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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

sábado, 3 de outubro de 2020

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Poeta Joao Feliciano, um nome que a história timbaubense guardou

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Colaboração enviada por Jeová Barbosa de Lyra Cavalcanti,  funcionário aposentado do Banco do Brasil

barbozalira68@hotmail.com    

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JOÃO FELICIANO DA SILVA nasceu em Timbaúba, PE, em 02 de outubro de 1917, onde residiu até sua morte. 

Fez o antigo curso primário com o Prof. João Barbosa de Melo (Prof. Nô). Aos 13 anos incompletos teve seu primeiro emprego como balconista na mercearia do Sr. José Higino de Queiroz, político influente da época, destituído do poder pela Revolução de 04 de outubro de 1930. Presenciou de perto a queda dos “Perrepistas” da cidade a quem servira aperitivos e as conhecidas “paredes” (tira-gostos), e dos quais ouvia muitas histórias sobre coisas, fatos e pessoas daquele tempo.

Achava que foi muito boa a experiência adquirida em seu primeiro emprego e se chegasse a escrever um livro fá-lo-ia focalizando esta história que considerava palpitante. 

João Feliciano foi autodidata, e todos os cursos que fez foi depois de já conhecido como “homem dos sete instrumentos”.

Nesta cidade destacou-se como poeta, professor de Economia Política e Prática Jurídica no antigo Externato Timbaubense (hoje Colégio Timbaubense), onde se formou por exigência da época. Era jornalista, prático de farmácia, compositor e, durante certo período, foi rábula, numa época em que as pessoas podiam advogar sem a exigência de diploma. Ele o fez principalmente em defesa dos pobres.

Como compositor, só tem um frevo feito em parceria com José Pedro Damião (Zito Damião). As demais composições: sambas, sambas lentos, toadas, maracatus, frevos e outros ritmos, todas tinham letra e música de sua autoria. Como poeta e jornalista tem um acervo publicado em vários jornais, principalmente no Jornal do Commercio do qual era correspondente.

Aproveitando as facilidades do art. 100 da Lei de Diretrizes e Bases do Ensino, instituída à época, fez os 3º. e 4º. anos do antigo curso ginasial no Colégio Osvaldo Cruz, o que lhe assegurou o ingresso na Escola Técnica de Comércio Timbaubense, de onde saiu Técnico em Contabilidade na primeira turma formada nessa escola do saudoso prof. José Mendes da Silva, sendo na ocasião o representante da turma como orador.

João Feliciano morreu aos 65 anos, no dia 09 de julho de 1982, no Hospital Neuro, no Recife. Seria um pleonasmo falar do vazio que ele deixou, não apenas entre os familiares como também no seio da sociedade timbaubense.

Muitos são os artigos e poesias de sua lavra que até hoje continuam inéditos, e são cuidadosamente guardados por sua esposa, D. Alga Marina de Oliveira Feliciano. Esperamos um dia vê-los publicados. Dentre as poesias de sua autoria, uma chama a atenção pela profundidade de sentimento, "Amanhã".

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SESSÃO NOSTALGIA - Adeus, Edilene Torreão, Miss Pernambuco 1960


Daslan Melo Lima


Foto: revista Manchete

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O dia da "Grande Viagem" chega para todos, inclusive para nossas deusas, divas e misses. 

Maria Edilene Vidal Torreão, ou simplesmente Edilene Torreão, faleceu no Recife, no último domingo do mês passado, 27 de setembro de 2020. 

Natural de São José do Egito, sertão de Pernambuco, distante 362 Km da capital, Recife, ela era (e continuará sendo) um dos maiores ícones da beleza pernambucana. 

Edilene Torreão, nascida em 21 de abril de 1942, foi Miss Clube Náutico Capibaribe 1959, Miss Santa Cruz Futebol Clube e Miss Pernambuco 1960, terceira colocada no Miss Brasil e Top 10 no Miss Mundo 1960. Deixou dois filhos, Roberto Phaelante da Câmara Filho e Vicente de Paula Phaelante da Câmara Neto, além de oito netos.    

