*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com
Mostrando postagens com marcador Indalécio Wanderley. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Indalécio Wanderley. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de julho de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Gervásio Batista e Indalécio Wanderley, oito anos aos pés das misses


Daslan Melo Lima




      Nas reportagens das famosas revistas O Cruzeiro e Manchete, que focalizavam em generosas reportagens os concursos de Misses, o nome do cearense Indalécio Wanderley (1928-2001) e do baiano Gervásio Batista sempre apareciam nos créditos das imagens. Indalécio Wanderley na O Cruzeiro e Gervásio Batista na Manchete. Não havia rivalidade entre os dois repórteres-fotográficos.Eles eram amigos e cada um se esforçava para que suas revistas aparecessem nas bancas da forma mais atraente possível.


      Na revista Manchete, de 25/07/1964, foi publicado um diálogo entre Gervásio  Batista e Indalécio Wanderley, dias antes de os mesmos embarcarem para Miami Beach, onde iriam fazer a cobertura do concurso Miss Universo. Transcrevo a referida matéria abaixo, na íntegra, conservando, inclusive,  a grafia da época, como forma de resgatar parte de um tempo que se foi. Na capa da citada Manchete, em foto de Gervásio Batista, as belas Ângela Teresa Vasconcelos, de blusa verde, Miss Paraná, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1964, e Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964.  

                                 OITO ANOS AO PÉ DAS MISSES

Na foto, Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963), Indalécio  Wanderley e Gervásio Batista.

      Gervásio Batista e Indalécio Vanderlei são dois veteranos repórteres da imprensa brasileira – o primeiro de MANCHETE, o segundo de O Cruzeiro. Juntos, já realizaram cêrca de quinze coberturas de concursos internacionais de beleza, nos Estados Unidos e Europa. De passaporte carimbado para Miami, eles travaram antes do embarque um diálogo amigo sôbre o que têm feito e visto, nesses anos. Outro repórter gravou a conversa sem que eles soubessem.
INDALÉCIO – Para mim as coisas começaram em 1956. Um ano antes, devido ao sucesso de Marta Rocha, O Cruzeiro enviou um repórter a Long Beach, acompanhando a cearense Emília Correia Lima. Minha vez chegou com Maria José Cardoso.
GERVÁSIO – Eu comecei mais tarde. Mas comecei bem. Foi em 57. Teresinha Morango acabou repetindo Marta e a viagem valeu a pena. Mas não foi fácil. Você que esteve lá sabe como é duro.
INDALÉCIO – O primeiro drama foi enfrentar o desprestígio da imprensa brasileira nos Estados Unidos. Ninguém sabia onde o Brasil ficava. Eu me lembro que na hora de fotografar as misses nós sempre éramos colocados nos últimos lugares.
GERVÁSIO – Eu sofri o mesmo drama. E há um outro que você não citou:  o da remessa de material para o Brasil. Naquele tempo a VARIG ainda não tinha linha para Los Angeles. O jeito era pedir, quase de joelhos, aos passageiros que iam para Nova Iorque, que levassem nossos filmes. Dali em diante a VARIG resolvia o problema.
INDALÉCIO – Hoje as coisas são outras. Mas houve uma vez em que tive de mandar os filmes de helicópteros – senão O Cruzeiro seria “furado” pela MANCHETE...
GERVÁSIO - Bom, você sabe como são essas coisas. Amigos, amigos, revistas à parte.
INDALÉCIO – Não tenta fazer romance, Gervásio.  Você sabe que muitas vezes lutamos juntos, um dando cobertura ao outro.  Você já se esqueceu das nossas corridas pelas estradas dos Estados Unidos, quando infringimos todas as leis locais de trânsito para chegar a tempo? O que ia no carro de trás ficava de ôlho na polícia para avisar ao da frente.
GERVÁSIO – Mas valeu a pena. E você sabe, Indalécio, estou hoje convencido de que a ampla cobertura que a imprensa norte-anericana dá, atualmente, ao Concurso Miss Universo, se deve ao trabalho dos jornais e revistas brasileiros. Você se lembra quando, há alguns anos, os jornalistas dos Estados Unidos se espantavam com o número de brasileiros, entre repórteres e fotógrafos?
INDALÉCIO – É exato. Como é exato, também, que os norte-americanos são perfeitos em matéria de organizar festas. Tanto em Long Beach como em Miami, tudo funciona dentro do relógio. É uma coisa surpreendente, sobretudo para nós,  brasileiros, que temos a mania de improvisar tudo.
GERVÁSIO – Só uma coisa me desagrada nesses concursos. É a frieza do público. Não há nos Estados Unidos aquêle calor humano do Maracanãzinho, com palmas e vais, torcidas organizadas e gente gritando pela sua candidata.
INDALÉCIO – Eu também notei isso. O pessoal é um pouco frio. O público reage como se estivesse numa exposição de gado ou de automóveis.
GERVÁSIO – A única explicação talvez seja a duração exagerada do concurso. São quatorze dias. E as solenidades e desfiles cansam um pouco. O pessoal aqui no Rio fica pensando que nós estamos de beleza, comprando “muambas”, entre gente bonita. Mas a história é outra. É uma correria para todos os lados, enfrentando dificuldades que vão desde o grande número de misses ao regulamento do concurso, que dificulta o trabalho dos fotógrafos.
INDALÉCIO – Mas você sabe, Gervásio, a verdade é que eu gosto da coisa. A gente luta, acaba fazendo um bom trabalho e fica satisfeito quando a revista roda e todo o país admira o nosso trabalho. Pode ser uma vaidade tola. Mas é bom.
GERVÁSIO – Que é bom, é. Se não fosse, duvido que me pegassem a segunda vez.
INDALÉCIO – Eu acho, Gervásio, que em todas essas viagens nós só discordamos numa coisa: o nome da que deveria ganhar. Para mim, a môça mais bonita de todos esses concursos, até hoje, foi Linda Bement, Miss Universo de alguns anos atrás.
GERVÁSIO – Mas em compensação ficamos de acôrdo que a mais feia de todas foi a Miss Tailândia 62, uma que parecia o Garrincha.
INDALÉCIO – Agora temos a Ângela. Ela, realmente, é muito bonita. Leva, porém, a desvantagem de ser um tipo muito comum nos Estados Unidos. Não vai ser fácil.
GERVÁSIO – Fácil não vai ser. Mas Vera Lúcia, a nossa mulata, estará em Long Beach. E com ela a solução é simples: se não tirar o primeiro, pelo menos dará muito o que falar.
INDALÉCIO – O jeito é ver esses concursos de perto. Eu sigo daqui a uns dias. Você vai?
GERVÁSIO – Espero chegar lá primeiro que você...

