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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 641, referente ao período de 15 a 21 de outubro de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 2 de abril de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - Os primeiros trajes típicos do concurso Miss Brasil


Daslan Melo Lima


PRÓLOGO

              
          Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 22 de junho de 1963. Trinta mil pessoas estavam naquele ginásio de esportes para acompanhar os desfiles de vinte e quatro jovens que sonhavam com o título de Miss Brasil.  Além das apresentações em traje de gala e maiôs Catalina, pela primeira vez elas iriam se apresentar em trajes típicos. Todos os anos, nos concursos internacionais,  as brasileiras usavam como trajes típicos  os de “Baiana” , que remetiam às fantasias de Carmem Miranda (1909-1955). A partir de 1963, com a inclusão dos desfiles dessa categoria no concurso Miss Brasil, as vencedoras passaram a usar no exterior os mesmos trajes típicos usados durante a competição nacional.

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OS PRIMEIROS TRAJES TÍPICOS DO CONCURSO MISS BRASIL

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Miss Acre, Maria Cristina Laport “Xapuri”, traje típico da fronteira Brasil-Bolívia, composto de saia e blusa de diversas cores, lenço na cabeça.
Miss Alagoas, Terezinha Binas“Índia”, modelo depois trocado pela Miss, que preferiu “Gogó da Ema”, simbolizando as praias de Maceió. Na foto, apresentamos o modelo “Índia”, de penas brancas de ganso e colares. 
Miss Amapá,  Themis Kohler da Cunha  -  “Marabaixo”, dança e procissão de origem banto, modelo de blusa branca Saint-Tropez, saia de cetim branco e diadema do Divino Espírito Santo. 
Miss Amazonas,  Fátima das Neves Silva, oitava colocada no Miss Brasil  - “Índia do Rio-Mar”, reprodução de paramentos indígenas de um ritual bugre. Na cabeça, um cocar de penas de arara e gavião real, biquíni de “guias” de garça, conjunto de pulseiras, colar comprido de dentes de bichos, malha cor da pele e arco e flecha. 
Miss Bahia, Jerusa Sampaio“Baiana Autêntica”, modelo usado pelas mães-de-santo de Iansã, de três anáguas e uma saia bordada, além de bata e um pano da Costa, bordados. 
Miss Brasília, Denise Rocha de Almeida, quarta colocada no Miss Brasil“Bandeirante do Século XX”, autoria de Evandro de Castro Lima. Este traje compõe-se de casaca preta, camisa branca e short, cartola e bengalinha, malha cor de carne, sapatro pretos e gravatinha-borboleta. 
Miss Ceará,  Vera Maria Barros Maia “Iracema”, a tal dos lábios de mel, penas brancas, cocar colorido, arco e flecha. 
Miss Espírito Santo,  Sônia Marta Anders”Rainha do Mar”, traje de autoria da própria Miss, que desejou homenagear as praias de Vitória. O modelo é todo bordado em pedrarias verdes, cauda dourada, colares e pérolas, capa verde e azul, coroa e cetro – tudo isso custando 400 mil cruzeiros.
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Miss Estado do Rio, Miriam Montenegro da Fonseca - “Floricultura”, modelo de saia em algodão azul barrada com fita de gorgorão branco, blusa de organdi suíço branco, guarnecido de passamanaria, avental e lenço de cabeça em visnil estampado. 
Miss Guanabara, Vera Lúcia Maia, terceira colocada no Miss Brasil“Calçadas do Rio”, traje-cópia dos mosaicos cariocas, branco e preto, bordado em pedrarias. Uma estola, colares e sandálias completam o modelo. 
Miss Goiás, Solange Brockes Tayer“Anhanguera”, traje preto, cinturão e botas de couro de bezerro. 
Miss Maranhão,  Esther Ewerton Santos“Bumba-Meu-Boi”, festejo junino do Norte, modelo de calção de cetim vermelho, blusa branca, amplo peitilho de veludo negro, bordado em canutilhos e miçangas, chapéu florido  com fitas longas. 
Miss  Mato Grosso,  Terezinha Elizabeth Cruz Vadouski“Filha de Cacique”, modelo de garças reais, bordado de pedrarias. 
Miss Minas Gerais,  Edma Saraiva“Congada de Ouro Preto”. 
Miss Pará,  Nilda Rodrigues de Medeiros, sétimo lugar no Miss Brasil - ”Mulata”, vestido de saia estampada, bordada de fitas vermelhas, lacinhos, babados bordados. Um buquê nos cabelos; na mão, uma peneira de pétalas, sandálias altas, vermelhas, de galão bordado. 
Miss Paraíba, Kalina Ligia Duarte Nogueira“Cangaceira”, traje de saia verde-bandeira, blusa branca, cartucheira em couro cru, espingarda, chapéu de couro. 
 
