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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

sábado, 14 de maio de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - QUANDO AS MAIS BELAS RECORDAM


Daslan Melo Lima
               Era um dia frio de junho de 1985, quando chegou às bancas de revistas de todo o Brasil mais um exemplar da revista MANCHETE, o de nº 1.735, trazendo a reportagem Quando as Mais Belas Recordam, focalizando quatro mulheres que marcaram época na memória brasileira: Adalgisa Colombo (Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958); Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963); Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968) e Vera Fischer (Miss Santa Catarina , Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1969). Elas falaram sobre suas experiências de vida e posaram ao lado de imagens do tempo em que foram eleitas rainhas da beleza. Abaixo, na íntegra, aquela matéria da Manchete de 20/06/1985, com depoimentos a Eliane Lobato e Fernando Calmon (Rio), Ângela Rahde (RS) e Reynivaldo Brito (BA).

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ADALGISA COLOMBO REMEMORA SEM SAUDADES
Miss Brasil de 1958, ela sabe que a glória pode ser tão falsa quanto os brilhantes daquela coroa. ”Se eu fosse Miss agora, a primeira coisa que faria era arranjar um agente para negociar meus contratos e comercializar o título.” No passado as misses viajavam de baixo pra cima pelo país todo, para apresentar shows ou abrilhantar festas, em troca às vezes só da hospedagem, da passagem e de um buquê de flores. Isso vale como uma dica para as novas misses que, segundo Adalgisa, levam a vantagem de não sonharem muito com um reinado encantado, sabendo que terão muito trabalho e vários compromissos pela frente. “Tudo, aliás, torna-se um evento e é um compromisso.” A Miss não podia se vista “de qualquer jeito”, na rua. O público não queria, nem as cláusulas dos contratos. Juntava gente e era preciso segurança, às vezes policial, ela rememora, sem qualquer tom de saudade. Quando recebeu o título tinha 18 anos e atribui ao lirismo dessa idade, naquela geração, o fato de ter renunciado seis meses depois da escolha, para casar e morar nos Estados Unidos. Hoje, casada pela segunda vez e com três filhos, repensa e questiona se não deveria ter insistido em seu grande sonho que era ser atriz. “Mas atriz de Hollywood, das mais famosas” – ironiza. Tem horror aos movimentos feministas. “Igualdade de sexos não existe. Vejam o homem e a mulher, nus. São diferentes hoje, serão daqui a mil anos. A mulher tem de ser reconhecida pelo seu trabalho, isso sim.” 
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 IEDA MARIA VARGAS E A IDENTIDADE CULTURAL
Miss Universo de 1963 – e uma entre os jurados que escolheram Márcia Canavazes de Oliveira, ou Márcia Gabrielle, este ano -, Ieda Maria Vargas acha que esse é um caminho para uma jovem da classe média tornar-se conhecida e fazer sucesso. Depois do concurso, trabalhou muito tempo como manequim, foi apresentadora de noticiário de televisão e representante comercial de diversas confecções. Hoje, ainda bela e extrovertida, com 41 anos, constata: ”O público continua vibrando com o concurso.” Vai mais além: “Espero que os ares da Nova República façam com que o brasileiro assuma sua verdadeira identidade cultural, que é gostar desse tipo de concurso, assim como gosta de carnaval e de futebol.” Acha que beleza não exclui inteligência. “Vale lembrar que, este ano, a eleição reuniu em sua maioria universitárias de bom nível.” Quanto ao discurso feminista segundo o qual a mulher não deve se expor a esse tipo de exibição, Ieda  tem uma posição: a de que mulher alguma vai deixar de apreciar elogios à sua beleza. Ieda Maria continua lembrando dos chamados bons tempos, em que era “a mulher mais bela do mundo”. Na verdade, o concurso abriu-lhe várias portas. Hoje, sem uma atividade profissional fixa, embora bastante requisitada pelo setor publicitário, suas maiores preocupações dividem-se entre o filho Rafael, 15 anos, e a filha Fernanda, 11, parecida com a mãe e já à vontade diante de uma câmera fotográfica.

