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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 746, referente ao período de 09 a 15 de agosto de 2020. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 28 de abril de 2018

O canto das cigarras de abril

      

     Meu amigo Josuel Barbosa fez na quinta-feira, 26, sua Grande Viagem, quando imaginávamos que o indesejado e imprevísivel trem poderia retardar a saída. Antes de celebrar 40 anos de idade, um aneurisma apagou sua alegria de viver. 
      Ainda bem que, enquanto as cigarras cantavam na tarde nublada, seu corpo físico voltava ao pó, mas sua essência voava para cumprir outra missão em um dos fantásticos mundos do Pai. 
        Para você, "Neném Salame", em nome de todos os nossos amigos, oferto a esperança que ouvi no canto das cigarras de abril.
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- Daslan Melo Lima

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Egídio Ferreira Lima e a Constituinte, a insistência no Parlamentarismo


>>>>> Um pouco do timbaubense que apoiou a “campanha das diretas”, que exigia a volta do pleito direto para a presidência da República.

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           Egídio Ferreira Lima nasceu em Timbaúba, no dia 26/08/1929, filho de Valfredo Ferreira Lima e de Júlia de Andrade Ferreira Lima. Em 1955, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFPE. Universidade Federal de Pernambuco. Durante a sua vida acadêmica, destacou-se como líder estudantil. Iniciou sua carreira política elegendo-se vereador de Timbaúba em outubro de 1950. Assumiu seu mandato em fevereiro do ano seguinte e deixou a Câmara Municipal ao término da legislatura, em janeiro de 1955. Nesse mesmo ano, tornou-se juiz de direito do Tribunal de Justiça de Pernambuco, permanecendo neste cargo até 1963. Dois anos mais tarde, em Recife, desempenhou atividades docentes como professor da Faculdade de Direito da UFPE.
       No pleito de novembro de 1966, elegeu-se deputado estadual de Pernambuco, na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Assumiu o seu mandato em fevereiro de 1967, permanecendo nele até janeiro de 1969. Nesta data teve os seus direitos políticos cassados em decorrência do Ato Institucional nº 5, de 13/12/1968.
    Como advogado, foi titular do conselho secional da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil,  seção de Pernambuco, entre 1972 e 1982. Beneficiado com a anistia geral decretada pelo presidente da República, João Batista Figueiredo, em agosto de 1979, recuperou os seus direitos políticos.  Em novembro de 1982, elegeu-se deputado federal por Pernambuco, na legenda do PMDB. Durante o seu mandato, integrou-se à Comissão de Constituição e Justiça. Definindo-se como “socialista cristão”, teve uma atuação destacada em defesa dos direitos dos trabalhadores, votando contra os decretos de arrocho salarial.
         Nas discussões sobre a sucessão do presidente da República, general João Batista Figueiredo, apoiou a “campanha das diretas”, que exigia a volta do pleito direto para a presidência da República. No pleito de novembro de 1986, elegeu-se deputado federal constituinte por Pernambuco, novamente na legenda do PMDB. Assumiu a sua cadeira na Assembleia Nacional Constituinte em fevereiro de 1987. Neste mesmo ano, foi relator da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo, titular da Comissão de Sistematização e suplente da Subcomissão de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Segurança, da Comissão da Organização Eleitoral Partidária e Garantia das Instituições.
     Nas principais votações da Constituinte, manifestou-se a favor do rompimento de relações diplomáticas com países que adotavam política de discriminação racial, da desapropriação da propriedade produtiva, do mandado de segurança coletivo, da proibição do comércio de sangue, da limitação dos encargos da dívida externa, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária, da anistia aos micro e pequenos empresários e do aborto.
         Não disputou as eleições para deputado federal no pleito de outubro de 1990, deixando o Congresso Nacional no término de seu mandato em janeiro de 1991. Desde então passou a dedicar-se ao exercício da advocacia, mantendo escritório na capital pernambucana. Aposentou-se como professor da cadeira de direito comercial da UFPE. Em agosto de 1997, Egídio Ferreira Lima recebeu o título de cidadão do Recife. Em 2008, foi criado o Instituto Egídio Ferreira Lima, formado por um conselho de representantes da sociedade, como um fórum de debates, cursos e pesquisas sobre Direito, Política e Cidadania.
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Fonte: Fundação Getúlio Vargas - Gustavo Lopes/Cláudia Montalvão
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Esta matéria foi destaque na página de Comportamento da revista TIMBAÚBA EM FOCO, março/2018, edição 83.

