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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 641, referente ao período de 15 a 21 de outubro de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 4 de junho de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - MARIA LÚCIA CALDAS, MISS LUZES DA CIDADE 1963

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

               Mais uma vez, PASSARELA CULTURAL apresenta uma SESSÃO NOSTALGIA focalizando uma Miss dos mágicos anos sessenta, época de ouro dos concursos de beleza. A homenageada desta semana é a pernambucana Maria Lúcia Caldas, Miss Luzes da Cidade 1963, e terceira colocada no Miss Pernambuco 1965. Lucinha Caldas, como ficou conhecida nas passarelas, concedeu uma entrevista ao jornalista pernambucano Muciolo Ferreira, com exclusividade para PASSARELA CULTURAL, onde revela suas experiências e confessa discordar do atual modelo dos certames.
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LUCINHA CALDAS, MISS LUZES DA CIDADE, A ESTRELA AINDA BRILHA 48 ANOS DEPOIS (Por Muciolo Ferreira, exclusivo para PASSARELA CULTURAL)

               A década de 60 foi de muitas alegrias e orgulho para o brasileiro, excetuando o tiro mortal que os militares deram na democracia em 1964. Em 1962, a seleção Canarinha conquistou o Bi-Campeonato Mundial de Futebol, no Chile; em julho de 1963, a gaúcha Ieda Maria Vargas foi coroada a mulher mais linda do Universo, em Miami Beach; e cinco anos depois, a baiana Martha Vasconcellos repetia o feito. A presença constante das brasileiras nas finais do Miss Universo motivou o surgimento de incontáveis concursos de miss pelo país afora, criando uma rivalidade sadia, numa combinação perfeita da paixão dos brasileiros, dividida entre os gramados dos estádios de futebol e as passarelas.

               O Recife foi protagonista dessa época. Na capital pernambucana, os jornais concediam grandes espaços em suas páginas para promover a beleza de suas musas, cada um almejando fazer o melhor festival de beleza da mulher pernambucana. Enquanto os Diários e Emissoras Associados, à frente o Diario de Pernambuco, promoviam o Miss Pernambuco, a concorrência se movimentava com manchetes estampando fotos das candidatas de outros certames de beleza, garantindo boas vendas dos jornais com a conquista de novos leitores.
Recorte da coluna social Luzes da Cidade, de Fausto Neto, jornal Última Hora, Recife, 1963., mostrando Lucinha Caldas como candidata do América Futebol Clube ao título de Miss Luzes da Cidade 1963. (Acervo de Lucinha Caldas)
                Os concursos Rainha das Piscinas dos Clubes Sociais e Garota dos Bairros do Recife eram coordenados pelo matutino Jornal do Commercio e o vespertino Diário da Noite, respectivamente. Lindas jovens se destacaram nesses certames, a exemplo de Raiolandia Castelo Branco, Rainha das Piscinas dos Clubes Sociais e depois Miss Clube Militar do Recife e Miss Pernambuco 1966; Evercy de Holanda Cavalcanti, Garota dos Bairros do Recife 1967; e Leopoldina Pessoa Rodrigues, Garota dos Bairros do Recife 1968. Outra competição de sucesso: o Garota Bancária de Pernambuco, título conquistado em 1965 por Joseli Lacerda de Lima, representante do Banco Nacional do Norte (Banorte), em festa memorável nos salões do Clube Náutico Capibaribe. Todavia, o concurso Miss Luzes da Cidade, em 1963, foi o que mais despertou a atenção dos leitores por ter sido promovido pela sucursal do jornal Última Hora, fundado por Samuel Wainer (1910-1980), cuja linha editorial era progressista de esquerda. A vencedora foi Maria Lúcia Caldas, representante do América Futebol Clube, agremiação localizada na Estrada do Arraial, freqüentada por famílias tradicionais do bairro de Casa Amarela e circunvizinhança.

