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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 624, referente ao período de 18 a 24 de junho de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 28 de julho de 2012

AVÓS EDUCAM DE UM JEITO DIFERENTE

(Timbaúba-PE) - O Dia dos Avós foi celebrado na quinta-feira, 26. *****  “Amor de avó. Amor de avô. Que gostoso que é. Dizem que são pais duas vezes. Avós brincam. Avós não precisam ser pais. Então sobra todo o tempo do mundo para serem "legais". Avós mimam. Avós divertem. Avós educam de um jeito diferente. Avós são livros falantes que nos mostram a vida com sabedoria”(Tânia Gorodniuk) ***** Na foto acima, um dos casais mais elegantes e queridos de Timbaúba, Édipo e Neidinha Monteiro, ao lado do neto Dimas, filho de Antígona Brandão Monteiro (1970-2008).  

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

FATOS EM FOCO

Marília Arraes em visita à Timbaúba, encontro no Clube Verde Campo com Fellipe Vasconcelos.
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Contagem regressiva para o tradicional encontro dos ex-alunos da Escola Santa Maria. A direção do educandário comunica a todos que, a pedido das ex-alunas que completam 50 anos de formatura, a programação do domingo permanece a tradicional: celebração da Santa Missa às 8 h30min, em seguida desfile, seguido de almoço na escola e uma tarde descontraida com apresentações dos ex-alunos e muito mais. Vendas antecipadas de mesas a R$ 60,00 e senhas individuais a R$ 12,00.
 
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ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA


A placa informa: "Centenário da Paróquia, 28/05/1873 - 28/05/1973". Imponente, a imagem de Nossa Senhora das Dores passa noite e dia, dia e noite, de olhos fitos no céu infinito. No cenário da Praça do Centenário, o tempo implacável corre dia e noite, noite e dia, indiferente aos calendários. - Daslan Melo Lima.  
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE


Na quinta-feira, 02 de agosto, faz dois anos da morte do empresário  Albenes Marcelo de Albuquerque Lima, que se estivesse vivo teria completado 60 anos de idade no dia 20 de junho. A nova edição da revista TIMBAÚBA EM FOCO, editada por DJ Publicações Ltda,  está circulando com uma matéria focalizando um pouco da sua vida. A publicação está à venda na banca de Julio Alfredo, no centro da cidade. Assinaturas da revista poderão ser formalizadas através dos telefones (81) 3631.2460, (81) 9906.3777 e (81) 9443.9958. E-mail: djpublicidades@hotmail.com

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SESSÃO NOSTALGIA - GERVÁSIO BATISTA E INDALÉCIO WANDERLEY, OITO ANOS AO PÉ DAS MISSES


Daslan Melo Lima

PRÓLOGO


      Nas reportagens das famosas revistas O Cruzeiro e Manchete, que focalizavam em generosas reportagens os concursos de Misses, o nome do cearense Indalécio Wanderley (1928-2001) e do baiano Gervásio Batista sempre apareciam nos créditos das imagens. Indalécio Wanderley na O Cruzeiro e Gervásio Batista na Manchete. Não havia rivalidade entre os dois repórteres-fotográficos.Eles eram amigos e cada um se esforçava para que suas revistas aparecessem nas bancas da forma mais atraente possível.


      Na revista Manchete, de 25/07/1964, foi publicado um diálogo entre Gervásio  Batista e Indalécio Wanderley, dias antes de os mesmos embarcarem para Miami Beach, onde iriam fazer a cobertura do concurso Miss Universo. Transcrevo a referida matéria abaixo, na íntegra, conservando, inclusive,  a grafia da época, como forma de resgatar parte de um tempo que se foi. Na capa da citada Manchete, em foto de Gervásio Batista, as belas Ângela Teresa Vasconcelos, de blusa verde, Miss Paraná, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1964, e Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964.  

