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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 616, referente ao período de 23 a 29 de abril de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

terça-feira, 29 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas, a primeira vez que a Miss Universo 1963 chorou em público

Por Daslan Melo Lima


          Maracanãzinho, Rio de Janeiro, noite de 04 de julho de 1964. Milhares de pessoas estavam ansiosas. Nos bastidores, vinte e quatro jovens estavam mais ansiosas ainda. Era a noite da eleição da Miss Brasil 1964.


Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 11/07/1964)


          Nos bastidores, uma moça também estava muito ansiosa. Seu nome: Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963, que naquela noite estaria passando o título de Miss Brasil para sua sucessora.


Desfile de abertura do concurso Miss Brasil 1964. (Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          O espetáculo teve início ao som da marcha “Cidade Maravilhosa”, executada pela Banda da Polícia Militar e acompanhada em coro por um público estimado em 50.000 pessoas. Na comissão julgadora, atentos a todos os detalhes, estavam: Pomona Politis, Justino Martins, Tônia Carrero, Accioly Neto, Mitsi de Almeida Magalhães, Oscar Santamaría, Edite Guimarães, Leão Veloso, Eda de Luds, Hélio Beltrão e Edilson Varela.

          Após o desfile de gala, e antes do desfile de maiô, aconteceu a apresentação dos trajes típicos.
O desfile de trajes típicos começou sob intensa euforia da multidão. É que, minutos antes, a Banda da Polícia Militar, localizada atrás da mesa dos jurados, havia executado o Bigorrilho. A melodia tomou conta do público, que pôs-se a cantar em coro, com indisfarçável saudades do carnaval. (Revista MANCHETE, 18/07/1964)


          Bigorrilho, samba-coco da autoria de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil, gravado por Jorge Veiga, foi o maior sucesso do carnaval brasileiro de 1964.


Lá em casa tinha um bigorrilho

Bigorrilho fazia mingau
Bigorrilho foi quem me ensinou
A tirar o cavaco do pau
Trepa Antônio
O siri tá no pau
Eu também sei tirar
O cavaco do pau

Dona Dadá, Dona Didi
Seu marido entrou aí
Ele tem que sair
Ele tem que sair



Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, de "Vaqueiro Nordestino", traje típico estilizado tendo como ponto de atração as calças de couro sobre um fundo de malha azul.(Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          Evandro de Castro Lima foi o responsável para indicar o melhor traje típico, prêmio que coube a Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe. Detalhe: Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, usou um traje de baiana estilizada, criação do próprio Evandro.


As nove finalistas do concurso Miss Brasil 1964, em foto de MANCHETE, de 18/07/1964). Da esquerda para a direita:
Ana Maria Carvalhedo, Miss Ceará, 9º lugar;
Rosa Maria Gallas, Miss Rio Grande do Sul, 7º lugar;
Neli Cavalcanti Padilha, Miss Rio Grande do Norte, 5º lugar;
Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, 2º lugar;
Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, 1º lugar;
Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, 3º lugar;
Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco, 4º lugar;
Cecília Rangel Martins da Rocha, Miss Estado do Rio, 6º lugar;
Marília de Dirceu da Silva, Miss Minas Gerais, 8º lugar.

          O imenso público ficou satisfeito com o resultado, mas lamentou a não inclusão de Miss Pernambuco no Top 3.


Faltavam seis minutos para as duas horas de domingo quando a mesa dos jurados foi desmontada e, em seguida, transformada em pedestal para as misses. O trono, de veludo vermelho, recebeu como adornos laterais duas enormes cestas de rosas brancas. 

Ieda Maria, ostentando sua belíssima coroa de Miss Universo e com um vestido comprido bordado em brilhantes, surgiu sozinha, no palco. Sentou-se, pela última vez, no trono da beleza. As finalistas começaram a ladeá-la (...). Às duas horas e cinco minutos, Ieda Maria Vargas transferiu para Ângela Teresa Vasconcelos o manto de veludo vermelho com gola de arminho, o cetro e a coroa de Miss Brasil. (MANCHETE, 18/07/1964)



A despedida de Ieda Maria Vargas. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 11/07/1964)

Nunca o Maracanãzinho viveu um instante como aquele. Ieda Maria Vargas era a primeira Miss Universo que coroava uma Miss Brasil. No momento em que ela passava para a representante do Paraná a faixa e a coroa, que antes do triunfo em Miami lhe haviam pertencido, e deu seu adeus ao público, avassaladora emoção se apoderou de todos.