Lucinha Caldas, Miss Luzes da Cidade 1963, e Terezinha Frazão, Miss Pernambuco 1962, na primeira página do jornal Última Hora. (Acervo de Lucinha Caldas)
Lucinha Caldas na primeira página do jornal Última Hora.(Acervo de Lucinha Caldas)
                E é com a Lucinha Caldas que revisitaremos um tempo de muito glamour, quando uma Miss era sinônimo de status. A barreira do silêncio de nossa homenageada foi rompida 48 anos depois de sua eleição e teve a colaboração da sua sobrinha, a jornalista e radialista Dulce Melo. Depois que casou e teve quatro filhos, a Miss Luzes da Cidade 1963 percorreu o mesmo caminho da atriz Greta Garbo (1905-1990), exilando-se e deixando para trás os holofotes da mídia. Lucinha Caldas passou a dedicar sua vida em tempo integral ao marido, aos filhos e aos cuidados especiais com a mãe e a avó.Viúva, avó de seis netos e residindo no bairro de Boa Viagem, a eterna Miss Luzes da Cidade falou um pouco da sua experiência vivenciada num tempo em que a família que tivesse entre seus membros um filho padre ou uma filha miss gozava de um status e prestígio jamais vistos nos dias de hoje. Vamos conferir a entrevista.

Em que ano e mês ocorreu o concurso Miss Luzes da Cidade e quantas candidatas participaram da competição?
- Foi no dia 13 de junho de 1963, dezoito candidatas, em noite de muitas torcidas organizadas, com faixas, animação e expectativa.
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Você lembra o nome do promotor do evento?
- Foi o jornal Última Hora. Coube ao Sr. Fausto Neto coordenar a festa, desde a seleção dos jurados aos convidados especiais, como os preparativos das concorrentes, o patrocínio e os prêmios. A organização foi perfeita nos mínimos detalhes. Eu representei o Clube América do Recife, que levou ao local uma das maiores torcidas.
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Onde aconteceu o concurso e como foram os desfiles?
- Foi no Clube Português do Recife e com direito a uma passarela imensa para as apresentações de maiô e traje de gala. Desfilávamos em grupo e individualmente para uma melhor apreciação dos jurados seguindo o modelo tradicional dos concursos. 
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E os prêmios?
- A premiação foi uma coleção de roupas e sapatos, mais um espaço na coluna social do jornal promotor durante um ano, além de viagem ao Rio de Janeiro.
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Por que você não disputou o Miss Pernambuco no ano seguinte? Você tinha condições de fazer uma boa apresentação e até vencer, devido à experiência adquirida numa passarela e um título que lhe credenciava.
- Quando venci o Miss Luzes da Cidade, em 1963, ainda não tinha 18 anos, que era a idade mínima exigida para disputar o Miss Pernambuco, então fiquei de fora. Mas em 1965 participei da competição representando um clube da cidade de Limoeiro e fiquei em terceiro lugar. O certame foi nos salões do Sport Clube do Recife. A vencedora foi justamente a candidata rubro negra, Alda Maria Simonetti Maia.
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Acima, Lucinha Caldas, Miss Limoeiro, na frente da comissão julgadora do Miss Pernambuco 1965. Abaixo, da esquerda para a direita, as três finalistas do Miss Pernambuco 1965:  Lucinha Caldas, terceira colocada; Alda Maria Simonetti Maia, Miss Sport Club do  Recife, eleita Miss PE, e Helena Viana, Miss Garanhuns, segunda colocada. (Fotos: O Cruzeiro, 26/06/1965, acervo de Daslan Melo Lima)
Nos bastidores dos dois concursos que você participou rolava muito disse-que-disse, fofoca, do tipo fulana já ganhou, meu vestido é mais bonito? Intrigas tão comuns que ainda hoje fazem parte do universo das misses?
 - Na minha época de desfile não percebi este tipo de situação.
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Tinha alguma candidata que no seu entender poderia tirar seu título de Miss Luzes da Cidade?
 - Eu me sentia a mais bonita, então achava que iria ganhar mesmo (risos).
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E o assédio dos rapazes? Rolava muita paquera?
 - Eu era bastante assediada naquela época. Os rapazes eram bem paqueradores. Porém, eu era noiva do advogado Jorge Tarso de Souza e não prestava muita atenção nos rapazes.
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Valeu a pena ser Miss Luzes da Cidade?
- Valeu, porque fiquei mais conhecida, ganhei presentes e ainda pude conhecer o Rio de Janeiro, sem falar na emoção que é vencer um concurso de beleza e ser ovacionada pela platéia.
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Do que você sente mais saudades daqueles tempos?
- Dos muitos desfiles, das passarelas... Era o máximo! Puro glamour!
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Você acompanha os atuais concursos de miss?
- Não acompanho muito, porque não gosto do atual modelo. Antigamente tinha passarela e hoje é um palco para show. Na minha época existia mais glamour. Eram mais sublimes. Os de hoje são muito comerciais. Falta platéia, torcidas, faixas, calor humano... Os poucos que assisti são mais programas de televisão.
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Atualmente as misses se submetem a cirurgias plásticas, recorrem aos implantes de silicone, cabelo e botox. Qual é a sua opinião sobre esses artifícios?
 - Sou totalmente contra. A beleza da mulher para ser julgada tem que ser totalmente natural, como era na minha época. Para se ter uma idéia da seriedade dos organizadores, não era nem permitido o uso de perucas ou maquiagem carregada. Continuo tão natural que penso até em voltar às passarelas disputando o concurso Miss da Terceira Idade (risos).
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Vou cobrar esse seu desejo revelado e fazer uma matéria in loco sobre seu retorno. Só não garanto torcer por sua vitória, porque como jornalista tenho de ser imparcial (risos). Como é hoje sua vida?
- Tenho 63 anos de idades, sou viúva, recebo duas pensões, sou independente. Desenvolvi um problema no coração, mas apesar de algumas limitações, vivo feliz.
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Algum motivo de arrependimento?
- Não, de jeito nenhum. Não me arrependo de nada, pois foi uma época em que fui muito feliz nas passarelas. 
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Valeu, Lucinha. Merci pela entrevista. Os leitores de PASSARELA CULTURAL vão adorar saber por onde você anda, o que faz atualmente, além de conhecer um pouco da sua história. 
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EPÍLOGO

