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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

sábado, 2 de agosto de 2014

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Ana Vasconcelos / Itair Aleixo e Julia Andrade / Polo Comercial / Cláudio Roberto de Souza

Ana Vasconcelos,um orgulho timbaubense
       
      No dia 1º de agosto de 2009, às 23 horas, falecia a advogada Ana Maria Pacheco de Vasconcelos, 64 anos, vítima de infarto fulminante, no bairro de Boa Viagem, no  Recife,  quando visitava parentes.  A Dra. Ana Vasconcelos  nasceu em Timbaúba, em 22 de agosto de 1944, filha de Antônio Moraes  Vasconcelos e Martha Pacheco de Vasconcelos. Era fundadora e presidente de honra da Casa de Passagem, uma ONG fundada em 1989 com mais duas amigas, Cristina Mendonça e Nilvana Castelli, e que tinha como objetivo cuidar de jovens de ambos os sexos em situação de vulnerabilidade social.  O sepultamento ocorreu no dia seguinte, domingo, 02/08/2009, no Cemitério Parque das Flores, Região Metropolitana do Grande Recife, na presença de familiares, amigos e simpatizantes da Dra. Ana Maria e do seu belo trabalho filantrópico.

     A ONG criada por Ana Vasconcelos chama-se hoje Centro Brasileiro da Criança e do AdolescenteCasa de Passagem Ana Vasconcelos (CBCA), associação civil sem fins lucrativos, de utilidade pública federal, estadual e municipal, que se baseia em princípios ético-morais de valorização da pessoa humana e na defesa dos direitos de crianças, adolescentes, jovens e mulheres em situação de pobreza do Estado de Pernambuco, fundamentados no pensamento sistêmico. Trata-se de uma organização não governamental reconhecida nacional e internacionalmente pelo trabalho que desenvolve na Região Metropolitana do Recife, junto às comunidades em situação de risco social.

          A Casa de Passagem foi fundada antes da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Inicialmente, a entidade ficou conhecida pelo pioneirismo no atendimento biopsicossocioeducativo a meninas em situação de rua, abuso e exploração sexual, envolvendo a família e a comunidade na melhoria de suas condições psicossociais. Era algo novo, transformador, que chamava a atenção da opinião pública, da mídia e das autoridades. 

        Ana Vasconcelos participou de mais de cinquenta seminários e congressos nacionais e internacionais, escreveu quatro livros e recebeu muitos prêmios, entre ele o da Fundação Emílio Odebrecht e o de Personalidade do Ano de 1993, outorgado pela Associação de Imprensa de Pernambuco.   

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Itair Aleixo e Julia Andrade
       



No dia 27 de julho, o Santuário Mãe Rainha, no bairro de Araruna, foi o cenário mágico do casamento de  Itair Aleixo e Julia Andrade.  A recepção aconteceu no ambiente do bar e restaurante A Praça.  A decoração, muito elogiada, do templo e do espaço da recepção, teve a assinatura da Thúlia's Flores (Marcia Tarciana Andrade). Quem não cabia em si de tanta emoção era o empresário Felix Andrade, tio da noiva.





      Uma cerimônia religiosa de uma união ainda é uma das coisas mais belas e românticas da vida. E o juramento que ele e ela fazem no altar? Nada mais emblemático. Vinicius de Moraes  (1913-1980) falou de fidelidade e cumplicidade de forma magistral: 

.... Você tem que me fazer um juramento  

De só ter um pensamento  

Ser só minha até morrer ... 

Você tem que vir comigo...  

Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos 

E os seus braços o meu ninho 

No silêncio de depois 

E você tem que ser a estrela derradeira 
Minha amiga e companheira 
No infinito de nós dois.

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Timbaúba, piloto do projeto Polo Comercial
     
Timbaúba será o primeiro município pernambucano a vivenciar  um projeto comercial  que tem como objetivo elevar o nível de competitividade das pequenas empresas varejistas, incentivando o associativismo, o intercâmbio comercial e a competitividade das empresas. A apresentação do projeto aconteceu no dia 29/07, no auditório da Escola Santa Maria.    Na ocasião, o prefeito Júnior Rodrigues falou da sua satisfação em ser parceiro das entidades comprometidas com o desenvolvimento da região. 
      
