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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 633, referente ao período de 20 a 26 de agosto de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

terça-feira, 25 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria José Cardoso, convites do Rádio à Miss Brasil 1956

Daslan Melo Lima

          Na década de 1950, quando a televisão brasileira ainda engatinhava, as emissoras de rádio eram tão importantes que havia uma revista semanal famosa, a Revista do Rádio, focalizando seus ídolos (locutores, cantores, cantoras, humoristas...), tal como hoje existem as publicações com as páginas ocupadas pelas celebridades da televisão. E foi na Revista do Rádio, Ano IX, nº. 356, de 07/07/1956, que encontrei assunto para a SESSÃO NOSTALGIA desta semana, da qual extraí o texto abaixo, autoria de Waldemir Paiva, assim como as fotos que ilustram esta matéria.

          A eleição de Miss Brasil, desde Marta Rocha, vem conseguindo empolgar a opinião pública. E o rádio é sempre parte ativa no concurso. Este ano concorreram representantes do Distrito Federal, território do Acre e de 20 estados. Nos últimos dias que precederam o desfile do Quitandinha, formaram-se correntes de opiniões as mais diferentes a ser defendidas de maneira intransigente pelos seus conterrâneos residentes nesta capital. Era o bairrismo em função da beleza.
          O Quitandinha reviveu um dos seus maiores dias. O rádio, com seu batalhão de rádio-repórteres, estavam presente. Todos os apartamentos (305) estavam ocupados, muitos deles com camas suplementares. Apesar do frio intenso, logo pela manhã numerosas famílias acamparam às margens do lago, em automóveis e barracas. Foram mobilizados 32 cozinheiros, 23 ajudantes e 41 lavadores de louças para o serviço do restaurante. Quase cinco mil pessoas transitaram pelos corredores à espera do grande momento. Todavia, logo cedo sentiu-se a falta de uma melhor organização. Para ingressar no Teatro Mecanizado, onde estava o Júri, os assistentes (pagando mil cruzeiros por um convite) e as próprias acompanhantes das misses tiveram de se submeter a uma única fila, que tomou proporção gigantesca. Aos representantes do rádio e dos jornais, foi reservada a entrada pela porta da cozinha. O baile programado não se realizou porque a pista de dança foi o único local onde os repórteres puderam aguardar o desfile, irradiado por emissoras do Distrito Federal, São Paulo, Estado do Rio, Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba.


As finalistas do Miss Brasil 1956, da esquerda para a direita:
Eli de Azevedo Pires, Miss Estado do Rio, sexto lugar;
Maria José Cardoso, Miss Rio Grande do Sul, primeiro lugar;
Leda Brandão Rau, Miss Distrito Federal, terceiro lugar;
Regina Maura Vieira, Miss São Paulo, segundo lugar;
Luzia Aliete Borges, Miss Pará, quinto lugar;
Maria de Jesus Holanda, Miss Ceará, quarto lugar.

          Bem recebida foi a seleção das finalistas: Misses Rio Grande do Sul (Maria José Cardoso), São Paulo (Regina Maura Vieira), Distrito Federal (Leda Brandão Rau), Ceará (Maria de Jesus Holanda), Estado do Rio (Eli de Azevedo Pires) e Pará (Luzia Aliete Borges). Entretanto, quando anunciaram o nome da representante gaúcha para Miss Brasil 1956, surgiram demorados protestos que tumultuaram por completo o ambiente. Entre pouquíssimas palmas, abafadas por estridentes assobios e vaias, a Srta.Maria José Cardoso não escondeu o seu desapontamento.


Em cima a nova Miss Brasil em vestido de baile e maiô. No dia seguinte à vitória ela recebia o primeiro convite para fazer um teste de voz numa de nossas emissoras. E é possível que venha a fazê-lo quando regressar dos Estados Unidos. Um produto de beleza está interessado nisso.

          A faixa que deveria ostentar desapareceu e somente muito tarde veio a ser encontrada. Em declarações à REVISTA DO RÁDIO, Emília Corrêa Lima (Miss Brasil 1955) disse que não lhe convidaram para coroar a sua sucessora. A coroação terminou sendo feita, atabalhoadamente por um simples empregado do Quitandinha.
          Estávamos no camarim da Miss Rio Grande do Sul, juntamente com repórteres de emissoras, quando ela recebeu a notícia da sua vitória. Presa de grande emoção disse-nos:
- "Através do rádio os meus conterrâneos estão participando comigo da alegria desta noite. Sinto-me contente por não tê-los decepcionado".
          Voltamos a encontrar a Srta. Maria José Cardoso ao ficarem serenados os ânimos. Calma e confortada por parentes e amigos, ela pediu:
- Quero que REVISTA DO RÁDIO agradeça a gentileza que recebi das emissoras, especialmente dos rádio-repórteres que compreenderam os incidentes desta noite dando ao povo informações desapaixonadas.


