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sábado, 9 de julho de 2016

SESSÃO NOSTALGIA - Martha! Martha! Ninguém tem o teu violão!

Daslan Melo Lima




          Fico a pensar como era elevada a autoestima daquela jovem ao ouvir o refrão da marchinha que enaltecia sua beleza: “Martha!  Martha! / Não ligue mais pra isso não! / Martha! Martha! / Ninguém tem o seu violão”.  A música Duas Polegadas, de Pedro Caetano,  Alcyr Pires Vermelho e Carlos Renato, enaltecia Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. Falava do inconformismo de uma nação, por sua representante ter perdido o título máximo da beleza universal para Miriam Stevenson, Miss Estados Unidos, derrota atribuída às lendárias duas polegadas a mais nos quadris, algo em torno de cinco centímetros.  


          DUAS POLEGADAS
Martha Rocha e Miriam Stevenson. (O Cruzeiro)

         Na realidade, a justificativa de Martha Rocha não ter sido eleita Miss Universo, nada mais foi do que uma  invenção do jornalista João Martins, da revista O Cruzeiro, para consolar os brasileiros. Detalhe importante: a música foi gravada pela própria Martha Rocha.



Por duas polegadas a mais
Passaram a baiana pra  trás
Por duas polegadas e logo nos quadris
Tem dó, tem dó, seu juiz.

Martha!  Martha!
Não ligue mais pra isso não
Martha! Martha!
Ninguém tem o seu violão.
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TODO O BRASIL SE UFANA

         Outra música, desta vez Martha Rocha (Miss Brasil), composição de Wilson Batista, Jorge de Castro e Américo Seixas, gravada pelo cantor baiano Vitor Bacelar (1911-2005), dizia assim:

Todo o Brasil se ufana
Junto do teu pedestal
E te oferece, oh! Baiana,
A coroa da beleza universal.

És botão em flor que desabrocha
No encanto do teu perfil
Martha! Martha Rocha!
Recebe esta homenagem do Brasil.


           Eu conhecia há anos a primeira música, mas a outra só recentemente,  graças ao meu amigo Roberto Macêdo, missólogo, pesquisador, jornalista e escritor baiano, que  enviou-me por e-mail alguns links do Youtube sobre a trajetória da mais famosa Miss Brasil de todos os tempos.
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ABRAÇO FRATERNAL

       

  Emilinha Borba e Martha Rocha. (Revista do Rádio)
      
      Martha Rocha também gravou em dueto com Emilinha Borba (1923-2005) o samba Abraço Fraternal, autoria de Pedro Caetano, Carlos Renato e Alcino Guedes.

Emília, você não sabe
Como eu estou contente
Com o carinho desta gente
Aqui da sua capital.
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Martinha, você merece
Porque é lá da Bahia
E a sua  simpatia
É interestadual.
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Meu  coração encantado
Agradece a gentileza
E enaltece e natureza
Por seu Rio sedutor.
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Quem agradece é o Rio
Esta honra da visita
Da baiana mais bonita
Que nos vem de Salvador.
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Vamos deixar de confete
Acabou-se o carnaval
Terminemos o nosso show
Num abraço fraternal.
Não falemos da Bahia
Nem do Rio de Janeiro
Falemos da nossa terra que é o Brasil inteiro.
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                Vale a pena recordar retalhos de uma época, relíquias de um tempo que se foi, onde o interesse do nosso Brasil pelas misses era tão grande quanto é hoje o entusiasmo pela Copa do Mundo. 
          

Duas Polegadas
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Martha Rocha (Miss Brasil)
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Abraço Fraternal
https://www.youtube.com/watch?v=8ah_oEPG9Xk
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Martha desembarca em Salvador como vice-Miss Universo
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Visita de Martha Rocha a Araçatuba
https://www.youtube.com/watch?v=H1epNwWmXfI

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sábado, 8 de junho de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - MIRIAM STEVENSON, MISS UNIVERSO 1954, UM DOCE DE CRIATURA

Daslan Melo Lima

      

