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sábado, 16 de agosto de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Vera Lúcia Maia, a filha Miss de Nora Ney

Daslan Melo Lima         

          No dia 21 de outubro de 1943, na Casa de Saúde São Sebastião, em Laranjeiras, Rio de Janeiro, a contadora Iracema de Sousa Ferreira dava à luz uma linda menina morena que seria batizada com o nome de Vera Lúcia Ferreira Maia. Em 1950, Dona Iracema passou a ser conhecida em todo o Brasil com o nome de Nora Ney e se tornaria uma das grandes divas da música popular brasileira. Em 1963, a garota Vera Lúcia Maia seria eleita Miss Elegante Bangu; Miss Fluminense; Mascote da equipe japonesa que veio ao Rio disputar o Campeonato Mundial de Basquetebol; Miss Guanabara; Miss Simpatia; Terceira colocada no Miss Brasil, Miss Brasil nº 3, como se dizia na época; e semifinalista do Miss Mundo 1963.

VERA LÚCIA MAIA, MISS UNIVERSO DO CASTELINHO


Vera Lúcia Maia tinha 1,72 de altura, 58 Kg, 92 cm de busto,60 de cintura, 92 de quadris, 59 de coxa, 22 cm de tornozelo e trabalhava como instrumentadora do cirurgião plástico Marcos Spillman.


          Na noite da disputa pelo título de Miss Guanabara, ela não chegou a tempo para participar do primeiro desfile em conjunto. Motivo: estava visitando a mãe que tinha se submetido a uma operação plástica duas semanas antes. Vera encontrou fortes concorrentes no Maracanãzinho. A principal delas foi a mulata Aizita Nascimento, Miss Renascença, a preferida das 25 mil pessoas das arquibancadas e que terminou apenas em sexto lugar. A outra foi Eliane Silveira, Miss Riachuelo, com quem empatou para o primeiro lugar com 50 pontos, ganhando no desempate.


Na manhã de domingo, já eleita Miss Guanabara, Vera Lúcia foi confirmar seu título na praia do Arpoador, junto ao Castelinho. Ali se reúne a juventude sofisticada de Ipanema, que recentemente conferiu a Verinha um título original: Miss Universo do Castelinho. E quando, domingo, ela reapareceu na praia, foi coroada com um diadema de prata e pedras preciosas feito especialmente pelo artista Caio Mourão. Deram-lhe ainda um ”colar” extravagante, pois não passava de uma réstia de cebolas, e um “cetro” que na verdade era um archote de jacarandá. Em seguida, Verinha recebeu um banho de areia, sendo então levada ao famoso boteco chamado “Mau Cheiro”. O trânsito ficou interrompido por lindos brotinhos de biquíni, enquanto Miss GB percorria um tapete que se estendia da areia até a porta do “Mau Cheiro”, e que fora improvisado com as toalhas vermelhas das mesas. Um tipo popular chamado “Chita” (porque imita com perfeição a macaca de Tarzan) fez um discurso de louvor à vencedora, e o dono do botequim brindou-a com champanha francês. 
(Revista MANCHETE, 29/05/1963).

VERA LÚCIA MAIA E AS FAVORITAS DO MARACANÃZINHO

          As cariocas sempre estavam nas lista dos jornais e revistas como as mais cotadas para o título de Miss Brasil, mas no Maracanãzinho, palco da maior festa da beleza nacional desde 1958, o público, numa sintonia mágica impressionante, optava por suas favoritas, independente da condição social e dos Estados que elas representavam. E naquela noite de 22 de junho de 1963, para a maioria das 30 mil pessoas, a preferida não era a filha da famosa Nora Ney e sim uma gaúcha chamada Ieda Maria Brutto Vargas, filha do simples professor José Joaquim de Vargas.

          Na comissão julgadora estavam 11 pessoas: escultor Leão Veloso; cronista Jacinto de Thormes; jornalista Accioly Neto, diretor da revista O Cruzeiro; Vera Ribeiro, Miss Brasil 1959; Ministro Mauro Sales, presidente do júri; Terezinha Morango,Miss Brasil 1957; Vitor Boças, diretor de Turismo do Estado da Guanabara; Edda de Lutti, da sociedade paulista; jornalista Justino Martins,da revista Manchete, e o arquiteto Sérgio Bernardes.