                                                DETALHES

       Houve alguns lapsos no texto publicado na Manchete. O nome correto da Miss Brasil 1955 é Emília Corrêa Lima (o Corrêa sem a letra i e com acento circunflexo na letra e), enquanto o do repórter da O Cruzeiro é Indalécio Wanderley (O Wanderley com w e y), já focalizado nesta secção por duas vezes. A primeira em 20/04/2008, SESSÃO NOSTALGIA - ELENICE BARRETO E INDALÉCIO WANDERLEY, A HISTÓRIA DE AMOR DA MISS CLUBE MILITAR 1955 COM O REPÓRTER DA REVISTA " O CRUZEIRO”, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/04/sesso-nostalgia-elenice-barreto-e.html . A segunda vez em 27/04/2008, SESSÃO NOSTALGIA - MISSES, AS IMPRESSÕES DAS VIVÊNCIAS DE INDALÉCIO WANDERLEY,  http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/04/sesso-nostalgia-misses-as-impresses-das.html

      Gervásio Batista cita no texto a Miss Tailândia 1962, mas a observação que ele fez deve se referir à Miss de outro país, pois a Tailândia não mandou representante para o Miss Universo 1962. Gervásio Batista, citado como decano do fotojornalismo pela ABI, Associação Brasileira de Imprensa, e que hoje assina o nome como Gervásio Baptista, continua atuante, prestando serviços ao Supremo Tribunal Federal.