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MARTA VASCONCELOS E AS NOVAS EMOÇÕES

Detentora de título, faixa, cetro e coroa, em 1968, Marta acabou se transformando em empresária, trabalhando com o marido em sua construtora, há cinco anos. “O mundo de fantasia que criei em minha cabeça simplesmente não existia e tive de trabalhar duro.” Mas, apesar de sofrida, a experiência é lembrada como “extremamente válida”. Baiana, mãe de dois filhos, sobre eles, além dos habituais elogios de “coruja”, observa: “Não estão nem aí para o fato de eu ter sido Miss Universo.” A filha, que poderia se interessar um pouco mais, nunca viu sequer o farto material que Marta tem – e guarda com certo carinho – sobre esse capítulo de sua vida. Faz questão de acentuar: nada de mágoa nesse comportamento. “A juventude está em outra, procurando novas emoções, de acordo com o tempo em que vive.” Assim como o tempo tudo muda – acha -, nunca é demais lembrar: “A mulher atualmente tem uma posição mais firme e uma cabeça melhor. Chega, em determinado instante, até a questionar a validade de um concurso de beleza. Da mesma forma, a estética feminina também mudou, seja em termos de Miss ou não. A moda contribui muito para isso e a mulher sempre está sujeita a uma boa “produção”, para que sua imagem seja elevada e vista positivamente dentro da contemporaneidade.” Pelas próprias palavras, vê-se a mudança.
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VERA FISCHER JÁ FALOU MAL, JÁ XINGOU
 

Miss em 1969, Vera, a única que se tornou atriz, teve de batalhar muito para que, além da beleza, também, seu talento fosse reconhecido. “De repente, Blumenau, minha cidade, ficou pequena para mim. Não tinha noivo para casar, não tinha mais nada para fazer lá. E em 71 me mudei definitivamente para o Rio.” Sua relação com o passado de rainha da beleza é complexa, de certa forma contraditória, e sofreu modificação ao longo dos anos. Tendo começado sua carreira de atriz em 1972, teve de lutar muito para se impor pelo talento. Todos os filmes dos quais participou naquele início de carreira exploravam sua imagem exuberante, o que ficava claro em títulos como A Super Fêmea, As Delícias da Vida, O Anjo Loiro, entre outros. Tempos em que a beleza era um verdadeiro obstáculo e ela se fez muito crítica em relação ao título. “Eu falava mal, xingava aquilo tudo.” Agora, atriz consagrada de teatro, sua avaliação é outra: “Minha primeira aventura foi poder viajar pelo Brasil, sozinha, sem meus pais. E me diverti muito, com  a badalação, com aquelas festas todas. A única coisa que eu detestava era desfilar com o cetro e a coroa. Além de ser pesado, eu me sentia como a própria imbecil!” Mas ser Miss ensinou-lhe a ser disciplinada, profissional. “Foi meu primeiro trabalho remunerado, antes eu vivia de mesadas dos pais.” Acha uma bobagem, mas respeita quem entra nessa de medir beleza exterior.
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          As vidas de Adalgisa Colombo, Ieda Maria Vargas, Martha Vasconcellos e Vera Fischer ficaram marcadas para sempre, a partir do momento em que foram eleitas Miss Brasil. Vinte e seis anos depois daquela reportagem na revista Manchete, muita coisa mudou em suas vidas, em nossas vidas,  mas o fascínio por um título de Miss ainda continua nos sonhos de milhares de jovens desse imenso país-continente chamado Brasil.

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sábado, 7 de maio de 2011

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO


CINE TEATRO RECREIOS BENJAMIN, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS


A educadora Francisca Rodrigues Pereira, na foto segurando uma pasta azul, diretora do tradicional educandário timbaubense Escola Santa Maria, teve a iniciativa de liderar um abaixo assinado para reivindicar às autoridades municipais e estaduais providências urgentes para restauração do maior bem imóvel cultural de Timbaúba: o Cine Teatro Recreios Benjamin. Ontem, sexta-feira, uma delegação da qual fiz parte foi ao Palácio do Governo do Estado de Pernambuco entregar o dossiê ao Diretor da Casa Civil e à Fundarpe. 


O Cine Teatro Recreios Benjamin foi inaugurado em 05/03/1916,  um presente do  poeta-jornalista-industrial Jader de Andrade (1886-1931) ao povo de Timbaúba. O espaço cultural viveu anos de glória, e hoje, sem estar sendo utilizado para aquilo que foi criado, precisa urgente de uma restauração, antes que seja tarde demais. O imóvel é tombado pelo Patrimônio Histórico, mas não foi desapropriado, pertence a terceiros, a quem a Prefeitura Municipal paga aluguel.   