                                 OITO ANOS AO PÉ DAS MISSES

Na foto, Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963), Indalécio  Wanderley e Gervásio Batista.

      Gervásio Batista e Indalécio Vanderlei são dois veteranos repórteres da imprensa brasileira – o primeiro de MANCHETE, o segundo de O Cruzeiro. Juntos, já realizaram cêrca de quinze coberturas de concursos internacionais de beleza, nos Estados Unidos e Europa. De passaporte carimbado para Miami, eles travaram antes do embarque um diálogo amigo sôbre o que têm feito e visto, nesses anos. Outro repórter gravou a conversa sem que eles soubessem.
INDALÉCIO – Para mim as coisas começaram em 1956. Um ano antes, devido ao sucesso de Marta Rocha, O Cruzeiro enviou um repórter a Long Beach, acompanhando a cearense Emília Correia Lima. Minha vez chegou com Maria José Cardoso.
GERVÁSIO – Eu comecei mais tarde. Mas comecei bem. Foi em 57. Teresinha Morango acabou repetindo Marta e a viagem valeu a pena. Mas não foi fácil. Você que esteve lá sabe como é duro.
INDALÉCIO – O primeiro drama foi enfrentar o desprestígio da imprensa brasileira nos Estados Unidos. Ninguém sabia onde o Brasil ficava. Eu me lembro que na hora de fotografar as misses nós sempre éramos colocados nos últimos lugares.
GERVÁSIO – Eu sofri o mesmo drama. E há um outro que você não citou:  o da remessa de material para o Brasil. Naquele tempo a VARIG ainda não tinha linha para Los Angeles. O jeito era pedir, quase de joelhos, aos passageiros que iam para Nova Iorque, que levassem nossos filmes. Dali em diante a VARIG resolvia o problema.
INDALÉCIO – Hoje as coisas são outras. Mas houve uma vez em que tive de mandar os filmes de helicópteros – senão O Cruzeiro seria “furado” pela MANCHETE...
GERVÁSIO - Bom, você sabe como são essas coisas. Amigos, amigos, revistas à parte.
INDALÉCIO – Não tenta fazer romance, Gervásio.  Você sabe que muitas vezes lutamos juntos, um dando cobertura ao outro.  Você já se esqueceu das nossas corridas pelas estradas dos Estados Unidos, quando infringimos todas as leis locais de trânsito para chegar a tempo? O que ia no carro de trás ficava de ôlho na polícia para avisar ao da frente.
GERVÁSIO – Mas valeu a pena. E você sabe, Indalécio, estou hoje convencido de que a ampla cobertura que a imprensa norte-anericana dá, atualmente, ao Concurso Miss Universo, se deve ao trabalho dos jornais e revistas brasileiros. Você se lembra quando, há alguns anos, os jornalistas dos Estados Unidos se espantavam com o número de brasileiros, entre repórteres e fotógrafos?
INDALÉCIO – É exato. Como é exato, também, que os norte-americanos são perfeitos em matéria de organizar festas. Tanto em Long Beach como em Miami, tudo funciona dentro do relógio. É uma coisa surpreendente, sobretudo para nós,  brasileiros, que temos a mania de improvisar tudo.
GERVÁSIO – Só uma coisa me desagrada nesses concursos. É a frieza do público. Não há nos Estados Unidos aquêle calor humano do Maracanãzinho, com palmas e vais, torcidas organizadas e gente gritando pela sua candidata.
INDALÉCIO – Eu também notei isso. O pessoal é um pouco frio. O público reage como se estivesse numa exposição de gado ou de automóveis.
GERVÁSIO – A única explicação talvez seja a duração exagerada do concurso. São quatorze dias. E as solenidades e desfiles cansam um pouco. O pessoal aqui no Rio fica pensando que nós estamos de beleza, comprando “muambas”, entre gente bonita. Mas a história é outra. É uma correria para todos os lados, enfrentando dificuldades que vão desde o grande número de misses ao regulamento do concurso, que dificulta o trabalho dos fotógrafos.
INDALÉCIO – Mas você sabe, Gervásio, a verdade é que eu gosto da coisa. A gente luta, acaba fazendo um bom trabalho e fica satisfeito quando a revista roda e todo o país admira o nosso trabalho. Pode ser uma vaidade tola. Mas é bom.
GERVÁSIO – Que é bom, é. Se não fosse, duvido que me pegassem a segunda vez.
INDALÉCIO – Eu acho, Gervásio, que em todas essas viagens nós só discordamos numa coisa: o nome da que deveria ganhar. Para mim, a môça mais bonita de todos esses concursos, até hoje, foi Linda Bement, Miss Universo de alguns anos atrás.
GERVÁSIO – Mas em compensação ficamos de acôrdo que a mais feia de todas foi a Miss Tailândia 62, uma que parecia o Garrincha.
INDALÉCIO – Agora temos a Ângela. Ela, realmente, é muito bonita. Leva, porém, a desvantagem de ser um tipo muito comum nos Estados Unidos. Não vai ser fácil.
GERVÁSIO – Fácil não vai ser. Mas Vera Lúcia, a nossa mulata, estará em Long Beach. E com ela a solução é simples: se não tirar o primeiro, pelo menos dará muito o que falar.
INDALÉCIO – O jeito é ver esses concursos de perto. Eu sigo daqui a uns dias. Você vai?
GERVÁSIO – Espero chegar lá primeiro que você...

