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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 637, referente ao período de 17 a 23 de setembro de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 29 de julho de 2017

Quando o verão chegar

          

     

       A chuva e o frio deram uma pequena trégua. Para alívio da minha crise de sinusite, o sol, embora tímido, resolveu aparecer. Neste inverno que logo mais será passado, apego-me ao vento frio, certo que dele sentirei saudade, quando o verão chegar. 
       O sinal de trânsito fecha para os veículos e uma cena inusitada faz com que acione meu celular para fotografar o momento. Numa carroça está escrito "uber" e nela uma mulher exibe uma gravidez avançada. 
      Tanto a grávida, como o carroceiro, o homem na cadeira de rodas e o moço com sua sacola não querem que a chuva caia. Eu também não, mas apego-me ao vento frio, certo que dele sentirei saudade, quando o verão chegar. 
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-  Daslan Melo Lima, na Ponte da Boa Vista, Recife, Pernambuco.

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Treinamento Funcional, corpo e mente num divisor de águas

>>>>> Adeptos da atividade física mostraram ótima disposição num arraial

              Já faz tempo que a palavra Treinamento Funcional desperta muita curiosidade. Há anos que é praticado em outros países e no Brasil vem ganhando milhares de adeptos. Trata-se de um dos melhores métodos de treinamento para se chegar à qualidade muscular, pois possibilita centenas de exercícios que desenvolvem força, flexibilidade, equilíbrio, estabilidade do core e mobilidade, utilizando poucos materiais. 


          O professor Theo Henrique, que coordena no horário noturno, na AABB, uma turma feminina e outra masculina, afirma que o TF, Treinamento Funcional, deve respeitar e ser prescrito levando em consideração os movimentos naturais que o corpo foi projetado: agachar, empurrar, girar, pular e correr. Os movimentos executados, devem integrar todos os grupos musculares e não trabalhar músculos isolados. Os equipamentos devem ser livres, como: halteres, cordas, barras, bolas, fitas, cabos... O treinando melhora a postura e o bom equilíbrio em todos os membros, aperfeiçoando a “definição’’ do corpo, otimizando seu desempenho para as tarefas que está treinando e reduzindo lesões degenerativas e dores. Como exercícios funcionais não utilizam máquinas de peso fixo, a base são movimentos naturais e o peso do próprio corpo. Seja qualquer idade, sexo, peso, todos podem treinar funcionalmente.


      Faz três anos que sou adepto de Treinamento Funcional. Faço questão de afirmar o seguinte: o que mais me emociona no TF são aqueles movimentos que remetem às brincadeiras de criança. Para quem pulou etapas na infância e adolescência, o TF é uma verdadeira terapia.  A interação com a turma aumentou o meu horizonte de amigos leais, por isso eu estava no arraial do TF, administrando velhas emoções inacabadas.

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Outras imagens do Arraial do TF serão postadas durante o transcorrer da semana.

MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - A resposta do Rio Canhoto



A RESPOSTA DO RIO CANHOTO

Quantas “baronesas” o Rio Canhoto levou para o Mar? 
Pergunto ao vento e ele responde: 
“Tantas quantas pedras você pode contar”. 

Quantas recordações ainda terei para de São José da Laje me lembrar? 
Pergunto ao Rio Canhoto e ele responde: 
 “Tantas quantas as “baronesas” que levei para o Mar”.
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Daslan Melo Lima - Memorias de São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.

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SESSÃO NOSTALGIA – Miami, 1960. O show era Gina Macpherson, Miss Brasil

Daslan Melo Lima 


“Aquela, sim, foi uma noite completa! No famoso Hotel Fontainebleau, um dos melhores do mundo, um show em homenagem ao nosso país contou com Gina no último quadro. O auditório aplaudiu a bonita Miss Brasil, que num improviso em inglês arrancou assobios de entusiasmo. Os jornais de Miami encheram suas primeiras páginas com fotos de Gina, que é a favorita.”


