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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 629, referente ao período de 23 a 29 de julho de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 22 de julho de 2017

O som do silêncio

        

           Enquanto me embriagava com o perfume adocicado do meu pé de jasmim-laranjeira, o som do whatsapp interrompeu o meu torpor. Era um amigo que tinha enviado um vídeo, Dana Winner cantando The Sound of Silence, uma música dos anos sessenta de Simon & Garfunkel

Olá escuridão, minha velha amiga. 
Eu vim para conversar com você novamente, 
por causa de uma visão que se aproxima suavemente. 
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo.
E a visão que foi plantada em minha mente 
ainda permanece dentro do som do silêncio.


       Certas músicas são antidepressivas, relaxantes e motivacionais. Verdadeiros hinos religiosos, independente de religião. Ainda era cedo. Fechei os olhos e silenciei ao lado de anjos invisíveis. Nem o vento ousou interromper o som do silêncio. 



Em sonhos sem descanso eu caminhei só
em ruas estreitas de paralelepípedos,
sob a áurea de uma lamparina da rua.
Virei minha gola para o frio e a umidade,
quando meus olhos foram esfaqueados
pelo flash de uma luz de neon que rachou a noite
e tocou o som do silêncio.

E na luz nua eu enxerguei dez mil pessoas, talvez mais.
Pessoas conversando sem estar falando.
Pessoas ouvindo sem estar escutando.
Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilham.
E ninguém ousou perturbar o som do silêncio

"Tolos," digo eu, 
"vocês não sabem, o  silêncio é como um câncer que cresce.
Ouçam as palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender"
Mas minhas palavras como silenciosas gotas de chuva caem. 
E ecoaram nos poços do silêncio

E as pessoas se reverenciaram e rezaram para o Deus de neon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso nas palavras que estavam se formando
E o sinal disse: 
"As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô
e nas salas dos cortiços. 
E sussurraram no som do silêncio."

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-  Daslan Melo Lima, no terceiro domingo frio de julho de 2017, em Timbaúba, Pernambuco, ouvindo “The Sound of Silence”,
https://www.youtube.com/watch?v=Qp10qKwNgWQ&list=RDQp10qKwNgWQ&index=1
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - O Bar do Bode vai ao delírio

Daslan Melo Lima
     


     “Será que hoje o Bar do Bode vai ao delírio?” perguntam amigos meus, independentemente de suas paixões pelo Clube Náutico Capibaribe, Santa Cruz Futebol Clube ou Sport Club do Recife, nos dias de jogo do Leão da Ilha do Retiro. “O Bar do Bode vai ao delírio” e “O Bar do Bode foi ao delírio” são jargões (ou bordões) criados por mim desde que comecei a expor publicamente a minh’alma rubro-negra.
          Se entendo de futebol? Não, mas esforço-me para distinguir o que são expressões como “pênalti”, “impedimento”, “tiro de meta”, etc. “Uma partida de futebol é sempre um jogo de surpresas e superação. Assim como também deve ser a vida”, disse o poeta Luis Felipe Loro.
          Paz no futebol. Não gosto de entrar no meu Facebook e no whatsapp e encontrar indiretas, comentários ofensivos e brincadeiras de mau gosto dirigidas a um torcedor cujo time perdeu. Perder e ganhar fazem parte dos esportes e da nossa rápida passagem pelo planeta Terra. Outra coisa: quando qualquer clube nordestino enfrenta um clube de outra região brasileira, a minha torcida é pelos valores do Nordeste, a fim de que haja mais visibilidade na mídia para a terra do sal e do sol. 
         Mas o motivo maior desta crônica foi reverenciar o “bode” do Bar do Bode, uma obra de arte do artesanato de barro de Tracunhaém que ruiu na tarde fria do primeiro domingo de julho. De tanto vê-la ter sido testemunha de momentos bons, a figura era quase um bode de verdade. Pena que os cacos viraram pó, o mesmo destino que terá o corpo físico de quem por ela passava, acompanhado ou só.
Natal Ferreira Lima, proprietário do Bar do Bode, ao lado da escultura que foi ao chão. Ele já providenciou outra que em breve ocupará o mesmo espaço.

