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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 633, referente ao período de 20 a 26 de agosto de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 24 de maio de 2014

EMBARCANDO NUMA VELHA LIÇÃO

VELHA LIÇÃO - Nem sempre o crepúsculo vespertino  é colorido, o cinza também faz parte do céu e da terra. A tarde pernambucana de Timbaúba na penúltima quarta-feira de maio andou semeando melancolia.
Cliquei a foto para documentar o cenário e terminei recapitulando com o vento uma velha lição que a vida me ensinou: o Sol não morre, ele some da nossa vista e vai iluminar outro chão. 

EMBARQUE – Embarco num trem imaginário que corre como o pensamento e desembarco na minha terra natal. Viajo de pés descalços, de calças curtas e alma leve. Embarco num trem imaginário que corre como o pensamento e desembarco nas margens alagoanas do Rio Canhoto, leve como um garoto. 
São José da Laje, onde moram minhas saudades mais caras, pensar em ti é tomar um banho de emoções inacabadas
- Daslan Melo Lima

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REFLEXÃO


"A beleza agrada aos olhos, a doçura encanta a alma."
- François Marie Arouet, o Voltaire (1694-1778), filósofo e escritor francês.


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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Higor Romário e Hércules - Prof. José Mendes, 40 anos sem o mito

UM FATO EM FOCO


Higor Romário e Hércules Jr são dois adolescentes timbaubenses que fazem parte da Sub-15, divisão de bases do Sport Club do Recife. Ambos já foram focalizados na revista TIMBAÚBA EM FOCO, mas  aqui estão, pela primeira fez, em PASSARELA CULTURAL, mostrando suas caras e falando dos seus sonhos, de Timbaúba para o mundo. 

      Higor Romário Correia Leite, 14 anos a completar no dia 13 de julho, é filho de Jorge José Ferreira Leite e Christiane Alves Correia Leite. Higor participou este ano do Efipan, Encontro de Futebol Infantil Pan-americano, competição internacional de futebol infantil disputada anualmente na cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul.
        A paixão de Higor pelo futebol começou aos cinco anos de idade, o que deixou seu pai muito feliz, pois o Romário do seu nome foi uma homenagem de Jorge José ao famoso jogador brasileiro. Disciplinado, Higor sempre conciliou os jogos com os estudos. Frequentou o Colégio Timbaubense até a sétima série e sua vida escolar está  tendo continuidade em Paulista, cidade onde está localizada o centro de treinamento rubro-negro.  Até o momento, entre amistosos e torneios, ele fez 38 gols nos 31 jogos em que atuou como atacante.
       Embora o seu rosto bonito já tenha ilustrado algumas campanhas publicitárias de uma loja da região,  confessa  que não tem interesse de investir na carreira de modelo. “Meu foco é o futebol e me vejo mais adiante cursando uma faculdade de educação física”, confessa.  Apesar dos treinos e de sua obstinação em ser um craque reconhecido nacionalmente,  Higor  não sente que está perdendo de viver sua infância e adolescência. "Faço o que gosto e no Sport temos acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais que nos proporcionam controle emocional.” Se depender de sua obstinação e talento, Higor estará daqui a um tempo sendo focalizado nesta página como um novo Neymar ou um Cristiano Ronaldo, ídolos em que se espelha. O destino dirá.
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      Hércules Cavalcanti Lima Jr, 15 anos a completar no dia 29 de julho, é filho de Hércules Cavalcanti Lima e Fabíola Barros de França. Meu filho já nasceu praticamente jogando futebol”, diz Fabíola, acrescentando que o garoto aos dois anos de idade não queria outro brinquedo a não ser uma bola.  O pai de Hércules, conhecido como  Biliu, marcou época nos anos 90 na condição de volante do Santa Cruz, depois  do Náutico e Coritiba.

      No seu ainda pequeno currículo, Hércules tem dois títulos importantes: o de revelação infantil de 2012 e o de melhor jogador de 2013, ambos conquistados na Copa dos Bairros de Timbaúba. A disciplina que norteia sua vida de adolescente não é fácil, mas ele adora. Mora no Recife, na concentração do rubro-negro, cursa pela manhã a oitava série no Colégio Poeta Manoel Bandeira e treina todas as tardes. “Sinto muitas saudades da minha família, mas me conformo porque todos os finais de semana venho a Timbaúba, enquanto há colegas que moram muito longe e só têm contato com os parentes uma vez por ano”, afirma.
      Hércules está determinado a ir além do que foi Biliu. “Lá na frente, quero conciliar o   futebol com uma faculdade de administração de empresas. Vivo atento aos conselhos de minha mãe e, principalmente,  do meu avô Fernando José Travassos de França, o popular Fernando Cabeludo. Quero retribuir a eles toda dedicação e carinho, esforçando-me para ser um profissional bem sucedido”, confessa emocionado. Se depender de sua obstinação e talento, Hércules em breve  voltará a ser notícia nesta página na condição de um novo Paolo Guerreiro ou Mário Balotelli, ídolos que admira. O tempo dirá.

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE


Professor José Mendes da Silva, 40 anos sem o mito - Homens como José Mendes da Silva só aparecem uma vez em cada século. E sua memória será sempre lembrada com  carinho, respeito e admiração por todos aqueles que o conheceram ou que com ele estudaram.

