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sábado, 14 de março de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - JUSSARA MARQUES, MISS BRASIL 1949

Por Daslan Melo Lima


O CONCURSO MISS BRASIL 1949


          Treze moças de várias regiões brasileiras disputaram o título de Miss Brasil 1949, realizado no Hotel Quitandinha, Petrópolis, no dia 12 de junho de 1949:


Miss Acre - Glória Blemen
Miss Amazonas - Maria Amália Ferreira
Miss Espírito Santo - Yedda Finamore
Miss Estado do Rio – Cora Laterça
Miss Distrito Federal - Marina Cunha
Miss Goiás – Jussara Marques
Miss Maranhão - Norma Guedes
Miss Minas Gerais – Maria da Glória Drummond
Miss Pará - Brigitte Riebsch
Miss Paraná – Josemary Caldeira
Miss Pernambuco – Maria Auxiliadora Manguinhos
Miss Rio Grande do Sul - Myriam Hartz
Miss São Paulo – Margarida Frussa


          A favorita era a carioca Marina Cunha, Miss Distrito Federal, mas a vencedora foi Jussara Marques, Miss Goiana, e assim ficou o resultado:


1º Lugar: Miss Goiás, Jussara Marques
2º Lugar: Miss Distrito Federal, Marina Cunha
3º Lugar: Miss São Paulo, Margarida Frussa
4º Lugar: Miss Amazonas, Maria Amália Ferreira


          Maria da Glória Drummond, Miss Minas Gerais, casou-se com o colunista Ibrahim Sued (1924-1995), e se tornou grande figura de destaque da sociedade carioca com o nome de Glorinha Sued.


JUSSARA, UM BROTINHO GOIANO



Jussara Marques, Miss Brasil 1949, na capa de uma das mais prestigiadas revistas brasileiras da época, Vida Doméstica, agosto de 1949


          Jussara Marques, cujo nome às vezes aparece escrito nos meios de comunicação da época como Jussara Marquez, com “z”no final, era filha do casal Ormides Martins de Souza e Isaura de Souza Martins, nasceu em Itumbiara, Goiás, e foi morar em Goiânia em 1941, na Rua 02. Jussara Marques foi Rainha dos Estudantes, vice-Rainha da Primavera, Glamour Girl e Miss Goiás representando o Goiás Esporte Clube, patrocinada pelo jornal “A Folha de Goiaz”. No mesmo ano em que Jussara foi eleita Miss Brasil, sua família comemorou outro importante título de beleza: Jurema, a irmã caçula, foi eleita Rainha dos Esportes do Brasil. O reinado de Jussara Marques durou cinco anos, pois os brasileiros só conheceram outra Miss Brasil em 1954, quando houve novo concurso e a eleita foi a baiana Marta Rocha.



Todos se recordam do concurso de Miss Brasil de 1949, que polarizou as atenções de todo mundo, que escolhia sua candidata, fincava pé e fazia inimizades se aparecia um impertinente para dizer que fulana era a melhor do que beltrana. Marina Cunha, Miss Distrito Federal, era a candidata mais cotada para o título, inclusive pelos promotores do concurso e pelo Sr.Raul Guastini, seu cabo eleitoral nº 1. Mas houve um desentendimento entre Guastini e Marina. Os promotores do concurso ficaram aturdidos. Já se tinha como certa a escolha de Marina, como Miss Brasil. Mas Raul Guastini estava queimado e fez uma intervenção espetacular. Proibiu os mentores do Miss Brasil de eleger Marina. Se o fizessem...

- Quem pode ser Miss Brasil, meu Deus? - Esta era a pergunta dos promotores do concurso, quando alguém teve um estalo e gritou: - Jussara.
- Sim, Jussara!
Jussara Marques era exatamente um brotinho goiano, de 18 anos, de longos cabelos e beleza suave, ao mesmo tempo que exótica. O brotinho goiano recebeu faixa, título, presentes, propostas para o cinema, pedidos de casamento. Podia integrar-se na metrópole, casar com alguém bem posto na vida, ser estrela de filme de Lima Barreto. Não fez nada disso. Voltou à província. E há seis anos joga tênis, dá entrevistas e dirige seu Vanguard.


(Texto de Antônio Rocha, fotos de Gervásio Batista, revista MANCHETE,12/06/1954)




JUSSARA, NOME DE CIDADE EM GÓIAS


          A cidade goiana de Jussara , a 240 km de Goiânia, tem esse nome em homenagem à Miss Brasil 1949, sugestão de Orozimbo Coimbra Bueno, pai de Jerônimo Coimbra Bueno, então Governador de Góias. A cidade de Jussara está localizada no oeste goiano e é um dos principais municípios da região. Tudo começou com a fundação da Colônia Agrícola Água Limpa, em terras do município da cidade de Goiás. Os primeiros colonos, Estevão Fernandes Rebouças e Limírio Neves de Mota, ergueram uma capela em louvor do Senhor Bom Jesus da Lapa, dando início ao povoado chamado de Água Limpa. Em 1950, o nome mudou para Jussara. No dia 12/11/1953, Jussara foi elevada a distrito. Emancipou-se em 14/11/1958. A agropecuária é a sua maior fonte de economia e a terra fértil propicia o cultivo da lavoura com grande êxito.



JUSSARA, UMA DAS GRANDES DAMAS DA SOCIEDADE DE BRASÍLIA


          No segundo semestre de 1954, Jussara Marques casou-se na Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Belo Horizonte, com o bancário Marcelino Champagnat de Amorim, seu primeiro e único namorado, natural de Patos de Minas.


Nos anos 70, morando em Brasília e gozando do imenso prestígio de ser uma das grandes damas da capital do país, Jussara posou para esta foto ao lado de três dos seus quatro filhos. Mulher ativa, elegante e inteligente, a Miss Brasil 1949 dividia o tempo com o lar, o tênis e a vice-presidência da Casa do Candango. (Foto: Revista FATOS & FOTOS,17/06/1974)



JUSSARA, A MORTE DE UMA MISS

          Jussara Marques morreu no dia 24/02/2006 e no dia seguinte o Diário de Goiás assim destacou o seu falecimento:


Mulher apaixonada pelas artes, atenciosa com a família e sem nenhuma vaidade. Apesar de ter entrado para a história do estado como a primeira e única goiana a ser eleita Miss Brasil, em março de 1949, Jussara Souza Marquez de Amorim era simples, não se apegava a bens materiais. Os sentimentos eram mais importantes. Ontem, aos 74 anos, morreu e deixou filhos, netos e parentes conscientes desses valores. 