Palácio do Governo - Momento em que Francisca Rodrigues Pereira entrega a Roseane Fernandes, Assessora de Imprensa da Casa Civil,um dossiê sobre as condições precárias do Cine Teatro Recreios Benjamin e um abaixo assinado com 1.636 assinaturas de timbaubenses pedindo uma solução para o problema.
Após ter saído do Palácio do Campos das Princesas, o grupo liderado por Francisca Rodrigues esteve na Fundarpe. Acima, a arquiteta Rosa Bonfim examina uma documentação sobre a situação do Cine Teatro Recreios Benjamin ao lado de Roberto Carneiro da Silva, técnico em restauração patrimonial. ***** A ida do grupo ao Recife teve o apoio cultural da Prefeitura Municipal de Timbaúba, que patrocinou o transporte numa van executiva, e do vereador Guel Barbosa, que se responsabilizou pelo almoço. ***** Voltaremos ao assunto na próxima edição de PASSARELA CULTURAL.

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE

Você conhece algum desses motoristas? Qual o ano da foto? ***** Colaboração/sugestões/remessas de imagens: daslan@terra.com.br.***** Lembrete: para visualizar a foto em tamanho maior, basta um clique com o lado direito do mouse em cima da imagem
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SESSÃO NOSTALGIA – RENATA CRISTINA LUCK, VICE-MISS PERNAMBUCO 1985


Daslan Melo Lima
PRÓLOGO
               Caruaru, Pernambuco, 17 de maio de 1985. Eu era uma das 15 mil pessoas que foram ao Ginásio de Esportes da Fafica, Faculdade de Filosofia de Caruaru, para assistir a eleição da Miss Pernambuco 1985. Eram 30 jovens e um sonho: ser a sucessora de Susy Sheila Rêgo, que no ano anterior tinha conquistado o segundo lugar no Miss Brasil 1984. Desde a primeira apresentação das candidatas que fiquei dividido entre duas delas: Simone Augusto da Silva, Miss Clube Português do Recife, e Renata Cristina Luck, Miss Clube Alemão de Pernambuco.  Venceu Simone Augusto, a quem já dediquei uma Sessão Nostalgia.  Esta semana, vinte e seis anos depois daquela noite de maio, PASSARELA CULTURAL rende um merecido tributo a uma das mais importantes vices-Miss Pernambuco de todos os tempos: Renata Cristina Luck, ou simplesmente Renata Luck.
RENATA LUCK NO SPIEGLEIN DE MAIO DE 1985
               Em sua edição de maio-1985, o Spieglein (Espelhinho em português), órgão de divulgação do DKP, Deutscher Klub Pernambuco (Clube Alemão de Pernambuco), circulou com a foto de Renata Luck na capa e com uma reportagem abordando o  coquetel de 30 de abril , onde a diretoria apresentou sua candidata aos sócios, assim como o almoço do dia 05 de maio, oferecido à Miss e seus pais.
 
