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sábado, 24 de junho de 2017

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Maria Eduarda Regis, memórias de uma intercambista na Nova Zelândia

>>>>> Aluna da Eremt fala das emoções e de como amadureceu longe de casa.


           Quando você muda de país para fazer um intercâmbio você não tem a mínima ideia do que vem pela frente. Você consegue imaginar algo, idealizar momentos, você até tenta, mas quando chega ao destino TUDO é completamente diferente do que você pensou e do que te disseram. Nos primeiros minutos o frio na barriga ataca e o nervosismo também. São tantas dúvidas que você acha que já respondeu, mas na verdade você realmente não o fez. Diziam-me que o primeiro mês era o mais difícil, mas nunca me explicaram que eu me veria só na minha cama durante a noite chorando com saudade dos meus pais. Não me avisaram que o choque da mudança drástica de rotina, temperatura e fuso-horário iriam afetar integralmente na minha vida. Minha alimentação mudou, meus horários mudaram, meus hábitos mudaram e passar por tudo isso no começo foi muito doloroso, principalmente por estar longe da minha família. Ninguém me contou que às vezes eu precisaria de um abraço, mas eu não teria quem abraçar e que, eu não teria a quem expressar o que eu sentia da maneira que eu queria, porque eu não confiava nas pessoas e não me via capaz de botar tudo para fora. Quando você vai para um intercâmbio você pega todo o pacote: todas as coisas legais e divertidas, mas também todas as coisas ruins que você tem que aprender, sozinho, a viver com apenas 17 anos. 


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Duda Regis, como é carinhosamente conhecida, ladeada pelos pais Danielli e Fabio Regis. Duda deseja cursar Medicina.
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          O segundo mês já é mais leve, você começa a se sentir independente e quer desesperadamente sair para conhecer tudo de uma vez só. Você aprende a fazer uma refeição decente por conta própria, se habitua a lavar prato e fazer faxina, coisas que antes você não fazia. Aprende que nem sempre você estará acompanhado na hora do jantar e que a solidão, em muitos momentos de sua vida, será sua melhor amiga. Você se sente independente porque você não precisa mais pedir para ir para os lugares (só avisar por consideração) e você pode gastar seu dinheiro do jeito que você quer. O mesmo dinheiro que você usa para comprar chocolate e roupas é usado para comprar seus itens de necessidade básica e depois de certo tempo você se vê fazendo contas e separando as quantias igual você via seus pais fazendo. Você vai passar por situações de aperto financeiro e talvez você até chegue a chorar quando todo o seu dinheiro for embora em um único dia sem você perceber, e vai ser nesse momento que você se dá conta que cresceu e que já não é mais aquela criança bancada por mamãe e papai. 
          O intercâmbio me fez crescer cinco anos em cinco meses e eu não exagero ao falar isso. Tudo que eu faço é de total responsabilidade minha e, qualquer mínima coisa que eu desejar, eu é quem tenho que fazer. No terceiro mês você já tá tão acostumado com tudo aquilo que não é nem mais novidade, quando você vê já faz tudo parte da sua vida. No quarto mês você percebe que já não é mais o mesmo de 16/17 semanas atrás, e percebe que, sem perceber, você criou uma vida TOTALMENTE diferente da que você tinha antes. Seus hábitos alimentares mudam. Seus horários de estudo, descanso, almoço, janta mudaram completamente. Seu gosto musical já não é o mesmo, e seus desejos e sonhos passam a ser outros. Você percebe que sua dieta mudou e que, agora você é apaixonado por brócolis e pimenta. 17 graus para você agora é calor, e você fica torcendo para que essa seja a máxima do dia. 

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Duda Regis em Auckland, o principal centro financeiro e econômico da Nova Zelândia. 
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          Quando você se dá conta o último mês chega e com ele a saudade antecipada. Um filme passa pela sua cabeça e você então se dá conta que agora vai ter que deixar para trás tudo aquilo que você teve tanto esforço para construir: a relação com a escola, amigos e, principalmente, com sua família que te acolheu com tanto amor. A família a qual você será sempre grato apesar de toda as vezes que você ficou chateada com algum membro dela, porque afinal, somos todos humanos. Em minha opinião a dor de voltar pra casa é maior do que a de vir para o intercâmbio. Quando você deixa sua casa de origem você sabe que você vai voltar para tudo o que você tinha antes e que você vai ver todas (ou a maioria) das pessoas relacionadas com você. Quando você está indo embora/voltando para casa de origem, você entra no avião cheio de dúvidas. Você não sabe se, e quando, verá tudo aquilo que faz parte da sua história, novamente. Você tem que ser forte e deixar para trás aquela nova vida que você construiu, e olhar só para as lembranças e memórias que restaram. Hoje me resta apenas 1 dia aqui na Nova Zelândia e tudo que eu vivi foi um sonho. 
          Passou tão rápido que eu nem senti. Lembro-me das primeiras reuniões de orientação com a agência, as dúvidas bobas (tão bobas que vocês nem imaginam) e o quanto eu ficava ansiosa para saber sempre mais sobre minha jornada. Lembro-me também do passo a passo, eu preenchendo documento de visto, matrícula da escola e toda a correria antes da viagem. Para mim os dias passavam tão lentamente contra minha vontade que eu não conseguia nem dormir de tanta ansiedade. Agora, eu não quero mais que os dias passem, quero congelar o tempo ou volta-lo, mas nem tudo é como queremos, e nossos sonhos só são sonhos enquanto dormimos, porque a graça de ter sonhos é essa, poder voltar para a realidade ao acordar, e assim, almejar algo maior novamente.
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Maria Eduarda Regis, 17 anos, intercambista Nova Zelândia 2017.1

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A mesma matéria na versão para o jornal impresso CORREIO DE NOTÍCIAS, junho/2017
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3 comentários:

Edgar Bartolomeu disse...

Beleza de postagem!

Paula Francinete disse...

Gostei tb.Faltou vc falar de sua nova família de lá.Seria interessante para os novos alunos que irão fazer intercâmbio.Eles teriam uma ideia melhor.Faça outra matéria. Parabéns

DASLAN MELO LIMA disse...

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Recado para Paula Francinete
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Vou conversar com Maria Eduarda para que elabore um texto descrevendo o perfil dos seus anfitriões da Nova Zelândia.
Grato pela sugestão.