 

Miss Paraná,  Maria Tania Mara Franco de Souza, vice-Miss Brasil“Camponesa”, modelo inspirado na vestimenta dos colonizadores do Estado. Saia verde, ampla, da cor dos pinheiros, com barra e corpete dourados, bordados com algodão, café, madeiras e mate. Mangas fofas, chapéu e sapatos de palha natural. Colares de madeira tipo exportação. 
Miss Pernambuco, Vera Lúcia Bezerra “Frevo”, modelo composto de short prateado, blusa branca, fitas, casaquinho Saint-Tropez, sombrinha, descalça. 
Miss Piauí,  Maria da Consolação Teixeira e Silva “Vaqueiro do Nordeste”, traje confeccionado em pele de veado capoeiro, trabalhado em fios e em lâminas de ouro, chapéu, gibão peitoral, sapatos e rebenque. 
Miss Rio Grande do Norte,  Ísis Figueira de Melo“Apanhadora de Algodão”, modelo de calça comprida branca, blusão azul, representando as cores do Estado; sapatos e sacola em couro trabalhado em algodão “mocó”. 
Miss Rio Grande do Sul,  Ieda Maria Brutto Vargas, eleita Miss Brasil e depois Miss Universo  - “Exaltação dos Pampas”, estilização das antigas roupas gaúchas. Boleadeiras usadas para derrubar animais em carga (também servem de arma rural); faca para lutas e churrasco; chapéus e botas protetoras, que compunham o traje primitivo do gaúcho, hoje alterado pelas bombachas; cinturão para acompanhar o “xiripá”. O vermelho do lenço, o verde do “xiripá” e o amarelo das gregas formam as cores da bandeira gaúcha. Miss Santa Catarina,  Olga Mussi - "Camponesa da Boêmia", modelo estilizado, saia de veludo vermelho, ramos de café e espigas de trigo, simbolizando as riquezas do seu Estado; corpete preto de veludo, blusa de oganza branca, chapéus de renda. 
Miss São Paulo,  Dirce Augustus, quinta colocada no Miss Brasil – “Colhedora de Café”, de vestido de babado e faixa larga, chapéu de palha enfeitado de folhas e grãos de café e peneira também com os mesmos grãos. 
Miss Sergipe, Zelia Maria Mendonça Lopes, sexto lugar no Miss Brasil Maria Bonita”, modelo de saia havana e blusa turquesa, chapéu, cartucheira, sacola à tiracolo, botas e cintos em couro cru trabalhados em prata e pedrarias. Na mão, um rebenque, e um punhal atravessando o cinto. Um cangaceiro foi o assessor do traje.

Comentários extraídos da revista O CRUZEIRO, de 13/07/1963. As fotos  também são da mesma publicação. Os posters foram  elaborados por Evandro, redator do Misses na Passarela Blogger, evandrosilvabr.blogspot.com
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EPÍLOGO 
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               O traje típico usado por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, eleita Miss Brasil e depois Miss Universo, conquistou o prêmio de o mais belo do Miss Brasil 1963. 
          Às vezes singelos, outras vezes parecendo alegorias carnavalescas, os trajes típicos dão sempre uma visão cultural das cidades, dos Estados e dos países que as Misses representam. E sobre o corpo  de mil jovens,  todos os anos, nas passarelas do mundo, os trajes típicos são molduras de sonhos envolvidos em glamour e fantasia.

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9 comentários:

Anônimo disse...