                                                DETALHES

       Houve alguns lapsos no texto publicado na Manchete. O nome correto da Miss Brasil 1955 é Emília Corrêa Lima (o Corrêa sem a letra i e com acento circunflexo na letra e), enquanto o do repórter da O Cruzeiro é Indalécio Wanderley (O Wanderley com w e y), já focalizado nesta secção por duas vezes. A primeira em 20/04/2008, SESSÃO NOSTALGIA - ELENICE BARRETO E INDALÉCIO WANDERLEY, A HISTÓRIA DE AMOR DA MISS CLUBE MILITAR 1955 COM O REPÓRTER DA REVISTA " O CRUZEIRO”, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/04/sesso-nostalgia-elenice-barreto-e.html . A segunda vez em 27/04/2008, SESSÃO NOSTALGIA - MISSES, AS IMPRESSÕES DAS VIVÊNCIAS DE INDALÉCIO WANDERLEY,  http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/04/sesso-nostalgia-misses-as-impresses-das.html

      Gervásio Batista cita no texto a Miss Tailândia 1962, mas a observação que ele fez deve se referir à Miss de outro país, pois a Tailândia não mandou representante para o Miss Universo 1962. Gervásio Batista, citado como decano do fotojornalismo pela ABI, Associação Brasileira de Imprensa, e que hoje assina o nome como Gervásio Baptista, continua atuante, prestando serviços ao Supremo Tribunal Federal.

Os 67 anos de carreira do repórter fotográfico Gervásio Baptista foram comemorados no dia 27/04/2012 por admiradores e amigos de um dos profissionais da imagem mais respeitados e experiente em atividade na capital federal. Testemunha de fatos históricos relevantes do século 20, Gervásio recebeu homenagens em um coquetel e bate-bapo ocorrido na Galeria Olho de Águia, um dos espaços destinados à preservação da cultura brasileira e brasiliense que funciona em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal. (Foto de  Ivaldo Cavancante - Galeria Olho de Águia. Fonte: http://www.olhardireto.com.br, 02/05/2012).

Linda Bement, Miss Estados Unidos e Miss Universo 1960, a preferida de Indalécio Wanderley, fotografada por ele, na capa da revista O Cruzeiro, de 23/07/1960.

