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sábado, 10 de setembro de 2016

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

Leonila Félix de Almeida, uma personagem do livro “Memórias do Cárcere”

>>> Joanyr de Almeida Melo, professor da EREMJJA, revela um pouco da biografia de sua tia-avó.  

     

           Nem todos sabem, mas o educador Joanyr  de Almeida Melo, professor na EREMJJA, Escola de Referência em Ensino Médio Jornalista Jáder de Andrade, com especialização em História do Nordeste pela Universidade de Pernambuco, nascido em 21/02/1957, em Itabaiana, PB, é sobrinho-neto de Leonila Felix de Almeida, irmã de Eulália Eugênia de Almeida, sua avó materna.
            Leonila Félix de Almeida, nasceu no distrito de Campo Grande, em Itabaiana, Paraíba, e  foi imortalizada pelo escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), no seu livro Memórias do Cárcere, onde narra a prisão dela e do seu esposo, Ephifânio Guilhermino, confinados na Ilha Grande durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. No cárcere, Leonila conviveu com outros homens e mulheres partidários de avanços sociais, presos durante a chamada Intentona Comunista.


           Leonila esteve presa na mesma cela com Olga Benário (1908-1942), esposa do líder comunista Luiz Carlos Prestes (1898-1990), e outros revolucionários. Leonila Almeida saiu de Itabaiana, PB,  para se tornar personagem da literatura universal, com sua luta plena de entusiasmo pelos melhores ideais de justiça e igualdade.
       Leonilla e Ephifânio tiveram quatro filhos:  Antonio Félix Guilhermino, Ephifanio Guilhermino Junior, Leonilla Félix Guilhermino e Luiz Carlos Guilhermino. A Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba, de Itabaiana, PB, criou o Prêmio Leonila Almeida, a fim de homenagear mulheres que dedicaram suas vidas pela defesa dos direitos humanos, pela difusão cultural e outros ideais de justiça e igualdade. 
            Sobre o famoso livro de Graciliano Ramos, o historiador  Dennis de Almeida diz que: 
          Memórias do Cárcere incomoda, incomoda muito, mas nos leva a viajar. Nesta obra, publicada postumamente em 1953, Graciliano Ramos faz um relato de suas passagens por presídios do Recife, Maceió e Rio de Janeiro, com destaque para a célebre colônia penal da Ilha Grande, no período entre março de 1936 e janeiro de 1937. Preso e solto sem qualquer tipo de acusação formal, o autor de Angústia (1936) e Vidas Secas (1938) se caracterizou como uma das vítimas do regime varguista (1930-1945).
           Um aspecto importantíssimo desta obra é sua elaboração.  O autor de Vidas Secas escreveu diversas notas manuscritas desde os primeiros dias de prisão, mas a cada transferência, era obrigado a desfazer-se dos papéis. Por este motivo, abandonou por muitos anos o interesse de escrever o livro. Somente em 1952, já desenganado pelos médicos, iniciou a redação dos dois volumes, construindo-os apoiado em suas memórias. Não conseguiu, no entanto, concluí-los, faltando o capítulo final. Mesmo assim, o autor nos proporcionou uma leitura ao mesmo tempo rica e angustiante, pois se trata de obra imaginada e escrita diversas vezes, em que as sobreposições emergem no resultado final.
            “ Iluminar, iluminar, essa é minha missão e a do sol”, dizia Olga Benário, uma citação com a qual, sem dúvida, compactuava Leonila Félix de Almeida, partidária de avanços sócias em prol de um mundo melhor. 

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Um comentário:

Jeová Barboza de Lira Cavalcanti disse...

ERA VARGAS - SINÔNIMO DE AUTORITARISMO E REPRESSÃO.(1930 - 1945)

A chamada Revolução de 30 - que não passou de um golpe de Estado, assim concebido desde o início de sua preparação, - resultou da crise dos anos 20. Uma crise de hegemonia dos grupos oligárquicos dominantes durante a 1ª República brasileira, em particular, uma crise de hegemonia dos setores oligárquicos ligados à produção e comercialização do café - segundo alguns autores, a burguesia cafeeira.
Neste período a repressão policial desencadeada pelo governo Vargas, foi marcante. Em junho de 1935 a Aliança Nacional Liberal (ANL) era posta fora da lei e as prisões, os desaparecimentos de antifascistas e comunistas, as invasões e depredações de sindicatos e de entidades populares e democráticas seriam uma constante daquele período. Com a derrota dos levantes antifascistas de novembro de 1935, a repressão policial assumiria proporções inéditas no Brasil, sendo digna de registro a criação de um tribunal de exceção para julgar os supostos “crimes contra a segurança nacional”, o Tribunal de Segurança Nacional. Estabelecia-se, sob a capa da luta contra a “ameaça comunista”, o terrorismo de Estado dirigido não só contra os comunistas quanto contra todos os democratas e antifascistas. Vale lembrar, como um dos mais hediondos crimes perpetrados pelo governo Vargas, a extradição, para a Alemanha de Hitler, de Olga Benário Prestes, sem culpa formada e de maneira totalmente ilegal, para ser assassinada numa câmara de gás nazista. Isso é só para lembrar aos mais jovens que pensam que apenas a Revolução Militar de 1964 é que foi repressora. A proclamação da República foi também um golpe militar, que deu apenas 24 horas para o Imperador Pedro II deixar o Brasil com toda a família, sem direito a levar nada! Memória marcante, caro Joanyr!