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sábado, 7 de julho de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - João Botafogo em entrevista exclusiva: "Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha"

Daslan Melo Lima                

          O economista pernambucano João Botafogo gosta muito do assunto Miss. Possui milhares de revistas e mais de três mil fotos. “Adoro mandar digitalizar imagens publicadas nas revistas antigas. Mando proceder um tratamento especial e imprimir. As imagens ficam excelentes”, confessa.  Embora reservado e avesso a aparições, gosta de colaborar e dar sugestões a este e outros blogs que focalizam as misses de ontem e de hoje.  Com exclusividade, João Botafogo concordou em falar sobre os concursos de beleza e as misses que se tornaram inesquecíveis em sua vida. 
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PASSARELA CULTURAL  - Quais as suas misses inesquecíveis?
JOÃO BOTAFOGO - Citarei apenas a antiga “Namorada do Brasil”: Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1954.


Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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PC - Qual a jovem mais injustiçada da história do Miss Brasil?

JB – Lenita da Conceição Barros Gomes, Miss Maranhão 1959.

Lenita da Conceição Barros Gomes
Miss Maranhão 1959

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PC - Qual a brasileira mais injustiçada em um concurso internacional?
JB – Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil 1964. Injustiçada no Miss Beleza Internacional 1964, quando lhe deram o terceiro e o não o primeiro lugar. 


Vera Lúcia Couto Santos
Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964
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PC - Qual a Miss Brasil que teria sido uma excelente Miss Universo?
JB – Vou citar os nomes de três: Martha Rocha (1954), Adalgisa Colombo (1958) e Martha Jussara da Costa (1979).


Marta Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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 Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1958
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Martha Jussara da Costa
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979
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PC – Qual a maior diferença dos concursos de ontem para os de hoje?
JB – Antigamente eram concursos empíricos, porém, as brasileiras eram bem preparadas. Maria Augusta da Socila entendia do assunto. Hoje, tem muita tecnologia e cirurgias plásticas. Sou contra.


Maria Augusta Thurmann Nielsen (1923-2009), a Maria Augusta da Socila, mestra da elegância e etiqueta, grande preparadora de misses. (Foto: acervo da família, publicada na revista Caras).
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PC – Você aconselharia uma jovem da sua família a disputar um título de Miss?
JB – Só se eu tivesse certeza que ela ganharia o Miss Brasil e estivesse bem preparada para o Miss Universo.
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PC – A atual Miss Espanha é uma mulher trans. O que acha?
JB –  Nada contra a sexualidade, mas existem concursos específicos para as trans.
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PC – Qual a mais bela Miss que você conheceu pessoalmente?
JB – Martha Rocha, perfeita. Conheci a eterna Miss Brasil na Feira da Providência, no Rio de Janeiro, em 1972. Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha.
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954, em foto da década de 1970 
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PC – Qual o mais belo concurso de Miss?
JB – O Miss Universo de 1987, realizado no World Trade Center, em Singapura. 


World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
Top 10 do Miss Universo 1987 
Da esquerda para a direita:  Roberta Capua, Miss Itália; Geraldine Edith Pebbles Asis, Miss Filipinas; Jessica Patricia Newton Vasquez-Saenz, Miss Peru; Marione Nicole Teo, Miss Singapura; Carmelita Louise Ariza, Miss Turks & Caicos; Cecilia Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile; Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia; Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos; Inés Maria Calero Rodríguez, Miss Venezuela; e Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico.
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
O apresentador Bob Baker e Cecília Bolocco, Miss Chile. Atrás, Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
Top 5 do concurso Miss Universo 1987 
Da esquerda para a direita: Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos, terceiro lugar; Roberta Capua, Miss Itália, segundo; Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico, quinto; Cecília Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile, primeira colocada; e Inés Maria Calero Rodriguez, Miss Venezuela, quarto lugar. 
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PC – O que acha da ausência dos trajes típicos no Miss Brasil?
JB – Não sinto falta. Antigamente eram trajes típicos mesmo, das regiões, mas  depois ficaram parecendo fantasias de carnaval. Lembro-me do traje típico de Martha Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil 1979. O traje se destacou muito. Tratava-se de uma homenagem a Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, educadora, escritora e poetisa potiguar, considerada a primeira feminista do Brasil. Uma referência cultural muito importante. 