Moças e senhoras não resistiram ao impacto dessa despedida, tão simples e, ao mesmo tempo, tão comovedora. Lágrimas lhes vieram aos olhos. Era como se uma rainha, jovem e bela, abdicasse imprevistamente, deixando o trono para viver no exílio a vida sem brilho das pessoas comuns. Todo um mundo de sonhos e de ilusões parecia terminar. Até então, a linda gauchinha recebera as reverências e homenagens devidas a uma soberana da beleza no esplendor de sua glória. Em breve, ela seria apenas uma ex-Miss Brasil. Os aplausos às novas belezas já significavam o seu próprio ocaso. Era o início do fim de um breve e maravilhoso reinado.

Ela própria não escapou à intensa emoção daquele momento. Estava abalada embora infinitamente reconhecida aos aplausos e manifestações de carinho da platéia.
(MANCHETE, 18/07/1964)


Ângela Vasconcelos, Miss Paraná, Miss Brasil 1964, coroada por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. (Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          Após a coroação da Miss Brasil 1964, a fisionomia compenetrada de Ieda Maria Vargas contrastava com o rosto sorridente de Ângela Vasconcelos. A foto acima, reproduzida da revista MANCHETE, de 18/07/1964, espelha o espírito do texto abaixo.


Ela era muito jovem quando descobriu a mortalidade. Depois de um ano desfrutando o Olimpo, entregou o cetro à nova divindade. Quando a faixa se transferiu de corpo, os flashes também deslocaram seu foco. Ieda descobriu-se só no palco que a havia consagrado. “Foi a primeira vez que chorei em público. Pensei: sou um objeto." (Revista ÉPOCA, 13/03/2000, trecho da reportagem “Entardecer no Olimpo”, de Eliane Brum.)


          Ieda recebeu o apelido de “Baby” durante o Miss Universo 1963. Naquela ocasião, a miss foi procurada por Peter Sellers para ser estrela de cinema. Deu a resposta recomendada a uma menina de família: “Vou voltar para Porto Alegre, casar e ter filhos”, disse ao futuro inspetor Clouseau. Poderia ter sido ela, e não Cláudia Cardinale, a brilhar em A Pantera Cor-de-Rosa. Vargas poderia ter sido Cardinale. Teria sido mais feliz? (ÉPOCA, 13/03/2000)


Ieda Maria Vargas em 2000 (Foto: Denise Adams/ÉPOCA, 13/03/2000)

          Dentro do seu ideal de felicidade, Ieda foi feliz. É feliz. Com inteligência, equilíbrio, classe e categoria não se permitiu ser um objeto. Ieda casou, teve dois filhos e curte a tranqüilidade do seu lar acompanhada das boas lembranças do passado e das saudades eternas do esposo José Carlos Athanásio.


Ieda Maria Vargas Athanásio, de óculos, ao lado das amigas Rejane Camargo, Sheila Baron, Márcia Cairolli e Martha Médici, em Porto Alegre, em recente acontecimento social. (Foto: Cortesia, www.fernandomachado.com.br)


          Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963, como todo mortal, deve chorar lágrimas solitárias, mas dentro do seu ideal de felicidade Ieda foi feliz. É feliz. Assim Seja!


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Vitória Fausta, Miss Congresso 1960

Por Daslan Melo Lima

          Todas as semanas, aqui, na secção Sessão Nostalgia, focalizo grandes misses do passado, garotas que marcaram época e que foram notícias nas páginas dos grandes jornais e revistas nacionais e internacionais. Nesse nosso imenso Brasil, país de dimensões continentais, a Miss focalizada desta semana teve um passado mais modesto, em termos de visibilidade nacional, mas foi uma das mais queridas rainhas da beleza de uma região. Ao resgatar sua história, sei que estou contribuindo com a preservação da memória da cidade onde vivo, imbuído do propósito de Leon Tolstói (1828-1910): "Canta tua aldeia e cantarás o mundo".

          No final dos anos 50 e início dos anos 60, Timbaúba, município situado na zona da mata norte do estado de Pernambuco, então com 20.000 habitantes, vivia o período áureo das indústrias de calçados. E foi naquela época que uma jovem meiga, educada, inteligente, era apontada por todos como a mais bela moça de Timbaúba. Seu nome: Vitória Fausta Queiroz Moura, filha de Manuel Gomes de Moura e Ana Queiroz Moura, pais de outras duas jovens: Alba Glória e Rosalinda.


Vitória Fausta com o traje de formatura do curso de professora (antigo curso pedagógico) do tradicional educandário timbaubense Colégio Santa Maria, hoje com a denominação de Escola Santa Maria. (Foto: Álbum da Família Queiroz Moura)


          Vitória Fausta tinha todos os predicados da menina da fina flor da sociedade pernambucana da zona da mata norte: era aluna da Escola Santa Maria, dirigida por freiras alemãs, estudava piano e acordeon e dirigia a ala feminina do Movimento Estudantil. Seu pai era poeta, jornalista, industrial, um dos donos da grande empresa Indústria de Calçados Criança, vice-prefeito da cidade e proprietário da Fazenda Santa Ana, terra onde hoje está situado o bairro de Santa Ana.


