casada com o presidente dos Diários Associados do Nordeste, Joezil 
Barros, deixando uma filha, a arquiteta Rafaella Lyra, casada com o empresário 
Murilo Ramos. 
Nascida em São José da Laje, em Alagoas, Margarida veio aos 15 anos para o 
Recife, tendo sido interna na Associação Cristã Feminina, concluindo os estudos 
secundários no Colégio Agnes Erskine. Formou-se advogada na Faculdade de 
Direito de Olinda, turma de 1978. Irmã do ex-presidente do Tribunal Regional do 
Trabalho, Milton Lyra, exerceu a função de secretária do TRT 6ª Região durante 
sete anos, passando por outros setores do órgão, aposentando-se com cargo de 
diretora. 
Adorava a vida, a família e o trabalho. Sempre que podia, fazia viagens, outro 
grande amor. De elegância peculiar e trato fino, era amada por onde passava. 
Pessoa inteligente, gentil e amável, conquistava de forma simples a admiração 
das pessoas de todas as classes sociais. Sua natureza cristã fez-lhe pessoa 
meiga e carinhosa, sempre pronta para uma palavra de amor e incentivo para os 
que lhe pediam ajuda e conforto.
Na certeza de Margarida Lyra ter um lugar reservado ao lado do criador, 
dirigimos ao seu esposo Joezil Barros e sua família nosso sinceros sentimentos 
de pesar.
Ante o exposto, solicito dos meus ilustres pares a aprovação deste requerimento.
Sala das Reuniões, em 23 de abril de 2014.
Alberto Feitosa
Deputado
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        Dezenas de conterrâneos, a maioria da minha geração, alguns ainda morando em São José da Laje e outros radicados no Recife e Maceió, através das redes sociais, manifestaram o seu pesar. Todos viviam elevando suas orações a DEUS, pedindo o restabelecimento da saúde de Margarida, internada há três semanas no Hospital Português do Recife. Os sintomas do câncer se manifestaram há dois anos e ela se submeteu a duas cirurgias no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo. 

EPÍLOGO

      Durante os momentos que estive no Morada da Paz, fiquei o tempo todo ao lado de Angélica Lyra, aquela do buquê de três rosas de que tanto o Dr. Onildon falava. 
      As vezes, diante da trajetória da minha caminhada, com seu erros e acertos, amores e desamores, custo a crer que este coração que bate no meu peito é o mesmo dos anos 60. Perguntei a Angélica: “O que restou dos nossos sonhos de criança?” Resposta dela: “Muita coisa, este sentimento que nos une aos valores daquele tempo.



     Quando o caixão com o corpo de Margarida Lyra entrou no crematório, fui para um dos jardins do Morada da Paz e fotografei um canteiro repleto de flores amarelas, flores essas abundantes nas praças de  São José da Laje do meu tempo de menino. Relaxei. O vento que soprava na ensolarada manhã azul de abril deu-me a certeza de que a essência de minha amiga, livre e leve, estava a caminho de uma nova missão em outra dimensão.

Margarida Lyra, sinônimo de classe, bom gosto e elegância - Fotos:  Fernando Machado.


Margarida Lyra dos Anjos Barros
* São José da Laje, AL, 02/06/1949
+ Recife, PE, 23/04/2014

      E agora, com licença, vou deixar que o menino que um dia eu fui fique quietinho, processando n’alma a partida de uma personagem que foi e é referência importante da minha infância alagoana em São José da Laje.

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sábado, 19 de abril de 2014

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Memória timbaubense, no tempo das "sopas" - Fabiana e Rosemberg no voo da TP 11

MEMÓRIA TIMBAUBENSE
 No tempo das "sopas"


"Boi Velho"
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"Boneca Cobiçada"