Maria José Cardoso cercada pelo rádio: aí estão o Caringi (da Continental), Luís de Carvalho e Ibrahim Sued (da Globo). Ibrahim foi o primeiro a anunciar o nome da vencedora.

          O Miss Brasil 1956 foi realizado no Hotel Quitandinha, Petrópolis, Estado do Rio, em 16/06/1956, e foi muito criticado pela falta de organização. Maria José Cardoso, filha de um funcionário da Alfândega, nasceu em São Francisco do Sul, Santa Catarina, mas foi morar em Porto Alegre ainda muito criança. Tinha 1,70 de altura, 59 Kg, 96 cm de busto, 60 de cintura, 96 de quadris e lindos olhos verdes. Chegou a se apresentar em New York, na loja Macy’s, em desfile que teve Jerry Lewis como mestre de cerimônias.

          É a mais "encabulada" de todas. Nos Estados Unidos, quando um fotógrafo americano lhe pediu que mostrasse os joelhos (queria bater uma foto), a moça gaúcha ficou da cor de um tomate bem maduro.  (Ubiratan de Lemos, As Onze Mais Belas do Brasil-História Precoce do Miss Brasil. Revista O CRUZEIRO, 20/02/1965).



          Encontrei no site www.missesdosbrasil.com a foto acima, mostrando Maria José Cardoso em 2005. Fiquei contente ao constatar que a  Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1956 continua com seu olhar belo e verde, tão belo e tão verde como naquela época onde as pessoas ficavam horas e horas escutando shows, novelas e programas pelo rádio.

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sábado, 22 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Denise Rocha de Almeida e Dione Oliveira, gostos e desgostos na passarela

Daslan Melo Lima

      Uma era carioca e outra era pernambucana. Uma representou o Flamengo no concurso Miss Distrito Federal, onde era a favorita, e perdeu. A outra, natural de São Bento do Una, representou o Clube Intermunicipal de Caruaru no Miss Pernambuco, chegou ao Rio de Janeiro como favorita ao Miss Brasil e perdeu. Ambas perderam para Vera Ribeiro, Miss Vila Isabel, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959.

      Denise Rocha de Almeida, a carioca, participou do Miss Distrito Federal com tamanha confiança na vitória que seu guarda roupa para se apresentar no concurso Miss Universo já estava completo.


Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo, vice-Miss Distrito Federal 1959. (Foto: revista O CRUZEIRO, 27/06/1959)

      Dione Brito de Oliveira, a pernambucana, levou para o Rio de Janeiro trinta e seis vestidos confeccionados pelo inesquecível Marcílio Campos.



Dione Oliveira, Miss Pernambuco, vice-Miss Brasil 1959. (Foto: O CRUZEIRO, 04/07/1959)

          Dione de Oliveira, a segunda colocada no concurso Miss Brasil, confessou que tem inveja de Vera Ribeiro, vencedora do certame. A representante pernambucana, que foi a mais festejada de todas as misses estaduais, alinhou uma enorme fieira de razões plausíveis para justificar o seu ressentimento, aliás muito mais admiração por Vera do que propriamente inveja. É que Dione deixou Caruaru, pequena cidade do interior de Pernambuco, perfeitamente equipada para enfrentar o júri, trazendo para o Rio de Janeiro cabeleireiro, massagista, costureiro, maquilador e uma acompanhante.
          Na grande noite do desfile decisivo no Maracanãzinho, Dione de Oliveira passeou no tablado o delicioso produto dos seus técnicos particulares de beleza. Entre os 36 vestidos confeccionados pelo costureiro Marcílio Campos, formado em Paris, escolheu o mais deslumbrante, um que custou nada menos de 70 mil cruzeiros. Os aplausos de 40 mil mãos encheram os ouvidos de Dione e lhe deram a certeza de um reinado conquistado. Mas, finalmente, desfilou Vera Ribeiro, candidata de Vila Isabel, sem equipe de beleza. Pouco depois, era eleita Miss Brasil. E Dione de Oliveira, mesmo recebendo como prêmio ao seu capricho o direito de concorrer ao título de Miss Mundo, em Londres, chorou no ombro de sua severa acompanhante.
(Aluízio Flôres, revista MANCHETE, 11/07/1959)