Detalhe: Por lapso, o  texto do Spieglein cita a Quadra da Faculdade de Letras de Caruaru como local, e o dia 15 de maio como data do Miss PE 1985, quando o correto seria Ginásio de Esportes da Fafica, Faculdade de Filosofia de Caruaru, dia 17 de maio. Na reportagem deste número do Spieglein, fiel à grafia alemã, o nome Luck foi escrito com o trema na letra "u", Lück,
RENATA LUCK NO SPIEGLIN DE JUNHO DE 1985
               A edição de junho-1985 do Spieglein mostrou com orgulho fotos de outro almoço de confraternização realizado no Clube Alemão, quando Renata Luck recebeu as homenagens merecidas por ter representado tão bem o clube no Miss PE 1985, além de quatro imagens feitas durante o concurso.
Renata, atração do evento, circulando constantemente entre os convidados. Salientamos a presença dos familiares da Miss, membros responsáveis pela realização do concurso e grande número de nossos associados. Temos a satisfação de mostrar a nosso associados, através de fotos que aqui estão, o que foi o concurso Miss Pernambuco 85, quando conseguimos o 2º lugar, com a candidata do DKP – Renata Luck – que apresentou-se belíssima em traje de gala, usando um riquíssimo  vestido de cor preta todo trabalhado, confeccionado pelo figurinista Ricardo de Castro. Renata pisou a passarela com muita elegância e naturalidade. Pelas fotos, podemos ver o quanto Renata fez sucesso, foi aplaudidíssima... Parabéns mais uma vez a Renata Luck, você estava maravilhosa. Representou muito bem nosso clube.
RENATA LUCK, A VICE DE SIMONE AUGUSTO
               Foi muito bom o nível das concorrentes ao Miss PE 1985. O resultado agradou a maioria do público. Gostei da primeira colocação dada à candidata do Clube Português do Recife, Simone Augusto, linda e tranqüila. Gostei do segundo lugar dado à candidata do Clube Alemão, Renata Luck, linda, charmosa e comunicativa. E fiquei impressionado com uma beldade morena, quase mulata, chamada Cláudia Maria Alves Queiroga, Miss Paulista, uma das 12 semifinalistas. Cláudia Queiroga foi a segunda colocada no concurso Rainha do Baile Municipal do Recife de 1987, certame que oficialmente teve o título de Rainha dos 450 anos do Recife, vencido por Verônica de Castro Leicht
                Disse o jornalista João Alberto, em sua coluna social do Diario de Pernambuco, de 21/05/1985: “O concurso Miss Pernambuco-85 se constituiu num sucesso total. Assim, quero começar mandando um abraço de parabéns ao professor Humberto Vasconcelos, diretor da TV Tropical, que promoveu o evento e toda equipe organizadora, à frente Eron Viana e Edna Lyra Cavalcanti. Fui a Caruaru, para participar do júri, acabando por assistir a uma festa bonita, alegre, prestigiada. O resultado foi, para mim, justíssimo. (...) Simone Augusto, Miss Português, era, indiscutivelmente, a melhor, na minha opinião. Teve o meu voto tranquilamente. É uma beleza de garota, muito simples e simpática. A segunda colocada, Renata Cristina Luck, também mereceu a colocação e poderia ter vencido, pois tem altura, tipo, beleza, charme. Enfim, acho que tudo saiu correto em termos de resultado...”
POR ONDE ANDA RENATA LUCK
               Pertencente a uma tradicional família que lida com agências de  viagens e turismo, Renata Luck é casada com o psicólogo clínico Fred Teixeira, ambos pessoas de grande prestígio na sociedade pernambucana. Renata Luck mora na Praia de Piedade, Jaboatão dos Guararapes-PE, região metropolitana do Recife, e administra uma das empresas do Grupo Luck.
Renata Luck, na fila do meio, a segunda pessoa da esquerda para a direita.
Ontem à noite, no Eco Resort do Cabo, no litoral sul de Pernambuco, foi aberta a I Convenção Luck, reunindo 77 profissionais do Grupo LuckLuck Viagens, Luck Receptivo (Recife, Natal, João Pessoa, Maceió e Salvador),Luck Noronha e Luck Adventure (Chapada Diamantina/BA). Após a abertura, que contou com a presença de Werner e Lúcia Luck, fundadores da empresa, em momento emocionante, e do presidente Gustavo Luck, acompanhado dos sócios do grupo. A organização do evento foi da diretora Sandra  Luck, que emocionou a todos ao preparar a homenagem a Lúcia e Werner Luck. *****Na foto acima, momento histórico reunindo diretores, sócios e os fundadores da  Luck: Anderson Pacheco (Luck Maceió), Ana Rosa Luck (Luck Recife), George Costa (Luck Natal), Christiane Pereira (Luck João Pessoa), Edna Moura (Atalaia Noronha), Fernando Melo (representante em São Paulo), Carlos Calheiros Filho (Luck Maceió). Embaixo, Guilherme Luck, Renata Luck, Gustavo Luck, Beta Luck e Sandra Luck (Luck Recife), Hayrton Almeida (Luck Noronha), Alejandro Velasquez e Carlos Calheiros (Luck Maceió). À frente, Werner e Lúcia Luck
(Fonte:  www.panrotas.com.br, 27/08/2008)

