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sábado, 7 de julho de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - João Botafogo em entrevista exclusiva: "Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha"

Daslan Melo Lima                

          O economista pernambucano João Botafogo gosta muito do assunto Miss. Possui milhares de revistas e mais de três mil fotos. “Adoro mandar digitalizar imagens publicadas nas revistas antigas. Mando proceder um tratamento especial e imprimir. As imagens ficam excelentes”, confessa.  Embora reservado e avesso a aparições, gosta de colaborar e dar sugestões a este e outros blogs que focalizam as misses de ontem e de hoje.  Com exclusividade, João Botafogo concordou em falar sobre os concursos de beleza e as misses que se tornaram inesquecíveis em sua vida. 
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PASSARELA CULTURAL  - Quais as suas misses inesquecíveis?
JOÃO BOTAFOGO - Citarei apenas a antiga “Namorada do Brasil”: Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1954.


Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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PC - Qual a jovem mais injustiçada da história do Miss Brasil?

JB – Lenita da Conceição Barros Gomes, Miss Maranhão 1959.

Lenita da Conceição Barros Gomes
Miss Maranhão 1959

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PC - Qual a brasileira mais injustiçada em um concurso internacional?
JB – Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil 1964. Injustiçada no Miss Beleza Internacional 1964, quando lhe deram o terceiro e o não o primeiro lugar. 


Vera Lúcia Couto Santos
Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964
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PC - Qual a Miss Brasil que teria sido uma excelente Miss Universo?
JB – Vou citar os nomes de três: Martha Rocha (1954), Adalgisa Colombo (1958) e Martha Jussara da Costa (1979).


Marta Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954
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 Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1958
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Martha Jussara da Costa
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979
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PC – Qual a maior diferença dos concursos de ontem para os de hoje?
JB – Antigamente eram concursos empíricos, porém, as brasileiras eram bem preparadas. Maria Augusta da Socila entendia do assunto. Hoje, tem muita tecnologia e cirurgias plásticas. Sou contra.


Maria Augusta Thurmann Nielsen (1923-2009), a Maria Augusta da Socila, mestra da elegância e etiqueta, grande preparadora de misses. (Foto: acervo da família, publicada na revista Caras).
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PC – Você aconselharia uma jovem da sua família a disputar um título de Miss?
JB – Só se eu tivesse certeza que ela ganharia o Miss Brasil e estivesse bem preparada para o Miss Universo.
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PC – A atual Miss Espanha é uma mulher trans. O que acha?
JB –  Nada contra a sexualidade, mas existem concursos específicos para as trans.
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PC – Qual a mais bela Miss que você conheceu pessoalmente?
JB – Martha Rocha, perfeita. Conheci a eterna Miss Brasil na Feira da Providência, no Rio de Janeiro, em 1972. Nunca vi olhos tão lindos como os de Martha Rocha.
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, Vice-Miss Universo 1954, em foto da década de 1970 
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PC – Qual o mais belo concurso de Miss?
JB – O Miss Universo de 1987, realizado no World Trade Center, em Singapura. 


World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
Top 10 do Miss Universo 1987 
Da esquerda para a direita:  Roberta Capua, Miss Itália; Geraldine Edith Pebbles Asis, Miss Filipinas; Jessica Patricia Newton Vasquez-Saenz, Miss Peru; Marione Nicole Teo, Miss Singapura; Carmelita Louise Ariza, Miss Turks & Caicos; Cecilia Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile; Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia; Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos; Inés Maria Calero Rodríguez, Miss Venezuela; e Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico.
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
O apresentador Bob Baker e Cecília Bolocco, Miss Chile. Atrás, Susanne Karin Thorngren, Miss Suécia
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World Trade Center, Singapura, 26/05/1987 
Top 5 do concurso Miss Universo 1987 
Da esquerda para a direita: Michelle Renee Royer, Miss Estados Unidos, terceiro lugar; Roberta Capua, Miss Itália, segundo; Laurie Tamara Simpson Rivera, Miss Porto Rico, quinto; Cecília Carolina Bolocco Fonck, Miss Chile, primeira colocada; e Inés Maria Calero Rodriguez, Miss Venezuela, quarto lugar. 
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PC – O que acha da ausência dos trajes típicos no Miss Brasil?
JB – Não sinto falta. Antigamente eram trajes típicos mesmo, das regiões, mas  depois ficaram parecendo fantasias de carnaval. Lembro-me do traje típico de Martha Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil 1979. O traje se destacou muito. Tratava-se de uma homenagem a Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, educadora, escritora e poetisa potiguar, considerada a primeira feminista do Brasil. Uma referência cultural muito importante. 