Jussara vivia no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. A sua companhia era o filho Vinícius Marquez, 40. Ele era motivo de orgulho por se tornar teatrólogo. Assistir às peças dele era como um presente para a Miss Brasil. Desde jovem, ver as cortinas se abrirem a encantava. “Minha mãe era uma artista. Sempre gostou de tudo relacionado a área cultural. Artesanato era um de seus dons”, descreveu a jornalista Paula Marquez, 42, por telefone, durante o velório no Cemitério do Caju. 


O último pedido de Jussara foi para que os familiares jogassem suas cinzas no mar carioca. A cremação seria hoje de manhã. A cerimônia de despedida não tem data marcada por causa do carnaval. “Nessa época o Rio de Janeiro pára”, justificou Paula, que se consolou logo em seguida. “Pelo menos minha mãe não sofreu”, disse. A Miss Brasil morreu de câncer. A doença, descoberta no final do ano passado, se espalhou do pulmão para outros órgãos em pouco mais de um mês. 

Após se emocionar outra vez, Paula lembrou das atividades de Jussara. “Ela viajava o País inteiro para negociar obras de artes”, disse. Era fã de Van Gogh. Na literatura, se deliciava com o chileno Pablo Neruda. O verso “Dois amantes felizes não têm fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem, são eternos como é a natureza”, do poema Walking Around, pode ser usado para traduzir o pensamento da filha ao se recordar da mãe e do pai, Marcelino de Amorim, que morreu há 13 anos.


.................Foto: revista Manchete, 04/07/1959...........................



A única Miss Brasil por Goiás deu nome ao município de Jussara (a 223 km de Goiânia). Na época, era o povoado de Água Limpa. “Ela ficou muito agradecida, disse que foi maravilhoso”, conta Paula. A filha lembrou que a mãe ganhou uma fazenda na região, mas nunca tomou posse da terra. “Não importava o dinheiro. O carinho recebido nas homenagens a emocionava.


Paula disse que Jussara aproveitou o período em que foi eleita Miss Brasil, mas que não serviu de pretexto para alimentar o ego. “O que passou, passou. Depois foi cuidar da vida, teve quatro filhos”, contou. Gostava de preparar comidas típicas de Goiás, como arroz com pequi e empadão goiano. Os netos eram muito paparicados. Ao se casar em 1954, mudou-se para Belo Horizonte (MG). Depois, morou no Rio e Distrito Federal. O marido era bancário. A paixão pelas terras cariocas falou mais alto e por lá ficou até a morte. “Mas sempre visitava Goiânia, onde tem parentes”, ressaltou. 

EPÍLOGO



          Jussara tinha orgulho de suas raízes e em entrevista ao repórter Antônio Rocha (Manchete, 12/06/1954) declarou:

Tenho raiva de quem fala mal de Goiás. Logo que eu cheguei ao Rio briguei com Halfed – o fotógrafo, sabe? - porque ele me perguntou se era verdade que uma onça comera o porteiro do cinema. Respondi-lhe que em Goiás os cinemas não tinham mais porteiros. Tantos botassem tantas as onças comiam.



          Imagino o orgulho de quem nasce na cidade de Jussara explicando a origem do nome da sua cidade natal. Deve ser mais ou menos assim:  Sou de Jussara, com dois “s”. Juçara com “ç” é nome de palmeira. O nome da minha cidade homenageia Jussara Marques, uma jovem linda que foi eleita Miss Brasil 1949.
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P.S.: Saiba mais sobre o concurso Miss Brasil 1949 neste link : 
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/03/sessao-nostalgia-seccao-em-construcao_31.html 
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sábado, 7 de março de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Adalgisa Colombo e Luz Marina, o cisne e a pombinha

Daslan Melo Lima

       
          Setembro de 1958. A redação da empresa Diário de Notícias, responsável pela edição da revista Mundo Ilustrado, recebeu a visita de Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia, eleita Miss Universo 1958. Entre a chegada e o coquetel, Luz Marina percorreu as dependências do moderno parque de arte gráfica, acompanhada de Adalgisa Colombo, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958.
          A viagem de catorze dias de Luz Marina ao Brasil foi patrocinada por Max Factor, um dos promotores do concurso Miss Universo. Luz Marina veio divulgar a nova linha de produtos de beleza de Max Factor, inclusive o lançamento de um batom com o nome Luz Marina.
          Simples, com um sorriso sem formalidades e uma naturalidade que encantou a todos, Luz Marina posou para os fotógrafos Campanella Neto e Adir Vieira. A revista Mundo Ilustrado de 04/10/1958, circulou com quatro páginas e nove fotos dedicadas à bela colombiana. O texto abaixo e as fotos em preto e branco foram extraídas da reportagem Luz Marina Quer Voltar Ao Seu Mundo De Verdade, de Maria de Lourdes Pinhel.



As duas mulheres mais belas do mundo de 1958 posando para Campanella Neto. Luz Marina usava um colar de contas brancas que dava três voltas no pescoço. Adalgisa Colombo portava um colar de cores variadas que dava sete voltas no pescoço.


          Luz Marina é simples, recatada, meiga, possui um charme que a todos cativa. Vendo-a é que podemos compreender – pondo-nos no lugar dos juízes de Long Beach – o porquê da sua vitória, o segredo do pontinho que tirou o cetro da nossa Adalgisa. 

          É que Adalgisa é bela - mas sabe que o é - tem classe, experiência, sabe posar, agradar aos fotógrafos, mas cada movimento seu é calculado, cada palavra estudada com antecedência, para produzir efeito. Ela é, sempre, a modelo profissional, com o sorriso e o andar da passarela.

         Luz Marina, ao contrário, é a moça que nunca sonhou ser eleita e encara o que lhe está acontecendo como uma aventura maravilhosa. Nada espera conseguir de vantajoso com a sua coroa e no próximo ano, quando for escolhida sua sucessora, voltará à sua casa, à sua vida, aos seus amigos – exatamente como era antes. 

          Luz não tem ambição: tudo que aspira é casar-se, ser uma ótima dona de casa e ter muitos filhos. Daqui a alguns anos terá alguns quilinhos a mais, uma família numerosa e um lar muito feliz.

          A diferença entre elas é que Adalgisa é altaneira como um cisne, e Luz humilde como uma pombinha. mas os juízes preferiram a sua espontaneidade e modéstia aos gestos estudados da nossa Miss Brasil.





          Luz Marina nasceu no dia 31 de dezembro, há 19 anos, na localidade de Pereira Caldas, na Colômbia. Estudava no Colégio de Religiosas de La Presentation, em Manizales, e sempre foi ótima aluna; freqüentava festinhas – sempre em companhia da sua Mama, a simpática D.Margarita – jogava tênis e montava a cavalo. 