Vitória Fausta, Miss Congresso 1960. (Foto: Revista do Interior, Ano 2, junho de 1960 – Acervo Vitória Fausta).

          Em maio de 1960, Timbaúba sediou um Congresso de Jornalistas no Cine Teatro Recreyos Benjamin. Para se ter uma idéia da grandiosidade do evento, uma das empresas patrocinadoras foi a Nestlé, que lançou nacionalmente alguns produtos. Vitória Fausta foi aclamada Miss Congresso e saiu na capa da Revista do Interior, uma publicação que, guardando as devidas proporções, era tão importante para Pernambuco como as revistas O Cruzeiro, Manchete e Mundo Ilustrado eram para todo o Brasil.


Muito emocionada, ao posar segurando o conservado exemplar da Revista do Interior, onde aparece na capa, Vitória Fausta me disse:
“Daslan, tanto tempo já se passou. O que há de mim nesta velha foto?”
Respondi:
“Tanta coisa... Tanta história de vida... O tempo deixa suas marcas no corpo físico de todo ser humano, mas em compensação aprimora o que há de mais importante: nossa essência.”

Vitória , o esposo Luiz Carlos e os filhos Erika (de branco), David, Flávia (de preto) e Andréa (de lilás).  Fototela de Gilmar Maccagnan.
                 
          No sábado passado, 19 de setembro, fui apresentado à Vitória Fausta de Queiroz Nóbrega (o Nóbrega por conta do casamento), no Recife. Ela mora numa residência belíssima no bairro do Hipódromo. É casada com o médico pediatra Luiz Carlos Pires da Nóbrega, natural de Caicó, Rio Grande do Norte. Vitória conheceu seu grande amor quando ele era ainda estudante de medicina e vinha jogar voleibol em Timbaúba. Dentro do clima romântico que reinava nos anos 60, Vitória Fausta desistiu de cursar Arquitetura para dedicar-se inteiramente ao lar. Seu casamento, realizado na capelinha da Jaqueira, foi um grande acontecimento social no Recife. A sólida e feliz união com Luiz Carlos gerou os seguintes frutos: Erika (advogada), David (radiologista), Flavia (pediatra intensivista) e Andréa (pediatra).


Poetisa e artista plástica de muito talento, Vitória Fausta não se considera uma mulher vaidosa, mas adora se apresentar bem. Na foto, ao lado de várias telas de sua autoria. (Foto: DML/Passarela Cultural)

          Nascida em um 14 de outubro, Vitória Fausta, Miss Congresso 1960, é uma pessoa muito espiritualizada. Acredita em vidas passadas e aposta na educação e no amor como as maiores armas para a construção de um mundo melhor.

Comida: Gosto do trivial, mas não desprezo lagostas
Bebida: Vinho
Sobremesa: Quindim
Fruta: Graviola
Filme: Zorba, o Grego. Um filme que transmite muitas lições de vida.
Atores e atrizes internacionais: James Dean, Robert Redford, Marilyn Monroe e Ingrid Bergman
Atores e atrizes nacionais: Procópio Ferreira, Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres
Uma Miss Pernambuco: Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957
Uma Miss Brasil: A baiana Marta Rocha, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954
Uma Miss Universo: A baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil e Miss Universo 1968
Uma mulher bonita: Demi Moore
Um homem bonito: Montgomery Clift


Vitória Fausta e os netos Ana Sofia e Eduardo Henrique. (Foto: DML/Passarela Cultural)

Programa de TV: Os de notícias
Escritor preferido: Bernard Shaw
Cidade dos seus sonhos: Paris
Virtude: Paciência
Defeito: Exigir que as pessoas ajam sempre com o coração
Um motivo de orgulho: Os catorze anos de estudos realizados em Timbaúba, na Escola Santa Maria, educandário dirigido pelas freiras alemãs da Congregação Franciscana de Maristella
Cor: Grenat
Dia ou noite: Dia
Frevo ou samba: Frevo
Viver é... Respirar arte
Morrer é... Mergulhar em outra dimensão em estado de graça
Um ponto turístico de Pernambuco: Oficina Brennand
Uma estação do ano: Verão
Santo de devoção: São Francisco de Assis
Animal de estimação: Cachorros. Já tive dezesseis e atualmente tenho nove
O que mais admira em um ser humano: O caráter
O que não suporta em um ser humano: A ingratidão
As palavras mais belas da língua portuguesa: Amor e saudade
A última vez que chorou: Eu me emociono muito. Sou uma chorona. Choro com facilidade.
Clube de futebol: Minhas irmãs torcem pelo Sport Clube do Recife e meu esposo e filhos pelo Clube Náutico Capibaribe. Para evitar confrontos, digo que sou Santa Cruz Futebol Clube, mas meu coração é do Náutico