     Houve um tempo em que  "sopa" era sinônimo de ônibus que transportava pessoas e mercadorias de Timbaúba para diversas localidades. Nas foto acima, duas "sopas" , Boi Velho e Boneca Cobiçada. ***** Você conheceu esse tempo? Deixe seu comentário ou envie mensagem para PASSARELA CULTURAL, e-mail daslan@terra.com.br. ***** Foto: Cortesia.
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Ana Glória Araújo - "Boneca Cobiçada" era a "sopa" do meu pai Joel Monteiro de Araújo, apelidado de "Chupeta". Nessa  foto está toda a familia, Joel Monteiro; Maria da Glória; Irene Peixoto (mãe da professora Bel) e amiga; e as crianças Teotônio, Antônio Álvaro e outra. Na frente, Léo, cobrador; Pedro, motorista, e os irmãos Joel e Tranquelino Monteiro. Todos os domingos pela manhã fazíamos  um passeio com a família e os amigos. A "sopa" está estacionada no buraco da nega, antiga estrada para Macaparana. Papai foi pioneiro em ligar Recife-Timbaúba,  através da "sopa". Antônio Monteiro, seu filho mais velho,  criou a linha Timbaúba-Limoeirinho. O professor Pedro Matias tem todo histórico dessa iniciativa com relatos e fotos muito importantes.  
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Celma Lucia Vasconcelos - "Olá, Daslan. Feliz Páscoa para você! Aqui em Timbaúba havia dois empresários que exploravam o transporte coletivo na minha juventude. Eram eles: Joel Monteiro, carinhosamente chamado de Chupeta e Erasmo Carolino. Para chegarmos em Recife, com tempo bom, levávamos quatro horas e se chovesse, só Deus sabia. E as sopas estavam sempre lotadas. Saudades daqueles tempos que não voltam mais. É gostoso lembrar. Um abraço. Celma."
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Adelúcia Pereira de Melo – ”Fiquei muito feliz ao ver o artigo falando a respeito da época, digamos assim, das chamadas sopas em Timbaúba. O meu pai,  Adélio Cabral de Melo,  foi proprietário de uma. Fazia a linha na 2ª feira para Itambé; na 3ª,  Itabaiana; sábado,  São José do Livramento e os povoados vizinhos; no domingo, São Vicente Férrer e Macaparana. Os passageiros eram,  na sua maioria, pessoas que iam vender os seus produtos naquelas cidades, principalmente os fabricantes de rede de Mocós. Esse fim de semana estivemos juntos e eu falei para ele sobre o artigo, aproveitei para perguntar sobre o começo desse seu negócio. Muito amigo do Sr. Joel Monteiro, disse-me que quando o mesmo comprava um ônibus novo, passava o outro para ele e assim por diante. Hoje meu pai está com 89 anos de idade. Gosto de ouvir quando me conta histórias relacionadas à sua sopa."
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Janayna Jussara - "Ouvi inúmeras histórias e causos  do Sr. Adélio  Cabral durante o almoço de Páscoa. Ele está com 89 anos de idade e tem muita energia. Sr. Adélio foi casado com D. Luciola (in memorian) e com ela teve quatorze filhos, hoje são nove, sendo sete mulheres e dois homens. Os encontros são divertidíssimos."
Adélio ladeado pelas filhas Adelúcia e Ana Cláudia Melo.
Adélio ladeado pelos filhos Adeilton Ailton.
As sete filhas do Sr. Adelio, da esquerda para a direita: Audrey Ana CláudiaAdélia PaulaAlbâniaAdelúciaAdelma  Fátima.
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Jeová Barboza de Lira Cavalcanti  - "Boneca cobiçada, nas noites de sereno; teu corpo não tem dono, teus lábios têm veneno... Eis a música que deu nome a essa famosa "sopa", que pertencia a Joel Monteiro, o Chupeta. Ano 1957."
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José Marcos de Vasconcelos Carvalho - "Foi num desses ônibus de propriedade do meu pai que tive meu primeiro emprego como cobrador no final da década de 60. Meu pai, Cecílio Carvalho,  e meu, tio Luiz Carvalho, também possuíram desses veículos na época denominados carinhosamente de "sopa". Um amigo meu que também era meu passageiro apelidou o ônibus de papai de "expresso" em gozação a quantidade de paradas que o mesmo fazia durante o percurso para o sobe e desce de passageiros. Esses ônibus do meu pai e tio eram denominados de ônibus fereiro, que servia principalmente aos feirantes, comerciante e pessoas que iam às feiras das cidades vizinhas à Timbaúba, como São Vicente Férrer, Ferreiros, Itambé e Itabaiana, na Paraíba. Isso foi uma época após Sr. Adélio, que também foi pioneiro na linha cidade em Timbaúba, sucedido por tio Luiz e depois por Luiz Cabral, primeiro com veículos Kombi, depois micro-ônibus, já mais modernos. Segue uma foto do ônibus Chevrolet à gasolina, ano 1959."