Martha Jussara da Costa 
Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, Top 5 (quarto lugar) no Miss Universo 1979

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PC – Você concorda com quem defende a proposta de que cada miss estadual deveria levar o seu vestido para o Miss Brasil?
JB – Plenamente, divulgaria os estilistas dos seus Estados, pois hoje os trajes de gala são todos semelhantes, até na cor, padronizados. Entre tantos vestidos belos do passado, lembro-me do modelo usado por Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil e Top 15 no Miss Universo 1965. Ela é uma das minhas queridas. Deveria ter sido Top 5 no Miss Universo.


Maria Raquel Helena de Andrade
Miss Guanabara, Miss Brasil, Top 15 no Miss Universo 1965

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PC – Cite um ponto positivo e outro negativo dos concursos promovidos na chamada era Silvio Santos.
JB – Positivo, ter escolhido a paraense Celice Pinto Marques como a Miss Brasil 1982. Negativo, omito-me em falar. Não me sinto à vontade para apontar erros. Tenho o meu gosto, mas não sou “expert” em organização de eventos de beleza.


Celice Pinto Marques da Silva
Miss Pará, Miss Brasil, Top 12 no Miss Universo 1982
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PC – O que falta para os concursos de misses no Brasil despertarem aquele entusiasmo similar ao da Copa do Mundo dos anos 50 e 60?
JB – É difícil pensar numa sugestão. O futebol está no sangue do brasileiro e os concursos de beleza jamais alcançariam esse patamar. Tudo vem espontaneamente.
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PC - Fique à vontade para acrescentar outros comentários que julgar necessários.
JB - Gostei muito da nossa conversa, Daslan Melo Lima. Não citarei mais opiniões, a fim de não causar celeuma. Sou muito controverso. Agradeço a sua gentileza por ter se lembrado de mim para esta entrevista. Estarei sempre à sua disposição.
PC - Grato por sua atenção, João Botafogo. Um abraço.
         
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sábado, 3 de março de 2018

SESSÃO NOSTALGIA – Pérolas Negras. Mulheres de 400 talheres. Por onde andam as Misses do Clube Renascença, no Rio?


Daslan Melo Lima    
                                                                      
          Meu celular tocou às 16h do dia 13 de dezembro do ano passado. Era o jornalista Renato Fernandes, paulista residente no Rio de Janeiro, repórter especial da revista Joyce Pascowitch. Ele ia escrever uma matéria sobre as misses do Clube Renascença que mais se destacaram e   queria ouvir o que eu sabia sobre o assunto. Foram quase duas horas ao telefone.  Na última edição da revista, a de fevereiro, com a atriz Taís Araújo na capa, a publicação circulou nas bancas de todo o País com seis páginas dedicadas às deusas do Renascença. Chamada de capa: “Perólas Negras - Por onde andam as misses do Clube Renascença, no Rio? “ Título da reportagem: “Mulheres de 400 talheres. ” Abaixo, reprodução integral da matéria. Boa leitura!
                                                            
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Mulheres de 400 talheres


Nos anos 1960, 0 Clube Renascença quebrou tabus, preconceitos e paradigmas na sociedade com seu concurso de miss. Alçadas ao estrelato, essas belas mulheres marcaram época e são lembradas até hoje.