  
    Os objetivos específicos e os resultados esperados são os seguintes:  prevenção e redução dos índices de mortalidade; promoção da participação e do aumento da competitividade; promoção da automação, informatização e modernização de merchandising;  geração de emprego e renda; criação e adequação  de soluções;  e implantação de modelo de governança. Entre as etapas, articulação de parcerias e organização da estrutura executiva do projeto. Entre os produtos, programas de capacitações, concursos e prêmios.
      A apresentação do projeto Polo Comercial de Timbaúba é uma promoção conjunta da Agência de Desenvolvimento de Timbaúba, CDL, Senac, Sebrae e Prefeitura de Timbaúba. 

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Um artigo de Cláudio Roberto no 
Diario de Pernambuco

  • O jornal Diario de Pernambuco, edição de 31/07, publicou um artigo de Cláudio Roberto de Souza, mestrando em História pela UFPE, timbaubense radicado em Paulista, região metropolitana do Recife. 
      
  •       O texto é sobre uma crônica escrita pelo jornalista Jáder de Andrade (1886-1931) no jornal A Serra, editado em Timbaúba entre 1913 e 1930, onde Jáder trata dos maus costumes políticos da época. Trata-se de um texto instigante. Clique em cima da imagem para visualizar melhor e confira.  Por uma falha da impressão, a última frase saiu incompleta. A mesma fica assim: "Por um lado, do quanto já aperfeiçoamos nossa democracia e por outro, dos que, contestando o estado das coisas de sua época, ergueram a sua pena e a sua voz em favor da modernização do País.”

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SESSÃO NOSTALGIA – Roberto Macêdo, Rachel de Queiroz e a polêmica sobre um padrão de beleza para o concurso Miss Brasil

Daslan Melo Lima                                                

                                               PRÓLOGO


      
A eleição de Anne Lima, Miss Caetité, como Miss Bahia 2014 causou celeuma na terra natal de três ícones da beleza brasileira, Martha Rocha (Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954); Maria Olívia Rebouças Cavalcanti (Miss Bahia, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1962);  e Martha Vasconcellos (Miss Brasil e Miss Universo 1968). Estaria Anne Lima dentro ou fora dos padrões para disputar o título de Miss Brasil?  
         Ao abrir espaço para o assunto nesta secção, não tenho outro objetivo a não ser que os debates sobre o tema desaguem num mar de tranquilidade.  Minha paixão pelas Misses vem de uma época em que, ainda menino, via o Brasil parar para saber quem seria sua rainha da beleza, num interesse similar ao da Copa do Mundo Fifa. Os valores e os objetivos de hoje são outros, mas certas coisas poderiam prevalecer acima dos egos: bom senso, respeito, coerência, gratidão, fé em Deus... Quase sempre, estou a cultuar as deusas e os concursos do passado. Vivo na ilusão de que as beldades modernas possam ser ícones como as marthas, teresinhas, adalgisas e iedas de ontem. Quase sempre, estou a fantasiar missólogos, coordenadores e organizadores em harmonia, em nome da minha paixão pelas Misses. O menino que fui tem receio de perder o encanto total por essa paixão, assim como um dia perdeu por fadas e duendes.

                   ROBERTO MACÊDO CONTRA O PADRÃO DA MAGREZA EXCESSIVA

     
No dia 28 de julho, sob o título “Contra o padrão da magreza excessiva”, o jornalista baiano Roberto Macêdo postou o artigo abaixo na sua página do Facebook. 

      A polêmica que se instaurou nas redes sociais depois da eleição da nova Miss Bahia traz de positivo a possibilidade de as pessoas discutirem padrão de beleza (será que existe?). De negativo, a troca de ofensas e as brigas sem necessidade. Fui procurado por um jornalista para dar a minha opinião, e parece que é preciso desenhar, pois alguns poucos não entenderam o que eu falei. É a figura do já conhecido analfabeto funcional – sabe ler, mas não sabe interpretar. Nada tenho contra ou a favor da garota eleita. Não a conheço pessoalmente, nunca a vi, assim como não acompanhei o concurso de Miss Bahia, não o assisti, nem me interessei em ficar a par do que acontecia. Eventualmente, vi algumas coisas aqui no Facebook.
     
