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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 616, referente ao período de 23 a 29 de abril de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 27 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - Virgínia Barbosa de Souza, Miss Minas Gerais 1967

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO 


Duas louras e duas morenas formaram um harmonioso Top 4 no Miss Brasil 1966. Da esquerda para a direita:
Vírgínia Barbosa de Souza, Miss Minas Gerais, quarto lugar;
Francy Carneiro Nogueira, Miss Ceará, terceiro lugar;
Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara, primeiro lugar;
Marluce Manvailler Rocha, Miss Mato Grosso, segundo lugar.
(Foto: Revista Manchete, 09/07/1966)

      Na época, as três primeiras classificadas recebiam as denominações de Miss Brasil nº 1 (primeira colocada), Miss Brasil nº 2 (segunda colocada) e Miss Brasil nº 3 (terceira colocada). Ana Cristina Ridzi representou o Brasil no Miss Universo. Apesar de ter sido uma forte candidata não conseguiu classificação entre as semifinalistas. Marluce Manvailler Rocha representou o Brasil no Miss Mundo e conquistou um honroso quarto lugar.
      Caberia à Francy Carneiro Nogueira representar o Brasil no Miss Beleza Internacional, mas houve um problema. Em 1966, não foi realizado o Miss Beleza Internacional, o que só veio a acontecer em abril de 1967, quando a Miss Ceará já tinha renunciado ao título para casar. Foi aí que a coordenação do Miss Brasil convidou nada mais nada menos do que a quarta colocada, Virgínia Barbosa de Souza, Miss Minas Gerais, para disputar o famoso concurso de Long Beach, onde foi semifinalista do concurso Miss Beleza Internacional, no qual saiu vencedora a argentina Mirta Teresita Massa.

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VIRGÍINIA BARBOSA DE SOUZA, NOSSA MISS EM LONG BEACH


Desconfiada, falando pouco, morena de olhos castanhos, muito simples de vestido azul, Virgínia Barbosa, Miss Minas Gerais 1966 e quarta colocada no concurso Miss Brasil, seguiu para Long Beach, onde disputará o título de Miss Beleza Internacional. Ela se tornou Miss Brasil número 3 a partir do dia da renúncia de Miss Ceará, Franci Nogueira, que preferiu o casamento a uma viagem pelos Estados Unidos.


Sempre ao lado do pai, mineiro de Montes Claros que não deixa a filha sair sozinha (nem para ser fotografada), Virgínia – com 1 metro e 72, 20 anos de idade – é fã dos Beatles e acha que não é bem uma moça moderna, embora não pertença à Tradicional Família Mineira. Paraibana de nascimento, traz o sotaque inconfundível de Montes Claros (um pouco de mineiro, muito de baiano). Como a quarta colocação não lhe garantia a viagem, ela acha que nenhuma Miss até hoje viveu um sonho tão dourado como o seu.


De uma cidade onde os vaqueiros são reis, Montes Claros, Norte de Minas, Virgínia Barbosa saiu para uma viagem de sonho: descobriu o Rio ao lado do pai, Humberto Barbosa, e treinou ao sol um estilo diferente de beleza para assombrar os jurados de Long Beach. Virgínia Barbosa é a nova Miss Brasil número 3, com muita justiça.
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(“Virgínia, Nossa Miss em Long Beach” – Fotos de Esko Murto – Revista Manchete, 29/04/1967)
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VIRGÍNIA BARBOSA DE SOUZA: 
“NÃO TENHO MEDO DE PASSAR FOME”


A revista Intervalo, um dos maiores sucessos editoriais dos anos sessenta, especializada em notícias de celebridades da televisão, publicou a foto acima de Virgínia com a seguinte legenda:

FOME NÃO PASSA - Confissão de Virgínia Barbosa, Miss Minas Gerais, durante um programa no Canal 4: “Não tenho medo de passar fome nos Estados Unidos. Sei pedir sanduíches e água, com um gesto. Virgínia representará o Brasil no próximo certame de beleza de Long Beach.
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(Revista Intervalo, secção Jornal da TV-Belo Horizonte, 12/03/1967)
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EPÍLOGO

      Há dois anos, em Belo Horizonte, onde reside, Virgina apareceu linda e elegante, na homenagem à empresa Cowan, da qual seu esposo Saulo Wanderley, pai dos seus seis filhos, é presidente.