As irmãs Queiroz Moura: Alba Glória, Vitória Fausta e Rosalinda, legítimas representantes da fina flor da sociedade pernambucana dos anos 60. (Foto: DML/Passarela Cultural)

          Depois do Miss Congresso 1960, o pai de Vitória Fausta não admitiu por hipótese alguma que ela participasse de nenhum outro concurso. “Foi uma pena. Vitória Fausta poderia ter sido Miss Pernambuco”, dizem alguns dos seus conterrâneos-contemporâneos.

          Timbaúba não tem um histórico de fortes candidatas ao título de Miss Pernambuco e poucas foram as vezes que o município marcou presença no concurso estadual. A candidata que mais se aproximou do título de Miss Pernambuco foi a loura Mégene Eliane Nunes de Freitas, terceira colocada no Miss Pernambuco 1973. Mégene perdeu para Enilda de Sá Barreto (Miss Associção Universitária para o Trabalho, primeira colocada) e para Cleusa Adelaide Durant (Miss Sport Clube do Recife, vice-Miss Pernambuco e Miss Objetiva de Pernambuco 1973).

          Um título de Miss é para toda vida, já disse alguém. Com tal afirmação, concordam os timbaubenses contemporâneos de Vitória Fausta, Miss Congresso 1960. Um título de Miss é para toda vida, dirão todos os timbaubense da nova geração quando lerem esta história.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Ângela Catramby, Senhorita Rio 1968

Por Daslan Melo Lima  


      Quarenta lindas jovens cariocas, todas na faixa etária média de 16 anos, enfrentaram a passarela da casa de espetáculos Canecão, naquele novembro de 1968, em busca do cobiçadíssimo título de Senhorita Rio, concurso de beleza que tinha sido criado há poucos anos e era muito prestigiado pela alta sociedade do Rio de Janeiro.
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      A revista Manchete, de 30/11/1968, trouxe na capa a beleza da morena Ângela Catramby, a grande vitoriosa do Senhorita Rio 1968. “Uma Festa para Ângela” era o título da reportagem, com texto de Carlos Marques e fotos de Dick Welton.
      Ângela concorreu com outras quarenta candidatas, impondo, finalmente, a graça dos seus 16 anos e um certo ar de Claudia Cardinale para terminar a noite com o troféu de Senhorita Rio 1968. O prêmio era um sonho para ela – ida e volta a Tóquio, mais um cheque de 5 mil cruzeiros novos. O pai da vencedora, torcedor fanático do Fluminense, opunha-se à sua presença no concurso. Mas, graças a Ângela, o clube, que andou mal no futebol, acabou ganhando um importante título este ano.



- Ninguém pode entender como se sente, a esta altura, uma menina como eu, que até hoje só entrou numa boate uma vez na vida – diz Ângela Catramby, a Senhorita Rio. As pessoas querem saber quem eu sou, o que faço e o que penso. Tudo isso é maravilhoso, e até confesso que intimamente fiz muita torcida para ser vitoriosa. Eu só não sabia o que era tornar-me, de repente, um fator de atração. Fico com pena quando imagino que daqui a um ano passarei a faixa para outra garota.

Ângela nasceu e cresceu em Copacabana, faz o curso clássico no Colégio Andrews e afirma que só três grandes homens conseguiram se tornar ídolos em sua vida: John Kennedy, Walt Disney e seu avô. Em matéria de atrizes, acha que não há nenhuma como Anouk Aimée. Com o titulo de Senhorita Rio, ela está certa de que poderá começar a carreira dos seus sonhos – ser manequim. Por isso, embora tenha namorado, também afirma que casamento é assunto para ser discutido dentro de cinco anos, no mínimo. O importante é aproveitar bem a viagem a Tóquio, incluindo, na volta, uma visita aos Estados Unidos para conhecer melhor a Disneylândia que um dos seus ídolos imaginou e construiu.