      Não sei se foi justa ou se foi injusta a eleição da miss e suas princesas. O que eu coloquei, e o farei mais uma vez, é que eu sou contra essa imposição de um padrão de beleza que não condiz com a realidade. Essa magreza excessiva não é padrão em nenhum concurso de beleza mundial. Em nenhum. Nos concursos internacionais, a grande maioria das candidatas é magra. A grande maioria. Mas é uma magreza com curvas, com seios, com bumbum e com aspecto saudável. Nada que lembre a anorexia! E vejam que nem entre as top models isso é padrão. Elas são belas, magras, com curvas e aparência saudável. As de aparência anorexa são que sonham em ser top model e vivem nos castings. O que dizer de Naomi Campbell e Tyra Banks?


      Muitas garotas nem teriam passado pelo Miss Brasil se esse padrão já fosse estabelecido anos atrás. Um exemplo excelente é a atual coordenadora do Miss Bahia, Gabriela Rocha, que ganhou o concurso estadual em janeiro de 2011 visivelmente acima do peso (pesquisem no Google Images). Ela foi à luta, emagreceu, teve a mão mágica de um cirurgião plástico amigo corrigindo pequenas imperfeições e fazendo uma lipoescultura (a quem foi levada pelo irmão dele, amigo nosso, que faleceu prematuramente), chegando ao Miss Brasil na forma ideal e conquistando o segundo lugar, não trazendo a coroa por conta dos “mistérios” do concurso, dada a sua inequívoca superioridade frente à vencedora e à voz do povo (que é a voz de Deus!), gritando “Bahia, Bahia, Bahia” nos momentos finais (“Plateia vaia e reprova miss eleita”: https://www.youtube.com/watch?v=WhbMIyvzelo). Acredito que as meninas deveriam se preparar antes de entrar num concurso de beleza. Em último caso, ter tempo para se preparar para o concurso nacional.

    
Gabriella Rocha e Priscila Machado
   No Brasil está havendo um descompasso entre o padrão dos concursos de beleza e o gosto popular. O que queremos? Impor um padrão irreal e o concurso a cada dia perder mais e mais audiência? Com resultados (estaduais e o nacional) que muitas vezes são inacreditáveis, só caem no descrédito. É isso que estamos vendo a cada ano, com o Miss Brasil e seus congêneres despencando nos índices do Ibope. Sem audiência, os patrocinadores somem. E, assim, o que será dos concursos? A continuar desse jeito, não prevejo vida longa do Miss Brasil na Band.
      Outro problema são os “ispecialistas” em diversas áreas. Antes do advento da internet, para uma pessoa se especializar em algum assunto ela estudava, frequentava cursos, eventos, pesquisava, ficava atenta acompanhando o desenrolar de qualquer coisa relacionada, etc. Hoje, com a internet e o acesso fácil à informação – nem sempre correta – há muita gente que se acha “ispecialista” em muitas áreas e discute como se tivesse doutorado no IMT!!! Quando você se aprofunda, vê que é um blefe! Tem sido assim nos concursos de beleza, com gente que ninguém sabe de onde saiu e que nunca contribuiu com nada para o mundo-miss, e de repente aparece se achando o maior “ispecialista”. Tudo na base do “achismo”! Quem é você mesmo??? Rsrsrs
      Causa espanto tanta gente ser conivente com o “jeitinho brasileiro”, inclusive no mundo-miss. Reclamam tanto do país, dos políticos, e, no entanto, agem de forma bem mais inescrupulosa, aceitando e sustentando situações que deveriam ser insustentáveis. Algumas pessoas, quando têm a chance, até fazem pior o que antes reclamavam!!! Pior do que os sem caráter que pensam que têm o poder é os que se prostituem sendo serviçais dos que pensam que têm o poder.
      Aviso: Na minha página, não vou permitir porcos comendo pérolas: Se algum “ispecialista” escrever aqui alguma bobagem, será deletado!

RACHEL DE QUEIROZ CONTRA O  "REBANHO”

     
      Por incrível que pareça, ainda no auge da época de ouro do concurso Miss Brasil, a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) se pronunciou sobre essa questão de padrão de beleza. Encontrei no meu acervo uma matéria da famosa cearense falando de misses estereotipadas e padronização do corpo humano. Em “Última Página”, a sua coluna da O Cruzeiro, de 15/07/1961, a mais importante revista da época, ela escreveu a crônica Rebanho, abaixo transcrita, na íntegra, obedecendo à ortografia vigente naquele tempo, a fim de preservar a autenticidade documental. 