Dione Oliveira ladeada por Marcílio Campos e sua maquiladora. (Foto: Jáder Neves, MANCHETE, 11/07/1959)

      Denise Rocha de Almeida voltou depois às passarelas. Foi eleita Rainha dos Jogos da Primavera 1962, Miss Brasília 1963, quarta colocada no Miss Brasil 1963 e representante brasileira no Miss Nações Unidas, realizado em Majorca, Espanha.

      Dione Oliveira representou o Brasil no Miss Mundo, em Londres. Era uma das favoritas, mas não obteve classificação.

      A moeda brasileira mudou tanto em meio século que não temos ideia de quanto seria hoje, em reais, a importância de 70 mil cruzeiros, o valor do vestido de Dione Oliveira. Outra coisa: naquele tempo, ninguém ouvia falar na palavra estilista para designar a profissão de gênios da costura como Marcílio Campos. As palavras eram costureiro ou figurinista.

      Escrevo esta crônica na ensolarada manhã pernambucana do penúltimo sábado de agosto de 2009. Agosto, um mês estigmatizado pelas superstições, como se os desgostos só ocorressem nos meses de agosto.
      Não era agosto, mas Denise experimentou o desgosto de não ter sido eleita Miss Distrito Federal.
      Não era agosto, mas Dione experimentou o desgosto de não ter sido eleita Miss Brasil.
       Com gosto, escrevo esta crônica na ensolarada manhã pernambucana do penúltimo sábado de agosto para exaltar Denise Rocha de Almeida e Dione Oliveira, duas misses que marcaram a passarela do Miss Brasil, com gosto e desgosto.
       Assim também é a passarela da vida, feita de mil gostos e desgostos.

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - O CONCURSO MISS UNIVERSO NOS ANOS DE 1959, 1969, 1979, 1989 E 1999

Daslan Melo Lima

               No próximo dia 23 de agosto, nas Bahamas, Larissa Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil 2009, estará ao lado de outras 83 lindas jovens do mundo inteiro disputando o cobiçado título de Miss Universo. A TNT irá transmitir o evento, assim como a Rede Bandeirantes de Televisão, ao vivo, a partir das 22 horas. A SESSÃO NOSTALGIA desta semana relembra um pouco do Miss Universo realizado há 50, 40, 30, 20 e 10 anos.

               O concurso Miss Universo teve início oficialmente em 1952. O Brasil começou a participar do mesmo a partir de 1954, quando a baiana Martha Rocha perdeu o título de Miss Universo para Miriam Stevenson, Miss Estados Unidos, por causa das lendárias duas polegadas a mais nos quadris.

               O Brasil já conquistou duas vezes o título de Miss Universo. Em 1963, com a gaúcha Ieda Maria Vargas, e em 1968, com a baiana Martha Vasconcellos. Para muitos, o correto é afirmar que o Brasil conquistou o título de Miss Universo três vezes. Antes de 1952, existiram concursos internacionais de beleza com a denominação de Miss Universo, sendo o de Galveston, Texas, Estados Unidos, o mais famoso. Em 1930, aconteceu um Miss Universo no Rio de Janeiro e a vencedora foi a gaúcha Yolanda Pereira, Miss Brasil, que concorreu com representantes de diversos países.

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HÁ 50 ANOS, MISS UNIVERSO 1959

               O concurso Miss Universo 1959 foi realizado no dia 24/07/1959, em Long Beach, California, Estados Unidos, com a participação de representantes de 30 países.


As cinco finalistas do concurso Miss Universo 1959, na foto da esquerda para a direita, foram: Vera Regina Ribeiro, Miss Brasil, quinto lugar; Terry Lynn Huntingdon, Miss Estados Unidos, terceiro lugar; Akiko Kojima, Miss Japão, primeiro lugar; Jorunn Kristjansen, Miss Noruega, segundo lugar; e Pamela Anne Searle, Miss Inglaterra, quarto lugar. (Foto-reprodução de imagem feita originalmente por Gervásio Batista, revista MANCHETE, 08/08/1959)

               Akiko Kojima era uma modelo elegante e meiga de 22 anos de idade e tornou-se a primeira asiática a conquistar a coroa de rainha da beleza universal. Tinha 1,67 de altura, 54 quilos, 94 cm de busto, 58,5 cm de cintura, 96,5 cm de quadris. O Brasil conquistou o quinto lugar com Vera Ribeiro, carioca, que tinha sido eleita Miss Brasil representando o então Distrito Federal, Rio de Janeiro.

