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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

sábado, 11 de dezembro de 2010

DE SÃO VICENTE FÉRRER PARA O MUNDO - Mano Camelo, a arte que emana da terra da uva e da banana

                          
Daslan Melo Lima

São Vicente Férrer, Pernambuco. Foto:tokdehistoria.wordpress.com
 
      Na pequena cidade de São Vicente Férrer, PE, terra da uva e da banana, população em torno de 19 mil habitantes, distante 115 km do Recife,  mora um artista plástico que poderia ser um nome reconhecido em todo o Brasil, caso vivesse no Rio de Janeiro ou São Paulo. Ele morre de amores pela terra que o viu nascer e é uma figura artística imprescindível na cena cultural regional.
       Tranqüilo, bronzeado, andar lento, lagarto tatuado no pé direito, ele transmite arte em todos os seus gestos suaves e firmes.  Estou falando de Augusto José de Vasconcelos Camelo, o conhecido Mano Camelo, artista plástico e estilista, nascido em São Vicente Ferrer, PE, terra da uva e da banana, num dia 07 de outubro, filho de José Augusto Alves Camelo e Josefa de Albuquerque Camelo e único irmão de Teresa Maria de Vasconcelos Luna.  O menino de olhar inteligente nasceu com um problema congênito nos membros inferiores. Os médicos disseram que ele jamais andaria. Só que eles desconheciam a imensa força interior que DEUS deu àquele menino libriano. Ele andaria,  sim, aos quatro anos de idade, e levaria uma vida normal, apesar das pequenas limitações, tais como a de evitar subir escadas e ladeiras porque causam muito incômodo aos pés.

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     Mano Camelo fez o ensino básico na Escola Cel. João Francisco, em São Vicente Ferrer; concluiu Contabilidade na Escola Estadual Creuza de Freitas, em Macaparana,PE; cursou arte e decoração no Recife durante três anos e desistiu do curso superior de Geografia, na Universidade de Pernambuco, quando faltavam apenas três períodos para se formar. Sua arte teve início decorando igrejas nas festas religiosas e nas de casamento. Foi influenciado pelas obras de Tarsila do Amaral (1886-1973) e Joãozinho Trinta (1933-2011). Possuiu um salão de beleza durante 22 anos.  


AS PREFERÊNCIAS DE MANO CAMELO

Uma música: Podres Poderes 
Filmes inesquecíveis:  “Ghost, do Outro lado da Vida”,  “Grease, Nos Tempos da Brilhantina”,  “Uma Linda Mulher” ,  “Batismo de Sangue”  e “A Vida de Frida Khalo”
Programa de televisão: Fantástico 
Um livro: A vida de São Francisco de Assis 
Noite ou dia? Dia 
Natal ou carnaval? Carnaval 
Santo de devoção: N.S. do Rosário 
Clube esportivo: Clube Náutico Capibaribe 
Um dia para recordar: O nascimento de Maria, minha primeira sobrinha-neta 
Um dia para esquecer: 23/11/2008, quando perdi uma pessoa muito querida 
Cidade que adorou conhecer: Rio de Janeiro 
Cor preferida: Preta 
Um motivo de arrependimento: Nenhum 
Comida preferida: Dobradinha 
Sobremesa: Passas de caju 
Bebida: Um bom uísque e uma cervejinha de vez em quando 
Animal de estimação: Cherry, uma poodle que viveu comigo durante 10 anos e que morreu há 7. Desde então, não quis mais criar nenhum animal.

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OS ÍCONES DE MANO CAMELO 

Um ator: Tony Ramos 
Uma atriz: Fernanda  Montenegro 
Um cantor: Caetano Veloso 
Uma cantora: Maria Bethania 
Uma mulher bonita: Greta e Germana, minhas sobrinhas 
Um homem bonito: Reynaldo Giannechini 
Uma Miss Pernambuco: Suzy Rêgo, segunda colocada no Miss Brasil 1984
Uma Miss Brasil: A gaúcha Deise Nunes, Miss Brasil 1986 
Uma Miss Universo: a baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil 1968 
Uma mulher elegante: Rute Brandão de Morais Andrade e sua filha Adriana Brandão de Morais Cavalcanti,  de Macaparana, PE 
Uma pessoa que é a cara de São Vicente Férrer: Dido Borges.



A SINCERIDADE DE MANO CAMELO

O que mais admira num ser humano: Lealdade 
O que não suporta num ser humano: Mentira 
Sua maior virtude: Sei que passo a imagem de uma pessoa boa e que tenho um elevado senso de humanidade 
Seu maior defeito: Sou muito verdadeiro, o que às vezes é uma virtude e às vezes  um defeito 
Um quadro que gostaria de ter pintado: Abaporu, de Tarsila do Amaral 
Qual o segredo para conquistar o coração de Mano Camelo? Ser verdadeiro 
A última vez que chorou: Eu choro muito. Sou muito emotivo. Choro até vendo novelas na televisão 
Um ponto turístico de Pernambuco: Fernando de Noronha 
Religião: Sou Católico Apostólico Romano, acredito na reencarnação e em vidas passadas 
Um ponto turístico de São Vicente Férrer: A Igreja Matriz 
O que gostaria que escrevessem em seu túmulo? Aqui jaz um artista que amou São Vicente Ferrer como nenhum outro jamais amou 
Se fosse Presidente da República... Investiria tudo que pudesse em educação 
Uma mensagem para os leitores de PASSARELA CULTURAL: O meu amor é apenas o maior e o mais bonito porque é infinito.

