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domingo, 24 de março de 2019

SESSÃO NOSTALGIA – Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958, irreverências e borbulhas de champanhe


Daslan Melo Lima

Adalgisa Colombo 

Está prevista para o próximo mês, na Globo e no Gloplay, a estreia da minissérie Se  eu Fechar os Olhos Agora, escrita por Ricardo Linhares, com direção artística de Carlos Manga Jr, inspirada no livro homônimo de Edney Silvestre. A atriz Mariana Ximenes viverá o papel de Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.


                            Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958

         No livro “Feliz 1958 – O Ano Que Não Devia Terminar”, de Joaquim Ferreira dos Santos, Editora Record – Rio de Janeiro – 1997, há  várias revelações que dizem muito da personalidade irreverente da carioca Adalgisa Colombo, a manequim da Casa Canadá que se tornou um ícone da beleza brasileira.


       “Fui a primeira miss produzida em laboratório da história. Eu sabia que não tinha os olhos azul-turquesa da Marta Rocha: precisava inventar um diferencial, uma armação que superasse as outras. ”
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        “O maquiador oficial do concurso enchia de pancake as pernas de todas as candidatas, para esconder imperfeições. Aquilo dava um tom horrível à pele, morto. Deixei que o maquiador fizesse o trabalho, mas antes de desfilar fui ao banheiro e tirei tudo, no lugar coloquei óleo Johnson. Deu brilho, sensualidade, um aspecto mais saudável e atraente. ”
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    “Para que as pernas ficassem mais compridas ainda dei uma cavadinha no saiotezinho do maiô. Não era uma peça inteiriça como as de hoje. Vinha com um meio saiote para não deixar muito definido o desenho do sexo da mulher. Com a cavada, a sexualidade também ficou mais evidente e agressiva. ”
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     “As misses adoravam o cabelão nos ombros porque dava um clima mais romântico. Eu desfilei de coque. Era a maneira de valorizar o pescoço, uma parte muito sensual do corpo, e também os ombros. ”
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     “Um dos momentos mais tensos do desfile é quando a candidata vai ao microfone. Desde o ano anterior eu já estava trabalhando na Rádio Globo, com um programa de entrevistas, que era uma maneira de me preparar para o concurso. Me saí bem no teste do microfone, embora tenha sido um pouco agressiva no discurso. Disse que cada um devia se comportar do jeito que a educação lhe recomendasse. ”
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      “Pela primeira vez o concurso tinha uma diretora de desfile, a Maria Augusta, da Socila, uma casa de curso de etiqueta que estava começando naquele ano. Só que eu era uma profissional de desfile, desfilava no estilo francês, e a Maria Augusta inventava umas coisas muito estranhas pras misses. Umas rodadinhas, uns pivôs, que faziam a arquibancada vibrar, mas muito cafonas. Me recusei a fazer as marcacões dela. Desfilei como se estivesse na Canadá.”
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         Adalgisa tinha 1,65m de altura, 56 quilos, 89cm de busto, 61cm de cintura, 21 de tornozelo e 89 de quadris, além de todos aqueles truques que já vimos, mas o concurso de Miss Brasil exigia mais. Exigia uma avaliação, digamos, intelectual das moças nos bastidores. Os juízes passavam por elas e faziam perguntas de conhecimentos e sagacidade gerais. Adalgisa ainda se lembra do momento em que foi sabatinada por Nazaré.
      - "Se o fecho-ecler do seu vestido abrisse no meio do desfile, o que você faria?" – perguntou o ilustre costureiro. Adalgisa de início boquiabriu-se, depois pasmou-se. Enfim respondeu: - "Deixaria aberto, Nazaré. Decotado ficaria bem melhor.''  
       Ouçam o discurso que ela    fez, em inglês, of course, para Robert Kealer, o prefeito de Long Beach, a quem acabara de entregar um chapéu de cangaceiro: “Dizem que este chapéu foi usado por um pistoleiro chamado Lampião, que nossa policia militar matou no interior do Brasil. Mas não tenha medo, senhor prefeito, como o senhor vê, a cabeça dele não foi alvejada, somente o corpo. Coitado! Parecia um paliteiro.”
     Depois das gargalhadas, Adalgisa pediu que Kealer desse uma voltinha. Por alguma associação de imagens, lembrou do prefeito carioca, Negrão de Lima, que usava uma piteira toda empertigada e um chapéu gelô. “O senhor é elegante como o prefeito da minha cidade”, encantou Adalgisa. Virando-se para  a plateia americana, ela encerrou no mesmo tom. “Colombo descobriu vocês. Espero que agora vocês descubram a Colombo."