1905 – Nasce em Timbaúba, no dia 1º/12,  filho de Silvano Mendes da Silva e Julia Gomes da Silva.
1920 – Diploma-se em Datilografia no Colégio Americano Batista, Recife.
1921 – Torna-se professor de Datilografia e se forma em Taquigrafia.
1922 – Conclui o bacharelado de Ciências Comerciais
1923 – Começa a ensinar Português e Matemática no Curso Comercial do Americano Batista.
1924 – Volta para Timbaúba atendendo chamado do pai para trabalhar em sua loja. Começa a lecionar Português, Matemática, Contabilidade e Datilografia.
1934 – Funda o Externato Timbaubense, que de inicio tinha apenas 19 alunos de primário e admissão.
1935 – Anexa ao educandário um curso prático de comércio, com a  finalidade de preparar candidatos para concursos. Sozinho, ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Matemática, Contabilidade e Direito Comercial. Todos os compêndios eram de sua autoria.
1950 – Submete-se a concurso para atender as mudanças de estrutura do ensino e recebe do Ministério de Educação e Saúde o seu registro definitivo de Português.
1955 – Amplia o ambiente físico da escola e o externato passa a oferecer o curso ginasial. Seus ex-alunos lhe prestam uma grande homenagem e ele recebe uma medalha de Honra ao Mérito.
1967 – A Portaria Ministerial nº 439 reconhece e autoriza definitivamente o funcionamento do Colégio Comercial Timbaubense.
1970 – Celebra 50 anos dedicados à educação e recebe das mãos de Nilo Coelho, Governador de Pernambuco, a Comenda de Honra ao Mérito.
1974 – Morre em Timbaúba, no dia 04 de abril. 

A morte o tirou do convívio físico dos timbaubenses, toda a cidade chorou pelo grande homem que ele foi, pela grande obra que realizou ao longo de sua vida e que jamais morrerá. Seu nome será para Timbaúba, um Mito! 

------Fonte: Revista Especial do Centenário de Timbaúba

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SESSÃO NOSTALGIA – As surpreendentes revelações de Eliane Fialho Thompson, Miss Brasil 1970, durante entrevista a Marcos Hirakawa

Daslan Melo Lima


A beleza de Eliane Fialho Thompson, quarenta e quatro anos depois de ter sido eleita Miss Brasil. ***** Foto: Arquivo Pessoal.

     O Facebook tem sido um espaço virtual fantástico para os fãs dos concursos de Misses. Opiniões, recordações e colaborações postadas nas páginas dos internautas fazem com que os experts interajam não apenas entre si, mas com vencedoras de concursos do passado e do presente. O meu amigo Marcos Hirakawa, de São Paulo, SP, entrevistou na segunda-feira, 19, Eliane Fiallho  Thompson, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1970. 

  
Marcos conduz suas entrevistas fazendo as perguntas em três idiomas, português, inglês e espanhol, a fim de facilitar a comunicação com personalidades que não se expressam em nossa língua. A matéria com a Eliane Fialho Thompson foi uma das melhores já feitas. Agradeço ao Marcos Hirakawa  por ter me dado a devida permissão para reproduzir a entrevista nesta secção. Vale a pena conferir.
>>> Marcos Hirakawa. ***** Foto Arquivo Pessoal.
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Marcos Hirakawa - Em que cidade, estado e país você nasceu e onde vive atualmente?
Eliane Fialho Thompson - Nasci numa cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, chamada Piraí. Atualmente moro em Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro.
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MH - Trabalha?
EFT -  Sou formada em Jornalismo e tenho vários livros a serem publicados, porém, ainda nas gavetas. Sou artista plástica com exposições no Brasil e no exterior. Sou empresária no setor de fabricação de produtos ecológicos para limpeza industrial (14 anos).
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MH - Pode nos contar um pouco de sua vida antes de ser eleita a Miss Guanabara 1970?
EFT - Em 1968, eu morava em Barra Mansa, uma cidade ao sul do Estado do Rio. Apareceu na minha casa uma comitiva da organização do concurso para que eu me candidatasse. A insistência foi grande, mas não aceitei porque tinha acabado de entrar para a Universidade de Engenharia. A pressão foi ficando cada vez maior até que não resisti e acabei aceitando no ano seguinte.
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MH  - Onde e quando foi realizado o Miss Brasil 1970? Pode nos contar alguma coisa interessante sobre os bastidores do concurso?
EFT  - O Maracanãzinho havia se incendiado e o concurso foi realizado no Pavilhão de São Cristóvão, mas o concurso não perdeu o seu brilho e o seu glamour por causa disso. O prestígio de ser uma Miss Brasil continuava em alta. Foi no mês de julho, parece-me que sim, nos bastidores me perguntavam se eu havia bebido algum calmante, tamanha era a minha tranquilidade ao encarar todo aquele público, a mídia e a passarela pela primeira vez.
>>> Eliane, Miss Guanabara, coroada Miss Brasil 1970 por Vera Fischer, Miss Santa Catarina, Miss Brasil 1969. ***** Foto:  Manchete.