Da esquerda para direita: a nora Érika Manducci, o filho Saulinho, Virgínia e o esposo Saulo Wanderley. (Foto: www.connect.com.br)

      Virgínia Barbosa de Souza, Miss Minas Gerais, Miss Brasil nº 3, semifinalista do Miss Beleza Internacional 1966, deve recordar com saudades daquele tempo mágico. A quarta colocação no Miss Brasil 1966 não lhe garantia nenhuma viagem e por isso ainda deve achar que nenhuma Miss até hoje viveu um sonho tão dourado como o seu.

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sábado, 20 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - ANGÉLICA MOURA LINS, VICE - MISS PERNAMBUCO E MISS FERNANDO DE NORONHA 1974

Daslan Melo Lima

          Em época de mais um concurso Miss Pernambuco, cuja final será realizada no próximo dia 27 de março, no Hotel Vila Hípica, em Gravatá, vamos entrar no “Túnel do Tempo” para rever e homenagear uma das mais belas e inteligentes garotas da história do tradicional certame: Angélica Moura Lins, Miss Gravatá, segunda colocada no Miss Pernambuco e representante de Fernando de Noronha no Miss Brasil 1974.

ANGÉLICA MOURA LINS, VICE-MISS PERNAMBUCO 1974

          Mais de 15 mil pessoas superlotaram o Ginásio de Esportes Geraldo de Magalhães Melo, o Geraldão, no Recife, na grande promoção dos Diários Associados para eleição da Miss Pernambuco 1974. Foi um grande acontecimento social, com expressivas figuras da alta sociedade pernambucana ocupando as cadeiras de pista e tendo como atrações musicais Ronnie Von, Rosemary e o conjunto MPB-4.


Da esquerda para a direita, as três finalistas do Miss Pernambuco 1974:
Isolda Lira Cabral, Miss Caruaru, terceiro lugar.
Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Serra Talhada, primeiro lugar;
Angélica Moura Lins, Miss Gravatá, segundo lugar;
(Foto: Diario de Pernambuco)

ANGÉLIA MOURA LINS, MISS FERNANDO DE NORONHA 1974

          Devido ao seu excelente desempenho na passarela do Mis Pernambuco, Angélica Moura Lins foi convidada para disputar o Miss Brasil representando o Arquipélago de Fernando de Noronha.

Uma jovem bonita sempre faz presença, não que se tenha algo contra as feias, afinal de contas a beleza nem sempre é fundamental no mundo atual. Mas quando a beleza e a inteligência se unem numa só pessoa, então tudo bem. É o caso da jovem Angélica Moura Lins, que nasceu na cidade de Gravatá, representou sua terra no Miss Pernambuco, chegou a um segundo lugar no Geraldão e defendeu as cores do Território de Fernando de Noronha no Miss Brasil 1974.
Hoje, fazendo quatro anos que tudo passou, Angélica continua linda, mesmo sem maquiagem Angélica é fenomenal. Formada em Odontologia e já clinicando, ela é um exemplo de garra. Sendo uma menina de família pobre não se deixou vencer pela caminhada árdua da vida. Lutou e venceu. Este sorriso vitorioso vai muito além. Ela sabe realmente que ser Miss foi apenas uma etapa que o tempo deixou para trás.
Angélica Moura Lins é torcedora do Santa Cruz, possui os dentes lindos, um olhar meigo e cuja simplicidade a tornam uma garota sensacional e acima de tudo elegante. Quando Angélica lembra seu tempo de Miss, o corre-corre, o disse-me-disse, as provas de vestidos ( seu figurinista foi Paulo Carvalho), ela então se dá conta que não foi um sonho, e sim uma realidade, ou melhor, um momento que jamais será esquecido.
Atualmente, se fosse chamada para outro concurso de beleza, não aceitaria, pois a época para esse tipo de passatempo já não existe mais. Se tivesse que escolher entre um título de Miss e a sua profissão ficaria evidentemente com a segunda.
“Muitas vezes é tão bom a gente ser um anônimo na multidão. Ninguém para prejudicar. Ninguém tentando nos derrubar. Mas, enfim, temos que ser conhecido. Cada um dentro do seu papel, mas a verdade é que ninguém deixará de ser artista nesta vida. Ninguém”, disse Angélica.