         A baiana Martha Rocha perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa de duas polegadas a mais nos quadris. Essa história já foi contada em verso e prosa milhares de vezes. Mas quem era  a jovem que ganhou de Martha Rocha?  Um doce de criatura, conforme reportagem de fevereiro de 1955, quando Miriam Stevenson esteve no Brasil e a revista O Cruzeiro enalteceu sua beleza e personalidade.
      Nesta noite do segundo sábado de junho de 2013, enquanto chove lá fora, nada melhor para combinar com o clima do que resgatar mágicas histórias de um tempo que se foi.  A foto ao lado é da revista Mundo Ilustrado, copiada da Internet, mas as imagens abaixo foram reproduzidas da citada O Cruzeiro, uma das relíquias do meu acervo que ora compartilho com os saudosistas.
     A qualidade das imagens reproduzidas não ficou boa, mas prometo reverter o problema nos próximos dias.
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A MOÇA QUE VENCEU EM LONG BEACH – MIRIAM STEVENSON SOB O SOL CARIOCA (Texto e fotos de João Martins, revista O Cruzeiro, 05 de março de 1955)
         


 
Passeando de barco a motor, pela Guanabara, ela viveu algumas horas tranquilas e pode apreciar a beleza do Rio de Janeiro. Miriam é uma moça simples. As multidões a constrangem. Não se acostumou à notoriedade.  Miriam esteve em Copacabana, mas em pouco tempo foi reconhecida e teve de fugir aos caçadores de autógrafos. Na verdade, ela gostaria de ficar incógnita e tomar o seu banho de mar em paz, como todo mundo.

      Miriam Stevenson, a Miss Universo 1954, vencedora no ano passado, em Long Beach, do título de “a moça mais bela do mundo”, é uma flor de criatura. Não vamos debater aqui se ela mereceu ou não mereceu a vitória. Os juízes decidiram e não adianta chorar, o que além de contraproducente, é feio e antiesportivo.  Ainda mais sendo ela agora nossa hóspede, seria o cúmulo da estupidez querer aproveitar a ocasião e estabelecer paralelos com a nossa candidata e fazer um julgamentozinho à base do sentimento nacionalista: isso seria uma atitude não só inútil como, principalmente, inferior e incivil. Mesmo porque, aqueles que teimam em levantar comparações entre Miriam e Martha Rocha estão perdendo o tempo e o latim. As duas são de dois tipos inteiramente diferentes. Martha tem a flamante beleza selvagem de uma onça pintada, enquanto Miriam tem a plácida beleza cândida de um cordeirinho de presépio. Pode-se gostar mais de uma ou de outra, assim como há quem prefira o vinho tinto ao vinho branco. Mas quem pode afirmar que um é melhor do que o outro, a não ser na base do seu paladar pessoal? Ninguém é mais do que eu, que assisti ao concurso nos Estados Unidos e tanto escrevi sobre a brilhante campanha e os encantos da nossa baianinha loura, poderá se sentir com mais autoridade para condenar qualquer choro ou qualquer indelicadeza com essa moça que agora nos veio visitar.
      Pessoalmente, Miriam tem um arzinho ingênuo de quem ensina catecismo: vai-se ver, e ela ensina mesmo, na igreja da universidade em que estuda. Aliás, a Miss Universo é um exemplo feminino no qual estão reunidos vários atributos que dificilmente se reúnem numa só mulher. Basta dizer que o título que conquistou não a abalou em nada: continua a mesma mocinha simples, sem máscara, que conheci na Califórnia ainda sem coroa. Depois de ficar seis semanas nos estúdios da Universal, conseguiu a suspensão do contrato a que tem direito a fim de terminar o seu curso de Economia Doméstica na Universidade Lander, em Greenwood. E depois, voltara à carreira cinematográfica? Na verdade, sei que ela gostaria mais de casar e ter uma vida normal, com o marido e alguns filhos.

      Ela foi trazida para o Rio por Fábio Ramos, um dos organizadores do concurso anterior, no Brasil. Finalidades da viagem: assistir ao carnaval e, naturalmente, dar início ao certame de 1955. Com ela, veio também a Sra. Jean Salomon, que é assim, como uma guardiã da virtude e, nessa qualidade, não a abandona um só instante. A Sra. Salomon foi a acompanhante de Martha Rocha em Long Beach, no ano passado.