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EDILENE TORREÃO, 

UM ÍCONE PERNAMBUCANO 

 
TOP 3 - MISS BRASIL 1960 

Capa da revista MANCHETE, Ano 8, número 427, 25.06.1960

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Da esquerda para a direita: Edilene Torreão, Miss Pernambuco, terceiro lugar, Top 10 no Miss Mundo; Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista (Top 15) no Miss Universo; Magda Pfrimer, Miss Brasília, segundo lugar, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional. 

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Edilene Torreão
Foto: Facebook

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"A morte deveria ser assim:
um céu que pouco a pouco anoitecesse
e a gente nem soubesse que era o fim."

Mario Quintana (1906-1994)

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Nos links abaixo, mais sobre Edilene Torreão, através de três matérias postadas em PASSARELA CULTURAL.

SESSÃO NOSTALGIA - Miss Brasil 1960

http://passarelacultural.blogspot.com/2009/04/sessao-nostalgia-concurso-miss.html

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SESSÃO NOSTALGIA - Edilene Torreão, Miss Pernambuco 1960 

http://passarelacultural.blogspot.com/2010/02/sessao-nostalgia_27.html

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SESSÃO NOSTALGIA, Magda Primer e Edilene Torreão na moldura de Copacabana

https://passarelacultural.blogspot.com/2018/10/sessao-nostalgia_27.html


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sábado, 26 de setembro de 2020

A LUA E O MOMENTO



Música ao vivo
num barzinho
do bairro vizinho.
A Lua,
linda,
solitária,
soberana,
majestosa e nua,
parece escutar as canções
de amor e desamor
que inundam a rua.


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Daslan Melo Lima
Timbaúba, PE
23.09.2020
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DE OLHO NO PASSADO - Tiago Alberione, o padre que amava a comunicação

  

O Padre Tiago Alberione nasceu em São Lourenço di Fossano, na província de Cuneo, Itália, no dia 4 de abril de 1884. Morreu em Roma no dia 26 de novembro de 1971. 

Um pouco antes de explodir a primeira grande guerra mundial, Padre Alberione já via com clareza a obra que devia realizar: criar um instituto, cuja finalidade exclusiva fosse o que naquele tempo se chamava "boa imprensa" e que, com o passar dos anos, tornou-se o apostolado através dos meios de comunicação social. 
Editor e fundador da Família Paulista (Família Paulina no Brasil) que agrupa  várias publicações religiosas, Padre Tiago Alberione foi  beatificado em Roma, no dia 27 de abril de 2003, pelo Papa João Paulo II.
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As imagens e textos são reproduções de uma reportagem publicada na revista Família CristãAno 38, número 434, fevereiro de 1972. editada pela Pia Sociedade Filhas de São Paulo. 
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - José Inácio Queiroz de Andrade, Zé Inácio, "Major de Macambira"

MAJOR DE MACAMBIRA




Ontem,
22 de setembro de 2020,
o vermelho,
presente na bandeira do Sport Club do Recife
e nas árvores,
foi testemunha da despedida do corpo físico de
José Inácio Queiroz de Andrade,
o Zé Inácio,
"Major de Macambira".



Ele partiu anteontem,
21 de setembro de 2020
depois da chegada da Primavera,
após sofrida luta contra um câncer.
Completaria 66 anos de idade
no dia 8 de dezembro.



No legado que deixou,
destaque para seus valores sentimentais inestimáveis:
o amor ao Sport Club do Recife;
a alcunha de "major";
o apego ao Engenho Macambira;
o carinho pelos filhos Antônio Lamartine de Andrade Neto e Paulo Henrique de Oliveira Andrade e
pela filha Maria Izabella Andrade.