Os 67 anos de carreira do repórter fotográfico Gervásio Baptista foram comemorados no dia 27/04/2012 por admiradores e amigos de um dos profissionais da imagem mais respeitados e experiente em atividade na capital federal. Testemunha de fatos históricos relevantes do século 20, Gervásio recebeu homenagens em um coquetel e bate-bapo ocorrido na Galeria Olho de Águia, um dos espaços destinados à preservação da cultura brasileira e brasiliense que funciona em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal. (Foto de  Ivaldo Cavancante - Galeria Olho de Águia. Fonte: http://www.olhardireto.com.br, 02/05/2012).

Linda Bement, Miss Estados Unidos e Miss Universo 1960, a preferida de Indalécio Wanderley, fotografada por ele, na capa da revista O Cruzeiro, de 23/07/1960.

   No dia 11 deste mês, recebi este e-mail: "Boa tarde, Daslan! Estamos preparando um especial sobre fotojornalismo, que será publicado na segunda edição da Revista de Jornalismo ESPM, produzida pela Escola Superior de Propaganda e Marketing em parceria com a Columbia Journalism Review. Neste especial, produzido por Cacalo Kfouri, estamos citando o trabalho de Indalécio Wanderley. Vi em seu blog - Passarela Cultural - que tem uma série de matérias sobre esse grande profissional. Dessa forma, gostaria de solicitar uma foto dele (estamos publicando a foto de todos os fotógrafos citados na matéria) e outra de uma miss fotografada por ele para ilustrar essa reportagem. Anexo duas imagens que podem servir de referência. Obs. na sua resposta, por favor, mande seu endereço para que possamos enviar um exemplar da revista com essa reportagem especial. Estamos fechando a revista amanhã. Aguardo um retorno o mais breve possível. Um abraço, Anna Gabriela Araujo - Revista da ESPM."
          Eis a minha resposta imediata:  "Anna Gabriela, boa noite. É uma satisfação colaborar com esse seu trabalho tão significativo. Nos anexos, duas fotos. 
Uma mostra INDALÉCIO WANDERLEY em primeiro plano, tendo ao fundo pequenas imagens dele em sua atividade jornalística, postada na O CRUZEIRO, de 05/05/1956. 
A outra, feita pelo grande Indalécio, mostra ANA MARIA COSTA CALDAS, Miss Pernambuco 1964, em duas poses, publicada na O CRUZEIRO, de 08/08/1964. Espero que atendam o seu interesse. O material faz parte do meu acervo sobre Misses e assuntos dos anos 1950-1960-1970,  composto de dezenas de revistas O CRUZEIRO, MANCHETE , FATOS & FOTOS, MUNDO ILUSTRADO  e outras. Abaixo, meu endereço completo e telefones para contato. Um abraço. DASLAN MELO LIMA"
----------
       Quando estou revendo as matérias sobre misses em O CRUZEIRO e MANCHETE, fico imaginando como era difícil  o trabalho do pessoal, num tempo onde não havia câmaras fotográficas digitais, celulares, computadores, internet... Sei que nem tudo era glamour na vida dos jornalistas e fotógrafos, mas quem me dera entrar no túnel do tempo e ao lado de Gervásio Batista, digo, Gervásio Baptista,  e Indalécio Vanderley fotografar algumas das mais belas mulheres do mundo nas passarelas dos anos 1950 e 1960.  

*****

domingo, 27 de abril de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Misses, as impressões das vivências de Indalécio Wanderley

Daslan Melo Lima






                  Volto aqui a focalizar a figura do cearense Indalécio Wanderley (1928-2001) , o maior fotógrafo brasileiro de Misses. Na semana passada, o motivo da crônica foi o seu casamento com a carioca Elenice Barreto, Miss Clube Militar 1955. Desta vez, resgatei confissões que ele fez na revista O Cruzeiro, de 20/06/1959, em entrevista ao jornalista Ubiratan de Lemos. 

----------


              A propósito do trabalho fotográfico de Indalécio Wanderley, vale a pena citar o de Gervásio Batista, da Bloch Editores, grupo ao qual pertencia as revistas Manchete e Fatos & FotosO competente Gervásio Batista estava para a Bloch como Indalécio Wanderley estava para O Cruzeiro. A produção de Indalécio Wanderley, no entanto, coloca o mesmo na posição de maior fotógrafo de misses: até março de 1959, ele tinha batido mais de 10.000 chapas , sim, mais de dez mil cliques, para usar o termo atual. Aliás, as milhares de fotos se justificam: O Cruzeiro pertencia aos Diários e Emissoras Associados, empresa promotora do concurso Miss Brasil.