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HÁ 40 ANOS, MISS UNIVERSO 1969

               O Miss Universo 1969 aconteceu em Miami Beach, Flórida, Estados Unidos, em 19/07/1969 , e dele participaram representantes de 61 países.


As 10 mais do Miss Universo 1969 em traje de banho. Na fila de trás, da esquerda para a direita: Miss Filipinas, Gloria Maria Diaz, eleita Miss Universo; Miss Áustria, Eva Von Rueber-Staier; Miss Finlândia, Harriet Marita Eriksson, segundo lugar; Miss Colômbia, Margarita Maria Reyes Zawadsky; e Miss Austrália, Joanne Barret, terceiro lugar. Na fila da frente, da esquerda para a direita: Miss Israel, Chava Levy, quarto lugar; Miss Estados Unidos, Wendy Jane Dascomb; Miss Peru, Maria Julia Mantilla Mayer; Miss Brasil, Vera Lúcia Fischer; e Miss Yugoslavia, Natasa Kosir. (Foto: www.pageantopolis.com)

               O Top 5 foi composto por :
Miss Filipinas, Gloria Maria Aspillera Díaz, primeiro lugar;
Miss Finlândia, Harriet Marita Eriksson, segundo lugar;
Miss Australia, Joanne Barret, terceiro lugar;
Miss Israel, Chava Levy, quarto lugar;
Miss Japão, Kikuyo Osuka, quinto lugar.

               Gloria Maria Diaz, Miss Filipinas, a vitoriosa, não figurava em nenhuma lista de favoritas. Vera Lúcia Fischer, hoje atriz famosa, nascida em Blumenau, eleita Miss Brasil representando o seu estado natal, Santa Catarina, ficou entre as semifinalistas. Eva Rueber-Staier, Miss Áustria, semifinalista, foi eleita em 27/11/1969, em Londres, Miss Mundo 1969.

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HÁ 30 ANOS, MISS UNIVERSO 1979

               O cenário do Miss Universo 1979 foi a cidade de Perth, na Austrália, em 19/07/1979, e contou com a presença de 75 candidatas.


As cinco finalistas do Miss Universo 1979, da esquerda para a direita: Miss Inglaterra, Carolyn Ann Seaward, terceiro lugar; Miss Suécia, Anette Marie Ekström, quinto lugar; Miss Venezuela, Maritza Sayalero Fernández, primeiro lugar; Miss Bermuda, Gina Ann Casandra Swainson, segundo lugar; e Miss Brasil, Martha Jussara da Costa, quarto lugar. (Foto: MANCHETE)

               Maritza Sayallero foi a primeira das cinco venezuelanas a ser eleita Miss Universo. As outras foram: Irene Saez (1981), Bárbara Palacios (1986), Alicia Machado (1996) e Dayana Mendoza (2008). 
               Após o momento da coroação da Miss Universo 1979, quando as câmaras de televisão encerraram a transmissão do evento, uma parte do palco desabou. Entre as dezoito participantes vítimas da queda estavam Carla Facio Franco, Miss Costa Rica; Lorraine Davidson, Miss Escócia, semifinalista; Dian Borg Bartolo, Miss Malta; e Fusin Tahire Dermitan, Miss Turquia. Miss Costa Rica teve contusões e as Misses Malta e Turquia sofreram lesões nas pernas.
               Duas misses do top 5 disputaram o Miss Mundo 1979: Gina Swainson, Miss Bermuda, e Carolyn Ann Seaward, Miss Inglaterra. Gina Swainson foi eleita Miss Mundo e Carolyn Seaward foi a segunda colocada.
               Martha Jussara da Costa era paulista e foi eleita Miss Brasil como representante do Rio Grande do Norte.

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HÁ 20 ANOS, MISS UNIVERSO 1989

               Cancun, no México, tornou-se o centro das atenções do mundo inteiro em 23/05/1989, quando 76 misses disputaram o titulo de Miss Universo 1989.