Adorei esta Sessão Nostalgia !
Vale a pena lembrar que o autor do traje típico da Miss Guanabara, Vera Lúcia Maia, filha da inesquecível cantora Nora Ney, foi o famoso figurinista Alceu Penna, aquele da secção GAROTAS DO ALCEU, da extinta revista O CRUZEIRO.

Nota 1.000 para Passarela Cultural.

Peixoto C
Niterói

DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de Carlos Rocha, Florianópolis, Santa Catarina, por e-mail.

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A bela Olga Mussi-Miss Santa Catarina 1963 morreu quatro anos depois, no ano de 1967, vítima fatal de um desastre de carro.

Carlos Rocha/Floripa

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Anderson Silva disse...

Bonitos os trajes típicos da época mostrada. Nos dias de hoje as misses usam verdadeiras fantasias carnavalescas ou então roupas intituladas "trajes típicos' que ninguém entende o que é. No Miss Universo de 2007, o traje da brasileira foi Borboleta da Estrada Real. Enorme a borboleta. Em 2008 foi uma fantasia que parecia uma vitória-régia ou coisa parecida. Em 2009, enfim,para retormar a tradição, a brasileira foi de baiana. Em 2010, foi feita uma enquete na internet, e depois, poucos sabem qual traje que a capixaba usou no Miss Universo. A bem da verdade, era preciso fazer uma enquete melhor: quem viu o Mis Universo 2010?
Enfim, Daslan, voce resgatou uma matéria muito boa. Que legal o traje da potiguar, vestida de Apanhadeira de Algodão. A do Acre, também, representando os indigenas da fronteira do estado com a Bolívia. As de Sergipe e Paraíba, revivendo o tempo dos cangaceiros. Sim, valeu a matéria. Parabéns.

Roberto Macêdo disse...

Daslan,

Como sempre, uma delícia nas manhãs de domingo essas suas crônicas.
O interessante é que, em 1962, a baiana Maria Olívia Rebouças declarou, ao voltar de Miami, que sugeria que no anos eguinte a Miss Brasil usasse um outro traje, pois, segundo ela, "a baiana já deu o que tinha que dar". E opinava que deveria ser um traje de Maria bonita. Coincidentemente no ano seguinte a brasileira não foi de baiana, foi de gaúcha, e acabou eleita Miss Universo.
Um abraço e bom domingo,

Roberto Macêdo

Anônimo disse...

Lindos!Gostei muito de Maranhão,RJ ES e RS!Nota,por veiculação na internet:Miss ES é Martha Anderson,"née" Anders.Antigamente usavam trajes, mesmo, e não fantasias.Concordo com o comentário de Anderson e, depois,achei incrível uma baiana ter o despojamento de falar da mudança do TT;isso é que é personalidade (dá gosto de ver essas posturas inteligentes das MBs).em 2009 colocou-se uma baiana sem qualquer craquejo da Miss para o traje;deveriam tê-la feito usar o que ela se sentisse mais à vontade.Abraços, Japão PS e o Miss PE a gente quase não tem notícia!Poderiam transmitir pela internet.

Anônimo disse...

voltando: a descrição dos trajes é de uma riqueza cultural incrível!Abraços, Japão.

João Cordeiro de Andrade disse...

Gostei desta Sessão Nostalgia, sobre os trajes típicos do concurso miss brasil 1963. Realmente, entre os anos de 1963 a 1976 os trajes típicos eram mais simples, porém mais belos e significativos condizentes a diversidade cultural do brasil haja vista que, o Brasil é um país que às vezes parece um continente devido sua diversidade, pluralidade de culturas,com as origens amerindia, afro-decendentes e a ibérica e ainda contando com outras origens asiáticas e outras culturas européias e de regiões da américa Latina e saxônica.

Anônimo disse...

Boa noite Daslan,

O traje típico da Miss Estado do Rio 1963 Miriam Montenegro da Fonseca é LORICULTURA mesmo ou "FLORICULTURA"?

Abraços.

DASLAN MELO LIMA disse...

Miss Estado do Rio, Miriam Montenegro da Fonseca - “FLORICULTURA”, modelo de saia em algodão azul barrada com fita de gorgorão branco, blusa de organdi suíço branco, guarnecido de passamanaria, avental e lenço de cabeça em visnil estampado.