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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 649, referente ao período de 11 a 17 de dezembro de 2017. ***** Grato por sua atenção.

sábado, 11 de outubro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Recife, uma Miss em cada esquina

Daslan Melo Lima

      Na nublada manhã do nono dia de outubro de 2014, de mãos dadas com o Vento e a Poesia, caminho sem pressa alguma pelas ruas do centro do Recife. Entre tantas coisas para admirar e recordar, o adolescente que um dia eu fui mergulha no túnel do tempo e vai ao encontro de algumas misses que conheceu nas esquinas do Recife.

Praça  Maciel Pinheiro,
  esquina com a rua do Aragão
Era 1968. A baiana Martha Vasconcellos tinha sido eleita Miss Universo e veio ao Recife para um desfile no Clube Português.  A multidão tomava conta da Praça Maciel Pinheiro, sob o olhar atento de dezenas de policiais posicionados na frente do Hotel São Domingos, um dos hotéis mais chiques de Pernambuco. Martha Vasconcellos usava imensos óculos escuros. Centenas de pessoas gritavam: Tira ! Tira ! Tira !  Com muito esforço, consegui aproximar-me da porta principal do prédio, ao tempo de ver de perto Martha abrir um sorriso encantador e tirar os óculos.  Da sacada do seu apartamento, no segundo andar, ela jogou beijos e acenou para a multidão. 
Antes de deixar a praça, vi saindo do São Domingos Maria Eunice Mergulhão Maciel, Miss Pernambuco 1968, e Nadia Lins de Albuquerque (1949-2012), Miss Sport Club do Recife, finalista no Miss Pernambuco 1968, e que meses depois seria eleita Miss Objetiva do Brasil e vice-Miss Objetiva Internacional 1968.
Martha Vasconcellos, Miss Universo 1968, com o penteado que usava ao chegar no Recife.
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Eunice Mergulhão, Miss Pernambuco 1968
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Naida Lins de Albuquerque, Miss Objetiva do Brasil 1968
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Rua da Palma,
 esquina com a Matias de Albuquerque 

Neste imóvel funcionava o cinema Art-Palácio. No final de uma tarde muito movimentada, vi passar Virgínia Helena Gomes, Miss Clube Náutco Capibaribe, terceiro lugar no Miss Pernambuco, Miss Paraíba e quarto lugar no Miss Brasil 1981. A morena passou flutuando, como se estivesse numa mágica passarela imaginária. Ela ia em direção à filial da loja Ele & Ela, onde fazia parte da equipe de modelos. Eu estava ao lado de uns amigos que cumprimentaram a beldade e com ela conversamos por alguns minutos.  
Virgínia Helena, Miss Paraíba 1981
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Avenida Dantas Barreto,
 esquina com a Rua Nova 
Lembro que era início de noite. Eu vinha pela rua Nova e, ao dobrar à esquerda, encontrei  Alda Maria Simonetti Maia, Miss Pernambuco 1965,  entrando na Igreja Matriz de Santo Antônio.  
Alda Maria Simonetti Maia, Miss Pernambuco 1965

E foi na rua Nova, na filial da cadeia de lojas Casas Pernambucanas,  que recebi das mãos de Lucia Tavares Petterle, Miss  Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss  Mundo 1972, o poster abaixo.
Lúcia Tavares Petterle, Miss Mundo 1968 
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Praça da Independência, 
esquina com a rua Duque de Caxias 
No térreo deste prédio existia a loja Dias Junior, umas das empresas parceiras do concurso Miss Pernambuco.  Lembro de ter visto Cortadora de cana, o belo e singelo traje típico que Alda Maria Simonetti Maia, Miss Pernambuco, usou no Miss Brasil 1965, exposto por dias e dias na vitrine.
Alda Maria Simonetti Maia, Miss Pernambuco 1965, em traje típico

Na praça da Independência, também conhecida como pracinha do Diario, encontra-se o prédio onde funcionou a redação e oficinas do Diario de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação na América Latina,  órgão dos Diários e Emissoras Associados, principal patrocinador do concurso Miss Brasil até o ano de 1980.
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              A tarde nublada deu lugar à noite e o adolescente que fui  emerge do túnel do tempo. De mãos dadas com ele, o Vento  e a Poesia,  continuo caminhando sem pressa alguma, cantarolando Tocando em Frente, a bela canção de Renato Teixeira que tem tudo a ver com o outono da minha caminhada. 

                              Ando devagar por que já tive pressa
e levo este sorriso por que já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
só levo a certeza de que muito pouco sei e nada sei. 

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra poder pulsar.
É preciso paz pra poder sorrir.
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha e ir tocando em frente.
Como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou. Estrada eu sou.

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora.
Um dia a gente chega, no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história.
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz.

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3 comentários:

Anônimo disse...

Belos e saudosos relatos, Daslan.

Eu também tive um encontro casual com a Miss Pernambuco de 1972 e quarta colocada no Miss Brasil, Maria Madalena Tavares Jácome da Costa Brito.

Era quase meio-dia de um dia ensolarado, num meio de semana. Estava defronte aos Correios da Av. Guararapes. Madalena vestia um conjunto blazer listrado e calças na tonalidade marfim. Portava várias cartas que acredito deveriam ter por destino a cidade de Natal, onde residiam seus parentes. Minha timidez foi maior do que a coragem que não tive para pedir um simples autógrafo. Mas valeu o encontro com uma das minhas misses da adolescência e que tive o prazer e assistir "in loco" sua eleição no Geraldão.

Uma ótima semana.

Muciolo Ferreira

Anônimo disse...

Lindas misses!Em especial a candidata de SE para o MBL;gostaria que transmitissem pela internet.Lbemro bem de Nádia!Abraços,Japão

Anônimo disse...

Eu assisti a toda essa movimentação, pois trabalhava ali na Praça Maciel Pinheiro, n.º 363 - DROGARIA D MARQUES, e todo e qualquer evento que houvesse no São Domingos, na época um dos mais importantes hotéis do Recife, eu e meus colegas presenciávamos: Chegada de artistas, equipes de futebol como o Santos e Botafogo, MISS, grandes orquestras e os ídolos da Jovem Guarda. Momentos bons aqueles e que no tempo não apagará de nossa lembrança.
Jeová Barboza de Lira Cavalcanti