      Os organizadores do Miss Universo levavam as misses para um tour por Hollywood, sempre uma boa oportunidade de fotos para as revistas e, quem sabe, um romance consagrador para alguma moça. Adalgisa já estava comprometida com um empresário e alto funcionário da embaixada americana. De repente, um dos atores, o mais paparicado de todos, virou-se incomodado para aquela moça blasê. 
- Você não vai me pedir um autógrafo?
- Quem é você?
- Eu sou Hugh O’Brien, o Wyat Earp. Todo mundo me conhece.
 - Nunca ouvi falar, mas escreve aqui.
      O rapaz, que só faria sucesso no Brasil a partir do ano seguinte, com a mesma série, subitamente animou-se e tascou lá o autógrafo no papelzinho. Acreditem no que vem em seguida, porque aconteceu e está sendo contado aqui por primeira vez – e pela própria autora da façanha. “Eu pequei o papelzinho e piquei tudo bem pequenininho na cara dele" – relembra Adalgisa gargalhando. - "Onde já se viu homem tão convencido!"

      Evidentemente, nem todos estavam preparados para tanta autossuficiência. Pelo menos um dos juízes do Miss Universo confessou que foi por aí, por causa dessa arrogância, que o júri preferiu dar o título à colombiana Luz Marina, deixando Adalgisa com o segundo lugar. Foi o desenhista Vargas, famoso pelos desenhos de falsas pin-ups no início da Playboy americana. "Adalgisa perdeu porque deixou a naturalidade de lado"admitiu Vargas. Marta Rocha já tinha perdido porque tentara imitar os gestos e o andar de Marilyn Monroe. Agora é a vez de Adalgisa. Ela desfilou como se fosse a Gisa, modelo internacional. Não pode. A Miss Colômbia era mais espontânea e acabou ficando mais bonita com isso.
     Vargas queria mulheres de papel. Adalgisa era difícil de dobrar.

A recomendação de Adalgisa Colombo para Sônia Maria Campos, 
Vice-Miss Brasil 1958

Sônia Maria Campos
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Sônia Maria Campos e Adalgisa Colombo
Fotos de Gervásio Batista Manchete, Ano 6, nº 325, 12/07/1958
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          Ainda do livro de Joaquim Ferreira dos Santos: Em 1958, segundo a reportagem de Luís Edgar de Andrade, texto, e Indalécio Vanderley, foto – uma das duplas de ouro do incrível escrete de O Cruzeiro - , a grande concorrente de Adalgisa foi a morena Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, dona de grandes predicados físicos e que ainda por cima, como se não bastasse tal glória, “lê Shakespeare no original”. Sua eleição em Recife tinha ganhado contornos antropológicos: as adversárias, apesar do sotaque arretado da gota, eram todas louras. Foi preciso que Gilberto Freyre, com seu zelo genético, saísse de Apipucos para discursar veemente contra a excentricidade.
         Sônia tirou o segundo lugar no Miss Brasil, o que lhe dava o direito de disputar o concurso Miss Mundo em Londres. Antes de viajar, está em O Cruzeiro, Adalgisa lhe fez uma recomendação muito catita: - "Não deixe de ir à Holanda. Lá tem as tulipas, e as vaquinhas no inverno vestem um casaquinho abotoado na cintura.”

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Mariana XimenesFoto: Maurício Fidalgo / TV Globo

          “Ela tem um humor ácido e preciso, tem uma sagacidade absurda, mas, ao mesmo tempo, tem uma amargura bem profunda, mas que ela não revela. Tem tiradas absolutamente inteligentes. É uma mulher irreverente e se expressa desta forma na hora de se vestir, no cabelo, na maquiagem, nas unhas e na própria atitude. A Adalgisa é como borbulhas de champanhe”, ressaltou Mariana Ximenes sobre sua personagem ao gshow.globo.com

        Espero que a minissérie Se eu fechar os Olhos Agora focalize com fidelidade a personalidade e a trajetória de Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1958, entre irreverências e borbulhas de champanhe.

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sábado, 5 de maio de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - "Adalgisa, você agora é Miss Distrito Federal !"