Angela Visser, Miss Holanda, Miss Universo 1989

As cinco finalistas do Miss Universo 1989:
1º Lugar: Miss Holanda, Angela Visser;
2º Lugar: Miss Suécia, Louise Drevenstam;
3º Lugar: Miss Estados Unidos, Gretchen Lynn Polhemus;
4º Lugar: Miss Polônia, Joanna Gapinska;
5º Lugar, Miss México, Adriana Abascal López Cisneros.

               Angela Visser, Miss Holanda, eleita Miss Universo, assim como Joanna Gapinska, Miss Polônia, quarta colocada, tinham participado um ano antes do Miss Mundo e não tinham conseguido nenhuma classificação.


O Brasil marcou presença com Flávia Cavacalcanti Rebêlo, Miss Ceará, baiana de nascimento, criada em Fortaleza. Flávia Cavalcanti não classificou-se entre as semifinalistas, mas destacou-se com o prêmio de melhor traje típico da competição. Acima, Flavia Cavalcanti em comercial do maiô Catalina. (Foto: MANCHETE,15/04/1989)

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HÁ 10 ANOS, MISS UNIVERSO 1999

               Em 26/05/1999, a cidade de Chaguaramas, em Trinidad & Tobago, reuniu 84 jovens de várias partes do mundo.


As três finalistas do Miss Universo 1999 (foto www.uoi.com). Da esquerda para a direita: Miss Filipinas, Miriam Redito Quiambao, segundo lugar;Miss Botswana, Mpule Keneilwe Kwelagobe, primeiro lugar; e Miss Espanha, Diana Nogueira González, terceiro lugar. Não houve anúncio do quinto e do quarto lugar, ficando Miss África do Sul, Sonia Raciti, e Miss Venezuela, Lucbel Carolina Indriago Pinto, na condição apenas de finalistas.

               Mpule Keneilwe Kwelagobe foi a terceira negra a conquistar o titulo de Miss Universo. As outras foram : Janelle Penny Commissiong e Wendy Fitzwilliam, em 1977 e 1998, respectivamente, ambas de Trinidad-Tobago. Mpule tinha participado do Miss Mundo 1997, sem ter obtido classificação. Sonia Baciti, Miss África do Sul, finalista no Miss Universo 1999, foi terceira colocada no Miss Mundo.


Renata Fan, gaúcha, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, hoje famosa apresentadora de televisão, não obteve classificação no Miss Universo 1999, mas no ano seguinte, em Seul, na Coréia, venceu 45 concorrentes e foi eleita Miss Mundo Universitária. (Foto: Revista Miss Brasil 2000, Gaeta Promoções e Eventos Ltda)

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A POUCOS DIAS, MISS UNIVERSO 2009

               Pouco importa a nacionalidade, o sotaque, a origem, a condição social e a cor da nova Miss Universo, a ser eleita nos próximos dias, no domingo, 23 de agosto de 2009. Importa que a sua personalidade, inteligência, beleza, simpatia, plástica e carisma formem um todo harmonioso e que tudo isso seja um detalhe excepcional que reflita sua beleza interior. Importa que saiba honrar o título de Miss Universo, não apenas por um ano, mas pela vida inteira. E que tenha a humildade de agradecer a DEUS por seu espírito ter encarnado num corpo lindo e numa cara linda a serviço de um planeta Terra mais humano, mais justo, mais iluminado.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MARISTELLA SILVA GRAZZIA, MISS MUNDO BRASIL 1981

Daslan Melo Lima

Maristella Silva Grazia foi a vencedora do Garota Ilha Porchat 1981, realizado no Ilha Porchat Clube, em São Vicente, São Paulo, considerado o primeiro concurso especificamente realizado para eleger a representante brasileira ao Miss Mundo.

O ano de 1981 foi o início de uma fase atípica da história do famoso e prestigiado concurso Miss Brasil, a era Sílvio Santos. Um ano antes, os Diários e Emissoras Associados tinham deixado de organizar o Miss Brasil, certame onde as três primeiras colocadas ganhavam o direito de representar o país nos principais concursos de beleza do planeta: Miss Universo, Miss Beleza Internacional e Miss Mundo. O comunicador Sílvio Santos adquiriu apenas a franquia do Miss Universo no Brasil, enquanto a dos concursos Miss Beleza Internacional e Miss Mundo passaram para outras mãos.


