SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 492, referente à semana de 20 a 26 de julho de 2014. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 9612.0904 (Tim) e (81) 9277.3630 (Claro) / E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 21 de novembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - ESMERALDA BARROS, VICE-MISS RENASCENÇA 1964, A MULATA PRECIOSA

Daslan Melo Lima

                     Túnel do tempo, 1964. Época da revolução. João Belchior Marques Goulart (1919-1976) foi deposto do cargo de Presidente do Brasil por um golpe militar e em seu lugar assumiu o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967). Época de tensões em todo o território nacional. Mesmo assim, centenas de jovens estavam de olho no título de Miss Brasil.

               O Clube Renascença tinha lançado nos anos anteriores lindas mulatas ao título de Miss Guanabara, aplaudidíssimas na passarela do Maracanãzinho: Dirce Machado, em 1960, quarta colocada; Iara Santos, em 1961, quinto lugar; e Aizita Nascimento, em 1963, sexta colocada. Para muitos, todas elas tinham condições de ter sido eleitas e mereciam colocações melhores.  O Clube Renascença contava naquele 1964 com duas mulatas sensacionais, dispostas a repetir o sucesso de suas antecessoras e até de ultrapassá-las: Esmeralda Barros e Vera Lúcia Couto Santos. A primeira era a preferida do público para o título de Miss Renascença, mas venceu Vera Lúcia Couto Santos, que depois seria Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional.
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Trinta clubes participarão do Miss Guanabara 1964, recorde de inscrição clubística. Nesta vitrina estão algumas das mais fortes candidatas, inclusive Miss Renascença, a super Vera Lucia Couto dos Santos, que aparece na foto, ao lado, junto a Esmeralda, que era a favorita da platéia.
(Texto e foto: revista O CRUZEIRO, 04/07/1964. À esquerda, Vera Lúcia Couto e à direita, Esmeralda Barros)

A minha principal competidora era a Esmeralda Barros, que tinha uma enorme presença, um corpo belíssimo e grande traquejo de palco porque já tinha trabalhado em shows, etc. Mas eu terminei ganhando. E acho que foi muito mais na passarela do que em termos de plástica, beleza e tudo mais, sabe? Porque a Esmeralda tinha uma plástica respeitável, acontece que ela entrou na base de “já ganhei”, “eu sou a boa mesmo...”, “não tem pra mais ninguém”, e o público notou isso, o júri também e eu acho que aí ela perdeu.
(Depoimento de Vera Lúcia Couto dos Santos a Haroldo Costa, no livro Fala, Crioulo, Editora Record, 1982)

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ESMERALDA BARROS, UM CORPO NATURALMENTE PERFEITO

               Ninguém falava na época em retirada de costelas, cirurgias plásticas e aplicações de silicone para as Misses ficarem perfeitas. Tudo em Esmeralda Barros era natural.


(Foto: Richard Sasso, revista MANCHETE, 03/08/1968)


(Foto: Nélson Di Rago, revista INTERVALO, 18/08/1968)
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ESMERALDA, DE ILHÉUS PARA O MUNDO

               Esmeralda de Barros, nome abreviado de Esmeralda Barros, nascida em 1942, era natural de Ilhéus, Bahia. Antes do Miss Renascença tinha atuado como “girl” , espécie de dançarina, nos shows de Carlos Machado (1908-1992), o “Rei da Noite”, produtor de espetáculos musicais no estilo teatro de revista.


Esmeralda Barros em foto da revista O CRUZEIRO

               Depois do Miss Renascença, Esmeralda Barros ingressou com todo entusiasmo na carreira artística. Atuou em mais de duas dezenas de filmes brasileiros e italianos, tais como : “Histórias de um Crápula”(1965), "As Cariocas" (1966), "Cristo de Lama" (1966), "O Homem Nu" (1968), "W Django!" (1971), "Anche Per Django le Carogne Hanno un Prezzo" (1971) e "Presídio de Mulheres Violentadas" (1977). Na televisão, trabalhou nas telenovelas "Eu Compro Esta Mulher" (TV Globo, 1966), "Os Miseráveis" (TV Bandeirantes, 1967) e "Uma Esperança no Ar" (SBT, 1985). Em 1976, foi capa e motivo de ensaio fotográfico na revista "Homem", publicação nacional que depois se tornaria a Playboy brasileira. Durante o período que morou na Itália, a cada volta de Esmeralda ao Brasil, a imprensa dava a ela um tratamento digno de celebridade.
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A PRECIOSA ESMERALDA

Encanto do verão carioca, ex-rainha da praia, antiga girl de Machado e quase Miss Renascença, agora ela é atriz.

Índia apache, mestiça, selvagem, cigana – ela pode ser tudo isso, dependendo da ocasião e do argumento do filme. Esmeralda pode dizer, afinal, que é alguém em Cinecittà: um passeio pela Europa e alguns conhecimentos na Itália resultaram numa série de propostas que dificilmente permitirão a sua volta definitiva para o Brasil. A baiana Esmeralda já tem casa em Roma, automóvel esporte, belos casacos de pele – o conjunto, enfim, de apetrechos que identificam uma atriz peninsular. É por isso que veio ao Rio na semana passada, só a passeio, para matar algumas saudades pessoais, enquanto uma porção de atrizes morre de inveja do seu sucesso.

