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sábado, 3 de outubro de 2020

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Poeta Joao Feliciano, um nome que a história timbaubense guardou

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Colaboração enviada por Jeová Barbosa de Lyra Cavalcanti,  funcionário aposentado do Banco do Brasil

barbozalira68@hotmail.com    

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JOÃO FELICIANO DA SILVA nasceu em Timbaúba, PE, em 02 de outubro de 1917, onde residiu até sua morte. 

Fez o antigo curso primário com o Prof. João Barbosa de Melo (Prof. Nô). Aos 13 anos incompletos teve seu primeiro emprego como balconista na mercearia do Sr. José Higino de Queiroz, político influente da época, destituído do poder pela Revolução de 04 de outubro de 1930. Presenciou de perto a queda dos “Perrepistas” da cidade a quem servira aperitivos e as conhecidas “paredes” (tira-gostos), e dos quais ouvia muitas histórias sobre coisas, fatos e pessoas daquele tempo.

Achava que foi muito boa a experiência adquirida em seu primeiro emprego e se chegasse a escrever um livro fá-lo-ia focalizando esta história que considerava palpitante. 

João Feliciano foi autodidata, e todos os cursos que fez foi depois de já conhecido como “homem dos sete instrumentos”.

Nesta cidade destacou-se como poeta, professor de Economia Política e Prática Jurídica no antigo Externato Timbaubense (hoje Colégio Timbaubense), onde se formou por exigência da época. Era jornalista, prático de farmácia, compositor e, durante certo período, foi rábula, numa época em que as pessoas podiam advogar sem a exigência de diploma. Ele o fez principalmente em defesa dos pobres.

Como compositor, só tem um frevo feito em parceria com José Pedro Damião (Zito Damião). As demais composições: sambas, sambas lentos, toadas, maracatus, frevos e outros ritmos, todas tinham letra e música de sua autoria. Como poeta e jornalista tem um acervo publicado em vários jornais, principalmente no Jornal do Commercio do qual era correspondente.

Aproveitando as facilidades do art. 100 da Lei de Diretrizes e Bases do Ensino, instituída à época, fez os 3º. e 4º. anos do antigo curso ginasial no Colégio Osvaldo Cruz, o que lhe assegurou o ingresso na Escola Técnica de Comércio Timbaubense, de onde saiu Técnico em Contabilidade na primeira turma formada nessa escola do saudoso prof. José Mendes da Silva, sendo na ocasião o representante da turma como orador.

João Feliciano morreu aos 65 anos, no dia 09 de julho de 1982, no Hospital Neuro, no Recife. Seria um pleonasmo falar do vazio que ele deixou, não apenas entre os familiares como também no seio da sociedade timbaubense.

Muitos são os artigos e poesias de sua lavra que até hoje continuam inéditos, e são cuidadosamente guardados por sua esposa, D. Alga Marina de Oliveira Feliciano. Esperamos um dia vê-los publicados. Dentre as poesias de sua autoria, uma chama a atenção pela profundidade de sentimento, "Amanhã".

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sábado, 30 de junho de 2018

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Aos pés de uma escada



          Nos quinze anos de Virgínia (atrás da garota de blusa escura com corrente no pescoço), filha do poeta João Feliciano (1917-1982) e Alga Marina de Oliveira Feliciano, reuniram-se  Gustavo, Marcelo, Laureano, Ana Glória, Zelma, Dalvinha, Nelma, Rômulo, Gilma, Pompéia, Milinha, Flávia e Verônica. 
            Catorze jovens, catorze destinos posando para a posteridade na  escada do belo casarão da rua Walfredo Ferreira Lima, 73, onde funciona hoje a subseção da OAB-PE. 
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 "A Escada era a plateia de concursos de miss e os jogos da seleção brasileira com direito a pipoca e licor de jenipapo. Eternas recordações. No terraço da frente, som ao violão, Jeca e Itamar. No terraço de trás, lanchinhos de sapoti, goiaba, delicia de abacaxi, beijo gelado, bolo de rolo, doce de jaca, doce de batata doce e algumas frutas da fruteira da copa/cozinha E o piano debaixo  da escada ao som de Música para Elisa,  com o pianista Tales. Grandes momentos."
- Teotônio Monteiro.
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"O movimento de entra e sai nessa casa de adolescentes era grande. Em pouco tempo nasceu um grande bloco, o Morcego, com letra de João Feliciano e música de Damião. As fantasias eram todas costuradas nessa casa com a coordenação de D.Alguinha. Entre tapas e beijos para ganhar as fantasias destaques. E reviver Timbaúba nos anos dourados."
Ana Gloria Araújo.
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          Quantas histórias guardam a memória do casarão? Talvez um velho objeto que inspirou o poeta João Feliciano a compor o soneto abaixo pudesse contar.  
O Relógio

Na parede o relógio pendurado,
Indiferente, sádico, sisudo;
Monstro faminto, frio, calculado,
Esvaziando do tempo o conteúdo.

Contemplo, nesta noite, apavorado,
Sem coração, metálico, desnudo;
E sinto o peito como transpassado
Por pérfido punhal pontiagudo.

Se pudesse quebrar estas amarras
E o tempo libertar das suas garras,
Certo o faria em menos de um segundo.

Alma gelada e pela dor convulsa,
Sinto crescer em mim forte repulsa
Por todos os relógios deste mundo.

         
         Aos pés de uma escada do velho casarão, em vão tento decifrar mistérios da vida e da morte. E fico a fantasiar que nesta escada tenha surgido a inspiração para o poeta João Feliciano compor o poema que se segue.

Árvore Velha

Ontem revi tristinha, desfolhada,
Exposta à rigidez do sol a pino,
A árvore em cuja sombra camarada
Traquinei nos meus tempos de menino!

Como parece longa a caminhada
Que separou do seu o meu destino!
Como era doce o fruto purpurino!
Que lhe roubava à custa de pedrada!

Falei-lhe, então, dos muitos desenganos
Que a vida reservou-me nestes anos...
Minha voz embargou-se, e, nesse instante

Ali fundidos duas vidas:
Ela chorava seiva fecundante,
E eu derramava lágrimas sentidas!

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Imagem antiga: acervo de Ana Glória Ferreira de Araújo
Fotos atuais: DML/PASSARELA CULTURAL
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PASSARELA CULTURAL - 14 ANOS

      PASSARELA CULTURAL chega nesta segunda-feira, 02 de julho, aos 14 anos de fundação.    Tudo começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, coluna sociocultural do extinto site Timbafest, editado por Walfredo Silva. Em 12/10/2007, a coluna migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, com o apoio do cearense Evandro Silva, editor do missesnapassarela.blogspot.com.br, que me ensinou como produzir um blog. 
          PASSARELA CULTURAL tem uma visibilidade impressa através da revista TIMBAÚBA EM FOCO, onde edito matérias que também são postadas no blog. Duas secções deste site  são os maiores destaques: DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO, sobre a cena sociocultural de Timbaúba, minha pernambucana terra adotiva, e SESSÃO NOSTALGIA, focalizando antigos concursos de Misses, uma das minhas paixões. A propósito dessa última, desejo registrar o meu reconhecimento a duas personalidades que me incentivaram a escrever sobre o assunto: Dido Borges e Roberto Macêdo, editor do Miss News, missnews.com.br .
       Muito grato pela atenção de todos. Continuem acessando PASSARELA CULTURAL. Um abraço e dias iluminados. 
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– Daslan Melo Lima

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