a *****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 641, referente ao período de 15 a 21 de outubro de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 9 de agosto de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - ANÍSIA GASPARINA, MISS BRASÍLIA , UM CONTO DE FADAS DOS ANOS 60

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

      Em 1967, Anísia Gasparina da Fonseca, uma jovem loura belíssima, paupérrima, 20 anos, 1,72 de altura, 60 Kg, 92 cm de busto e quadris e 62 cm de cintura, natural da cidade de Patos de Minas, Estado de Minas Gerais, emocionou o Brasil inteiro. Ela morava em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, Distrito Federal, era empregada doméstica e vivia num barraco de madeira de chão de barro e teto de zinco com Dona Raimunda, a mãe lavadeira, três irmãos e uma irmã. Foi eleita Miss Brasília e era a preferida do público para o título de Miss Brasil 1967. Sua história lembra um conto de fadas. As imagens desta reportagem são reproduções de fotos publicadas nas revistas Manchete (Anísia em trajes de banho) e Fatos & Fotos.

CAPÍTULO I Anísia Gasparina, a pobre mineira é eleita Miss Brasília



Era uma vez uma menina muito pobre, que vivia em Patos de Minas. Trabalhava em serviço humilde, para ajudar a mãe, lavadeira, e os quatro irmãos pequenos. Um dia, houve em Patos de Minas o concurso para a eleição da Rainha do Milho e a menina quis se candidatar. Mas as outras concorrentes, todas de famílias ricas, não deixaram. Então, a menina, terrivelmente humilhada, fez uma trouxa com seus vestidos pobres e viajou para Brasília, onde arranjou emprego como empregada doméstica. Ela era exímia cozinheira, excelente arrumadeira, dedicadíssima babá. Ganhava trinta mil cruzeiros velhos por mês. Depois de economizar algum dinheiro, mandou buscar a família em Patos de Minas e todos se instalaram num barraco de zinco na cidade-satélite de Taguatinga. A moça continuou trabalhando e ficava cada dia mais bonita. Era loura, alta (1m72), alegre, modesta e inteligente. Sua patroa, às vezes, dizia: “Você é a cozinheira mais bonita do mundo”. Ela ficava com esse elogio, mas logo pensava nos problemas de sua mãe: o fogão de lenha já não funcionava, seria preciso comprar um fogão a gás. Esse era o grande sonho de sua vida: comprar um fogão a gás para a mãe. Mas para isso, teria que economizar, fazendo sacrifícios, porque tinha que pagar o aluguel do barraco com o seu ordenado e ainda comprar a comida para os quatro irmãos e a mãe.


Um dia, ela estava no Clube da Área Alta, que congrega oficiais e praças da Marinha de Guerra. A esposa de um dos diretores do clube, notando a sua rara beleza, convidou-a a participar do concurso durante o qual seria eleita Miss Área Alta. Lembrando-se da triste experiência de Patos de Minas, a menina respondeu: “Agradeço muito, mas tenho medo de ser humilhada novamente, como aconteceu na minha terra.” Entretanto quando souberam do caso, as outras senhoras do clube fizeram um movimento de solidariedade, de modo que a moça acabou aceitando a idéia de desfilar na passarela. Entre nove candidatas, ela foi, então, eleita Miss Área Alta. Aquela consagração parecia um sonho. Agora, teria que enfrentar toda a cidade de Brasília, no dia da eleição da nova Miss Distrito Federal. Desta vez seriam 17 as candidatas. Após o desfile, os jurados se reuniram e escolheram como vencedora a pobre menina de Patos de Minas. 
( Revista Manchete, 1°/07/1967 )


Capitulo II Anísia Gasparina, do barraco para uma casinha popular


               Conselho de D. Raimunda para Anísia: Nunca se esqueça de que você não é melhor do que ninguém, e que todas essas coisas bonitas só vão durar um ano. Depois, você entregará a coroa a outra moça e voltará a ser pobre e humilde.
          Após sua eleição como Miss Brasília, o prefeito de Brasília deu a Anísia uma casinha de presente num bloco construído pelo Banco Nacional de Habitação, em Taguatinga. Logo a seguir, trocou um trabalho modesto que havia conseguido na Loja Bagdá por outro no Departamento de Turismo de Brasília, com um salário muito bom em moeda da época : 400 cruzeiros novos.