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Tranquelino Ferreira Monteiro -   “... aproveito para anexar uma foto de um quadro que possuo e que foi pintado por um artista timbaubense que desconheço. Ele foi ajudado pelo meu pai para chegar a Timbaúba, pois  estava sem dinheiro para pagar a passagem de retorno. Para agradecer esse gesto de  Joel Monteiro, o Chupeta, meu pai,  pintou um quadro com o ônibus que o trouxe de volta à sua terra. Eu gostaria muito de saber quem pintou esse quadro, que quase iria para o lixo, se não fosse a minha inciativa de tirá-lo de um quarto onde se encontrava no meio de velharias e colocá-lo numa moldura à altura de sua importância sentimental  para mim. “

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      O pai de Tranquelino deu carona ao pintor do quadro acima na estação rodoviária do Recife, pois o artista  chegou do Rio sem dinheiro, tinha gasto tudo na viagem. Na placa do ônibus tem o numero 1947, pode ter sido nesse ano que aconteceu o fato, pois o veículo retratado é de 1950. 
    Joel Monteiro de Araújo, o “Chupeta”, nasceu no dia consagrado a São José, 19/03/1926, e morreu na véspera do aniversário de 40 anos de Tranquelino, 15/08/1992. 
     A  história de dar o nome de Rodoviária Monteiro ao terminal rodoviário de Timbaúba partiu de uma iniciativa do vereador Jacques Ferreira Lima Filho e aprovada pela Câmara dos Vereadores, em reconhecimento ao  bom trabalho que o Joel Monteiro de Araújo fez no transporte de passageiros, quando saía de casa de madrugada, acordando seus clientes. A colocação da placa está pendente e a família aguarda ansiosa que a honraria seja realizada.
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UM FATO EM FOCO


         
      Uma aeronave da companhia aérea TAP Portugal, que ia de Lisboa para o Recife, precisou fazer um pouso de emergência na ilha do Sal, em Cabo Verde, arquipélago na costa africana, no início da noite do domingo, 09 de abril. O voo TP 011 partiu da capital portuguesa às 16h38 (13h38 no horário de Brasília) e deveria chegar a Pernambuco às 21h15. O avião, no entanto, pousou no aeroporto da Ilha do Sal, em Cabo Verde, por volta das 20h05, no horário local (18h05 em Brasília), por causa de uma das turbinas que apresentava vazamento de óleo. 

      Fabiana Barbosa de Andrade Lima Vasconcelos e o seu esposo Rosemberg de Andrade Lima Vasconcelos estavam no voo, mas foi o seu filho Marcos Antonio de Vasconcelos Neto, 18 anos, estudante de Engenharia Civil da UFPE, que em depoimento exclusivo à revista TIMBAÚBA  EM FOCO relatou esse drama com final feliz.  

    

