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sábado, 31 de março de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Matilde Terto e Julia Kátia, quarenta e dois anos depois do Miss Pernambuco 1976


Daslan Melo Lima         




Matilde Terto, Miss Serra Talhada, Miss Pernambuco 1976, e Julia Katia, Miss Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem, semifinalista (Top 10) do Miss Pernambuco 1976. Elas não se viam há quarenta e dois anos.
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          Eu estava naquele 04 de junho de 1976, no setor de arquibancadas do Geraldão, Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães Melo, na noite da eleição da Miss Pernambuco 1976. Um evento marcante, público estimado em 22 mil pessoas que viram Matilde de Souza Terto ser eleita Miss Pernambuco. Pelo terceiro ano consecutivo, uma jovem de Serra Talhada conquistava o cobiçado título. Eram vinte e cinco candidatas, entre elas Júlia Katia de Araújo, Miss Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem, uma das semifinalistas (top 10). Faz quinze anos que me tornei amigo de Julia Katia, desde que fui apresentado a ela por Fernando Bandeira Diniz, coordenador do Miss Brasil Latina. No dia 23 do mês passado, no Teatro do IMIP, Recife, testemunhei um momento mágico: o reencontro de Matilde Terto e Julia Katia. Desde aquela noite de junho de 1976 que elas não se viam.   
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Matilde Terto - 1976


        
         Estudante da Escola Normal, nascida em 14 de março de 1959, a serratalhadense Matilde Terto tinha apenas dezessete anos de idade quando foi convidada para disputar o título de Miss Serra Talhada. Eleita Miss Pernambuco 1976, disputou o Miss Brasil no Ginásio Presidente Médici, em Brasília, no ano em que a vencedora foi a paulista Kátia Celestina Moretto (1958-2013). 

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Matilde Terto - 2018


           Matilde Terto reside na pequena e turística cidade de Triunfo, próximo à Serra Talhada, distante 355 km do Recife. Um motivo de orgulho: suas filhas Reginelle Terto (médica) e Danielle Terto (fonoaudióloga) e seu neto Guilherme. Em entrevista ao site faroldenoticias.com.brde 15/02/2016, declarou: "Se fosse possível começaria tudo novamente. Adorei o concurso. Tive destacada atuação durante o meu reinado de beleza. Eu tenho saudade de tudo que marcou a minha vida, e só se sente saudade do que realmente valeu à pena. Para as que almejam o título, que saibam aproveitar a chance com amadurecimento, lembrando que a beleza não está apenas ligada ao físico. Exige muito de dentro de cada uma. Humildade acima de qualquer coisa, que sejam elegantes no comportamento, trazendo leveza, harmonia, desenvoltura, graciosidade… reunindo um padrão de beleza que sirva de referências para as futuras gerações. Que brilhem na passarela e aproveitem cada momento de glamour. Sou mãe, avó, amiga… um ser humano normal, tenho qualidades e defeitos. Muito fiel a lei do retorno. Amo minha família e amigos, eles são minha razão de viver, porque tornam a minha vida bem mais feliz."
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Julia Katia - 1976



             Julia Katia era uma das mais famosas modelos pernambucanas quando aceitou o convite para disputar o Miss Pernambuco 1976, representando o Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem.  Essa agremiação  era dirigida por Fernando Bandeira Diniz e fazia um belo trabalho cristão, dando suporte às ações do Padre Osvaldo, pároco da Igreja Católica de Boa Viagem. Nascida em 24 de dezembro de 1956, vinte anos incompletos, a recifense Julia Katia era sensação nas passarelas dos desfiles de moda dos estilistas Marcílio Campos (1930-1991) e Paulo Carvalho. Notícia em todas as colunas sociais pernambucanas e até em revistas de circulação nacional; MancheteFatos & Fotos e Ele & Ela

