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terça-feira, 24 de novembro de 2020

SESSÃO NOSTALGIA/ESPECIAL - Os 70 anos da televisão brasileira

Texto de Muciolo Ferreira

mucioloferreira2013@gmail.com

Falar sobre os 70 anos da televisão brasileira é o mesmo que mergulhar no universo artístico e tecnológico nos mínimos detalhes, nuances e transformações que o veículo passou ao longo de sete décadas. Isso levaria a intermináveis conteúdos. O próprio tema é abrangente, sendo necessário revisitar vários programas em épocas tão distintas do nosso país. Portanto, vou logo avisando: esse texto não será cronológico e nem obedecerá datas. Será um depoimento individual e personalíssimo sobre o que vi e gostei na minha telinha. Quem sabe não coincida com a preferência de algum leitor ou leitora?

Era  maio de 1967, quando  uma tela parecida com um cinema "invadiu" a sala da minha casa. Foi uma festa porque não precisaríamos mendigar um lugarzinho na casa da vizinha de maior poder aquisitivo para assistir desenhos, concursos de miss e bang bang americano com os índios sendo os vilões. Até porque nem  sempre a vizinha estava de bom-humor suficiente para abrir a porta. 

Durango Kid, Perdidos no Espaço, As Aventuras do Rin Tin Tin e a atrapalhada Jeane  É um Gênio entraram nas nossas vidas para nunca ser esquecidos diante de um monitor de 21 polegadas em preto e branco da fabricante genuinamente pernambucana ABC- Rádio e Televisão, situado em Afogados.

Preferido das meninas e adolescentes, o loirinho lutador  italiano, Ted Boy Marino, do Tele Cat Montilla, tinha Ibope garantido na nossa sala, nas noites de  segunda-feira, com muita algazarra e pipoca derramada no chão ao final do programa.

Mesmo com imagens não muito nítidas, os  programas infantis, de auditórios, os teleteatros, as novelas e os telejornais eram apresentados por quem tinha muito talento. Isso era visível, pois a programação  era ao vivo. Apresentadores e garotas propagandas não podiam errar o texto e nem sair do script.

Da televisão inaugurada por Assis Chateaubriand até a chegada da tecnologia digital, as novelas sempre foram o "grande filão" em termos de audiência e captação de anúncios. A partir delas, as emissoras de televisão ganharam um público cativo, fiel e  publicidades milionárias no horário nobre,  das 16 horas à meia-noite.

Na minha casa isso não foi diferente, sempre tinha gente para ficar de oito a doze meses acompanhando o folhetim eletrônico.

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Observando a evolução do gênero da teledramaturgia em sete décadas, as novelas são um espetáculo à parte por influenciar os costumes e modus vivendi do brasileiro. Destaco quatro delas que voltaria a rever:  Beto Rockfeller, O Bem Amado, Espelho Mágico e Pantanal. Duas da Globo, uma da TV Tupi e outra da Manchete.


Escrita em 1968, por Bráulio Pedroso e Cassiano Gabus Mendes, e exibida na Tupi, Beto Rockfeller foi um divisor de águas na  televisão. Revolucionou ao levar à tela o cotidiano do brasileiro que se identificou com o anti-herói interpretado pelo ator Luiz Gustavo. Esse folhetim mudou a linguagem e a forma de interpretação dos atores. Era o brasileiro passando na tela. Antes de Beto Rockfeller, as novelas retratavam histórias latino-americanas que fugiam da nossa realidade e tinham na escritora cubana Glória Magadan a maior divulgadora dos dramalhões mexicanos e cubanos. Demitida da Globo, Glória Magadan abriu espaço para os autores nacionais, a exemplo de Dias Gomes, Janete Clair e Cassiano Gabus Mendes.


O Bem Amado, de 1973, escrita por Dias Gomes, ficou marcada por ter sido a primeira novela em cores a retratar a corrupção política no Brasil. No papel do prefeito Odorico Paraguaçu, o ator Paulo Gracindo ganhou todos os prêmios do público e da crítica especializada. 