                Depois de um carnaval diferente, “turistando” por vários países europeus, meus pais voltam pra casa, contudo, com um porém... Bem, tudo começa numa ligação feita por painho no domingo à tarde (09/03). Ele havia dito que o avião no qual vinha precisou fazer um pouso de emergência na Ilha de Sal, Cabo Verde, África; disse que todos estavam assustados, porém calmos. OK, pedi que quando tivessem notícias, ele ligasse. Até então, não dei muita importância, logo passei o recado para os meus avós e meu irmão. De primeira minha avó não acreditou, pensava que eu estivesse brincando, mas logo confirmei. Foi nesse momento, olhando para a expressão do rosto dela pude ver que o assunto era mais sério.
            Minha avó, ainda nervosa ligou para painho para confirmar e saber mais informações e uma delas foi a de que tinha muita gente aperreada, chorando muito, e que até as aeromoças que costumam tranquilizar os passageiros, estavam apavoradas. Disse também que ele havia sentido um cheiro forte de combustível, mas que ninguém sabia ao certo o motivo do pouso. Pronto.  Tudo sob o controle. Todos foram muito bem assistidos pela companhia aérea (TAP). Apesar da situação normalizada, aqui em casa ninguém teve uma noite tranquila de sono.
                No outro dia, com o sol ainda nascendo, painho liga dizendo que o voo iria sair dentro de algumas horas e eu pedi que avisasse novamente na hora em que estivessem embarcando. Ansioso pela chegada, pego o celular, e por coincidência através de um aplicativo de tráfego aéreo vejo o avião, juntamente com o número do voo vindo em direção ao Brasil. Ufa! Já decolaram, pensei. Depois de mais ou menos meia hora, volto a acompanhar o voo no celular. Mas cadê o voo?? O avião havia desaparecido do mapa! Primeiramente, vem na cabeça o pior. Tento achá-lo, faço de tudo e nada. A tensão volta.
                Decido depois de muito tempo ver os horários de chegada dos aviões no site do Aeroporto dos Guararapes e pra nossa felicidade, lá estava o voo confirmado para chegar às 12:06. Fomos para o aeroporto aguardá-los. Mas como nós nordestinos dizemos: “Pra ser desmantelo, tem que ser bem desmantelado”, pois é querido, num foi que o célebre comandante guardava ainda uma surpresinha? Ele quis brincar de sobe e desce justo no final do voo, arremetendo o avião por causa de um forte vento que o impediu de pousar de primeira. Mas enfim, o avião pousa com segurança. Amém!
                E pra completar, papai e mamãe acharam pouco e deram “um chá de cadeira” por mais de uma hora em mim, vovô e vovó. Adivinha o que eles estavam fazendo? O que você acha que os matutos fazem quando chegam de viagem internacional? Isso mesmo meus amigos, é um tal de um negócio chamado Duty Free, onde você compra várias coisas por preços reduzidos, mas que na minha opinião, só tem whisky pra vender.
                Finalmente as portas se abrem e lá vêm eles!
          Brincadeiras à parte, o susto foi grande. Mas desde o momento daquela ligação até a hora em que os vi, elevei meus pensamentos a Ele, nosso pai do céu. Agradeço a Ele por ter feito aquele arquipélago justo naquele lugar; agradeço por Ele ter dado discernimento e competência aos comandantes do avião e principalmente por trazer meus pais de volta com segurança, pois foi só no momento em que os abracei é que pude ter a certeza de que nos meus braços, estavam guardados.

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SESSÃO NOSTALGIA - MARIA EUNICE MERGULHÃO MACIEL, MISS PERNAMBUCO 1968

Daslan Melo Lima  
      

     
Imagem: Arquivo/Fernando Machado
     No dia 08 de junho de 1968, o Clube Português do Recife foi cenário do concurso Miss Pernambuco, evento beneficente promovido pelo  Diário de Pernambuco com renda revertida para a Campanha Pernambucana pró-Infância. Nove jovens disputaram o título da mais bela pernambucana daquele ano: Cátia Maria Arruda e Silva (Boa Viagem); Gisoneide Diniz (Arcoverde), segunda colocada; Ivanise Batista (Jaboatão dos Guararapes), Maria da Conceição Bandeira (Clube Náutico Capibaribe), Maria Eunice Mergulhão Maciel (Clube Intermunicipal de Caruaru),  primeiro lugar; Marluze Siqueira Cavalcanti (Bom Conselho), Miriam Cristina Queiroz (Vitória de Santo Antão), Naida Lins de Albuquerque (Sport Club do Recife) e Rosa Maria de Souza Basto (Clube Português do Recife). As duas últimas empataram em terceiro lugar. Naida Lins de Albuquerque (1949-2012), meses depois, conseguiu o título de Miss Objetiva de Pernambuco e foi eleita Miss Objetiva do Brasil e vice-Miss Objetiva Internacional 1968. A matéria abaixo, escrita pelo jornalista Fernando Machado, em julho de 1988, revela um pouco da personalidade de Maria Eunice Mergulhão Maciel, ou simplesmente Eunice Mergulhão. Detalhe: A reportagem cita o dia 14 de junho como data do concurso e o número de oito concorrentes.