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DELÍRIO NA QUEDA


          Campeonato Brasileiro, Série A, 02 de julho de 2017. Em seu primeiro compromisso no segundo semestre de 2017, o meu Sport Club do Recife venceu, na Ilha do Retiro, no Recife, o Atlético Paranaense, 1 x 0.
          No Bar do Bode, de repente, anjos invisiveis deram as mãos ao vento frio e também foram ao delírio. A vibração foi tanta que a escultura do Bar do Bode, uma obra de arte do artesanato de barro de Tracunhaém, foi ao chão. Delírio na minh'alma rubro-negra, delírio na queda do "bode". 

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POR UM "BODE" 

        
        Os cacos de uma obra de arte do artesanato de barro de Tracunhaém estão num recanto da rua, aguardando o carro de lixo. Minha vontade é reunir os pedaços, colocar numa caixa e dar uma sepultura digna à escultura do animal que decorava o Bar do Bode.
       "Ora, deixe esse sentimentalismo de lado, era apenas uma peça de barro", diz a voz do anjo invisível ao meu lado. Só acho que, de tanto vê-la ter sido testemunha de momentos bons no Bar do Bode, a escultura era quase um bode de verdade.
         Pena que os cacos vão virar pó, o mesmo destino do corpo físico de quem por ela passava, acompanhado ou só. 

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Memórias de São José da Laje - Aletice, a deusa dos bolos e doces


DEUSA ALETICE 

        Ela era conhecida em São Jose da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, como uma espécie de deusa dos bolos e doces. Aletice Mateus Cavalcante sabia preparar - com arte, doçura e afeto - tortas, bolos, suspiros, sequilhos... 
        Radicada há anos em Fortaleza, onde vive na casa da filha Célia, Aletice celebrou  92 anos de idade no dia 12. 
       Citar seu nome é trazer para perto de mim doces recordações, tão gostosas como os bolos que fazia. 
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- Daslan Melo Lima

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SESSÃO NOSTALGIA – O diário secreto de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964

Daslan Melo Lima

            Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, Miss Brasil 1964, seguiu para Miami Beach levando a esperança de repetir o sucesso da gaúcha Ieda Maria Brutto Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, eleita no ano anterior Miss Universo 1963. Ângela Vasconcelos obteve destaque e ficou entre as semifinalistas (top 15) do Miss Universo 1964.


          Diário Secreto de Miss Brasil, eis uma das chamadas da capa da revista O Cruzeiro, de 29/08/1964, Ano XXXVI, Nº 47, que circulou com quatro páginas contando, com as próprias palavras de Ângela Vasconcelos, como foi sua experiência no Miss Universo. Além da reprodução das páginas, transcrevi o texto na íntegra, respeitando a acentuação das palavras na época.  

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O CRUZEIRO – EXCLUSIVO
Diário de uma vitoriosa derrotada
MISS BRASIL
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CONFIDENCIAL
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É a vez de Ângela falar, Miss Brasil-64, que levou a Miami o pêso das esperanças de milhões de fãs brasileiros, não parece – mas não parece mesmo – nem um pouco frustrada. Pelas páginas de seu diário, que “O Cruzeiro” divulga, se encontrará a verdadeira explicação. Ângela é o que era. 
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Texto de Ângela Vasconcelos (Miss Brasil) – Fotos de Indalécio Wanderley
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Eis o diário da nossa Miss Brasil:

“Dia 22: De cima, céu limpo, eu via Miami Beach e Miami City – as duas cidades dêste pedaço tropical da Flórida. Tudo muito bonito, tudo novidade. Encontrei no aeroporto um calor que eu não achava possível existir. Ieda estava lá com a sua simpatia e o seu sorriso. Dei autógrafos aos brasileiros que me honraram com a sua presença. Falei com a recepcionista do Miss-U, e rumamos para o Shelborne Hotel. 
Notei na viagem os “free-ways” excelentes. Não havia buracos na cidade. Nem um só. No hotel recebi a minha faixa e me apresentaram a Miss Nevada, minha “roomate”. Um caramelo de gente. Ficamos logo amigas. Ensinei a ela o que queria dizer “fofoca”. Mandaram-me repousar. Não aceitei a idéia. Preferi almoçar com as misses. Depois mergulhei na água americana da piscina. Lá já estavam os fotógrafos brasileiros, inclusive o afável Indalécio Wanderley e o sestroso baiano Gervásio Batista.
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Dia 23: Neste dia foi realmente que iniciei contatos maiores. Comecei a ver as misses, a senti-las. Observei, desde logo, uma certa impermeabilidade no Concurso, nas môças européias, orientais e americanas. Sómente as sul-americanas transmitiam alguma coisa, deixando escapar comunicação humana. Quando escrevo “impermeabilidade”, desejo significar o ar de seriedade bem educada das misses e dos funcionários do Miss-U. Eu me sentia assim como quem está em casa de cerimônia. Não cheguei a ficar à vontade. 
Miss Nevada convidou-me a conhecer Las Vegas. Ela é fã de Frank Sinatra. Diz que o filho de Frank possui também voz encantadora. Deitei-me um pouco tarde. Fiquei de televisão vendo um trecho de ópera. Depois rodei para um filme de “cowboy”. 
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Dia 24: Acordei, comi torradas, geléia e bebi um café fraquinho. Minha “hostess“ é um anjo falando inglês. Raramente diz “não” aos meus saimentos. Concordou em acompanhar-me até a piscina. Este sol daqui parece que é mais sol. Fiquei logo queimadinha. À tardinha estava eu a bordo de luxuosa carroçaria, ao lado de outras môças, numa das extremidades da Flagler Avenue. Estávamos ali para desfilar. Uma tagarelice de Babel, coisinhas em todas as línguas. Vi o gordinho repórter Ubiratan batendo fotos de Miss Israel. O desfile só começou com o escuro das 8 horas. Notei pouca gente na rua.
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Dia 25: Começo a perceber a falta de tempo para mim. Só há tempo para o concurso. Ah!,  os ensaios! Enormes, massacrantes, mecânicos! Tenho agora que acordar com o canto subjetivo do galo americano. Às 7 horas já estou de “Convention Hall” para ensaiar. Eu e todas elas. 102 gurias do planeta Terra ali dentro, naquele quartel de aço e ar refrigerado. Nunca vi tanta organização na minha vida. Uma organização fanática a destes americanos. Tudo bem virgulado, um segundo para cada gesto. 
Tive uma vontade forte de abrir uma brecha de indisciplina, de remexer na teia de aranha de Tio Sam. Dominei-me em nome do Brasil e de vocês. Aconselho a todas as futuras misses do Brasil que façam testes de paciência e boa-vontade. Não é que os americanos sejam impertinentes. Não diria uma inverdade destas. Mas as coisas muito organizadas são monótonas. Ou exigem muito de civilização que eu não tenho. Neste dia aprendi a admirar Miss Argentina, a que ficou nas 10 finalistas. Bela e excelente. Fizemos amizade em conversa curta. 
À noite fui com as outras ao “Mahi Shrine Tenple”, uma espécie de teatro “society” de Miami. Foi a cerimônia inaugural do Miss-U, a chamada abertura. Tôdas nós estávamos de trajes típicos. O de Miss Tennessee era um vexame. Simplesmente meteu-se dentro de um fardo. Outra estava de urso. Gostei da festa, do público, das crianças que concorreram ao “Little Miss Universe”. A garotinha da Coréia, então, era um tico de graça. Fui dormir quase 3 da manhã. Fiquei de palestrinha com Miss Nevada, a quem contei o sentido da Revolução brasileira e coisas boas do nosso País.
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"Miss Brasil e Miss Israel, boas amigas."
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Dia 26: Hoje o dia amanheceu ainda mais atraente porque não houve ensaio no “Convention Hall”. Fomos ao “Seaquarium” em rodada de passeio. Outras foram para o Jardim Japonês, um parque tipo Atêrro da Glória. Fiquei vendo tubarões comendo enormes pedaços de carne. Êles  me pareceram piranhas gigantescas, tal a voracidade do gesto de comer. Apreciei a inteligência dos botos e das baleias. Pode haver peixe burro, mas aquelas baleias e aqueles botos eram sem dúvida intelectuais. Deram um “show” de acrobacias. Dormi cedo, porque os programas de TV não me prenderam a atenção.
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Dia 27: Foi o dia mais duro, mais cansativo. Um dia em que acordei às 6 da manhã, e foi um tal de vestir maiô e traje típico até às 6 da tarde. Às 8 tôdas nós tiramos a fotografia panorâmica, e nos vimos – umas às outras - de maiô. Podemos calcular melhor nossas possibilidades em relação ao Júri. Desde logo marquei as Misses Israel, Japão, Islândia, Malásia e China – para mim as melhores.
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Dia 28: Hoje foram escolhidas as semifinalistas americanas. Não concordei com a não-classificação de algumas. Havia louras lindas que ficaram de fora. Gostei do “show”. O Concurso daqui é mesmo “show”. As misses são figurantes, intercalando quadros ótimos de teatro de revista. Alguns brasileiros disseram a mim que o meu penteado não estava bom. Discordei. É o melhor que me fica. Já tentei outros.
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"As gregas são assim. A beleza de Miss Universo 1964, Kiriaki Tsopei, trouxe, nos tempos novos, de volta à Grécia, o têrmo padrão universal"