Daslan Melo Lima

                    

              Era junho de 1958. Um desastre de avião ocorrido em Curitiba, Paraná, tinha deixado oito sobreviventes, entre eles o deputado estadual Lerner Rodrigues. Entre os mortos estavam o senador Nereu Ramos, o deputado Leoberto Leal e o governador catarinense Jorge Lacerda. A Seleção Brasileira de Futebol fazia uma excelente campanha na Copa do Mundo, nos estádios da Suécia. 
          Embora esses assuntos fossem de interesse para a população brasileira, as misses estavam em primeiro lugar. Misses na capa de uma revista era sinônimo de recorde de vendas. E como prova disso, eis Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal (Rio de Janeiro),  na capa da Manchete, número 323, ano 6, de 28/06/1958. A chamada de capa "Vaiada Adalgisa Chorou" ganhou mais destaque do que o desastre aéreo e a Copa do Mundo. A revista faz parte do meu acervo e está com marcas inevitáveis de seis décadas de existência. 
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Adalgisa chorou vitória e vaias


          Porque foi vaiada pelo público ao ser eleita Miss Distrito Federal 1958, Adalgisa Colombo chorou ao receber a faixa no Maracanãzinho e saiu correndo para o camarim, dizendo que "se tivesse sido derrotada estaria me sentindo como hoje, em que um júri me deu a vitória."
          O público vaiou Adalgisa porque preferia Ivone Richter, Miss Riachuelo, segunda colocada. Quando Adalgisa fazia pose na passarela, a pedido dos fotógrafos, era vaiada. Assim que Ivone Richter dela se aproximava, o público aplaudia, pretendendo dizer: "Essa sim!"
           Ao entrar no camarim, depois de eleita, e ouvindo muita gente dizer que o resultado fora "uma autêntica marmelada Colombo", Adalgisa recebeu uma anágua jogada (depois ela soube) por uma das candidatas derrotadas. Ela quis reagir, mas um repórter a segurou e disse: "Adalgisa, você agora é Miss Distrito Federal !"
      Com os olhos em lágrimas e vermelhos, desde que foi proclamada vencedora até voltar para casa, de madrugada, Adalgisa deixou-se fotografar demoradamente no Maracanãzinho e disse depois da vitória que ficara emocionada e "não esperava a péssima recepção que tive. Foi falta de educação de muita gente". Rebatendo os que chamavam o concurso de marmelada Colombo, Adalgisa disse: "Não pedi nada a ninguém. A programação do concurso foi perfeita. Não contava, inclusive, com a vitória, porque esperava que Miss Riachuelo, que considero linda, fosse a vencedora". Adalgisa disse que só duas ou três das vinte e seis candidatas não a trataram bem depois da vitória. 

"Adalgisa sofre forte crise de choro quando, vitoriosa, foi muito vaiada."
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Entre fortes aplausos

"Ivone Richter, do Riachuelo, era a preferida do público. Recebeu o segundo lugar com a maior elegância e esportividade entre fortes aplausos." ***** Detalhe: O sobrenome de Ivone na revista foi escrito como Ritcher, mas editei aqui como Richter, o correto. A propósito, a Miss Riachuelo 1958 é mãe da atriz Alexandra Richter.
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"As duas favoritas Ivone e Adalgisa tiveram sorrisos diferentes.  Além da faixa, Adalgisa Colombo ganhou um anel de platina francesa, com duas pérolas, branca e cinza." 
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Um erro na chamada do Top 5


Da esquerda para a direita, Denise Leyraud, Miss Fluminense Futebol Clube, sexto lugar; Ivone Richter, Miss Riachuelo, segundo lugar;  Adalgisa Colombo, Miss Botafogo de Futebol e Regatas, primeira colocada; Avani Maura Fonseca, Miss Clube Militar, quarto lugar; e Mirna Abi-Saber, Miss Clube de Regatas Vasco da Gama, quinto lugar. ***** Erraram na chamada do Top 5. O que aconteceu? Chamaram Denise Leyraud, a sexta colocada, e esqueceram de chamar a terceira, Ivone Gonçalves, Miss Clube da Aeronáutica.  "Miss Aeronáutica, terceira colocada, não foi anunciada no final do concurso, tendo sido Miss Clube Militar chamada em seu lugar. O público já havia saído quando o erro foi percebido. Resultado: Miss Aeronáutica não posou para todos os fotógrafos no palco e teve de posar no camarim, só para alguns."
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      Depois daquela noite de 14 de junho de 1958, Adalgisa Colombo venceu o concurso Miss Brasil, enfrentando outra vez a insatisfação da maioria do público presente ao Maracanãzinho, que torcia pela pernambucana Sônia Maria Campos, segunda colocada. Também ganhou visibilidade internacional, ao conquistar o segundo lugar no Miss Universo 1958. Nascida no Rio de Janeiro em 11/01/1940, Adalgisa faleceu em 18/01/2013, na mesma cidade que a projetou para a fama, deixando seu nome como um ícone da beleza brasileira. 