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PERFIL – Maria Eunice Mergulhão Maciel - Vinte anos de beleza – Reportagem de Fernando Machado - Caderno Você, Jornal do Commercio, Recife, domingo, 3 de julho de 1988

    
Acervo DML/Passarela Cultural
      No dia 14 de junho fez vinte anos que ela foi coroada Miss Pernambuco, numa festa memorável realizada nos salões do Português. Disputaram o título oito bonitas jovens, mas no final uma comissão formada por César Cals, Iva Costa, José Carlos Poncell Neto, Léa Pabst Craveiro e Antônio Barros escolheu-a como a mais bela pernambucana de 1968.  “Foi uma emoção tão grande quando ouvi os apresentadores Albuquerque Pereira e Carmen Tovar anunciarem meu nome como a nova Miss Pernambuco. E como todas, cheguei às lágrimas. Foi um momento inesquecível”, confessa Maria Eunice  Mergulhão, atualmente vivendo ao lados dos filhos Pedro, Henrique, Gustavo e Patrícia, num bonito apartamento  em Boa Viagem, e cuidando dos seus negócios. Ela não soube definir como e por que entrou no concurso de Miss Pernambuco, mas não vacilou em dizer que se sua filha Patrícia quiser concorrer ao Miss Pernambuco será totalmente a favor. “Darei a maior força, como minha mãe o fez quando os amigos me inscreveram no concurso como Miss Clube Intermunicipal  de Caruaru.”
      Maria Eunice Mergulhão Maciel não nasceu em Caruaru, e sim em Belo Jardim, no dia 22 de junho. É desquitada e tem um grande sonho: “fazer uma volta ao mundo”. Tinha dezessete anos incompletos quando se tornou a rainha da beleza dos pernambucanos, “nunca pensei em ser Miss. Desfilava em Caruaru em festas beneficentes. Todavia, um dia, a Miss Pernambuco de 1967, Vera Maria Silva, foi a Caruaru e os amigos me apresentaram  a ela como a futura Miss Pernambuco. Fiquei meio sem jeito com o papo, mas depois aquele sonho tomou conta de mim, e três meses depois desfilava no Intermunicipal de Caruaru como sua representante no Miss Pernambuco.”
     Maria Eunice permanece bonita e seu descobridor, o jornalista Cervantes, vaidoso em ter conseguido a segunda vitória no concurso – a primeira foi a caruaruense Dione Oliveira, que conseguiu um segundo lugar no Miss Brasil – chega a confessar que “Nicinha nunca foi uma aproveitadora, participava das festas sem cobrar cachê, nem pedia vestido ou dinheiro. Ia porque gostava.”
     Então fizemos uma viagem ao passado exatamente no dia em que Maria Eunice, então com 16 anos, 11 meses e oito dias, se consagra Miss Pernambuco de 1968 e está posando com a segunda colocada, Gisoneide Diniz, de Arcoverde, e as terceiras classificadas (houve um empate, Rosa Maria Bastos, do Português, com Naida Lins de Albuquerque, do Sport). “Desfilei com um modelo vermelho, bem decotado, desenhado por Marcílio Campos e costurado por Nícia Barbalho. Era lindo meu vestido. Aliás usei-o novamente no Miss Brasil, lá no Maracanãzinho. E logo no início senti que a noite estava para mim.”