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SESSÃO NOSTALGIA - Eliane Azevedo, Miss Rio Grande do Norte 1976, para o além do sem fim, para além da aurora


Daslan Melo Lima


Eliane Maria Rocha de Azevedo, Miss Rio Grande do Norte 1976 


        Foi com muita tristeza que na sexta-feira da semana passada, 26 de abril, a cidade de Jardim do Seridó, no Rio Grande do Norte, acompanhou o sepultamento do corpo de uma das suas personalidades mais ilustres, Eliane Maria Rocha de Azevedo, Miss Jardim do Seridó e Miss Rio Grande do Norte 1976. Ela lutava contra um câncer e foi vítima de uma parada cardíaca na quinta-feira, 26 de abril,  em Natal, RN, exatamente no dia do seu aniversário, quando completava 60 anos de idade.
        Soube da notícia através do Quintino Medeiros, historiador e educador de São João do Sabugi, RN, que me deu a noticia através do WhatSapp, às 17h44min do dia 26.

            Boa noite, Daslan.
       Quem faleceu agora à tarde foi a Miss RN 1976, Eliane Rocha Azevedo, que era minha parente distante, a mãe dela era de São João do Sabugi. Ela residiu muito tempo em Camboriú, SC, mas desde o ano passado estava em Natal, fazendo tratamento contra o câncer.
          Eliane frequentou São João do Sabugi quando mais jovem, mas eu era adolescente, não tive contato. Possuía tios e primos legítimos aqui. Foi para São Paulo, onde trabalhou na indústria metalúrgica. Lá conheceu o marido, que era de Santa Catarina. Foram morar em Camboriú, onde tiveram um casal de filhos. Trabalhava como manicure. Descobriu câncer no esôfago ou na garganta. Desde julho de 2017, residia em Natal, acolhida por uma irmã funcionária da Petrobrás. Veio buscar tratamento para o câncer. Teve uma parada cardíaca no dia em que completou 60 anos.
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Eliane Azevedo, eterna Miss Rio Grande do Norte 1976


Cartão confeccionado para distribuição com os fãs. (Acervo de Cassio Pereira, Cruzeta, RN).  
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A jardinense Eliane Maria Rocha de Azevedo, desfila em vestido de noite confeccionado pelo estilista Di Carlo. Palácio dos Esportes, Natal, RN, maio de 1976.
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Eliane Azevedo recebe a coroa de Miss RN 1976, das mãos da santacruzense Newman Damasceno. Palácio dos Esportes, Natal, RN, maio de 1976.

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Eliane Azevedo, vestindo o traje típico de "Salineira". ***** Perguntei ao Quintino Medeiros se Eliane era família de Edith Azevedo, Miss Jardim do Serido e Miss RN 1966. Resposta: "Quase todo mundo em Jardim do Seridó é Azevedo. O primeiro nome do lugar foi Conceição do Azevedo, alusão à padroeira da capela e ao fundador. Devem ser do mesmo tronco parental."
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Eliane Azevedo em seu desfile triunfal ao chegar em Jardim do Seridó. 
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Miss Rio do Grande do Norte 1976, Eliane Azevedo, desfila no Mercado Público de São João do Sabugi, no mês de setembro de 1976, em evento social organizado pela primeira turma concluinte do Ensino Fundamental da Escola Municipal Padre Joaquim Félix. Um simples biombo compõe o cenário para a apresentação da mais bela potiguar, nascida em Jardim do Seridó, mas com ascendência materna em São João do Sabugi. (Fotografia do acervo de Ryba Dantas Medeiros) 