                        
   
           Estamos a um passo do Miss Brasil 2018, a ser realizado no dia 26 deste mês, no Rio Center.  Também a um passo da Copa do Mundo, que começa no dia 14 do próximo mês, na Rússia. 
            Não é proibido sonhar. Penso no concurso Miss Brasil sendo realizado no Maracanãzinho. Fantasio as revistas de maior circulação no País colocando a vencedora na capa, deixando em segundo plano as notícias sobre corrupção na política brasileira. 
       Imagino as histórias de um tempo que se foi ecoando nas madrugadas silenciosas do Maracanãzinho. Histórias como a de Adalgisa Colombo recebendo uma anágua jogada por uma das candidatas derrotadas. Ela querendo reagir, mas um repórter a segurando e dizendo: "Adalgisa, você agora é Miss Distrito Federal !"   

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Outras secções SESSÃO NOSTALGIA sobre o assunto:
 - Concurso Miss Distrito Federal 1958, 
 - Ivone Richter, Vice-Miss Distrito Federal 1958


sábado, 6 de novembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - CONCURSO MISS DISTRITO FEDERAL 1958

Por Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          Noite fria de sábado, 14 de junho de 1958. O Rio de Janeiro ainda era capital do Brasil e o Maracanãzinho estava em festa para eleger a Miss Distrito Federal. A responsabilidade de escolher a representante da Cidade Maravilhosa no Miss Brasil foi colocada nas mãos das seguintes  personalidades:  Dinah Silveira de Queirós (escritora), Mateus Fernandes (escultor), Gerson Pinheiro (diretor da Escola Nacional de Belas Artes), Waldemar Areno (diretor da Escola Normal de Educação Física), Reinaldo Reis (secretário do Prefeito Negrão de Lima), Nazareth (costureiro), J.G.de Araújo Jorge (poeta e ligado ao patrocinador do concurso), Alceu Pena (desenhista), Adolfo Graça Couto (presidente do  Country Club), Edson Varela (gerente dos Diários Associados) e Orlando  Mota (diretor do Diário da Noite, órgão dos Diários Associados). Como assessor do júri, sem direito a voto, estava Oscar Santamaria, juiz brasileiro do concurso Miss Universo.
                                                                         
Maracanãzinho, Rio de Janeiro, Distrito Federal, 14/06/1958. 
  Foto: D.Alexandre, revista O Cruzeiro, 21/06/1958.
           Dando início ao desfile, o locutor Hildon Gomes  disse que as candidatas eram moças das melhores famílias brasileiras,  enquanto a Banda de Fuzileiros Navais tocava “Cidade Maravilhosa” . Depois, a orquestra de Edmundo Peruzzi apresentou um repertório de músicas suaves.
          Candidatas ao título de Miss Distrito Federal: Adalgisa Colombo (Botafogo de Futebol e Regatas) * Anette de Oliveira (Madureira A.C.) * Avany Maura (Clube Militar) * Bernadette da Cunha (América F.C.) * Clara Lisboa (Marã Esporte Clube) * Denise Leyraud (Fluminense F.C.) * Édna Queirós (Social Ramos Clube) * Eline Rangel (Grajaú Atlético Club  * Ester Barbreuse (Faculdade de Medicina ) * Gina Blanco (A.A. Banco do Brasil ) *  Iara Marques Vasconcelos (Brazil Kennel Club) * Icléia  Calixto (Bangu Atlético Clube) *  Ivone Gonçalves (Clube da Aeronáutica) *  Ivone Richter, nome que apareceu escrito em muitas publicações como Ivone Ritcher (Riachuelo T.C.) *  Laine de Sousa Oliveira (Braz de Pina Country Club ) *  Lenira Ribeiro Ferreira (Escola Nacional de Educação Física) *  Lurdes Miguéis (Vitória T.C.) * Maria Júlia Alencastro Carvalho (Faculdade de Direito ) *  Marly Moreira (S.C.Anchieta) * Myrna Abi-Saber (C.R.Vasco da Gama) * Neide Toscano (A.A. Vila Isabel) * Rosana Tapajós (C.R.Flamengo) * Selma Pamplona (Clube Leblon) * Solange Bragas (A.A. Caixa Econômica) * Teresinha Araújo (Clube Municipal) * Vera Viana (Caiçaras) .
          Regina Rosemburgo, Miss Lagoinha Country Clube, adoeceu e estava com 39,9 graus de febre no dia do concurso, por isso não apareceu no Maracanãzinho. Regina Rosenburgo, mais tarde famosa como Regina Léclery, figura de prestígio no jet-set internacional, faleceu  em Paris, vítima de desastre de avião, em 11/07/1973.