Maristella Silva Grazzia, A Mais Bela Estudante do Brasil, Garota Ilha Porchat, Miss Mundo Brasil, quarta colocada no Miss Mundo 1981.(Foto: Revista MANCHETE)

Antes de vencer o Garota Ilha Porchat, a paulistana Maristella Silva Grazzia foi a primeira colocada no concurso A Mais Bela Estudante do Brasil, promovido pelo popular programa de televisão do comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha.
Vale salientar que entre as fortes candidatas que Maristella enfrentou no Garota Ilha Porchat estava a hoje famosa apresentadora de televisão e musa da boa forma Solange Frazão, Miss São Paulo e vice-Miss Brasil 1982.
Em Londres, Maristella destacou-se como uma das favoritas e obteve o quarto lugar no Miss Mundo, perdendo para Miss Venezuela, Carmen Josefina "Pilín" León Crespo, primeira colocada; Miss Colombia, Nini Johanna Soto Gonzalez, segunda, e Miss Jamaica, Sandra Angela Cunningham, terceira colocada.



Maristella Silva Grazzia em 1983, segunda colocada nos concursos Miss São Paulo, Miss Young International e The Most Beautiful Girl In The World. (Foto: MANCHETE)

Em 1983, preparadíssima e mais bela do que nunca, Maristella Grazzia voltou com força total para representar o Butantã no Miss São Paulo. As fases eliminatórias eram exibidas no programa do Sílvio Santos.
Lembro-me que Mucíolo Ferreira, meu amigo, jornalista e missólogo, disse entusiasmado:
- Daslan, guarde este nome, Maristela Grazzia ! Ela vai ser Miss Brasil, quiçá Miss Universo!

Morena de olhos castanhos, então com 20 anos de idade, 1,72 de altura, 90 cm de busto, 60 de cintura e 90 cm de quadris, Maristella Silva Grazzia foi a segunda colocada no Miss São Paulo 1983, perdendo apenas por um ponto para Jimena Franco Carmelo, Miss Sorocaba.
Maristella perdeu o título de Miss São Paulo 1983, mas venceu 53 candidatas de diversos países e apareceu nas melhores revistas do mundo como a segunda colocada no concurso Miss Young International, realizado em Seul, Coréia do Sul, ficando na frente da coreana Sun Mi Kim, a anfitriã, terceira colocada, e atrás da vencedora, a norueguesa Anne Sophie Falkenaas. Em seguida, na Austrália, obteve o segundo lugar no concurso The Most Beautiful Girl In The World.

Perseverante e ainda mais bela, Maristella voltou para a passarela do Ilha Porchat Clube em 1986, sonhando com o direito de ser eleita a representante brasileira no concurso Miss Beleza Internacional, mas ficou como vice de Kátia Marques Faria, representante do Rio Grande do Sul, e decidiu encerrar sua trajetória nas passarelas dos concursos de beleza.


Maristella Silva Grazzia, um dos ícones da beleza da década de 1980. (Foto: MANCHETE)

The Most Beautiful Girl In The World, título do último concurso internacional do qual Maristella Grazzia participou, também é o nome de uma canção de Richard Rodgers e Lorenz Hart, gravada por Frank Sinatra. Eis uma tradução da música que encontrei no Google:

A GAROTA MAIS BONITA DO MUNDO

Você pode ser a garota mais bonita do mundo.
Isto é para você saber que você é a razão pela qual Deus fez uma garota.
Quando o dia se transforma no último dia de todo o tempo,
eu possa dizer que tenho a esperança de ter você em meus braços.
E quando a noite cai antes deste dia, eu choro.
Eu choro lágrimas de alegria por que depois de você tudo pode morrer.


Você pode ser a garota mais bonita do mundo.
Você pode ser.
Isto é para você saber que você é a razão pela qual Deus fez uma garota.
Oh, sim...


Como posso passar os dias quando não posso passar nem as horas?
Eu posso tentar, mas quando vejo você sou devorado, oh sim.
Quem permitiu, quem permitiu seu rosto estar macio como uma flor?
Eu pude provar e caí orgulhoso na força desta luz.
Oh, sim, você é a garota mais bonita do mundo.


E se as estrelas sempre caírem, uma por uma, do céu,
eu sei que Marte não pode ser, para estar longe e após...
Por que baby, esta espécie de beleza não tem nenhuma razão para ser tímida.
Por que querida, esta espécie de beleza é a que vem do interior.