Martha Jussara da Costa 
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979

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PC – Você concorda com quem defende a proposta de que cada miss estadual deveria levar o seu vestido para o Miss Brasil?
JB – Plenamente, divulgaria os estilistas dos seus Estados, pois hoje os trajes de gala são todos semelhantes, até na cor, padronizados. Entre tantos vestidos belos do passado, lembro-me do modelo usado por Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil e Top 15 no Miss Universo 1965. Ela é uma das minhas queridas. Deveria ter sido Top 5 no Miss Universo.


Maria Raquel Helena de Andrade
Miss Guanabara, Miss Brasil, Top 15 no Miss Universo 1965

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PC – Cite um ponto positivo e outro negativo dos concursos promovidos na chamada era Silvio Santos.
JB – Positivo, ter escolhido a paraense Celice Pinto Marques como a Miss Brasil 1982. Negativo, omito-me em falar. Não me sinto à vontade para apontar erros. Tenho o meu gosto, mas não sou “expert” em organização de eventos de beleza.


Celice Pinto Marques da Silva
Miss Pará, Miss Brasil, Top 12 no Miss Universo 1982
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PC – O que falta para os concursos de misses no Brasil despertarem aquele entusiasmo similar ao da Copa do Mundo dos anos 50 e 60?
JB – É difícil pensar numa sugestão. O futebol está no sangue do brasileiro e os concursos de beleza jamais alcançariam esse patamar. Tudo vem espontaneamente.
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PC - Fique à vontade para acrescentar outros comentários que julgar necessários.
JB - Gostei muito da nossa conversa, Daslan Melo Lima. Não citarei mais opiniões, a fim de não causar celeuma. Sou muito controverso. Agradeço a sua gentileza por ter se lembrado de mim para esta entrevista. Estarei sempre à sua disposição.
PC - Grato por sua atenção, João Botafogo. Um abraço.
         
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sábado, 3 de maio de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Josefa Soares, a empregada doméstica de Itabaiana, PB, que virou nobre italiana. Princesa Josepha Massimo

Daslan Melo Lima

       Ela não foi Miss, mas brilhou nas passarelas nacionais e internacionais como modelo. Seu nome, Josepha (1945-2009), nome artístico de Josefa Domingos Soares, que passou a se chamar Josepha Massimo quando casou com o nobre italiano Vittorio Emanuele Massimo (1911-1983), Principe di Roccasecca dei Volsci, tornando-se Princesa di Roccasecca dei Volsci. Josepha Massimo morreu na Itália em 31/07/2009. 
         Na primeira Sessão Nostalgia deste maio das noivas e das mães, vamos recordar a trajetória de uma garota humilde predestinada ao sucesso, através de duas revistas antigas, ambas preciosidades do meu acervo. 


JOSEPHA, A CINDERELA DE BALMAIN

     
      
      A revista O Cruzeiro, de 10 de maio de 1972, circulou nas bancas de todo o Brasil trazendo na capa uma jovem de 27 anos de idade. A chamada de capa, no canto inferior direito dizia “De Empregadinha a Modelo”. Abaixo, reprodução da reportagem de quatro páginas, com texto e fotos de Marisa Alves de Lima.

      Os ingredientes são do conto de Cinderela; mas não é fantasia a história da ex-Josefa, cozinheira há seis anos da família Bello, que se transformou em Josepha, fotografada para revistas do exterior e um dos modelos mais sofisticados do Brasil.  Numa   seleção rigorosíssima, ela foi escolhida pelo costureiro Pierre Balmain para os desfiles que fez no Rio. A seu lado, uma Camille (modelo de Givenchy) e Lúcia Peterle (Miss Mundo).
       Há 27 aos, nascia numa humilde casa de lavradores, em Itabaiana, interior da Paraíba. Uma vida dura com os irmãos, desde pequenos levando lenha às costas e com a mão firme na enxada aguentando o sol de rachar. Os dedos longos, de unhas tratadas, belíssimos, que hoje ajeitam com graça um detalhe no vestido, são quase que uma prova de mutação. Custa crer que esta mulher atraente, linda, de traços angulosos no rosto de maças salientes – inveja de muitos manequins - possa ter passado, até seis meses atrás, por uma vida dividida entre enxadas e cozinha.
     