        Assim começava a reportagem de dez páginas da revista Manchete, nº 430, ano 8, de 16/07/1960, falando do sucesso que Gina Macpherson, Miss Guanabara e Miss Brasil 1960, tinha feito em Miami Beach, apontada como  favorita para conquistar o título de Miss Universo 1960. O concurso tinha sido realizado no dia 09 de julho, no Miami Beach Auditorium.  
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Miami, que emoção! Suas praias com palmeiras que vergam ao vento. “Mas o Rio é muito mais bonito, sem comparação!” Nesta época, a cidade é quente. E Gina repete a toda hora com seu bonito sorriso: “Puxa, o calor aqui é dez vezes pior que o nosso!” Ela passa os dias fazendo visitas oficiais e não perde ocasião de ver as partes históricas da cidade.
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Na escadaria do avião, de cima para baixo, Maria Stella Márquez Zawadzky, Miss Colômbia; Nancy Aguirre, Miss Bolívia; Mercedes Teresa Ruggia, Miss Paraguai; Maria Teresa Mota Cardoso, Miss Portugal; Íris Teresa Ubal Cabrera, Miss Uruguai, e María Teresa del Río, Miss Espanha.
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As bonitas representantes da Inglaterra (Joan Ellinor Boardman) Israel (Aliza Gur), França (Florence Anne Marie Normand Eyrie) e Bélgica (Huberte Box) a caminho do hotel num carro oficial. ***** Detalhe: As misses Israel e Inglaterra ficaram entre as semifinalistas (Top 15).

A cidade é só alegria e festas. Misses Espanha, Uruguai, Paraguai, Portugal e outras desceram no aeroporto em meio aos acordes de várias bandas. O povo de Miami não sabe o que fazer para mimosear as visitantes com a mais amável das hospitalidades. Mas o assunto é Gina.
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Oriente e Ocidente medem suas forças na passarela. Portugal (María Teresa Mota Cardoso) entra pela primeira vez no concurso com uma bonita candidata. A Espanha (María Teresa del Río) também está presente pela primeira vez na parada da beleza mundial. ***** Detalhe: Miss Espanha foi a quinta colocada. 
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E Miss Colômbia? Repetirá a vitória retumbante de Luz Marina Zuluaga? A Coréia esqueceu por instantes seus problemas internos e veio para ganhar. Para ser completo este concurso só falta mesmo a URSS. Pela primeira vez, Salazar e Franco concordaram com a participação de seus países. A Coréia (Sohn Mi-hee-ja) veio com uma candidata decidida a manter o título na área asiática. É difícil, mas Gina tem muita chance. ***** Detalhe:  Maria Stella Márquez Zawadzky, Miss Colômbia, ficou entre as semifinalistas (Top 15). No dia 12/08/1960, no Long Beach Municipal Auditorium, em Long Beach, ela venceu o primeiro concurso Miss Beleza Internacional.  Miss Coréia foi semifinalista (Top 15) no Miss Universo.
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As rivais de Gina são uns amores – Misses Hong Kong (Vivien Cheung Wai-Wan) e Peru (Medadit Gallino) dois tipos exóticos na lista das mais bonitas. A Escandinávia mandou este ano duas belezas de virar a cabeça dos juízes. Miss França (Florence Anne Marie Normand Eyrie) fez ruído no dia da sua chegada com um cãozinho a tiracolo.
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Enquanto espera o dia do grande desfile, Gina descansa sob as frondosas palmeiras de Miami. Vai ganhar? Ela sorri quando alguém diz que sim. Está no Hotel Shelbourne, conta com a assistência do cônsul Ruy Melo Teixeira e tem bom apoio na imprensa americana. Só há motivos para confiar no seu sucesso.

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       Gina Macpherson ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1960, ano em que a vencedora foi Linda Jeanne Bement, Miss Estados Unidos. Abaixo, os links das matérias que a focalizaram em SESSÃO NOSTALGIA, desde sua eleição como Miss Guanabara até seu desabafo sobre a única mágoa que guarda do tempo de Miss. 
          Para você, Gina Macpherson, primeira Miss Brasil da década mágica de 1960, o meu abraço, esperando que o clima de Niterói, onde mora, esteja tão agradável como este de Timbaúba, Pernambuco, onde resido. O clima aqui está frio, deliciosamente frio, combinando com as recordações de um tempo que se foi, para sempre se foi.
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Miss Guanabara 1960
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Miss Brasil 1960
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O único rancor de Gina Macpherson