Muitas vezes Angélica passa pela Riachuelo e ficamos a contemplar sua presença linda, brejeira e que passa quase despercebida se não fosse sua maneira faceira e calma de pisar no chão. 
Angélica, uma garota que preferiu viver num mundo onde sua imagem fosse igual a todos, sem os exageros, sem procurar exibir seu talento como se fosse uma vitrine. 
Angélica preferiu esta rota, sem muita badalação, mas de muito respeito pelo seu semelhante.



(”Angélica, uma Vitoriosa na Vida” – Coluna “Gente Jovem”, Fernando Machado e Sílvio Nicéas , Jornal do Commercio, Recife, 27/08/1978)

DEPOIS DAQUELE 1974

          Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Pernambuco, e sua vice Angélica Moura Lins, Miss Fernando de Noronha, não conseguiram obter classificações entre as semifinalistas do Miss Brasil 1974, vencido por Sandra Guimarães de Oliveira, Miss São Paulo.

          Em 1974, o Arquipélago de Fernando de Noronha era Território Federal. Foi a segunda vez que ele participou do Miss Brasil. A primeira tinha sido em 1969, com Adelle Zampieri. Voltou a apresentar candidatas ao Miss Brasil de 1982 a 1988, ano em que passou a ser Distrito Estadual de Pernambuco.

          Depois daquele 1974, a cidade de Serra Talhada, berço natal de Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), o Lampião, conquistou por mais dois anos consecutivos o título de Miss Pernambuco. Em 1975, com Maria de Fátima Mourato de Souza, e em 1976, com Matilde de Souza Terto. A cidade de Gravatá, a “Suiça Brasileira”, conquistou um título de Miss Pernambuco, com Ana Cristina de Medeiros, em 1989.


Dra. Angélica Lins, trinta e seis anos após ter representado Fernando de Noronha no Miss Brasil 1974 (Foto: www.blogdocastanha.com)


Angélica Lins Vieira. Dra. Angélica fez da profissão de odontóloga um sacerdócio. Centenas de famílias gravataenses a reverenciam, não só pela sua competência profissional, mas como pessoa, como mulher, mãe, amiga, pelo seu caráter irretocável como pela elegância com que trata as pessoas em seu consultório e nos encontros sociais. 
Formada pela Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP), filha dos ex-vereadores de Gravatá, Luiz Andrade Lins e de Bezinha, nasceu e se criou em Gravatá e estudou na Escola Cleto Campelo até os 12 anos de idade, quando foi morar no Recife. 
Mulher bonita. Muito bonita. Já foi Miss Gravatá, segundo lugar no Miss Pernambuco e representou a Ilha de Fernando de Noronha no Miss Brasil de 1974. É casada com Eliase Vieira da Silva Filho, mãe de Angélica, de Camila e de Eliese Neto. Já é avó. 
(“Março das Mulheres – Bom Dia Mulher... Bom Dia Angélica Lins”- Carlos Castanha, www.blogdocastanha.com)


          Depois daquele 1974, na Riachuelo (Rua do Riachuelo, centro do Recife), garotas lindas e brejeiras ainda passam nos finais-de- tarde, mas nenhuma com aquele jeito único, faceiro e calmo de pisar o chão como Angélica Moura Lins, Miss Gravatá, vice-Miss Pernambuco e Miss Fernando de Noronha 1974.