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Fred Teixeira, Renata Luck, Eduardo Fontes, Hilda Mapurunga, Antônio Henrique Coutinho, José Queiroz e Carminha.  Festa junina em Caruaru-PE. (Fonte:  www.fernandomachado.blog.br, 30/06/2009) 
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Renata, Sandra e Elizabeth Luck.  O primeiro dia de outubro foi de emoção para a família Luck. Funcionários da empresa organizaram festa surpresa em comemoração aos 50 anos da agência de turismo. O encontro foi marcado pela nostalgia com a presença do fundador Werner Luck, de Sandra, Elizabeth e Renata, além dos funcionários do grupo - entre eles a mais antiga, Dona Rosa, com 33 anos de casa. (Fonte: www.fernandomachado.blog.br, 05/10/2010) 
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Laureada mais uma vez, a TAP é a transportadora européia líder de operação para o Brasil. Renata Luck, da Luck Viagens (PE), comemorou a premiação, entregando o troféu a Carlos Antunes. (Foto: Roberto Silva/Fonte: www.pressclub.com.br, 06/05/2011)

EPÍLOGO
               Saí leve e feliz do Ginásio da Faculdade de Filosofa de Caruaru quando já era madrugada do sábado, 18 de maio de 1985. As minhas preferidas tinham ficado nos primeiros lugares, Simone em primeiro e Renata em segundo lugar.  Simone Augusto, linda, tranquila, que não obteve classificação no Miss Brasil, mas que dois anos depois elegeu-se Miss Mundo Brasil, foi a quarta pernambucana a representar o Brasil no Miss Mundo em Londres. As outras foram: Sônia Maria Campos (1958), Dione Oliveira (1959) e Edilene Torreão (1960). E para coroar tudo, ao chegar na calçada do Ginásio da Fafica,  fiquei frente a frente com Susi Rêgo, vice-Miss Brasil 1984, de quem ganhei um beijo e um autógrafo.
               Ao colocar o ponto final no parágrafo acima, fui consultar o livro Sociedade Pernambucana, de João Alberto Martins Sobral, a fim de descobrir o e-mail da Sra. Renata Cristina Luck Teixeira, pois vou fazer contato com ela informando sobre esta matéria. Com imensa satisfação, descobri no livro que seu aniversário é no dia 15 de maio.  Eu não sabia desse detalhe. Nada acontece em vão. Esta Sessão Nostalgia terminou sendo para você, Renata Luck, o meu presente antecipado de aniversário. Com todo o meu carinho e respeito a uma grande vice-Miss Pernambuco.
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sábado, 30 de abril de 2011

TIMBAÚBA, O RESGATE DA MEMÓRIA DE UMA PRINCESA

As duas lindas imagens, em nostálgico preto e branco, mostram uma Timbaúba de um tempo que se foi. Você seria capaz de identificar os locais? Quando essas fotos foram tiradas? Você sabe quem tem mais imagens assim? Vamos resgatar a memória fotográfica da Princesa Serrana


Respostas corretas sobre as localizações das imagens acima: Foto 1 - Rua Dr. Alcebíades, centro da cidade, imagem feita de  um ângulo onde se vê na esquina do lado esquerdo o Cine Teatro Recreios  Benjamin. Foto 2 - Praça João Pessoa, centro da cidade, local onde existiu um carramanchão e  o Grupo Escolar Prof. Cavalcanti, inaugurado em 1925 e demolido em 1955.
 
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VAMOS RESGATAR A MEMÓRIA FOTOGRÁFICA DE TIMBAÚBA ?
           
Recebi do leitor Odilon Lima Filho o e-mail abaixo:

Olá Daslan,
               Inicialmente, gostaria de parabenizá-lo pelo blog, que faço questão de ler semanalmente. Antes de prosseguir, desejaria me apresentar. O nome pode ter dado a suspeitar que fosse Odilon, o fotógrafo, proprietário de Odilon Artes Fotográficas, na verdade não sou ele, mas filho desse.
               Sempre tive vontade de recuperar algumas fotos antigas de Timbaúba, e através da loja já conseguimos isso, pelo pedido de vários clientes, mas para mim ainda era pouco, e ficava a vontade de poder fazer algo maior por Timbaúba. Então decidi ir atrás das fotos, ao invés de esperar que elas fossem até ao nosso estabelecimento comercial. Como na verdade não trabalho lá, até a etapa de reunir fotos já recuperadas está sendo bastante trabalhoso para mim, pois o funcionário não tinha sido orientado até então para fazer uma separação destas imagens.
              Iniciei de fato, ontem, a agrupar estas fotos. Conheço algumas pessoas que possuem verdadeiras relíquias sobre o passado de Timbaúba, como Lusivan Suna, mas que ainda não tive tempo de contatá-las diretamente para digitalização do acervo. Essa será a próxima etapa.
               Visando atingir um maior número de imagens, gostaria de propor uma parceria  para que, através do seu blog, já bastante conhecido, pudéssemos solicitar às pessoas que tivessem fotos antigas da cidade a contribuir com este trabalho de recuperação do passado de Timbaúba. O que você acha?
               Ainda não pensei nos detalhes de como as pessoas poderiam enviar as fotos. Na verdade existem várias possibilidades. Duas possíveis: os proprietários das fotografias poderiam digitalizá-las e enviar por e-mail ou passar em Odilon Artes Fotográficas para que essa digitalização fosse feita. Além da contribuição com imagens, os leitores poderiam contribuir também com descrições para identificação da localização, já que o cenário mudou bastante, e do ano em que elas foram registradas. Pensando já no longo prazo, essas fotos poderiam ser publicadas em um livro e com uma exposição para apreciação de toda a população.
              Se conseguirmos volume para isso seria necessário obter apoio para tocar o projeto para frente. Segue em anexo uma pequena amostra do que já consegui.

Grato pela atenção,

Odilon Lima Filho

          A idéia do Odilon está lançada e PASSARELA CULTURAL tem a satisfação de divulgar esse projeto de relevante alcance cultural para a memória da nossa terra e do noso povo. 
     Adesão/sugestões/colaborações/críticas construtivas: enviar e-mail para daslan@terra.com.br com cópia para odilonflj@gmail.com

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SESSÃO NOSTALGIA - STAËL ABELHA, A MISS BRASIL QUE TROCOU SEU REINO POR AMOR

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Daslan Melo Lima 

PRÓLOGO

               Uma mineira de Caratinga chamada Staël Maria da Rocha Abelha, apelidada carinhosamente pela família de “Telete”, filha do casal Álvaro e Maria da Glória Abelha, sobrinha do Monsenhor Rocha, terceranista de Direito, foi eleita Miss Brasil 1961. 

Staël Abelha - Capa da revista O Cruzeiro, 1º/07/1961
Ela escreve o nome com trema no “e”. Faz questão absoluta disso. E tem olhos castanhos, que não são profundos. No conjunto das 22 concorrentes, Staël saltou como o melhor estilo nacional. Com graça, sobretudo. Tudo isso numa modéstia tranquila. Somem: 1,70 de altura, 58 de peso, 98 de busto, 58 de cintura, 98 de quadris, 56 de coxa, 22 de tornozelo e 19 anos de idade. Adicionem ainda os tons imponderáveis, e eis Stael diante de vocês. (O Cruzeiro, 1º/07/1961)
Detalhe: Nas revistas pesquisadas para elaboração desta matéria, apenas a O Cruzeiro, de 1°/07/1961, escreveu o nome de Staël com o trema na letra "e".
 




Staël Abelha na capa da revista Manchete, de 08/07/1961.

Staël Abelha - Foto: Manchete, 08/07/1961

Após retornar de Miami Beach, onde não obteve classificação no Miss Universo, concurso no qual foi eleita Marlene Schmidt, Miss Alemanha,  Staël Abelha renunciou ao título apresentando sua carta-renúncia onde dizia que trocava seu reino por amor.

STAËL ABELHA, MISS BRASIL 1961, UNANIMIDADE DE OPINIÃO

Staël Abelha - Capa da Manchete, 1º/07/1961
               Um público estimado em 25.000 pessoas acompanhou ao vivo, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, a eleição da Miss Brasil 1961. Vinte e cinco mil juízes, no Maracanãzinho, elegeram a mineira Stael Miss Brasil-61. Pela primeira vez na história deste Concurso houve unanimidade de opinião. Beleza mineira de olhos castanhos tem hoje o título de a mais bela brasileira, pelo voto de 13 juízes e do público que lotou o Maracanãzinho, na maior e mais elegante noite da história do Miss Brasil. ( O Cruzeiro, 1º/07/1961).