A festa de eleição da Senhorita Rio 1968 começou às nove da noite e só terminou às seis da madrugada seguinte. Desde o início Ângela despontou como séria candidata, de vestido vermelho, mostrando uma desenvoltura que jamais faria crer nos seus 16 anos de idade. O júri foi presidido pelo secretário de Turismo da Guanabara, Deputado Levi Neves, incluindo os jornalistas Justino Martins, Carlos Meneses, e Zózimo Barroso do Amaral, Ioná Magalhães, a Sra. Maria Augusta, da Socila, e a Sra. Marlene Paiva, veterana concorrente dos desfiles de fantasia.
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No comercial do sabonete Lux, "o preferido por 9 entre 10 estrelas do cinema", a foto menor era a da famosa atriz Rachel Welch, um dos maiores símbolos sexuais do cinema, enquanto na foto maior, Ângela Catramby, com seu sorriso encantador, irradiava carisma, beleza, classe e categoria.
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Ângela Catramby foi apresentada à revista Claudia pelo fotógrafo Michel Giquel e aí teve início sua carreira de modelo fotográfico, posando para inúmeros editais de moda e estampando mais de trinta capas, fazendo com que muita gente chamasse Ângela de Claudia. O fotógrafo José Antonio chegou a afirmar que bastava colocar o lindo rosto sorridente de Ângela na capa para que a revista dobrasse a venda.
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Ângela Catramby em novembro de 1973, na edição da Claudia dedicada ao Estado da Bahia.
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Ângela Catramby em 1979, na capa da revista Claudia, onze anos após ter conquistado o título de Senhorita Rio 1968.
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Ângela Catramby focalizada na edição especial dos trinta anos da revista Claudia, novembro de 1991.
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Ângela Catramby, na fila do meio, a segunda da esquerda para a direita, linda e suave desde os primeiros anos escolares. ***** Foto: Acervo/Ângela Catramby.
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          Seu primeiro casamento foi com Guido Maciel, dono de um dos mais ricos cartórios do Rio de Janeiro, o segundo com o renomado médico Dr. Álvaro Pinheiro Guimarães Neto
         Em 2001, com a filha Shalimar Catramby, que cresceu no meio dos flashes do mundo fotográfico e que por muitas vezes também foi fotografada, embora sua paixão maior sempre foi por fotografar, Ângela Catramby criou um estúdio fotográfico, o Portrait de Catramby
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      Na passarela do Senhorita Rio 1968, uma das concorrentes de Ângela Catramby foi Maria Helena Leal Lopes, a representante do Telefônica Atlético Clube, vice-Miss Guanabara 1970. Ângela Catramby e Maria Helena Leal Lopes são provas de que o ano de 1968 foi generoso na revelação de ícones da beleza brasileira. Basta lembrar que foi naquele 1968 que Martha Vasconcellos, Miss Bahia e Miss Brasil, foi eleita Miss Universo, enquanto Maria da Glória Carvalho, Miss Guanabara, terceira colocada no Miss Brasil, foi eleita Miss Beleza Internacional.

      Em 1970, dois anos após ter sido eleita Senhorita Rio, Ângela Catramby, já de maior idade, mais bela e mais experiente, teria sido uma excelente candidata ao título de Miss Guanabara, caso tivesse isso como meta de vida. Se tivesse disputado o Miss Guanabara de 1970, ou de outro ano depois, independente do resultado, estaria hoje na minha lista de Misses inesquecíveis. No entanto, Ângela Catramby continua, e  continuará, na minha lista das mulheres mais belas de todos os tempos.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - ÂNGELA AGRA GALVÃO, O PERFIL DE CONSUMIDOR DA MISS PERNAMBUCO 1978

Daslan Melo Lima

      O ano era 1978, quando Ângela Agra Galvão, Miss Clube Português do Recife, foi eleita Miss Pernambuco e quinta colocada no Miss Brasil. Ângela Agra Galvão marcou época como uma das mais belas misses pernambucanas de todos os tempos.


Ângela Agra Galvão, Miss Clube Português do Recife, na noite em que foi eleita Miss Pernambuco 1978. O senhor que aparece ao fundo é o sempre lembrado Paulo Max, que apresentou o desfile e por muitos anos foi o apresentador do concurso Miss Brasil. A imagem, publicada no Diario de Pernambuco, faz parte do meu acervo e está autografada por Ângela.
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Lista das candidatas ao Miss PE 1978.
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As 10 semifinalistas do Miss Pernambuco 1978.  (Foto-reprodução do Diario de Pernambuco, Acervo DML) 
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Vestindo maiô Catalina, as cinco finalistas do Miss PE 1978, aguardando o resultado final. À direita, Zilene de Sá Torres, Miss Goiana, Miss Pernambuco 1977. (Foto: reprodução do Diario de Pernambuco, acervo DML). 
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O Top 5 do Miss PE 1978, aguardando o apresentador Paulo Max anunciar o resultado final. Da esquerda para a direita: Josetilde Herminio Muniz, Miss Santa Cruz do Capibaribe, quarto lugar; Margaret Barros da Silveira, Miss Clube Internacional do Recife, segunda colocada; Valdelice Gomes de Araújo, Miss Arcoverde, quinto lugar; Ângela Agra Galvão, Miss Clube Português do Recife, primeira colocada; e Amarília Cristina Sobreira Wogeley, Miss Santa Cruz Futebol Clube, terceiro lugar.  ***** Foto Acervo/Ângela Agra, blog do Fernando Machado.
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Ângela Agra Galvão, Miss PE 1978,  coroada por sua antecessora Zilene de Sá Torres, Miss PE 1977.  ***** Fotos: reprodução do Diario de Pernambuco. 