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sábado, 22 de julho de 2017

O som do silêncio

        

           Enquanto me embriagava com o perfume adocicado do meu pé de jasmim-laranjeira, o som do whatsapp interrompeu o meu torpor. Era um amigo que tinha enviado um vídeo, Dana Winner cantando The Sound of Silence, uma música dos anos sessenta de Simon & Garfunkel

Olá escuridão, minha velha amiga. 
Eu vim para conversar com você novamente, 
por causa de uma visão que se aproxima suavemente. 
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo.
E a visão que foi plantada em minha mente 
ainda permanece dentro do som do silêncio.


       Certas músicas são antidepressivas, relaxantes e motivacionais. Verdadeiros hinos religiosos, independente de religião. Ainda era cedo. Fechei os olhos e silenciei ao lado de anjos invisíveis. Nem o vento ousou interromper o som do silêncio. 



Em sonhos sem descanso eu caminhei só
em ruas estreitas de paralelepípedos,
sob a áurea de uma lamparina da rua.
Virei minha gola para o frio e a umidade,
quando meus olhos foram esfaqueados
pelo flash de uma luz de neon que rachou a noite
e tocou o som do silêncio.

E na luz nua eu enxerguei dez mil pessoas, talvez mais.
Pessoas conversando sem estar falando.
Pessoas ouvindo sem estar escutando.
Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilham.
E ninguém ousou perturbar o som do silêncio

"Tolos," digo eu, 
"vocês não sabem, o  silêncio é como um câncer que cresce.
Ouçam as palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender"
Mas minhas palavras como silenciosas gotas de chuva caem. 
E ecoaram nos poços do silêncio

E as pessoas se reverenciaram e rezaram para o Deus de neon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso nas palavras que estavam se formando
E o sinal disse: 
"As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô
e nas salas dos cortiços. 
E sussurraram no som do silêncio."

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-  Daslan Melo Lima, no terceiro domingo frio de julho de 2017, em Timbaúba, Pernambuco, ouvindo “The Sound of Silence”,
https://www.youtube.com/watch?v=Qp10qKwNgWQ&list=RDQp10qKwNgWQ&index=1
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - O Bar do Bode vai ao delírio

Daslan Melo Lima
     


     “Será que hoje o Bar do Bode vai ao delírio?” perguntam amigos meus, independentemente de suas paixões pelo Clube Náutico Capibaribe, Santa Cruz Futebol Clube ou Sport Club do Recife, nos dias de jogo do Leão da Ilha do Retiro. “O Bar do Bode vai ao delírio” e “O Bar do Bode foi ao delírio” são jargões (ou bordões) criados por mim desde que comecei a expor publicamente a minh’alma rubro-negra.
          Se entendo de futebol? Não, mas esforço-me para distinguir o que são expressões como “pênalti”, “impedimento”, “tiro de meta”, etc. “Uma partida de futebol é sempre um jogo de surpresas e superação. Assim como também deve ser a vida”, disse o poeta Luis Felipe Loro.
          Paz no futebol. Não gosto de entrar no meu Facebook e no whatsapp e encontrar indiretas, comentários ofensivos e brincadeiras de mau gosto dirigidas a um torcedor cujo time perdeu. Perder e ganhar fazem parte dos esportes e da nossa rápida passagem pelo planeta Terra. Outra coisa: quando qualquer clube nordestino enfrenta um clube de outra região brasileira, a minha torcida é pelos valores do Nordeste, a fim de que haja mais visibilidade na mídia para a terra do sal e do sol. 
         Mas o motivo maior desta crônica foi reverenciar o “bode” do Bar do Bode, uma obra de arte do artesanato de barro de Tracunhaém que ruiu na tarde fria do primeiro domingo de julho. De tanto vê-la ter sido testemunha de momentos bons, a figura era quase um bode de verdade. Pena que os cacos viraram pó, o mesmo destino que terá o corpo físico de quem por ela passava, acompanhado ou só.
Natal Ferreira Lima, proprietário do Bar do Bode, ao lado da escultura que foi ao chão. Ele já providenciou outra que em breve ocupará o mesmo espaço.