                  Por ordem de classificação, as oito finalistas foram: Miss Rio Grande do Sul, Ieda Maria Brutto Vargas, melhor traje típico, eleita Miss Universo no mês seguinte, em Miami Beach; Miss Paraná, Maria Tânia Mara Franco de Souza, Miss Fotogenia, semifinalista no Miss Beleza Internacional, em Long Beach ; Miss Guanabara, Vera Lúcia Ferreira Maia, Miss Simpatia, semifinalista no Miss Mundo, em Londres; Miss Brasília, Denise Rocha de Almeida, vice-Miss Distrito Federal 1959, representante brasileira no Miss ONU, realizado em Majorca, Espanha; Miss São Paulo, Dirce Augustus; Miss Sergipe, Zélia Maria Mendonça Lopes; Miss Pará, Nilda Rodrigues de Medeiros; Miss Amazonas, Fátima das Neves Silva. O público considerou injusta a desclassificação de Miss Estado do Rio, Miriam Montenegro da Fonseca, cujo traje de gala em estilo grego foi o mais aplaudido do desfile.



          Na semana sequinte, a revista O Cruzeiro circulou com 22 páginas sobre o concurso, embora não tenha colocado as vitoriosas na capa, preferindo postar a imagem de Paulo VI, o novo Papa. É dela a foto de Vera em traje típico que ilustra estas memórias. As demais imagens são reproduções da Manchete. A revista Manchete saiu com 14 páginas sobre o evento e na capa Vera Lúcia Maia apareceu ao lado da loura paranaense Tânia Mara Franco, segunda colocada, e da gaúcha Ieda Maria Vargas, a nova Miss Brasil. Foi a segunda vez que a filha de Nora Ney saiu na capa da famosa revista da Bloch Editores.

               No ano de 1963, cinco  moças do norte e do nordeste fizeram grande sucesso na passarela do maracanãzinho: Miss Amazonas, Fátima das Neves Silva, oitava colocada; Miss Pará, Nilda Medeiros, sétima colocada, irmã de Gilda Medeiros, Miss Pará 1955. Nilda poderia ter conseguido a terceira colocação se não fosse a profunda cicatriz de vacina em seu braço, conforme observou um jornalista da Manchete; Miss Sergipe, Zélia Lopes, sexta colocada, que deveria ter ficado entre as três finalistas, se dependesse de um dos jurados; Miss Piauí, Maria da Consolação Teixeira, a grande esquecida do júri, segundo a revista O Cruzeiro; Miss Paraíba, Kalina Lígia Duarte Nogueira,que lembrava a atriz Anita Ekberg e cujo rosto foi considerado o mais belo do concurso.

Antes do desfile final, Verinha recebeu um convite de Maria Augusta para ser manequim da Socila. Aceitou. Era a única candidata que tinha marca de maiô biqini nas costas. 
(Manchete, 06/07/1963).

VERINHA, MENINA-AREIA-MACIA-DO-CASTELINHO

Verinha, Miss Brasil número 3, ganhou viagem à Europa. Representará o verde e o amarelo em Londres. Distila alegria por todos os poros. Ela ganhou o sonho: viajar na direção daquele mundinho antigo e bom. Espera ver o namorado em Milão. (O namorado fez parte do time de basquete italiano que jogou no mundial do Rio.) Está que é uma pilha de planos. Nem sequer reclamou contra a vaia organizada e dolosa que desabou sobre seu sorriso-desfile imperturbável. A vaia em seguida abafada pelas palmas, pela contravaia mais forte. Verinha, menina-areia-macia-do-Castelinho.
(Ubiratan de Lemos, revista O Cruzeiro, 13/07/1963)


          Foi a primeira vez que as misses desfilaram em trajes típicos e o de Vera chamava-se Calçadas do Rio, inspirado nos desenhos dos mosaicos das calçadas de Copacabana, em branco e preto, bordado em pedrarias, uma criação de Alceu Penna, responsável pela secção Garotas do Alceu, da revista O Cruzeiro. A mãe de um ex-namorado de Vera deu-lhe de presente no dia do desfile dois santinhos. Ela não teve dúvida alguma de prendê-los no maiô para dar sorte. Em Londres, Vera ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Mundo 1963, título conquistado por Carole Joan Craword, Miss Jamaica.

          Agora, vou fazer uma pausa e resgatar um pouco a história de sua mãe, Nora Ney, uma das maiores divas da canção popular brasileira de todos os tempos.

NORA NEY, UMA DIVA DA CANÇÃO


          Iracema de Sousa Ferreira, nome verdadeiro de Nora Ney, nasceu em 23/03/1922. Foi a primeira a gravar Tom Jobim; a primeira a gravar rock no Brasil, a versão de Rock Around The Clock, de Bill Halley, em 1955, e a primeira cantora a ganhar um Disco de Ouro no Brasil, com o sucesso Ninguém me Ama, de Antônio Maria e Fernando Lôbo. Além de Vera, Nora Ney também teve outro filho,o Hélio, ambos frutos de seu casamento com Cleido. Sua vida conjugal foi turbulenta e o casamento acabou em desquite litigioso. Seu relacionamento com o cantor Jorge Goulart teve início em 1953 e a feliz união foi oficializada em 1992. Nora Ney, que aparece nesta matéria em fotos capturadas da web, morreu aos 81 anos, em 28/10/2003, em decorrência das sequelas de um AVC-Acidente Vascular Cerebral de que foi vítima anos antes.