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Flávia Mirella, Miss Pernambuco Infantil 2009, representante do Brasil no Miss Nações Infantil, vestindo o traje típico "Carmen Miranda na Terra do Frevo", criação de Mano Camelo.


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     Mano Camelo adora a cidade onde nasceu e lá pretende continuar vivendo até o final da vida, curtindo a linda paisagem das plantações de banana e uva que se descortina da sua casa. São Vicente Férrer bem sabe o quanto Mano Camelo tem uma missão a cumprir na cena cultural da região.


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Crédito das imagens: Arquivo Pessoal do artista
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SESSÃO NOSTALGIA - Corrupção nos concursos de Miss?

Daslan Melo Lima

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ESTA MATÉRIA FOI REPAGINADA NO DIA 19/07/2014. 

POR GENTILEZA, ACESSE ESTE LINK: 

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PRÓLOGO

     O ano era 1958. A carioca Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, tinha sido coroada Miss Distrito Federal embaixo de vaias e protestos, pois a preferida era sua vice, Ivone Richter, Miss Riachuelo. Logo em seguida, Adalgisa Colombo venceu o Miss Brasil e recebeu a faixa de sua antecessora Terezinha Morango (Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1957), também sob vaias e protestos, pois a preferida era Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, segunda colocada. Pegando carona naquele cenário tumultuado, a revista MORAL, edição nº 4, especialista em focalizar assuntos polêmicos, circulou em todo o Brasil com uma capa onde a atriz Kim Novak aparecia em foto principal, mas na foto menor estavam Adalgisa e Terezinha com a legenda "Corrupção nos Concursos de Misses !!"  Abaixo, o texto completo da  matéria.  

O LADO “IMORAL” DOS CONCURSOS DE BELEZA 
Entre pernas de fora e “marmeladas”, há sempre o interesse mercantilista por traz das cortinas – quando a fita não fala a verdade, prevalece a opinião insuspeitável dos “íntegros juízes”.
     As competições de beleza plástica existiram em todos os tempos, mas em outros tempos idos, que se perdem e se esfumam num passado muito longínquo, havia um único propósito: a Eugênia! Desde então, os cânones de beleza plástica foram estabelecidos, mas com o evoluir dos povos, com a intromissão da civilização no campo complexo da eugênia, que tinha por escopo primacial o aprimoramento das raças, outros métodos e princípios, objetivos e sistemas, foram adotados na seleção e respectiva eleição das mais belas mulheres existentes entre os homens.
     O povo norte-americano se habituou, rapidamente,  a essa espécie de “bolsa de valores”, plásticos, bem entendido, sendo matéria corriqueira a escolha de uma “miss” qualquer, para representar até mesmo a melhor marca de manteiga ou de  uísque, como se apenas às mulheres fossem outorgadas prerrogativas de possuírem um melhor físico ou mesmo uma melhor “fachada”.
     Em Long Breach, praia mundialmente conhecida das costas do Pacífico, cenário obrigatório de quantas “estrelas” e “astros” existam  no firmamento cinematográfico de Hollywood, realizam-se, todos os anos , esses prélios de beleza universal, no qual disputam mulheres, de todas as idades, até mesmo matronas respeitáveis, o cetro de Miss Universo.
     O Brasil, como não poderia deixar de acontecer, também participa do desfile. Também envia sempre a sua representante, embora sem a esperança, que nunca morre, de vermos, um dia, o nosso “belo sexo” coroado com o ornamento consagrador, no alto da cabeça. Houve uma época, que se repetiu por muitos e muitos anos, que apenas as “beldades” ianques eram galardoadas com o cobiçado título, mas com o advento, cada vez mais forte do panamericanismo, a política entrou no meio, e os juízes, da imprensa e finalmente da opinião pública, a quem tinham seus organizadores que dar satisfações.
     Lá, como aqui, sempre houve “marmeladas”, mas essas “marmeladas” eram trabalhadas secretamente, quase que via diplomática, sem que das mesmas participassem, direta ou indiretamente, as interessadas e seu acólitos.
     No momento, por exemplo, em que já elejemos nossa representante para o grande prélio de beleza, surgem os descontentamentos, os insultos, as intriguinhas, as maledicências, contra esta ou aquela candidata ao “passeio” e aos presentes, pelo fato de não serem suas acusadoras contempladas como esperavam.
     E a fita métrica entra em cena, depois, nas redações dos jornais, para comprovar a “marnelada”, a qual tanto pode ser “Colombo” ou “Pesqueira”. A marca não interessa para nós, mas sim a natureza de sua manipulação, de seu paladar, de sua “embalagem” em suma.
     Acreditamos, mas não endossamos a atoarda que se fez em torno da escolha de Miss Distrito Federal. A senhorita Adalgisa Colombo merecia o galardão que recebeu, mas se houve ou não “marmelada” na dita eleição, bem como na prova final, não temos provas para acusar, cabendo-nos apenas fazer eco do acontecimento mundano e registrá-lo devidamente em nossas colunas, com a respectiva crítica que o programa de MORAL nos autoriza.
     Aqui fica apenas uma pergunta aos Srs. moralistas e falsos puritanos: Que se procura alcançar, hoje em dia, com esses concursos de    beleza? Que objetivos visam seus promotores? Que resultados práticos poderão obter essas jovens que tão impensadamente se entregam a tais maratonas de nudez?
     Raríssimas são as exceções em certames de tal natureza em que as candidatas derrotadas saiam imunes da batalha, e essa batalha é travada nos vestiários, nos dancings, nos clubes, nas reuniões de gente bem, onde a  “ronda dos abutres” faz descer a sua sombra tétrica, a espera de carniça.
     Os departamentos de polícia dos Estados Unidos possuem em seus arquivos inúmeros casos que tiveram sua origem e motivo nos concuros de beleza. Há até uma organização de traficantes de “carne humanaa” que se mantem sempre vigilantes sobre as misses eliminadas, sendo essa “mercadoria “para eles de gande valor.
     Se uma candidata ao cetro de beleza não se faz acompanhar de uma pessoa da família, seu fim será triste, caso não tenha forçar suficientes para vencer ou afugentar os “vampiros” que voejam a sua volta.
     Triste época, caricata época das grandes festas florais dedicadas a Deusa Vênus da velha Grécia de Apolo!
EPÍLOGO
     A expressão "marmelada" Colombo remete ao sobrenome de Adalgisa e à célebre Confeitaria Colombo, enquanto "marmelada" Pesqueira é uma alusão aos doces pernambucanos de uma marca que homenageava a cidade de Pesqueira.
     De vez em quando, surgem especulações de favorecimento,  notícias envolvendo tramas e manipulações para que o  resultado de um concurso de Miss seja de uma forma e não de outra.   
     Sei que é muito dificil um resultado agradar a todos, indistintamente. Um concurso de beleza não é apenas glamour, também é suor, tensão, determinação, disciplina, risos, lágrimas...  Seja como for, um título de Miss perdura por toda a vida e ninguém tem o direito de brincar com o destino de lindas jovens sonhadoras. Um voto, um ponto, um cochilo... pode mudar para sempre a rota da caminhada de uma garota. 
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sábado, 4 de dezembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - ... E ASSIM SE PASSARAM TRÊS ANOS


Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          Foi em dezembro de 2007 que  dei início a esta secção, onde semanalmente resgato histórias envolvendo misses que marcaram época. E assim se passaram três anos. Para celebrar a data, estou   reeditando a primeira crônica, postada em 23/12/2007.

CONCURSO MISS PERNAMBUCO 1985    

          Eu estava lá , naquela noite de 17/05/1985, no Ginásio da Faculdade de Filosofia de Caruaru, para assistir 30 candidatas disputarem o título de Miss Pernambuco 1985.O evento foi transmitido diretamente pela TV Tropical. A coordenação foi de Jota Lagos e Heron Viana , sob o comando do professor Humberto Vasconcelos, da TV Tropical. As atrações musicais da noite foram Zé Ramalho, Nilton César, Marquinhos Moura, Diana Pequeno e Fabiana. A vencedora do Miss Pernambuco 1985 recebeu mais de Cr$ 20 milhões em prêmios.

     A festa começou com uma exibição de Virgínia Helena Gomes da Silva, muito mais bela do que há quatro anos, quando foi terceira colocada no Miss Pernambuco e  quarta colocada no Miss Brasil 1981, representando o Estado da Paraíba. Imitando Carmen Miranda, ela fez o público delirar com sua beleza, desembaraço e plástica escultural.

     Na comissão julgadora, figuras de expressão como : Margot Queiroz, Suzana Tavares Correia, Iara Dubeux, José de Souza Alencar (Alex), João Alberto, Ricardo de Castro, o inesquecível Marcílio Campos , Edelson Barbosa e Tancredo Albuquerque. A apresentação foi de Marcos Pinheiro e Ilona Ilse. O concurso começou às 21h30min e só terminou às duas horas da madrugada. Foi muito cansativo, mas todo mundo ficou até o final. Os organizadores quiseram inovar com um computador que facilitaria o sistema de computação dos mapas da comissão julgadora, mas ele acabou quebrando.

     As 12 semifinalistas foram as representantes de Cabo de  Santo Agostinho, Caruaru, Clube Alemão, Salgueiro, Português, Colégio Boa Viagem, Igarassu, Itamaracá, Jaboatão, Paulista, Santa Cruz e Sport Club Recife. A Miss Central de Caruaru, Maria do Céu Vasconcelos, hoje com o nome de Maria do Céu Kelner, é famosa promoter do Recife. A Miss Paulista , Cláudia Maria Alves Queiroga, semifinalista, era uma morena muito bonita e foi a segunda colocada no concurso Rainha dos 450 anos do Recife, realizado em 1987, durante o Baile Municipal do Recife.