AS CINCO FINALISTAS 
Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, primeira colocada no concurso Miss Distrito Federal 1958. (Foto: Revista O Cruzeiro, 21/06/1958)
Da esquerda para a direita, em maiô, e na mesma sequência, em vestido de gala:  Ivone Richter , Miss Riachuelo, segundo lugar;  Ivone Gonçalves, Miss Clube da Aeronáutica, terceiro lugar; Avani Maura Fonseca, Miss Clube Militar, quarto lugar, e  Mirna Abi-Saber, Miss C.R. Vasco da Gama, quinto lugar. (Foto: O Cruzeiro, 21/06/1958).
As cinco moças finalistas no concurso para Miss Distrito Federal apareceram, em linha, no palco do Maracanãzinho, já de madrugada. O locutor foi dizendo, devagar, o resultado, do fim para o começo. Até que anunciou: Ivone Richter, Miss Riachuelo, no 2º lugar. Aí só restava uma: Adalgisa Colombo, Miss Botafogo. Adalgisa, muito pálida, sorriu vitoriosa. Baixou a cabeça em seguida. Houve um princípio de vaia no imenso ginásio de cimento armado. Cada ano, há essa vaia:  os clubes são muitos, têm as suas torcidas, nem todos se conformam. Adalgisa chorou, já com a faixa de Miss Distrito Federal. Enxugou com a mão as lágrimas que desciam pelas covinhas do rosto. Quando tudo acabou, saiu correndo para o camarim. Viu a mãe encolhida num canto, após a longa espera. Abraçou-se  com ela. “Não chore, minha filha – disse D. Percília. – A vaia não era para você. ” Os repórteres vieram atrás. Um deles perguntou à bela moça de olhos úmidos se a vida ia mudar muito com a eleição. A resposta foi assim: “Só até o sábado. Depois volta ao natural”. Sábado haverá outra multidão no Maracanãzinho: a eleição de Miss Brasil, promovida pelos Diários Associados, num patrocínio do Leite de Rosas. Adalgisa, senhora de si, assegurou: “Da próxima vez, vou tirar de muitos toda a má impressão”.
Quase todas as candidatas abraçaram Adalgisa vencedora. Nos bastidores, ainda havia mães insatisfeitas. Mas Ivone Richter, que tirou o 2º lugar, estava serena, com o olhar de sempre. Já era madrugada de domingo. Na manhã do dia seguinte, iam começar para Ivone, no colégio, as provas parciais, como se nada tivesse havido. As moças fora saindo, uma a uma, com seus embrulhos, vestidos, presentes, tristezas e alegrias. Lá fora, chovia fininho. Adalgisa, que tem 18 anos e sempre quis ser Miss, desde menina, reuniu também as suas coisas, deu o braço ao pai e à mãe, abriu caminho entre os que esperavam para vê-la, e foi para casa, com mais um campeonato para seu time, o Botafogo. (O Cruzeiro, 21/06/1959)

