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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 649, referente ao período de 11 a 17 de dezembro de 2017. ***** Grato por sua atenção.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Vital Bertino (1950-2012), "A morte faz parte da vida, só não quero morrer cedo."

VITAL BERTINO (1950-2012), “A MORTE FAZ PARTE DA VIDA, SÓ NÃO QUERO MORRER CEDO”

Daslan Melo Lima

          A vida sempre foi muito difícil para o padeiro Sebastião Bertino da Silva e para a empregada doméstica Emília Edalina dos Santos. Eles tinham seis filhos para criar e muitas vezes se preocupavam porque não tinham comida para os filhos. Um desses era  Vital Bertino dos Santos, nascido em Macaparana-PE,  em 1º/05/1950, e radicado em Timbaúba desde os 13 anos de idade. Vital Bertino faleceu no último 1º de fevereiro, vítima de problemas hepáticos, deixando uma grande lacuna na cidade.
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           Vital Bertino dos Santos foi aluno do tradicional Colégio Timbaubense e tinha o diploma de Bacharel em Ciências Físicas e Biológicas pela Universidade de Pernambuco. Trabalhou durante 19 anos no Banco do Brasil, de onde se desligou em 1995, quando aderiu ao PDV, Programa de Demissão Voluntária, para se dedicar totalmente às suas atividades empresariais. Era esposo de Zuleida Cavalcanti da Silva Santos e deixou dois filhos, Giorgio e Giordana. Vital também foi Venerável da Loja Maçônica Obreiros do Norte. Tinha uma boa dicção, um tom de voz médio grave.   Não era bom de lembrar datas, mas tinha uma boa memória e relatava fatos de sua vida com muitos detalhes. Era devoto de N.S. Auxiliadora desde criança. Acreditava em vidas passadas, não era supersticioso, não tinha medo da velhice e esperava que sua cabeça permanecesse jovem e não envelhecesse.

          Em 2006, quando Vital Bertino estava no segundo mandato de Diretor Presidente do Timbaúba Tênis Club e era editor do JT - Jornal de Timbaúba, publicação mensal que ele criou em 2003, ele me concedeu uma entrevista exclusiva, publicada em PASSARELA CULTURAL, edição de 10/07/2006. E foi lá, nos meus arquivos, que fui buscar a matéria prima para esta homenagem in-memorian a uma pessoa que marcou época na cena sociocultural da Princesa Serrana

Vital Bertino enfrentou sérios problemas de saúde. Passou vários dias internado no Hospital Jayme da Fonte, no Recife, e chegou a se submeter a um transplante de fígado. O seu corpo foi velado na Câmara Municipal de Vereadores de Timbaúba, de onde saiu às 09h30min da quinta-feira, 02,para o cemitério de Santa Cruz.
Maçons em trajes formais, um ar solene no adeus a Vital.
 
A beleza das flores atenuaram a melancolia da ensolarada manhã. 

         Ping-pong com Vital Bertino*** Comida: Qualquer uma, desde que eu esteja como fome.  Bebida: Um bom uísque e cerveja em pequena quantidade. Clube de Futebol: Santa Cruz. Música de sua vidaDon’t  Cry For Me Argentina. Um livro: A Bíblia. Um filme: A Filha de Ryan. Uma peça de teatro: Um sábado em 30, de Luiz Marinho. Ator e Atriz: Lima Duarte e Fernanda Montenegro. Cantores e Cantoras: Roberto Carlos, Waldick Soriano, Gal Costa e Ângela Maria. Cidade dos seus sonhos: Gramado. Sonho de Consumo: Equipamentos de som e imagem de última geração. Uma mulher bonita: Zuleida, minha esposa. Um dia para relembrar: Um certo dia há 30 anos quando estava ao lado de Zuleida e ouvi pelo rádio Nilton César cantar “A Namorada que Sonhei”. Um dia para esquecer: A morte dos meus pais. Um motivo de arrependimento: Não ter feito pelos meus pais o que achava que poderia ter feito. Fiz muita coisa, mas entendo que poderia ter feito muito mais. O que mais admira em uma pessoa: A capacidade dos que querem viver. Programa de TV: Ídolos. Confesso que teria coragem de participar de um BBB-Big Brother Brasil, não apenas pelo dinheiro, mas para aparecer, mostrar minha maneira de ver o mundo para todo o Brasil. Uma personalidade da história brasileira que gostaria de ter sido: D. Pedro I. Visão política: Na gestão da Prefeita Dra. Emércia Dias, exerci a função de Diretor de Eventos durante dois anos. Gostaria muito que o povo timbaubense fosse bairrista e valorizasse suas raízes e sua cultura, tal como fazem os baianos com a Bahia.Votei em Ciro Gomes para Presidente da República no primeiro turno. No segundo, votei em Lula, mas não votaria nele outra vez. Se eu fosse Presidente do Brasil acabaria com os programas sociais, tais como o Bolsa Família. Eles soam como esmolas. Concederia subsídios para instalação de novas empresas que gerassem empregos para a mão-de-obra desempregada. Passatempo: Escutar músicas e assistir filmes. Um medo: Tenho medo de morrer para não deixar a vida, mas a morte faz parte da nossa existência, só não quero morrer cedo.