     
      Em Itabaiana, ela sonhava com a cidade grande, a possibilidade de uma vida melhor. Quando mocinha, ensinava catecismo às crianças da roça. No fim da tarde, ia para seu quarto e a imagem refletida no espelho do armário tosco dava-lhe a certeza de que não iria passar o resto dos seus dias ali. A oportunidade surgiu quando a família Bello a trouxe como cozinheira para o Rio: ainda não tinha completado 21 anos. Com a ideia de vir para a cidade grande, fez tudo o que estava a seu alcance: aumentou a idade, convenceu os pais, em segundos preparou um embrulho com as poucas roupas que tinha.

      No Rio estava deslumbrada. Seu jeito delicado, a atenção e o carinho que dedicava aos patrões, a comida que preparava com capricho fizeram dela mais do que uma empregada: era considerada quase uma pessoa da família.   Josepha na rua, cabelos longos cor de cobre, pele morena como a canela, óculos escuros enormes, calças compridas. Quando os caixeiros do armazém a viam carregando as sacolas de compras da patroa, não entendiam mais nada: Josepha, um sucesso.  Na volta para casa, o universo, o forno e o fogão que enfrentava sem medo. De brincadeira, muitos maridos sorriam para ela, olhavam para suas mulheres e diziam: “Foi uma cozinheira assim que eu pedi a Deus.” Josepha atenciosa, simples, sem afetação: estava contente onde era bem tratada, e sonhava, sem ousar pretender, com a ideia de poder usar um dia os vestidos elegantes que via nas revistas e que seu ordenado modesto não permitia comprar.
     
    
      Foi na porta do edifício, ao lado do banco onde fora descontar um cheque para o patrão que “a sorte me caiu do céu”, como diz, sorridente. Estava procurando a sala onde teria que fazer o pagamento “quando desce do elevador uma loura elegantíssima, fica parada me olhando e depois me pergunta se eu era manequim da Socila. Ela se espantou quando eu disse que era cozinheira, me chamava Josefa, havia nascido na Paraíba e nunca tinha ouvido falar em Socila”.   A loura era Lígia Carrato que, com Maria Augusta, criou o instituto de beleza e escola de manequim que tem lançado nas passarelas e concursos gente famosa como Ilka Soares, Camille, Florinda Bolkan, Marisa Urban, Márcia de Windsor, Lucia Peterle, Rogéria Martins, Vera Barreto Leite, Martha Vasconcellos e Ieda Maria Vargas.
     - Esta Josepha francamente me impressionou. Senti de imediato que poderia fazer daquela mulher um modelo excepcional. Não é a primeira vez que o olho clínico de Lígia funciona. Mulher dinâmica, sensível, criativa, acostumada a lidar com gente que sonha com beleza e elegância – da mesma forma que seu marido, o cirurgião plástico Rogério Carrato, responsável, tanto quanto ela, por transformações incríveis - ofereceu a Josepha um curso completo na Socila. Seis meses de aula: postura, andamento, etiqueta, maquilagem, vestuário. A paciência da família, que passou a ter uma cozinheira-modelo com falta de tempo para ser um modelo de cozinheira, como dantes.

       
        - Parecia um sonho. Eu custava a acreditar que pudesse ser verdade. Na Socila providenciavam para que eu começasse a ser conhecida. Minha história interessava a todo mundo. Fui convidada para o programa do Sílvio Santos e o do Chacrinha, ganhando cachê, passagem, hotel, tudo. Fui logo contratada como recepcionista no carnaval e tive proposta para ser modelo nas coleções da etiqueta Piccola, onde trabalho até hoje.
      Pelas ruas, Josepha começa a ser reconhecida como a cinderela apresentada pelos jornais e televisão. Seu tipo esguio realçado pela elegância adquirida, o rosto de uma beleza estranha, inconfundível, chamam a atenção por onde quer que ande.  Gentil e atenciosa, pontual, paciente. Profissional que olha a lente da máquina fotográfica com uma segurança inacreditável.
           
      
       Enilsa, do salão de Jambert, que a maquiou para a reportagem, acha que ela tem um rosto perfeito: nada a corrigir. Enquanto criava os penteados para Josepha, Silvinho chamava  a atenção para seu rosto “angulosíssimo”,  e dizia: -  Josepha pode vir a ser uma das maiores divas como manequim. Tudo depende da sorte, que, parece, não lhe falta. É preciso notar que ela é um dos poucos modelos de rosto tipicamente brasileiro. Estou entusiasmado com ela e não hesitei em indicá-la ao Pierre Balmain. Foi o sucesso que se viu. Ele até a convidou para desfilar em Paris. Uma glória total.