Por Renato Fernandes
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Inaugurado em 1951, durante os anos dourados no Brasil, o Renascença surgiu para os negros da classe média do Rio de Janeiro como uma opção de esporte e lazer, já que eles eram proibidos de frequentar os tradicionais clubes da cidade. “Entre os fundadores estavam um grupo de médicos e de comerciantes negros, que não queriam sofrer discriminação em outros espaços”, conta o missólogo e historiador Daslan Melo Lima, um dos maiores estudiosos do tema hoje.
      O clube ficava no bairro de Andaraí, na zona norte, e as mulheres tiveram papel fundamental em seu desenvolvimento. Eram 19, dos 29 sócios que fundaram o lugar. Foi por essa breve presença feminina que surgiu o concurso de miss do Rena, nome usado na época, e a competição colocou suas participantes em total evidência. A olheira, que selecionava e que preparava as misses, era a cabeleireira Dinah Duarte, dona de um conceituado salão de beleza no Méier.
      Ao desfilarem suas curvas no maiô Catalina, no Maracanãzinho, para o Miss Guanabara, como se chamava o estado do Rio de Janeiro, as misses Renascença eram ovacionadas e consagradas. Só dava elas. Relembre aqui, três de suas maiores beldades.
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Vera Lúcia Couto - Mulata Bossa Nova


Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Renascença, na capa do disco Carnaval Rio (à esq.) e em ensaio para a revista Manchete.

     “Mulata Nossa Nova... Caiu no hully gully... E só dá ela. ” Ela quem? Vera Lúcia Couto dos Santos, musa da marchinha carnavalesca composta por João Roberto Kelly e que venceu o Miss Guanabara em 1964. Detalhe, até então, nunca uma negra tinha alcançado esse título. Vera Lúcia venceu e venceu bonito, mas nada por vontade própria, mas sim por insistência do Clube Rena que queria porque queria que ela concorresse. Ela recusou por dois anos os convites e o medo de sofrer preconceito era uma das razões. Só depois que teve o apoio do pai, aceitou. Não bastasse, Vera Lúcia foi a primeira negra a concorrer ao Miss Brasil. Não ganhou o concurso, mas ficou em segundo lugar e ainda representou o país no Miss Beleza Internacional, em Long Beach, nos Estados Unidos, ficando na terceira colocação.
      No dia do concurso do Miss Brasil 1964, enquanto desfilava, ouviu de uma senhora numa mesa: “Sai daí crioula, seu lugar é na cozinha! ”. Mas não perdeu a altivez e nem o olhar de ternura. No ano seguinte, durante as comemorações do quarto centenário do Rio, desfilou deslumbrante no carro aberto dando tchauzinho para qualquer tipo de preconceito.
      Não seguiu a carreira artística e não foi por falta de convite. Preferiu casar e ser mãe de três filhos. Tornou-se funcionária da Riotur e hoje mora em Niterói, mas continua virando o pescoço dos transeuntes quando passa.
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Esmeralda Barros – Estrela Internacional


Esmeralda Barros na revista Amiga.
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Esmeralda Barros posando para a revista O Cruzeiro, que a descrevia como:"Na tevê os seus rebolados dão coqueluche em gente grande". No detalhe, na revista Amiga, já como uma estrela internacional. 
Esmeralda Barros foi capa da revista O Cruzeiro, em fevereiro de 1966.