          Jura que nunca teve namorado. Tem 4 irmãos: Herman, o mais velho, tem 25 anos e é o chefe da família desde a morte do pai; Oscar tem 22 e é o mais alegre; Jorge é o caçula, com 15. Amparo, de 16, é muito parecida com Luz - o que quer dizer que é belíssima, também. “No mais, no mais! Miss Universo, na família, basta uma” – diz-nos D.Margarita, assustada, quando lhe perguntamos se Amparo se candidataria ao título, daqui a alguns anos.

          Luz Marina é perfeita mignon – 1,63 de altura – bem proporcionada, tem a pele de uma linda tonalidade trigueira, olhos brilhantes e escuros, um pequeno sinal junto do lábio superior e uma boca bem desenhada, que está sempre entreaberta num sorriso. É a Miss menos Miss que se possa imaginar. Temos a impressão de que se sente envergonhada com tantas atenções e homenagens. Durante a visita às oficinas – onde assiste, encantada, à impressão do novo número do MUNDO ILUSTRADO – Luz interessa-se por tudo e conversa animadamente, sem demonstrar fadiga, embora esteja cumprindo um exaustivo programa que não lhe permite descanso algum.

“O que mais queria era poder andar nas lojas e comprar algumas coisas lindas, de “recuerdo”. Mas não posso! Ontem, tentei sair, usando uns óculos escuros e um turbante. Mesmo assim, reconheceram-me logo! Tive de voltar correndo para o Hotel. Não sei como fazer1” – queixa-se, desanimada. Conta-nos que nunca, nem sonhando, imaginou ser eleita; estava felicitando Adalgisa pensando que ela fora a escolhida, quando recebeu a notícia. Quase desmaiou. Adora viajar, e gostou imenso dos Estados Unidos, mas não queria viver lá ,e muito menos tentar o cinema.





          “Tudo o que pretendo é voltar a ser eu mesma, casar-me e ter muitos “niños”. Gosto da vida de casa, de ler romances de amor, de dançar - e aqui no Rio aprendi o samba – de usar roupa esporte, de jogar tênis e andar a cavalo”.

          Luz Marina não é supersticiosa nem tem medo de andar de avião. Usa perfume “Nuit de Noell” e uma maquiagem muito suave. O seu hobby é colecionar caixas de fósforos, e tem predileção por anéis.É profundamente católica e o santo de sua devoção é São Judas Tadeu. O que mais detesta é ir ao dentista. Acha os “muchacos brasilenõs” maravilhosos diz-nos, sorrindo, que o seu futuro marido terá de ter bons sentimentos, ser trabalhador... e ganhar dinheiro. Para uma Miss Universo, até que não é muito exigente, não acham?
          Por fim, embora sempre amável, Luz Marina mostrava sinais visíveis de cansaço. Tirou os sapatos para repousar os pés, segurou a cabeça nas mãos, fechou os olhos. 

“Estou exausta! Daqui a pouco adormeço, nesta poltrona! Desde manhã ando nesta roda viva, e hoje ainda tenho três compromissos e à noite serei entrevistada na televisão. Quem me dera estar de volta á casa, descansando na fazenda...” 
          E explica-nos que essa fazenda, que a sua família possui nos arredores de Manizales, é o seu refúgio; lá é que vai repousar dos compromissos extenuantes e esconder-se dos admiradores. 
Prometeu aos irmãos que estará de volta no dia 31 de outubro para poderem apagar, juntos, as 20 velhinhas do seu bolo de aniversário.
          Luz diz-nos que espera voltar ao Rio, quando não for mais Miss Universo, para poder apreciar as belezas da nossa cidade e, como qualquer turista anônima, sair e fazer compras sem ser importunada pelos fãs. Mas isso será difícil, pois a uma moça tão bonita como Luz Marina - mesmo não tendo mais a coroa - é impossível passar despercebida. E terá de suportar, pelo menos, os galanteios e os ”fiu-fius” dos seus admiradores cariocas.

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Adalgisa Colombo em foto recente,extraída do site de Leila Schuster


          Adalgisa Colombo preparou-se intensamente para ser Miss Brasil. Perdeu a motivação para conquistar a coroa de Miss Universo quando se apaixonou pelo empresário Jackson Flores e com ele casou antes de terminar o seu reinado de Miss Brasil. No ano passado, recebeu uma homenagem durante a realização do Miss Brasil, pelos 50 anos do título. Na ocasião, declarou que estava muito emocionada mas que não ia chorar.
          Um cisne é um cisne.


Luz Marina em foto recente - Jornal El País

          Luz Marina foi até o final do seu reinado, casou tempo depois com o médico Enrique Vélez e teve quatro filhos. No ano passado, em sua Colômbia querida, deve ter recebido várias homenagens pelos 50 anos do título de Miss Universo. Nessas ocasiões, deve ter declarado que estava emocionada e se permitiu chorar.
          Uma pombinha é uma pombinha.

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Concurso Miss Pernambuco 1989

Daslan Melo Lima

          O concurso Miss Pernambuco 1989 foi um dos mais belos e prestigiados eventos já realizados para eleger uma pernambucana para competir ao título de Miss Brasil.



FICHA TÉCNICA


Local: Clube Português do Recife
Data: 11 de março de 1989
Promoção: Empresa Jornal do Commercio
Transmissão: TV Jornal
Coordenadores: Mucíolo Ferreira e Fernando Machado
Secretária/Chaperone/Coordenadora: Aurenice Marinho
Apresentação: Maria Rossiter e José Mário Austregésilo
Atrações musicais: Savinho, Beto Mi, Leonardo Sullivan e as alunas da Academia de Marlene Vilarinho
Comissão julgadora: Sílvia Couceiro Cavalcanti (presidente do júri), Bruno Ribeiro, Sérgio Moury Fernandes, Mário Gil Rodrigues Neto, João Alberto Sobral, Assis Farinha (proprietário das lojas Ele & Ela Modas, doador de 1 mil cruzados em roupas para a primeira colocada), Paulo Sérgio Contador, Élder Lins Teixeira (dono da Agência de Turismo Frevo, que deu prêmios para a primeira e segunda colocadas), Édson Gomes Pinto, Marcílio Campos, Clarice Cavalcanti, Sônia Palácio Barros Correa, Laís Monte Teixeira, Rosa Guerra, Lília Santos, Glorinha Aguiar, Socorro Lyra, Ione Tavares, Yara Dubeux (criadora dos sapatos que as misses usaram durante o desfile de maiô) e Gracinha Guimarães
Apuração dos votos: Luísa Pessoa Leão e Fúlvio Rego Barros
Coreografia: Reinaldo Zimmermann (Foi dado destaque ao frevo, no ano em que se comemorava os 100 anos de criação do Clube Vassourinhas)
Maquiagem oficial: Maquiadores da equipe dos produtos Pierre Alexander
Cabeleireiros: Equipes lideradas por Moacir Freire e Almir da Paixão
A coroa: Uma peça valiosa de ouro, prata e zircone, criação de Isaías Leal
As faixas e o manto: Lenir Rodrigues foi a autora da faixa e do manto da Miss Pernambuco, assim como da faixa da Miss Simpatia. Os nomes eram bordados em fios dourados e o manto, arrodeado de arminho branco, era em veludo azul com um arco-íris, uma cruz e um sol no centro, evocando a bandeira de Pernambuco.