Você pode ser a garota mais bonita do mundo.
Tão bonita, bonita.
Isto é para você saber que você é a razão pela qual Deus fez uma garota.



Maristella Gilva Grazzia em foto recente, em São Paulo, no jantar oferecido pelo cônsul-geral da Itália, Stefano Canavesio, em homenagem à amiga angolana Anna Loanda Nicolao. (Foto: revista CARAS, Edição 812, 29/05/2009)

Enquanto encerro esta Sessão Nostalgia, ao som de Frank Sinatra cantando The Most Beautiful Girl In The World, peço ao silêncio e ao vento que façam Maristella Silva Grazzia ler esta crônica.
Quero que ela não esqueça nunca de que foi uma das razões pela qual DEUS transformou inesquecível a década de 1980, pelo menos para mim e para Mucíolo Ferreira, o meu amigo que numa tarde de um domingo recifense, diante de um aparelho de televisão em preto e branco, disse-me com entusiasmo:
- Daslan, guarde este nome : Maristela Grazzia ! Ela vai ser Miss Brasil, quiçá Miss Universo!

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sábado, 1 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MARIA DE LOURDES DE BARROS, MISS ALAGOAS 1967

Daslan Melo Lima

Alagoas, meu estado natal, não tem um histórico relevante de misses que alcançaram projeção nacional, como é o caso da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, só para citar os estados nordestinos que tiveram suas representantes entre as três primeiras colocadas no concurso Miss Brasil, esse que envia a vencedora para disputar o Miss Universo.

Várias foram as misses que sairam de Alagoas para disputar o Miss Brasil levando a esperança de milhares de alagoanos de alcançarem notoriedade. Entre as que mais se destacaram, por ordem alfabética, estão:

Bertini Mota, 1955;
Camilla Reis, 2007;
Danielle Nascimento dos Santos, 2003;
Eveline Braga, semifinalista, 1983;
Fernanda Scorsatto Dorigon, semifinalista, 2004;
Maria de Lourdes de Barros, 1967;
Mary Grace Oiticica Bandeira, 1965;
Sandra Lobo Pauferro, semifinalista, 1981;
Tatiani Garcez de Barros Brigagão da Silva, semifinalista, 1995;
Williana Siqueira, 2008.

De todas, Bertini Mota permanece como a mais famosa, um verdadeiro ícone, sinônimo até hoje de mulher bonita em Alagoas.
Também vale destacar a atuação de Mary Grace Oiticica Bandeira, uma das favoritas ao título de Miss Brasil 1965 que, para surpresa de um Maracanãzinho repleto, não ficou sequer entre as semifinalistas. Para a grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, Mary Grace era a mais bela das candidatas ao título de Miss Brasil 1965.

Nos concursos de Miss Mundo Brasil, específicamente organizados para eleger a representante brasileira ao Miss Mundo, as alagoanas que mais se destacaram, por ordem alfabética, foram:
Allyne de Andrade Oliveira, semifinalista, 1994;
Luciana Fon de Jesus, semifinalista, 1991;
Lyliá Virna Menezes Soriano, primeiro lugar, 1993;
Patrícia Beatriz Lima de Vasconcelos, Miss Elegância, 1995;


Maria de Lourdes de Barros, Miss Arapiraca, Miss Alagoas 1967. (Foto: Revista O Cruzeiro, 15/07/1967)

Na Sessão Nostalgia de 28/03/2009, rendi um tributo póstumo a Carmem Tereza Moutinho Mascarenhas Leite, Miss Alagoas 1961, falecida em 20/03/2009. Esta semana, presto homenagem à memória de outra alagoana, Maria de Lourdes de Barros, Miss Alagoas 1967, falecida no dia 09/07/2009.


Maria de Lourdes de Barros, Miss Arapiraca, Miss Alagoas 1967. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 08/07/1967)

Lucas Barros, filho de Maria de Lourdes de Barros, enviou o texto abaixo, via e-mail, para Raimundo Junior, de Fortaleza, Ceará, redator do blog Misses em Manchete, www.missesemmanchete.blogspot.com/ :

Minha mãe formou-se em Odontologia e vinha trabalhando como dentista há mais ou menos 30 anos. Separou-se do meu pai quando eu tinha apenas um ano de idade (25 anos atrás) e desde então vinha criando a mim, meu irmão mais velho (Diogo) e minha irmã caçula (Aline - fruto de um romance com meu pai após a separação); sozinha e com muita luta, foi pai e mãe durante todo esse tempo e conseguiu me formar em Administração, meu irmão em Direito e deixou minha irmã cursando o 4º ano de Medicina.

