
Denise Guimarães Prado, Miss Minas Gerais 1958, saiu do Maracanãzinho naquele 21 de junho de 1958 com um honroso terceiro lugar no concurso Miss Brasil, perdendo apenas para a pernambucana Sônia Maria Campos, segunda colocada, e para a carioca Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, primeira colocada.
O Top 3 do Miss Brasil 1958 alcançou projeção internacional. A carioca Adalgisa Colombo voltou de Long Beach com o segundo lugar no concurso Miss Universo 1958. A pernambucana Sônia Maria Campos, primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo, voltou de Londres com o sétimo lugar no Miss Mundo. A mineira Denise Guimarães Prado foi eleita Reina Continental del Café 1959, em Manizales, Colômbia.
Durante o período que passou no Rio de Janeiro, Denise conheceu o trabalho realizado pela Associação Luísa de Marillac, fundada por Irmã Rosalie Rendu, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, em 1853, na França. O nome vem de Santa Luisa de Marillac (1591-1660), patrona da Associação, fundadora das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.
> De maiô, Denise Guimarães Prado, Miss Minas Gerais 1958, em foto de Indalécio Wanderley, na revista O Cruzeiro, 05/07/1958.
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Um rosto bonito a serviço dos pobres, este foi o título da reportagem de Arlete Neves, publicada na revista Querida, 2ª quinzena, janeiro de 1959.
A bela Miss Minas Gerais mostra que beleza e futilidade não são companheiras inseparáveis, como tanta gente supõe. Sem se deixar ofuscar pelo sucesso, põe o prestígio do seu título – e de sua beleza - a serviço de uma nobre causa.
Denise Guimarães Prado, esta beleza de garota que recebeu o título de Miss Minas Gerais de 1958, em sua vagem ao Rio para disputar o cetro de Miss Brasil, tomou conhecimento do trabalho que as “Luísas de Marillac” realizam em favor da velhice desamparada.
De volta à sua cidade resolveu divulgar lá também o mesmo movimento. De pensar e agir foi apenas um passo. Com grande entusiasmo Denise se pôs a trabalhar e a divulgar em Belo Horizonte a obra das “Luísas”. Foi assim que os vovôs e as avozinhas pobres de Minas Gerais ganharam uma linda e ativa protetora.

Esta é Denise. Um rosto bonito e um coração dedicado à velhice desamparada. (Revista Querida, segunda quinzena, janeiro de 1959)
Denise utilizou seus conhecimentos entre a sociedade local para lançar uma campanha em prol da construção de um abrigo para a velhice. Organizou uma “avant-première”, exibições na TV Itacolomi, festas de caridade. O número de “Luísas” foi crescendo e agora a associação já é uma realidade em Belo Horizonte. Foi deliberada a realização de chás, em residências de figuras destacadas da sociedade local, cuja renda reverterá totalmente para a instituição. O primeiro deles foi realizado na casa da nova “patronesse”, Sra.Alair Couto (nascida Zilda Meireles), e constituiu-se realmente num acontecimento social e num belo desfile de elegância, bom gosto e distinção da mulher mineira.

Um aspecto do chá de caridade na casa da Sra.Alair Couto (nascida Zilda Meireles). Da esquerda para a direita: Hélio Vaz de Melo (gerente da sucursal mineira de O Globo), Ana Marina Viana (colunista social), Denise Guimarães Prado (Miss Minas Gerais 1958), Wilson Frade (colunista social), Zilda Meireles e Marli Passos. (Querida, segunda quinzena, janeiro de 1959)
Em homenagem a “O Globo”, que há dois anos resolveu projetar o nome das “Luísas”, hoje conhecidas por toda a parte, as moças mineiras decidiram conceder ao jornalista Rogério Marinho, diretor substituto daquele jornal, o título com diploma de “Protetor Perpétuo” das “Luísas de Marillac”, de Belo Horizonte.

O chá de caridade na residência da Sra.Alair Couto foi realmente um acontecimento social na capital mineira. Da esquerda para a direita, a elegância de Teresinha Martins, Elza Neireles, Denise Guimarães Prado, Helena Gonçalves de Castro, Solange Castaings, Baby Malletta, Maria Meireles, Clades Pinto e Ana Maria Viana.(Querida, segunda quinzena, janeiro de 1959)
A historia da ALM , Associação Luísa de Marillac, no Brasil, nasceu em 15/03/1942, na Creche Catarina Labouré, no bairro do Ipiranga, São Paulo. Desde então, tem feito muito pela causa dos idosos. Basta conferir o site Família Vicentina no Brasil, www.fv.org.br.
No dia 27/09/1957, em homenagem a São Vicente de Paulo, a ALM do Brasil implantou em âmbito nacional o Dia do Idoso. Em 1960, ano do tricentenário da morte de Santa Luisa de Marillac e de São Vicente de Paulo, no dia 9 de junho, instalou-se em Salvador, Bahia, o grande Congresso da ALM do Brasil. Desse Congresso saíram as propostas de reformas de uma política justa e humana para os idosos. De 1960 até 1975 a ALM de São Paulo, unida às Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e a sociedade como um todo, criou mecanismos para o projeto da construção da Cidade dos Velhinhos, em Itaquera, cujo primeiro pavilhão foi inaugurado em 1964. Dos anos de 1975 a 1980, seus trabalhos se voltaram para pesquisa e assessoria em projetos de geriatria e gerontologia, em obras governamentais e não governamentais. Em 1982 a ALM participou na Áustria do Congresso Mundial do Envelhecimento.

Santa Luísa de Marillac
Eis o pensamento da Associação Luísa de Marillac: Só existe um caminho para concretizar o ideal de cidadania do idoso: é a união, a organização, a luta e a descoberta de seus valores.

As velhinhas de Belo Horizonte ficavam felizes quando recebiam a visita da linda Miss Minas Gerais, uma ativa Luísa.(Querida, segunda quinzena, janeiro de 1959)
Em Minas Gerais, no dia 30/12/1962, foi fundado um pequeno município que recebeu o nome de Marilac, em homenagem a Santa Luisa de Marillac. Acredito que por lá muita gente deve saber que hoje a Associação Luísa de Marillac existe em cinqüenta paises e conta com 320.000 voluntárias. Acredito que por lá muita gente deve saber que Denise Guimarães Prado, Miss Minas Gerais 1958, no auge da sua juventude e beleza, dedicou grande parte do seu tempo à causa da Associação Luísa de Marillac, colocando seu rosto bonito a serviço dos pobres.
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