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Eliane Azevedo de turbante, na extrema direita, perto de uma pilastra, no baile de conclusão do Ensino Fundamental (então chamado Curso Ginasial) da Escola Municipal Padre Joaquim Félix, realizado no Mercado Público de São João do Sabugi, RN, em 15/01/1977. Eliane foi a madrinha da turma.
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A jardinense Eliane Rocha de Azevedo se despede de seu reinado de beleza, usando o vestido azul assinado pelo paraibano-pernambucano Marcílio Campos (1930-1991), com o qual desfilou no Miss Brasil. Era junho de 1977. Recebendo a coroa, Cenira Siqueira Marques que representou o América Futebol Clube.
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Eliane Azevedo, para além do sem fim, para além da aurora

E hoje, ela partiu como quem se foi. Para o além do sem fim... para além da aurora. No trampolim do sem fim das estrelas, até onde alcançam o pensamento e o coração. Se transformou em luz e ultrapassou os portais da memória. Nossa tristeza natural nos acabrunha, mas a fé ergue-nos outra vez, pois temos a certeza que um dia todos nós nos encontraremos. Beijos de saudades. Para a amiga que sempre foi. Para a jardinense que tanto amou essa terra. Como filha, mãe, esposa, irmã e mulher, a dignidade e o orgulho da cidade que te viu crescer e lhe receber de braços abertos como nossa mais linda flor. Parte, deixando seu nome escrito no mosaico de nossas vidas. Eternas lembranças! Amigos não morrem... partem para a vida eterna. O nosso amor a guiará em seu novo amanhecer! José Renato Azevedo, geógrafo, educador, natural de Jardim do Seridó, RN.

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          No dia 15 de abril, onze dias antes de fazer a Grande Viagem, Eliane Azevedo postou a foto acima em seu Facebook com  a seguinte legenda: "Resistência é meu nome. Maria Bonita. Cadê vc, Lampião???

          Uma Miss não morre, assim como não morre o belo que norteia nossa paixão pelas misses. Em outra dimensão, faixa, coroa, manto e cetro têm outra conotação. Mas a vida e os sonhos continuam, nas passarelas passageiras do planeta e nas iluminadas de outra dimensão.

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Fontes/Agradecimentos:
Quintino Medeiros
José Renato Azevedo
Em Memória de Eliane Azevedo,

domingo, 22 de abril de 2018

Para um domingo de chuva




 "Quem se atrapalha a lamentar o passado perde o presente e põe em risco o futuro." - Francisco de Quevedo (1580-1645), escritor espanhol. 
"A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade." - Joseph Joubert (1754-1824), escritor francês. 
"No fim todos passam e tudo passa; o fim é um grande sossego e um imenso perdão." - Rubem Braga (1913-1900), escritor capixaba. 
     Enquanto chove lá fora, copiosamente chove, releio essas e outras sábias citações anotadas há anos num velho caderno. Mergulho em mim e encontro uma definição de libertação: amar um dia de chuva como se ama um dia de sol.
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- Daslan Melo Lima, no penúltimo domingo de abril de 2018, em Timbaúba, Pernambuco. 
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Dona Ivone Lara, mais uma estrela




“Sonho meu, sonho meu, 
vai buscar quem mora longe, sonho meu. 
Vai mostrar esta saudade, sonho meu,
com a sua liberdade, sonho meu. 
No meu céu a estrela guia se perdeu.
A madrugada fria só me traz melancolia, sonho meu.“ 

       Dona Ivone Lara, a autora de “Sonho Meu”, partiu para a Grande Viagem na noite de segunda-feira, 17, três dias após ter completado 97 anos de idade. A sua mais bela canção fala com simplicidade de sonho, sonho que todos já sonharam, de ir buscar em pensamento aquele amor possível ou impossível, permitido ou proibido. 
       Como seria insuportável a caminhada pelo planeta sem o sonho, a fantasia e as canções de amor. 

"Sinto o canto da noite na boca do vento
fazer a dança das flores no meu  pensamento. 
Traz a pureza de um samba,
sentido, marcado de mágoas de amor.
Um samba que mexe o corpo da gente
e o vento vadio embalando a flor, sonho meu." 

      Boa viagem, Dona Ivone Lara. No nosso céu ficará mais uma estrela a guiar nossos sonhos.