    Josepha acha que tudo está bom demais. Seus olhos oblíquos não deixam passar despercebido qualquer detalhe que se refira à sua nova profissão. Sabe que enfrentará sacrifícios, esperas, horários de comer e dormir irregulares. Mas as compensações não serão poucas e ela sorri de novo com “a sorte que me caiu do céu” e tomou a forma de “uma fada loura” que transformou inteiramente sua vida. Da Josefa cozinheira resta apenas a humildade de quem sempre quer aprender mais.

        
PRINCESA JOSEPHA, A CINDERELA BRASILEIRA

     A revista Manchete, de 31 de janeiro de 1987, circulou com uma matéria de duas páginas falando da vida que Josepha levava na Itália. A reportagem de Arnaldo Bloch, ilustrada por fotos de  João Silva,  informava que a famosa paraibana estava víuva do Príncipe Vittorio Massimo e tinha vindo passar  o Natal no Brasil  depois de mais de uma década vivendo na Europa. “Cortejada nos mais sofisticados salões europeus, ainda conserva no português arranhado resquícios do antigo sotaque nordestino, após 13 anos fora do Brasil, e ostenta um respeitável e fluente italiano.”
     
    
  (...) Em 1976, já familiarizada com o idiona, e circulando na alta sociedade italiana, a top model Josepha Domingos conheceu o Príncipe Vittorio Massimo, pertencente a uma das mais antigas famílias da nobreza italiana. Menos  de um ano antes, Josepha era recebida no Palácio Grimaldi, em Monte Carlo, pelo Príncipe Rainier e a Princesa Grace, travando seu primeiro contato importante com a nobreza. E foi na Páscoa de 76, durante um jantar que o Príncipe Vittorio oferecia sem seu palácio, o Castelo Scoranno, que Josepha foi galantemente cortejada, “Vittorio, na época com 65 anos, havia desfeito recentemente seu segundo casamento, com a atriz inglesa Dawn Adams, com quem tem um filho, o Príncipe Stefano, hoje com 22 anos. Mas, apesar disto, Josepha recebeu o título de Única Princesa Massimo, já que Vittorio tratou de providenciar rapidamente a anulação dos casamentos anteriores. Assim, oito dias após o primeiro convite,  Josepha recebia, atônita, das mãos nobres de Vittorio, a aliança de noivado que selaria a união do novo casal. Nove meses depois, desta vez na véspera do Natal, casavam-se no mesmo castelo em que o romance começou.
    
      
      O súbito casamento obrigou Josepha a diminuir o ritmo de sua carreira profissional, mas ela não parou de desfila.  No final de 78, a carga de responsabilidade, que até então era apenas social e profissional, aumentou com o nascimento de Mizina, a nova princesinha da dinastia Massimo. “O amor que eu já sentia por Vittorio, e a certeza de que ele era realmente o homem de minha vida, aumentou com a chegada de Mizina”  recorda Josepha, emocionada. Após cinco anos de felicidade e riqueza, a harmonia seria interrompida. Aos 72 anos, o Príncipe Vittorio Massimo falecia em Roma, deixando suas duas princesas sozinhas no Castelo Scoranno.
    Josepha resolveu mudar de vida. Desorientada na imensidão do palácio, em meio a uma criadagem de 50 empregados, ela vendeu o Scoranno e comprou um apartamento no centro de Roma. “Com a morte de Vittorio, desabou a primeira coluna, e a segunda não pôde suportar tanto peso. Agora, levo minha filhinha à escola, e moro num apartamento, onde me sinto menos solitária e mais próxima de tudo” – conta a princesa. Apartamento notável, aliás. São 600 metros quadrados distribuídos por um luxuoso duplex. Alé, disso, Josepha mantem no centro de Roma um outro castelo, o Palácio Massimo, onde conserva-se a capela em que Paolo Massimo, patriarca pioneiro da família, recebeu, há mais de 2 mil anos, dois milagres consecutivos, segundo contam os escritos. Os imóveis Massimo não param por aí: entre suas posses, a família tem, também no centro de Roma, um museu etrusco, construído pelo próprio Vittorio, estudioso apaixonado da civilização que precedeu a velha Roma. A Princesa Josepha herdou do marido também esse hobby, que hoje cultiva nas horas vagas. Além disso, Josepha é escultora, e dedica-se à restauração de molduras antigas, oferecendo seus cuidadosos serviços a um número bem reduzido de amigos, donos de obras valiosas. Ela também é atraída pela leitura de antigos manuscritos históricos, e estuda a trajetória da arte através dos séculos. Quanto á música, professa um verdadeiro culto por Beethoven. “Até as princesas têm seus momentos de fossa – diz ela – e nada melhor para curar uma fossa do que a música de Beethoven! – garante Josepha.