AS FINALISTAS


1º lugar: Ana Cristina de Medeiros, Miss Gravatá, 18 anos, 1,77 de altura, 57 Kg, 84 cm de busto, 66 de cintura, 94 de quadris, 59 de coxas e 21 de tornozelo. .
Prêmios: Uma viagem à Cuba, oferta das empresas Unique Travel e Trevo; uma viagem a São Paulo, promovida pela Agência Luck; um colar de pérolas, ouro branco e brilhantes, oferta da Empresa Jornal do Commercio , e 1.000 cruzados em roupas da loja Ele & Ela Modas;
2º lugar: Rosivan Rodrigues da Silva, Miss Petrolina, 1,70 de altura, 54 Kg, 89cm de busto, 65 de cintura, 91 de quadris, 55 de coxas e 20 de tornozelo.
Prêmios: uma excursão de dez dias pelo sul do país, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, oferta das empresas Excursões São José e Frevo; um conjunto de jóias de Clementina Duarte e uma viagem Recife-Belo Horizonte, oferta da Varig;
3º lugar: Andréa Castro Leicht, Miss Clube dos Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, 1,73 de altura, 52 kg, 90cm de busto, 64 de cintura, 91 de quadris, 53 de coxas e 22 de tornozelo.
Prêmio: Uma viagem a Salvador, oferta da Banorte Turismo, e hospedagem no Hotel Quatro Rodas, oferta de Francisco Esteves.


Rosivan Rodrigues da Silva, Ana Cristina de Medeiros e Andréa Castro Leicht, as três mais belas pernambucanas de 1989


4º lugar: Gilcéia de Queiroz Nascimento, Miss Vitória de Santo Antão;
5º lugar: empate, Roberta Cristina Dantas de Almeida, Miss Limoeiro, e Andréa Carolina Veras, Miss Moreno;
6° lugar: empate, Paola Bertole Silva Neto, Miss Camaragibe, e Marta Magna Tavares de Lira, Miss Santa Cruz Futebol Clube;
7º lugar: Mione de Fátima Varejão Cortizo, Miss Jaboatão, a mais alta, 1,83m de altura;
8º lugar: Patrícia Maria Pereira Zarzar, Miss Clube Português do Recife.


AS DEMAIS CONCORRENTES
Miss Arcoverde, Cleonice Araújo, 
eleita Miss Simpatia. Prêmio: uma viagem a Maceió, oferta da Pantur;
Miss Banorte, Nádia Santana;
Miss Bonito, Anne Pessoa;
Miss Caixa Econômica Federal, Ana Paula Battistella
Miss Caruaru, Valéria Verardi;
Miss Iate Clube, Ioni Okuda;
Miss João Alfredo, Ana Paula Melo;
Miss Olinda, Tânia Rodrigues;
Miss Paulista, Fernanda Jordão;
Miss Pesqueira ,Betânia Melo;
Miss Rodoviário, Fátima de Oliveira
Miss São Lourenço, Ana Dolores Carneiro Leão
Miss União Esporte Clube de Apipucos, Rosilda Ferreira.
Miss Vassourinhas, Graceani Misseno.



DETALHES

          Um dos momentos mais emocionantes do concurso foi aquele em que surgiram na passarela seis Misses Pernambuco:
Zaíra Pimentel, Miss Pernambuco 1957;
Maria Eunice Mergulhão, Miss Pernambuco 1968;
Enilda de Sá Barreto Kretzmar, Miss Pernambuco 1973;
Rita de Cássia Spencer Pedrosa, Miss Pernambuco 1981;
Mônica Lima Veloso, Miss Pernambuco 1983;
Simone Augusto, Miss Pernambuco 1985 e Miss Brasil Mundo 1987.

          Cada uma delas, portando uma bengala para fazer a marcação, no melhor estilo Maria Augusta, da Socila, lideravam grupos de quatro candidatas.


Zaíra Pimentel, Maria Eunice Mergulhão e Enilda de Sá Barreto Kretzmar


Rita de Cássia Spencer Pedrosa, Mônica Lima Veloso e Simone Augusto



          Alguns dos mais famosos nomes da moda em Pernambuco assinaram os vestidos das concorrentes ao Miss PE 1989, entre eles: Lenir Rodrigues, Paulo Carvalho, Alexandre Filho, Carlos Costa, Ferreirinha, Ricardo de Castro, Airton e Giovani. Vestidos clássicos, em seda francesa, nos tons vermelho, preto, azul e branco, a maioria com tules e com pedrarias na dose certa. As maiores torcidas organizadas eram as das Misses Jaboatão, Gravatá e Petrolina.


EPÍLOGO


          Eu estava lá, no Clube Português do Recife, naquela noite de 11 de março de 1989, no meio de um público estimado em 10.000 pessoas. Cheguei cedo. Antes dos portões abrirem, percebi uma agitação ao redor. Era a belíssima negra Ana Maria Guimarães, Miss Pernambuco 1988, uma verdadeira deusa de ébano, que estava chegando. Consegui driblar minha timidez e pedi um autógrafo.
          Daquele concurso, guardo a imagem de várias garotas maravilhosas.
Fiquei indeciso entre torcer por Ana Cristina de Medeiros, Miss Gravatá, a vencedora, com seu charme e desenvoltura, e Andréa Castro Leicht, Miss Clube dos Oficiais da Polícia Miliar de Pernambuco, com sua classe e tranqüilidade, que acabou ficando com o terceiro lugar.



          E entre outras lindas concorrentes estavam: Roberta Cristina Dantas de Almeida, Miss Limoeiro, e Andréa Carolina Veras, Miss Moreno, empatadas em quinto lugar, além de Betânia Melo, Miss Pesqueira, que lembrava Suzy Rêgo, Miss Pernambuco e vice-Miss Brasil 1984. Betânia Melo seguiu carreira de modelo e participou de grandes desfiles de moda na Europa.