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MH - A Maria Augusta atuou no Miss Brasil de 1970? Quais foram os apresentadores do Miss Brasil 1970? Foi vaiada ou muito aplaudida pelo público ao vencer o Miss Brasil 1970?
EFT - A Maria Augusta era quem instruía as misses através da Socila. Eu não me lembro de ter sido vaiada, talvez porque os jornais e revistas já me indicavam como favorita ao título. Na época, o olho clínico dos jornalistas e fotógrafos contavam muito para a análise dos jurados.
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MH - Foi recebida pelo governador da Guanabara e pelo presidente do Brasil?
EFT - Fui muito bem recebida pelo governador Negrão de Lima. O Presidente era o General Garrastazu Médici. Não fui recebida por ele por motivos que falarei adiante.
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MH - Pode nos contar como foi a sessão fotográfica na editora Bloch que editava as revistas Manchete e Fatos e Fotos onde posou de coroa e faixa ao lado da Miss Brasil 1969, Vera Fischer? O que acha da beleza da Vera Fischer? Gosta dela como atriz?
EFT -  Logo após o desfile como ganhadora, aconteceu uma avalanche de fotógrafos e flashes. Tudo muito inusitado para mim. A revista Manchete colocou uma foto em close-up na capa e no dia seguinte foi um choque ao ver grandes posters com meu rosto (sem maquiagem alguma). Lembro-me vagamente desses momentos porque somos muito solicitadas pelos jornalistas e fotógrafos. Eu a vi no ônibus que retornava com as misses. Fiquei meio decepcionada porque me dirigi a ela dizendo: "Nossa! Como você é linda!" Ela simplesmente virou o rosto. Hoje entendo o seu momento de mau humor. Eu não segui a carreira dela porque fui morar na França. Logo que retornei eu a vi atuando nas novelas. Lindíssima! Porém, eu não conseguia vê-la sob as personagens que representava. Com o tempo, acho que sua atuação piorou, também hoje sei o porquê. Pena.
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MH - Por qual companhia aérea você voou para Miami nos EUA?  Tem alguma coisa interessante para contar sobre o voo?
EFT - Tenho o nome da Cia Aérea numas fotos que não estão aqui no momento. Viajei com minha mãe, Sra. Terezinha (Maiôs Catalina) e seu marido Renato - um casal mega delicado, só guardo excelentes recordações deles!
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MH - Logo que pisou no hotel e viu as candidatas internacionais, a Miss USA, Deborah Shelton lhe chamou a atenção? Ela era a sua favorita ao título de Miss Universo 1970 ou tinha outras em mente?
EFT - Um detalhe muito importante: o atraso de minha ida me prejudicou muitíssimo. Não participei da foto oficial do poster com todas as candidatas ao Miss Universo e não participei do encontro oficial que todas as Misses têm com os jurados, um passo a mais para o self-marketing. Não tive tempo de experimentar todos os acessórios que usaria no desfile. Certos detalhes muito importantes que exponho aqui pela primeira vez. As que mais me impressionaram pela beleza foram a Debbie Shelton (ameríndia) e a Miss Suécia. Hoje vejo que a sueca tinha uma beleza bem americanizada, mais comum nos Estados Unidos. Debbie, além de belíssima, era extremamente amável, ficamos amigas.
>>> Imagem: foto da capa da revista Manchete. Em pé, da esquerda para a direita, Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara e Miss Brasil 1966), Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968); Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963) e Eliane Fialho Thompson (Miss Guanabara e Miss Brasil 1970). Sentada, Eliane Guimarães, Miss Minas Gerais, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1971).
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MH - Até os fotógrafos e editores das revistas  gostaram da Debbie Shelton chegando a colocar a Miss USA 1970 ao seu lado na capa da revista Fatos e Fotos, certo? Sabia que você , Eliane Fialho Thompson e a Miss USA, Deborah Shelton, tinham um mesmo biótipo de beleza: ambas com cabelos longos e lisos, uma loura e outra morena, certo?
EFT - Eu achava que ela seria a Miss U. Acho que fomos muito fotografadas juntas porque ficamos amigas logo que nos conhecemos.