      Enfim, eis o Top 5 :
Primeiro lugar: Simone Augusto, Miss Clube Português do Recife, 510 pontos;
Segundo lugar: Renata Cristina Luck, Miss Clube Alemão, 450 pontos;
Terceiro lugar: Maurília Magalhães Lins, Miss Igarassu,410 pontos;
Quarto lugar:   Luciene Lucas Teixeira, Miss Caruaru, 400 pontos;
Quinto lugar:   Ivone Maia de Melo, Miss Salgueiro, 394 pontos.
Simone Augusto
     Simone Augusto usou um modelo de Marcílio Campos e recebeu o prêmio de Miss Elegância. Gostei muito de resultado. Simone tinha um porte de rainha, 18 anos, 1,75 de altura, 61 Kg, 92 cm de busto, 65 cm de cintura, 93 de quadris e 55 de coxas.Simone Augusto tinha cursado o segundo grau no Colégio Americano Batista, onde foi eleita Garota CAB 84, o mesmo colégio onde estudou Enilda Sá Barreto, Miss Pernambuco 1973. Crédito da foto: coluna social de João Alberto, Diario de Pernambuco, 21/05/1985.

     Na minha opinião, só uma candidata poderia ter ficado à frente de Simone Augusto : Renata Cristina Luck, Miss Clube Alemão, segunda colocada, uma loura de 1,86 cm de altura que irradiava muito charme e simpatia. 

     Muito emocionada, Simone Augusto recebeu coroa, faixa, manto e cetro de Suzy Rêgo, Miss Pernambuco e vice-Miss Brasil 1984. Para orgulho de todos os pernambucanos, Simone Augusto , que não obteve classificação no Miss Brasil 1985, foi eleita Miss Brasil Mundo 1987 , tornando-se a quarta pernambucana a representar o Brasil no concurso Miss Mundo, em Londres. As outras foram Sônia Maria Campos (1958), Dione Oliveira (1959) e Edilene Torreão (1960).

EPÍLOGO

     E assim se passaram três anos.  Muito grato a todos que prestigiam as coisas que escrevo, aos que escrevem sugerindo reportagens, aos que deixam comentários, aos que emitem seus pontos-de-vista no anonimato... Muito grato a DEUS, acima de qualquer coisa, pelo dom da Poesia que ELE me deu, dom que me inspira e me estimula a compartilhar com todos as histórias das nossas misses eternas, razão de ser da Sessão Nostalgia.

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sábado, 27 de novembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA – ROSEMARIE FRANKLAND, UMA MISS MUNDO VOANDO NA TARDE DO RECIFE

Daslan Melo Lima


PRÓLOGO

          Na minha adolescência, quando conseguia reunir alguns trocados, adorava ir ao centro do Recife visitar “sebos”, locais onde são comercializados livros e revistas usados, a fim de comprar publicações sobre concursos de misses. Ao organizar meu primeiro álbum sobre o assunto, ficou faltando a imagem de Rosemarie Frankland, Miss Mundo 1961. Mas numa tarde ensolarada, consegui encontrar uma foto de  Rosemarie de forma inusitada. Você vai achar graça e se surpreender com o fantástico episódio que vou contar. Ele diz muito do que é a intuição e até que ponto pode chegar a paixão de um colecionador.

UMA MISS MUNDO VOANDO NA TARDE DO RECIFE

          Era uma tarde de novembro. Antes de ir para o Ginásio Pernambucano, onde eu estudava, e após ter passado por alguns “sebos”, fui meditar sobre os mistérios da vida e da morte no cais do porto. Durante o percurso, absorvido em meus pensamentos, eis que, de repente, não mais que de repente, ao me aproximar da Ponte Buarque de Macedo, um pedaço de uma folha de revista, arrastada pelo vento, passou por cima da minha cabeça. Uma voz silenciosa me disse com segurança e insistência: “É uma Miss voando! É uma Miss voando! É uma Miss voando!”. Esqueci que poderia ser atropelado por um veículo, corri e consegui agarrar o recorte da revista antes dele cair no rio. E para minha surpresa e contentamento, a foto era exatamente a de Rosemarie Frankland, a imagem que faltava para completar meu álbum. 
Esta é a foto que voava numa tarde da minha adolescência às margens do Rio Capibaribe, Recife, PE. (Imagem: Revista O Cruzeiro)
UM POUCO DE ROSEMARIE FRANKLAND

     Rosemarie Frankland nasceu em  Rhosllannerchrugog, Wrexham, País de Gales, em  1º/02/1943. Na condição de representante do País de Gales, foi a segunda colocada no concurso Miss Universo 1961, onde perdeu para a alemã Marlene Schmidt
  
Rosemarie Frankland, segundo lugar no concurso, é do País de Gales. 18 anos, modelo profissional, tem educação secundária e pai motorista, sendo, modéstia de lado ,“papa-títulos”: foi, seguidamente, Rainha do Festival de South Port, Miss Moreecambe, Miss Lakeland, Rainha do Misty e Miss País de Gales. Tem admiração especial por Winston Churchill. (O Cruzeiro, 29/07/1961)

Miss Gales, Rosemarie Frankland, em vestido de gala e com um colar que valorizava seu colo, recebe de Miss Hospitalidade o troféu de vice-Miss Universo 1961.(Foto: Revista Manchete, 29/07/1961)

     No mesmo ano, em Londres, com a faixa de Miss Reino Unido, Rosemarie Frankland disputou e venceu o Miss Mundo.