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Dia 29: Elegeram Miss EUA. Havia outras mais belas. A môça do Alabama, por exemplo. Vi Miss Áustria de nervos em briga: questão da programação picada. A loura de Viena não resistiu e abriu a comporta das lágrimas. Não registrei nada mais de importante neste dia. Achei um tempinho para comprar um lenço colorido na esquina.
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Dia 30: Acordei um pouco nervosa. Hoje eles escolherão as semifinalistas internacionais. Isto quer dizer que serei julgada, analisada, votada ou não. Eis-me, afinal, na frente do Júri, desfilando na passarela rubra. Ouço palmas, e penso que deve ser o pessoal lá de casa, do Brasil, em função da torcida. Alguém em português falou: “Levanta mais um pouco a cabeça!” Aceitei o conselho. Foi com satisfação que escutei o meu nome silabado para as semifinalistas. Bem, pelo menos não tinha ficado totalmente de fora.     
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Dia 31: Hoje êles riscaram o “Convention Hall”   do programa. Declararam feriado para as misses. Permaneci longamente na piscina, no diálogo da água e das minhas pequenas idéias. Sempre achei a água respeitosa, uma das coisas com quem me dei muito bem em Miami. À noite eu, minha mãe e amigos brasileiros arriscamos uma boate. Uma oportunidade de fuga, de esquecer o sábado da coroação. 
Tivemos, entretanto, de deixar a boate, a convite, mais ou menos amigável, da direção do Concurso. Eu tinha de me convencer de que estava dentro de uma jaula côr-de-rosa. Eu prezo tanto a liberdade! Sempre me habituei a fazer o que quero, e sempre quero o razoável. Não gostei de sair da boate. Não gostei mesmo.
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Dia 1: Hoje é o fim da linha. Terei de saltar do Miss-U ou viver dentro dêle durante um ano. É evidente que lutarei, se é possível em matéria de beleza, para fazer alguma coisa além do absolutismo da plástica.
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De cima para baixo: 1 - Miss Inglaterra. "Segunda colocada no Miss Universo 64, Brenda Blackler, não é, segundo Ângela, merecedora." ***** 2 -  "Ronit Rinat ganhou um terceiro lugar para Israel. Abençoada beleza. Sangue do Povo de Deus". ***** 3 - "Siv Marta Aberg, no 4º lugar, beldade sueca." ***** 4 - "Lana Yi Yu (chinesa) 5º lugar." 
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Dia 2: Procurei largar de dentro de mim o filão nobre que todos nós temos. Fui a mais conversadeira das Misses, a mais penetra-no-coração-dos-outros. Que poderia fazer além disso? A verdade é que fiquei de lado. Não entrei nas cinco. Estremeci quando o mestre-de-cerimônias não timbrou o meu nome. Mas logo me recuperei, pois estava psicològicamente preparada para qualquer surprêsa – boa ou má. Não acredito que o penteado tenha influído desfavoràvelmente no Júri. Eu conhecia todos os juízes. Falei com eles. Por que seria o penteado responsável por não ter chegado eu até às cinco finalistas?
Nos bastidores falei com Miss Israel. Disse-me ela: “Êles não me elegeram porque eu sou israelita”. Argumentei em contrário. Não poderia ser isto. Foi mera questão de não saber julgar bem. Miss Áustria passou chorando rente a mim. Consolei-a. A chinesa estava uma fervura de alegria. Abracei-a. Até a grega eu fui cumprimentar, embora discordasse da coroa na cabeça dela. Mas à inglêsa eu não consegui dizer “congratulations”. Não aprendi a fingir demasiado. É muito forte para mim.
Digo aqui, com franqueza do Paraná: não aprovei a decisão do Júri. Não que quisesse para mim o título. Mas a grega não merecia a primeira colocação. Israel era, e é, melhor que ela. Tampouco a Miss Suécia deveria chegar ao “five” finalista. Ela não possui dentes de miss. E a inglêsa, nem se fala. Ainda não posso crer que ela tenha tirado o 2º lugar. Foi uma espécie de perde-ganha no “Convention Hall”.
Escrevo isto sem inveja delas. Escrevo como observadora, e não culpo a direção do Miss-U pelo insucesso da escolha.  Julgar, eis um verbo de difícil conjugação. Posso garantir aos que me lêem que levo saldo positivo. Muita experiência e um gôsto bom dos Estados Unidos. Gostei de apertar as mãos de Tio Sam, mas não conseguiria morar na sua casa. Louvo a democracia americana, o confôrto do povo, a funcionalidade da vida. Observei, entretanto, uma certa impessoalidade nas pessoas, um tom de neutralidade, de cimentação da alma. Creio ser o drama da máquina sobre a pessoa humana, o massacre da essência da vida. 
Não me chamem de “snob”, mas Aldous Huxley escreveu sobre essa fronteira da civilização moderna. E o meu Exupéry também: “Só o homem constrói a sua solidão”. Noto que os americanos precisam novamente pisar descalços no chão. Êles são ótimos, e vivem no maior país do Mundo. Peço desculpas pelo diário. Foi escrito sem tempo, nos intervalos do programa. Foi escrito sem o zêlo da discrição exagerada. Deixei aqui boa dosagem de sinceridade tropical, embora, na realidade, viva numa cidade (Curitiba) que quase nada tem de tropical. Até já,
Ângela.”
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"A muito rôgo, Ângela aceitou posar  penteada com os cabelos para o alto. É o tira-teima, diz ela. Os leitores que julguem, embora tarde." 
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"Ângela aceitou a derrota com espírito de vitória. A menina paranaense é esportiva mesmo. Pensando bem, é possível que seja mais feliz assim, livre de ser acorrentada a um programa de 365 dias - ela que tanto preza a liberdade." 
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         Na fria noite pernambucana deste sábado de julho, “viajei no túnel do tempo" com Ângela Vasconcelos, a linda e culta Miss Brasil 1964, através das páginas da revista O CruzeiroConcordando ou não com alguns resultados dos concursos de misses, o sonho continua. Moças lindas de todas as partes do mundo ainda sonham pisar numa passarela em busca do título de a mais bela.