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sábado, 13 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - A HISTÓRIA DE MARIA HELENA LEAL LOPES, VICE-MISS GUANABARA 1970

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Daslan Melo Lima

MARIA HELENA, A REEDIÇÃO DE UMA CRÔNICA

          Há dois anos, precisamente em 02/03/2008, sob o título "Maria Helena Leal Lopes, Vice-Miss Guanabara 1970", focalizei aqui a figura de um ícone da beleza brasileira dos anos sessenta, Maria Helena Leal Lopes. Dois anos depois, volto a reeditar a secção Sessão Nostalgia daquela data, devidamente revista e ampliada, por dois motivos: Primeiro, pelo prazer de relembrar um dos símbolos dos mágicos anos sessenta. Segundo, para homenagear o meu amigo Muciolo Ferreira, que celebra idade nova no dia 17 de março, jornalista e missólogo pernambucano, o maior fã de Maria Helena Leal Lopes.

MARIA HELENA, A PRIMEIRA INSCRITA NO MISS GUANABARA 1969


Ela é a primeira candidata ao Miss GB deste ano, lançada pelo Telefônica Atlético Clube. Por extenso, Maria Helena Leal Lopes. Morena de 18 anos que mora na Tijuca, e estuda no Colégio Pedro II. Leninha entrou confiante na parada. Que vai ser das maiores - nada menos de 40 clubes já pediram inscrição – e dará um Corcel estalando à vencedora.
(“Quem é Maria Helena?” - Texto de Ubiratan de Lemos e foto de Indalécio Wanderley - Revista O Cruzeiro, 24/04/1969).



A noite de 14 de junho ainda está um pouco longe, mas há uma quase-certeza que pode tornar-se definitiva até lá: a de que a primeira candidata a Miss Guanabara não será uma das últimas. Se o júri escolher Maria Helena Leal Lopes para o lugar de Maria da Glória Carvalho, atenderá, certamente, a uma ligação privilegiada, pois a moça é candidata do Telefônica Atlético Clube, e comparece com um número privilegiado, que são as suas medidas exatas. Por enquanto, Maria Helena não sonha com o sucesso imediato: prefere conquistá-lo na passarela do Maracanãzinho.
Quando ela surge na praia, ninguém acredita, mas é verdade: Maria Helena já foi uma menina gorda. Hoje pode se dar ao luxo de ter o espaguete entre as suas paixões.
(“Os Telefones Chamam Miss Guanabara” – Texto de Renato Sérgio - Fotos de Sebastião Barbosa. Revista Manchete, 26/04/1969)

MARIA HELENA, A GRANDE AUSENTE DAS PASSARELAS DE 1969


Esta moça bonita viveu horas de suspense para tentar ser miss. Maria Helena Leal, Miss Telefônica Atlético Clube, tem um rosto lindo, é graciosa, elegante, possui medidas harmoniosas (se perder dois centímetros de quadris fica perfeita), mas ninguém esperava que ela fosse proibida de se tornar Miss Guanabara por causa de um detalhe extra-estético: a falta de quatro meses em sua idade. Com 16 anos, ela concorreu ao Senhorita Rio e ninguém criou caso. Quando suas fotos começaram a aparecer nos jornais e nas revistas, houve quem dissesse que ela iria ganhar o Miss Guanabara de barbada. Mas antes teve de lutar com advogados e muito charme para resolver um problema de tempo que, mesmo para ela, uma jovem de 17 anos e oito meses, se tornou uma coisa muitíssimo importante.
Maria Helena tem 1,69m de altura, 56 quilos de peso, 60cm de cintura, 91cm de busto, 95cm de quadris e 56cm de coxa. 
(Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969)

          No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.


Maria Helena Leal Lopes - Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969

          Quem denunciou que Maria Helena era menor de idade? Ninguém soube informar. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara.

         Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha, levando dezenas de fotografias para distribuir por lá quando ela fosse coroada Miss Guanabara. Mas aí, veio o pior. Faltando apenas uma semana para a realização do concurso, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal.