      As perguntas mais frequentes a Miriam, segundo observei, foram o que achava do Brasil e se havia gostado de carnaval. Naturalmente, as respostas não deixaram de ser aquelas de sempre: “lindo” e “formidável”.  Mas, na verdade, nos poucos dias que passou entre nós, ela não teve nenhuma chance de conhecer as cidades em que esteve nem de saber o que era mesmo carnaval. Basta dizer que nem sequer pode fazer algumas compras e, do carnaval, só deve ter levado a impressão de confusão e barulho.
       Consegui arrancá-la, uma certa tarde, do hotel e dos compromissos e levei-a a Copacabana, Leblon e a uma volta de barco pela Guanabara: e assim foram feitas as fotos que os leitores vêem nesta reportagem. Há muita gente que gostaria de saber, também, o que ela pensa de Martha e vice-versa. Aparentemente, para efeito de fotografia, as duas se dão muito bem. Mas creio que a pergunta, a qualquer das duas, seria uma ingenuidade. Isso, embora Miriam me tenha dito, quando lhe perguntei o que era a felicidade, na sua concepção: “– Acho que ser feliz é procurar viver dentro dos princípios que Cristo nos ensinou...”
      A rainha da beleza universal é uma jovem simpática e despretensiosa. Miriam usa pouca maquliagem. Simples pó facial, que não dá para esconder as sardas. Quanto ao batom, porém, ela cararega um pouco mais. Seus lábios são bem finos. A cabeleireira loura é natural e não requer muitos cuidados. Ela mesmo se penteia.  No Hotel Glória, onde ficou hospedada, ela ocupou o mesmo quarto da turbulenta Ava Gardner. Mas Miriam é o oposto de Ava. É moça pacata, que não quebra nada e não bebe. Com uma pequena câmara, levou algumas paisagens de lembrança para o seu país. Esportiva, adora o mar. O seu esporte predileto é a natação. Não faz dieta nem ginástica especial. No Rio, deu muitos autógrafos. E a todos encantou com a sua simpatia e delicadeza. Gosta também de dançar, ela é, na verdade, uma típica moça norte-americana. Os seus vestidos são simples, mas elegantes. “Gosto de me vestir sem exagero”, disse ela. E se vê que é mesmo.  De maiô, pode-se verificar que a sua plástica é realmente harmoniosa. Medidas perfeitas. Corpo de proporções ideais.

DUAS BELEZAS SE ENCONTRAM – Sob as luz dos refletores encontraram-se, no baile realizado no Hotel Glória, Martha Rocha e Miriam Stevenson, duas grandes rivais em beleza. A brasileira e a norte-americana confraternizaram para os fotógrafos e cinegrafistas. Mas que pensaram, realmente, uma da outra? Dois tipos de beleza inteiramente diferentes, tornando quase impossível uma comparação. Um mar revolto e um plácido lago. Não acham?
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                  O tom sépia da revista O Cruzeiro transmite nostalgia, um sentimento que se acentua anda mais nesta noite fria de sábado,  quando chove lá fora. Mergulho no túnel do tempo e me deleito com os termos usados pelo jornalista,  enquanto lá fora a chuva cai, copiosamente cai.
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Martha tem a flamante beleza selvagem de uma onça pintada, enquanto Miriam tem a plácida beleza cândida de um cordeirinho de presépio. Pode-se gostar mais de uma ou de outra, assim como há quem prefira o vinho tinto ao vinho branco. Mas quem pode afirmar que um é melhor do que o outro, a não ser na base do seu paladar pessoal?
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A brasileira e a norte-americana confraternizaram para os fotógrafos e cinegrafistas. Mas que pensaram, realmente, uma da outra? Dois tipos de beleza inteiramente diferentes, tornando quase impossível uma comparação. Um mar revolto e um plácido lago. Não acham?
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...Isso, embora Miriam me tenha dito, quando lhe perguntei o que era a felicidade, na sua concepção: “– Acho que ser feliz é procurar viver dentro dos princípios que Cristo nos ensinou...”
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