                            Julia Katia na coluna de João Alberto, Diario de Pernambuco, 22/03/1978

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Julia Katia - 2018


             Julia Katia é viúva de Mario de Melo Lopes, cirurgião buco-maxilo-facial do Hospital da Restauração e professor da Universidade Federal de Pernambuco, falecido em 07/06/1998, vítima da doença de Alzheimer. Ao lado do seu grande amor, Julia Katia viajou pelo mundo inteiro. Por opção, não teve filhos, mas é muito ligada à família. Faz questão de ressaltar a figura maravilhosa da mãe e da ótima convivência com os irmãos Ricardo, Fernando, Bianca e Fabíola e o apego à Thais, sobrinha-neta.
          Para Julia Katia, valeu a pena ser Miss: "São muitas as boas recordações. A convivência com o inesquecível Marcílio Campos foi a maior de todas. Guardo lembranças maravilhosas, entre elas, do aprendizado com a inesquecível jornalista Léa Pabst Craveiro. Quando eu ria alto e gargalhava, Léa me corrigia com aquela sua classe e elegância e dizia: - Katia, não sorria assim, ria mais baixo."
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          Coisas do destino. Eu estava lá, no Geraldão, naquele distante junho de 1976, assistindo ao Miss Pernambuco. Eu também estava no Teatro do IMIP, no dia 23 do mês passado, assistindo ao Miss Pernambuco 2018, quando registrei as  imagens do encontro de Matilde Terto e Julia KatiaEstávamos sentados numa mesma fileira de cadeiras, Matilde, eu, Julia Katia e o jornalista  Muciolo Ferreira, próximos, porém um pouco distanciados. Quando Muciolo perguntou a Julia se ela tinha visto Matilde Terto, a resposta foi "não". E aí Julia pediu ao Muciolo que a levasse até Matilde.  
          Aquele jovem que um dia eu fui em 1976, registrou o encontro das duas famosas misses. Até parece que vivi um sonho.

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Crédito das imagens:
Foto atual de Matilde Terto:  Fernando Machado
Foto atual de Julia Katia: Facebook 
Fotos do encontro de Matilde e Julia: DML/Passarela Cultural
Fotos em preto e branco: Arquivos Pessoais


sábado, 19 de julho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA – Cilene Aubry, Maria de Fátima Mourato e Matilde Terto, as misses da terra de Lampião

Por Daslan Melo Lima  


          Durante três anos consecutivos, 1974, 1975 e 1976, o município de Serra Talhada, terra natal de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, teve a satisfação de ver três garotas da sua cidade conquistar o cobiçado título de Miss Pernambuco:  Cilene Aubry Bezerra da Costa, Maria de Fátima Mourato de Souza e Matilde de Souza Terto.


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CILENE AUBRY  BEZERRA DA COSTA, MISS PERNAMBUCO 1974

Da esquerda para a direita, Isolda Lira Cabral, Miss Caruaru, terceiro lugar; Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Serra Talhada, primeiro; e Angélica Moura Lins, Miss Gravatá, segundo lugar. ***** Foto: Diario de Pernambuco.


Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Pernambuco 1974 
          Mais de 15 mil pessoas compareceram ao Ginásio de Esportes Geraldo de Magalhães Melo, o Geraldão, na grande promoção dos Diários e Emissoras Associados. Foi um grande acontecimento social, com expressivas figuras da alta sociedade pernambucana ocupando as cadeiras de pista. As atrações artísticas foram Ronnie Von, Rosemary e o conjunto MPB-4.
          Três garotas maravilhosas foram finalistas: Isolda Lira Cabral, de Caruaru, terceiro lugar; Angélica Moura Lins, de Gravatá, segundo lugar; e Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Serra Talhada, primeiro lugar.


          Cilene Aubry e sua vice Angélica Moura Lins voltaram a se encontrar na disputa pelo título de Miss Brasil 1974, vencido pela paulista Sandra Guimarães, ocasião onde Angélica concorreu como Miss Fernando de Noronha. Ambas não se classificaram entre as semifinalistas do Miss Brasil 1974.



        

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  Cilene Aubry dez anos depois, ao lado do inesquecível estilista Marcílio Campos ( Foto: coluna de Fátima Bahia-Jornal do Commercio-Recife,11/05/1986).