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Aqui termina mais uma edição de PASSARELA CULTURAL. Rolando abaixo, você vai encontrar uma seleção de todas as postagens do blog.
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         A trajetória de PASSARELA CULTURAL começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest,  editado por Walfredo Silva (Wal Boy). Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL. Detalhe: a contagem de visitas a este site só teve início em outubro de 2007. 
        PASSARELA CULTURAL também tem uma visibilidade impressa através das colunas socioculturais que assino em dois veículos de comunicação da região: jornal CORREIO DE NOTÍCIAS e revista TIMBAÚBA EM FOCO.
     Duas secções do blog são responsáveis por sua popularidade:  DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO , sobre a cena sociocultural timbaubense, e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando os antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões.
       Grato a todos pela atenção. - Daslan Melo Lima

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“Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade. “
Paulo Francis  (1930-1997) pseudônimo de Franz Paulo Trannin da Matta Heilborn,  jornalista carioca, escritor, articulista e crítico de teatro, literatura e arte.

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sábado, 15 de julho de 2017

Entre um gole e outro de alcatrão

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           Na noite fria da quinta-feira, 13, o clima esquentou com a vitória do meu Sport Club do Recife diante da Associação Chapecoense de Futebol, 3 X 0, pelo Campeonato Brasileiro Série A, o Brasileirão
        Alguns amigos da minha turma do Treinamento Funcional não torcem pelo Leão, mas o que importa é ver o futebol nordestino em evidência na mídia nacional. 
       "Para conhecer a alegria, é preciso compartilhar. A felicidade nasceu gêmea", disse George Gordon, o Lord Byron (1788-1824), poeta inglês. 
         Minh'alma rubro-negra foi ao delírio, entre um gole e outro de alcatrão, com mel de abelha e limão. 


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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - No ritmo da Santa Emília

    Na Chácara Santa Emília, propriedade da família Ferreira Lima, a energia positiva está presente em cada recanto. E é lá que, de vez em quando, os integrantes da família reúnem parentes e amigos para celebrar a vida.
     Muitas vezes, o paraíso está perto da gente, perto, tão perto que não nos damos conta. 