ADALGISA COLOMBO E IVONE RICHTER

Ivone Richter e Adalgisa Colombo
 Adalgisa Colombo, candidata do Botafogo de Futebol e Regatas, nasceu em Botafogo, tem 18 anos e as seguintes medidas: 1,69m, 56 Kg, 62 de cintura, 90 de busto, 91 de quadris, 56 de cosa, 21 de tornozelo, olhos e cabelos castanhos. Ivone Richter, Miss Riachuelo, segunda colocada, tem 1,67, 55 Kg, 61 de cintura, 90 de busto, 92 de quadris, 54 de coxa, 22 de tornozelo, 18 anos e olhos e cabelos castanhos.
Porque foi vaiada pelo público ao ser eleita Miss Distrito Federal 1958, Adalgisa Colombo chorou ao receber a faixa no Maracanãzinho e saiu correndo para o camarim, dizendo que “se tivesse sido derrotada estaria me sentindo como hoje, em que um júri me deu a vitória.”  O público vaiou Adalgisa Colombo porque preferia Ivone Richter, Miss Riachuelo, segunda colocada. Quando Adalgisa fazia pose na passarela, a pedido dos fotógrafos, era vaiada. Assim que Ivone Ritchter dela se aproximava, o público aplaudia, pretendendo dizer: “Essa sim!”         
Ao entrar no camarim, depois de eleita, e ouvindo muita gente dizer que o resultado fora “uma autêntica marmelada Colombo”, Adalgisa recebeu no rosto uma anágua jogada (depois ela soube) por uma das candidatas derrotadas. Ela quis reagir, mas um repórter a segurou e disse: “Adalgisa, você agora é Miss Distrito Federal!”
Com os olhos em lágrimas e vermelhos, desde que foi proclamada vencedora até voltar para casa, de madrugada, Adalgisa deixou-se fotografar demoradamente no Maracanãzinho e disse depois da vitória que ficara emocionada e “não esperava a péssima recepção que tive. Foi falta de educação de muita gente”. Rebatendo os que chamavam o concurso de “marmelada Colombo”, Adalgisa disse; “Não pedi nada a ninguém. A organização do concurso foi perfeita. Não contava, inclusive, com a vitória, porque pensava que Miss Riachuelo, que considero linda, fosse a vencedora”. Adalgisa disse que só duas ou três das vinte e seis candidatas não a trataram bem depois da vitória, Ela quer tirar “a má impressão  que muita gente teve de mim” e aproveitará, na eleição de Miss Brasil para mostrar suas qualidades. (Revista Manchete, 28/06/1958)

DETALHES

Além da faixa, Adalgisa Colombo ganhou um anel de platina francesa, com duas pérolas, branca e cinza. ***** O fotógrafo Paulo Santos, das revistas Confidencial e Escândalo, foi retirado do camarim das misses pela polícia. **** A irmã de Miss Vasco da Gama foi empurrada pela polícia quando estava no palco para retirar Myrna Abi-Saber em sinal de protesto. *** Seis dos onze votos do júri foram para Adalgisa Colombo. *** O poeta J.G.de Araúijo Jorge disse que não votou em Adalgisa Colombo e que o resultado deveria ter sido recebido esportivamente. ***** O patrocinador do concurso (Leite de Rosas) diria depois das vaias e dos apupos à Adalgisa Colombo que lamentava  os acontecimentos ,mas que não poupara dinheiro e esforços para o êxito do concurso. *** A polícia não deixou o pai de Miss Clube Militar ver a filha no camarim no fim da festa.  Ele reclamou dizendo: “Não tenho o direito de ver minha filha. É por isso que as famílias brasileiras resistem ao deixar que suas filhas participem de concursos”.   (Manchete, 28/06/1958) 
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Duas moças desmaiaram: Miss Esporte Clube Anchieta e Miss América. Algumas tremeram. Todas sorriram. O júri lá em cima, no palco, as observava, de lápis na mão, com uma folha de papel, para atribuir notas, segundo os seguintes itens: físico, beleza, graça, personalidade, desembaraço social. E depois vieram os maiôs. As meninas tinham ensaiado tardes inteiras, durante a semana. Estavam elegantes. O júri se trancou numa sala para resolver. Interrogou as candidatas, uma a uma. Cada qual teve de fazer um pequeno “speech “ sobre o que diria se fosse escolhida para representar o Brasil em Long Beach. Enquanto o resultado não vinha, elas esperavam. O público também. Ivone Richter, imperturbável, tomou o seu copo de leite. Logo mais se soube o veredicto: Adalgisa ganhara por seis a cinco. Quatro votos para Ivone Richter, um para Edna Queiroz. ( O Cruzeiro,  21/06/1958)