   No dia 11 deste mês, recebi este e-mail: "Boa tarde, Daslan! Estamos preparando um especial sobre fotojornalismo, que será publicado na segunda edição da Revista de Jornalismo ESPM, produzida pela Escola Superior de Propaganda e Marketing em parceria com a Columbia Journalism Review. Neste especial, produzido por Cacalo Kfouri, estamos citando o trabalho de Indalécio Wanderley. Vi em seu blog - Passarela Cultural - que tem uma série de matérias sobre esse grande profissional. Dessa forma, gostaria de solicitar uma foto dele (estamos publicando a foto de todos os fotógrafos citados na matéria) e outra de uma miss fotografada por ele para ilustrar essa reportagem. Anexo duas imagens que podem servir de referência. Obs. na sua resposta, por favor, mande seu endereço para que possamos enviar um exemplar da revista com essa reportagem especial. Estamos fechando a revista amanhã. Aguardo um retorno o mais breve possível. Um abraço, Anna Gabriela Araujo - Revista da ESPM."
          Eis a minha resposta imediata:  "Anna Gabriela, boa noite. É uma satisfação colaborar com esse seu trabalho tão significativo. Nos anexos, duas fotos. 
Uma mostra INDALÉCIO WANDERLEY em primeiro plano, tendo ao fundo pequenas imagens dele em sua atividade jornalística, postada na O CRUZEIRO, de 05/05/1956. 
A outra, feita pelo grande Indalécio, mostra ANA MARIA COSTA CALDAS, Miss Pernambuco 1964, em duas poses, publicada na O CRUZEIRO, de 08/08/1964. Espero que atendam o seu interesse. O material faz parte do meu acervo sobre Misses e assuntos dos anos 1950-1960-1970,  composto de dezenas de revistas O CRUZEIRO, MANCHETE , FATOS & FOTOS, MUNDO ILUSTRADO  e outras. Abaixo, meu endereço completo e telefones para contato. Um abraço. DASLAN MELO LIMA"

EPÍLOGO
       Quando estou revendo as matérias sobre misses em O CRUZEIRO e MANCHETE, fico imaginando como era difícil  o trabalho do pessoal, num tempo onde não havia câmaras fotográficas digitais, celulares, computadores, internet... Sei que nem tudo era glamour na vida dos jornalistas e fotógrafos, mas quem me dera entrar no túnel do tempo e ao lado de Gervásio Batista, digo, Gervásio Baptista,  e Indalécio Vanderley fotografar algumas das mais belas mulheres do mundo nas passarelas dos anos 1950 e 1960.  

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sábado, 21 de julho de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras? - 3º capítulo (Final)


Daslan Melo Lima
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      Este é o terceiro e último capítulo da reportagem “Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras?” escrita por um leitor gaúcho, assíduo visitante desta secção, que prefere ser conhecido no mundo miss apenas como Silveira/Pel. A matéria  tinha sido enviada por ele para o site  www.voy.com/185349.com , que não publicou o texto. Silveira/Pel repassou o mesmo para mim, o qual , devidamente autorizado pelo autor, foi dividido em três capítulos. O primeiro capítulo saiu na edição de PASSARELA CULTURAL de 14 de julho, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/07/sessao-nostalgia.html e o segundo na semana passada. As minhas únicas intervenções no trabalho do Silveira/Pel foram as inserções de imagens de algumas beldades citadas na matéria. Acredito que todos concordam comigo: o texto do Silveira/Pel é uma pérola que enrique as crônicas sobre o mundo miss, bem escrito, elegante, primoroso e lúcido.
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SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS LINDAS BRASILEIRAS? - Capítulo 3 - Final