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      No Jornal do Commércio, Recife, de 11/05/1992, o jornalista Fernando Machado focalizou Ângela Agra Galvão na coluna Perfil do Consumidor, que ora resgato para o mundo virtual como um precioso documento da vida de um ícone da beleza pernambucana.

PERFIL DO CONSUMIDOR - ÂNGELA AGRA GALVÃO

Foi atleta por vocação, Miss por teimosia e manequim por acaso. Estamos-nos referindo à bonita recifense Ângela Agra Galvão, a Miss Pernambuco de maior estatura em todos os tempos e quinta colocada no Miss Brasil, em 1978. Criada nas quadras do Clube Português, jamais passou pela sua cabeça que um dia iria trocá-las por uma passarela: “Não fosse querer chamar atenção para um ex-namorado e o desafio feito com o meu irmão, Eduardo Agra.”

Ângela Agra é uma mulher inteligente e acima de tudo decidida. Começou estudar Arquitetura, por influência da família, e ao notar que não era aquilo que queria, foi estudar Pedagogia e depois Processamento de Dados. Na época do concurso foi considerada a antimiss, por não seguir a receita tradicional de acordar e passar todo o dia maquilada. “Não nasci para calçar sapatos de saltos altos e sim o tênis”, confessa Ângela Agra.

Ângela, que foi Rainha dos Jogos Estudantis Brasileiros, em 1974, em São Paulo, praticava vários esportes, como natação, balé aquático e basquete, e chegou a ser convocada para a Seleção Brasileira. No seu apartamento, Ângela decora as paredes com medalhas e fotos de tempo de Miss e modelo internacional, pois foi a única pernambucana a desfilar em Paris, sem apresentação de uma agência de modelos.

Bonecas e troféus cobrem os móveis do seu quarto. Mas tudo isso são coisas do passado. Durante o ano em que morou na França, desfilou para Gucci e Cholé e, em Milão, para Saint-Laurent. Já trabalhou na Telebrás, mas teve de trocá-la pela França. Atualmente, tem uma empresa de representação e desfila somente por hobby, para a Pallon ou promoções beneficentes.

Como consumidora, faz a linha polêmica. Seu político internacional é Kennedy e, o local, Arraes. Se fosse convidada para fazer um comercial de tevê, doaria o cachê para os meninos de rua e seu sonho é desfilar numa passarela em Tóquio. Agora, vamos conferir:

A Miss que é a cara do BrasilMarta Rocha (Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954)
A Miss que é a cara de PernambucoVioleta Botelho (Miss Clube Português do Recife e terceira colocada no Miss Pernambuco 1957)
A grande dama da beleza mundialGrace Kelly
A grande dama da beleza nacionalIeda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963)
A grande dama da beleza localVera Maria Costa
Maiô ou biquíniMaiô
Uma mulher bonitaSilvia Pfeiffer
Um homem bonitoAndy Garcia
Uma mulher inteligenteCecília Meireles
Um homem inteligenteDanton
Um símbolo sexual - Mel Gibson
Posaria nua para PlayboySim
Restaurante a que gosta de irChez Bernard
Comida preferidaSaladas
Sobremesa preferidaProfiteroles
Com quem gostaria de se esbarrar no Shopping CenterAntónio Fagundes
PerfumeChloé
Sabonete - Giovanna Baby
XampuGiovanna Baby
Pasta dentalColgate
DesodoranteNão uso
CabeleireiroEdelson
Cidade dos seus sonhosParis
Cidade a que gostaria de voltarBaden-Baden, na Alemanha
Filme InesquecívelSociedade dos Poetas Mortos
Ator de cinemaRobert De Niro
Atriz de cinemaJodie Foster
Um político mundialJohn Fitzgerald Kennedy
Um político nacionalTancredo Neves
Um político localMiguel Arraes
Um mitoPablo Neruda
Uma personalidadeCarlos Drummond de Andrade
Quem levaria para uma ilha desertaTom Selleck
Quem deixaria por lá para sempreJean-Marie Le Pen
Um fotógrafoJ. R. Duran
Quem gostaria de ser pelo menos por 24 horasSempre eu
Uma jogadora de BasquetePaula
Um jogador de BasqueteMichael Jordan
Como você definiria uma concentração – Como um convento
Uma quadra onde gosta de jogarBoston Garden
Um compositorTom Jobim
Um cantorMilton Nascimento
Uma cantoraElis Regina
Quem gostaria que compusesse uma música para vocêChico Buarque
Hino musicalÁguas de Março
Um frevo gostosoVassourinhas
Um compositor de frevoCapiba
Pelé ou GarrinchaPelé
Náutico ou SportNáutico
Melhor tática para conseguir alguma coisa de alguémDiplomacia e paciência
Quem gostaria que escrevesse sua biografia – Paulo Coelho
Livro de cabeceiraA Bíblia
EscritorJorge Amado
Revista que gosta de lerInterview, Le Point e Veja
Gostaria de ser capa de qual revistaElle, mas a francesa
A página que mais gosta de ler num jornalEconomia
E a que detestaPolicial
Melhor companhia para a solidãoUm bom livro
O que não pode faltar na sua geladeiraLeite e mel
Um médicoAdib Jatene
Um dentistaOlga Laranjeiras
Marilyn Monroe ou Greta GarboMarilyn Monroe
O que você gostaria de ver escrito no seu túmuloObrigada meu Deus, por me ter dado a oportunidade de viver
Vassourinhas ou LenhadoresVassourinhas
O que faz quando leva uma cortada no trânsitoXingo
As palavras mais bonitas da Língua PortuguesaFelicidade e saudade
E as mais feiasMiséria, ódio e vício
Santo protetorNossa Senhora do Perpétuo Socorro
Boa Viagem ou OlindaOlinda, Cidade Alta
Bebida - Vinho
Mal do séculoAids e as armas nucleares
Bem do séculoA derrubada do muro de Berlim
Uma passarela que gosta de pisarUma passarela em Tóquio
Endereço favorito para comprasMilão, na Itália, quando possível
Gostaria de fazer um comercial para que empresaRhodia ou Nestlé
E para quem doaria este cachêPara os meninos de rua
EstilistaAzzedine Alaia
Gostaria de desfilar para que estilista internacionalYohji Yamamoto, Jean Paul Gaultier e Ferré
Pensamento“As perseguições não atingem a alma quando são injustas, Sócrates bebeu veneno com um sorriso e Paulo recebeu o apedrejamento na alegria. É somente nossa consciência, quando culpada, que causa nossa infelicidade” (Gibran Khalil Gibran)


Ângela Agra Galvão na comissão julgadora do "Beleza Pernambuco 2004." (Foto: Fernando Bandeira Diniz)
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      O recorde de ser a Miss Pernambuco de maior estatura de todos os tempos já não é mais de Ângela Agra Galvão, que media 1m82cm de altura. Pertence a Wilma Gomes, 1m84cm, Miss Faculdade Maurício de Nassau, Miss Pernambuco, Miss Simpatia Brasil e quarta colocada no Miss Brasil 2007.

      Ângela Agra Galvão continua merecendo todo o respeito e carinho dos pernambucanos. De vez em quando, ela é notícia nas colunas sociais. Aonde chega, chama atenção e as pessoas começam a fazer observações entre si e a tecer comentários desse tipo: “Ela continua linda e tinha tudo para ser a Miss Brasil 1978.”

      Em 2004, no Teatro Barreto Junior, Recife, quando da realização do concurso Beleza Pernambuco, promovido por Fernando Bandeira Diniz, fiz parte da comissão julgadora sentado ao lado de Ângela Agra Galvão. Ela estava belíssima, elegante, tranqüila, praticamente sem maquiagem alguma, porte de princesa, lembrando a inesquecível Grace Kelly.

      Até hoje penso que vivi um sonho. Em 1978, eu estava nas arquibancadas do Geraldão, torcendo por Ângela Agra Galvão. Só voltei a vê-la pessoalmente em 2004, sem a distância das arquibancadas, pois a deusa ali estava, a poucos centímetros dos meus olhos, dos meus sentimentos e dos meus sonhos mais sonhados.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria de Fátima Monteiro, aquela que poderia ter sido Miss Guanabara 1967

Por Daslan Melo Lima

      Era abril de 1967. Os diretores dos clubes cariocas já estavam ansiosos para apresentarem à imprensa suas candidatas ao título de Miss Guanabara. Ao mesmo tempo, muitas jovens bonitas começavam a circular mais, a fim de serem notadas e convidadas para desfilarem no Maracanãzinho em busca do título que um ano antes tinha sido conquistado por Ana Cristina Ridzi. Foi nesse clima que a revista MANCHETE publicou uma foto de Maria de Fátima Monteiro.