O Cruzeiro, Ano XXXIII, nº 40, 15/07/1961 - Acervo DML/PASSARELA CULTURAL

Se me perguntassem qual o aspecto mais desolante da civilização moderna, eu diria que é a sua padronização. Neste mundo em que vivemos está se acabando realmente a invenção, a originalidade, a marca pessoal ou, se não acabando, pelo menos sèriamente se comprometendo.
     De primeiro, todo provinciano que chegava ao Rio tinha o deslumbramento da novidade. Começava pelo povo na rua, pelas vitrinas das lojas, pela roupa das mulheres.  Ah, a roupa das mulheres. A provinciana mal punha o pé no cais sentia-se uma estrangeira exótica, com a sua roupa diferente  -  e o sapato, o penteado, o chapéu.
    Hoje, no mais longínquo sertão as môças se vestem pelo figurino de Hollywood – talvez com uns toques de Brigitte Bardot – tão igual, tão igual que dá bocejos, quando não dá risadas.
      Os concursos de beleza, então. As meninas são tão estereotipadas, tão decalcadas umas pelas outras, tão estandardizadas, dentro de dois ou três tipos – loura fria, morena tropical, ruiva vibrante, que parecem bonecas saídas de uma linha de montagem – onde só variam a côr dos cabelos, dos olhos, da pele – da pele não, pois todas, brancas ou morenas, procuram ficar tostadinhas como biscoitos, o que entre parênteses é muito lindo. Nem mesmo na roupa se diferenciam. Ou antes, muito menos se diferenciam na roupa, se justamente é a roupa o elemento principal da padronização. E se fôssem só as misses. Mas ande-se em Copacabana e a impressão que se tem é que um colégio soltou as suas meninas pelas ruas do bairro sul. Tudo de blusa de listra horizontal, e calça comprida colante – ou saia branca de tergal. Os penteados, os colares, a pintura, os sapatos (agora no inverno é mocassim) são também uniformes. E note-se o traço mais curioso da coisa – elas têm prazer de se sentir idênticas, fazem questão de parecer reproduções fotográficas do mesmo modêlo, adoram ser uma unidade num rebanho uniforme. Alguma que venha diferente, mesmo elegante, mesmo bem vestida, choca – só mesmo porque é diferente.    
      Parece que morreu aquela preocupação feminina da originalidade, que fazia as mulheres ricas pagarem fortunas por um “modêlo” único de grande costureiro, ou as môças pobres rasgarem a página escolhida no figurino da modista, para evitar outras cópias.
      E a uniformização vai se estendendo às mesas – ah, aquêle eterno arroz pilaff, aquêle suprême de frango, o sempiterno coquetel de camarões; parece que já passou da moda o strogonoff, meu Deus quantos strogonoffs cada um de nós não terá jantando na casa de um e de outro ou nos botequins de gente bem?
      Será que a Humanidade está marchando mesmo para a padronização geral, será que o fim próprio do aperfeiçoamento da técnica, o progresso da indústria; o avanço danado da Ciência vai nos levar a isso? Tudo parecido, como andorinhas no fio ou misses na passarela?
      Dirão os “nacionalistas” que isso é efeito da civilização americana, niveladora, sem imaginação nem originalidade. Mas, pelo que sei, os países ditos “socialistas” também adoram a padronização. Conta, até, elogiando, que na China todas as mulheres andam uniformemente de calças azuis...
      A fabricação das utilidades em série é talvez a razão principal dêsse condicionamento ao uniforme, dessa renúncia ao gôsto individual, que caracteriza a nossa idade. Acaba-se o artesão, só se obtém o produto de fábrica, lançado no mercado aos milheiros e milhões. São os móveis exatamente idênticos, nos apartamentos idênticos também. As televisões, os rádios, as geladeiras de modêlo único – ou quase único. E em tudo predominando aquêle mau gôsto inalterável – que como um gás venenoso permeia todo o mundo civilizado. Passe  por uma aldeia italiana, espie a sala da frente, de uma das casas, não tem que tirar Nilópolis ou Vigário Geral: a mobília em folheado, o caixão do rádio na sua mesinha, o quadro da parede, os paninhos bordados, o tapete do chão. É universal, é a internacional do mau-gôsto.
      A padronização chegou agora ao corpo humano. Com a dietética, a cirurgia plástica, a ginástica -  tudo vai se acomodando a um modêlo talvez ideal, sim – mas único. E as falas também se padronizam, o cordão puxado pelos locutores de rádio que desdenham as peculiaridades de pronúncia regional e recitam todos num linguajar artificial, pedante e detestável, carregado de erres, de esses, de ênfase nas tônicas.
     Sei que vejo, num pesadelo, o mundo dos nossos netos – todos belos, saudáveis, mas parecidos, parecidos como gêmeos, morando em ruas iguais, em cidades iguais, vestidos de roupa igual, falando um dialeto só, feito abelhas em colmeia, térmitas no seu cupim.
      Deus que me perdoe!