Já a novela Espelho Mágico, de 1977, e também exibida pela Globo, teve a ousadia de revelar os bastidores da vida real das novelas, sobretudo os conflitos, intrigas e brigas entre atores, diretores, jornalistas e autores nos sets das gravações e fora deles. Foi uma novela dentro de outra novela e muito bem escrita por Lauro César Muniz. Teve o casal Tarcísio Meira e Glória Meneses como protagonistas. 

Novela de maior audiência da extinta TV Manchete, Pantanal, de 1990, mostrou aos brasileiros pela primeira vez o Pantanal, um  Brasil desconhecido da maioria. Benedito Ruy Barbosa escreveu a saga da pantaneira Juma Marruá interpretada pela novata atriz Cristiana Oliveira, muito bem dirigida por Jayme Monjardim.

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Na nossa telinha os programas de auditórios, de calouros e os humorísticos tinham lugar cativo. Chacrinha e Flávio Cavalcanti eram os preferidos. Não perdia Chico City com os multifacetadas personagens criados por Chico Anysio. Ronaldo Golias, Dercy Gonçalves e Consuelo Leandro mandavam qualquer tristeza  embora quando surgiam.

O diferencial no  telejornalismo de ontem e hoje é a tecnologia e a rapidez da informação. Quanto ao editorial e conteúdo, são de acordo com a política e posição dos patrões. De resto, a televisão possui ótimos apresentadores e repórteres, cada um puxando a sardinha conforme o interesse da empresa

Todavia o apresentador de telejornais que marcou a sala da nossa  casa não foi  o ex-marido da Fátima Bernardes, e sim o marido de Zélia de Almeida, o homem do vozeirão do Repórter Esso da TV Jornal do Commercio, Edson de Almeida. Que potência de voz ele tinha! .Isso numa época em que o único recurso tecnológico era seu próprio  gogó. 

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Quando se fala dos 70 anos da Televisão Brasileira me bate uma nostalgia. Lembro dos antigos programas locais  das pioneiras TV Rádio Clube, Canal 6, e TV Jornal do Commércio, Canal 2.


Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957, cantava no programa "Você Faz o Show", de Fernando Castelão, na TV Jornal do Commercio, Canal 2. Na foto acima, diante da câmara, o cantor Expedito  Baracho. Atrás, da esquerda para a direita,  o apresentador Fernando Castelão;  Marilene Silva, ajudante de palco
, que apresentava o programa ao lado de Fernando Castelão, na ausência de Lolita Rodrigues; Zayra Pimentel; Violeta Botelho e Zé de Castelão. (Foto copiada do livro “Canta se Queres Cantar”, de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos.

Sinto vontade de rever Fernando Castelão e Marilene Silva apresentando  o Você Faz o Show; Marcos Macena e Nair Silva no comando do Bossa-2; Luiz Geraldo no Noite de Black-tie; Aldemar Paiva no Cidade contra Cidade; José Maria Marques no Meu Bairro é o Maior; Jorge Sá apresentando A Hora do Cháu; Carmen Towar e Albuquerque Pereira como mestres de cerimônia  na era de ouro do Miss Pernambuco;  José de Sousa Alencar,  o Alex, no  dominical Hora do Coquetel, ao lado de Violeta Botelho; João Alberto com o programa diário Top Set, dividindo com Thaís Notare; Carmen Peixoto vivendo a donzela da novela A Moça do Sobrado Grande; Florisa Rossi fazendo propaganda das Lojas Boa Vista, "as mais famosas da cidade".

Se Abelardo Barbosa, o Chacrinha,  liderava a audiência da televisão brasileira nas noites de quarta-feira com A Discoteca do Chacrinha, e aos domingos no mesmo horário com "A Hora da Buzina", no Recife quem ocupava essa posição de destaque era o apresentador Jorge Sá.

Na mesma linha dos programas do conterrâneo global, o Programa "A Hora do Chau" , aos sábados à tarde na TV Jornal,  tinha o mesmo formato:  cenário tropical com frutas penduradas, bailarinas com figurinos iguais às chacretes, jurados, calouros e uma infinidade de  concursos os mais absurdos. Se gongados, os calouros eram colocados debaixo do chuveiro e depois erguidos pelos braços de dois brutamontes halterofilistas até sair de cena. O irrequieto ex-repórter policial do rádio e da tv pernambucanas sorteava entre a plateia  balaios de feiras contendo gêneros de primeira necessidade. Era uma loucura!