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- Daslan Melo Lima

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Ações da Obreiros do Norte em seus 111 anos



>>>>>> Ações relevantes marcam aniversário de Loja Maçônica

        No dia 24 de fevereiro a Loja Maçônica Simbólica Obreiros do Norte nº 7, comemorou os 111 anos de trabalho na construção de uma sociedade justa e perfeita, e para comemorar tão importante data, realizou uma Sessão Pública onde contou com a presença de seus obreiros e familiares, diversas autoridades e a sociedade de um modo geral.
      Na ocasião, o Secretário José Arnaldo fez um breve resumo do que é a Maçonaria e os atuais projetos mantidos pela Loja, entre eles, o Prêmio Inês de Arruda Lira, que contempla os melhores alunos e escolas da Rede Estadual e Municipal.


Jefferson Leal - Cirurgião Dentista, Mestre e Doutor, Especialista em Cirurgia bucomaxilofacial (FOP/UPE); Professor da FACET; Presidente da FUNJADER, Fundação Jader de Andrade; Diretor do Museu de Timbaúba; Autor do livro Carnaval de Timbaúba – 102 anos de resgate jornalístico e Venerável Mestre da Loja Maçônica Obreiros do Norte nº 7.
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      O Venerável Mestre Jefferson Leal contou um pouco a história da Loja e também sobre a trajetória do Irmão Ismael Cabral, que mais vezes presidiu a Obreiros do Norte, e que estava sendo homenageado com a inauguração da pracinha com seu nome, ao lado do templo, cuja fita foi cortada pelo Venerável Jefferson, e pelos netos Tânia, Carlos Cabral e demais familiares do homenageado. No encerramento da festa cantou-se o tradicional “Parabéns pra você” e se partiu o bolo. 
        Outra ação foi a parceria com o capítulo DeMoley Obreiros do Norte 965, que em seu dia “D” ofereceu à população mais carente atendimento com profissionais médicos, cirurgião dentista, advogados, bombeiros, serviços de orientação, corte de cabelo masculino e embelezamento feminino.
       Ações assim aumentam a responsabilidade do Venerável Jefferson Leal, embasado na trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e de continuar escrevendo a história da Loja Obreiros do Norte.

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SESSÃO NOSTALGIA – Adriana Alves de Oliveira e Adriana Lippolis Barcellos, as deusas gaúchas do concurso Miss Brasil 1981


Daslan Melo Lima


Adriana Alves de Oliveira, Miss Brasil 1981, e Adriana Lippolis Barcelos, Miss Amazonas, Vice-Miss Brasil 1981. 
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            O Miss Brasil 1981 foi o primeiro Miss Brasil do que se convencionou chamar de “era SS”, “era Sílvio Santos”.  Transmitido no dia 27 de junho de 1981, diretamente do Palácio das Convenções do Anhembi, o evento inaugurou a TVS em São Paulo. Devido a problemas burocráticos, a emissora central do SBT foi inaugurada quase dois meses depois, em 19 de agosto. O público em São Paulo assistiu pela TV Record, os cariocas pela TVS e os demais Estados do Brasil pelas emissoras que sobraram da extinta TV Tupi. A audiência gerou a marca significativa de 40 pontos no IBOPE.

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O top 5 do Miss Brasil 1981

           Das vinte e sete concorrentes ao título, as cinco do Top 12 com maior número de votos chegaram à etapa final. Com seus totais zerados, nova pontuação foi realizada e o resultado ficou assim:

                       Adriana Alves de Oliveira, Miss Rio de Janeiro, 
                                  primeiro lugar, com 110 pontos.
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                     Adriana Lippolis Barcellos da Silva, Miss Amazonas, 
                                         segundo lugar, 99 pontos.  
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Karin Keller Lins, Miss Distrito Federal, 
terceiro lugar, 93 pontos.
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                        Virgínia Helena Gomes da Silva, Miss Paraíba, 
                                        quarto lugar, 87 pontos. 
Terceira colocada no Miss PE, Virginia foi aclamada Miss Paraíba, no ano em que não houve o concurso no vizinho Estado paraibano.
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Rita de Cassia Spencer Pedrosa, Miss Pernambuco, 
quinto lugar, 76 pontos.

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A disputa acirrada das duas gaúchas 
chamadas Adriana

Adriana Alves de Oliveira e Adriana Lippolis Barcelos. 