Em fins de 1951, Iracema ainda freqüentadora do Sinatra-Farney Fã-Clube, onde cantava nas tardes de domingo acompanhada pelo acordeom de João Donato e o piano de Johnny Alf, dois garotinhos imberbes, foi levada para a Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Aí já sob o nome de Nora May (o Ney viria depois), estreou cantando em inglês com seu grave vozeirão. Em 1953 já era ídolo nacional, cantando samba-canção, naturalmente em português. Contratada pela Rádio Nacional, era ouvida pelo Brasil inteiro todas as noites no famoso programa Ritmos da Panair, transmitido diretamente da boate Midnight, do Copacabana Palace Hotel. Foi aí que conheceu o cantor Jorge Goulart, seu companheiro na vida e carreira a partir de então. Gravou Ninguém Me Ama (de Antônio Maria e Fernando Lobo), Menino Grande (só do Maria), De Cigarro em Cigarro (Luiz Bonfá), com imenso sucesso e, nesse mesmo ano, foi eleita Rainha do Rádio.


Cada gravação de Nora Ney era sucesso garantido e ela foi em seqüência: Preconceito (Antônio Maria/Fernando Lobo);É Tão Gostoso, Seu Moço (Mário Lago/Chocolate); Aves Daninhas (Lupicínio Rodrigues); Se Eu Morresse Amanhã (Antônio Maria); Só Louco (Dorival Caymmi); Vai Mesmo (Ataulfo Alves). Em companhia de Jorge Goulart e outros artistas brasileiros, excursiona longamente pela Europa, Américas, África, Oriente Médio e Ásia, com amplo sucesso, transformando-se na maior divulgadora da música popular brasileira em países até então jamais visitados por artistas nacionais. 
(Arley Pereira - A História da Música Brasileira Por Seus Autores e Intérpretes - SESC/TV Cultura).

EPÍLOGO - Vera Lúcia Maia, pela vida afora menos famosa do que a mãe

          Vera Lúcia não compareceu no ano seguinte ao Maracanãzinho para passar a faixa à sua sucessora no trono de Miss Guanabara. O Brasil vivia uma fase política atípica, em decorrência do Golpe Militar de 31/03/1964. Nora Ney e Jorge Goulart tinham assumido pubicamente que eram comunistas. O casal teve de se auto-exilar, passando oito anos fora do Brasil.

          Faz uns dez anos que me surpreendi com uma senhora extrovertida e bem humorada, acompanhada de um cachorrinho de estimação, dando uma entrevista no programa da Hebe Camargo. O assunto girava em torno de senhoras da sociedade que faziam questão de viajar com seus pequenos cães. Entendi a entrevistada dizer que estava viúva e que tinha um filho que morava em Milão. Só identifiquei que aquela era Vera Lúcia Ferreira Maia no momento em que Hebe Camargo citou o nome de Nora Ney.

          Daquelas 24 lindas jovens que disputaram o título de Miss Brasil 1963, só uma era filha de uma diva. Só uma continuará pela vida afora sendo menos famosa do que a mãe: Vera Lúcia Ferreira Maia, Verinha, a filha Miss de Nora Ney.

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5 comentários:

Unknown disse...

Daslan você é um excelente pesquisador jornalístico e foi com muita alegria que conheci o seu blog.Tão longe mas tão perto de mim!!!!Obrigada pelo seu carinho e relembrar momentos magnificos da minha vida!!!!!E de quem tenho saudades inenarráveis,minha mãe a diseuse Nora Ney!!!!
Carinhosamente
Vera Lucia Maia

Anônimo disse...

estou fazendo uma retropectiva do cpc da une , nos anos 1962-1963, e me recordo de que a Sra era amiga do Oduvaldo Vianna Filho, é verdade o fato. nesta época eue ra da diretoria da Une , sendoque dia lhe recebi, quando procurava pelo Oduvaldo

sonia disse...

Tenho o privilegio de ser amiga de Vera Maia!Ela é a miss do alto astral,da solidariedade,da sinceridade...Vera é uma pessoa unica,que bom fazer parte dos amigos que podem se deliciar com os papos e as estorias que ela tem para contar!

Unknown disse...

Obrigadíssimo pelas notícias sobre Vera Lúcia Maia ( a filha de Nora Ney ). Por favor, queremos mais matéria ( contemporânea ) sobre a adorável Vera Lúcia.

Unknown disse...

Que bom saber de Vera Lucia, a filha de Nora Ney! Saudades daqueles anos 60. Vera Lucia foi nossa musa. Façam outra matéria ( atual ) sobre ela para matar as saudades. Obrigado.