Miss Mundo é do País de Gales. Ganhou 2.500 libras e uma viagem a Paris. (Imagem: Revista Fatos & Fotos, 18/11/1961)
Os ingleses preferiram uma quase inglesa (ela é de Gales), mas, nisto, não ficaram sozinhos; simplesmente confirmaram uma escolha já feita pelos norte-americanos. Rosemarie Frankland, de 18 anos, que acaba de ser eleita, em Londres, Miss Mundo 61, já havia conquistado o segundo lugar no concurso Miss Universo, em Miami, há poucos meses. Suas medidas: 91 de busto, 91 de quadris, 55 de cintura, 60 quilos, 1,67 de altura. Olhos: azuis. Cabelos: castanhos escuros. (Fatos & Fotos, 18/11/1961)

     "Viva! Eu sou a Miss Mundo e sou rica!", exclamou Rosemarie quando seu nome foi anunciado como a grande vencedora. Você é a garota mais linda que eu já vi", disse o ator comediante Bob Hope (1903-2003), integrante da comissão julgadora, ao coroar a Miss Mundo 1961.
     Rosemarie Frankland trabalhou como modelo e atuou como atriz. Em 1970, casou com Warren Entner, integrante do conjunto  de rock The Grass Roots,  pai de sua única filha Jessica, e fixou residência em Los Angeles. O casamento terminou em divórcio, em 1981. Em 02/12/2000, Rosemarie perdeu a luta contra a depressão e o transtorno de pânico. Morreu em Marina Del Rey, perto de Los Angeles, após ingerir muitos comprimidos. Ficou a dúvida: suicídio ou ingestão acidental? Em fevereiro de 2001, suas cinzas foram levadas para o cemitério de Rhosllannerchrugog. 

EPÍLOGO

     Acredito que não há mais adolescentes  - como aquele que um dia eu fui - pelos "sebos" do Recife, atrás de revistas antigas de misses. Através da internet, qualquer um pode ver e rever tantas vezes quanto quiser , copiar/colar, imprimir...  imagens  de Misses de ontem e de hoje. 

Rosemarie Frankland. Imagem copiada do www.thecrowncompetitors.blogspot.com
     Depois daquela tarde de novembro, comprei  em "sebos" outras publicações com imagens de Rosemarie Frankland, mas nenhuma tão valiosa para mim como a primeira foto. Finalizando, confesso que se um dia  uma folha de revista passar por mim, arrastada pelo vento,  não terei receio algum de sair correndo atrás, desde que minha intuição não tenha dúvida alguma que ali está uma Miss voando

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QUANDO A LAJE DO CANHOTO ERA UMA FESTA

QUANDO A LAJE DO CANHOTO ERA UMA FESTA 

Daslan Melo Lima

          Recentemente, ao tomar posse como primeiro presidente do Conselho Municipal de Cultura de Timbaúba, ao proferir meu discurso, fiz questão de mencionar o quanto foi importante para minha formação o período da infância vivido às margens do Rio Canhoto, na alagoana São José da Laje, onde nasci. É óbvio que, naquela época, por ser muito jovem, eu nem me dava conta de quanto  Laje do Canhoto - apelido dado pelos mais antigos à minha terra natal - era uma festa, um festival de luzes e cores, notadamente no final do ano.

          Nas minhas recordações mais caras desfilam cores...sons... e sabores. Quebra-queixo, cordéis, reisado, chegança, pastoril, presépio, fogos, histórias de trancoso e um senhor que passava pelas ruas apregoando os perfumes que fabricava artesanalmente:

É óleo de capim, mutamba, jasmin e juá...
Brilhantina, vaselina, essencia e óleo "minerá",
quem não cheirou, venha cheirar... 

          Agradeço a DEUS pelo referenciais da minha formação cultural e pela missão de assumir a presidência do Conselho Municipal de Cultura. Espero contar com as críticas construtivas e a colaboração de todos, em nome da minha alagoana  terra natal, São José da Laje, a "Princesa das Fronteiras", e da minha pernambucana terra adotiva, Timbaúba, a "Princesa Serrana"
 
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sábado, 20 de novembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA – Ao redor de Bila Ortiz e Antônia de Arêa Leão, duas misses de 1929

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Daslan Melo Lima

                    
          Eu tenho uma bela foto em nostálgico tom sépia, feita em 1929, cujo carimbo atrás atribui a autoria a Ferreira Junior, fotógrafo com endereço na  Rua 13 de Maio, 17,  Rio de Janeiro, adquirida em um antiquário. As duas jovens sentadas são  Miss Rio Grande do Sul, trajando roupa escura, e Miss Piauí, usando roupa clara. No verso da imagem, um texto escrito com letra bonita diz: 

 

Lembrança da “Hora Litteraria” em casa do deputado Salles Filho e offerecida a Miss Piauhy e Miss Rio Grande do Sul em 26 de Abril de 1929. Miss Piauhy, de claro, ao lado da corbeille clara. Miss Rio Grande do Sul, de escuro, ao lado da corbeille escura. 
Logo em seguida, há referências aos nomes das outras pessoas que estão na foto: 
Nair, Carmen, Neusa, Tidinha, Esther, Diva, Graziella, Julieta, Annanh, Dinah, Marianinha, Zizi, Jorge.

Esta é a mesma imagem,  agora beneficiada  por  um tratamento visual, o que possibilita conferir as figuras numa melhor resolução.
          Pesquisando no Google, descobri mais sobre as duas beldades. Miss Rio Grande do Sul chamava-se  Bila Ortiz, natural de Uruguaiana-RS. Miss Piauí chamava-se Antônia de Arêa Leão.  