O Cruzeiro, 29/06/1968. Acervo: DML/Passarela Cultural

           Com 1,68 m de altura, 58 quilos, 79 cm de busto, 62 cm de cintura e 95 de quadris, ela fazia o tipo violão, bem à Marta Rocha, “e com um maiô Catalina, o maiô das misses” – brinca Nicinha, imitando os apresentadores do concurso – estampado recebeu a faixa, a coroa, mais de um milhão de cruzeiros e a responsabilidade de representar Pernambuco no Miss Brasil.  Sem namorado, pois tinha acabado o romance dias antes de ser Miss, renovando após o concurso, “ele tinha tanto ciúme de mim que decidimos terminar de uma vez por todas”. Maria Eunice brilhou ao retornar à sua terra, “desfilei pelas ruas da cidade, em carro aberto. Foi uma emoção tão grande, que ainda permanece viva em meu pensamento. Era muito jovem, cheia de sonhos e sem maldade. Via naquilo tudo uma fantasia, como no cinema. Era uma espécie de Alice no País das Maravilhas. Ate as cantadas eu pensava que eram galanteios, mas sempre fui firme nestes casos. Os amigos me alertaram logo: cuidado com os tarados e os aproveitadores, e por conta disso me tranquei numa redoma. As cantadas agressivas levava na brincadeira e as mais inteligentes as  descartava da mesma maneira.
     Tudo isso para Maria Eunice era um sonho. “Imagine uma jovem do interior que trabalhava na Cooperativa do Banco Popular de Caruaru, de repente ser cortejada e sair viajando pelo Brasil. Primeiro fui participar do Miss Bahia, cuja vitoriosa, Martha Vasconcellos, foi eleita Miss Brasil; depois do Miss Brasília; do Miss São Paulo e finalmente do Miss Brasil, tudo foi fascinante”, conversa. Mas nada disso fez com que Maria Eunice mudasse de rumo, “era muito bonito aquilo tudo, mas sabia que iria terminar e estava preparada para isso”.  Hoje, distante daquele dia que mudou sua vida, curte os momentos, as fotos, as reportagens que foram publicadas nas revistas e jornais. “Guardo tudo que sai comigo”, confessa. E, de fato, Nicinha, como é chamada carinhosamente, mostra álbuns e álbuns sobre o concurso e sobre seu momento atual.
      Vinte anos depois, Maria Eunice permanece a mesma, brincalhona, alegre, bonita, uns quilinhos a mais e com muitas lembranças daquele tempo. Tristezas do concurso não guarda, “conservo as horas felizes e se pudesse concorreria novamente ao Miss Pernambuco”, apesar de reconhecer que mudou muito. “As moças entram visando promoção e ganhar muito dinheiro como modelos. Eu não, entraria apenas pelo clima, pelas amizades que fazemos e pelas viagens. Antigamente, as jovens só pensavam em arranjar um marido rico e virar mulher de sociedade”, explica Maria Eunice.  Seus filhos adoram quando ela fala da época “e ainda hoje quando me preparo para ir a uma festa eles fazem coro dizendo que estou linda. São meus maiores fãs”. Nunca se afastou dos concursos de beleza, “este ano fui chaperone do Miss Pernambuco, tenho um bufê e atuo  no ramo imobiliário. Já tive confecções e boutique em Belo Jardim,  quando era casada”.
      E como toda jovem do interior, de antigamente, sabe cozinhar, costurar, bordar “e desenho modelos, quando tenho tempo, para mim. Desenhei muito quando tinha a confecção infantil, a Tita’s. Atualmente prefiro prestigiar os figurinistas da terra, é mais cômodo. Adorei ser Miss Pernambuco e tudo o que o concurso me proporcionou, até mesmo os fatos desagradáveis,  pois me ajudaram a crescer interiormente.