Da esquerda para direita: Vera Maria Brauner (Miss Rio Grande do Sul, segundo lugar, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional, em Long Beach); Staël Maria da Rocha Abelha, Miss Minas Gerais, primeiro lugar, representante do Brasil no Miss Universo, em Miami Beach); e Alda Coutinho de Morais (Miss Guanabara, representante do Brasil no Miss Mundo, em Londres)***** (Foto: Manchete, 1º/07/1961)

STAËL ABELHA, RECEPÇÃO APOTEÓTICA EM BELO HORIZONTE E CARATINGA


Cinco batedores abriram o cortejo que acompanhou a triunfal entrada de Stael em Belo Horizonte. Na frente, um carro com alto-falante tocava uma marchinha composta em homenagem a Miss Brasil: “Ai, Abelha/do meu coração/eu quisera um dia/ser o teu zangão.” Ela ficou o tempo todo de pé, num automóvel conversível, acenando alegremente para uma multidão de cem mil pessoas. O desfile terminou na Prefeitura, onde ela foi recebida pelo Prefeito Amintas de Barros e os vereadores concederam-lhe o título de “Cidadã de Belo Horizonte”. (Manchete, 08/07/1961)


Orgulhosa de ter sido o berço da linda representante do Brasil no concurso internacional de 1961 em Miami, a cidade de Caratinga recebeu apoteoticamente Stael Maria da Rocha Abelha. Eram 15 horas quando, sábado passado, Miss Brasil chegou, de avião, à Caratinga, sua terra natal. O dia era duplamente festivo: a cidade fazia 110 anos e recebia sua filha mais famosa. Cerca de 40 mil pessoas aclamaram a linda moça, em honra de quem foi organizado um grande préstito. Formaram todos os colégios e as bandas de música locais se incorporaram ao desfile. Seu carro alegórico, acompanhado a pé, pela multidão, do aeroporto à cidade, dirigiu-se ao palanque, onde o prefeito a esperava, com a chave da cidade. Caratinga, por sua estação de rádio, proclamou-se, então, a Capital da Beleza. E com isso culminou a apoteose a Miss Brasil. (Manchete, 08/07/1961)



Os mineiros estão muito orgulhosos de sua vitória no concurso de beleza e, por isso mesmo, cercam Miss Brasil das maiores provas de carinho. Em Belo Horizonte, o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, visitado por Stael Maria da Rocha Abelha, ofereceu-lhe um cheque-presente de quinhentos dólares, para ajudar o custeio de sua viagem a Miami. Ofereceu-lhe, também, a chave de um cofre forte, para guardar o cetro de Miss Brasil, ou de Miss Universo se ela conquistar o título máximo. O Banco da Lavoura de Minas Gerais, por sua vez, ofereceu-lhe também um valioso presente: cem dólares, para as despesas com a ida aos Estados Unidos. Exprimindo sua gratidão, Stael declarou à reportagem de Manchete: “Só pelo prazer de sentir o carinho e a estima do povo de Minas Gerais valeria a pena ter vivido as angústias por que passei, até conquistar o título de Miss Brasil. Obrigada a todos!” (Manchete, 08/07/1961)

STAËL ABELHA, “MEU REINO POR AMOR”

Casamento une a Miss e o Deputado – Lua de Mel de Abelha (O CRUZEIRO, 18/01/1964)  

O romance Stael-Múcio Ataíde foi o grande assunto, na época do concurso Miss Brasil-61. Agora, a história chega a um final feliz.
Seu Cupido não há expert que o compreenda quando quer unir duas pessoas pelos laços indissolúveis: faz o seu trabalhinho à socapa, e, em dado momento, puf... o amor se encarrega do resto. Uma de suas artimanhas mais consagradas começou a ser elaborada em 1961 numa passarela de concurso de beleza e acabou com “happy end” ao compasso de marcha nupcial, agora em 1963. Múcio Ataíde, conhecido industrial que na época contava apenas 21 anos de idade, dizia sempre que só se casaria aos 40. Um dia precisou de moça bonita para apresentá-la como candidata do Pampulha Iate Clube ao concurso de Miss Minas Gerais. Stael Rocha Abelha, estudante de Direito, estava no sossego do seu retiro, na sua cidade de Caratinga, onde lecionava para a infância. Cupido deu o primeiro toque na sua obra. Ataíde brincou de piloto e, no seu próprio avião, foi buscá-la. Ela veio e brilhou. Pela primeira vez Minas Gerais levantou o título de Miss. O sucesso da passarela mineira iria se reproduzir jubilosamente no Maracanãzinho, de onde Stael Abelha saiu ovacionada ao conquistar o título de Miss Brasil. A esta altura do concurso, já o romance ganhava raízes cósmicas no coração dos dois jovens, circunstância que contribuiu para que a representante brasileira ao Miss Universo na undécima hora não quisesse mais seguir para Miami Beach. Foi um deus-nos-acuda, mas o bom senso acabou vencendo o coração. Depois muitos interurbanos foram feitos via Minas-States, durante vários e penosos dias de ausência e saudade. Afirmou-se na época que Stael, distante do seu eleito mineiro, não mais se interessou pelo concurso. Desfilou por desfilar, diante de americanos deslumbrados. Quando regressou ao Brasil, a sua entrevista foi uma bomba. Apresentou a sua carta-renúncia em que trocava “meu reino por amor”. Dois anos depois, Cupido, de dedo à cava do colete, deu chamas a esse discutido romance que agora teve um epílogo bonito na Igreja São José em Belo Horizonte. 