Toda sua vida foi dedicada aos filhos, nunca saía com amigas e não mais namorou ninguém após meu pai, levava sua vida da casa para o consultório e vice-versa.

Hoje não possuía mais fotos ou encartes do tempo em que foi Miss Arapiraca e Alagoas, não sei que rumo tomou tais lembranças.
A história que ela e minhas tias contam é que por algum motivo a Miss Brasil da época -1967- não pôde representar o país em uma viagem pela América Latina, minha mãe a substituiu como Miss Brasil daquele tempo nesta viagem ao Peru, Bolívia, Chile, etc.

Ela parte deixando muita saudade e muito exemplo a ser seguido, era uma mulher de fibra, como jamais vi outra em meus 26 anos de vida. Nunca tinha vaidade com nada, não usava roupas de grifes, não gastava com carros, não ostentava com nada, mas fazia questão de sempre oferecer o melhor para mim e meus irmãos.

Hoje podemos dizer que tivemos uma vida confortável graças ao suor desta mulher guerreira que trabalhou dos 13 anos de idade até a data em que foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda no dia 19/02/09 (véspera de carnaval), passou seus últimos 5 meses entre o Hospital de Câncer de Barretos, SP, e a casa de um tio meu (irmão do meu pai) que mora lá e é médico no hospital.

Foi guerreira até o fim, lutou contra a doença até não ter mais forças e veio a falecer de falência múltipla dos órgãos.
Foi a mãe mais generosa que Deus pôs na terra, espero ser para meus futuros filhos o pai e mãe que ela foi para mim.

Hoje ficamos eu, meu irmão e minha irmã para tomar conta de tudo que ela nos deixou em sua brilhante "carreira solo", ficamos nós três na grande casa que ela construiu e que era seu local favorito.

Obrigado Raimundo
Abração,
Lucas Barros

O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza. - Balley Ardrich



Doze das vinte e cinco candidatas ao título de Miss Brasil 1967, no auge da sua juventude e beleza. Na fila de trás, da esquerda para a direita: Ujara Gudrun Jatahy (Miss Santa Catarina, semifinalista); Anísia Gasparina da Fonseca (Miss Brasília, quarto lugar, grande favorita e a preferida do público), Nelma Ramos Batista (Miss Amazonas), Maria de Lourdes de Barros (Miss Alagoas), Raimunda Nogueira da Silva (Miss Acre) e Vera Maria da Silva (Miss Pernambuco). Na fila da frente, da esquerda para a direita: Cláudia César (Miss Ceará, Miss Simpatia), Nádia Solange Garios Alves (Miss Rondônia), Maria da Graça Kuri(Miss Estado do Rio, semifinalista), Mariza da Costa Velho (Miss Roraima), Vera Lúcia de Castro (Miss Guanabara, semifinalista) e Wilza de Oliveira Rainato (Miss Paraná, segundo lugar). A vencedora do Miss Brasil 1967 foi Carmen Sílvia de Barros Ramasco, Miss São Paulo, que não chegou a concluir seu reinado, tendo renunciado ao título para casar. (Foto: Fatos & Fotos, 08/07/1967)

Agradeço ao Lucas Barros por ter compartilhado com meu amigo Raimundo Junior seu emocionante depoimento e ao Raimundo que não hesitou em autorizar que eu transcrevesse o texto acima para formatar esta matéria em PASSARELA CULTURAL.


Maria de Lourdes de Barros, Miss Alagoas 1967, em foto de 2008, pertencente ao álbum do seu filho Lucas Barros.

DEUS convocou Maria de Lourdes de Barros para uma outra missão na passarela de outra dimensão.
A comissão julgadora e a platéia mudaram.
Maria de Lourdes está a caminho da verdadeira Luz.
Uma faixa diferente, um manto especial, uma coroa singular e um cetro iluminado estão revestidos de eternidade para adornar minha conterrânea.

A ti, Maria de Lourdes de Barros, Miss Alagoas 1967, eu canto meu canto de nostalgia banhado de esperança, enquanto o mês de agosto de 2009 está começando na passarela das nossas vidas.

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