       Nascidas no Rio Grande do Sul, mas morando em outros Estados, duas jovens dividiram a opinião pública. Ambas tinham 1,80 de altura. Lindas, simpáticas, carismáticas. Quem deveria ser coroada Miss Brasil 1981? Adriana Alves de Oliveira, Miss Rio de Janeiro, ou Adriana Lippolis Barcellos, Miss Amazonas? 


                                 Adriana Lippolis Barcellos, Miss Amazonas,
                                              Vice-Miss Brasil 1981

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Adriana Alves de Oliveira, Miss Rio de Janeiro, 
Miss Brasil 1981

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        Uma pena que, ao contrário dos concursos realizados pelos Diários e Emissoras Associados, que enviava o Top 3 para os mais importantes concursos de beleza do mundo (Miss Universo, Miss Mundo e Miss Beleza Internacional), apenas a primeira colocada foi enviada para o Miss Universo. 
           Adriana Lippolis Barcelos estava visivelmente muito acima do peso ideal. Perdeu para Adriana Alves de Oliveira, quarta colocada no Miss Universo 1981 e Top 7 no Miss Mundo 1984. 

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          De repente, eis que estamos pertinho do mês de junho, quando o Miss Brasil 1981 completará trinta e sete anos da sua realização. Revejo no Youtube os momentos finais daquele concurso. Parece até que foi ontem que duas jovens chamadas Adriana fizeram o País sonhar com a conquista da coroa de Miss Universo, um título que não vem para o Brasil há cinquenta anos, desde que a baiana Martha Vasconcellos foi eleita Miss Universo 1968.  

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Momentos finais do Miss Brasil 1981            

sábado, 14 de abril de 2018

"O que se leva desta vida é a vida que se leva"





AOS PÉS DE UMA PRINCESA - Timbaúba, a "Princesa Serrana", minha pernambucana terra adotiva, celebrou 139 anos no domingo, dia 08. Subi o Alto da Independência, um dos morros da cidade, a fim de rezar e poetizar ao lado do vento. Absorvi a magia da paisagem e desci a serra renovado pelo momento. Não criei um poema e nem uma canção, mas o menino de São José da Laje, a "Princesa das Fronteiras", minha alagoana terra natal, renovou o estoque de sonhos do seu coração. Muito grato, Senhor do Universo.



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 - Daslan Melo Lima
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"O QUE SE LEVA DESTA VIDA É A VIDA QUE SE LEVA" - Relendo um velho caderno de anotações, enquanto a tarde morre na frente da minha casa, encontro uma citação de Apparício Torelly (1895-1971), o Marquês de Itararé, jornalista carioca: "O que se leva desta vida é a vida que se leva". Tudo a ver com o meu estado de espírito, por isso fecho o caderno e me permito admirar o sol que se põe aqui para nascer do outro lado do planeta Terra. 
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- Daslan Melo Lima, Timbaúba, PE, 12/04/2018   

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Os 20 anos da subseção da OAB-PE

secção em construção 
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SESSÃO NOSTALGIA - Léa Pabst Craveiro, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”


Daslan Melo Lima


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“Deixas de envelhecer. Ninguém vai te ver envelhecida. Apenas serás antiga, emoldurada de eternidade e de olhos verdes.
Um ano depois, os que ficaram continuam com os olhos rasos d’água. E não entendem o enigma, mesmo porque enigmas não são para ser entendidos.
As coisas estão no mesmo lugar. Objetos, roupas, papéis. Talvez com um pouco mais de pó, pois a cada ano acrescentado aumentam os resíduos de poeira e de memórias. ”

      Guardo num caderno de recortes a crônica “Para Léa”, de Paulo Fernando Craveiro, escritor, jornalista, cronista e crítico de arte. Publicada em sua página do Diario de Pernambuco, edição de 1º de janeiro de 1989, o texto evoca a figura de sua esposa Léa Pabst Craveiro, falecida em 30/12/1987, vítima de câncer. Léa Pabst completaria 53 anos de idade no dia 02/01/1988.