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MH - Quais eram as suas favoritas ao top 15 de semifinalistas? Deu para perceber quais candidatas eram as favoritas dos jornalistas e fotógrafos?
EFT -  Muitas delas, porém vou confessar-lhe que a Miss Porto Rico foi uma surpresa para todos e a Miss Japão em 5º lugar também foi uma decepção para os brasileiros, mas  o juri é formado por culturas ecléticas, normalmente as escolhas trazem sempre surpresas. Com exceção das candidatas da Venezuela que se dedicam ao Concurso desde que nascem. (Risos).
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MH -  As chaperonas pegavam pesado com as candidatas no MU 1970? Qual a impressão que teve do apresentador Bob Barker nos ensaios? Lembra de algum dos jurados?
EFT - A minha "chaperonne" era a Ana Maria Cumba. Nunca vi pessoa mais doce e educada. Tornamo-nos muito amigas também. Pensando bem, acho que o apresentador Bob me prejudicou um pouco na entrevista, sem má intenção. Chamou-me e me ditou o que deveria ser dito sobre os meus irmãos. A minha entrevista ficou bem enfraquecida com o que ele me orientou. Se fosse hoje, em que as perguntas e respostas são sorteadas, talvez eu não parecesse tão ridícula.
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MH - Um jurado brasileiro chamado Edilson Cid Varela dos Diários e Emissoras Associados tinha cadeira cativa no júri do MU, certo? Chegou a ter algum contato com ele após a final?
EFT - Pela primeira vez falo sobre isso, (risos). Essa entrevista está me levando ao jogo das verdades.  O Sr. Edilson Varela , dos Diários Associados, não havia ficado muito feliz com o meu título. Mais um motivo que me deixa orgulhosa por não ter havido falcatruas na minha escolha! A noiva de um dos diretores dos Diários Associados era a Miss Goiás Nara Rúbia, liiinda por sinal. O rosto lindo, mas suas medidas eram desproporcionais. Ela ficou em 3º lugar no concurso e, pour cause, foi o único Estado que não fui recebida. Acho que o jurado Edilson Varela não votou em mim no Miss Universo! Presumo. Durante o ano, como Miss Brasil, passei por algumas "saias justas" por causa disso.
>>> Na imagem, as finalistas do Miss Brasil 1970. Maria Bernadete Heemann, Miss Rio Grande do Sul, quarto lugar; Sônia Yara Guerra, Miss São Paulo, segunda colocada; Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara, primeiro lugar; e Nara Rúbia Monteiro, Miss Góias, terceira colocada.***** Foto: revista O Cruzeiro.
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MH - Lembra qual o artista que se apresentou na noite final do Miss Universo?
EFT - Infelizmente não me lembro, mas tinha una voz linda!
>>> Detalhe: O cantor era John Rowe, da Nova Zelândia. 
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MH - Tinha muitos brasileiros na plateia? A torcida brasileira era a mais barulhenta de todas?
EFT - Deu uma sensação de conforto quando os brasileiros fizeram aquela barulheira toda. Deixou-me ainda mais descontraída e relax do que normalmente sou até hoje.
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MH - O Brasil tinha vencido a Copa do Mundo de Futebol no México e você homenageou a seleção usando um traje típico em sua homenagem, certo? Você gostou deste traje típico?
EFT - Foi minha mãe quem sugeriu a camisa 10 do Pelé! Ela era uma pessoa muito antenada e à frente de seu tempo devido a sua cultura. Esse traje típico fugiu à regra de todos os anos uma Miss Brasil se apresentar sempre com o traje típico de baiana!
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MH - Se tivesse o segmento de perguntas e respostas no Miss Brasil de 1970 e eu fosse um dos jurados e lhe fizesse a seguinte pergunta: Você se sentiu um objeto sexual por ter participado do Miss Guanabara e Miss Brasil?
EFT - Não havia , em hipótese nenhuma, esse espírito de "objeto sexual" num desfile de misses porque existe um glamour que transcende ao sensualismo e ao apelo sexual. Sentir-se "usada" num concurso de beleza? Jamais!
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MH - Se eu fosse um dos jurados do Miss Universo 1970 e você fosse uma das top 5 e lhe perguntasse : Você acha que o homem ter chegado à Lua foi um grande marco da humanidade em 1969? Por quê?
EFT -  Em geral analisa-se o fato do homem ter chegado à Lua. O mais importante de tudo são as pesquisas desenvolvidas até então. Sinto-me uma privilegiada por estar envolvida nesta era da informática.
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MH - O que você achava da participação americana na Guerra do Vietnam em 1970 e da presença americana?
EFT - Estou lendo o livro "História das Guerras",  de Demetrio Magnoli. Interessante porque nos dá a visão dos recuos e avanços da humanidade com relação às conquistas. A Guerra do Vietnam foi marcada por atrocidades, mas em termos de história, o tempo ainda é curto para análises mais aprofundadas sobre esse período conturbado pelas guerras frias e o poderio político que envolvia essas dicotomias entre capitalismo e  comunismo no sudeste asiático?
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MH - Você achou justo o top 5 do MU 1970? Acha que você merecia estar no lugar de algumas das finalistas? (Miss Japão, Porto Rico, USA, Austrália e Argentina )
EFT - Como citei anteriormente, o júri é formado por pessoas com conceitos e culturas ecléticas. Fica difícil prever um julgamento num concurso de beleza. Eu estava muito feliz em estar ali representando o meu país, haja vista que acabara de sair de um banco de faculdade, lugar este conseguido com muito estudo e esforço.
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MH -  Gostou do resultado da vitória da Marisol Malaret de Porto Rico como a Miss Universo 1970? Chegou a ter algum contato com a Marisol para ter uma ideia de como é a personalidade da Miss Universo de 1970?
EFT - A eleição da Marisol foi una surpresa para a maioria. O pouco contato que tive com ela aqui na extinta FENIT, não se mostrou uma pessoa de muitos amigos. Talvez pela responsabilidade do título. Claro que ela era bela, mas uma beleza mais comum.
>>> Acima, o Top 5 do Miss Universo 1970. Da esquerda para a direita, Jun Shimada, Miss Japão, quarto lugar; Deborah Dale Shelton (Debbie Shelton), Miss Estados Unidos, segunda colocada; Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico, primeiro lugar; Joan Lydia Zealand, Miss Austrália, terceira colocada; e Beatriz Marta Gros, Miss Argentina, quinto lugar. ***** Foto: sunflowerqueen-universe.
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MH - As top 5 do Miss Universo 1970 vieram ao Brasil? Você chegou a acompanhar as visitantes em seus compromissos no Brasil?
EFT - Vieram para entrevistas na extinta TV Tupi e para os desfiles da FENIT. Recepcionei as cinco aqui no Brasil.
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MH - Quando você retornou ao Brasil, como foi recebida pela imprensa e pelo povo?
