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sábado, 6 de setembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - VERA LÚCIA DE CASTRO, UMA MISS DO TEMPO DAS NORMALISTAS

Daslan Melo Lima

          Vinte e oito lindas garotas inscreveram-se no concurso Miss Guanabara 1967. Entre as favoritas ao título, por ordem alfabética, estavam:
Célia Cordeiro, Miss Sampaio Atlético Clube, pernambucana radicada no Rio de Janeiro, 18 anos, estudante do curso científico;
Liana Maurício de Andrade, Miss Country Club da Tijuca, poliglota, estudante de Direito e de Belas Artes, campeã de natação com 49 medalhas ganhas, considerada o mais belo rosto do concurso;
Solange Mara Thibau, Miss Várzea Country Club, uma bancária que tinha terminado o noivado e via o concurso como uma nova fonte de emoções;
Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença, uma mulata de 19 anos que adorava pintura e Bossa Nova e sonhava ser professora;
Susana Pereira, Miss Esporte Clube Carioca, prima da gaúcha Iolanda Pereira, Miss Brasil e Miss Univeso1930;
Vanda Hegil, Miss Olaria, 21 anos, poliglota, orientadora pedagógica da Escola Miguel Couto.Vanda havia rompido o noivado e sonhava mostrar a Nara Leão ou Tom Jobim quatro canções que havia composto;
Vera Lúcia de Castro, Miss Motel Clube Bandeirante, normalista do segundo ano, 19 anos incompletos. Maior sonho: ser professora, ter muitos alunos e ser apresentada a Agnaldo Rayol, seu cantor preferido.


          Sete garotas, sete destinos. Na noite de 24/06/1967, eleição da Miss GB, faltava uma delas: Vanda Hegil, Miss Olaria, a favorita dos fotógrafos. Uma semana antes, Vanda Hegil suicidou-se pulando do apartamento 1004, situado na Avenida Copacabana, 820, onde morava com os pais. Durante o desfile, os fotógrafos e jornalistas apostavam na vitória de Solange Maria Thibau, Miss Várzea Country Club, que ficou em segundo lugar. Susana Pereira, Miss Esporte Clube Carioca, e Célia Cordeiro, Miss Sampaio Atlético Clube, não ficaram entre as oito semifinalistas. Coube a Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença, a quarta colocação, e a Liana Maurício de Andrade, Miss Country Club da Tijuca, a terceira. O destino de receber a faixa de Miss Guanabara 1967 das mãos de Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara e Miss Brasil do ano anterior, e de aparecer nas capas das revistas brasileiras mais importantes da época, ficou para a linda normalista VERA LÚCIA DE CASTRO, Miss Motel Clube Bandeirante, 1,72 de altura, 62 quilos, 94 cm de busto, 62 de cintura e 93 de quadris, 57 de coxa e 21 de tornozelo.Todas as imagens que ilustram esta matéria foram reproduzidas da revista MANCHETE.


Conselho que Ana Cristina Ridzi, Miss GB e Miss Brasil 1966 deu a Vera Lúcia :Receba sempre, com carinho e simplicidade, as manifestações de simpatia do povo.

          VERA LÚCIA DE CASTRO nasceu às 11 horas do dia 30/12/1948, filha do Sr. Carlos de Castro e D.Maria do Rosário. Oriunda de uma família modesta, tinha duas irmãs, era muito católica e aos 12 anos fazia parte da congregação das filhas-de-maria da Igreja Santo Cristo.
Os refletores coloridos do Maracanãzinho ainda estavam acesos, mas Vera Lúcia Castro já pedia aos fotógrafos que a liberassem: - Quero ir falar,com mamãe, agora.
As lágrimas corriam livremente por seu rosto. Todos foram tocados pela emoção que vivia a modesta família, em cujo mundo jamais haviam existido jornalistas, fotógrafos, passarelas e luzes de reuniões sociais.
O vocabulário de Vera Lúcia não tem palavras difíceis. Ela é simples e direta, suas mãos são seguras e sua gesticulação contida. O sorriso é luminoso, carregado de alegria e sinceridade. Os cabelos são negros e bem lisos, os olhos francos. Quando soube da morte de uma colega, há alguns dias, ficou triste e chorou muito. Desde então, passou a falar menos do que antes. Somente às vésperas do concurso, com todo o corre-corre dos preparativos, ela voltou ao seu natural.
(Revista MANCHETE, 08/07/1967)


          VERA LÚCIA DE CASTRO foi a quarta garota chamada VERA a se eleger Miss do Estado da Guanabara. As outras foram: Vera Lúcia Saba (1962), Vera Lúcia Maia (1963) e Vera Lúcia Couto Santos (1964). O estado da Guanabara foi criado em 1960 e durante os quinze anos de sua existência teve destacada atuação no concurso Miss Brasil.

          Na noite de 1º de julho de 1967, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, VERA LÚCIA DE CASTRO colheu muitos aplausos. Era uma das favoritas e ficou entre as semifinalistas, ao lado de Miss Estado do Rio, Maria da Graça Kuri; Miss Minas Gerais, Maria Juliana Garcia da Costa; e Miss Santa Catarina, Ujara Gudrun Jatahy. Se dependesse da maioria do público, o título de Miss Brasil 1967 teria sido de Anísia Gasparina da Fonseca, quarta colocada. Miss Pará, Sônia Maria Ohana, e Miss Paraná, Wilza de Oliveira Rainato, ficaram com o terceiro e segundo lugares, respectivamente, cabendo a Carmen Sílvia de Barros Ramasco o manto, a coroa, a faixa e o cetro de Miss Brasil 1967.


          O curso Normal durava três anos e preparava as moças para a missão de ensinar nas escolas primárias. Antes do curso, elas enfrentavam oitos anos de estudo: quatro no primário e outros quatro no ginásio, sem falar no temido e rigoroso Exame de Admissão ao Ginásio. Ser normalista dava status e muitas jovens de famílias abastadas não almejavam lecionar, apenas queriam dizer com orgulho que se formaram em professoras. Casamento? Só depois de se formar.
          A canção NORMALISTA, de Benedito Lacerda e David Nasser, gravada por Nelson Gonçalves nos anos 50, imortalizou a figura da garota que fazia o curso Normal.

Vestida de azul e branco/Trazendo um sorriso franco/No rostinho encantador/Minha linda normalista/Rapidamente conquista/Meu coração sem amor./Eu que trazia fechado/Dentro do peito guardado/Meu coração sofredor/Estou bastante inclinado/A entregá-lo ao cuidado/Daquele brotinho em flor./Mas a normalista linda/Não pode casar ainda/Só depois que se formar/Eu estou apaixonado/O pai da moça é zangado/E o remédio é esperar.


          Independente da música, quando vejo uma garota de farda indo para alguma escola, lembro-me sempre da imagem de uma jovem carioca de olhar franco, cabelos negros e lisos, dotada de um sorriso amplo e luminoso, carregado de alegria e sinceridade : a imagem de VERA LÚCIA DE CASTRO, Miss Guanabara 1967, uma Miss do tempo das normalistas.

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