      
      
       A reportagem afirmava  que duas irmãs de Josepha, Maria José e Ilona, foram preparadas por Maria Augusta Nielsen (1923-2009), a Maria Augusta da Socila,  desfilaram nas passarelas do velho mundo e  apareceram nas páginas de revistas como Vogue, Bazaar e Show Fashion Internazionalle. Ilona casou com o industrial italiano Tullio Montanari e Maria José vivia entre a Europa e um sitio em São Gonçalo. E mais: Adriana Soares, filha de Maria José, estava sendo preparada para a carreira de modelo internacional. A propósito da volta de Josepha às passarelas, "em março vai participar da mostra internacional Moditinne, que acontece todos os anos em Milão, com trabalhos de mais de dois mil expositores. Josepha, novamente acompanhada de suas irmãs e mais 10 manequins, vestirá os modelos da última coleção do estilista Mosé.


MIZINA MASSIMO, A HERDEIRA DE JOSEPHA


          A italiana Mizina Massimo, filha única de Josepha e Vittorio Massimo, nascida em 1978, mora em Roma e conhece o Brasil. 

Mizina Massimo - Fotos: copyright Pizzi/dagospia


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     Itabaiana tem menos de 25 mil habitantes e está a 70 Km de distância de João Pessoa, capital paraibana. Menos de 40 quilometros separam Timbaúba, PE, onde moro, da terra natal de Josepha Massimo, onde tenho amigos. Ninguém sabe informar em que sítio nasceu a princesa. 
    Na praça principal há um coreto lindo, considerado a mais importante obra histórica, artística e cultural da cidade, cem anos a completar no próximo dia 24. O coreto foi importado da Inglaterra, teve o começo da sua montagem e construção em dezembro de 1913. Foi inaugurado no dia 24/05/1914, pelo seu idealizador e prefeito da cidade Manoel Pereira Borges (1868-1937). É nesse coreto que me sento, e me perco e me encontro, refletindo sobre os mistérios da nossa caminhada no planeta Terra. Nesses mistérios está inserida a figura de Josepha Massimo,  a garota pobre que virou princesa.

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sábado, 7 de novembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Augusta Nielsen e a lenda de uma bengala

Daslan Melo Lima - 


          Morreu às seis horas da manhã do domingo, 02/11/2009, no Rio de Janeiro, Maria Augusta Thurmann Nielsen, 86 anos, a Maria Augusta da Socila, vítima de parada cardíaca. 
           Esta Sessão Nostalgia foi construída com base em pesquisas que fiz nas seguintes fontes: Fernando Machado (www.fernandomachado.blog.br), Misses em Manchete (www.missesemmanchete.blogspot.com), Misses na Passarela Blogger (www.evandrosilvabr.blogspot.com), O Globo e revistas do meu acervo, Caras, Fatos & Fotos, Manchete, O Cruzeiro e Realidade.

MARIA AUGUSTA E A SOCILA

          Nascida no Rio de Janeiro, em 06/05/1923, Maria Augusta começou sua carreira quando  tinha 16 anos, numa casa chamada M.C.Modas. Seu pai morreu nessa época. Ela era a mais nova de seis filhos. Quando quis desfilar, as próprias irmãs achavam que aquilo não era para moças de família, mas sua mãe a apoiou e ela foi em frente. Estudou em Nova York, na “Lucky” e no “Powers School”, para aprender o que se passava nos mais famosos cursos de comportamento. Casou-se em 1948, com o ator Jardel Filho (1927-1983). Ficaram casados por cinco anos e depois de separados continuaram sendo grandes amigos. Maria Augusta casou-se novamente e separou-se. Não teve filhos.