EFT - Todos uns fofos. Sabe aquela fábula da coruja com os seus filhos? Eu me senti assim por onde passava, sempre muito bem acolhida por todos. Havia um espírito solidário muito forte entre os grupos que nos recebia nas ruas, avenidas, clubes, etc. Éramos tratadas como autoridades. Os valores foram se transformando, ainda bem, pois sou sempre a favor das mutações em se tratando de conceitos.
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MH - Durante o seu reinado, viajou por todo o Brasil? Ganhou muitos presentes? Foi recebida como?
EFT - Passei por quase todos os Estados brasileiros exceto Goiás, pelos motivos expostos . Nessa época éramos recebidas como autoridades máximas da beleza. Eu não sabia mais como guardar tantas joias, presentes caros, roupas, acessórios, etc. Na maioria das vezes embarcava com uma só mala e retornava com excesso de bagagens, tantos eram os presentes. Época áurea do concurso!
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MH - Em 1970 todas as candidatas do Miss Universo foram ao Japão para a EXPO 70 em Osaka, certo? Pode nos contar como foi a viagem e o que achou do Japão?
EFT - Eu fui muito boicotada pelos Diários Associados pelas razões que já expus nas respostas anteriores. Nem fiquei sabendo desse evento. Uma pena!
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MH -  O que fez depois de terminado o seu reinado como a Miss Brasil 1970?
EFT - Logo após o concurso eu fui morar em Paris, onde permaneci por quase seis anos.
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MH -  O que acha da atual situação do Brasil em comparação com o ano de 1970? O que melhorou e o que piorou?
EFT - Da década de 70 pra cá muitas coisas mudaram. Foram incontáveis as mudanças. Como jornalista, sinto de perto a guinada na comunicação com sua instantaneidade. Isso fez com que o elo cultural se aprimorasse, novos conceitos, novos paradigmas se formaram. Avanços em inúmeros setores e o homem na sua luta árdua em perpetuar a espécie através das pesquisas. A luta constante entre o bem e o mal, aspectos inerentes à capacidade de qualquer um. Comportamentos diversos que estão diretamente ligados aos que habitam nesta grande tribo.
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MH - Em 1970, o Brasil venceu a Copa do Mundo de Futebol no México e você homenageou a seleção usando um traje típico de uniforme do time brasileiro, certo? Hoje, no ano de 2014, o Brasil estará sediando a Copa do Mundo, certo? Você é a favor ou contra a realização do evento no Brasil cheio de problemas?
EFT - Essas manifestações têm sido muito ruins para a imagem do nosso país no exterior, tendo em vista que toda a mídia está voltada para cá. Eu só não entendo por quê eles não fizeram essas manifestações na época em que o Brasil foi sorteado. O brasileiro sempre entra na onda atrasado. Agora é tarde para reclamar dos estádios prontos, das frases feitas sobre os "padrões Fifa", etc. O Brasil precisa fazer gerar a máquina do turismo. O mundo inteiro se dedica a isso e nós, como sempre, na contramão da maré. Teríamos que, ao contrário, aproveitar esta oportunidade para gerar atrativos maiores, gerar coisas positivas além de país de samba, futebol, turismo sexual, etc. Enfim, os marketeiros de plantão que se safem dessa!
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MH - O que acha das candidatas do Miss Brasil e do Miss Universo nos dias de hoje em comparação com os anos 70?
EFT - São todas muito lindas, produzidas e lançam mão de tidos recursos possíveis para chegarem à quase perfeição em termos de estética. Porém, acontece um fenômeno interessante em que os tipos de beleza se padronizaram em estereótipos de modelos profissionais de moda. Elas já saem prontas para qualquer grife. Não há desmerecimento nisso, apenas os padrões de beleza mudaram.
>>> Na foto, da esquerda para a direita, Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964; Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara e Miss Brasl 1966; Roberto Macêdo, jornalista; Lúcia Tavares Petterle, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971; e Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara e Miss Brasil 1970,  convidados especiais do concurso Senhorita São Carlos 2003, em São Carlos, SP. ***** Imagem:Acervo/Roberto Macêdo. 
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MH -  Você convidaria seus amigos para vir visitar o Rio de Janeiro? Como você se sentiria se seus amigos viessem e fossem assaltados, machucados ou mortos no Rio?
EFT - Claro que sim! Temos que saber se essas pessoas estão mesmo querendo vir depois desse marketing negativo que está sendo divulgado lá fora.
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MH - O que você pode falar de positivo sobre o Rio para que os estrangeiros fiquem com vontade de visitar a Cidade Maravilhosa?
EFT - O momento está meio tenebroso com todas essas manifestações, queima de ônibus, greves, vandalismos. Ainda nem pensei numa maneira mais diplomática para refazer essa imagem negativa daqui do Rio e do Brasil em geral.
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MH  - O que você está achando do mandato da presidenta Dilma Roussef?
EFT - Ficarei lhe devendo esta (risos). Eu prefiro não falar sobre governos e desgovernos. Basta vermos as pesquisas que são feitas para se obter avaliações e índices mundiais sobre EDUCAÇÃO, QUALIDADE DE VIDA, ECONOMIA, FINANÇAS, que o Brasil sempre aparece nos cinco últimos lugares dos ranks. Que existe algo errado,  existe, Então, não dá para se ficar com retóricas e discursos demagógicos de que o país vai bem. A realidade dos índices são divulgados em vários idiomas. Gente, por favor, temos internet!
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MH - Se você fosse a presidente do Brasil, qual seria a sua primeira ação para satisfazer a população de seu país?
EFT - Eu acabaria com esses benefícios, essas esmolas sociais. Com o dinheiro dessas esmolas, eu ofereceria excelentes escolas, criaria métodos para desenvolver o raciocínio das pessoas, enfim, tudo teria que começar pela educação.
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MH - Mantem algum contato com algumas das vencedoras do Miss Brasil?
EFT- Sim. Cristina Ridzi, é uma delas.
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MH - Na sua opinião qual a Miss Brasil mais linda da história?
EFT- Eu acho a Natália Guimarães. Linda, simpática. Porém, torna-se impossível falar de uma só pessoa. Existem mulheres lindíssimas que ganharam o concurso. A Martha Rocha é de uma beleza estonteante, colorida. Enfim, muitas.
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MH - Gostou de ser entrevistada? Quer deixar uma mensagem?
EFT - É sempre muito bom se ter a oportunidade de expor pensamentos, rememorar momentos marcantes em nossas vidas. Agradeço-lhe por esta oportunidade.
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MH - Muito Obrigado Eliane Thompson, Miss Brasil 1970 pela entrevista!