No fim da década de 1960, uma “mulata para quatrocentos talheres”, como era conhecida, invade os estúdios da Cinecittà, em Roma. Seu nome? Esmeralda Barros, a moça que perdeu o título de Miss Renascença 1964 para Vera Lúcia Couto. Na época, houve grande burburinho: todos queriam saber o motivo pelo qual Esmeralda não tinha levado a coroa. E ele era um só: ela já era conhecida no showbiz brasileiro, porque havia atuado em shows de Carlos Machado, o que não era bem-vindo no concurso. “Isso é fato, garotas que sonhavam em ingressar no mundo artístico fugiam do perfil das que concorriam ao concurso de miss”, conta o missólogo Daslan Melo Lima. Esmeralda tinha tudo e mais um pouco, mas aura de virgem e donzela, isso ela não tinha.
      Não levou a faixa de Miss Renascença, mas ganhou um convite para atuar na Itália, depois de aparecer em Operação Paraíso, uma produção italiana rodada no Rio de Janeiro, em 1965, com o ator Raf Vallone. No filme, a estonteante Esmeralda aparecia em um comportado biquíni em plena avenida Atlântica. Fato que rendeu a ela uma capa estreladíssima na revista O Cruzeiro.
      Suas curvas atravessaram o mundo e, em 1968, ela já era o primeiro nome do elenco do longa King of Kong Island, dirigido por Robert Mauri. Anos depois, no início da década de 1979, era disputada para produções de western spaghetti e filmes de terror, também na Itália.
      Nos bastidores teve um tempestuoso romance com o robusto ator Maurízio Arena, a tal ponto de ganharem juntos a capa da revista de fofoca Oggi. Uma suposta tentativa de suicídio por excesso de barbitúricos, pelo gostosão, foi divulgada na época.
      Estrelou os filmes Um Homem Chamado Django, ao lado de Anthony Steffen, e La Colt Era Il Suo Dio, com Jeff Cameron. Atuou com Mark Damon e Rosalba Neri em O Castelo de Drácula e,  depois de consagrada, dividiu os créditos com as superstarlets Barbara Bouchet e Femi Benusse em Finalmente Le Mille e Uma Notte, de 1972. Alcançou assim o seleto rol das divas eróticas do cinema italiano. “Esmeralda é o oposto de suas personagens e foi uma grande estrela no cinema. Era cultuada em um tempo diferente de hoje, nos quais as estrelas são medidas por curtidas em mídias sociais”, diz o cineasta Daniel Camargo, expert em bangue-bangue do país europeu. Sua opinião relembra um pouco o que dizia o jornalista brasileiro Ubiratan de Lemos: “Seu corpo é um best-seller para um bom gosto internacional”.
     No dia a dia, Esmeralda era puro charme. Amava marcas como Gucci e Pucci e só usava bota de cano longo verniz. Gastava a sola na famosa...

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... Via Veneto, em Roma. Meio Barbarella, meio sambista, arrasava ao chegar no Brasil. Participava de coletivas, logo no aeroporto. E em seus contratos na Itália, tinha licença para passar o Carnaval por aqui. Única e absoluta.
      Em meados dos anos 1970, depois de outro tumultuado romance, agora com um mafioso, volta de vez a morar no Brasil. Linda e madura, é tragada pelas pornochanchadas como O Bem Dotado -  0 Homem de Itu, com o ator Nuno Leal Maia. Em 1976, é capa da revista Homem, futura Playboy. Participa de shows com Abelardo Figueiredo na boate O Beco.                                                     
      A carreira começa a desandar no início dos anos 1980, quando atua no filme de baixíssimo orçamento O Castelo das Taras produzido na Boca do Lixo em São Paulo, sob direção de Arlindo Barreto, o Bozo. No longa, no qual vem de diva, enxertaram cenas de sexo explícito. Ela aparece em nu frontal e careca. Outro exemplo é que, em 1985, atua na novela do SBT Uma Esperança no Ar, aparecendo apenas no final dos créditos do elenco, não sendo mais a grande estrela. Passa muitos anos de sua vida residindo numa mansão em Itaipava e outros no prédio dos artistas, no Morro do Vidigal. Muitos pensam que já faleceu, mas não: vive sob cuidados de um ex-namorado dos tempos do Renascença, o produtor Eugenio Fernandes. “Ela requer cuidados e já não tem mais as regalias da fama, muito menos os amigos de então, que sumiram”, entrega Camargo em conversa com a J.P.
        Hoje, de cabelos brancos, sentada, com movimentos limitados, Esmeralda se divide entre Ipanema ou Sepetiba, onde fica contemplando o mar. Um mar de glórias.