Maria Augusta Nielsen, mestre de elegância e etiqueta, a grande criadora de Misses.
(Foto: Álbum de família de Maria Augusta, publicada há alguns anos na revista Caras)
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          Maria Augusta Nielsen fundou a SOCILA, Sociedade Civil de Intercâmbio Literário e Artístico, em 1953, e treinou as candidatas ao título de Miss Brasil, de 1958 até 1976. A SOCILA era uma escola para modelos, na época uma profissão malvista. Motivo: com o fechamento dos cassinos por Getúlio Vargas (1882-1954), os desfiles foram invadidos pelas coristas desempregadas. As moças bem nascidas, que até então faziam esse trabalho, se retiraram.
          Maria Augusta dizia que teve muita sorte. Quando a primeira dama do país Sarah Kubitschek (1909-1996) a procurou para ensinar postura às suas filhas Márcia (1943-2000) e Maria Estela (Maristela), ganhou página inteira do jornal O Globo. A propósito, Maristela foi adotada aos quatro anos de idade e conta situações emocionantes de sua vida no livro Simples e Princesa (Editora Siciliano, 2006).


Maria Augusta e Juscelino Kubitschek (Foto: O Globo)
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          Graças às aulas que dava às filhas do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), a SOCILA virou uma coqueluche, mas legalmente não tinha ainda como enquadrar sua atividade. Isso só aconteceu em 1957, quando o Presidente criou uma lei regulamentando os cursos profissionalizantes. A proposta de Maria Augusta era a de criar modelos de classe e brasileiras. A primeira brasileira que Maria Augusta Nielsen preparou foi a cearense Florinda Bolkan, nome artístico de Florinda Bulcão, logo depois veio Ilka Soares.

A MAIS FAMOSA CINDERELA DE MARIA AUGUSTA



A mais famosa cinderela treinada por Maria Augusta foi Josepha, cujo nome verdadeiro era Josefa Domingos Soares, empregada doméstica, natural de Itabaiana, Paraíba. Josepha, que morreu na Itália em 31/07/2009, era uma negra belíssima. Foi modelo na Europa e desfilou para Pierre Balmain (1914-1982). Passou a se chamar Josepha Massimo quando casou com o nobre italiano Vittorio Emanuele Massimo (1911-1983), Principe di Roccasecca dei Volsci, tornando-se Princesa di Roccasecca dei Volsci. (Foto: Manchete)

MARIA AUGUSTA E A LENDA DE UMA BENGALA

          Hoje, para muitos, soa estranho a história de uma senhora com uma bengala fazendo a marcação de um desfile de Misses em um ginásio de esportes chamado Maracanãzinho. O interesse pelos concursos de Misses no Brasil atraía tanto a atenção como os jogos da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo. Em 1964, por exemplo, o concurso Miss Brasil foi assistido ao vivo por 50 mil espectadores, conforme a revista Fatos & Fotos, de 16/07/1964. Nada disso é invenção, inclusive a bengala de Maria Augusta.


Esta é a bengala que toda Miss obedecia. (Foto: revista Realidade, agosto 1966)
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          No início da década de 60, Maria Augusta recebeu uma vaia homérica por ter advertido uma Miss que ficou mandando beijinhos para a platéia, o que era proibido pelo certame. Em várias situações, teve que sair escoltada pela polícia, pois as pessoas achavam que ela era a culpada pela derrota das candidatas.


Maria Augusta em pé, atenta ao desfile de uma candidata ao título de Miss Guanabara 1961, enquanto outras Misses ansiosas, vestindo maiôs Catalina, aguardam a vez de enfrentar a passarela. (Foto: Manchete, 24/06/1961)
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          Em suas lembranças, a coisa que Maria Augusta achava mais engraçada era as mães das Misses, que em muitos casos mais atrapalhavam que ajudavam. Contava que um problema sério era o assédio masculino, à época chamados de gabirus. A virgindade era um tabu, e se suspeitassem que uma Miss tivesse uma aventura, ela era carta fora do baralho.