Maria Helena Leal Lopes foi a grande ausente na passarela do Maracanãzinho. A candidata do Telefônica Atlético Clube, até as vésperas do concurso, era apontada como a mais séria candidata ao título de Miss GB. Uma determinão do Juizado de Menores retirou-a da competição, por não contar com 18 anos completos. Assim, Maria Helena ficou entre os espectadores, sabendo que sua vez de concorrer foi adida para 1970.
Sem nenhuma mágoa, Miss Telefônica aplaudiu todas as colegas que passavam diante de sua mesa. Se tinha preferências, guardou-as consigo. Logo que chegou ao Maracanãzinho, foi saudada por um coro monstro vindo das arquibancadas. Com sorrisos e acenos, agradeceu a ovação. Tão logo foi encerrada a festa, fez questão de cumprimentar a colega vencedora, no estúdio de O Cruzeiro, montado nos bastidores.
(Revista O Cruzeiro)

          A vencedora do Miss Guanabara 1969 foi a loura Mara do Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, quarta colocada no Miss Brasil. A repercussão da proibição de Maria Helena não participar do concurso Miss Guanabara 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 1960:
1 - A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da seleção brasileira, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte;
2 - O encontro de Nelson Rockfeller (1908-1979), Governador de New York, com o Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969), Presidente do Brasil, em Brasília;
3 - A morte de Cacilda Becker (1921-1969);
4 - A eleição de Georges Pompidou (1911-1974), Presidente da França;
5 - O nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren e Carlo Ponti (1912-2007);
6 - A recepção a Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o Papa Paulo VI (1897-1978), em Genebra;
7 - O sucesso do filme Buillit, de Peter Yates, estrelado por Steve McQueen (1930-1980).

MARIA HELENA, VICE-MISS GUANABARA 1970


Maria Helena Leal Lopes - Foto: revista O Cruzeiro

          Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara 1969 foram frustrados, Maria Helena não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. Em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava Maria Helena, tranqüila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para a loura Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido por Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico. 

MARIA HELENA, CERTAS COISAS SÓ ACONTECEM UMA VEZ NA VIDA

          Quando o Juizado de Menores descartou a possibilidade de Maria Helena disputar o Miss Guanabara 1969, assim ela desabafou à revista MANCHETE, de 28/06/1969 :

Não sei bem porque me candidatei a Miss Guanabara. Acho que, conscientemente, um pouco era para expandir a minha vivacidade. Admito que todas nós participamos de concursos de beleza com uma certa dose de vaidade. Mas, isso, toda mulher tem (e quase todos os homens também). A vaidade faz parte do ser humano. Mamãe é que não quer mais ouvir falar no assunto – diz que não quer ver o concurso nem pela televisão, porque acha que certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.

          Minha estimada Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube 1969/1970, vice- Miss Guanabara 1970, sua mãe tinha toda razão. Certas coisas só acontecem uma vez na vida e não se repetem nunca mais. Você poderia ter sido a sucessora perfeita de Maria da Glória Carvalho, Miss Guanabara 1968, que trouxe do Japão o nosso primeiro e único título de Miss Beleza Internacional. Você poderia ter composto um excelente Top 3 no Miss Brasil 1969, ao lado da catarinense Vera Fischer (Miss Brasil) e da paulista Maria Lúcia Alexandrino dos Santos (vice-Miss Brasil ). Você poderia ter ficado à frente de Eliane Fialho Thompson, embora alguns achassem que você estivesse acima do peso ideal, ter sido Miss Guanabara e Miss Brasil, e despontado como favorita do concurso Miss Universo 1970, ao lado da americana Debbi Shelton (vice-Miss Universo), com quem tinha um biótipo parecido. Poderia... Poderia... Poderia... Coisas do destino. Fazer o que Maria Helena Leal Lopes? Estava escrito.