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NO PARAÍSO

 O caminho de barro semeando poesia.
 O verde relaxando inacabadas emoções. 
O silêncio norteando o dia. 
A fé alimentando inspirações. 
-Daslan Melo Lima
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    Este ano, estive presente em dois momentos festivos na Santa Emília, na celebração do aniversário de Tarcísio Ferreira Lima e na do seu tio Joca

       
          Esta seleção de imagens externa um pouco da animação que reinou no bucólico  lugar,  cujo nome homenageia uma mulher elegante que marcou época em Timbaúba; a sempre lembrada primeira dama Maria Emília Dutra Ferreira Lima (1928-1987), esposa de um ícone da política pernambucana, Jacques Ferreira Lima (1927-1991), três vezes prefeito de Timbaúba e duas deputado estadual.
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Niver do Tarcísio

Tarcisio ladeado pelos pais Céres Fernanda e Jacques Ferreira Lima Filho
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Tarcíso ladeado pelos irmãos Odilon e Felipe
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Tarcísio, a filha Maria Fernanda e o filho João
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Tarcísio ladeado pelo casal Joca e Gisa
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Niver de Joca
Joca e a esposa Gisa
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Joca, esposa, os filhos Eduardo e Carol, genro (Victor Brandão), nora (Daniele) e netos.
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Os irmãos Joca, Cita, Edite, Milinha e Jacques Filho, filhos e filhas de Jacques Ferreira Lima e Maria Emília Dutra Ferreira Lima
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Joca e Jacques, dois irmãos casados com duas irmãs, Gisa e Ceres
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Uma imagem para a posteridade, quatro gerações.
 Dona Fernandinha, a filha Gisa, a neta Carol e a bisneta Maria Eduarda
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NO RITMO DA SANTA EMÍLIA

  A tarde e o cenário convidam para a reflexão.
A noite nasce e o dia morre sem desilusão.
A natureza abre espaço para a sensibilidade.
E tudo recomeça em ritmo de imortalidade.  
- Daslan Melo Lima   

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SESSÃO NOSTALGIA – Martha Vasconcellos, Miss Universo 1968, Miss Tia Martha

Daslan Melo Lima

          No dia 19 de junho de 1968, quatro dias após ter sido eleita Miss Bahia, no  sempre lembrado Ginásio de Esportes Antônio Balbino, o Balbininho, Martha Vasconcellos foi homenageada na Escola Nova, educandário onde lecionava o que atualmente equivale ao primeiro ano do Ensino Fundamental. Na ocasião, a baiana que seria eleita Miss Brasil no dia 29 de junho, no Rio de Janeiro; e Miss Universo em 13 de julho, em Miami Beach, recebeu da aluna Ana Cristina Castro uma faixa vermelha com letras azuis onde se lia Miss Tia Martha.



        Eu tive a satisfação de fotografar a citada faixa no meio de outras, no dia 13 de outubro de 2013, no apartamento de Martha Vasconcellos, em Salvador, Bahia, durante um encontro inesquecível promovido por Roberto Macêdo, jornalista e biógrafo da última brasileira a ser eleita Miss Universo. 
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"Me lembro de tudo. Eu a adorava"


       No dia 13 do mês passado, a ex-aluna, hoje pintora renomada, Ana Castro, postou no Facebook uma relíquia preciosa, a foto em que está colocando a faixa em Martha. “Me lembro de tudo, inclusive de como fiquei triste quando ela teve que sair da escola. Eu a adorava”, escreveu Ana.


       "Pensando que, aqui no meu estúdio, o tempo é outro, o isolamento necessário, o distanciamento, o espirito se eleva, a energia flui, isso é muito bom. Só queria dividir este sentimento, diante da dura realidade, pra relaxar." ***** Vale a pena conhecer as belas obras de Ana Castro. Vide:   http://arteanacastro.blogspot.com.br/

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       Miss Tia Martha


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Martha Vasconcellos fez parte da comissão julgadora do concurso Miss Rio Grande do Norte 2017, realizado no dia 24 de maio, no Teatro Riachuelo, em Natal, ocasião onde foi aplaudida por um público estimado em 1.600 pessoas. Com sua beleza, ela espalhou mel na terra do sal e do sol.   

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           No próximo ano, cinquentenário do título de Miss Universo conquistado por Martha Vasconcellos, várias homenagens deverão acontecer em torno de quem soube levar com tanta dignidade o nome da Bahia e do Brasil para todos os rincões do planeta Terra. 
        Imagino que em um dos eventos Ana Castro estará presente para abraçar Martha Vasconcellos, a professora que tanto adorava.

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