Daslan Melo Lima
Eu tenho uma bela foto em nostálgico tom sépia, feita em 1929, cujo carimbo atrás atribui a autoria a Ferreira Junior, fotógrafo com endereço na Rua 13 de Maio, 17, Rio de Janeiro, adquirida em um antiquário. As duas jovens sentadas são Miss Rio Grande do Sul, trajando roupa escura, e Miss Piauí, usando roupa clara. No verso da imagem, um texto escrito com letra bonita diz:
Lembrança da “Hora Litteraria” em casa do deputado Salles Filho e offerecida a Miss Piauhy e Miss Rio Grande do Sul em 26 de Abril de 1929. Miss Piauhy, de claro, ao lado da corbeille clara. Miss Rio Grande do Sul, de escuro, ao lado da corbeille escura.
Logo em seguida, há referências aos nomes das outras pessoas que estão na foto:
Nair, Carmen, Neusa, Tidinha, Esther, Diva, Graziella, Julieta, Annanh, Dinah, Marianinha, Zizi, Jorge.
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| Esta é a mesma imagem, agora beneficiada por um tratamento visual, o que possibilita conferir as figuras numa melhor resolução. |
Pesquisando no Google, descobri mais sobre as duas beldades. Miss Rio Grande do Sul chamava-se Bila Ortiz, natural de Uruguaiana-RS. Miss Piauí chamava-se Antônia de Arêa Leão.
Naquele 1929, quem venceu o Miss Brasil foi a carioca Olga Bergamini de Sá, Miss Distrito Federal, primeira brasileira a disputar um título internacional, o de Miss Universo realizado em Galveston, Texas, Estados Unidos, vencido pela austríaca Lisl Goldarbeiter.
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Vejo e revejo esta foto com minh’ alma de romântico incorrigível. Observo cada detalhe e tenho saudades de um tempo que não vivi, embora não tenha dúvida alguma que, de alguma forma, parte da minha essência conheceu aquele tempo.
Na minha fantasia, com a cumplicidade de uma luz difusa, entro furtivamente na casa do deputado Salles Filho, participo da Hora Literária e me torno um pouco o menino da foto, o Jorge, em nostálgico tom sépia, única figura masculina entre as 14 mulheres.
Declamo um dos meus poemas ao redor de Bila Ortiz, Miss Rio Grande do Sul, e Antônia Arêa Leão, Miss Piauí, e volto logo para a realidade de 2010, pois corro o risco de ficar na casa do deputado para sempre, estático, mudo, eternizado na fotografia, como o menino Jorge, testemunha de um tempo mágico que se foi, para sempre se foi...
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