          
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MARIA DE FÁTIMA MOURATO DE SOUZA, MISS PERNAMBUCO 1975 


As cinco finalistas do Miss Pernambuco 1975. Da esquerda para a direita: Solange Costa, , Martha Valeska, Maria de Fátima Mourato, Inês Regis e Edileide Constantino. (Foto: Diario de Pernambuco)

          Pela ordem de classificação, as cinco finalistas do Miss Pernambuco 1975 foram: Maria de Fátima Mourato, Miss Serra Talhada; Solange Costa, Miss Vitória de Santo Antão; Inês Regis de Melo; Miss Clube Internacional do Recife; Edileide Maria Vital Constantino, Miss Moreno; e Martha Valeska Vasconcelos, Miss Grupo Jovem de Boa Viagem. Kátia Marques, Miss Clube Elefantes de Olinda, recebeu a faixa de Miss Simpatia.

          Para muitos, o título deveria ter ficado com Solange Costa, considerada a grande injustiçada do Miss Paraíba, onde tinha ficado em segundo lugar. Para outros, as cinco finalistas deveriam ter sido seis, uma vez que Edileide Maria Vital Constantino , Miss Moreno, era idêntica a Edinilza Constantino, Miss Jaboatão, sua irmã gêmea. Maria de Fátima Mourato não se classificou no Miss Brasil 1975,vencido pela catarinense Ingrid Budag. Em outubro, renunciou ao título para casar com José Ferreira dos Anjos, Major da Polícia Militar de Pernambuco. Solange Costa assumiu o título, mas renunciou pouco tempo depois, também para casar. Coube então a Inês Regis de Melo, terceira colocada, a responsabilidade de ser oficialmente a Miss Pernambuco 1975 até a eleição da Miss do ano seguinte.

         








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 Maria de Fátima Mourato. (Imagem: revista Fatos & Fotos). 


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MATILDE SOUZA TERTO, MISS PERNAMBUCO 1976

Matilde Terto - Foto: revista Manchete


          Vinte e dias mil pessoas no Geraldão, um recorde, comparado ao da pregação de Frei Damião, ocorrida semanas antes, assistiram 25 candidatas disputar o Miss Pernambuco 1976. 
          Maria Aparecida Druzziane Saraiva, Miss Caruaru, semifinalista, recebeu a faixa de Miss Simpatia. Júlia Kátia de Araújo, Miss Grupo Jovem de Boa Viagem, uma das mais famosas modelos e manequins da época, arrancou aplausos e também muitas vaias por causa do seu biótipo e estilo de desfilar. Ela fugia do padrão das Misses tradicionais e sua postura era similar às modelos da atualidade. Linda, magérrima e cheia de atitude, ficou entre as semifinalistas sem se importar quando alguém gritava: Tra-ves-ti ! Maria Betânia Magalhães Albertin, Miss Pesqueira, semifinalista, com muita classe, foi a primeira concorrente a tomar a iniciativa de parabenizar Matilde Souza Terto pela conquista do título, uma vez que outras se omitiram , descontentes com o resultado.


          Para alguns, o título teria ficado melhor nas mãos de Maria Pompéia Farias, Miss Náutico, irmã de Jerusa Farias, Miss Belo Jardim e Miss Pernambuco 1969. Matilde Terto ganhou um automóvel Chevette zero km,o mesmo prêmio que foi dado às suas duas antecessoras,oferta da empresa Caxangá Veículos. Em Brasília, Matilde Terto não obteve classificação no Miss Brasil,vencido pela paulista Kátia Celestino Moretto.







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          Á direita, Maria Betânia Albertin e Julia Kátia, em fotos do Diario de Pernambuco.

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          Mais de trinta anos depois, a conquista dos três consecutivos títulos de Miss Pernambuco pelas três garotas de Serra Talhada é quase uma lenda lá pras bandas do sertão pernambucano. Constatei isso faz uns oito anos, quando passei uma semana por lá. Em um restaurante à beira da estrada de um povoado,um senhor olhou para mim e disse : 
- O senhor sabia ? Pense na beleza da mulher sertaneja ! Serra Talhada já deu três Misses Pernambuco !
Respondi : 
- Eu sei senhor,eu estava no Geraldão nos anos de 1974,1975 e 1976 e fui testemunha da vitória de Cilene,Maria de Fátima e Matilde. Parece uma lenda como a de Lampião, guardando as devidas proporções. Uma lenda que se estenderá por várias gerações.

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