O corpo de jurados era formado por gente conhecida da Rádio Jornal, da cena teatral ou personalidades convidadas A radialista Alcinda Beltrão tinha lugar cativo, assim como o ator e diretor de teatro, Albemar Araújo. Este era o galã e queridinho das menininhas, e quem mais recebia cartas das fãs no meio da semana.

Albemar Araújo, o jurado número 1 do programa  A Hora do Chau, acima, declamando "Hiroshima", e abaixo com a câmera 3 do Canal 2.


Outro destaque era o veterano radialista Mário Filho, decano do júri. A eles se juntavam as atrizes estreantes da cena local, Rosineide Victor e Madalena Chiarelli. Madalena era uma espécie de Elke Maravilha do programa, pois era a última jurada a entrar em cena, e  surgia cantando músicas da Clara Nunes. Era irmã do universitário de jornalismo Muciolo Ferreira, que também era do cast do Teatro Equipe do Recife usando o pseudônimo Cilo Montez.

Enquanto na Globo o Chacrinha recebia uma verba milionária patrocinada pela poderosa Casas da Banha, Jorge Sá tinha uma verba modesta da  Aguardente Serra Grande, única anunciante. Com o fim do programa,  Jorge Sá se exilou na cidade litorânea de São José da Coroa Grande onde viveria até ser chamado para uma  outra missão artística, mas  desta vez no firmamento.

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Porque todos merecem as homenagens pelos 70 anos da televisão brasileira, mas certamente não irão aparecer na Globo ou noutra rede de televisão, o nosso tributo. Eles e elas entraram nas nossas casas sem precisar pedir licença, e foram bem recebidos com nossa audiência.

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Esta secção é parte integrante da edição nº 756 do blog PASSARELA CULTURAL, www.passarelacultural.blogspot.com.bra sua revista on-line semanal. ************ Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. **************************** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 14 de abril de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Léa Pabst Craveiro, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”


Daslan Melo Lima


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“Deixas de envelhecer. Ninguém vai te ver envelhecida. Apenas serás antiga, emoldurada de eternidade e de olhos verdes.
Um ano depois, os que ficaram continuam com os olhos rasos d’água. E não entendem o enigma, mesmo porque enigmas não são para ser entendidos.
As coisas estão no mesmo lugar. Objetos, roupas, papéis. Talvez com um pouco mais de pó, pois a cada ano acrescentado aumentam os resíduos de poeira e de memórias. ”

      Guardo num caderno de recortes a crônica “Para Léa”, de Paulo Fernando Craveiro, escritor, jornalista, cronista e crítico de arte. Publicada em sua página do Diario de Pernambuco, edição de 1º de janeiro de 1989, o texto evoca a figura de sua esposa Léa Pabst Craveiro, falecida em 30/12/1987, vítima de câncer. Léa Pabst completaria 53 anos de idade no dia 02/01/1988.


“Insuportáveis, estas sim, são as fotografias. Clarões de perspectivas dos dias que jamais chegaram nem chegarão. E mais assombros. Assombrosos são os dias de ontem e os de amanhã. 
Como estás aqui, percebes que o sol continua entrando pela janela, e o rio segue o rumo da rotina, e o mar, ali em frente, é uma cambiante massa de verdes, azuis e cinzas. Como permaneces contemplando.
Os que ficaram estão descobrindo as asperezas da tua ausência física não domesticada, essa fera feita de silêncios e de vestidos que ainda estão dependurados no guarda-roupa que ninguém abriu.
Teus sapatos entretanto andam. E te levam e te trazem, como as ondas, nesse estranho movimento em que convivem os que se foram e os que resistem tecendo o sonho em que progressivamente te transformas. "
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Léa Pabst, Miss Elegante Bangu

Léa Pabst, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957
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TRÊS ÍCONES PERNAMBUCANOS - Da esquerda para a direita: Edilene Torreão (Miss Pernambuco 1960, terceira colocada no Miss Brasil, nossa representante no Miss Mundo 1960); Léa Pabst, Miss Elegante Bangu do Clube Náutico Capibaribe, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957); e Sônia Maria Campos (Miss Pernambuco, Vice-Miss Brasil 1958 e primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo).
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       Representando o Clube Náutico Capibaribe, Léa Pabst foi a primeira colocada no Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, durante evento realizado no Clube Internacional do Recife, em 16/11/1957. Em segundo lugar ficou Violeta Botelho, representando o Clube Internacional do Recife. Violeta  tinha sido a terceira colocada no Miss Pernambuco 1957, na condição de Miss Clube Português do Recife.