          O ano de 1989 foi o último do que se convencionou chamar de era Sílvio Santos, iniciada em 1981, quando os Diários e Emissoras Associados deixaram de promover o concurso Miss Brasil.
         Benza-te Deus, Ana Cristina, dizia a chamada da primeira página do Jornal do Commercio, Recife, de 13/03/1989, de onde reproduzi as fotos de Aluíso Arruda e Geraldo Guimarães que ilustram esta matéria.
          Benza-lhes Deus, jovens que participaram do maravilhoso e inesquecível Miss Pernambuco 1989.


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sábado, 14 de fevereiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MIRTA MASSA, UMA RAINHA EM NEW YORK

Primeira semana do mês de junho de 1967. A revista Manchete, edição de 03/06/1967, estava nas bancas de todo o Brasil trazendo na capa uma morena linda de olhar profundo e sorriso enigmático, uma Mona Lisa dos tempos modernos, guardando as devidas proporções.
As chamadas da capa faziam referências ao Japão; ao livro Sangue Frio, de Truman Capote; ao oitavo capítulo de um livro de Carlos Lacerda; a um inquérito surpreendente sobre a mulher brasileira na moda e às confissões de um criminoso de guerra que confessava porque não tinha matado Hitler.
Curiosas chamadas, com certeza, mas foi o rosto lindo da argentina Mirta Teresita Massa, Miss Beleza Internacional 1967, que deve ter feito a famosa revista bater recorde de vendas.



DO ALTO DA GLÓRIA, UMA RAINHA EM NOVA IORQUE – Para uma argentina de 19 anos, Nova Iorque é um sonho emocionante. Principalmente se ela traz a força da juventude e sabe que é bela.
Mirta Massa não tem dúvidas, a esse respeito: um severo júri a escolheu Miss Beleza Internacional de 1967, em Long Beach. Com o prêmio, Mirta ganhou uma viagem pelos Estados Unidos e escolheu Nova Iorque como o ponto de partida de uma aventura inesquecível.

Ela foi à Broadway, fez compras na Macy’s, voltou à infância no Central Park e se entusiasmou com o Empire State.
“É impressionante ver como a altura dos edifícios toca os nossos corações” – disse a jovem Mirta, que, apesar de tudo, confessou já ter saudades dos pampas e do tango.

(Sergio Alberto, revista Manchete, 03/06/1967)

O concurso Miss Beleza Internacional 1967 foi realizado em Long Beach. Quarenta e seis jovens, oriundas de várias partes do mundo, disputaram o cobiçado título.
O Brasil foi representado por Virgina Barbosa de Souza, semifinalista, Miss Minas Gerais 1966, quarta colocada no Miss Brasil 1966.
Aqui, vale a pena uma observação. O Miss Beleza Internacional de 1966 não foi realizado. Como o certame de 1967 aconteceu em 29 de abril, antes do Miss Brasil 1967, caberia a Francy Carneiro Nogueira, Miss Ceará 1966, terceira colocada no Miss Brasil 1966, o direito de ir à Long Beach. France Carneiro, no entanto, casou antes de completar o seu reinado. Foi aí que Virgínia Barbosa de Souza, morena paraibana criada em Montes Claros-MG, ganhou a oportunidade de ser a Miss Brasil do Miss Beleza Internacional 1967.

Mirta Massa passou na frente de fortes candidatas, tais como Miss Israel, Yaffa Sharir, segundo lugar; Miss Estados Unidos, Pamela Elfast, terceiro lugar; Miss Peru, Martha Quimper Suárez, quarto lugar, e Miss Hong Kong, Gisella Ma Ka-Wai, quinto lugar.

Mirta Massa tornou-se uma das mulheres mais amadas da Argentina. O país inteiro ficou consternado com a notícia de que ela teria morrido vítima de trágico acidente em 1999. Os argentinos só ficaram aliviados quando a imprensa esclareceu o equívoco, a mulher morta tinha o mesmo nome da sua querida rainha da beleza internacional.
Carismática e muito inteligente, Mirta Massa dedicou-se às artes plásticas. No campo amoroso, apaixonou-se pelo tenista profissional Guilermo Villas.

“Dos Cuerpos Recortados”, acrílico sobre tela, 100 x 90 cm, de Mirta Massa

Acredito que o pensamento de Mirta Massa voa para aquele dia em New York, quando entusiasmou-se com a altura do Empire State, todas as vezes que está pintando as suas belas, elogiadas e valiosas obras de arte.

“Cuerpos Proyectados”, acrílico sobre tela, 194 x 197 cm, de Mirta Massa


Adaptando o texto de Sérgio Alberto para 2009, eu digo assim: Para uma argentina de 61 anos, voltar a Nova Iorque é um sonho emocionante. Principalmente se ela traz a sabedoria da maturidade e sabe que é bela.

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - LIA PIRES DE CASTRO, A GRACE KELLY DO CEARÁ

Daslan Melo Lima

      Hotel Quitandinha, Petrópolis, 22 de junho de 1957. Era quase meia noite e o público impaciente queria que o concurso Miss Brasil 1957 começasse, pois a festa tinha sido agendada para ter início às 21 horas. Alguém teve a idéia de protestar pelo atraso jogando um balde de gelo em direção do palco e uma das pedras atingiu a testa de Clóvis Salgado, Ministro da Educação, membro da comissão julgadora. Enfim, vinte lindas jovens entraram na passarela e os aplausos entusiasmados invadiram o espaço.


As torcidas organizadas estiveram a postos. Miss Minas Gerais foi a mais aplaudida, e os aplausos vinham principalmente das galerias, onde mais se concentrou a colônia mineira. 
Miss Ceará teve sua torcida liderada pelo Ministro Parsifal Barroso, Governador Paulo Sarazate e Deputado Carlos Jereissati, todos numa só mesa, com as famílias.  
(Revista Manchete, 29/06/1957)

     Naquele 22/06/1957, uma nordestina encantou o Brasil, Lia Pires de Castro, Miss Ceará.
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Lia Pires de Castro na passarela do Náutico Atlético Cearense, Fortaleza-CE, 11/05/1957, eleita Miss CE 1957 representando os clubes elegantes unidos da capital cearense. 


Lia Pires de Castro, Miss Ceará 1957, vestindo o maiô Catalina com o qual desfilou no Quitandinha. (Manchete, 06/07/1957). 
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A cearense Lia Pires de Castro tinha um rosto que lembrava as fisionomias de Grace Kelly e Ingrid Bergman. Em certas ocasiões, o público aplaudia Lia e gritava pelo nome de Grace Kelly. 
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      A responsabilidade de eleger a Miss Brasil 1957 coube a uma comissão julgadora composta pelas seguintes pessoas : Clóvis Salgado, Ministro da Educação; Herbert Moses, presidente da Associação Brasileira de Imprensa; Accioly Neto, teatrólogo e diretor da revista O Cruzeiro; Maria Helena Raja Gabaglia, socialite ; Mena Fiala, modista; Francisco Olympio de Oliveira, diretor dos Laboratórios Leite de Rosas; Carlos Machado, empresário da noite carioca; Alfred Bluhm, presidente da indústria de maiôs Catalina; Harry Stone, vice-presidente da Motion Picture Association para a América Latina, considerado embaixador de Hollywood no Brasil; Jacinto de Thormes, cronista social; e Reinaldo Reis, Chefe de Gabinete do Prefeito do Distrito Federal.