Quais seriam as reflexões do "major" diante do mar?
Imagino que aquela luz,
vestida de outra intensidade,
tenha conduzido sua essência ao encontro de outra missão,
rumo a um dos fantásticos mundos
do Senhor do Universo.
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Daslan Melo Lima
Timbaúba, PE
23 de setembro de 2020

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SESSÃO NOSTALGIA - Lígia Alencar de Azevedo, Rainha dos Jogos da Primavera 1959

 Daslan Melo Lima


O ano era 1959. O concurso que elegia a Rainha dos Jogos da Primavera, a grande festa da juventude carioca, promovido pelo Jornal dos Sports, era destaque nas mais importantes publicações brasileiras e atraía a atenção de milhares de pessoas. Dezenas de estudantes lindas, representando clubes ou educandários do Rio de Janeiro, sonhavam com o título. 

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Morena de Olhos Verdes

 Nova Rainha da Primavera

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Fonte:  revista O Cruzeiro, Ano XXXII, número 7, 28.11.1959. 

Acervo: DML/Passarela Cultural

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Na exuberância dos seus 17 anos, Lígia Alencar de Azevedo,  1,70 de altura,  representante do Copacabana Atlântico Clube, foi eleita Rainha dos Jogos da Primavera de 1959. ----- Fotos: Indalécio Wanderley

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Rosele Torres, Rainha dos Jogos da Primavera 1958, e  sua sucessora Lígia de Alencar Azevedo, a rainha de 1959. ------ Foto: Indalécio Wanderley.

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Ângela Zimbardi, candidata do Colégio Anglo-Americano, segunda colocada. Se tivesse ganho, seria o quinto ano consecutivo de conquista do cetro pelo Anglo. --------- Foto: Hélio Passos.
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LÍGIA, 

ETERNAMENTE RAINHA DA PRIMAVERA

 


Lígia de Alencar Azevedo, ou simplesmente Lígia Azevedo, é hoje uma bem sucedida empresária do setor de SPAs. Está solteira, mas foi casada três vezes, tem uma filha e um casal de netos e mora em Búzios, Rio de Janeiro.  Faz nove anos que ela lançou o seu primeiro livro, onde fala sobre suas aventuras e receitas. 

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Linda e em ótima forma física, Lígia Azevedo conserva aquela jovialidade que a fez eterna Rainha dos Jogos da Primavera 1959. ---- Fotos: Natalia Melo/CARAS.

http://ligiaazevedorecomenda.blogspot.com/

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     Certas coisas têm sabor de eternidade e não deveria nunca acabar. Coisas como o concurso Rainha dos Jogos da Primavera. 

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sábado, 19 de setembro de 2020

PRA NUNCA MAIS CHORAR

As notícias sobre os graves problemas de saúde de Vanusa parecem ironia do destino. É setembro e uma das mais lindas canções populares brasileiras, "Manhãs de Setembro", autoria da cantora em parceria com Mário Campanha, diz:


"Eu quero sair / Eu quero falar / Eu quero ensinar o vizinho a cantar nas manhãs de setembro."

Também gosto muito do seu primeiro sucesso musical, "Pra nunca mais chorar", de Carlos Imperial e Eduardo Araújo. "Vem, traz teus abraços pros meus braços / As tuas mãos quero beijar / Viver pra sempre junto a ti / Oh! Pra nunca mais chorar. "

Eis uma das mais gratas recordações da minha adolescência: Vanusa chegando ao Hotel São Domingos, na Praça Maciel Pinheiro, Recife, e eu no meio de dezenas de pessoas, ansioso para conhecer a estrela pessoalmente.

Peço a Deus que as vibrações positivas do meu carinho de fã cheguem até ela e revertam seus problemas de saúde, "pra nunca mais chorar".

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https://www.youtube.com/watch?v=kU3ebqfv7KA

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Daslan Melo Lima, enquanto chove lá fora. / Timbaúba, PE / 14.09.2020 / Foto: detalhe da capa do primeiro vinil de Vanusa, RCA Victor, 1968.