Um fato curioso ocorreu em 1929 com a 1ª Miss Piauí, Antônia de Arêa Leão. Na época, o transporte era muito difícil, pra chegar ao Rio de Janeiro, cidade que foi realizado o Miss Brasil, ela teve que utilizar três meios de transportes. De Teresina, ela pegou um barco para atravessar o rio Parnaíba e chegar até a vizinha Timon. Isso porque na época não existia ponte. De lá, ela seguiu de trem para São Luís-MA. Ela chegou tarde à capital maranhense, perdeu o navio daquele dia e teve que esperar dois dias pelo próximo navio. De navio, Antônia percorreu todo o Nordeste parte do Sudeste até chegar a capital fluminense, mas só conseguiu chegar no domingo, um dia depois que o Miss Brasil foi realizado. Ela perdeu o concurso, mas ficou bem conhecida pelo esforço pra chegar até o local do concurso. (www.portalaz.com.br)

          Naquele 1929, quem venceu o Miss Brasil foi a carioca Olga Bergamini de Sá, Miss Distrito Federal, primeira brasileira a disputar um título internacional, o de Miss Universo realizado em Galveston, Texas, Estados Unidos, vencido pela austríaca Lisl Goldarbeiter.


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          Vejo e revejo esta foto com minh’ alma de romântico incorrigível. Observo cada detalhe e tenho saudades de um tempo que não vivi, embora não tenha dúvida alguma que, de alguma forma, parte da minha essência conheceu aquele tempo. 
       
        Na minha fantasia, com a cumplicidade de  uma luz difusa,  entro furtivamente na casa do deputado Salles Filho, participo da Hora Literária e me torno um pouco o menino da foto, o Jorge, em nostálgico tom sépia, única figura masculina entre as 14 mulheres. 
            Declamo um dos meus poemas ao redor de Bila Ortiz, Miss Rio Grande do Sul,  e Antônia Arêa Leão, Miss Piauí,  e volto logo para a realidade de 2010, pois  corro o risco de ficar na casa do deputado para sempre, estático, mudo, eternizado na fotografia,  como o menino Jorge,  testemunha de um tempo mágico que se foi, para sempre se foi...

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sábado, 13 de novembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - Marilena de Oliveira Lima, Miss Brasil Adotiva do Povo 1965, e a história de uma vaia

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          A não classificação de Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, em primeiro lugar no Miss Brasil 1965, gerou a maior revolta do público que se tem notícia na história do famoso concurso. Ela é a homenageada desta semana, com comentários e imagens que complementam a Sessão Nostalgia de 1º/11/2008, cuja matéria, sob o título “Maracanãzinho, 03/07/1965, A História de uma Vaia”, poderá ser conferida no final desta secção.
          
MARILENA, UMA ESTRANHA BELEZA DE GATA SELVAGEM

           Quando Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, deixou o Maracanãzinho de madrugada após o concurso Miss Brasil, em que o júri a classificou em quarto lugar, ainda havia gente junto aos portões, esperando para aplaudi-la. A derrota não a abalou; sorria para os seus fãs como se tivesse sido a grande vitoriosa da noite. O pai a esperava à saída, para o abraço de solidariedade. O público quase rompeu os cordões de isolamento para vê-la mais de perto. Menos de duas horas antes, quando ainda desfilava, a multidão manifestava de maneira categórica sua preferência. A cada volta na passarela soavam aplausos. E a torcida não escondeu sua decepção quando descobriu que sua favorita não estava entre as três primeiras colocadas. Estrondosas vaiais encheram o estádio. Detentora de nove títulos de beleza, era a primeira competição que Marilena perdia. Mesmo derrotada, o público a consagrava: a vitória das palmas era sua.

          Agora, Marilena voltará a Mato Grosso. Em Campo Grande, onde mora, continuará sua vida como ela tem sido: os estudos, os passeios a cavalo, os mergulhos na piscina do Rádio Clube e as fugas para caçadas nos fins-de-semana.

Corpo de Miss, aos 16 anos. Uma estranha beleza de gata selvagem.
           Seus olhos de índia selvagem já eram lindos quando nasceu. Aos dois anos, a vaidade feminina acordava nela o espírito de moça elegante, que cultiva até hoje. Não deu muito trabalho aos pais porque tem natureza dócil e meiga. Mas não resistiu à tentação de fugir para realizar caçadas nos campos e cerrados de Mato Grosso. Aprendeu logo a atirar e hoje muito raramente erra dois tiros seguidos. No ginásio, aprendeu a tocar tambor e desfilou com a fanfarra. Aulas de balé, pintura e piano completaram sua educação. Eis, em resumo, o que tem sido, dos 2 aos 18 anos, a carioquinha que os pais registraram em Mato Grosso e trouxeram ao Rio, no IV Centenário, para concorrer ao título de Miss Brasil. ***** (Revista Sétimo Céu)

MARILENA, SONHO DE RONDON
Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima, apresentou a alegoria Sonho de Rondon, concebida pelo costureiro Heck Santos. O cocar amarelo e azul é belíssimo. (Revista Manchete, 17/07/1965)
 MARILENA ENTRE AS OITO FINALISTAS DO MISS BRASIL 1965
As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita: Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar; Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar; Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar; Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar; Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar; Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar; Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar; Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar. (Foto: Manchete, 17/07/1965)