      Lia Pires de Castro ficou em 4º lugar no Miss Brasil 1957, concurso que deu o 1º Lugar a Terezinha Gonçalves Morango, Miss Amazonas, que em Long Beach conquistou o segundo lugar no Miss Universo. As demais finalistas do Miss Brasil 1957 foram: Maria Dorotéia Antunes Neto, Miss Minas Gerais, 2º lugar; Sandra Hervê, Miss Rio Grande do Sul, 3º Lugar; e Karin Japp, Miss Paraná, 5º lugar.
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Grace Kelly (1919-1982)
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Lia Pires de Castro, acima, a mistura brasileira perfeita de Grace Kelly e Ingrid Bergman. (Foto-reprodução da Revista do Globo, acervo de Evandro Silva). 


Ingrid Bergman (1915-1982)________ 
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      Lia Pires de Castro, Miss Ceará 1957, quarta colocada no Miss Brasil 1957,  a Grace Kelly do Ceará, não tornou-se estrela de cinema e não casou com nenhum príncipe. Bastou sua beleza, sua classe e a aura mágica de um título de Miss para ganhar um lugar eterno nos corações dos cearenses.


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sábado, 31 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MISS DISTRITO FEDERAL 1959, UM SONO SEM SONHOS

Rio de Janeiro, 13 de junho de 1959. A cidade vivia seu último ano na condição de capital do Brasil. Naquela noite, no Maracanãzinho, vinte e duas jovens desfilavam na longa passarela de 124 metros em busca do titulo de Miss Distrito Federal, que no ano anterior tinha sido conquistado por Adalgisa Colombo, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958. Aliás, Adalgisa Colombo não passou a faixa para sua sucessora. Meses após ter voltado de Long Beach, ela renunciou para casar com Jackson Flores. A Miss Distrito Federal 1959 recebeu a faixa das mãos do Prefeito Sá Freire Alvim.
As fotos que ilustram esta matéria foram reproduzidas da revista O CRUZEIRO, de 27/06/1959.

Um quarto do estádio foi ocupado por apreciadores das belas federais. Não faltaram à festa dos Diários Associados, sob o patrocínio dos refrigeradores Gelomatic, as torcidas organizadas. Estas, aliás, funcionaram como preliminar do concurso. As mais ruidosas foram as do Flamengo e de Vila Isabel. Parece mesmo que a Vila tinha a seu lado metade dos espectadores.

Mascarenhas e seus acordeons tiveram a sua vez, com bailados exóticos e números alegres. Também a Banda Municipal executou dobrados, sob o olhar discreto do Prefeito Sá Freire Alvim. Centenas de garçons faziam acrobacias, com bandejas em compasso de cai não cai, por entre mesas, onde fervilhavam palpites. Não raro alguém perdia a calma (nas arquibancadas), sendo necessários os argumentos dos Cosme e Damião, felizmente sem maiores conseqüências. O nome de uma ou outra candidata fazia parte do coro das claques, que agitavam bandeiras dos clubes ali representados.

Todo o Rio, pelo rádio e pela TV Tupi (exclusiva) assistiu aos lances da noitada. Foi o toque lírico, no noturno boêmio da cidade. Uma festa que vai virar saudade. Uma ducha de higiene mental, agradável e diferente. Um romântico sonho de curvas, sob a batuta do belo, por excelência.

Um júri eclético funcionou no Maracanãzinho. Mediu, calculou, decidindo por detalhes mínimos. Levou mais de uma hora para dar o seu veredicto. Estava assim formado o staff de selecionadores da beleza carioca: Sras. Mena Fialho, Heloísa Amado e Eunice Modesto Leal e os Srs. Álvaro Americano, Henrique Pongetti, Leão Veloso, H.S. Nazareth, Milton d´Ávila , Abellard França, Julie Kaus e Edílson Varela. Seria desnecessário dizer que esta equipe soube escolher as mais bonitas de um leque realmente esplêndido de candidatas.

(Revista O CRUZEIRO, 27/06/1959)


Na foto acima, da esquerda para a direita: Vanja (4º lugar), Denise (2º lugar), Vera (1º lugar), Claudette (3º lugar) e Marcli (5º lugar)




1º Lugar: Vera Regina Ribeiro, Miss Vila Isabel, que depois seria eleita Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959.
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2º Lugar: Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo. Denise voltou a desfilar no Maracanãzinho, em 1963, na condição de Miss Brasília, onde ficou em quarto lugar.
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3º Lugar: Claudette Martins Moraes, que tinha sido eleita a mais bela funcionária civil.
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4º Lugar: Vanja Nobre Jacob, Miss Botafogo, natural do Amazonas. Vanja disputou o Miss Brasil no ano sequinte, representando o estado onde nasceu, e obteve o sétimo lugar.
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5º Lugar: Marcli Rosseti dos Guimarães, Miss Clube Militar. Semanas antes, ela e Marta Garcia, vice-Miss Clube Militar, tinham concorrido ao Miss Brasília, ocasião onde ficou em segundo e Marta em primeiro lugar.











Vera recebeu a vitória como um deslumbramento. Mal cabia no seu maiô Catalina. Gastou abraços e autógrafos e dedicou aos seus pais e ao clube da Vila a sua vitória. Entrevistada por nós, foi logo respondendo a todas as perguntas. Disse que não acreditava na faixa, apenas um lugarzinho entre as finalistas. Para Vera havia uma Miss bem linda no desfile: Denise, a do Flamengo.
Verinha acha difícil dizer o que sentiu, de verdade, ao ser coroada. Indagada sobre os seus planos, ela respondeu:
“Ficarei no Rio, trabalhando normalmente na Caixa Econômica”, onde é funcionária.
Terminou tudo com um desabafo de Miss sem poses:
“Hoje irei á festa do clube. Tomarei com os meus amigos uma taça de champanha. E depois dormirei até ao meio dia de domingo. Dormirei um sono total, sem sonhos. Mesmo porque o sonho foi vivido na passarela.”

(Revista O CRUZEIRO, 27/06/1959)



Vera Ribeiro talvez nem tenha se dado conta da profunda declaração que deu à equipe de O CRUZEIRO: Dormirei um sono total, sem sonhos.
Eu acredito que ela tenha tido esse sono. Sem dúvida, o sonho foi vivido na passarela.