      Com a "rivalidade" entre Indalécio Wanderley e Gervásio Batista, entre O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos,  lucravam os missólogos e todos aqueles que religiosamente acompanhavam os certames de beleza. Em muitas ocasiões, as reportagens de Manchete e Fatos & Fotos superavam em quantidade e qualidade as de O Cruzeiro, mas em outras momentos dava-se o contrário. Contudo, o nome de Indalécio Wanderley era uma legenda, e como legenda continua.


 Vamos às perguntas de Ubiratan de Lemos e às respostas de Indalécio Wanderley.

Ubiratan : Miss Brasil, rapaz, deverá falar bem inglês?
Indalécio: Deve, pelo menos, ter noções de inglês. É claro que ela não deverá manejar o idioma bretão como Shakespeare ou Bacon. Deve safar-se com frases feitas, mas corretas. Lembro, a propósito, Maria José Cardoso. Ao enfrentar o Municipal Auditorium, ela largou um "good night" fora de oportunidade. E quase que o Municipal vem abaixo de gargalhadas americanas. Deveria ter dito "good evening", pois ela estava chegando ali.
----------
Ubiratan :Quais as nossas Misses mais desembaraçadas nos seu "speaches" e na passarela?
Indalécio: Terezinha Morango e Adalgisa Colombo, sem dúvida. Ambas conquistaram a taça do melhor discurso em inglês. Na pasarela, Morango e Colombo também brilharam. Adalgisa um pouco mais. Mostrou maior cancha, haja vista que perdeu por um ponto.
----------
Ubiratan:Você faria um paralelo entre Martha Rocha e Adalgisa Colombo?
Indalécio: Aproveito esta oportunidade para desmentir uma lenda, seja a de que Martha foi quem mais perto esteve do título de Miss Universo. Esta gloria cabe a Adalgisa, cuja plástica não teve uma só jaça. O ponto que perdeu foi em virtude dos juízes acharem a nossa Miss um pouco afetada: certas gamas de esnobismo. Adalgisa descontraiu-se até demasiado. Fez piadas com o Prefeito de Long Beach, mandando que ele fizesse voltinhas. Ela foi soberana na passarela.
----------
Ubiratan: O júri de Long Beach tem preferências especiais pelo tipo louro?
Indalécio: É outro engano nosso. Não há preferências quanto a tipos de beleza. O júri é de uma honestidade fria. É um juri cronométrico, impessoal. A Miss vencedora é sempre a mais bela.
----------
Ubiratan: E o caso da altura?
Indalécio: Christiane Martel (França) foi Miss Univero com 1 metro e 58. Apenas porque apresentava proporções excepcionais, mesmo sendo uma mulher baixa. Mas só venceu porque não existia outra candidata, alta, com proporções semelhantes à de Christiane. Em igualdade de condições, o júri penderá para a alta, certamente.
----------
Ubiratan: Qual a maneira de julgar em Long Beach?
Indalécio : O júri tem 8 dias de contato com as Misses. Observa-as na piscina, nos jantares, cocktails , almoços e passeios. É uma obervação demorada e criteriosa. Entretanto, o preto no branco é quando as moças são colocadas de frente, de costas e de lado, em relação aos membros do júri. É da análise do conjunto das misses, umas ao lado das outras, que "salta" a Miss Universo. O termo "salta" pertence a Alberto Varga, membro vitalício do júri, ex-desenhista das garotas do "Squire", peruano de nascimento.
----------
Ubiratan: Você poderia explicar isto melhor?
Indalécio: Repetirei o que Varga me disse, quando lhe formulei uma pergunta, nesse sentido. Quem tem sensibilidade e bom gosto, em matéria de beleza feminina, percebe que sempre a mais bela (proporcional) dá um simbólico " passo à frente" do seu grupo. Este método de Varga eu o experimentei com sucesso. Assim tenho antecipado Misses e finalistas, com grande proveito para as minhas reportagens, quer no Brasil, quer em Long Beach.