CAPÍTULO III Anísia Gasparina, a preferida do Maracanãzinho


Maracanãzinho, Rio de Janeiro, noite de 1º de julho de 1967. Vindas de todos os estados, 25 lindas jovens e um sonho: ser coroada Miss Brasil 1967. Nas arquibancadas, cadeiras e mesas de pista, um público superior a 30 mil pessoas. Na comissão julgadora, dez homens e uma mulher. Entre os homens, duas figuras internacionais, Phillip Bottfel, ex-diretor do Miss Universo e Costa Rubio, coordenador de Miss Venezuela. A única mulher é Adalgisa Colombo, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.
Anísia Gasparina da Fonseca era a preferida do público. O entusiasmo de milhares de pessoas aumentava a cada entrada de Miss Brasília na passarela.


As oito finalistas, sem ordem de classificação, foram anunciadas: Miss Pará, Sônia Maria Ohana; Miss Estado do Rio, Maria da Graça Kuri; Miss Guanabara,Vera Lúcia de Castro; Miss Brasília, Anísia Gasparina da Fonseca; Miss Minas Gerais, Maria Juliana Garcia da Costa; Miss Paraná, Wilza de Oliveira Rainato; Miss Santa Catarina, Ujara Gudrun Jutahy; e Miss São Paulo, Carmen Sílvia de Barros Ramasco.
Momentos decisivos. Cláudia César, Miss Ceará, recebe a faixa de Miss Simpatia. Ana Cristina Ridzi, Miss Brasil 1966, despede-se do público e dá um conselho para as misses citando um trecho de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry : Tu és eternamente responsável por tudo aquilo que cativas. E aí começa a ser anunciado o resultado final: 4º lugar, Miss Brasília, Anísia Gasparina da Fonseca ; 3º lugar, Miss Pará, Sônia Maria Ohana; 2º lugar , Miss Paraná, Wilza de Oliveira Rainato; e 1º lugar, Miss São Paulo, Carmen Sílvia de Barros Ramasco.
O público vaia demoradamente. A sua preferida não se elegeu Miss Brasil.

As vitórias não precisam de explicação. Mas, no concurso para a escolha de Miss Brasil 1967, de sábado último, houve uma grande vitoriosa (Miss São Paulo) e apenas uma derrotada, Miss Brasília. Nem a primeira acreditava na vitória que o júri lhe deu, nem a segunda, delirantemente apoiada pelo público inteiro do Maracanãzinho, esperava a derrota que lhe coube.
( Justino Martins,revista MANCHETE - 15/07/1967 )

CAPÍTULO IV - Anísia Gasparina, uma das mulheres mais ricas do Planalto Central


      De volta a Brasília, Anísia empenhou-se na função de Relações Públicas do Departamento de Turismo e conheceu Valdomiro de Souza, um milionário de origem pobre, com quem casou e foi morar em Goiânia. Em dezembro de 1975, vivendo entre Brasília e a capital de Goiás, dona de mansões e fazendas com aeroportos particulares, Anísia deu o seguinte depoimento a Marlene Anna Galeazzi, publicado na revista FATOS & FOTOS, de 29/12/1975:

Quando lembro as coisas que passei para sobreviver, penso que é um sonho. Acho que hoje não teria condições de enfrentar, sempre sorrindo, as dificuldades dos anos passados. Graças a Deus, aos brasilienses e ao meu marido, que é também um pai para mim, pude ajudar a minha família. 

Eu lavava a loja, depois do expediente, em troca do direito de tomar um banho. No barraco, usávamos uma bacia velha para a higiene. Além, do mais, eu só voltava para casa depois da aula. Chegava todos os dias por volta da meia-noite e às cinco já estava pronta para enfrentar a longa viagem, de ônibus até o Plano Piloto.
Para poder definir realmente o que aconteceu, eu consegui na época, com muito esforço, decorar o que saiu publicado na MANCHETE de 15 de julho daquele ano: “As vitórias não precisam de explicação...”

Realmente, na época eu não tinha condições. Que pode fazer no exterior uma moça que só tem o terceiro ano primário, e que na vida só sabe a luta do dia-a-dia por uma sobrevivência decente, mas paupérrima?

Logo que casei, fui morar em Goiânia. Lá freqüentei o grupo escolar. Pela diferença de idade, as pessoas pensavam que eu era a professora. Curti muito aquela época. Aprender o que estava nos livros era um mundo novo que se abria. Depois fiz o Madureza, consegui terminar o ginásio, o científico, e fazer um curso de Educação Física. Só depois veio minha filha Karyna, que agora está com 10 meses.

