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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Jane Macambira, o feitiço da vila

Daslan Melo Lima



Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos darvoredo 
e faz a lua nascer mais cedo.

Lá, em Vila Isabel, 
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café, Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.

A vila tem um feitiço sem farofa;
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa transformou o samba
Num feitiço decente que prende a gente.

O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
Sol, pelo amor de Deus, não vem agora 
que as morenas vão logo embora.

Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer, 
modéstia à parte, meus senhores,
Eu sou da Vila!



               Os versos do famoso samba Feitiço da Vila, de Noel Rosa (1910-1937) e Osvaldo Gogliano, o Vadico (1910-1962), inspiraram os repórteres Tarlis Batista, Maria Cláudia e Mounir Safatli a dar o seguinte título à reportagem do concurso Miss Guanabara 1972, da revista Manchete, de 1º/07/1972: MISS GB 72 - JANE MACAMBIRA - O FEITIÇO DA VILA.

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Jane Macambira
 Senhorita, Miss e Rainha

               Jane Vieira Macambira era morena, tinha cabelos e olhos castanhos, 19 anos de idade, estudante de um curso pré-vestibular para Psicologia, 1,69 de altura, 54 quilos, 91 cm de busto, 60 de cintura, 91 de quadris, 54 de coxa e 21 cm de tornozelo. Era natural de Santos, São Paulo, morava no bairro de Santa Tereza, Rio de Janeiro, torcia pelo Vasco da Gama, tinha conquistado o título de Senhorita Rio 1970, e representou a Associação Atlética Vila Isabel no concurso Miss Guanabara 1972.  A preferida do público era a loura Fátima Nascimento, Miss Clube dos Advogados, que ficou em segundo lugar. Venceu Jane Macambira, que já tinha muita experiência de passarela, pois além do Senhorita Rio, também venceu o Rainha das Praias Brasileiras 1971.

E para os que acham Jane Macambira uma gracinha, lá vai um aviso: a moça não tem namorado, e nem quer saber de compromisso mais sério, porque o negócio dela é o pré-vestibular - está trocando qualquer príncipe encantado por um livro. É o seu atual amor. Aliás, Jane é o tipo da menina que não deixa para amanhã o que pode dizer hoje:
- Por que vou fazer um rapaz perder tempo comigo, se ainda pretendo estudar, tornar-me independente, para só depois pensar em casamento, em filhos? Sou contra o gênero de mulher que depende de homem para tudo. Ela tem que ser companheira e não empregada doméstica.
Jane Macambira tem lá suas certezas. E jura que nunca ouviu falar nesse tal de Women´s Lib.
(Manchete)


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TOP 3 - MISS BRASIL 1972 - Da esquerda para a direita: Ângela Maria Favi (1954-2003), Miss São Paulo, segundo lugar, representante brasileira no Miss Mundo; Rejane Vieira da Costa, Miss Rio Grande do Sul, primeira colocada, segundo lugar no Miss Universo; Jane Macambira, Miss Guanabara, terceira colocada, quarto lugar no Miss Beleza Internacional, sendo eleita depois em Oranjestad, Aruba, Miss Intercontinental 1972. 

Jane Macambira vem sendo comparada a um belo carro de Fórmula-1: modelo aerodinâmico, chassis último tipo, máquina incrementada. Sem cessar, ela acumula títulos. Primeiro, foi Rainha das Piscinas de Santa Catarina, depois Senhorita Rio e em seguida Miss Guanabara. Colocando-se em terceiro lugar no concurso para Miss Brasil, ela ficou automaticamente classificada para ser a representante brasileira no concurso Miss Internacional que se realiza, anualmente, em Tóquio. E, agora, o resultado mostra que Jane Macambira continua em plena forma: ela ganhou um honroso 4º lugar, numa competição duríssima, onde havia candidatas de grande beleza. A inglesinha Linda Hooks sagrou-se Miss Internacional, seguida de perto pela segunda colocada, a australiana Nola Christine Clark. Escassas polegadas separavam esta da morena classificada em 3º lugar, Iolanda Dominguez, das Filipinas. E só por uma questão de milímetros – talvez devido a uma derrapagem do júri, desacostumado a curvas brasileiras - Iolanda venceu Jane Macambira. (As Curvas Cariocas no Oriente-Manchete)

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        Jane Macambira deve ter casado e tido filhos, mas só depois de ter se formado em Psicologia e de virar uma mulher independente, como sempre foi o seu desejo.
       Imagino um neto seu ou uma neta sua navegando na Internet, descobrindo esta Sessão Nostalgia e falando emocionadoo:
       - Minha mãe continua tão linda como no tempo em que foi o Feitiço da Vila!

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