A história da fulminante carreira de Esmeralda começou em setembro do ano passado, quando ela foi fazer propaganda do café brasileiro na feira de Frankfurt. Depois, ampliando a viagem, passou doze dias na Itália. Um amigo, que a tinha conhecido no Rio durante as filmagens de Operação Paraíso, precisava de uma mestiça em determinado filme. Acertada a sua ida em fevereiro, Esmeralda voltou ao Rio, depois foi para Roma e acabou ficando. O balanço destes cinco meses acusa quatro filmes e meia dúzia de ótimas propostas que estão em estudo.

- No começo tive uma decepção que quase me fez voltar – conta Esmeralda. Era a hora do almoço em Cinecittà. Dois grandes produtores se aproximaram perguntando se eu era italiana. Diante da minha resposta, foi-se tudo por água abaixo: há uma lei italiana que proíbe a presença de mais de dois atores estrangeiros num mesmo filme. Imagine, que ao lado de Omar Shariff e Glenn Ford!

Diz Esmeralda que chorou quinze dias seguidos. Exagero ou não, as lágrimas foram compensadas, uma a uma, pelos papéis que conquistou em filmes sobre a revolução mexicana, sobre Che Guevara e numa série, Era das Selvas, em que ela faz um tipo definido como Tarzan de saias. Se isso não bastasse para consolar, houve também a compensação financeira, hoje traduzida no seu Prosche e na casa da Vila Monserrato.

- Ganhei mais dinheiro no cinema italiano, em cinco meses, do que durante todo o tempo em que trabalhei no Brasil. Acho que não volto. Nestas condições, quem voltaria? Mas também não deixei de ser o que sou. Uma vez me convidaram para uma feijoada. Saí de casa com água na boca. Pois não é que, quando cheguei, já tinham comido tudo? Quando o tempo começa a esfriar na Europa, a vontade de vir para o Rio é tremenda. Que saudade da praia! Aliás, é o que pretendo fazer – vir todos os invernos de lá para o nosso verão daqui.
(Texto de Renato Sérgio e fotos de Richard Sasso, revista MANCHETE, 03/08/1968).
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ESMERALDA SONHA COM IPANEMA

Desta vez, Esmeralda de Barros passou só doze dias no Rio. Mas é certo que o próximo carnaval carioca a tenha dançando por uma escola de samba. É assim que a mulata tipo exportação explica suas andanças:
- Assinei um contrato de três anos com Dino De Laurentis, mas briguei com ele mais de uma hora, para que fosse incluída no contrato a cláusula da saudade: uma que me permite vir ao Brasil pelo menos uma vez por ano.

Nos doze dias que passou no Rio, desta vez, Esmeralda acordava rezando para que fizesse sol. “Lá na Itália é fog o” – ela conta. “Quando me dá aquela fossa, aquela vontade de passear por Ipanema e ver os meus amigos, o jeito é pegar uma feijoada e comê-la olhando para um postal da Guanabara”.


Mas, um dia, ela teve uma alegria enorme: um grupo de amigos convidou-a para almoçar e, quando ela chegou, deu um grito de surpresa: era vatapá, no duro!
“O pessoal com que trabalho é muito bonzinho. Quando amanheço de cara triste, eles já sabem que é saudade e fazem tudo para que eu sorria” – diz Esmeralda. A sua participação no carnaval carioca é uma condição que ela não dispensa: “Eles lá já sabem que, quando o carnaval estiver chegando perto, é hora de arrumar as malas e me tocar para o Rio.”
(Texto de Fernando Martins e foto de Nélson Di Rago. Revista INTERVALO, 18/08/1968)
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ESMERALDA, A VOLTA DA MULATA PRECIOSA

Esmeralda é uma mulata sem preconceitos. Diz sempre o que sente, sem olhar para quem fala. Chegou da Itália para ficar dois meses entre nós trazidas pela saudade de três coisas que ela acha fundamental: praia, feijão e carnaval.


Em Roma, Esmeralda confessa que não faz sucesso e que é “apenas uma atriz que começa.” Vai quase todas as noites aos teatros, para se familiarizar mais com o idioma e, indiretamente, aprender um pouco um pouco de arte dramática.


Depois de sete filmes, ela já pode afirmar (com um certo sotaque): - Sabe... para me sentir realmente feliz e realizada, eu preciso é ter um filho. Isso sim vai ser mais importante e essa será certamente a coisa mais linda da minha vida. Só que ainda não escolhi o pai da criança: no ponto em que estou de minha carreira, um marido poderá atrapalhar todos os meus planos.
(Texto de Carlos Marques e Fotos de Claus Meier, MANCHETE, 15/11/1969)

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                  Túnel do tempo, novembro 2009. Por onde anda Esmeralda Barros?
               Pelo amor que ela tinha às coisas que achava fundamental - sol, praia, feijão, feijoada, vatapá, carnaval e praia - acredito que esteja morando num lugar pertinho do mar, no Rio de Janeiro ou na Bahia.
               Pelo ideal que ela fazia de felicidade, acredito que seja mãe e avó. E que hoje, mais sábia, ao mostrar seus álbuns de recortes e recordações para os seus descendentes afirma:
               - “Naquele tempo, diziam em todo o Brasil que eu era uma mulata preciosa, mas hoje estou feliz em ser apenas uma avó preciosa.”