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sábado, 24 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - KALLOS IRSATE! KIRIAKI, UM DOMINGO NO BRASIL

Daslan Melo Lima

      A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, sucessora da brasileira Ieda Maria Vargas no trono de mulher mais bela do mundo, esteve no Brasil poucas semanas após ter sido coroada Miss Universo.

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Kiriaki, que em bom brasileiro quer dizer domingo, chegou a São Paulo numa sexta-feira, e deu início ao programa de pouco descanso desta sua visita ao Brasil, primeira que faz como Miss Universo1964 a um país fora dos Estados Unidos.
A sua frase, por assim dizer, de prefácio às declarações que viriam a seguir, foi a de que “os brasileiros são um povo muito gentil”.
Ela sabia disso desde os seus contatos com os conterrâneos de Miss U-63 ainda no país que lhe dera a faixa, a coroa e o título de “a mulher mais bela do mundo”. E, já no Aeroporto de Congonhas, Kiriaki Tsopei encontrou a prova dessa gentileza, com gente muita à sua espera e aplauso muito pela sua chegada.

Miss Universo 1964 veio ao Brasil especialmente para desfilar (Kiriaki é modelo profissional) na VII Feira Nacional da Indústria Têxtil, o que fez com Ieda Maria Vargas, Ângela Vasconcelos e as Misses Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. O programa, mais do que exaustivo, começou com uma visita ao Governador Adhemar de Barros que interrompeu um almoço com o cônsul da Alemanha.(Kiriaki chegou com três horas de atraso) para receber a bela visitante.


Depois, sempre na companhia de Ieda e Ângela, enfrentou coquetel e entrevista coletiva, com resposta às perguntas tradicionais de “que acha do Brasil?”, “já tem noivo?” etc. Disse que, antes do concurso, só sabia do Brasil coisas como Pelé, Corcovado e café. O resto do conhecimento viera dos contatos com as misses que tinha o país presente em Miami.


Além dos desfiles da FENIT, que foram cinco, Kiriaki teve que cumprir inúmeros compromissos, entre os quais posar para fotos de publicidade e comparecer a coquetéis promocionais. No sábado à tarde, entre um coquetel e um desfile, ela dormiu durante quinze minutos num divã da administração da Feira. Como não tivera tempo para o cabeleireiro, providenciaram-se retoques rápidos em seu penteado, com os grandes olhos da moça refletindo-se, cansados, no espelho de um banheiro. Minutos a seguir, Kiriaki sorria, como rainha, para os convidados de um coquetel.

Parte do programa de domingo (Kiriaki em grego) teve de ser sacrificada, pois ela não perde missa nesse dia, se no lugar onde estiver houver uma igreja ortodoxa.
Em São Paulo havia. E Kiriaki foi ao Brás, com atraso suficiente para fazê-la chegar à igreja depois de terminada a missa.
O Padre Papadakis, entretanto, a recebeu com uma benção especial, em meio ao alvoroço dos fiéis, que gritavam “Kallos irsate!” (Seja bem-vinda!), enquanto o sacerdote dizia que abençoava não o seu corpo, mas a eternidade de seu espírito.

Na entrevista coletiva, Kiriaki disse que não gosta de se chamar Kiriaki. “Gostaria mesmo era de me chamar Korina”, explicou, embora sem acrescentar o motivo.A um repórter que perguntou se ela pretendia “restaurar” o domínio da beleza clássica grega durante o seu reinado como Miss Universo, limitou-se a uma palavra: “Certamente”.
Estetas presentes, entretanto, consideraram que nenhuma mulher que tivesse as linhas clássicas ganharia o concurso que deu o título a Kiriaki Tsopei.

_______Reportagem de George Torok e Ronaldo Moraes - Revista O CRUZEIRO, 12/09/1964)


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      Cansaço e atrasos inevitáveis fizeram parte da primeira visita de Kiriaki Tsopei ao Brasil, mas ela soube conquistar a todos com sua classe e simpatia. Foi lindo o seu exemplo de religiosidade, ao fazer questão de não perder a missa daquele domingo brasileiro de 1964.
      Hoje, com certeza, na tranqüilidade dos seus domingos gregos, Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, deve se lembrar daqueles gritos dos fiéis da Igreja Ortodoxa do bairro do Brás, na capital de São Paulo: Kallos Irsate ! E também da benção do Padre Papadakis que abençoou não o seu corpo, mas a eternidade de seu espírito.

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sábado, 17 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Gerti Daub no verão brasileiro de 1958

Daslan Melo Lima




          Gerti Daub, Miss Alemanha, era a favorita absoluta ao título de Miss Universo 1957, mas a comissão julgadora deu-lhe apenas o título de Miss Fotogenia e o quinto lugar, ficando assim o quadro das cinco finalistas, por ordem de classificação, do primeiro ao quinto lugar: Gladys Rosa Zender Urbina, Miss Peru; Teresinha Gonçalves Morango, Miss Brasil; Sonia Hamilton, Miss Inglaterra; Maria Rosa Gamio Fernández, Miss Cuba; e Gerti Daub, Miss Alemanha.
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O público vaiou a colocação de sua favorita. Só mesmo a invocação da democracia feita pelo locutor, pode conter a vaia que explodiu no Auditorium de Long Beach, ao ser anunciado que a quinta colocação coubera a Gerti Daub, Miss Alemanha, favorita absoluta para o título de Miss Universo. 

Os quatro mil espectadores da última etapa do concurso já haviam tido uma surpresa com a inclusão de Miss Peru e de Miss Inglaterra entre as finalistas, mas ninguém admitia a hipótese de Gladys Zender vir a ser a nova Miss Universo. 

Anunciada a classificação final, Gerti declarou a MANCHETE: “ Só desejo uma coisa: voltar para casa.” Pouco depois, uma senhora americana entregou-lhe um buquê de rosas vermelhas e os claros olhos da bela Gerti turvaram-se de lágrimas.

- Manchete, 03/08/1957

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         Em janeiro de 1958, Gerti Daub visitou o Brasil e foi muito assediada pelos fãs e pela imprensa, tendo sido capa da revista Manchete, foto acima. 

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Em dois dias, Gerti Daub passou de 20 graus abaixo de zero a 40 graus acima. O termômetro marcava 20 graus abaixo de zero em Hamburgo, a semana passada, quando Gerti Daub, Miss Alemanha, uma loura de 20 anos, nascida na Holanda, tomou o avião da Lufthansa para o Brasil. Dois dias depois, ela enfrentava, de bom humor, o verão brasileiro.

- “Nem Rommel,com seu Afrikakorps “ - disse ela em Porto Alegre - “resistiu a tanto calor.”