Texto de Silveira/Pel
      A grande maioria das Rainhas das Piscinas , bem como das misses de todo o país, das primeiras décadas do Miss Brasil, eram beldades pertencentes a uma classe média com mais acesso aos bens de consumo que lhes valorizavam a beleza. Elas faziam parte de uma juventude dourada  impregnada da vida glamurosa das grandes divas do cinema norte americano,  que elas se encantavam vendo em películas filmadas em ambientes requintados, onde tudo lhes servia de inspiração. Estas jovens, desde o aniversário de quinze anos já de salto alto, sem essa do jeans e do tênis, muito cedo participavam de bailes, de desfiles beneficentes, de concursos menores, enfim, de uma vida social bem mais intensa e sofisticada, de forma que, quando chegavam ao Miss Brasil,  já estavam prontas, não precisavam de meses de preparação. Isto também ocorreu praticamente com todas as beldades brasileiras das primeiras décadas do Miss Brasil, que a maioria das vezes eram eleitas muito pouco antes do Miss Universo, com tempo precário até para a preparação do próprio enxoval, e que logo partiam para o exterior, o que não as impedia de ficarem, quase sempre, pelo menos entre as quinze semifinalistas. E, aqui no Rio Grande do Sul, lembro-me, o certame estadual chegava a ser realizado até uma semana antes do Miss Brasil.
           Nesta última década em que voltei a acompanhar os concursos de miss, aqui no estado, temos tido vitoriosas como Fabiane Niclotti, Natália Anderle, Ruth Böch, Juceila Bueno, verdadeiras cinderelas a se alçarem repentinamente nesse mundo cada vez mais complexo, competitivo  e sofisticado de missRejane foi a precursora delas, e só não chegou ao título máximo por enfrentar uma australiana de muito mais cancha. Mas ela rendeu tudo o que podia, sendo ajudada, que isto seja ressaltado, por um suntuoso traje de gala da figurinista da elite gaúcha, que lhe valorizou a beleza, ao contrário de Fabiane, a quem enfiaram  aquele vermelhão e, recentemente, de Juceila que, com um  preto muito feio, deve ter aí  perdido pontos preciosos no momento talvez decisivo para sua classificação. Quanto à Juceila, ainda foi ignorado o lembrete de que, com um leve retoque na ponta do nariz, ela teria se tornado muito mais competitiva. É o tabu contra as cirurgias plásticas, refiro-me às necessárias e bem feitas, inexistente na Venezuela, e que contribuiu para lhe conferir nesse mesmo Miss Mundo mais um título internacional.
Natália Anderle, Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil 2008. Foto: Divulgação.

           Assim, as misses gaúchas mais recentes, não mais sendo sempre escolhidas entre jovens já prontas, nem sendo a mais bela da cidade que representou, mesmo assim, elas tem vencido o Miss Brasil com alguma frequência, apesar de suas maiores limitações pessoais, além de não serem ajudadas convenientemente, tanto naquilo que lhes dão para vestir, como no meio litro de silicone em cada seio que colocados em Fabiane e em menor quantidade e desnecessariamente também em Juceila, deixaram-lhes com a falsa aparência de gordas, quando fotografadas em plano americano, aquele da cintura para cima. Apesar da maior falta de preparo de nossas misses mais recentes, vale ressaltar, no entanto, o fato muito positivo de os certames de beleza estarem se transformando em mais um veículo de ascensão social para essas jovens de origem mais modesta.
             E para o último Miss RS já realizado, o missólogo gaúcho nos brindou com mais um punhado de belas candidatas, como poucas vezes a gente costuma ver nos certames com vistas ao Miss Brasil. E, para comprovarmos isso, basta acessarmos o voy Miss Rio Grande do Sul, de Ander. Mas não vou afirmar que este grupo de bonitas concorrentes possa ser outro indício de que aqui estejam as mais belas mulheres do Brasil. Afinal, muito bem se pode justificar este fato com o argumento de estarem aqui, não as mais belas, mas o maior número de belas interessadas em participar desse tipo de competição.
            Também vou considerar como um ponto de vista meramente pessoal, ainda que embasado em sua longa vivência profissional, em seu olho acurado de fotógrafo, a afirmação de Marcos 56 de ter encontrado no RS as mais lindas brasileiras. Em seu favor, ainda existe o fato dele não poder ser acusado de bairrista, como costumam fazer comigo, quando simplesmente procuro defender certas misses gaúchas, e como já o fiz com não gaúcha, goste ou não de suas belezas, de agressões as mais pesadas que estas costumam ser alvo. Também não pactuo, na controvérsia provocada por Marcos 56  com a maneira agressiva como foi rechaçado  o critério territorial usado por Marcos para fazer sua constatação sobre as mais lindas do país. Por que não se poder usar este critério estadual se, no território de muitas dessas antigas capitanias coloniais, dessas províncias da época do Império, de muitos de nossos estados brasileiros atuais, deram-se processos muito peculiares, muito próprios de ocupação desses espaços, caso do RS? Também vou deixar como mais um bairrismo nostálgico a declaração de um conterrâneo e velho amigo, com quem fiquei embasbacado com a beleza das russas, colega dos tempos de colégio que há décadas foi morar em capital brasileira fora do RS, de que tem ele prazer de retornar à cidade natal, dentre outras razões, para se deleitar na admiração das mulheres bonitas que costuma encontrar por aqui, ao acaso.