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10 comentários:

DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de Muciolo Ferreira, jornalista, via e-mail.
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O vice-campeonato obtido por Esmeralda Barros no concurso promovido pelo Clube Renascença, em 1964, pode ser creditado a dois fatores. O primero pela infelicidade dela de ter disputado no ano que teve como principal concorrente Vera Lúcia Couto dos Santos, cuja beleza dispensa adjetivos. Por outro lado, pode ter sido o fato de sua participação nos shows de Carlos Machado.

Nas décadas de 50 e 60 os concursos de misses tinham um certo, não diria preconceito, mas cautela ao convidar ou eleger moças com alguma passagem pelos palcos de teatros ou cinema para que a imagem não fosse associada a coristas ou vedetes.
A principal condição para ser miss era ter personalidade e moral ilibadas. Constava na ficha de inscrição.

E um exemplo clássico ocorreu com a representante do Rio Grande do Norte de 1962, Geórgia Quental. Mesmo dona do melhor rosto e plástica naquele ano, Geórgia acabou em 7º lugar. A justficativa da organização do Miss Brasil foi a de que Geórgia já era profissional das passarelas, tinha feito algumas aparições no cinema e no teatro, então já entrava em vantagem em relação as outras candidatas.

Talvez baseados nesses e noutros fatos, a direção do Clube Renascença, que era muito rigorosa e criteriosa na seleção de suas misses, elegeu por Verinha, dona de um carisma e beleza inquestionáveis.Até hoje uma lenda. E a Guanabara e o Brasil saíram ganhando.

Parabéns, Daslan, pelo belo resgate de tão bela passagem do Miss Guanabara, justamente neste novembro quando todo o país comemora o Mês da Consciência Negra. E o Clube Renascença foi vanguardista na luta pela inclusão social, cultural e econômica dos negros e seus descendentes.

Tenha uma semana iluminada.

Muciolo Ferreira
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Anônimo disse...

Olá !

__Eu gostaria de saber se você sabe ou conhece um cabeleireiro daquela época chamado "Diná Cabeleireiros". Pois minha avó, era uma das modelos de cabelo, desse salão, e, a maioria dessas, Mulheres negras, faziam seus cabelos lá.

Virgílio Teixeira
texnet.trade@ibest.com.br

claudiabranca2007@hotmail.com disse...

Esmeralda...que alegria de te rencontrar aqui, muita alegria e admiraçao por tudo que vc ja foi e que é, com certeza a mulher mais corajosa que ja conheci. um grande abraço da sua ex-fisioterapeuta Claudia-Suiça

Anônimo disse...

Daslan ,eu sei aonde a Esmeralda se encontra.bj

Anônimo disse...

conheci Esmeralda a duas semanas e pela pessoa que conheci hoje.a situação dela não é das boas cade as pessoas q diziam amigos.

Anônimo disse...

Conhecí hoje Esmeralda, pena que encontra se com a sua saúde debilitada!

Anônimo disse...

a mulher mais sexy que saiu na playboy,pena que hoje em dia 1 atriz tão talentosa esquecida pela midia global

E. SANCHES disse...

Amigão, você conseguiu montar um trabalho sobre a Esmeralda que eu sempre tentei, mas por falta de informações nunca consegui. Não se sabe nem a data de nascimento dela na internet.
Tenho um blog exclusivo sobre Western Italiano e ela é muito cultuada no mundo todo pelos seguidores deste seguimento em que ela fez alguns filmes e são considerados cult.
Recebe E-mails sobre ela do mundo todo e não tenho informações. Sei que ela está no Rio acho que nas proximidades de Petrópolis, mas não se sabe muito. Tem muitos fãs querendo saber dela.
Algumas informações dela alem destas podem ser vistas no:
http://www.bangbangitaliana.blogspot.com.br/search/label/Esmeralda%20Barros
Abração e parabéns pelo post.

Anônimo disse...

Esmeralda Barros era uma mulher lindissima, marcou epoca juntamente com Norma Bengell e Odete Lara. Uma vez , há mais ou menos 12 anos, fui a uma reuniao de Messianica em Ipanema, e pedi para receber jorey, Sabe quem me aplicou? A Esmeralda Barros, que percebeu que eu a reconheci! Depois nunca mais ouvimos falar dela!Ela se casou? Foi muito apaixonada por ator italiano, que a enganou e a deixou só. LUIZA

trescomgoma disse...

Muito interessantes as informações sobre as mulatas top de 64, etc....dentre elas, Esmeralda Barros. Mas, como nada é eterno, as mulatas foram vencidas pelo tempo, assim como eu, testemunha ocular de toda aquela época. Abraços Daslan....