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     Na época dourada do Miss Brasil, as  mais importantes revistas do país faziam as coberturas dos certames. Aquele tempo se foi e elas deixaram saudades, Mundo Ilustrado, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Mas nem tudo se perdeu e hoje temos esta coisa fantástica chamada Internet, com as redes sociais e as informações do mundo inteiro com a facilidade de um simples clique. Foi logo após a entrevista que Eliane ficou surpresa, e eu também,  com a postagem de um leitor informando a morte da gaúcha Maria Bernadete Heemann, sua colega finalista no Miss Brasil 1970, ocorrida no dia 07 do mês passado,  vítima de câncer no pâncreas. 

Eliane Fialho Thompson, a simpatia da Miss Brasil 1970. ***** Foto: Arquivo Pessoal.

     Nem tudo se perdeu e hoje temos a Internet, com pessoas que adoram Misses, como o Marcos Hirakawa, a quem agradeço pela autorização que me deu para transcrever a entrevista da Miss Brasil 1970. 
      Nem tudo se perdeu e hoje temos a Internet, com Misses como a Eliane Fialho Thompson, que se orgulha do seu reinado de Miss e não hesita revelar as experiências únicas adquiridas graças a um título mágico de Miss, Miss para sempre Miss. 

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sábado, 17 de maio de 2014

DEPOIS DA GREVE, PAUSA NA ESTRADA


DEPOIS DA GREVE - Para compensar o stress pernambucano, devido à greve da polícia militar que chegou ao fim na noite da quinta-feira, 15, desfilou no céu a Lua, mágica, majestosa, soberana, solitária e nua. A 384.405 km de distância da Terra, faz milhares de anos que ela deixou de se preocupar em entender o porquê de tanta desarmonia em nosso planeta. E que ninguém culpe o satélite natural pelos desacertos. Suas fases só interferem nas marés e nas emoções das pessoas românticas e sonhadoras, loucas para abraçar a Lua, que há milhares de anos desfila no céu, mágica, majestosa, soberana, solitária e nua. 
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PAUSA NA ESTRADA – Apenas uma porta, uma janela e um telhado comum? Não! O cenário era motivo para uma pausa, uma reflexão. Na ensolarada manhã de sexta-feira, 16, no caminho para Itabaiana, PB, a 34 Km de Timbaúba, PE, parei em Juripiranga, PB, diante desta casinha e pensei bater palmas para conhecer quem vivia ali de forma tão humilde. Mas aí, ao escutar o balançar de uma rede, desisti. Imaginei que ele, ou ela, estava sonhando que morava num rico casarão. 
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Daslan Melo Lima

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REFLEXÃO



O amanhã pode ser apenas noite. Ou pode ser uma aurora.” - Fernando Pessoa (1888-1935), poeta português. 


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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - "Matutos" no Catamarã - Ivelise, um fato em foco - Destaque, Rafaella Marinho Falcão - Correio de Notícias, edição de maio/2014

MATUTOS NO CATAMARÃ


O Restaurante Catamarã, no último sábado deste mês, dia 31, a partir das 16 horas, será  palco de um encontro do grupo Matutos de Timbaúba. O objetivo é reviver os encontros de antigamente, com menos formalidade, diante do mar.  ***** Localização: Avenida Sul, Cais de Santa Rita, embaixo do Forte das Cinco Pontas, em frente da antiga Estação Rodoviária, Recife. A rua de acesso fica diante da antiga estação e no início tem a garagem de ônibus da Borborema. Telefone (81) 3424-2845. Qualquer dúvida, consultar o MAPS do Google: www.google.com.br/maps *****  A comanda será individual, cada um pagará o que consumir.  ***** O casal Marcos e  Nadja irá arrecadar donativos para as entidades beneficentes que cuidam dos idosos de Timbaúba. Tranquelino Ferreira Monteiro sugere que seja doado um quantitativo razoável de alimentos ou uma cesta básica. Outras opções: fraldas geriátricas, leite Molico ou contribuição em dinheiro. ***** Toda oferta será bem-vinda, mas com base nas informações das instituições, a maior carência é de fraldas geriátricas descartáveis. 
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UM FATO EM FOCO


Ela foi encontrada perambulando pela BR 408, nas imediações da Usina Cruangi, Timbaúba, PE, na noite de 27/07/2013, e resgatada pela Policia Militar. Diz chamar-se Ivelise Maria Justino Alves, não sabendo informar idade, familiares, de onde veio, etc. Qualquer informação, entre em contato com o CAOP-Cidadania/MPPE (81) 3182.7411, caopjdc@mppe.mp.br, Policia Militar (81) 3631.5241, Promotoria de Justiça de sua cidade ou pelo e-mail contatodesaparecidos@gmail.com , com a Srª Amanda. Ivelise  encontra-se abrigada em um lar de idosos em Timbaúba, PE, e aparenta boa saúde.
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DESTAQUE