EPÍLOGO

    Vou encerrar esta secção repetindo  parte do trecho que escrevi no prólogo.
      Minha paixão pelas Misses vem de uma época em que, ainda menino, via o Brasil parar para saber quem seria sua rainha da beleza, num interesse similar ao da Copa do Mundo Fifa. Os valores e os objetivos de hoje são outros, mas certas coisas poderiam prevalecer acima dos egos: bom senso, respeito, coerência, gratidão, fé em Deus... Quase sempre, estou a cultuar as deusas e os concursos do passado. Vivo na ilusão de que as beldades modernas possam ser ícones como as marthas, teresinhas, adalgisas e iedas de ontem. Quase sempre, estou a fantasiar missólogos, coordenadores e organizadores em harmonia, em nome da minha paixão pelas Misses. O menino que fui tem receio de perder o encanto total por essa paixão, assim como um dia perdeu por fadas e duendes.

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sábado, 26 de julho de 2014

Ariano Suassuna no galope do sonho


      Conheci Ariano Suassuna no mesmo ano em que, adolescente, migrei da minha alagoana São José da Laje para o Recife, onde meus pais desembarcaram com o sonho de reverter uma vida severina. No meu primeiro ano de estudos no Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, Ariano Suassuna esteve algumas vezes em minha sala de aula falando de sagas, reinos imaginários, vitórias, derrotas, esperança e sonho, muito sonho. 
      Do alto de sua sabedoria e simplicidade, o famoso escritor, poeta e dramaturgo dizia: "O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado", e continuava: "Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver." 
      Deus convocou Ariano Suassuna para falar de sonho em outra dimensão na última quarta-feira, 23. Foi encantar outros garotos carentes e sonhadores como aquele que fui, para quem o sonho foi, e continua sendo, o melhor aliado da caminhada neste planeta. 
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Daslan Melo Lima

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Lulinha, o legado de um anjo timbaubense - De vento em Popa

LULINHA, 
O LEGADO DE UM ANJO TIMBAUBENSE

     
      No dia 09 de maio de 1944, para alegria de João Cabral da Silva e Adília Rodrigues Cabral, nascia Luiz Carlos Rodrigues Cabral. O casal, que já tinha duas filhas, Maria Dulce e Ana Águida (só depois ganharia outra, a Rosa Célia) ficou muito alegre, pois se tratava de um menino, uma almejada criatura do sexo masculino, que recebeu o apelido carinhoso de Lulinha. Logo a alegria deu lugar a momentos de preocupação, pois o garoto era portador da Síndrome de Down, um assunto que na época era envolvido em preconceito e desinformação.

    Lulinha foi cuidado como uma joia preciosa. Cresceu dotado de uma alegria contagiante, otimista, disciplinado. Algumas vezes tinha certa dificuldade de se expressar, mas todos entendiam o que ele queria dizer. 



  “Possuidor de uma força divina, ele era meu porto seguro. Quantas vezes eu chegava ao seu lado, angustiada, e só de ficar pertinho dele e de abraçá-lo, uma energia renovadora tomava conta de mim. Ninguém pode imaginar o amor que um ser como o meu tio é capaz de dar”, declara sua sobrinha Simone Cristina Cabral, 35 anos, profissional da área de recursos humanos. 