          E hoje, ao sentirmos saudades daquela época, o vento sopra nos seus, nos meus e nos ouvidos do meu amigo Muciolo Ferreira a voz de sua Mãe dizendo:
Certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.
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A primeira crônica de PASSARELA CULTURAL dedicada a Maria Helena Leal Lopes poderá ser conferida neste link:
http://passarelacultural.blogspot.com/2008/03/sesso-nostalgia-maria-helena-leal-lopes.html

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sábado, 6 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - AS NORDESTINAS DO CONCURSO MISS BRASIL 1956

Por Daslan Melo Lima

          Hotel Quitandinha, Petrópolis, Rio de Janeiro, 16 de junho de 1956. Noite da eleição da Miss Brasil. Salões superlotados. Mais de 300 fotógrafos e rádio-repórteres registrando tudo. Eram 22 candidatas. A coroa, a faixa e o troféu de Miss Brasil 1956 ficaram com Maria José Cardoso, Miss Rio Grande do Sul, uma linda morena de olhos azuis, nascida em Santa Catarina e criada em Porto Alegre. Todos os Estados nordestinos tinham enviado suas representantes para disputar o título máximo da beleza brasileira. Quem foram as nordestinas do Miss Brasil 1956?

           Por ordem alfabética dos Estados, vamos conhecer aquelas moças maravilhosas que levaram o sotaque e o sol do Nordeste para o Quitandinha, em textos e fotos extraídos da revista A Cigarra, Ano XXXVII, nº 8, agosto de 1956.
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MISS ALAGOASMaria Teresa Melo foi candidata da Associação Teatral de Alagoas (ATA), entidade das mais prestigiosas de Maceió. O desfile que a proclamou Miss Alagoas foi uma encantadora festa, sendo a decisão do júri aplaudida com entusiasmo. Como sua colega de Pernambuco, Teresa também adora as praias e acha que as de Maceió são as mais bonitas do Brasil. Sua bela silhueta, aliás, bem que compõe o cenário... Professora, diplomada, funcionária do Instituto dos Comerciários, Maria Teresa é uma moça de muita personalidade. Na sua cidade, tem duas amigas inseparáveis que se chamam também Teresa e, com ela, formam um trio de grande prestígio social. São assim popularíssimas, em Maceió, “as três Teresas”. Uma delas, naturalmente, tinha que participar do concurso de Miss Brasil. Eis as medidas da Teresa que se sagrou Miss Alagoas: altura, 1,62; busto, 86; cintura, 58; quadris, 94; coxa, 56 e peso, 50 quilos.
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MISS BAHIASônia Santiago Mamede, descendente de sírios pelo lado paterno, é uma bonita morena de sorriso terno e 18 anos de idade. Sua vitória, elegendo-se Miss Bahia, foi tanto mais sensacional quanto se sabe que a “Boa Terra” foi um dos Estados onde o concurso ganhou mais amplitude e êxito. Basta dizer-se que concorreram ao título nada menos de 40 candidatas, da capital e do interior. A baiana Sônia teve assim a sua eleição valorizada pelo elevado número de competidoras, todas muito bonitas – conta-se – o que não é nenhuma novidade, em se tratando da Bahia. Ela já fora candidata no ano passado e se colocara em segundo lugar. Sônia Mamede fez muito sucesso, em São Paulo, no Rio e em Quitandinha. Suas medidas: altura, 1,64; peso, 55; busto, 88; quadris, 95; coxa, 55; tornozelo, 21.
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MISS CEARÁ - Maria de Jesus Holanda (Mazu, para os íntimos), morena de olhos e cabelos castanhos, 20 anos, foi ao seu dentista, em Fortaleza, numa tarde de abril. O dentista era o presidente do Clube dos Diários. E, como o assunto estava na ordem do dia, não perdeu a oportunidade e convidou a jovem cliente para representar o seu clube no concurso Miss Ceará. Mazu ficou surpresa, sorriu. Mas consultou papai, mamãe e... o namorado. Esse triunvirato aprovou a indicação por unanimidade. E foi por isso que ela desfilou na festa realizada a 19 de maio no clube mais bonito do Brasil, o Náutico Atlético Cearense. Naquela noite, um júri composto de jornalistas e damas da sociedade a elegeu Miss Ceará. Grande responsabilidade, porque isso significava suceder a Emília Barreto Corrêa Lima, que, no ano passado, fora consagrada Miss Brasil. Mas Mazu deu conta do recado. E muito bem. No desfile do Quitandinha, classificou-se entre as finalistas, no 4º lugar. Suas medidas: altura, 1,70; peso, 61; busto. 91; cintura, 66; quadris, 96; coxa, 57, e tornozelo, 22.