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DELÍRIO NA QUEDA


          Campeonato Brasileiro, Série A, 02 de julho de 2017. Em seu primeiro compromisso no segundo semestre de 2017, o meu Sport Club do Recife venceu, na Ilha do Retiro, no Recife, o Atlético Paranaense, 1 x 0.
          No Bar do Bode, de repente, anjos invisiveis deram as mãos ao vento frio e também foram ao delírio. A vibração foi tanta que a escultura do Bar do Bode, uma obra de arte do artesanato de barro de Tracunhaém, foi ao chão. Delírio na minh'alma rubro-negra, delírio na queda do "bode". 

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POR UM "BODE" 

        
        Os cacos de uma obra de arte do artesanato de barro de Tracunhaém estão num recanto da rua, aguardando o carro de lixo. Minha vontade é reunir os pedaços, colocar numa caixa e dar uma sepultura digna à escultura do animal que decorava o Bar do Bode.
       "Ora, deixe esse sentimentalismo de lado, era apenas uma peça de barro", diz a voz do anjo invisível ao meu lado. Só acho que, de tanto vê-la ter sido testemunha de momentos bons no Bar do Bode, a escultura era quase um bode de verdade.
         Pena que os cacos vão virar pó, o mesmo destino do corpo físico de quem por ela passava, acompanhado ou só. 

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Memórias de São José da Laje - Aletice, a deusa dos bolos e doces


DEUSA ALETICE 

        Ela era conhecida em São Jose da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, como uma espécie de deusa dos bolos e doces. Aletice Mateus Cavalcante sabia preparar - com arte, doçura e afeto - tortas, bolos, suspiros, sequilhos... 
        Radicada há anos em Fortaleza, onde vive na casa da filha Célia, Aletice celebrou  92 anos de idade no dia 12. 
       Citar seu nome é trazer para perto de mim doces recordações, tão gostosas como os bolos que fazia. 
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- Daslan Melo Lima

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SESSÃO NOSTALGIA – O diário secreto de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964

Daslan Melo Lima

            Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, Miss Brasil 1964, seguiu para Miami Beach levando a esperança de repetir o sucesso da gaúcha Ieda Maria Brutto Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, eleita no ano anterior Miss Universo 1963. Ângela Vasconcelos obteve destaque e ficou entre as semifinalistas (top 15) do Miss Universo 1964.


          Diário Secreto de Miss Brasil, eis uma das chamadas da capa da revista O Cruzeiro, de 29/08/1964, Ano XXXVI, Nº 47, que circulou com quatro páginas contando, com as próprias palavras de Ângela Vasconcelos, como foi sua experiência no Miss Universo. Além da reprodução das páginas, transcrevi o texto na íntegra, respeitando a acentuação das palavras na época.  

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O CRUZEIRO – EXCLUSIVO
Diário de uma vitoriosa derrotada
MISS BRASIL
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CONFIDENCIAL
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É a vez de Ângela falar, Miss Brasil-64, que levou a Miami o pêso das esperanças de milhões de fãs brasileiros, não parece – mas não parece mesmo – nem um pouco frustrada. Pelas páginas de seu diário, que “O Cruzeiro” divulga, se encontrará a verdadeira explicação. Ângela é o que era. 
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Texto de Ângela Vasconcelos (Miss Brasil) – Fotos de Indalécio Wanderley
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Eis o diário da nossa Miss Brasil:

“Dia 22: De cima, céu limpo, eu via Miami Beach e Miami City – as duas cidades dêste pedaço tropical da Flórida. Tudo muito bonito, tudo novidade. Encontrei no aeroporto um calor que eu não achava possível existir. Ieda estava lá com a sua simpatia e o seu sorriso. Dei autógrafos aos brasileiros que me honraram com a sua presença. Falei com a recepcionista do Miss-U, e rumamos para o Shelborne Hotel. 
Notei na viagem os “free-ways” excelentes. Não havia buracos na cidade. Nem um só. No hotel recebi a minha faixa e me apresentaram a Miss Nevada, minha “roomate”. Um caramelo de gente. Ficamos logo amigas. Ensinei a ela o que queria dizer “fofoca”. Mandaram-me repousar. Não aceitei a idéia. Preferi almoçar com as misses. Depois mergulhei na água americana da piscina. Lá já estavam os fotógrafos brasileiros, inclusive o afável Indalécio Wanderley e o sestroso baiano Gervásio Batista.
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Dia 23: Neste dia foi realmente que iniciei contatos maiores. Comecei a ver as misses, a senti-las. Observei, desde logo, uma certa impermeabilidade no Concurso, nas môças européias, orientais e americanas. Sómente as sul-americanas transmitiam alguma coisa, deixando escapar comunicação humana. Quando escrevo “impermeabilidade”, desejo significar o ar de seriedade bem educada das misses e dos funcionários do Miss-U. Eu me sentia assim como quem está em casa de cerimônia. Não cheguei a ficar à vontade. 
Miss Nevada convidou-me a conhecer Las Vegas. Ela é fã de Frank Sinatra. Diz que o filho de Frank possui também voz encantadora. Deitei-me um pouco tarde. Fiquei de televisão vendo um trecho de ópera. Depois rodei para um filme de “cowboy”. 
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Dia 24: Acordei, comi torradas, geléia e bebi um café fraquinho. Minha “hostess“ é um anjo falando inglês. Raramente diz “não” aos meus saimentos. Concordou em acompanhar-me até a piscina. Este sol daqui parece que é mais sol. Fiquei logo queimadinha. À tardinha estava eu a bordo de luxuosa carroçaria, ao lado de outras môças, numa das extremidades da Flagler Avenue. Estávamos ali para desfilar. Uma tagarelice de Babel, coisinhas em todas as línguas. Vi o gordinho repórter Ubiratan batendo fotos de Miss Israel. O desfile só começou com o escuro das 8 horas. Notei pouca gente na rua.
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Dia 25: Começo a perceber a falta de tempo para mim. Só há tempo para o concurso. Ah!,  os ensaios! Enormes, massacrantes, mecânicos! Tenho agora que acordar com o canto subjetivo do galo americano. Às 7 horas já estou de “Convention Hall” para ensaiar. Eu e todas elas. 102 gurias do planeta Terra ali dentro, naquele quartel de aço e ar refrigerado. Nunca vi tanta organização na minha vida. Uma organização fanática a destes americanos. Tudo bem virgulado, um segundo para cada gesto. 
Tive uma vontade forte de abrir uma brecha de indisciplina, de remexer na teia de aranha de Tio Sam. Dominei-me em nome do Brasil e de vocês. Aconselho a todas as futuras misses do Brasil que façam testes de paciência e boa-vontade. Não é que os americanos sejam impertinentes. Não diria uma inverdade destas. Mas as coisas muito organizadas são monótonas. Ou exigem muito de civilização que eu não tenho. Neste dia aprendi a admirar Miss Argentina, a que ficou nas 10 finalistas. Bela e excelente. Fizemos amizade em conversa curta. 
À noite fui com as outras ao “Mahi Shrine Tenple”, uma espécie de teatro “society” de Miami. Foi a cerimônia inaugural do Miss-U, a chamada abertura. Tôdas nós estávamos de trajes típicos. O de Miss Tennessee era um vexame. Simplesmente meteu-se dentro de um fardo. Outra estava de urso. Gostei da festa, do público, das crianças que concorreram ao “Little Miss Universe”. A garotinha da Coréia, então, era um tico de graça. Fui dormir quase 3 da manhã. Fiquei de palestrinha com Miss Nevada, a quem contei o sentido da Revolução brasileira e coisas boas do nosso País.
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"Miss Brasil e Miss Israel, boas amigas."
