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sábado, 14 de maio de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - QUANDO AS MAIS BELAS RECORDAM


Daslan Melo Lima
               Era um dia frio de junho de 1985, quando chegou às bancas de revistas de todo o Brasil mais um exemplar da revista MANCHETE, o de nº 1.735, trazendo a reportagem Quando as Mais Belas Recordam, focalizando quatro mulheres que marcaram época na memória brasileira: Adalgisa Colombo (Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958); Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963); Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968) e Vera Fischer (Miss Santa Catarina , Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1969). Elas falaram sobre suas experiências de vida e posaram ao lado de imagens do tempo em que foram eleitas rainhas da beleza. Abaixo, na íntegra, aquela matéria da Manchete de 20/06/1985, com depoimentos a Eliane Lobato e Fernando Calmon (Rio), Ângela Rahde (RS) e Reynivaldo Brito (BA).

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ADALGISA COLOMBO REMEMORA SEM SAUDADES
Miss Brasil de 1958, ela sabe que a glória pode ser tão falsa quanto os brilhantes daquela coroa. ”Se eu fosse Miss agora, a primeira coisa que faria era arranjar um agente para negociar meus contratos e comercializar o título.” No passado as misses viajavam de baixo pra cima pelo país todo, para apresentar shows ou abrilhantar festas, em troca às vezes só da hospedagem, da passagem e de um buquê de flores. Isso vale como uma dica para as novas misses que, segundo Adalgisa, levam a vantagem de não sonharem muito com um reinado encantado, sabendo que terão muito trabalho e vários compromissos pela frente. “Tudo, aliás, torna-se um evento e é um compromisso.” A Miss não podia se vista “de qualquer jeito”, na rua. O público não queria, nem as cláusulas dos contratos. Juntava gente e era preciso segurança, às vezes policial, ela rememora, sem qualquer tom de saudade. Quando recebeu o título tinha 18 anos e atribui ao lirismo dessa idade, naquela geração, o fato de ter renunciado seis meses depois da escolha, para casar e morar nos Estados Unidos. Hoje, casada pela segunda vez e com três filhos, repensa e questiona se não deveria ter insistido em seu grande sonho que era ser atriz. “Mas atriz de Hollywood, das mais famosas” – ironiza. Tem horror aos movimentos feministas. “Igualdade de sexos não existe. Vejam o homem e a mulher, nus. São diferentes hoje, serão daqui a mil anos. A mulher tem de ser reconhecida pelo seu trabalho, isso sim.” 
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 IEDA MARIA VARGAS E A IDENTIDADE CULTURAL
Miss Universo de 1963 – e uma entre os jurados que escolheram Márcia Canavazes de Oliveira, ou Márcia Gabrielle, este ano -, Ieda Maria Vargas acha que esse é um caminho para uma jovem da classe média tornar-se conhecida e fazer sucesso. Depois do concurso, trabalhou muito tempo como manequim, foi apresentadora de noticiário de televisão e representante comercial de diversas confecções. Hoje, ainda bela e extrovertida, com 41 anos, constata: ”O público continua vibrando com o concurso.” Vai mais além: “Espero que os ares da Nova República façam com que o brasileiro assuma sua verdadeira identidade cultural, que é gostar desse tipo de concurso, assim como gosta de carnaval e de futebol.” Acha que beleza não exclui inteligência. “Vale lembrar que, este ano, a eleição reuniu em sua maioria universitárias de bom nível.” Quanto ao discurso feminista segundo o qual a mulher não deve se expor a esse tipo de exibição, Ieda  tem uma posição: a de que mulher alguma vai deixar de apreciar elogios à sua beleza. Ieda Maria continua lembrando dos chamados bons tempos, em que era “a mulher mais bela do mundo”. Na verdade, o concurso abriu-lhe várias portas. Hoje, sem uma atividade profissional fixa, embora bastante requisitada pelo setor publicitário, suas maiores preocupações dividem-se entre o filho Rafael, 15 anos, e a filha Fernanda, 11, parecida com a mãe e já à vontade diante de uma câmera fotográfica.

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MARTA VASCONCELOS E AS NOVAS EMOÇÕES

Detentora de título, faixa, cetro e coroa, em 1968, Marta acabou se transformando em empresária, trabalhando com o marido em sua construtora, há cinco anos. “O mundo de fantasia que criei em minha cabeça simplesmente não existia e tive de trabalhar duro.” Mas, apesar de sofrida, a experiência é lembrada como “extremamente válida”. Baiana, mãe de dois filhos, sobre eles, além dos habituais elogios de “coruja”, observa: “Não estão nem aí para o fato de eu ter sido Miss Universo.” A filha, que poderia se interessar um pouco mais, nunca viu sequer o farto material que Marta tem – e guarda com certo carinho – sobre esse capítulo de sua vida. Faz questão de acentuar: nada de mágoa nesse comportamento. “A juventude está em outra, procurando novas emoções, de acordo com o tempo em que vive.” Assim como o tempo tudo muda – acha -, nunca é demais lembrar: “A mulher atualmente tem uma posição mais firme e uma cabeça melhor. Chega, em determinado instante, até a questionar a validade de um concurso de beleza. Da mesma forma, a estética feminina também mudou, seja em termos de Miss ou não. A moda contribui muito para isso e a mulher sempre está sujeita a uma boa “produção”, para que sua imagem seja elevada e vista positivamente dentro da contemporaneidade.” Pelas próprias palavras, vê-se a mudança.
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VERA FISCHER JÁ FALOU MAL, JÁ XINGOU
 

Miss em 1969, Vera, a única que se tornou atriz, teve de batalhar muito para que, além da beleza, também, seu talento fosse reconhecido. “De repente, Blumenau, minha cidade, ficou pequena para mim. Não tinha noivo para casar, não tinha mais nada para fazer lá. E em 71 me mudei definitivamente para o Rio.” Sua relação com o passado de rainha da beleza é complexa, de certa forma contraditória, e sofreu modificação ao longo dos anos. Tendo começado sua carreira de atriz em 1972, teve de lutar muito para se impor pelo talento. Todos os filmes dos quais participou naquele início de carreira exploravam sua imagem exuberante, o que ficava claro em títulos como A Super Fêmea, As Delícias da Vida, O Anjo Loiro, entre outros. Tempos em que a beleza era um verdadeiro obstáculo e ela se fez muito crítica em relação ao título. “Eu falava mal, xingava aquilo tudo.” Agora, atriz consagrada de teatro, sua avaliação é outra: “Minha primeira aventura foi poder viajar pelo Brasil, sozinha, sem meus pais. E me diverti muito, com  a badalação, com aquelas festas todas. A única coisa que eu detestava era desfilar com o cetro e a coroa. Além de ser pesado, eu me sentia como a própria imbecil!” Mas ser Miss ensinou-lhe a ser disciplinada, profissional. “Foi meu primeiro trabalho remunerado, antes eu vivia de mesadas dos pais.” Acha uma bobagem, mas respeita quem entra nessa de medir beleza exterior.
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          As vidas de Adalgisa Colombo, Ieda Maria Vargas, Martha Vasconcellos e Vera Fischer ficaram marcadas para sempre, a partir do momento em que foram eleitas Miss Brasil. Vinte e seis anos depois daquela reportagem na revista Manchete, muita coisa mudou em suas vidas, em nossas vidas,  mas o fascínio por um título de Miss ainda continua nos sonhos de milhares de jovens desse imenso país-continente chamado Brasil.

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