“Insuportáveis, estas sim, são as fotografias. Clarões de perspectivas dos dias que jamais chegaram nem chegarão. E mais assombros. Assombrosos são os dias de ontem e os de amanhã. 
Como estás aqui, percebes que o sol continua entrando pela janela, e o rio segue o rumo da rotina, e o mar, ali em frente, é uma cambiante massa de verdes, azuis e cinzas. Como permaneces contemplando.
Os que ficaram estão descobrindo as asperezas da tua ausência física não domesticada, essa fera feita de silêncios e de vestidos que ainda estão dependurados no guarda-roupa que ninguém abriu.
Teus sapatos entretanto andam. E te levam e te trazem, como as ondas, nesse estranho movimento em que convivem os que se foram e os que resistem tecendo o sonho em que progressivamente te transformas. "
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Léa Pabst, Miss Elegante Bangu

Léa Pabst, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957
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TRÊS ÍCONES PERNAMBUCANOS - Da esquerda para a direita: Edilene Torreão (Miss Pernambuco 1960, terceira colocada no Miss Brasil, nossa representante no Miss Mundo 1960); Léa Pabst, Miss Elegante Bangu do Clube Náutico Capibaribe, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957); e Sônia Maria Campos (Miss Pernambuco, Vice-Miss Brasil 1958 e primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo).
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       Representando o Clube Náutico Capibaribe, Léa Pabst foi a primeira colocada no Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, durante evento realizado no Clube Internacional do Recife, em 16/11/1957. Em segundo lugar ficou Violeta Botelho, representando o Clube Internacional do Recife. Violeta  tinha sido a terceira colocada no Miss Pernambuco 1957, na condição de Miss Clube Português do Recife.


       Linda, delicada, elegante, educadíssima, Léa Pabst casou com Paulo Fernando Craveiro e teve um casal de filhos. Figura de grande prestígio na  sociedade pernambucana, jornalista e apresentadora de eventos socioculturais, ela também dava aulas de etiqueta às jovens que aspiravam desfilar nas passarelas como modelos e misses.

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"Léa foi única"

        Tenho um amigo e uma amiga que conheceram bem a eterna Miss Elegante Bangu de Pernambuco: Muciolo Ferreira e Julia Kátia
        Confessa Muciolo Ferreira, jornalista: "O concurso Miss Elegante Bangu só foi ultrapassado pelo Miss Brasil porque não era televisionado e as jovens não eram expostas numa passarela desfilando de maiô. Até porque o Miss Elegante Bangu era disputado pelo melhor que havia na sociedade brasileira. Em Pernambuco, a mais famosa miss dessa competição foi a saudosa jornalista Léa Pabst Craveiro, que foi casada com o também jornalista Paulo Fernando Craveiro. Daslan, pense numa mulher que era sinônimo de elegância e beleza na melhor acepção desse termo. Léa foi única. ” 
        Afirma Julia Katia, ex-modelo: “Guardo lembranças maravilhosas do meu tempo de manequim de alta-costura e de candidata ao título de Miss Pernambuco 1976. Entre elas, o aprendizado com a inesquecível jornalista Léa Pabst Craveiro. Quando eu ria alto e gargalhava, Léa me corrigia com aquela sua classe e elegância: - Katia, não sorria assim, ria mais baixo. ”

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         No bucólico bairro de Guabiraba, verdadeiro pulmão verde do Recife, há uma rua com o nome de Léa Pabst Craveiro, a Miss Elegante Bangu que deixou de envelhecer; a jornalista que ninguém viu envelhecendo; a mulher maravilhosa que apenas ficou antiga, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”.

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Crédito das fotos: 
Acervo de Fernando Machado  
                                                                                                                    

sábado, 7 de abril de 2018

O que o vento não levou


          Após uma reunião informal na subseccional da OAB-PE em Timbaúba, pausa para uma foto numa escada do imóvel onde funciona a instituição. 
        No belo casarão, localizado no centro da cidade, morou o poeta João Feliciano (1917-1982). 
          De repente, o vento que sopra suave me faz lembrar "O que o vento não levou", poema de Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho. 


"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento."

          Deixo o ambiente na certeza de que o vento jamais levará esse momento.


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- Daslan Melo Lima, Timbaúba, PE, 06/04/2018

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