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Dia 26: Hoje o dia amanheceu ainda mais atraente porque não houve ensaio no “Convention Hall”. Fomos ao “Seaquarium” em rodada de passeio. Outras foram para o Jardim Japonês, um parque tipo Atêrro da Glória. Fiquei vendo tubarões comendo enormes pedaços de carne. Êles  me pareceram piranhas gigantescas, tal a voracidade do gesto de comer. Apreciei a inteligência dos botos e das baleias. Pode haver peixe burro, mas aquelas baleias e aqueles botos eram sem dúvida intelectuais. Deram um “show” de acrobacias. Dormi cedo, porque os programas de TV não me prenderam a atenção.
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Dia 27: Foi o dia mais duro, mais cansativo. Um dia em que acordei às 6 da manhã, e foi um tal de vestir maiô e traje típico até às 6 da tarde. Às 8 tôdas nós tiramos a fotografia panorâmica, e nos vimos – umas às outras - de maiô. Podemos calcular melhor nossas possibilidades em relação ao Júri. Desde logo marquei as Misses Israel, Japão, Islândia, Malásia e China – para mim as melhores.
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Dia 28: Hoje foram escolhidas as semifinalistas americanas. Não concordei com a não-classificação de algumas. Havia louras lindas que ficaram de fora. Gostei do “show”. O Concurso daqui é mesmo “show”. As misses são figurantes, intercalando quadros ótimos de teatro de revista. Alguns brasileiros disseram a mim que o meu penteado não estava bom. Discordei. É o melhor que me fica. Já tentei outros.
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"As gregas são assim. A beleza de Miss Universo 1964, Kiriaki Tsopei, trouxe, nos tempos novos, de volta à Grécia, o têrmo padrão universal"
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Dia 29: Elegeram Miss EUA. Havia outras mais belas. A môça do Alabama, por exemplo. Vi Miss Áustria de nervos em briga: questão da programação picada. A loura de Viena não resistiu e abriu a comporta das lágrimas. Não registrei nada mais de importante neste dia. Achei um tempinho para comprar um lenço colorido na esquina.
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Dia 30: Acordei um pouco nervosa. Hoje eles escolherão as semifinalistas internacionais. Isto quer dizer que serei julgada, analisada, votada ou não. Eis-me, afinal, na frente do Júri, desfilando na passarela rubra. Ouço palmas, e penso que deve ser o pessoal lá de casa, do Brasil, em função da torcida. Alguém em português falou: “Levanta mais um pouco a cabeça!” Aceitei o conselho. Foi com satisfação que escutei o meu nome silabado para as semifinalistas. Bem, pelo menos não tinha ficado totalmente de fora.     
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Dia 31: Hoje êles riscaram o “Convention Hall”   do programa. Declararam feriado para as misses. Permaneci longamente na piscina, no diálogo da água e das minhas pequenas idéias. Sempre achei a água respeitosa, uma das coisas com quem me dei muito bem em Miami. À noite eu, minha mãe e amigos brasileiros arriscamos uma boate. Uma oportunidade de fuga, de esquecer o sábado da coroação. 
Tivemos, entretanto, de deixar a boate, a convite, mais ou menos amigável, da direção do Concurso. Eu tinha de me convencer de que estava dentro de uma jaula côr-de-rosa. Eu prezo tanto a liberdade! Sempre me habituei a fazer o que quero, e sempre quero o razoável. Não gostei de sair da boate. Não gostei mesmo.
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Dia 1: Hoje é o fim da linha. Terei de saltar do Miss-U ou viver dentro dêle durante um ano. É evidente que lutarei, se é possível em matéria de beleza, para fazer alguma coisa além do absolutismo da plástica.
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De cima para baixo: 1 - Miss Inglaterra. "Segunda colocada no Miss Universo 64, Brenda Blackler, não é, segundo Ângela, merecedora." ***** 2 -  "Ronit Rinat ganhou um terceiro lugar para Israel. Abençoada beleza. Sangue do Povo de Deus". ***** 3 - "Siv Marta Aberg, no 4º lugar, beldade sueca." ***** 4 - "Lana Yi Yu (chinesa) 5º lugar." 
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Dia 2: Procurei largar de dentro de mim o filão nobre que todos nós temos. Fui a mais conversadeira das Misses, a mais penetra-no-coração-dos-outros. Que poderia fazer além disso? A verdade é que fiquei de lado. Não entrei nas cinco. Estremeci quando o mestre-de-cerimônias não timbrou o meu nome. Mas logo me recuperei, pois estava psicològicamente preparada para qualquer surprêsa – boa ou má. Não acredito que o penteado tenha influído desfavoràvelmente no Júri. Eu conhecia todos os juízes. Falei com eles. Por que seria o penteado responsável por não ter chegado eu até às cinco finalistas?