     Finalizando a entrevista, Indalécio Wanderley citou o fato mais pitoresco que tinha presenciado em Long Beach.
Aconteceu com Maria José Cardoso, em New York, quando a bela gaúcha desfilava nas Lojas Macys. A faixa verde-amarela, de porta-bandeira, escorregou do busto da Miss. A roseta, enorme, deslocou-se demasiadamente. Foi quando o cômico Jerry Lewis exclamou: " What does that kind of meses on her back? "

     Nas duas fotos que ilustram esta matéria, extraídas do mesmo exemplar de O Cruzeiro, de 20/06/1959, de onde transcrevi a entrevista acima, vemos Indalécio Wanderley orientando a postura de um grupo de Misses de 1959, durante um ensaio fotográfico.

     " O que faz esse tipo de confusão sobre a sua volta? ". O espanto de Jerry Lewis faz parte do passado. Mas será que faz mesmo parte do passado ? Eu diria que não. Faz parte do presente. O hoje, em nossas vidas e no planeta Terra, é uma consequência do ontem, com todos os seus encontros e desencontros.

*****

domingo, 20 de abril de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Elenice Barreto e Indalécio Wanderley, a história de amor da Miss Clube Militar 1955 e do fotógrafo da revista O Cruzeiro


Daslan Melo Lima


      O cearense Indalécio Wanderley, nascido em 02/06/1928 e falecido em 18/02/2001, foi um dos maiores repórteres fotográficos do Brasil. Fez coberturas de memoráveis acontecimentos nacionais e internacionais para a revista O CRUZEIRO. Adorava o que fazia e levava uma vida muito agitada, por conta da sua profissão. Certo dia, o jornalista José Alberto Gueiros perguntou a Indalécio: “Quando vais posar? Quando serás o fotografado e não o fotógrafo? Quando vai a tua mão servir para aliança e não apenas para disparar a objetiva?“ Apressado, Indalécio respondeu que nunca se casaria, pois não tinha tempo.
     Em todas as matérias sobre os concursos de Misses da revista O Cruzeiro, dos anos 50 e 60, o nome de Indalécio Wanderley consta nos créditos. Foi o brasileiro que mais fotografou concursos de misses. Em 1955, com a sua máquina fotográfica “Leica”, lente 1:5, Indalécio Wanderley foi ao Quitandinha, fotografar umas garotas que iam disputar o título de Miss Clube Militar. Assim escreveu José Alberto Gueiros, em O Cruzeiro, de 05/05/1956:


Palco cheio de garotas bonitas. Muita luz de refletores, muitos sorrisos fotogênicos, e um especial autêntico, dengoso, cheio de mistério. O sorriso que atraiu não apenas o olho profissional de Indalécio – que é a lente 1:5 da sua “Leica” – mas também a alma do cearense romântico ainda sem Iracema, de lenda ou de verdade. Elenice Barreto era a dona do sorriso. Pois fiquem certos de que o nosso caro Wanderley capitulou nos primeiros dez minutos. Ela foi eleita Miss Clube Militar, saiu nos jornais, nas revistas e não saiu do coração do repórter. Pouco tempo depois o dinâmico cearense, com a máquina a tiracolo, pedia a moça em casamento. A Miss amava o repórter. O repórter amava a Miss. Era uma reportagem que se transformava em história de amor.

         Indalécio Wanderley e Elenice Barreto casaram na Igreja de São Paulo Apóstolo, no Rio de Janeiro, no dia 28/01/1956, em cerimônia religiosa com efeito civil oficializada pelo Bispo D. José Vicente Távora (1910-1970). O então poderoso jornalista Assis Chateaubriand (1892-1968) fez questão de comparecer ao casamento. 
       A  O Cruzeiro, em sua edição de 05/05/1956, colocou a foto da noiva na capa, deixando de lado, nada mais, nada menos, a atriz Grace Kelly (1929-1982). Explicando melhor: Grace Kelly tinha se casado com o Príncipe Rainier (1923-2005). A revista publicou catorze páginas sobre o assunto, mas não deu a capa aos soberanos de Mônaco, celebridades internacionais. O casamento de Elenice Barreto e Indalécio Wanderley rendeu apenas três páginas, mas quem estava na capa, feliz e sorridente, era Elenice Barreto, Miss Clube Militar 1955, a loura carioca que conquistou o cearense Indalécio Wanderley, um ícone da história da fotografia brasileira.

 *****