Staël Abelha de véu e grinalda, na capa da O Cruzeiro, de 18/01/1964
Dirigindo o seu próprio automóvel, um Aero-Willys azul-escuro, Múcio Ataíde, (integrante da bancada do PTB mineiro na Câmara Federal) chegou para o enlace, que se realizou com uma hora e cinco minutos de atraso. Como manda o figurino de sua grei partidária, chegou de mangas de camisa, só vestindo paletó à entrada do templo onde se realizaria uma das mais concorridas cerimônias religiosas da capital. Um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas a postos focalizaram os mais variados aspectos do acontecimento. Fez-se ouvir o coro do madrigal renascentista, tendo oficiado o ato o bispo da diocese de Montes Claros, terra natal do noivo, D. José Alves Trindade. A noiva estava linda como sempre; e o noivo elegante. Ambos recrutaram para padrinhos pessoas humildes – a empregada Maria Cristina, o alfaiate Geraldo Gomes, o copeiro Francisco de Paula Pinto, o contínuo Jose Rios do Nascimento e sua esposa. Múcio Ataíde convidou também o Advogado Sobral Pinto, o Sr. Miguel Miranda, funcionário do seu escritório em Belo Horizonte, e sua irmã Florinda Ataíde Peres. O resto foi lua-de-mel em lugar tranqüilo, que os noivos fizeram questão de guardar em reserva.

                                                  STAËL ABELHA, 50 ANOS DEPOIS



      De 05 a 22 de outubro de 2010, na Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga, MG, foi realizada  a exposição “Stael Abelha, nossa eterna Miss Brasil”, trazendo fotografias e reproduções  de reportagens sobre a caratinguense que foi eleita a mulher mais bonita do Brasil no ano de 1961. Realizada pela Associação Estação de Cultural de Caratinga, com apoio da Prefeitura Municipal, a iniciativa foi do cartunista  Edra que partindo do seu acervo de publicações sobre a homenageada conseguiu o apoio do seu amigo Onair de Freitas, fotógrafo que cobriu o  evento daquela época, emprestando algumas de suas fotografias e exemplares das revistas “O Cruzeiro” e “Manchete”. Outro colaborador para o sucesso da mostra foi o presidente da CDL, Paulo Sérgio da Silveira, além de Cezário Baptista, de Jaguariúna, SP, que cedeu cópias de reportagens. Fonte: http://casaziraldodecultura.blogspot.com.br

EPÍLOGO

               Staël Abelha surpreendeu o país ao renunciar ao trono de Miss Brasil, um título cobiçadíssimo ainda hoje, quanto mais nos mágicos anos sessenta. Vera Maria Brauner, Miss Rio Grande do Sul, sua vice, segunda colocada no Miss Beleza Internacional, foi coroada oficialmente Miss Brasil 1961 em um programa de televisão.

               Espero que hoje, ao rever as revistas daquele inesquecível 1961, Staël Abelha, ao lado de algum neto curioso, possa dizer:  - Eu fui Miss Brasil, mas troquei meu reino por amor, não me arrependi e sou feliz, muito feliz. Que assim seja, Staël Maria da Rocha Abelha, a quem dedico esta SESSÃO NOSTALGIA da  última semana de abril de 2011.

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