Lucinha Caldas, 48 anos depois de ter sido eleita Miss Luzes da Cidade 1963.
                 Luzes da Cidade. Adoro esse nome, simples e ao mesmo tempo cheio de glamour, que  transporta minh’alma romântica para os versos de uma das minhas canções favoritas, Limelight (Luzes da Ribalta) , de Charles Chaplin (1889-1977). 

Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais.

Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações

             Lucinha Caldas e seu sorriso iluminado. Um rosto majestosamente outonal, tendo como cenário o reflexo das luzes recifenses. Uma imagem que não deixa dúvida alguma: Lucinha Caldas é a eterna Miss Luzes da Cidade.
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14 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei impressionado com o porte e o rosto bonito desta pernambucana. A juventude se foi mas ela continua bonita, sabendo envelhecer sem botox, sem plástica, bem cuidada.

Ana B.Leal

DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de Luiz Mário, Belo Horizonte-MG, via formulárioPRÓ.
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A foto de Lucinha Caldas entre as três finalistas do Miss PE 65 lembra muito Jeeranun Savettanun, Miss Tailândia, terceira colocada no Miss Universo 1966.
Eu não conhecia nada sobre ela.
Perfeita!

Anônimo disse...

Concordo com o comentário de Luiz Mário. Lucinha Caldas, naquela foto do Top 3 do Miss PE 65, está a cara de Jeeranun Savettanum, uma Miss Tailândia que adoro.

Parabéns a vc, Daslan, por ter postado a letra da música LUZES DE RIBALTA, tudo a ver com o clima de nostalgia e romantismo que caracteriza seus textos excelentes.

Parabéns ao Muciolo Ferreira, por ter feito aquelas perguntas que todo missólogo gostaria de fazer. Só uma coisa. Lamentei a ausência da pergunta:"Você daria apoio a uma neta, caso ela desejasse participar de um concurso de Miss?"

Um abraço.

C. Rocha
Floripa

Anônimo disse...

Lindo o Top 3 do Miss PE 65!!!!
Alda Maria tinha muito classe, mas fico pensando nessa Lucinha Caldas, lembrando uma tailandesa, na passarela do Maracanãzinho. Talvez tivesse arrancado tantos aplausos quanto Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada no Miss B 65, a preferida do público.

