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sábado, 19 de julho de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - O lado imoral dos concursos de beleza

Daslan Melo Lima

Esta secção é a reedição da Sessão Nostalgia “Há corrupção nos concursos  de misses?”, de  11 de dezembro de 2010.  Repaginei a matéria e postei as  páginas e fotos da revista que serviu de fonte, dando uma feição mais fiel de documentário.

PRÓLOGO

    
       Ano de 1958. A carioca Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Botafogo, tinha sido coroada Miss Distrito Federal embaixo de vaias e protestos, pois a preferida do público era sua vice, Ivone Richter, Miss Riachuelo. Logo em seguida, Adalgisa Colombo venceu o Miss Brasil e recebeu a faixa de sua antecessora Terezinha Morango (Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1957), também sob vaias e protestos, já que a predileta do Maracanãzinho era Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, segunda colocada. 
    Pegando carona naquele cenário tumultuado, a revista MORAL, edição nº 4, especialista em focalizar assuntos polêmicos, circulou em todo o Brasil com uma capa onde a atriz Kim Novak aparecia em foto principal, mas na imagem menor estavam Adalgisa e Terezinha com a legenda "Corrupção nos Concursos de Misses !!"  Abaixo, na íntegra, a reportagem da Moral, com pequenos ajustes,  a fim de adequá-la à ortografia atual.

O LADO IMORAL DOS CONCURSOS DE BELEZA

   
TOP 5 DO MISS BRASIL 1958 - Da esquerda para a direita: Carmen Erhardt, Miss Santa Catarina, quarto lugar; Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, segunda colocada; Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal,  primeiro lugar; Denise Guimarães Prado, Miss Minas Gerais, terceira colocada; e Magdalena Faggoti,  Miss São Paulo, quinto lugar.  


      Entre pernas de fora e "marmeladas", há sempre o interesse mercantilista por trás das cortinas, quando a fita não fala a verdade, prevalece a opinião insuspeitável dos "íntegros juízes".


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      As competições de beleza plástica existiram em todos os tempos, mas em outros tempos idos, que se perdem e se esfumam num passado muito longínquo, havia um único propósito: a eugênia! Desde então, os cânones de beleza plástica foram estabelecidos, mas com o evoluir dos povos, com a intromissão da civilização no campo complexo da eugênia, que tinha por escopo primacial o aprimoramento das raças, outros métodos e princípios, objetivos e sistemas, foram adotados na seleção e respectiva eleição das mais belas mulheres existentes entre os homens.
     O povo norte-americano se habituou, rapidamente, a essa espécie de “bolsa de valores”, plásticos, bem entendido, sendo matéria corriqueira a escolha de uma “miss” qualquer, para representar até mesmo a melhor marca de manteiga ou de uísque, como se apenas às mulheres fossem outorgadas prerrogativas de possuírem um melhor físico ou mesmo uma melhor “fachada”.

     Em Long Beach, praia mundialmente conhecida das costas do Pacífico, cenário obrigatório de quantas “estrelas” e “astros” existam  no firmamento cinematográfico de Hollywood, realizam-se, todos os anos, esses prélios de beleza universal, no qual disputam mulheres, de todas as idades, até mesmo matronas respeitáveis, o cetro de Miss Universo.



     O Brasil, como não poderia deixar de acontecer, também participa do desfile. Também envia sempre a sua representante, embora sem a esperança, que nunca morre, de vermos, um dia, o nosso “belo sexo” coroado com o ornamento consagrador, no alto da cabeça. Houve uma época, que se repetiu por muitos e muitos anos, que apenas as “beldades” ianques eram galardoadas com o cobiçado título, mas com o advento, cada vez mais forte do panamericanismo, a política entrou no meio, e os “ juízes” tiveram que modificar seus veredictos, em benefício de outros povos, e mesmo de outras raças!
      Assim é que vimos a América Central e do Sul fazendo força, impondo suas representantes aos olhos nem sempre abertos dos “experts”, dos “juízes”, da imprensa e finalmente da opinião pública, a quem tinham seus organizadores que dar satisfações.
     Lá, como aqui, sempre houve “marmeladas”, mas essas “marmeladas” eram trabalhadas secretamente, quase que via diplomática, sem que das mesmas participassem, direta ou indiretamente, as interessadas e seus acólitos.
     No momento, por exemplo, em que já elejemos nossa representante para o grande prélio de beleza, surgem os descontentamentos, os insultos, as intriguinhas, as maledicências, contra esta ou aquela candidata ao “passeio” e aos presentes, pelo fato de não serem suas acusadoras contempladas como esperavam.
     E a fita métrica entra em cena, depois, nas redações dos jornais, para comprovar a “marnelada”, a qual tanto pode ser “Colombo” ou “Pesqueira”. A marca não interessa para nós, mas sim a natureza de sua manipulação, de seu paladar, de sua “embalagem” em suma.