No jazigo da maçonaria, os maçons acompanharam cabisbaixos a descida do corpo físico do irmão à sepultura.

          Vital Bertino enveredou em certa fase de sua vida pela carreira de cantor. Gravou dois LPS e participou de duas coletâneas. Duas músicas suas, “Vou Embora Desta Casa” e “Cabeça de Porco”, alcançaram grande sucesso na região. Outra delas, “To Botando Gaia em Você”, estourou no Ceará, graças a divulgação feita por Mução, o famoso personagem criado pelo radialista-comediante Rodrigo Vieira Emerenciano. Vale ressaltar que todas elas eram de sua autoria, tanto as letras como as melodias. Vital só não prosseguiu na carreira de cantor por causa de sua função no Banco do Brasil. 

          Vital Bertino foi muito ligado a Luiz Gonzaga (1912-1989) e chegou a promover três shows do inesquecível cantor em Timbaúba. No último, em parceria com Nilson Perrelli, a quadra da Escola Santa Maria lotou, batendo um recorde de público jamais igualado. Com o lucro, adquiriu seu primeiro veículo, um fusca de segunda mão em bom estado de conservação. Luiz Gonzaga tinha um carinho especial por Vital Bertino, a quem chamava “meu menino de Timbaúba”. Lamentava muito não saber a quem tinha emprestado uma relíquia preciosa: uma fita cassete contendo a gravação de uma longa entrevista que ele fez com o Rei do Baião. E aqui, aproveito a oportunidade para fazer um apelo: se você que está lendo esta matéria for a pessoa a quem o Vital emprestou a fita, peço que entregue a mesma aos seus herdeiros. Um dos seus sonhos era transformá-la em CD para doação ao Museu do Gonzaga, em Exu.

          E assim, conhecemos um pouco de Vital Bertino dos Santos, que se foi relativamente cedo, mas que deixou como reflexão para os nossos leitores, na época de nossa  entrevista, uma mensagem para a construção de um mundo melhor, o lema da Maçonaria, mais atual do que nunca: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
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3 comentários:

DASLAN MELO LIMA disse...

Anônimo disse...

E se foi meu amigo de infância, quantos momentos vivemos juntos, e a nossa rivalidade? ele era locutor na difusora Vitoria (De Vicente) e eu M.Alcantara era locutor na Voz Cultural da Princesa Serrana, ( do Inesquecível Bonitinho) e depois de Jair Barbosa,bons tempos da nossa juventude. Descanse em Paz Amigo, e que o Senhor te receba no Reino da Gloria.
4 de fevereiro de 2012 18:49
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Jose Gilvan Felinto Silva disse...
DORME AGORA O SONO AZUL

José Gilvan, advogado e poeta timbaubense

Vital Bertino, sentado,
Como um anjo, olhando o rio,
Dizia que a morte é bela
se o homem for lembrado.

Sua voz na difusora,
No rádio e no jornal,
Suas pinturas a óleo,
Seus discos de carnaval.

Seu amor por Timbaúba
e sua simplicidade,
seu coração de amigo
e sua humanidade,
asseguram que este homem
jamais será esquecido.

No rio que ele amava
Contaminado com larvas
De ovos de schistosoma,
Ele mergulhou sua alma
Com alegria nas águas
E se afogou na sombra.

Dorme agora o sono azul
Dos grandes homens ausentes
nesta cidade serrana
Que o amará para sempre.


6 de fevereiro de 2012 17:19
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Giorgio Bertino disse...
A família agradece a solidariedade neste momento difícil.
9 de fevereiro de 2012 16:32
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Marcos disse...

Timbaúba tem uma grande perda, com a morte de Vital Bertino. Um Homem simples mas dedicado as "causas" em favor da Timbaúba. Vital deu grandes contribuições a nossa terra, perante as entidades pelas quais esteve participando. Embora não tenha tido a oportunidade de desfrutar de uma amizade mais próxima, mas sempre acompanhe-o desde a época em que era locutor da Difusora Vitória na Rua da Ponte, até as calouradas, quando começou sua carreira de cantor imitando o Waldik Soriano, sua passagem no Banco do Brasil, onde teve a coragem e o arrojo de desligar-se do BB para dedicar-se as suas verdadeiras vocações. Foi pioneiro na instalação de um studio de gravação. Fomos vizinhos e porque não, entre 1984 a 1992, trabalhei no BNB Timbauba e residia na Ferreira de Albuquerque. Vital, tenha um bom descanço na Casa do Pai e a família enlutada, os meus sentimentos.

José Marcos V. Carvalho

tranquelino disse...

Daslan,

Vital tem uma casa vizinha a casa da familia de Fatima, onde todos os anos em janeiro a gente passa 15 dias. Eu tive a oportunidade de beber com ele uma vez num domingo em Pitimbú com meu irmão Joel que tinha vindo passar final de semana comigo nessa casa de Pitimbú. Guardo essa lembrança de Vital ainda hoje.

Que ele esteja num lugar melhor que a gente.


abç,
Tranquelino