     

      “Ele era uma ser muito especial, um anjo, tinha uma forte percepção e quando me via triste costumava dizer chore não que tudo passa. A  um pai e a uma mãe que tem um filho diferente, recomendo que dê ao mesmo muito carinho e atenção. O resultado é surpreendente”, afirma Dulce Cabral, 74 anos, sua irmã, professora aposentada.


       Lulinha faleceu no dia 10 de junho deste ano, vítima de miocardiopatia, aos setenta anos e trinta e um dias de idade, uma vida longa, acima da média da expectativa de vida dos portadores da Síndrome de Down. Lulinha morreu sereno como um anjo, deixando o maior de todos os legados: o amor, o mais nobre dos sentimentos.      

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ENTENDENDO A SÍNDROME DE DOWN - Síndrome de Down ou Trissomia do cromossoma 21 é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra, total ou parcialmente. Recebe o nome em homenagem a John Langdon Down, médico britânico que descreveu a síndrome em 1862.  Pessoas com Síndrome de Down podem ter uma habilidade cognitiva abaixo da média, geralmente variando de retardo mental leve a moderado.  Estima-se que a incidência da Síndrome de Down seja de um em cada 660 nascimentos. Devido aos avanços da medicina,  expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down vem aumentando incrivelmente nos últimos anos. Os pais devem estar atentos a tudo o que a criança comece a fazer sozinha, espontaneamente, e devem estimular os seus esforços. Quanto mais a criança aprender a cuidar de si mesma, melhores condições terá para enfrentar o futuro. Pessoas com síndrome de Down têm apresentado avanços impressionantes e rompido muitas barreiras. Em todo o mundo, há pessoas com síndrome de Down estudando, trabalhando, vivendo sozinhas, se casando e chegando à universidade. O termo mongol ou mongolismo, quando usado de forma pejorativa, ofensiva, poderá ser considerado como crime de preconceito. (Fonte: Wikipedia) 
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FÉ X COPA DO MUNDO

Bandeirinhas verdes e amarelas ao sabor do vento. Apenas duas cores 
testemunhando  muita fé,  em Deus e  na garra dos nossos  jogadores. 

Ganhamos e perdemos. Disso é testemunha Nossa Senhora das Dores,
apontando  para um norte diferente, onde reina outra escala de valores. 

Mistérios nos cercam. Perder, dúvidas e dores. Ganhar, luzes e  amores. 

Talvez seja o contrário: Perder, luzes e amores. Ganhar, dúvidas e  dores.

- Daslan Melo Lima

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DE VENTO EM POPA

Thaisa Campos e Nilton Filho, noivos, um romance de vento em popa com alianças de compromisso.
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Marileide Rosendo (Balazinha)  e Homerion Campos, noivos,  um romance de vento em popa, com alianças oficiais, no Clube Verde Campo, decorado com imagens de São João e Santo Antônio. 

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SESSÃO NOSTALGIA – O traje típico que Marcílio Campos criou para Staël Abelha, Miss Brasil 1961

Daslan Melo Lima

      Foram muitos os trajes típicos de baiana usados por representantes do Brasil no concurso  Miss Universo. Entre os que marcaram época, o criado por Marcílio Campos (*25/01/1930 +26/04/1991) para a mineira Staël  Maria da Rocha Abelha, Miss Brasil 1961. Na ocasião, O Cruzeiro, a revista de maior circulação no País, com tiragem de 500 mil exemplares, deu uma visibilidade sem precedentes ao assunto, com direito a capa e sete páginas.

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A fantasia da capa – Miss  Brasil foi fotografada por Indalécio Wanderley com a “baiana” que ela irá exibir em Miami. A fantasia foi confeccionada por Marcílio Campos, costureiro pernambucano, bicampeão do carnaval carioca. Ainda este ano, ele foi o autor de “Isabel, Rainha de Portugal”, com a qual Denise Zelaquett ganhou 1º prêmio no Municipal e no Quitandinha.  Ubiratan de Lemos, Jean Solari e Hélio Passos levaram Miss Brasil-61  a um passeio pelas ruas centrais do Rio, vestida com a “baiana” que apresentará em Miami. Foi uma pausa de beleza e graça num dia normal de trabalho dos cariocas.  Beleza, na verdade, vem do berço. E Staël Abelha, antes de ser Miss Brasil, já tinha tudo o que hoje mora ao lado.
---------- Crédito das imagens: O Cruzeiro, Ano XXXIII, Nº 40, 15/07/1961. Acervo DML/Passarela Cultural. 