Engraçado, às vezes sinto saudades daquela época, sabe o que é? A lembrança da educação que minha mãe, com toda sua humildade, nos deu. O carinho que ela dedicava aos filhos, dentro de um mísero barraco, me ajudou muito, principalmente agora. Graças a isso, não virei uma dondoca sem objetivos. Como agradecimento pelo que a vida me deu, procuro ajudar aos outros, através do Asilo São Catalengo, no interior de Goiás, onde pessoas de todas as raças e idades vão procurar um pouco de paz.


EPÍLOGO



      Termino aqui esta SESSÃO NOSTALGIA como se tivesse escrito um conto de fadas. Sem dúvida alguma, a história de Anísia Gasparina da Fonseca, Miss Brasília, quarta colocada no concurso Miss Brasil 1967, parece um conto de fadas, um fantástico conto de fadas dos mágicos anos sessenta.

*****

6 comentários:

Gigi disse...

Linda a historia dessa guerreira, que não mediu esforços e nem tão pouco se deu por vencida.
Parabéns Anisia!! Parabéns Daslan, vc esreve coisas maravilhosas!

ANCHIETA BATISTA disse...

Em 1967, uma linda moça pobre, de nome ANÍSIA GASPARINA DA FONSECA, morava em Taguatinga (Brasília) e trabalhava como doméstica para ajudar no sustento de sua mãe (lavadeira) e de seus irmãos. Por incentivo da patroa concorreu ao Miss Brasília, tendo sido a vencedora. No Miss Brasil, foi a mais aplaudida e a preferida do público no Maracanãzinho, mas só conseguiu o 4º lugar. Talvez sua falta de escolaridade tenha influenciado nisso, porque sua beleza era indubitavelmente inigualável. Eu, naquela época morava em Brasília e tive a satisfação de conhecê-la em uma das festas lá do clube da Marinha - o “Área Alfa”. Na mesma noite, lembro-me de haver comentado com um amigo: -“Como pôde Deus exagerar tanto na beleza dessa mulher?”
Muito longe de fazer-lhe justiça, dediquei-lhe maravilhado estes humildes versos:

VERSOS PARA ANÍSIA
.
Parai tudo, tudo quando,
Anísia com seu fulgor,
Luzindo o seu resplendor,
Fôr pela rua passando!

Recebei-a com carinho,
Vede só o quanto é bela,
jogai flores da janela,
Perfumando o seu caminho!

Oh! Daí ouvidos a mim,
Somente por um segundo:
- Bebida pra todo mundo,
Seu moço do botequim!

Guardas, agora parai
Todos os carros da rua,
Pois tão bela quanto a lua,
Anísia passando vai!

Contemplai sua beleza,
Soberana e irradiante...
Comparai-a neste instante,
Com a própria natureza!

Jogai-lhe flores cantando,
Retirai vossos chapéus,
Brilhai estrelas dos céus,
Pois Anísia vai passando!

Seu moço do violão,
Seu coração não palpita?
- Sole uma valsa bonita!
- Cante uma bela canção!

Poetas, versos falai!
Não vos inspirais bastante?
Fazei versos neste instante,
Que Anísia passando vai!

Tangei, sinos da Matriz!
Cantai, pardais, com fulgor!
Exala perfume, ó flor,
Que esta rua está feliz!

Abre alas, minha gente,
E, silêncio! – por bondade,
Porque Sua Majestade
Vai passando à nossa frente!
***
(Escrito no Bar Caravelle – então situado na W3 Sul – Julho/67
(José de Anchieta Batista)

VILA VERDE disse...

Nossa!
Pelo jeito, esta paixão é viva até hoje!

Carlos Vilaverde

Mara disse...

Gostaria de saber a continuação da história de vida da Anisia! Obrigada.

Anônimo disse...

isso e muiya coicidençia para min minha mae nasceu e cresceu em patos de minas e tambem tem o nome de gasparina moreira cardoso e mudou para goiania em 1965

Anônimo disse...

Essa sem duvida es a mais linda historia de uma miss brasileira que conheco, e de chorar e acrediatar mais e mais que Deus esta sempre presnete, nas ossas vidasç lindo..