Matilde-Campinas/SP

DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de J. Peixoto,do Recife-PE, via e-mail
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Acho que as fotos atuais da linda Lucinha Caldas foram feitas nas imediações do Shopping Center Recife. Será?
Seria um sonho ir ao Shopping e dar de cara com uma das musas da minha adolescência.
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DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de Walter L.Pinto, de Aracaju-SE, via "formulárioPRÓ"
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Lucinha Caldas é um exemplo do alto nível das misses pernambucanas da década de 1960.
Um tio meu que morou no Recife assistiu a vários concursos e sabe muitas coisas da era de ouro do concurso Miss Brasil.

Parabéns ao blog!!!!!!

Walter
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DASLAN MELO LIMA disse...

E-mail enviado por Lucinéia Batista, Recife-PE
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Nossa, que bela reportagem sobre a Lucinha Caldas!

Meus pais estavam na platéia do Clube Português na noite de sua eleição. Eles contaram que o clube quase veio abaixo com tantos aplausos quando foi anunciado o resultado final. Houve uma grande festa no América para recepcioná-la dias depois. Pelas fotos se percebe que no Miss Pernambuco de 65 a Miss Limoeiro era a mais bonita. E que corpo ela tinha, gente? De arrasar quarteirão.Pena não ter vencido.
Parabéns ao jornalista que soube conduzir a entrevista e revelou dados interessantes sobre os outros concursos que existiam na época de 60.
Vou fazer um pedido ao Daslan, para destacar mais as pernambucanas que venceram essas competições.

Lú Baptista - Recife

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DASLAN MELO LIMA disse...

Recebi e-mail do leitor J.Dantas, do Recife-PE, pedindo-me que postasse fotos de Evercy de Holanda Cavalcanti e Leopoldina Pessoa Rodrigues, assim como mais informações sobre as mesmas.

Não tenho fotos das beldades citadas, mas sei um pouco sobre elas.

Evercy de Holanda Cavalcanti, Garota dos Bairros do Grande Recife (parece-me que o título correto era esse, e não Garota dos Bairros do Recife) venceu em 1967, representando, salvo engano, o Atlético Clube Olindense. Evercy era loura e morava na Rua Imperial, no bairro de Afogados, Recife.

Leopoldina Pessoa Rodrigues, Garota dos Bairros do Recife 1968, morava na Vila Yolanda, no bairro de Jiquiá, Recife. A vila era composta de residências dos operários que trabalhavam na Fábrica Yolanda, uma grande indústria de tecelagem. O pai de Leopoldina era operário dessa fábrica.
Leopoldina representou o Yolanda Futebol Clube e ganhou como prêmio uma viagem a São Paulo, capital.

Um abraço a todos.

DASLAN MELO LIMA disse...

E-mail enviado por Muciolo Ferreira
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Daslan,

em resposta ao C. Rocha de Floripa, Lucinha Caldas diz que não incentivaria, mas não se oporia se uma neta desejasse participar dos atuais concursos de miss. O único conselho que ela daria a sua neta e as demais candidatas é um só: "Nunca perca a dignidade".

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DASLAN MELO LIMA disse...

Curiosidade sobre um membro da família de Lucinha Caldas, Miss Luzes da Cidade 1963: naquele ano nasceu sua sobrinha Dulce Mélo, que ajudou Muciolo Ferreira a entrevistar sua tia famosa.
Na hora em que Dulce nasceu, a parteira dona Darquinha exclamou: "Que bebê lindo! Vai seguir os passos da tia e ser miss".
A profecia não se cumpriu, porque Dulce Mélo preferiu ser jornalista.

Anônimo disse...

Minha mãe, Lucinha Caldas, continua muito linda lindona.

ANA... disse...

Muito linda, ela tem o nome da minha mãe.Maria Lúcia Caldas...Parabéns pela matéria.Beijos

ANA... disse...

Me chamou atenção o nome dela, o mesmo da minha mãe:Maria Lúcia Caldas e terminei lendo a matéria.
Adorei, parabéns Daslan!!
Beijos
Ana Lúcia Caldas

Bruna Caldas disse...

Minha amada Vovó Lúcia!! Nunca nos influenciou a seguir seus passos, mas ensinou a desfilar, andar com livro na cabeça e dar o "tchauzinho" de miss! Mulher iluminada e linda por dentro e por fora! Não existiria titulo mais perfeito, nossa eterna miss luzes da cidade!