Um dos momentos mais importantes do recente Congresso Nacional de Secretários Municipais de Saúde foi a entrega do  Prêmio “Secretários Municipais Destaque do Brasil – Qualidade e Excelência em Saúde Pública 2014”, uma promoção da empresa Premium Brasil, de Nova Iguaçu, RJ. Entre as personalidades agraciadas, destaque para Rafella Marinho Falcão, secretária de saúde de Timbaúba, que emocionada assim se expressou:  
"Compartilho esse prêmio com toda a equipe de saúde de Timbaúba; com minha família, em especial ao meu esposo Lucilzo Queiroz,  que dá suporte nesta caminhada; todos funcionários; ao nosso prefeito João Rodrigues; ao nosso amigo e companheiro Marinaldo Rosendo, que acreditou no nosso trabalho à frente da secretaria de saúde; a  Balazinha Rosendo, minha amiga e parceira de todas as horas; meus colegas secretários e a todos os funcionários da Prefeitura Municipal de Timbaúba. Em especial, agradeço a Deus que é meu guia fiel, a quem me presenteou com essa conquista. Obrigado a todos funcionários da secretaria de saúde e à população timbaubense."
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CORREIO DE NOTÍCIAS


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SESSÃO NOSTALGIA – JADILZA BERNARDO, AQUELA PROFESSORA DO INTERIOR, MISS PERNAMBUCO 1999

Daslan Melo Lima

       Depois do anuncio da quinta colocada, Joelma de Menezes, Miss Goiana, Miss Simpatia, veio o da quarta,  Wêidma Moura, Miss Itamaracá; em seguida, a terceira colocada, Renata Silva, Miss Altinho. Restavam apenas duas finalistas: Mirna Loureiro, Miss Clube Náutico Capibaribe, e Jadilza Bernardo de Carvalho, Miss Jataúba.  “Mirna! Mirna! Mirna!” Gritavam várias pessoas ao meu lado. Mirna ficou em segundo e Jadilza em primeiro lugar. 

Top 3 do Miss PE 1999 - Renata Silva, Miss Altinho, terceiro lugar; Jadilza Bernardo, Miss Jataúba, primeira colocada, e Mirna Loureiro, Miss Clube Náutico Capibaribe, segundo lugar.***** Coluna de João Alberto, Diario de Pernambuco, 31/03/1999 - Acervo DML/Passarela Cultural.
  

      Eu estava lá, no Clube Internacional do Recife, naquela noite de 27 de março de 1999, atento a tudo, observando vinte lindas jovens em busca de um sonho: ser eleita Miss Pernambuco 1999. Eu tinha coordenado o Miss Timbaúba e  torcia para que Gilvânia Aguiar conseguisse pelo menos um lugar entre as semifinalistas. Não conseguiu, embora tenha feito uma boa apresentação, no ano em que tive a satisfação, também, de conhecer Michella Marchi, Miss Brasil 1998, convidada especial para o evento.
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     No dia 31 de março de 1999, o Diario de Pernambuco circulou com a capa do caderno Viver totalmente dedicada à mais bela pernambucana daquele ano. “Uma miss atrás de patrocínio”, dizia a manchete. “Jadilza Bernardo de Carvalho. Este nome irá representar Pernambuco no concurso Miss Brasil 99, que será realizado no dia 7 de abril, na casa de shows Scala, no Rio de Janeiro. A professora caruaruense, de 19 anos, que concorreu ao Miss Pernambuco como representante do município de Jataúba, distante 93 quilometros de Caruaru, ainda não tem a dimensão do que o prêmio representará na sua vida. Quatro dias depois de vencer concurso, Jadilza Bernardo começa a arrecadar dinheiro para viajar. Por enquanto, a Prefeitura da cidade tenta levantar dinheiro  da viagem ao Rio. A taxa de inscrição no concurso nacional (R$ 2 mil) já foi paga pela coordenação do Miss Pernambuco. Agora, o próprio prefeito de Jataúba, Petrônio Siqueira, se mobiliza para conseguir junto aos empresários da região doações que paguem a viagem da equipe ao concurso Miss Brasil, além de estadia de quatro dias.”
       Foi nessa reportagem do Diario de Pernambuco, escrita por Ana Nogueira e ilustrada com foto de Heitor Cunha, que capturei os   textos que resgatam mais um capítulo da história do Miss Pernambuco.

Capa do caderno Viver - Diario de Pernambuco, 31/05/1999 - Acervo DML/Passarela Cultural

DIFERENÇA - Bem diferente das antigas candidatas – muitos diriam sem o glamour daquela época – a candidata atual diz que nunca teve a pretensão de participar de um concurso de miss. Antes do evento, sua rotina de professora do interior a obrigava a seguir uma certa disciplina, bem diferente das luzes da passarela. Jadilza acordava todos os dias às 5 h para viajar de ônibus ao município vizinho de São Caetano. Às 7h20, já estava na sala de aula com seus 18 alunos do Jardim II, da Escola Pequeno Príncipe.
     Ás 13h30, depois de mais uma hora de ônibus, estava de volta a sua casa, em Caruaru. Á tarde, depois de um breve descanso, escrevia nos 18 caderninhos as atividades dos seus alunos para o dia seguinte. No final da tarde, ajudava sua mãe nas tarefas domésticas. “As vezes saía para fazer algum trabalho de modelo ou recepção à noite”, conta Jadilza, que é uma das modelos da agência Phábrica, de onde saíram duas candidatas ao Miss Pernambuco.
      Filha caçula, junto com o irmão gêmeo, de uma família de sete filhos, Jadilza Bernardo tem na mãe sua grande amiga e incentivadora. Jadilza não queria participar do Miss Caruaru porque seu pai havia morrido em dezembro, lembra o produtor e empresário Reginaldo Cavalcanti. No concurso do município, há um mês, ela ficou em segundo lugar, mas a secretária de Ação Social e Turismo de Jataúba, Nena Pacheco, acreditou no seu potencial e a convidou para concorrer pelo município.
AGENDA CHEIA - O título modificou a antiga rotina e colocou a jovem de gosto simples, que adora dançar forró, bem no centro do furacão. Desde sábado, data do concurso, Jadilza Bernardo cumpre uma agenda lotada de compromissos que vão desde a a escolha de vestidos – que serão usados nos compromissos do Miss Brasil – e sessão de fotos a cerimônias com autoridades. Na segunda-feira, ela participou de um coquetel em Fazenda Nova, com a presença do governador Jarbas Vasconcelos.
      Os convites para trabalho já começaram a chover. “Quero aproveitar ao máximo o que o título pode me proporcionar, mas ainda é cedo para decidir. Meu empresário e eu vamos estudar as propostas”. Uma coisa é certa: os alunos da  Escola Pequeno Príncipe vão perder a professorinha de longos cabelos e olhos verdes. “Depois que tudo isso passar devo estudar Pedagogia e me dedicar ao ensino de uma vez”, acredita a miss.