Nos bastidores falei com Miss Israel. Disse-me ela: “Êles não me elegeram porque eu sou israelita”. Argumentei em contrário. Não poderia ser isto. Foi mera questão de não saber julgar bem. Miss Áustria passou chorando rente a mim. Consolei-a. A chinesa estava uma fervura de alegria. Abracei-a. Até a grega eu fui cumprimentar, embora discordasse da coroa na cabeça dela. Mas à inglêsa eu não consegui dizer “congratulations”. Não aprendi a fingir demasiado. É muito forte para mim.
Digo aqui, com franqueza do Paraná: não aprovei a decisão do Júri. Não que quisesse para mim o título. Mas a grega não merecia a primeira colocação. Israel era, e é, melhor que ela. Tampouco a Miss Suécia deveria chegar ao “five” finalista. Ela não possui dentes de miss. E a inglêsa, nem se fala. Ainda não posso crer que ela tenha tirado o 2º lugar. Foi uma espécie de perde-ganha no “Convention Hall”.
Escrevo isto sem inveja delas. Escrevo como observadora, e não culpo a direção do Miss-U pelo insucesso da escolha.  Julgar, eis um verbo de difícil conjugação. Posso garantir aos que me lêem que levo saldo positivo. Muita experiência e um gôsto bom dos Estados Unidos. Gostei de apertar as mãos de Tio Sam, mas não conseguiria morar na sua casa. Louvo a democracia americana, o confôrto do povo, a funcionalidade da vida. Observei, entretanto, uma certa impessoalidade nas pessoas, um tom de neutralidade, de cimentação da alma. Creio ser o drama da máquina sobre a pessoa humana, o massacre da essência da vida. 
Não me chamem de “snob”, mas Aldous Huxley escreveu sobre essa fronteira da civilização moderna. E o meu Exupéry também: “Só o homem constrói a sua solidão”. Noto que os americanos precisam novamente pisar descalços no chão. Êles são ótimos, e vivem no maior país do Mundo. Peço desculpas pelo diário. Foi escrito sem tempo, nos intervalos do programa. Foi escrito sem o zêlo da discrição exagerada. Deixei aqui boa dosagem de sinceridade tropical, embora, na realidade, viva numa cidade (Curitiba) que quase nada tem de tropical. Até já,
Ângela.”
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"A muito rôgo, Ângela aceitou posar  penteada com os cabelos para o alto. É o tira-teima, diz ela. Os leitores que julguem, embora tarde." 
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"Ângela aceitou a derrota com espírito de vitória. A menina paranaense é esportiva mesmo. Pensando bem, é possível que seja mais feliz assim, livre de ser acorrentada a um programa de 365 dias - ela que tanto preza a liberdade." 
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         Na fria noite pernambucana deste sábado de julho, “viajei no túnel do tempo" com Ângela Vasconcelos, a linda e culta Miss Brasil 1964, através das páginas da revista O CruzeiroConcordando ou não com alguns resultados dos concursos de misses, o sonho continua. Moças lindas de todas as partes do mundo ainda sonham pisar numa passarela em busca do título de a mais bela.

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Capa da O Cruzeiro, de 29/08/1964, Ano XXXVI, Nº 47, que circulou com quatro páginas contando, com as próprias palavras de Ângela Vasconcelos, como foi sua experiência no Miss Universo. ***** Na capa, Miss Alabama e Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964.

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Vídeo completo do Miss Universo 1964


sábado, 15 de julho de 2017

Entre um gole e outro de alcatrão

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           Na noite fria da quinta-feira, 13, o clima esquentou com a vitória do meu Sport Club do Recife diante da Associação Chapecoense de Futebol, 3 X 0, pelo Campeonato Brasileiro Série A, o Brasileirão
        Alguns amigos da minha turma do Treinamento Funcional não torcem pelo Leão, mas o que importa é ver o futebol nordestino em evidência na mídia nacional. 
       "Para conhecer a alegria, é preciso compartilhar. A felicidade nasceu gêmea", disse George Gordon, o Lord Byron (1788-1824), poeta inglês. 
         Minh'alma rubro-negra foi ao delírio, entre um gole e outro de alcatrão, com mel de abelha e limão. 


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