Rio viu primeiro a baiana Staël. - Texto de Ubiratan de Lemos. Fotos de Hélio Passos e Jean Solari.

Na baiana de luxo, nas ruas do Rio, o povo foi descobrindo aos poucos Miss Brasil n° 1.  
Detalhe: Miss Brasil nº 1, era assim como se referiam à primeira colocada no Miss Brasil. Na época, as misses que ficavam no segundo e terceiros lugares tinham a denominação de Miss Brasil nº 2 e Miss Brasil nº 3, respectivamente, e viajavam para o exterior como representantes brasileiras no Miss Beleza Internacional, realizado em Long Beach, e no Miss Mundo, que acontecia em Londres.  

      Carioca da Cinelândia viu e não acreditou: baiana muito dourada, muito verde, de penachos e balangandãs, mas de bamboleio mineiro, singrando, sozinha, pela Belacap. Stäel Maria da Rocha Abelha, que já se transformou em letra de samba no Rio e em São Paulo, caprichava no desembaraço. Sorria para os pontos cardeais, na passarela do asfalto. Falava com um e outro, sublinhando frases curtas de conteúdo gentil. Sempre alegre, conversando rosas, é incapaz de um “não” para o programa puxado que está cumprindo. Apenas concorda que precisa engordar os 3 quilos perdidos. E desmente a versão do noivo. Ainda não teve tempo de pensar nele E não sabe se ele deve despontar na sua glória confusa. O importante é que Staël continua a mineira de Caratinga, natural, sem rasuras. A coroa não lhe empoou a vaidade, mas lhe exagerou a simpatia.
      Ela está escrevendo letras miúdas em papel azul: suas memórias de Miss Brasil. Ou simplesmente um diário, o roteiro de suas emoções. O sonho fecundado de ser Miss Brasil. Desde já avançamos que a sua impressão maior, depois de Miss Brasil, é ser agora um espécimen raro. Todos lhe espiam o rosto como se ela tivesse desembarcado de um disco voador: curiosidade e análise. Levará para Miami dois presentes. Um pé de café num jarro e um naco de cristal de rocha. Mas não falará em inglês, porque não o domina suficientemente. E explica: “acho Camões tão importante quanto Shakespeare”.
      O autor da baiana, que é o luar destas páginas, chama-se Marcílio Campos, do Recife. É campeão de fantasias do carnaval. Marcílio trabalhou em tela cristalizada. Amarelo-ouro com babados plissados e, sobre estes, camada de babados de bico de seda branca, rebordados  com paillettes dourados. O matame tem contornos dourados; as sandálias com detalhes em verde-bandeira. E ainda um chalé em cetim verde, com turbante no mesmo cetim e adorno de plumas verdes e vermelhas. Completam a baiana bolas de ajoufo verdes, vermelhas e douradas, colares, pulseiras, no mesmo tom tricolor. Os brincos são argolas douradas. É a baiana mais arara, em bom estilo, dos anais do concurso de Miss Brasil.
      Miss B-61, a mineirinha Staël Maria, baixou de retiro silvestre, em São Paulo, de onde sairá para o voo superjato da Braniff, no “Eldorado”. E, então, será Miaimi Beach, desta vez com profunda intuição de vitória.

Todo mundo ficava surpreso em ver, de repente, uma “baiana” tão bonita, tão longe do Carnaval. E a surpresa crescia quando reconhecia nela a elegante Miss Brasil-61.
Staël, de baiana, mostrou a faceirice mineira da Cinelândia à Central do Brasil.

Com absoluta exclusividade e grande esforço, O Cruzeiro mostrou Staël aos cariocas com a linda baiana que usará em Miami. Aqui, na escadaria do Municipal, ela experimentou a sandália de 16 cm de salto, especial para as passarelas em que reinará com seu encanto.  