Em Porto Alegre, festejada pela colônia alemã, a moça loura (que fez versos quando menina e gosta de sanduíches “hamburger”) comeu churrasco à gaúcha e tomou chimarrão. 

Gerti, que é contra o maiô de duas peças - “perigoso por causa do sol” – ao chegar ao Rio, quis ir à praia sem que a vissem. Ela gosta de ir à praia, não gosta de tomar banho de mar. “Água do mar estraga o cabelo”, e cabelo de Miss é arma importante. Gerti queria uma praia sossegada, uma praia de pouca gente. E, sinal dos tempos (tempos de ressaca), foi ao Arpoador. Arpoador é a praia que o mar comeu (Praia de Iracema do Rio, Olinda da Zona Sul ), uma faixa de areia – cinco metros se muito – espremida entre o mar e o paredão. A solidão de Gerti, no Arpoador, não durou cinco minutos. Apareceram mocinhas pedindo autógrafos. No Rio, mocinhas que pedem autógrafos às vezes falam alemão.



E Gerti, que é branca e frágil, não pôde estar só em suas andanças no Rio. Uma caravana de gente levou-a ao Pão de Açúcar (ela viu de longe o bondinho, e pediu de dedo em riste: “Quero ir lá”). Outra caravana cercou-a no jantar-dançante do Copacabana Palace.

Com sua pequena máquina fotográfica e um saco de filmes coloridos, está reunindo um documentário sobre o Rio para mostrar às amigas de Hamburgo. 
Trabalhou em uma fita alemã, “O Coração de São Paulo” (São Paulo é um bairro de Hamburgo), mas já não quer negócios com o cinema.
- “Não gosto de cinema como profissão. Gosto de cachorros e automóveis.”

Um amigo alemão (residente no Rio) levou Gerti à praia, passou-lhe óleo nas costas, levou-a até a arrebentação das ondas e logo tiveram que se retirar porque o sol, forte, ameaçava a pele da moça pouco afeita ao calor do trópico.
De óculos escuros, Gerti olhou em volta e, quando viu que havia muita gente esperando os autógrafos, assinou meia dúzia de papeizinhos e foi-se para o hotel em busca de sossego.

- O Cruzeiro, 25/01/1958

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            Encontrei recentemente na Internet uma  foto atual de Gerti Daub, através do seu site http://www.gertihollmann.de/http://www.gertihollmann.de/, linda, elegante, em ótima forma, transmitindo simpatia, vitalidade e felicidade. 
         Imagino que ainda guarda ótimas recordações daquele verão brasileiro de 1958.

                                                                      *****

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - O SONHO FRUSTRADO DE CAROL MORRIS

Julho de 1957. Enquanto os jornalistas e fotógrafos do mundo inteiro dirigiam suas atenções para as jovens que disputavam o título de Miss Universo, na borda da piscina de um hotel em Long Beach, uma garota linda passava quase despercebida. Seu nome: Carol Morris, a norte-americana que no ano anterior havia conquistado o título máximo da beleza universal.



Carol Morris, Miss Universo de 1956, terminou seu reinado sem esconder uma ponta de melancolia, apesar de ter recebido do público e dos atuais patrocinadores do concurso todas as manifestações de carinho devidas à sua alta dignidade de soberana da beleza universal.
A cerimônia do encerramento oficial de seu reinado foi a mais comovente de quantas se realizaram este ano em Long Beach.
Surgindo sozinha sob um foco de luz intensa no enorme auditório às escuras, Carol dirigiu-se com solenidade para o centro do palco, onde pronunciou seu discurso oficial de despedida, enquanto seus súditos (todos, nós, afinal) se conservavam em profundo silêncio.
Realmente majestosa sob o tradicional manto debruado de arminho, Carol caminhou depois, lentamente, para um globo enorme que girava no fundo do palco, atrás do qual desapareceu.
Em todas as solenidades de que participou, Carol não conseguiu dissimular sua decepção que se soube depois ter sido motivada pela quebra de compromissos de um antigo patrocinador do concurso, que lhe havia prometido um contrato em Hollywood (era um dos prêmios à vencedora do ano passado) até hoje sem cumprimento.
A despeito de sua indisfarçável amargura, Carol soube sorrir quando convinha, tendo-se comportado como verdadeira rainha ao transferir para sua sucessora os símbolos de seu curto e triste reinado.

(Revista MANCHETE, 03/08/1957)

Um contrato em Hollywood era o desejo maior de Carol Morris. Seu sonho frustrado diluiu-se no tempo. Restou a realidade mágica de ter sido Miss Universo 1956.

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sábado, 3 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MIRIAM STEVENSON, DUAS POLEGADAS A MENOS

A baiana Marta Rocha perdeu o título de Miss Universo 1954 para a norte-americana Miriam Stevenson por causa de duas polegadas a mais nos quadris, algo equivalente a cinco centímetros, uma história que já foi contada milhares de vezes em verso e prosa.

Miriam Stevenson, foto abaixo, desembarcou no Brasil em fevereiro de 1955, em plena atmosfera carnavalesca, quando um dos maiores sucessos do carnaval era a marchinha de Pedro Caetano e Carlos Renato que dizia:
Por duas polegadas a mais / passaram a baiana pra trás / Por duas polegadas a mais e logo nos quadris / Tem dó, tem dó, seu juiz.





MIRIAM E SUAS DUAS POLEGADAS (A MENOS) - Com uma calorosa recepção em Belém do Pará, onde populares, açodados, romperam os cordões de isolamento com que a polícia procurou resguardá-la do excesso de curiosidade (e de mão-boba), pisou o solo brasileiro Miriam Stevenson, eleita Miss Universo no concurso do ano passado, em Long Beach, o mesmo que deu à nossa Marta Rocha o título de segunda beleza do mundo. No Rio, a jovem americana teve recepção discreta, porque desembarcou muito cedo, antes das sete horas da manhã. Confessou a sua emoção em conhecer o Brasil e quer ver de perto o Carnaval. Bem trajada (vestido pesado, impróprio para o verão), simpática, desenvolta, Miriam foi recebida pelo Presidente da República e deu entrevista à imprensa. Duas polegadas a menos (de quadris) deram-lhe a vitória sobre Marta Rocha, e agora, juntas, o carioca está comparando as duas beldades. (Revista MANCHETE, 19/02/1955)

























Acima, em fotos de MANCHETE, Miriam Stevenson, à esquerda, duas polegadas a menos nos quadris, e Marta Rocha, à direita, duas polegadas a mais nos quadris. Uma história que ainda é cantada em verso e prosa, como nesta primeira SESSÃO NOSTALGIA de 2009.

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