Ruth Böch, A Mais Bela Gaúcha 2009, Miss Brasil Germany 2011 e Garota Verão Agudo 2011. O título de Miss Brasil Germany foi conquistado na  noite de 14/05/2011, quando 26 descendentes de alemães disputaram o título. Os 14 jurados eram do consulado alemão e representantes de agências de modelo de São Paulo e Rio de Janeiro, que após três desfiles - um com roupa vermelha, outro com vestido de gala e o último com maiô - elegeram a representante da cidade de Agudo, Ruth Böch, 18 anos. Além do título a bela ganhou uma viajem de oito dias para a Alemanha, França e Holanda. Rute foi Top 5 no  Miss Rio de Janeiro 2011, representando Guapimirim. 

             Falta, por fim, uma reflexão sobre mais um indício de que estariam no RS as mais belas brasileiras, isto quando Ander traz a informação de que são gaúchas o maior número de garotas que trabalham nas agências de modelo brasileiras. Se não quisermos concordar com Ander, até se poderia contra argumentar afirmando que elas estão aí em maior número, simplesmente porque é no RS que estaria a maioria das interessadas nesse tipo de trabalho. Mas surgiu então, nos replies àquele banner de Marcos 56, um argumento considerado como definitivo, por quem o esgrimiu, e por quem o apoiou entusiasticamente, com o qual não concordo. Assim, para esses, se existem mais gaúchas trabalhando nas agências de modelo do país, não é por serem as mais belas, mas porque são elas que tem mais o perfil que a publicidade procura, pele, olhos e cabelos claros, aliado ao biótipo herdado da colonização européia. Que, se o perfil vigente fosse outro, elas certamente não seriam a maioria. E foi arrematada esta idéia com outra afirmação, contundente para um replicante, de que “a mídia e a cultura brasileira favorecem a beleza dita européia. E que isso acaba refletindo-se nos concursos de beleza”. Por tudo isso, então, as gaúchas são as que costumam aparecer em maior número.
              A estas últimas argumentações conjugadas contra a tese de Ander, vou aqui refutá-las reproduzindo texto de um replie meu que não chegou a ser publicado naquele debate: “Não haverão de querer”, afirmava eu, “que a mídia, a cultura brasileira, as agências de modelo e até os jurados dos concursos de beleza se guiem em suas escolhas pelo ideal de beleza dominante em nossas reservas indígenas, ou no que sobreviveu de nossos mocambos, ou o no interior das florestas do Congo, ou nas savanas da África, ou no Butão, ou entre os esquimós da América do Norte. É mais do que natural que todos aqueles segmentos arrolados guiem-se pelos padrões de beleza feminina da cultura ocidental na qual estamos inseridos, padrão este, diga-se de passagem, amplamente flexível, que não exclui belas afrodescendentes, nem africanas, está aí Leila Lopes, Miss Universo,  além de inúmeras modelos negras em nossas agências, nem exclui orientais, caso de Akiko Kojima, ou sua miscigenação, aí está Cesar Curti para confirmar minhas colocações. Quanto à presença ainda reduzida de afrodescendentes nos concursos de beleza e nas agências de modelo aqui no Brasil, isto é uma verdade que tem causas muito mais complexas  do que a acusação simplista de discriminação.  Isto teria de ser assunto para uma reflexão muito mais profunda e isenta de meros e  demagógicos chavões.