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MISS MARANHÃOMaria Alice Castelo Cordeiro, outra morena de 18 anos, foi a candidata do Maranhão. Veio do interior, da famosa cidade de Caxias, famosa não apenas por sua importância histórica, mas também pelas moças bonitas. Venceu brilhantemente o concurso em seu Estado, no desfile realizado em São Luiz, sobrepujando assim as candidatas da capital. Em São Paulo e no Rio, durante a semana de 9 a 16 de junho, em que as 22 misses estiveram juntas, Maria Alice revelou uma simplicidade encantadora, sem usar em nenhum instante, o que se chama “máscara”. Como Miss Maranhão, ela não deixou de ser Maria Alice, antes de tudo. Pouco expansiva, mas sempre simpática e afável, conquistou muitos admiradores. Seu objetivo imediato: estudar e terminar o curso de professora (no ano que vem). Suas medidas: altura, 1,61; cintura, 60; peso, 52; 84 de busto, 91 de quadris e 50 de coxa.
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MISS PARAÍBAMargarida Vasconcelos, 18 anos e cabelos louros, filha de fazendeiros, representou este ano a Paraíba. Como esse concurso de Miss Brasil destacou-se pelo número de beldades do interior, Margarida também não fugiu à regra, pois fora apresentada pelo município de Cabaceiras. Filha de fazendeiros tipicamente paraibanos, ela sempre desejara conhecer o Rio. A oportunidade se ofereceu com sua candidatura a Miss Brasil. “Tive, portanto, uma dupla satisfação, ao ser escolhida para representar o meu Estado” – disse ela, depois. No Rio, Margarida hospedou-se na bela residência da família de seu conterrâneo, o Deputado Drault Ernanny. Foi apresentada à sociedade carioca, numa concorrida recepção a que compareceram três governadores: os da Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará, além do prefeito do Distrito federal. Fez muito sucesso, no concurso. Suas medidas: altura, 1,66; peso, 59; busto, 90; cintura, 61; quadris, 100; coxa, 61; tornozelo, 21.
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MISS PERNAMBUCONelbe Souza, morena, de 20 anos de idade, elegeu-se Miss Pernambuco como candidata de um dos mais populares clubes do Recife, o Náutico Capibaribe. Seu curioso nome vem da fusão do nome de seu pai, Nelson, com o da sua mãe, Beatriz. Depois de haver completado o curso ginasial, Nelbe, no momento em que foi eleita Miss, dedicava-se ao estudo de idiomas, principalmente o francês. Regressara, recentemente, de uma viagem à Europa e, também recentemente, ficara noiva (o casamento será ainda este ano). Ela é francamente das praias: em Recife, frequenta a de Boa Viagem, gostou das de Santos por causa dos jardins, achoiu Copacabana maravilhosa. Quando da eleição de Miss Brasil, em Quitandinha, ficou revoltada com a péssima demonstração do público, vaiando a candidata eleita. “Não se vaia uma moça.” – disse. E com razão. Suas medidas: altura, 1,70; peso, 60; busto, 91; quadris 94.