Nem todas as moças aprendiam a desfilar como Maria Augusta queria. Quem não aprendia desfilava errado. (Foto: revista Realidade, agosto 1966)
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Bengala faz a marcação 


Miss tem que saber desfilar, para não dar vexame. E vão para as mãos de dona Maria Augusta, que tem uma escola de modelos, e há nove anos acompanha o concurso de Miss Brasil, ensinando andar, parar e rodopiar. Comanda tudo com uma bengala, e umas batidas no chão:
- A marcação da bengala é a marcação internacional. As moças saem daqui já sabendo desfilar como nos outros países.
Na terça-feira depois da chegada, há o primeiro contato entre as mocinhas e Maria Augusta, para as medidas. Ela mesma, ou uma sua auxiliar, tira as medidas – busto, cintura, quadris, coxas, tornozelo, altura e peso – só na presença de senhoras, em lugar onde ninguém mais pode entrar. Nesse dia, as candidatas fazem seu desfilezinho inicial, para Maria Augusta ver qualidades e defeitos.  
----- (Revista Realidade, agosto 1966)



Maria Augusta, à esquerda, de preto, no momento de começar o desfile em traje de gala das candidatas ao título de Miss Guanabara 1972 (Foto: Manchete)

AS MENINAS DA SOCILA

Ela ensinou ao Brasil a ser elegante. Entre os anos 50 e 70, a empresária Maria Augusta Nielsen ditava o que era de bom tom em sociedade. Fundadora da Socila, em 1954, ela aceitou o convite de dona Sarah Kubitschek para preparar as filhas, Maria Estela e Márcia, para o début em Versailles. 
— Passei a dar aulas no Palácio das Laranjeiras para as meninas. Depois disso dona Sarah reuniu as amigas e as irmãs para que eu as orientasse também. Até o presidente ia para lá na hora do lanche. E perguntava: “Como é que eu estou, professora, estou bem?”. E aí ele desfilava e também dizia que precisava de aulas. Eu dizia, “o senhor não precisa disso, presidente”. E ele respondia: “Preciso sim, sou de Minas”. Ele era muito engraçado, ficamos muito amigos — lembra Maria Augusta. 



Juscelino Kubitschek, a esposa Sarah e as filhas Márcia e Maristela. (Foto: www.almanaquebrasil.com.br)
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Foi o próprio Juscelino que, em 1957, ajudou a legalizar a escola de aperfeiçoamento social, já que não havia registro da profissão no país. — Um dia tomei coragem e disse a JK: “Presidente, estou trabalhando na ilegalidade”. Então, ele reuniu uma banca examinadora com diplomatas do Itamaraty, um médico e professores para me argüir. Passei com louvor e recebi o registro — conta Gugu, como era carinhosamente chamada.
Depois da temporada no Palácio das Laranjeiras, freqüentar a Socila virou item obrigatório na agenda das moças bem-nascidas. — Dona Sarah abriu portas incríveis, é claro que nós fizemos um bom trabalho, mas também tivemos uma estrela fantástica. Depois da temporada no Palácio, foi um deus-nos-acuda, veio toda a sociedade procurar a Socila, foi uma maravilha.

Maria Augusta lançou muitas delas em passarelas, inclusive no exterior: de Lúcia Moreira Salles — segunda brasileira a desfilar para a maison Chanel — e Cookie Richard a Marina Colassanti e Florinda Bolkan.

Gugu ergueu um império da beleza com filiais em quase todo o país, onde oferecia de cursos de modelo e etiqueta a tratamentos estéticos. Foi a precursora dos spas com o Beauté Services Socila. — Na Europa era comum os serviços serem oferecidos em salões, mas para apenas uma necessidade. Eu trouxe aparelhos e técnicas da Europa e dos EUA e oferecia tratamentos completos para pele, flacidez, celulite, tudo num só lugar — conta a ex-empresária. 

Ela abriu a primeira agência de modelos da América Latina nos anos 60 — as agências de propaganda já requisitavam as meninas da Socila para campanhas desde os anos 50. Fez fortuna e perdeu tudo. Sua vida renderia um filme ou uma novela. 

A vida da Gugu se confunde com a história da moda no Brasil. Ela foi manequim, empresária, lançou as primeiras manecas e os estilistas Clodovil, Dener, Guilherme Guimarães, profissionalizou os desfiles de misses, viveu na Europa e foi amiga de todos os grandes costureiros. 

(...) Recebe uma pequena aposentadoria do INSS, complementada pela ajuda dos muitos amigos no país e no exterior — algumas ex-modelos que lançou, como a manequim Josefa... (... ) Pragmática e bem-humoradíssima, Gugu freqüenta o Instituto Benjamin Constant, onde aprende computação: - Estou cega do olho esquerdo e tenho 10% de visão no direito. É irreversível. Falei com a minha terapeuta e ela me aconselhou: “Assuma, você vai se sentir melhor e as pessoas também”. Lá aprendo a ser cega — diz sem floreios. 