Juceila Bueno, representante brasileira no Miss Mundo 2011. (Fotos: Divulgação).

              E, pensando bem, embora seja uma questão instigante esta suscitada por Marcos 56, acho que não chega a ter maior relevância a definição de onde se localizam as mulheres mais lindas do Brasil, ou onde estão em maior número, se é que não se encontram equitativamente distribuídas por todo o território nacional.  Deixemos de lado tais questões, principalmente se a resposta a elas servir para criar melindres. Mais importante é conseguir trazê-las em quantidade e qualidade para os certames estaduais, e que estes sejam realizados com isenção, com competência, de forma transparente, e que nós, seus seguidores, não nos atiremos sobre candidatas que porventura nos desagradem com preconceitos, com bizantinismos plenos de casuísmos oportunistas, com prevenções e mesquinhas rivalidades regionais, nem despejando sobre elas nem sobre os missólogos nossas neuroses, nossas mesquinhezas, nossa necessidade de agredir, nossa falta do mais comezinho  polimento. Tudo isso termina afugentando ainda mais as verdadeiras beldades da participação em quaisquer dos Miss Brasil, já que existem outros caminhos  menos desgastantes e  muito mais gratificantes. Apreciadores dos concursos de belezas, vamos procurar fazer da melhor forma nossa parte.

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sábado, 14 de julho de 2012

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

AUCICLEIDE COSTA, UM EXEMPLO DE SUPERAÇÃO


Daslan Melo Lima

    Naquele já distante 24 de março de 1998, o relógio marcava 8 horas da manhã, quando a jovem Aucicleide Almeida Costa, uma jovem tranquila e saudável, nascida em Feira Nova-PE em um 22 de agosto, e radicada há anos em Timbaúba, tomava banho.  De repente, ela sentiu uma espécie de picada na nuca. Passou a mão no local e não detectou nada de anormal. Saiu do banheiro e a sensação de desconforto foi ficando intensa. Levada a uma clínica, o diagnóstico impreciso apontou para algo referente a uma “crise nervosa”. Às 10 horas da manhã, Aucicleide estava tetraplégica.
      Filha caçula do casal Enivaldo Almeida Pereira Costa e Ana Faustina Costa, que lhe deu quatro irmãos, Aleide, Aelson, Aurileide e Albert, Aucicleide fez o Ensino Médio no Colégio Timbaubense e cursou o Magistério no Colégio Cenecista. Depois daquele dia conturbado, teve início uma verdadeira “via crucis” em sua existência: hospitalização, medicamentos, lágrimas... Mas também teve o alento das orações, muitas orações. O vírus que se alojou em sua coluna foi tratado, mas nunca identificado.  Lúcida o tempo todo, a jovem tinha uma determinação: não se submeter a nenhum medicamento de tarja preta, aqueles que pudessem turvar sua consciência. Aos poucos, a jovem foi sentindo seus membros, reaprendeu a se locomover e hoje, 14 anos depois, leva uma vida praticamente normal. 