        No dia 06/05/1967, a mesma revista circulou em todo o Brasil com Maria de Fátima na capa e uma foto sua em página dupla, imagens de Paulo Scheunstuhl. O texto da reportagem dizia:

MARIA DE FÁTIMA, UM MODELO DE MULHER

Maria de Fátima Monteiro. Morena. Olhos verdes. Vinte anos. Adora os Beatles. Minisaia, sim. Casamento, ainda não. Há muitos dias, o telefone de sua casa não para de tocar. Produtores de televisão, diretores de cinema, agências de publicidade e revistas estrangeiras estão mais do que interessadas nela. Tudo isso começou, abrindo um sonho novo para Maria de Fátima, depois que MANCHETE publicou sua foto de biquíni, lançando uma jovem até então desconhecida como candidata a candidata ao concurso de Miss Guanabara. Ela atende e responde amavelmente a todos os telefonemas: uns querem fotografá-la para uma reportagem; outros tentam provar que nada melhor existe no mundo do que ser modelo famoso.



Cercada de convites por todos os lados, Maria de Fátima não perde a calma (sua beleza é firme, tranqüila, consciente, simples). A única coisa que a fascina é o cursinho de Medicina, onde perde (“ganho!”) oito horas de estudos diários. E um sonho secundário: pilotar carros de corrida. Maria de Fátima admite que, no máximo, poderá aceitar uma proposta para ser manequim. Não tem opinião formada sobre a guerra do Vietnã, nem sobre política, mas confessa, baixinho: “Sou fã de Carlos Lacerda...” Lamenta, finalmente, sua retirada voluntária do concurso Miss Guanabara, mas acha que, mesmo assim, os dias de candidata a candidata já deram trabalho e alegria enormes.

          Para decepção de milhares de pessoas que adorariam vê-la na passarela, Maria de Fátima desistiu de disputar o Miss Guanabara. Para satisfação de muitas garotas, que viam nela a mais forte concorrente, Maria de Fátima preferiu aparecer na mídia como modelo fotográfico.



          Em 03/06/1967, Manchete voltou a circular com duas páginas coloridas mostrando Maria de Fátima vestindo roupas criadas por Maurício Zacarias, no estilo militar, inspiradas em Mao Tsé-Tung. Era a última tendência da moda na Europa. Com fotos de Paulo Scheunstuhl, a matéria elogiava Maria de Fátima “...agressivamente bela, ferozmente elegante... rosto desafiador, assustadoramente bela...” e afirmava:



Alguns a consideram a mulher mais bonita deste país – uma espécie de Miss Brasil sem necessidade de subir à passarela para se submeter ao julgamento popular. Mas Maria de Fátima prefere ser apenas Maria de Fátima, professora numa escola do Leblon e manequim nas horas vagas. Tendo da vida uma só queixa: contra os homens que fazem as leis, os quais não deixam a mulher seguir a carreira militar. Que belo soldadinho ela seria! “Seria, não: é”, afirmou categoricamente Maurício Zacarias. E para comprovar o que dizia, adotou o estilo militarista, que permite agora a Fátima realizar elegantemente o seu sonho. Outros modelos estão à disposição de outras tantas jovens moderninhas.

          Maria de Fátima serviu de inspiração para o artista gráfico José Luiz Benicio da Fonseca criar o rosto de Brigitte Montfort, personagem das dezenas de livros de Lou Carrigan (Coleção ZZ7, Editora Monterrey, Rio de Janeiro). Abaixo, capas de dois livros pertencentes ao colecionador Jonas Eduardo, editor do blog www.avenidacopacabana.blogspot.com.



          A personagem Brigitte Montfort, a "Baby", era mestre dos disfarces, inteligentíssima, poliglota, corajosa, milionária, bela e poderosa espiã Número Um da CIA.



          O programa dominical Fantástico, da TV Globo, na noite do domingo de 16/04/1978, exibiu a reportagem A Lista das Mulheres Mais Bonitas de 1978, com base na opinião de personalidades famosas como Ivo Pitanguy, Jambert, Clodovil, Giba Um, Guilherme Guimarães, José Tavares de Miranda e Hildegard Angel. Na referida matéria, entre os nomes citados como das mulheres mais bonitas estavam o de uma única Miss: Marta Rocha (Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954) e o de Maria de Fátima Monteiro, aliás, Maria de Fátima Priolli. O sobrenome Priolli era por conta do seu casamento com Mário Priolli, dono da casa de espetáculos CanecãoJustino Martins, jornalista, justificou sua decisão por Maria de Fátima: “...ela é alegre, inteligente e com um sorriso capaz de iluminar até o Canecão.”

          Se Maria de Fátima Monteiro tivesse disputado o Miss Guanabara 1967, independente do resultado, estaria hoje na minha lista de Misses inesquecíveis. No entanto, ela continua - e continuará - na minha lista das mulheres mais belas de todos os tempos.

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