       Linda, delicada, elegante, educadíssima, Léa Pabst casou com Paulo Fernando Craveiro e teve um casal de filhos. Figura de grande prestígio na  sociedade pernambucana, jornalista e apresentadora de eventos socioculturais, ela também dava aulas de etiqueta às jovens que aspiravam desfilar nas passarelas como modelos e misses.

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"Léa foi única"

        Tenho um amigo e uma amiga que conheceram bem a eterna Miss Elegante Bangu de Pernambuco: Muciolo Ferreira e Julia Kátia
        Confessa Muciolo Ferreira, jornalista: "O concurso Miss Elegante Bangu só foi ultrapassado pelo Miss Brasil porque não era televisionado e as jovens não eram expostas numa passarela desfilando de maiô. Até porque o Miss Elegante Bangu era disputado pelo melhor que havia na sociedade brasileira. Em Pernambuco, a mais famosa miss dessa competição foi a saudosa jornalista Léa Pabst Craveiro, que foi casada com o também jornalista Paulo Fernando Craveiro. Daslan, pense numa mulher que era sinônimo de elegância e beleza na melhor acepção desse termo. Léa foi única. ” 
        Afirma Julia Katia, ex-modelo: “Guardo lembranças maravilhosas do meu tempo de manequim de alta-costura e de candidata ao título de Miss Pernambuco 1976. Entre elas, o aprendizado com a inesquecível jornalista Léa Pabst Craveiro. Quando eu ria alto e gargalhava, Léa me corrigia com aquela sua classe e elegância: - Katia, não sorria assim, ria mais baixo. ”

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         No bucólico bairro de Guabiraba, verdadeiro pulmão verde do Recife, há uma rua com o nome de Léa Pabst Craveiro, a Miss Elegante Bangu que deixou de envelhecer; a jornalista que ninguém viu envelhecendo; a mulher maravilhosa que apenas ficou antiga, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”.

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Crédito das fotos: 
Acervo de Fernando Machado  
                                                                                                                    

sábado, 3 de setembro de 2011

SESSÃO NOSTALGIA – Muciolo Ferreira, as memórias de um ex-coordenador do concurso Miss Pernambuco

Daslan Melo Lima 
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   Muciolo Ferreira (Foto: DML/Passarela Cultural)

        Ele é pernambucano do Recife, nascido em um 17 de março. Jornalista do quadro permanente da Secretaria de Imprensa do Recife, atua também na  D&F Comunicação-Assessoria de Imprensa. Foi coordenador dos concursos Miss Pernambuco, de 1988 e 1989, ao lado de José de Souza Alencar (Alex) e Fernando Machado, e do Rainha do Baile Municipal do Recife, de 1984 a 2000, ao lado de Assis Farinha. Do alto de sua perspicácia e experiência de quem conheceu misses belíssimas e os antigos concursos, Muciolo Ferreira abriu seu coração para PASSARELA CULTURAL.
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MUCIOLO E SUA PAIXÃO PELAS MISSES

      Para Muciolo Ferreira, a paixão pelos concursos de misses começou em 1964, quando um irmão mais velho chegou em casa com a revista Fatos & Fotos, em cuja capa estavam Ângela Vasconcelos, Miss Paraná, eleita Miss Brasil 1964, e Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. 

        O menino Muciolo cresceu, formou-se em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, conheceu misses maravilhosas e fez amizades com muitas delas, entre as quais Zayra Pimentel, sua grande amiga. Emocionado, ele afirma: “Eu adoraria ter assistido ao Miss Guanabara 1961, no Maracanãzinho, para vibrar com a desenvoltura, o carisma , os pivôs e as paradinhas de Zayra, a Miss AABB, que em 1957 tinha disputado o Miss Brasil, na condição de Miss Pernambuco. Zayra era uma das favoritas ao Miss GB 1961. Os gays idolatravam a pernambucana, que para descontentamento de todos não conseguiu um lugar entre as semifinalistas.”