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Aizita Nascimento – Atriz e Apresentadora


Acima, Aizita Nascimento estrelando a capa de O Pasquim como a mulher mais sexy do Brasil; abaixo, desfilando pela escola de samba Mangueira, em foto da revista Manchete.
Aizita na revista Manchete (à esq.) e em um especial da revista Fatos & Fotos sobre os filmes que participaram do Festival de Cannes.

      “Queremos a mulata! Queremos a mulata! Queremos a mulata! ” Era o que se ouvia no concurso Miss Rio de Janeiro 1963, num Maracanãzinho lotado, com mais de 25 mil pessoas. A torcida era para ela, mas a bela Aizita Nascimento, inacreditavelmente, ficou em sexto lugar. Para os jornalistas presentes aquele foi o concurso mais emocionante até então, como consta no site Passarela Cultural, de Daslan Melo Lima.
      O sorriso de Aizita era tão contagiante que o mesmo ganhou até crônica do jornalista e escritor Henrique Pongetti. Ela não venceu, mas ganhou muito mais fama do que Vera Lúcia Maia, filha da cantora Nora Ney, escolhida a miss da vez. No ano seguinte, em 1964, Aizita se lança como cantora e grava um disco compacto pela RCA. Em pouco tempo era requisitada para participar do concurso de beleza As Certinhas do Lalau, organizado pelo jornalista Stanislaw Ponte Preta, e fazer filmes e novelas na rede Globo. Pouco? Nada. Em maio de 1970, depois de um tour pelo Leste Europeu com o conjunto A Brasiliana, Aizita já declarava à revista Fatos & Fotos na qual era capa: “Eu sou gente, não quero ser estrela, longe de tudo e todos. ”
      No entanto, brilhou no mesmo ano ao lado de Sandra Bréa na peça de teatro de revista Aqui Ó, no Teatro Poeira, em Ipanema. Dizem até que houve ciumeira entre elas enquanto estavam rodeadas de plumas e paetês.
      Ao lado de Jardel Filho, ganhou capa de revistas quando atuaram na novela Assim na Terra como no Céu, mas nada marcou tanto sua carreira como quando participou da pornochanchada Como É Boa Nossa Empregada, de 1973, ao lado de Jorge Dória e Carlos Mossy. “Ela era supertalentosa e a primeira a chegar. Jamais deu trabalho à produção. Generosa e sempre alegre, item importante em uma atriz, fazia todos rirem nos bastidores”, relembra para a J.P. o galã Carlos Mossy.
      Em maio de 1974, Aizita é capa de O Pasquim, como sendo a primeira a ganhar o título da mulher mais sexy do Brasil. Anos depois, em 1979, participa, em São Paulo, da novela O Todo Poderoso, da Rede Bandeirantes, e, com ares intelectuais, apresenta o programa Olhar  Eletrônico, na TV Cultura. Seu cabelo black power, estilo da ativista Angela Davis, sempre foi uma das suas marcas.
      Formada em enfermagem pela escola Anna Nery – desde os tempos do Miss Renascença -, um dia Aizita sumiu, não quis mais saber de holofotes e se dedicou à profissão de enfermeira. Evita até hoje entrevistas e, como uma verdadeira musa, deixa o mistério “que fim levou a musa Aizita” no ar.

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     Vou guardar a revista Joyce Pascowitch de fevereiro/2018, com muito carinho, ao lado de outras publicações que falam sobre misses. Dentro do que for possível, estarei sempre ao dispor de missólogos, jornalistas, historiadores e pesquisadores para resgatarmos as histórias das nossas misses eternas.