MARILENA ENTRE AS 4 MAIS BELAS DE 1965
O Top 4 do Miss Brasil 1965 em traje de gala. Da esquerda para a direita: 1 – Maria Raquel, a nova Miss Brasil, foi bastante aplaudida ao desfilar neste belo vestido de tule cor-de-rosa, inteiramente bordado em pedrarias. O público vaiou o veredicto, mas achou justo que ela figurasse entre as três primeiras. 2 – Também Miss São Paulo, Sandra Rosa, fez valer a sua classe num bonito vestido em dois tons de dourado. 3 – Miss Minas Gerais, Berenice Lunardi, impressionou pelo porte monumental. Estava linda num vestido vermelho plissado, com estola da mesma cor. 4 – Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima, conquistou, fulminantemente, 40 mil espectadores do Maracanãzinho e seis milhões de telespectadores. Os próprios jurados não ficaram contentes com a sua ausência entre as finalistas. (Manchete, 17/07/1965)

MARILENA, MISS BRASIL ADOTIVA DO POVO 1965

          Marilena de Oliveira Lima, por motivos independentes da sua vontade, ficou no centro da controvérsia no Maracanãzinho. É a Miss Brasil Adotiva do Povo. A diplomacia decidiu fazer a felicidade de Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima. No Ministério das Relações Exteriores, lhe deram o título de Miss Itamarati. E agora se anuncia que ela poderá ir a Maiorca, onde todos os anos se realiza, diplomaticamente, a eleição de Miss ONU.

          No tempo de Sthendal, a forma  mais espetacular de entrar para a sociedade era através de um duelo. Hoje em dia, a maneira mais prática de alcançar a fama é despertar controvérsia. Ou seja, na definição um tanto cínica de um escritor: “Falem mal, mas falem de mim.” Com Marilena, porém, a controvérsia é a favor. Todos falam bem dela. Ela é a miss que não ganhou a coroa; mas merecia ganhar. Assim ao menos julgou o povo, que lamentou ter sido ela prejudicada por uma inexistente lei das inelegibilidades. Miss Mato Grosso tem uma pele morena belíssima, e é toda encanto. Ela aceitou esportivamente a desclassificação. Mas, como vivemos numa democracia, foi procurada uma fórmula mais prática de fazer valer a vontade do povo. Assim, em Maiorca, poderá tornar-se Miss ONU. ***** ( Revista Manchete)

EPÍLOGO

          Segundo a revista Fatos & Fotos, após ser  anunciado o resultado do concurso Miss Brasil 1965, a mãe de Marilena de Oliveira Lima, entre desconsolada e decepcionada, declarou: “ O Brasil acaba de perder o título de Miss Universo. Minha filha era a única que tinha condições de trazê-lo.”

          Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil 1965, ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1965, ano em que a vencedora foi Apasra Hongsakula, Miss Tailândia. Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, vice-Miss Brasil, foi a quinta colocada no Miss Beleza Internacional, vencido por Ingrid Finger, da Alemanha. Berenice Lunardi, Miss Rio Grande do Sul, terceira colocada no Miss Brasil, não obteve classificação no Miss Mundo, cuja vitoriosa foi a inglesa Lesley Langley. Como teria sido a performance de Marilena de Oliveira Lima em um desses concursos ? Não sei. Ninguém sabe. Só sei que Marilena de Oliveira Lima foi a Miss Brasil Adotiva do Povo 1965, um título original, feliz e único dado por  Manchete, uma das mais importantes revistas que já circularam por este nosso imenso país-continente.

           Para você, Marilena de Oliveira Lima, Miss Brasil Adotiva do Povo 1965 , minha singela homenagem neste novembro de 2010 que logo mais será parte de um tempo mágico que se foi, como aquele julho de 1965, de tantas emoções e recordações.

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SESSÃO NOSTALGIA - MARACANÃZINHO, 03/07/1965, A HISTÓRIA DE UMA VAIA


Daslan Melo Lima


      Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 03/07/1965, noite da eleição da Miss Brasil 1965. A tradicional passarela em forma de ferradura foi substituída por outra com o símbolo do quarto centenário da cidade do Rio de Janeiro. A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, e mais de duas dezenas de jovens que participariam do Miss Universo 1965 eram convidadas especiais. Vinte e cinco lindas brasileiras desfilaram na passarela em busca do sonho mágico de ser eleita Miss Brasil 1965. A preferida do público era uma morena chamada Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada. Por causa dela, o Maracanãzinho, o templo da beleza nacional, conheceu a maior vaia de sua história.

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As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita:
Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar;
Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar;
Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar;
Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar;
Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar;
Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar;
Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar;
Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar.
(Foto: revista Manchete)

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Pela primeira vez, na história da eleição do Miss Brasil, ninguém ficou satisfeito. O público vaiou o resultado final, os observadores autorizados acharam que alguma coisa estava errada, e os próprios jurados manifestaram, de diversas formas, o seu desagrado, dando a entender que o veredito não correspondia, de forma alguma, à vontade soberana do júri.
Acontece que o modo pelo qual é avaliada a opinião dos julgadores, obedece a um complicado critério aritmético, que mais tarde é submetido à manipulação por parte de uma pessoa que não pertence ao júri. Essa pessoa conta os diferentes pontos, faz a soma e tira a conclusão.