Quando o assunto é elegância, Gugu mostra que há coisas imutáveis: — A evolução da moda é natural. Mas há coisas que não mudam, nas atitudes, por exemplo. Você pode impor suas opiniões de maneira elegante. O que falta no país é educação, em todos os sentidos. Conversar com as pessoas com a mão no bolso é um horror — decreta. — Todo mundo tem altos e baixos. Não me lembro de coisas desagradáveis e acho ótimo. Fiquei muito rica, depois houve um final melancólico. Estou pobre, essa é a verdade, mas estou feliz, as coisas materiais não me fazem falta. Não me sinto sozinha, recebo meus amigos, vivo de amor, por isso não fico velha.
----- (Roni Filgueiras, jornal O Globo, caderno Ela, 02/07/2005)

MARIA AUGUSTA, UM NOME PARA A HISTÓRIA


         Maria Augusta não gostou de como “JK”, a minissérie da Rede Globo, conduziu sua personagem. Achou que não tinha absolutamente nada a ver com sua personalidade. Disse que a personagem Maria Alice, vivida por Mila Moreira, que teria sido inspirada nela, tinha hábitos morais muito duvidosos, embora tivesse sido procurada pela produção da Rede Globo e dado muitas entrevistas sobre aquela época; sobre sua própria vida e de todas as mais importantes personalidades daquele tempo.


Além da coroa, do manto e do cetro, toda Miss tinha o sorriso de Maria Augusta. Carmem Sílvia de Barros Ramasco, Miss São Paulo e Miss Brasil 1967, também a teve ao seu lado na vitória. (Foto: Manchete)
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          Maria Augusta, depois de ter morado sozinha durante um período na Gávea, estava morando há um ano e meio na casa da amiga Maria Augusta Morgenroth, escritora, que está escrevendo sua biografia. Estava cega e parcialmente surda. Anselmo Duarte Jr, seu afilhado, filho de Ilka Soares e Anselmo Duarte (1920-2009), tem planos de lançar o documentário A Batuta Mágica, numa referência à bengala que ela usava para treinar as misses.


Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968, teve o apoio de Maria Augusta para o êxito do seu reinado. (Foto: Manchete)
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Maria Augusta ladeada por Vera Fischer, Miss Santa Catarina e Miss Brasil 1969, e Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara e Miss Brasil 1970. (Foto: Manchete)
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CITAÇÕES DE MARIA AUGUSTA

-  Fui a fada madrinha de muitas Cinderelas.

-  Eu gostaria de viver eternamente.
- Vi moças que mais tarde atrairiam admiração e inveja chegarem a mim desesperadas por não saberem como superar um par de pernas finas, uma pele ruim ou uma timidez doentia.
- Sei que maridos e filhos muitas vezes não sabem das lágrimas e da coragem com que estas mulheres os conquistaram.
- É inútil estabelecer regras para o sucesso.
- Altura, beleza, inteligência não influem, desde que haja força de vontade. O que cria um manequim é a descoberta de seu tipo.
- Cafonice é ir à praia com maquilagem e peruca, é usar solitário com calça Lee, é recusar conselhos e se achar capa da Vogue.
- A Beleza é magnetismo pessoal.
- Twiggy, por exemplo, influenciou as jovens do mundo inteiro e acabou reformulando os padrões.


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          DEUS convocou Maria Augusta Nielsen para uma nova missão em outra dimensão. Seu nome ficou como ícone de uma época. Sua bengala ficou como lenda. Falo aqui de lenda não no sentido de narração deformada por minha imaginação poética, mas de lenda do latim legenda, “coisas que devem ser lidas”.
          No silêncio desta madrugada de novembro de 2009, quando concluo esta matéria, fecho os olhos e me transporto para um Maracanãzinho escuro e vazio. Não há aplausos e nem vaias para as Misses. Apenas batidas no chão e uma mulher com uma bengala.
“- Quem é essa mulher?

- Quem?
- Aquela ali, em pé no palco com uma bengala na mão.
- Bengala, que bengala?”

          No Maracanãzinho vazio e escuro, só eu vejo Maria Augusta Nielsen e sua bengala. E choro com saudades de um tempo que se foi, para sempre se foi.



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