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sábado, 15 de outubro de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - UMA TARDE COM VERA LÚCIA COUTO, MISS GUANABARA 1964

Daslan Melo Lima

     Na última quinta-feira, 13ª tarde de outubro de 2011, eu estava no escritório da empresa DJ-Publicidade, do meu amigo Daniel Oliveira, revisando a minha coluna sociocultural mensal da revista Timbaúba em Foco, antes dela ser enviada para impressão em uma gráfica de Carpina, quando o meu celular tocou. Era a  voz do meu amigo jornalista Muciolo Ferreira, do Recife, pedindo que eu ligasse a televisão na TV Brasil, no programa Sem Censura, de Leda Nagle. Rapidamente, sem me preocupar se o meu gesto iria atrapalhar a concentração do Daniel, que negociava com a secretária e um cliente a inserção de uma matéria na revista, pedi  a ele que ligasse a televisão. “Por favor, ligue no Sem Censura, uma das minhas deusas está sendo entrevistada.”  Daniel indagou:  “Quem é essa deusa tão especial? Gisele Bundchen? Camila Pitanga? Angelina Jolie?” Respondi: “Não! Nenhuma delas ! Trata-se de Vera Lúcia Couto, uma das minhas deusas dos anos 60”. 
        
     Daniel ligou a TV no momento em que Vera Lúcia Couto estava falando. Voz suave, rosto belo e sereno. Pedi a ele que tirasse uma foto minha perto da imagem de Vera que aparecia na TV e depois passei a clicar várias imagens como se ali, na minha frente, estivesse Vera, ao vivo. O programa estava repleto de assuntos relevantes: a psicóloga Eda Fagundes falava da polêmica diferença entre traição e deslealdade;  o mastologista Maurício Magalhães conversava sobre câncer de mama; a diretora de cinema Cecília Amado apresentava  o filme “Capitães da Areia”, inspirado em uma das mais conhecidas obras de seu avô, Jorge Amado, e a consultora e especialista em empreendedorismo e marketing feminino Fádua Sleiman abordava seu livro “Marketing de Batom”, sobre  relações empresarias. Para mim, no entanto, nada daquilo tinha tanto interesse como a presença da Assessora da Diretoria de Operações e Eventos da Riotur, Vera Lúcia Couto, que em 1964 foi eleita Miss Renascença, Miss Guanabara, segunda colocada no Miss Brasil e terceira no Miss Beleza Internacional.
 
      
     Entre suas declarações, Vera Lúcia Couto disse  que a saudosa Maria Augusta Nielsen, a Maria Augusta da Socila, que dava aulas de etiqueta e passarela às misses, passava as mãos nos cabelos das candidatas quando desconfiava que eram perucas, o que não era permitido. As misses que por acaso usassem enchimentos, apelidados de sex-appeal, para aumentar o busto, o que também não era recomendado, recebiam reclamações de Maria Augusta. Vera Lúcia  falou dos preconceitos que enfrentou, das viagens, da família (foi casada com um descendente de italianos, teve dois filhos e já tem um bisneto), etc. Frisou bem que valeu a pena ter sido Miss e confessou: “Eu sempre digo que a imprensa foi a maior responsável pela minha vitória. Eu estava em todas as capas de revistas, em todos os jornais.”

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      O menino que um dia eu fui acabou de rever várias imagens de Vera Lúcia, nos meus antigos álbuns de recortes e em velhas revistas que guardo com carinho.

Vera Lúcia Couto, com maiô Catalina e a faixa de Miss Guanabara 1964. Foto: revista O Cruzeiro.
Vera Lúcia Couto na passarela do Maracanãzinho, Rio de Janeiro, na noite do concurso Miss Brasil 1964, onde foi a segunda colocada. Foto: revista Fatos & Fotos.
Vera Lúcia Couto em Long Beach, Estados Unidos, na passarela do Miss Beleza Internacional, onde conquistou o terceiro lugar e o título de Miss Fotogenia. Foto: revista O Cruzeiro.
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     A Vera Lúcia Couto de ontem não é a mesma de hoje, assim como o Daslan Melo Lima de ontem não é o mesmo de hoje, assim como o  mundo e os valores de ontem não são os mesmos de hoje. Em comum, entre o fã e a deusa, esta nostalgia em torno de um  tempo que se foi, para sempre se foi.
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Timbaúba-PE, na 15ª tarde de outubro de 2011. 
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Detalhes:
1 - Para ver /rever o programa Sem Censura, na íntegra, acesse o Youtubbe, http://www.youtube.com/watch?v=ieltdrJoNms
2 – Para recordar a matéria da Sessão Nostalgia, de 23/08/2008, focalizando Vera Lúcia Couto e os preconceitos que sofreu por ser negra, clique: http://passarelacultural.blogspot.com/2008/08/sesso-nostalgia_23.html
                                                 