De maiô Catalina, Zayra  Pimentel, Miss AABB,  candidata ao título de Miss Guanabara  1961. (Foto: Revista O Cruzeiro, 24/06/1961).
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MUCIOLO FERREIRA E SUAS MISSES INESQUECÍVEIS

Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco 1964, quarta colocada no Miss Brasil 1964.
Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954
Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul-Miss Brasil-Miss Universo 1963
PASSARELA CULTURAL: Quem são as suas Miss Pernambuco, Miss Brasil e Miss Universo inesquecíveis?
Muciolo Ferreira: Miss Pernambuco, Ana Maria Costa Caldas (1964); Miss Brasil , Martha Rocha (1954) e  Miss Universo, Ieda Maria Vargas(1963)  
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PC: Qual a candidata mais injustiçada da história do Miss Pernambuco?
MF:
Albanize Maria Braga Coelho, Miss Sport Clube do Recife 1974. Ela tinha um rosto belíssimo, parecido com o da nossa última Miss Universo, Martha Vasconcellos. O 5º lugar foi a maior injustiça que fizeram com a candidata rubro-negra.
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PC : Qual a Miss Pernambuco mais injustiçada da história do Miss Brasil?
MF: Sem sombra de dúvidas, Ângela Agra Galvão, em 1978. O que fizeram com ela foi imperdoável. Teria sido uma candidata fortíssima para o Top 5 do Miss Universo. Ângela Agra era considerada uma espécie de Vera Fischer numa versão melhor. Merecia o primeiro lugar, mas jogaram ela para o quinto.


Ângela Agra Galvão, Miss Pernambuco 1978. Ao seu lado, o saudoso apresentador Paulo Max (1933-1996). Recorte do Jornal do Commercio-Recife autografado por  Ângela Agra. Acervo de Daslan Melo Lima.





Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas 1965 (Foto: revista Manchete)

PC: Qual a candidata mais injustiçada da história do Miss Brasil?
MF: Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas 1965, belíssima em todos os requisitos, mas que não ficou entre as semifinalistas. Fico a imaginar a decepção dos alagoanos naquele ano, decepção que foi compartilhada pelos matogrossenses,  devido ao quarto lugar dado a Marilena de Oliveira Lima,  Miss Mato Grosso. O certame de 1965 foi de muitos equívocos e injustiças. A faixa de Miss Brasil deveria ter sido colocada em Mary Grace ou em Marilena de Oliveira Lima. Outra injustiça que marcou época: o quarto lugar dado a Anísia Gaspariana da Fonseca, Miss Brasília 1967, quando merecia o primeiro.
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Eveline Schroeter, Miss Brasil 1980 (Foto: revista Manchete)

PC: Qual a Miss Brasil mais injustiçada da história do Miss Universo?
MF: Eveline Schroeter, em 1980. Acredito que ela não se classificou entre as 15 semifinalistas devido ao fechamento, à falência da TV Tupi. Não houve nenhum interesse do país naquele ano pelo Miss Universo. Poucos souberam que a TV Bandeirantes havia decidido de última hora transmitir a competição. Eveline era muito bonita. Tinha porte de rainha com os seus 1,80m de altura, rivalizando com Shawn Weatherly, Miss Estados Unidos, que acabou vencendo. Outra injustiçada, Natália Guimarães, em 2007. Perder para Ryo Mori, Miss Japão, foi uma  piada, algo que nos faz desacreditar na competição da era Donald Trump.
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Verônica de Castro Leicht, Rainha do Baile Municpal do Recife 1987/Rainha dos 450 anos do Recife (Foto: Diario de Pernambuco)
PC: Caso tivesse concorrido ao Miss Pernambuco, qual a Rainha do Baile Municipal do Recife que teria sido uma ótima representante do Leão do Norte no Miss Brasil?
MC: Verônica de Castro Leicht, Rainha do Baile Municipal do Recife 1987/Rainha dos 450 Anos do Recife.
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MUCÍOLO FERREIRA, ENCONTROS PARA RECORDAR