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MISS PIAUÌTeresinha de Jesus Alcântara, morena de longos cabelos castanhos e 18 anos de idade, foi o “anjo” do concurso. Angelical eram realmente a sua aparência, seu sorriso, até mesmo seu espírito. Foi através dela que o Piauí se fez representar, pela primeira vez, em um concurso de Miss Brasil. Começou muito bem. Teresinha vem do interior, da cidade de Altos, embora há muito tempo residisse em Teresina, capital do Estado. Ainda antes da festa do Quitandinha, observadores imparciais, que a viram em São Paulo e no Rio, chegaram a apostar em que ela seria finalista. O próprio público presente àquela festa há de ter pensado o mesmo, a julgar pelos entusiásticos aplausos com que saudou a passagem de Miss Piauí pela passarela, especialmente no desfile em vestido “soirée”. O júri, porém não entendeu assim, para surpresa geral. Mas Teresinha ficou sendo uma das candidatas de maior sucesso. Suas medidas: altura, 1,70; peso, 60; cintura, 64; busto, 91; quadris. 90; coxa, 51 e tornozelo, 21.
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MISS RIO GRANDE DO NORTEAmariles Gomes de Araújo, pertencente a uma das famílias mais conhecidas do Nordeste do País, veio também do interior, da pequena cidade de São Roque, para receber autêntica consagração na capital. E tanto isso é verdade que ela foi a candidata dos estudantes potiguares, conquistando, num pleito dos mais disputados, o título de Miss Rio Grande do Norte. Seus belos olhos verdes, seu sorriso simples e sua simpatia sem afetações constituíram um grande sucesso. Para as outras misses, suas colegas, revelou-se excelente companheira, sempre alegre e comunicativa. Na passarela do Teatro Mecanizado do Hotel Quitandinha, na noite de 16 de junho, quando da eleição de Miss Brasil, seu vestido, em Organdy Paramount, foi um dos mais bonitos. Suas medidas aqui estão: altura, 1,65; cintura, 53; coxa, 54; busto, 88: quadris, 89; peso, 50 e tornozelo, 21.
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MISS SERGIPE Graciema Madureira de Melo, morena de olhos e cabelos castanhos, 22 anos de idade, foi a representante de Sergipe. E o que se pode dizer é que o pequenino Estado mandou uma grande Miss. Simples, sem qualquer atitude sofisticada e com um tipo bem brasileiro, Graciema impressionou muito bem no desfile da noite de 16 de junho, no Hotel Quitandinha. Sua simpatia, por outro lado, cativou todos os que a conheceram. Enamorada de sua cidade, Aracaju, Miss Sergipe declarou-se encantada com o Rio e com São Paulo. Cumpriu com rara pontualidade todos os pontos do exaustivo programa organizado para as misses nas duas capitais e, quando tudo acabou, não se mostrou cansada. “Ao contrário – disse – gostei muito.” Na eleição de Miss Brasil, Graciema desfilou com um belo vestido modelo de Organdy Paramount, um vestido colante, que fez muito sucesso. Suas medidas: altura, 1,59; cintura, 58; busto,79; quadris, 81; peso, 50; coxa, 51 e tornozelo, 21.
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          Naquele 1956, a meta maior do Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, ou simplesmente JK (1902-1976), era construir Brasília. “50 anos em 5”, era o seu slogan, e estava obstinado a industrializar o Brasil recorrendo ao capital estrangeiro. A televisão brasileira se expandia, mas o rádio ainda era o maior veículo de comunicação. Entre as grandes celebridades brasileiras estavam os cantores Ivon Cury (1928-1995), Francisco Carlos (1928-2003) e Blecaute (1919-1983), além das cantoras Dolores Duran (1930-1959) e Emilinha Borba (1922-2005). Ademar Ferreira da Silva (1927-2001) voltou de Roma com a sua segunda medalha de ouro olímpica em salto triplo. Guimarães Rosa (1908-1967) publicou o livro “Grande Sertão: Veredas” e Mário Palmério (1916-1996) lançou o romance "Vila dos Confins".

          Naquele 1956, nove moças nordestinas saíram da terra do sol com seus sotaques em busca de um sonho, o de serem eleitas a Miss de todos os brasileiros. Voltaram com as lembranças dos aplausos e o orgulho do dever cumprido. E hoje, quando recordam tudo aquilo, as emoções de 1956 devem se renovar em suas mentes e em seus corações, como passagens inesquecíveis de um sonho, um mágico sonho.

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