     
Imagem: Arquivo/Fernando Machado
      Maria Eunice Mergulhão é uma consumidora despojada de grifes, não se liga  em nomes, mas no seu click de mulher.
Tênis – Adoro, principalmente quando acompanho meus filhos nos esportes.
Roupa – Gosto da esportiva e da clássica e não me ligo em grifes. Ficou bem em mim, e pronto, me ganhou.
Personalidade – Minha mãe, Estela Mergulhão.
Homem mais bonito – Alain Delon.
Melhor presente – Flores, principalmente rosas vermelhas.
Medo – Rã.
Sonho de consumidora – Viajar pelo mundo para rever Paris e Genebra.
Meias – Christian Dior.
Comida – Pratos frios, adoro saladas.
Cidade mais bonita do mundo – Paris, Genebra e Rio.
Cidade preferida – Era o Rio, mas com a onda de violência que assola a cidade, prefiro agora o Recife.
Bebida – Coquetel de frutas.
Coca Cola ou Pepsi Cola - Coca, a outra é muito doce.
Perfume – Não tenho preferência por marcas, prefiro os suaves.
Óculos – Não tenho preferência por grifes. Gostei fiquei.
Uma Miss – Martha Vasconcellos.
Xampu – Qualquer um para cabelos oleosos.
Desodorante - Não tenho preferência.
Maquilagem – Como as misses de outrora, Helena Rubinstein.
Bijuterias ou joias – Ambas. Sou filha de cigana, dizem, pois adoro balangandãs.
Restaurante – Marruá.
Restaurante que não gosta de ir – Os agitados demais.
Filme inesquecível – A Noviça Rebelde.
Atores e Atrizes - Marlon Brando, Tarcísio Meira, Julie Andrews e Fernanda Montenegro.
Programa de televisão – Noticiários, Hebe e filmes, principalmente os da Sessão da Tarde.
Música –  “Deslize”, de Fagner.
Compositor – Chico.
Sabonete – Lux e Phebo.
Cantor (a) -  Roberto Carlos e Elba Ramalho.
Times – Sport e Central.
Escola de Samba – Mangueira.
Pasta de dente – Colgate ou Kolynos
Religião – Católica, mas de repente surgiu em mim meu lado de espírita kardecista
Santo de devoção – Nossa Senhora da Conceição
Jogador – Renato Gaúcho
Frase - “Compartilhar com amor é o segredo da verdadeira amizade”.
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Em 1971, dirigida pelo seu primo Cleto Mergulhão, a Miss PE 1968 foi protagonista do filme O Último Cangaceiro
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Em trajes típicos, da esquerda para a direita, Eunice Mergulhão, Miss Pernambuco; Maria de Fátima de Souza Acris, Miss Amazonas; e Cláudia Virgínia Lisboa, Miss Alagoas. 

     Tenho num dos meus álbuns de recortes, uma página autografada, acima, por Eunice Mergulhão, em 18/10/1991, ocasião onde tive oportunidade de testemunhar sua meiguice e ouvi-la falar do seu tempo de rainha da beleza. A última vez que a vi foi em Caruaru, na noite da realização do Miss PE 2001, vencido por Débora Daggy.

Imagens: revista O Cruzeiro

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     Possuo um exemplar do livro Noite Contra Noite, Editora Civilização Brasileira S.A. - Rio de Janeiro, 1965, de José Condé (1917-1971), pernambucano de Caruaru. Na minha fantasia, este volume é o mesmo que fez parte do traje típico de Eunice. Na minha fantasia, o livro está impregnado do eco das vozes da multidão que lotou o Maracanãzinho na noite da eleição da Miss Brasil 1968. Não me lembro mais os detalhes do romance, mas vou reler Noite Contra Noite neste feriado de 21 de abril, estimulado pelas lembranças que guardo de Maria Eunice Mergulhão Maciel, Miss Clube Intermunicipal de Caruaru, Miss Pernambuco 1968. 



        Ao finalizar esta Sessão Nostalgia, abri aleatoriamente o livro de José Condé e encontrei na página 37 um trecho que diz muito da condição humana: 
      Sete minutos depois, estava Urbano Tavares diante do espelho, penteando-se. Houve um instante, porém, em que interrompeu o gesto e ficou examinando com atenção a fisionomia que lhe era devolvida do outro lado: rugas, cabelos brancos, olhos, fundos e distantes, cansaço. 
      Qual seria a verdade do espelho? – pensou. A que se mostrava agora de maneira tão crua e impiedosa, ou a outra, a interior, que em vão tentava descobrir, através dos traços vincados pelos anos? Sorriu: “A outra está morta ou nunca existiu”. 
    Depois de viver toda uma vida, continuara sendo ele mesmo, desesperadamente

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