Ao lado de Lucia Tavares Petterle, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971
Ao lado de Joyce Aguiar, Miss São Paulo, terceiro lugar no Miss Brasil 2001 e Miss Mundo Brasil 2001 
Ladeado por Débora Daggy (Miss Pernambuco, quarta colocada no Miss Brasil 2001, vice-Miss Mundo Brasil 2001) e Ana Cláudia Pessoa Romão (Miss Pernambuco Mundo 1990, terceira colocada no Miss Mundo Brasil 1990 e semifinalista no Miss Brasil 1992)
Muciolo Ferreira, Martha Vasconcellos (Miss Bahia-Miss Brasil-Miss Universo 1968) e Fernando Machado. (Foto: DML/Passarela Cultural)
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MUCÍOLO E O DIFERENCIAL DOS CONCURSOS


         Indagado qual o maior diferencial dos concursos de misses de ontem em relação aos de hoje, Muciolo Ferreira não hesitou em afirmar  o que se segue.
               Nas décadas de 50 e 60 os concursos tinham glamour. O país parava em dia de final, como nos jogos da Copa do Mundo. Havia interesse. Os atuais concursos foram tão banalizados que nem dá para compará-los aos de antigamente. Além disso, eles  estão nas mãos de pessoas descomprometidas com a verdadeira razão de ser do concurso,  que seria, teoricamente, eleger a rainha da beleza universal.


Ana Maria Guimarães, acima, Miss Pernambuco 1988. Abaixo, Ana Cristina de Medeiros, Miss Pernambuco 1989. Ambas foram eleitas em concursos sob a coordenação de José de Souza Alencar (Alex), Fernando Machado e Muciolo Ferreira. (Fotos: Jornal do Commercio-Recife)

         
        Os interesses de quem detém as "franquias" estaduais e nacional são puramente financeiros.Transformaram o concurso de Miss Brasil num lucrativo balcão de negócios, pois as candidatas são obrigadas a pagar aos coordenadores estaduais muita grana para poderem participar da competição, o que não acontecia na época dos Diários Associados, nem nos tempos do SBT. Fui um dos coordenadores do Miss Pernambuco em 1988 e 1989 e a única exigência feita era que as candidatas, ou os seus responsáveis, se comprometessem pelo traje de gala, os sapatos e os acessórios. Até o maiô e os sapatos do traje de banho eram fornecidos pela coordenação, além de toda a produção do dia do concurso.
            As competições,  nacional e internacional,  começaram a perder o charme e o interesse do público a partir da eleição  das candidatas com melhores resultados das cirurgias plásticas. A beleza natural deu lugar a um rosto marcado por infiltrações de silicone, botox e marcas de bisturis. É um tal de mexer aqui, tirar daqui e põe ali que têm deixado as moças com cara de boneca. Os cirurgiões plásticos deveriam também ser premiados e com direito a receber faixa.  Todavia, o maior diferencial dos concursos de ontem para os de hoje é você sair nas ruas, nos shoppings e perguntar a alguma pessoa quem  foi Marta Rocha, Martha Vasconcellos ou Ieda Maria Vargas que a respsota virá na ponta da língua. Mas se alguém perguntar quem é a atual Miss Brasil ninguém saberá responder.
              A gente escuta e lê nos foruns especializados na Internet coisas absurdas envolvendo atitudes desabonadoras de algumas coordenações dos concursos. Sonho com um Miss Brasil coordenado por personalidades como Roberto Macêdo (jornalista, missólogo e arquiteto baiano) e Ana Cristina Ridzi (advogada,  Miss Guanabara e Miss Brasil 1966). Sonho com uma figura como Edir Corrêa Leite voltando às suas atividades de coordenador do Miss Sorocaba. Imagino um Miss Pernambuco coordenado por figuras como Fernando Machado (jornalista), Daslan Melo Lima (editor do blog PASSARELA CULTURAL) e Fernando Bandeira Diniz (coordenador do Miss Brasil Latina). 

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              Muciolo Ferreira ainda tem muita coisa para contar da sua paixão pelas misses. Os e-mails que ele envia para mim quase todas as semanas, tecendo comentários sobre as Sessões Nostalgia, e que são postados no espaço apropriado para comentários, têm enriquecido esta secção. Vários dos seus feedbacks são verdadeiras aulas de missologia. Prometo voltar a focalizar o Muciolo Ferreira e suas interessantes memórias em outra ocasião. 

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