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - No tempo do concurso Miss Suéter

Daslan Melo Lima

ANTES DO SILICONE

.....Nas décadas de 1950 e 1960, um concurso despertava muita atenção, embora sem o glamour idêntico ao que existia no Miss Brasil. Tratava-se do Miss Suéter, um certame que procurava destacar as jovens que aparentavam ter bustos bem proporcionados. Ninguém falava naquela época em silicone. Os únicos truques permitidos, e que todos sabiam que existiam, eram os de as concorrentes usarem sutiãs de boas marcas que destacavam suas silhuetas, sutiãs cujas propagandas podiam ser vistas nas maiores revistas brasileiras, como os da marca Magic-Form e De Millus. Para usar no concurso, o ideal era o sutiã no estilo denominado bullet, que deixava os seios pontiagudos.


Elegante! Confortável ! Saudável ! Quaisquer que sejam as proporções de sua silhueta, Você encontra o MAGIC-FORM exato para suas medidas, porque V. pode escolher entre três tamanhos diferentes de conchas: a) para busto pequeno; b) para busto médio: e c) para busto cheio!
(Revista O Cruzeiro, 09/07/1955)


Este é o fabuloso De Millus, feito para favorecer a sua beleza. ERGUE, PRENDE E REALÇA com naturalidade. Desenhado anatomicamente, não comprime o seio, não deforma o busto, não sai do lugar. 40 modelos exclusivos – um para cada tipo. Conheça o seu modelo... e tenha o busto que você quer! (Revista Manchete, 22/10/1955)

LEILA FELIPE, MISS SUÉTER 1955

.....Tal como nos certames de beleza de maior prestígio, o Miss Suéter era composto de garotas consideradas fortes e fracas concorrentes, assim como de satisfação e insatisfação por parte do público, quando os resultados eram anunciados.

A morena Leila Felipe, disputando com uma loura, foi escolhida Miss Suéter de 1955. O concurso, realizado em São Paulo com grande interesse do público, foi patrocinado por Moinho Santista, Mappin, Tricot-Lã e Max-Factor. O seu encerramento foi realizado na “boite” Bambu, na capital paulista, com o Baile das Suéteres.


A loura Vilma Chandler, representante da TV-Record, deu um grande exemplo de espírito esportivo. Franca favorita, inclusive por parte da maioria das demais competidoras, desde os desfiles preliminares do concurso (quando foi sempre a mais votada), derrotada no final apenas por um voto, foi a primeira a abraçar a adversária vitoriosa.


O Sr. Simon Lierner, diretor de Tricot-Lã, entrega a taça à vitoriosa Leila Felipe, Miss Suéter de 1955. (Revista Manchete, 02/07/1955)



VERA LÚCIA E MARIA ELIZABETH, DAS PASSARELAS DO MISS SUÉTER PARA AS DO MARACANÃZINHO


.....Nos anos 60, duas garotas que ostentaram o título de Miss Suéter ficaram famosas nas passarelas do concurso Miss Guanabara: Vera Lúcia Couto, Miss Guanabara 1964, e Maria Elizabeth Ridzi, vice-Miss Guanabara 1966.