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      Após retornar de Miami Beach, onde não obteve classificação no Miss Universo, concurso no qual foi eleita Marlene Schmidt, Miss Alemanha,  Staël Abelha renunciou ao título apresentando sua carta-renúncia onde dizia que trocava seu reino por amor.  Vera Maria Brauner (1942-2012), Miss Rio Grande do Sul, sua vice, foi coroada oficialmente Miss Brasil 1961 em um programa de televisão. A trajetória de Staël foi motivo da Sessão Nostalgia de 30/04/2011, disponível neste link http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/04/de-alagoas-para-o-mundo_30.html

Marcílio Campos nasceu no Estado da Paraíba, em 25/01/1930, e morreu no Recife, cidade onde passou a maior parte da sua vida, vítima de colapso cardíaco, em 26/04/1991..***** Foto: Acervo/Fernando Machado.

     É bem diferente a  maioria dos trajes típicos apresentados  hoje pelas misses, distantes daquela baiana de Staël Abelha criada por Marcílio Campos, quando inexistia o termo estilista. Marcílio era chamado, com muita honra, de figurinista e costureiro. Ao mesmo tempo em que buscam,  através de suas alegorias, externar a riqueza e os valores culturais  de uma região, alguns estilistas se distanciam dos verdadeiros, singelos e poéticos trajes típicos do Brasil.
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domingo, 20 de julho de 2014

NETO, O BAIANO MARAVILHA

     
     
      Na noite fria da quarta-feira, 16, na Ilha do Retiro, numa jogada espetacular, Euvaldo José de Aguiar Neto, ou simplesmente Neto Baiano, natural de Ituaçu, BA, fez um gol destinado a ficar para sempre na memória do Sport Club do Recife. Quase no meio do campo, seu chute vigoroso aos 43 minutos do primeiro tempo, num lance individual antológico, decidiu a partida do rubro-negro contra o Botafogo, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro-Série A.  
     A propósito da personalidade do Neto Baiano, algumas das suas brincadeiras e declarações já foram consideradas inconvenientes e provocaram polêmicas, mas acredito que nunca houve maldade de sua parte, apenas imaturidade.   
       Acho que o Jorge Bem Jor deveria repaginar aquela música famosa dedicada ao mineiro João Batista de Sales, o Fio Maravilha, que marcou época no Flamengo. 

E novamente ele chegou com inspiração,
com muito amor, com emoção, com explosão em gol
(...)
Foi um gol de classe onde ele mostrou sua malícia e sua raça.
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa,
que a galera agradecida assim cantava:
Neto Maravilha, nós gostamos de você!
Neto Maravilha, faz mais um pra gente ver!
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Daslan Melo Lima, após o jogo Sport x Botafogo
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Vale a pena relembrar

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sábado, 19 de julho de 2014

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Inauguração do Centro de Empreendedorismo

CENTRO DE EMPREENDENDORISMO DE TIMBAÚBA


      Na sexta-feira, 18, às 11 horas, a Secretaria de Assistência Social e Cidadania, em parceria com a Amface, AD Diper e Governo do Estado de Pernambuco, promoveu a inauguração do Centro de Empreendedorismo de Timbaúba, localizado na Rua Almirante Barroso, no bairro de Três Cocos, no mesmo imóvel onde durante muitos anos funcionou a Indústria de Calcados Criança.

     Trinta e três máquinas industriais de última geração fazem parte do espaço, sendo trinta e duas de costura e uma bordadeira.  Cursos de capacitação serão oferecidos e a expectativa é de que Timbaúba se torne uma referência da mata norte no setor. 




     Entras as personalidades presentes ao evento, prefeito João Rodrigues da Silva Júnior (Júnior Rodrigues),  Vânia Lúcia Barreto (secretária de assistência social e cidadania), Gabriel Maciel (AD Diper), Plácida Eulália Fialho Falcão (Amface), Paulo Lins (representante do secretário de Educação do Estado) e Roselane (Mafitil).
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE
Página Social do Timbaúba Jornal, 16/05/1959, destaques para "O Retrato da Semana" , Senhorita Maria José de Brandão Galvão Cavalcantie a poesia "Carta de matuto", de Zé da Roça

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ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA

O céu azul, as nuvens brancas, as casinhas do Alto do Cruzeiro. ***** Foto: DML/PASSARELA CULTURAL.

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