     Acreditamos, mas não endossamos a atoarda que se fez em torno da escolha de Miss Distrito Federal. A senhorita Adalgisa Colombo merecia o galardão que recebeu, mas se houve ou não “marmelada” na dita eleição, bem como na prova final, não temos provas para acusar, cabendo-nos apenas fazer eco do acontecimento mundano e registrá-lo devidamente em nossas colunas, com a respectiva crítica que o programa de MORAL nos autoriza.
     Aqui fica apenas uma pergunta aos srs. moralistas e falsos puritanos: Que se procura alcançar, hoje em dia, com esses concursos de beleza? Que objetivos visam seus promotores? Que resultados práticos poderão obter essas jovens que tão impensadamente se entregam a tais maratonas de nudez?
     Raríssimas são as exceções em certames de tal natureza em que as candidatas derrotadas saiam imunes da batalha, e essa batalha é travada nos vestiários, nos dancings, nos clubes, nas reuniões de gente bem, onde a  “ronda dos abutres” faz descer a sua sombra tétrica, à espera de carniça.
     Os departamentos de polícia dos Estados Unidos possuem em seus arquivos inúmeros casos que tiveram sua origem e motivo nos concursos de beleza. Há até uma organização de traficantes de “carne humana” que se mantem sempre vigilantes sobre as misses eliminadas, sendo essa “mercadoria" para eles de grande valor.
     Se uma candidata ao cetro de beleza não se faz acompanhar de uma pessoa da família, seu fim será triste, caso não tenha forças suficientes para vencer ou afugentar os “vampiros” que voejam a sua volta.
     Triste época, caricata época das grandes festas florais dedicadas à Deusa Vênus da velha Grécia de Apolo!

EPÍLOGO

     A expressão "marmelada" Colombo remete ao sobrenome de Adalgisa e à célebre Confeitaria Colombo, enquanto marmelada Pesqueira é uma alusão aos doces pernambucanos de uma marca que homenageava a cidade de Pesqueira.
     De vez em quando, surgem especulações de favorecimento, notícias envolvendo tramas e manipulações para que o resultado de um concurso de Miss seja de uma forma e não de outra.  
     Sei que é muito difícil um resultado agradar a todos. Um concurso de beleza não é apenas glamour, também é suor, tensão, determinação, disciplina, risos, lágrimas, etc.  Seja como for, um título de Miss perdura por toda a vida e ninguém tem o direito de brincar com o destino de lindas jovens sonhadoras. Um voto, um ponto, um cochilo, uma fofoca, podem mudar para sempre a rota da caminhada de uma garota.

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4 comentários:

Anônimo disse...

Mto bom!!!!11kkkk!Eu comi ,muito,marmelada Peixe...A história das misses garfadas e favorecidas sempre foram uma constante nos concursos.Em geral,acho q não!Revendo os concursos com mais calma,a gente vê o antes a paixão não deixava ver;mas Adalgiza não tinha nenhuma fotogenia,mas um vídeo,do concurso,ela estava deslumbrante.Abraços,Japão

Anônimo disse...

Boa noite,

Adalgisa Colombo faleceu de quê? Qual a causa?

Anônimo disse...

A matéria é de 1958, mas as reflexões sobre o assunto permanecem atuais.

C. Rocha de Floripa

DASLAN MELO LIMA disse...

Adalgisa Colombo morreu no Rio de Janeiro, na madrugada do dia 17 para o dia 18 de janeiro de 2013.
A causa da morte não foi divulgada pela família.
O corpo foi enterrado no Cemitério Israelita de Vilar dos Teles, na Baixada Fluminense.