     Na foto ao lado, Aucicleide ladeada pelas irmãs Aurileide e Aleide. As verdades de Aucicleide: Tenho muito orgulho da pessoa que sou hoje. Tive momentos de tristeza, mas nunca me senti infeliz.  A adversidade me ensinou muito, aprendi que a felicidade está nas coisas simples. Temos que ser felizes na simplicidade. Independente de religião, aprendi a conversar com Jesus no silêncio e a apreciar as leituras de livros como Tempo de Espera, A Cabana e O Ágape, e filmes como O Óleo de Lorenzo. O carinho da minha família foi e continua sendo importante na minha recuperação. Viver é viver o instante. Temos que ser felizes na simplicidade. Morrer é necessário. As pessoas nascem, crescem, envelhecem, adoecem... Há um momento em que chega a hora em que morrer é necessário.
     Ping-pongComida: Chocolate.  Bebida: Água. Clube Esportivo: Sport Club do Recife. Cor: O contratste preto-branco. Programa de TV: Os da Canção Nova. Ator: Tony Ramos. Atriz: Maitê Proença. Um homem bonito: Meus irmãos e meus sobrinhos. Uma mulher bonita: Minhas irmãs e minha sobrinhas. Preferências musicais: As músicas de Bruno e Marrone, Aline Barros e Sandy e Junior.
    Você, leitor (a), imagine-se no lugar de uma jovem linda, inteligente, que de repente se viu privada de fazer tudo aquilo que é tão natural para a sua faixa etária. Se para vocês a visão é arrasadora está na hora de rever seus conceitos, basta fazer uma reflexão na trajetória de Aucicleide Costa. Ela  enfrentou a adversidade com elevado senso de religiosidade, independente de religião, e nunca duvidou que os milagres acontecem.

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 FATOS EM FOCO

BELEZA EM DOSE DUPLA  -  Adriana Apolinário, Garota Verão de Timbaúba 1991, e o seu filho Paulo Mendonça, segundo colocado  no concurso Mister ETE-Escola Técnica Estadual Miguel Arraes de Alencar 2012.
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DE OLHO NA FAMA - Joice Adélia, adolescente timbaubense, 16 anos,  residente no distrito de Caueiras, na vizinha cidade de Aliança, representou a praia de Candeias no concurso Miss Pernambuco Global Teen 2012, realizado recentemente no Teatro Beberibe, e conquistou um honroso segundo lugar. ***** O título de vice-Miss PE Global Teen também deu a Joice o direito de disputar o Miss Brasil Global Teen 2012, agendado para novembro, em Salvador, Bahia. ***** No mês passado, Joice Adélia foi eleita Miss ETE-Escola Técnica Estadual Miguel Arraes de Alencar. *****  (Foto: Facebook do Miss Pernambuco Global teen)


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MEMÓRIA TIMBAUBENSE
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Timbaúba-PE, 23/11/1966. Comemoração do último de aula da turma concluinte do curso ginasial do Colégio Timbaubense, na Sorveteria Brasília. Sentados, da esquerda para a direita, Aurinéia, Hiram Freire, Janice, Artur Ferreira, Mário, Edna Barbosa, Reginaldo Pessoa, Biu Mendes, Severino Barbosa, Everaldo, Antonio, Lourdes, Penha, Antonio Monteiro, Manoel Barbosa. Em pé, da esquerda para a direita, Edite, Nivaldo, Neide Apolinário, Josafá de Freitas, Rogério Lucena e Toninho. (Foto: Acervo de Josafá de Freitas). ***** PASSARELA CULTURAL pergunta: Você tem alguma história para contar envolvendo a Sorveteria Brasília?  Deixe  seu comentário no rodapé desta secção ou envie para daslan@terra.com.br .

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ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA
RUA DE SÃO PEDRO, RUA DE SÃO JOÃO - O mês de junho se foi, levando consigo sons de fogos, forró e baião. O mês de junho se foi, mas algumas ruas permanecem decoradas com bandeirinhas coloridas. Quando a chuva e o frio de julho dão as mãos, eu acho que a Rua de São Pedro  gostaria de se chamar Rua de São João. - Daslan Melo Lima

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