Jadilza Bernardo de Carvalho, 19 anos, professora primária e modelo, 1m71, 56 quilos, Miss Jataúba, Miss Pernambuco 1999.

Sobre a importância do concurso - “Nunca acompanhei o Miss Brasil. Só assisti ao Miss Universo do ano passado, mas nem lembro quem foi a vencedora.”
Sobre o futuro profissional “Pretendo aproveitar ao máximo o título e tentar conciliar com a carreira de modelo. Já a de professora não vai dar para conciliar.”
Sobre o título de Miss Pernambuco 99“Para ser miss é preciso inteligência, humildade e não deixar o título subir à cabeça. O reinado dura apenas um ano.”
Sobre a imagem que tem de si – “Considero-me simpática, gosto do que vejo no espelho e bem educada sempre fui, graças a Deus.”
Sobre os hobbies prediletos “Gosto de ler romances, já li tantos que nem lembro os títulos. Adoro dançar forró, principalmente Magnificos, Mastruz com Leite, Sirano e Sirino, mas também adoro forró pé-de-serra.”
Sobre o figurino que usa Sou muito simples, mas gosto de me produzir também. Os vestidos de Jan Souza (que assina os modelos que ela vestirá no Rio) são verdadeiras obras de arte.”
Sobre a profissão de modeloUma das coisas boas de ser miss é que posso mostrar meu trabalho de modelo. Até agora não conheci a parte ruim, só o lado bom.”
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Produtor emplaca outra caruaruense – O produtor Reginaldo Augusto Cavalcanti, mais conhecido em Caruaru pelo nome da sua agência de modelos – Phábrica – é um dos responsáveis pelo bom desempenho da Miss Jataúba no concurso Miss Pernambuco, realizado no Clube Internacional do Recife, na noite do último sábado. Segundo Cavalcanti, duas coisas são muito importantes para quem pretende um dia disputar um título da magnitude do Miss Pernambuco: postura corporal e um rosto bonito.
     “Saber pisar na passarela, ter classe e impor respeito através dos movimentos é fundamental, mas tenho observado que um rosto bonito ganha concurso sim, e isso é uma realidade mundial”,  afirma o produtor. Ele lembra que a Miss Pernambuco do ano passado, Adriana Cabral, também veio de Caruaru. “Ela já havia trabalhado comigo antes”, conta. No concurso desse ano, além de Jadilza, Reginaldo também ajudou a produzir as misses Altinho (Renata Silva) e Caruaru (Lucineide Pimentel).
      Segundo Cavalcanti, 70% das modelos usadas em campanhas publicitárias de Caruaru saem da agência Phábrica. “Não costumo dar cursos para modelos. Tenho olho clinico. Para trabalhar comigo, é preciso que eu tenha simpatia pela pessoa. Em momento nenhum a condição social influi na minha escolha.”     
      Ele tem uma teoria simples para justificar a importância que dá a elegância. “Você pode usar artifícios para disfarçar pele e cabelos ruins, mas a má postura, a falta de classe, não há como disfarçar. A elegância de Jadilza saltou olhos  na passarela.”, atesta Reginaldo.

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POR ONDE ANDA JADILZA BERNARDO



Jadilza Bernardo reside em João Pessoa, PB, está casada, tem uma filha, professa a religião evangélica e é coordenadora pedagógica de um educandário. 
A beleza da eterna Miss Pernambuco 1999 permanece no sorriso, na simplicidade e na forma de encarar a caminhada com muita fé em Deus. (Fotos: Arquivo Pessoal)
Quinze anos separam as cinco fotos acima da imagem abaixo. Em cores, Jadilza atualmente. Em preto e branco, Jadilza em 1999. 

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      Depois daquele noite de março de 1999, voltei a encontrar Jadilza Bernardo em 2001, no Palladium, em Caruaru, palco do concurso Miss Pernambuco 2001. Ela soube exercer o seu reinado com muita dignidade”, eis a frase elogiosa que ouvi seguidas vezes, dita por pessoas anônimas referindo-se a Jadilza Bernardo. “Ela está ali, simples e linda”, apontavam para uma mesa a poucos metros da minha.
      Quinze anos depois, muita gente ainda tece elogios àquela professora do interior que se tornou Miss Pernambuco 1999, “ela soube exercer o seu reinado com muita dignidade.”

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