Ano de 1961. Vera Lúcia Couto dos Santos, eleita Miss Suéter do Clube Renascença, ladeada por duas candidatas do Miss Guanabara 1961, Miss Satélite Clube e Miss Associação Atlética Banco do Brasil. Detalhe: A Miss AABB, Associação Atlética Banco do Brasil, é Zaira Pimentel, Miss Pernambuco 1957, que morava no Rio de Janeiro na época e foi convidada para representar a AABB no concurso Miss Guanabara 1961, onde foi uma das mais fortes candidatas, embora não tenha obtido classificação entre as semifinalistas. (Foto: Revista Manchete, 17/06/1961)


Vera Lúcia Couto, da passarela do Miss Suéter 1961 para as do Maracanãzinho e Long Beach, onde foi vice-Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964.(Foto: Revista fatos & Fotos, 11/07/1964)


Maria Elizabeth Ridzi, da passarela do Miss Suetér, no concurso promovido pelo Social Clube de Meriti, em São João do Meriti, RJ, para a do Maracanãzinho, onde foi eleita vice-Miss Guanabara 1966. (Foto: Revista Manchete, 25/06/1966)

MISS SUÉTER NA TV GLOBO


Na novela O Profeta, produzida e exibida pela Rede Globo, no horário das 18 horas, de outubro a maio de 2007, a atrz Carol Castro fez o papel de uma jovem ambiciosa dos anos 50 que foi eleita Miss Suéter. (Foto: Divulgação-Rede Globo)

DEPOIS DO SILICONE


.....Existe uma banda baiana chamada Miss Suéter, cujo nome é uma homenagem à dupla João Bosco e Aldir Blanc, autores da canção homônima. A banda toca samba, funk, rock, bolero e frevo. Fazem parte da Miss Suéter os seguintes artistas: Antenor Cardoso (percussão), Carlos “Ed” Veiga (baixo), Felipe Dieder (bateria), Lia Lordelo (vocal), Luciano “Pajé” Simas (guitarra e vocal), Pedro Santana (violão e vocal) e Ronei Jorge (vocal e guitarra). (Foto:www. festadasemana.pop.com.br).

.....O concurso Miss Suéter (suéter do inglês sweater, agasalho fechado feito de malha de lã), cujas candidatas recorriam aos sofisticados sutiãs, do francês soutien-gorge, desapareceram e perderam totalmente o sentido nos dias de hoje. Garotas lindas andam pelas ruas vestindo, com a maior naturalidade, blusas transparentes, decotes ousadíssimos e... nenhum sutiã. E quanto aos seios belos que ostentam, todos desconfiam que sejam de silicone.

.....Os pivots de que falam a letra da música Miss Suéter, de João Bosco e Aldir Blanc, chegaram a ser um símbolo de status nos anos de 1950. Era chique extrair um, dois ou mais dentes e substitui-los por outros de ouro, ou então colocar o metal precioso em pequena quantidade entre um dente e outro. A sigla INPS, também citada na música, era a sigla do Instituto Nacional de Previência Social, hoje INSS, Instituto Nacional de Seguro Social.

.....Os tempos mudam, as Misses mudam, mas a nostalgia de certas coisas mágicas, como o concurso Miss Suéter, ainda permanece. Pelo menos enquanto alguém em algum lugar cantarolar, como eu cantarolo agora, com o coração, a música de João Bosco e Aldir Blanc.

Miss Suéter

Composição de João Bosco e Aldir Blanc

Fascínio tenho eu por falsas louras
(aí, a negra lingerie),
com sardas, sobrancelha feita a lápis e perfume da Coty.
Na boca, dois pivots são graciosos entre jóias naturais
e olhos tais minúsculos aquários de peixinhos tropicais.
Eu conheço uma assim, uma dessas mulheres
que um homem não esquece.
Ex-atriz de TV, hoje é escriturária do INPS.
E que, dia atrás, venceu lá no concurso de Miss Suéter

Na noite da vitória, emocionada, entre lágrimas falou:
- "Nem sempre a minha vida foi tão bela, mas o que passou, passou...
Dedico esse título a mamãe que tantos sacrifícios fez
pra que eu chegasse aqui, ao apogeu, com o auxílio de vocês."

Guardarei para sempre seu retrato de miss com cetro e coroa.
Com a dedicatória que ela em letra miúda, insistiu em fazer:
"Pra que os olhos relembrem quando o teu coração infiel esquecer.
Com um beijo, Margot"

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Ângela Maria e João Bosco cantam "Miss Suéter":