Alguns dos membros do júri deste ano confessaram que, tendo em vista o critério aritmético, tudo correu honestamente no Maracãnazinho.
“Mas – acrescentaram – o critério usado não é o melhor. Se temos oito finalistas, tudo seria muito simples se nos mandassem escolher nominalmente, entre as oito, as três favoritas. Então, cada um de nós indicaria: Fulana de Tal deve ser Miss Brasil. Aquela que obtivesse a maioria de votos seria naturalmente a eleita. No entanto, nada disso aconteceu. A eleição foi limpa, mas a verdade é que muitos de nós estávamos torcendo pela Miss Mato Grosso, e não podemos compreender como ela foi parar no quarto lugar.”

Conclusão: o concurso torna complicado o que deveria ser simples. Conseqüência: 12 minutos de vaia, e a necessidade de escolta policial para que os jurados podessem sair do estádio. E, no meio de tudo isso, uma graciosa pessoa teve que demonstrar extraordinária coragem moral. A nova Miss Brasil, Maria Raquel de Andrade, já ornada com a coroa e o manto real, desfilou lentamente, majestosamente, maravilhosamente, diante de 40 mil pessoas enfurecidas. Ela merecia a vitória e não teve culpa de nada. As vaias não lhe eram endereçadas. Foi necessário que ela vivesse esse momento dramático, esse terrível equívoco, para que a opinião pública começasse a exigir a modificação do regulamento de escolha de Miss Brasil. Esperemos que no ano que vem o povo possa voltar inteiramente feliz para casa, depois de ter visto a mais bela Miss desfilar sob os aplausos de todos.
Revista Manchete, 17/07/1965

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Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso
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Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara. 
(Fotos: Manchete)
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No Maracanãzinho mais cheio de todos os concursos de Miss Brasil, o público dividiu-se desde os primeiros momentos do desfile. De um lado, a favorita era Miss Mato Grosso, a morena Marilena de Oliveira Lima, que em todas as prévias feitas era apontada como a mais cotada para Miss Brasil-65; de outro, de narizinho arrebitado e doce sorriso, Miss Guanabara, Maria Raquel de Andrade, do Botafogo. As duas marcaram a grande noite, inspiraram vaias e aplausos. A desclassificação de Marilena provocou protestos como o Maracanãzinho não vira antes, chegando a assustar o júri.

Duas surpresas para o público: Miss Mato Grosso, que era a mais cotada desde o início, não figurou entre as três finalistas; e Miss Alagoas, uma das mais bonitas concorrentes, não ficou sequer entre as oito primeiras. A primeira, a morena Marilena, era a forte rival de Maria Raquel e a eleita do povo. A segunda, Mary Grace, contava com muita simpatia, inclusive entre as misses internacionais (Kiriaki Tsopei, Miss Universo-64, chegou a afirmar que Grace era a sua preferida para o mais alto título da beleza brasileira).

Ninguém pode contar o roteiro das vaias. Foram tantas e tão compactas, tão seguidas, que foi impossível cronometrá-las. Entretanto houve uma - um vaião - que ficou na memória do Rio. Foi uma das maiores dos últimos 10 anos. Esta vaia gigante foi assestada contra o júri, que optou pela loura do Botafogo e só deu o 4º lugar para a moça de Mato Grosso, a favorita das arquibancadas. Foi tão forte a vaia que os membros do júri ficaram com medo. E pensaram sair de mansinho. Pediram policiamento reforçado. E alguns trocaram de roupa, para não serem identificados. 

Evandro Castro Lima, que foi do júri, disse que nunca mais aceitaria a missão. Discordou do tipo de julgamento – do processo de votação por notas – que possibilitou vitórias não previstas. Idem foi a opinião de Oscar Santamaría, juiz internacional, que criticou violentamente o sistema de votar. Claude Berr, coordenador do Miss Europa, figura também do júri, estava desesperado. “What can I do?”, repetia pelos corredores. Na sua opinião, o júri votou certo, mas errou na pontaria. Houve qualquer coisa – que não foi marmelada - que atrapalhou a votação. Naturalmente o processo de votação.

Todas as misses internacionais – exceção da risonha alemã – ficaram alarmadas com as vaias. Miss Áustria saiu dizendo, em inglês, que todo mundo ali era maluco. A suave Miss Índia chegou a tremer de susto. Idem as eslavas, com Miss Finlândia nervosa. Essas moças, que freqüentaram passarelas calmas, educadinhas, formais, não esperavam topar com o rompante espontâneo de uma platéia latina. O medo dominou-as. Elas chegaram mesmo a pensar que o povo, revoltado contra o veredicto do júri, fosse afinal estraçalhá-las.
- Revista O Cruzeiro, 24/07/1965


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Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas. (Foto: Manchete)
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      Diante dos comentários acima, não há dúvida alguma que, se o critério de julgamento tivesse sido simples, direto e objetivo, Marilena de Oliveira Lima teria sido eleita Miss Brasil 1965. E a minha conterrânea Mary Grace Oiticica Bandeira teria ficado, no mínimo, entre as oito finalistas.

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