EPÍLOGO

          No dia 21/06/1958, Adalgisa Colombo foi eleita Miss Brasil e novamente teve de encarar milhares de protestos da maioria do público presente ao Maracanãzinho. A preferida era Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco. A pernambucana ficou em segundo lugar, foi a primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo, onde conquistou o sétimo lugar, e terminou o seu reinado oficalmente como Miss Brasil 1958, pois Adalgisa Colombo , segunda colocada no Miss Universo, renunciou ao título para casar com Jackson Flores,
          Está escrito no livro "Feliz 1958. O ano que não devia terminar" de Joaquim Ferreira dos Santos (Editora Record-Rio de Janeiro, 1997): 
O jornalista Sérgio Cabral estreava como foca no Diário da Noite e diz que ainda guarda o rosto e o porte de Ivone Richter  como um dos acontecimentos mais sensacionais de figura feminina no Rio.”
          Vou concluir esta Sessão Nostalgia utilizando gírias daquele 1958. Foi um bafafá (confusão) aquele Miss Distrito Federal 1958. Ivone Richter tinha muito borogodó (charme),  mas para a experiente Adalgisa Colombo, eleita anos antes Miss Cinelândia, manequim da Casa Canadá e apresentadora de um programa de rádio, foi sopa no mel (fácil) encarar com desenvoltura a passarela do Maracanãzinho.

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sábado, 23 de maio de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - IVONE RICHTER ,VICE MISS DISTRITO FEDERAL 1958

Por Daslan Melo Lima

          Naquele 14 de junho de 1958, Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, era apontada como forte candidata ao título de Miss Distrito Federal devido à sua experiência, pois já tinha disputado o título de Miss Cinelândia, conquistado o Miss TV e era manequim da Casa Canadá. Mas havia uma garota belíssima no caminho de Adalgisa Colombo: Ivone Richter, Miss Riachuelo.


Ivone Richter, Miss Riachuelo 1958.(Foto: Dilson Martins, revista Manchete, 07/06/1958)

O jornalista Sérgio Cabral estreava como foca no Diário da Noite e diz que ainda guarda o rosto e o porte de Ivone Richter como um dos acontecimentos mais sensacionais de figura feminina no Rio.


Paaafff! O primeiro salgadinho bateu na cora da Miss Distrito Federal 1958: um croquete de camarão.
Plaacttff! O segundo atingiu o cetro: uma empada.
Piimmmba!! O terceiro manchou o maiô Catalina dourado: uma azeitona.


Adalgisa Colombo, 18 anos, Miss Botafogo, foi eleita Miss DF debaixo de uma chamada vaia ensurdecedora e uma chuva de frituras do serviço da Confeitaria Colombo, os salgadinhos mais finos do Rio, mas que nem por isso tinham qualquer parentesco com a nossa mártir da beleza. Quarenta anos depois aquilo teria um nome: baixaria, barraco. Na época. a Última Hora também procurou a bilabial para berrar: “Bagunçaram o coreto”.

Absolutamente fora de si, a mãe de Ivone Richter, Miss Riachuelo - a segunda colocada e preferida do público -, subiu ao palco e foi contida pelos policiais milímetros antes de tascar as unhas em Adalgisa, moça de classe, educada no Liceu Francês de Laranjeiras.

Pior. Também irada, a irmã da Miss Vasco da Gama teve maior sucesso em sua vingança. Correu para os camarins e fez picadinho do vestido de tule de Adalgisa, jovem elegante que fora daquele pesadelo desfilava para a Casa Canadá.

(Feliz 1958: O ano que não devia terminar, Joaquim Ferreira dos Santos, Editora Record, Rio de Janeiro,1997)


Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, Miss Distrito Federal 1958. (Foto: Dílson Martins, revista Manchete, 07/06/1958).

          Devido às vaias, Adalgisa Colombo foi aconselhada a não voltar ao Maracanãzinho no sábado seguinte, 21 de junho, para disputar o Miss Brasil. Determinada, ela foi e conquistou o primeiro lugar, diante de milhares de pessoas que torciam por Sonia Maria Campos, Miss Pernambuco. Em Long Beach, Adalgisa Colombo conseguiu a segunda colocação no Miss Universo, perdendo para Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia.



Ivone Richter, Miss Riachuelo, vice Miss Distrito Federal 1958.
(Foto: Dilson Martins, revista Manchete, 07/06/1958)

          Talvez tenham aconselhado Ivone Richter a voltar às passarelas.Talvez ela tenha recebido convites para fazer carreira na televisão e no cinema.Mas Ivone Richter soube dizer não e preferiu ficar longe dos holofotes, satisfeita com a gratidão de todos que guardaram seu rosto e seu porte como um dos acontecimentos mais sensacionais de figura feminina do Rio de Janeiro.

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