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DE OLHO NO PASSADO - Isaura Bruno ("Mamãe Dolores"), a Estrela Negra

A ESTRELA NEGRA

Por Dema de Francisco
Editor da revista Ponto Jovem, autor roteirista, dramaturgo, jornalista e memorialista
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Isaura Bruno
(1926-1977)
Imagem: quiabodoido.com
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Ás 21h30min na distante noite daquela sexta feira, 13 de agosto de 1965, no Brasil que engatinhava no processo de industrialização com a migração dos trabalhadores do campo para a zona urbana, homens e mulheres, em vilas e cidades, arrastavam apressadamente por ruas descalças suas cadeiras, banquinhos, latões e tudo o que pudesse servir de apoio, postando-se frente às portas e janelas abertas da vizinhança onde disputavam espaço para assistir ao último capítulo de uma telenovela que havia conquistado um milhão e meio de telespectadores de norte a sul do país. A história de O Direito de Nascer, escrita pelo cubano Felix Caignet (1892-1976) e adaptada para a televisão por Thalma de Oliveira (1917-1976) e Teixeira Filho (1922-1984) já tinha sido sucesso estrondoso na forma de radionovela nos anos quarenta e o público, embora conhecedor do enredo , acompanhou com interesse incomum a saga dos personagens Albertinho Limonta e Mamãe Dolores, vividos por Amilton Fernandes (1919-1968) e Isaura Bruno (1926-1977), respectivamente. O sucesso foi tão impactante que nos dois dias seguintes àquela noite de sexta feira, o último capitulo foi reencenado "ao vivo” para um público de dez mil pessoas no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e depois para um público ainda maior no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, havendo festa de encerramento também no Mineirão, Belo Horizonte.

Os atores da novela viviam dias de glória que pareciam não ter fim. A televisão no Brasil era ainda uma frágil adolescente de quinze anos, aprendendo a dar os primeiros passos na construção de sua história. Tudo era precário e artesanal, menos o talento, a garra, a determinação e a dedicação dos nossos pioneiros. Na trama original, a protagonista da história é a personagem Maria Helena de Juncal, que na versão brasileira para a TV, foi vivida pela grande estrela da época Nathalia Timberg, mas por esses mistérios e desígnios insondáveis do destino, o público acabou se encantando e se identificando com a personagem Mamãe Dolores, vivida de forma magistral por Isaura Bruno que se tornou ainda que involuntariamente a primeira protagonista negra de nossas telenovelas, fato que demorou décadas para ser devidamente registrado e creditado.

Ao apagar das luzes dos cenários e descartadas as folhas datilografadas do capitulo 160 que encerrava a novela, saiam de cena os personagens de ficção e cada um dos atores passou a viver os seus próprios dramas, e estes, ao contrário da trama, não apresentavam finais felizes. Mas aqui, concentro-me em Isaura Bruno, a nossa primeira Estrela Negra que nascida no interior paulista, órfã de pai aos três anos e de mãe aos onze, criada pela avó materna até a morte desta, migrou para a capital ainda jovem à procura de dias melhores. Dormiu em albergues, pensões, bancos de praça, hotéis baratos de frequências duvidosas e jamais desistiu de sonhar com uma vida mais digna. Empregou-se em várias casas como doméstica, até chegar pelas mãos do destino na residência do escritor Orígenes Lessa (1903-1986), autor de O Feijão e o Sonho, onde foi contratada como cozinheira. Novamente, pelo acaso ou pela mão do universo, fez sólida amizade com a empregada da casa vizinha e esta um dia comentou que seu patrão estava procurando uma negra para um pequeno papel em um filme que iria rodar. O patrão da amiga era um dos mais importantes pioneiros das nossas artes, Walter Forster (1917-1996). Ele ficou encantado por Isaura e deu-lhe o papel de Flausina, no filme Luar do Sertão (1949), uma empregada que guardava muitas semelhanças com a Mammy de Hattie McDaniel (1895-1952) no filme E o Vento Levou (1939). A partir de então, Isaura conciliava o trabalho de doméstica com todas as oportunidades que apareciam para exercer o seu oficio de atriz. Fez isso por longos anos até ser contratada, sem registro, sem nada, para viver mais uma empregada, desta vez, a Dolores Limonta na versão para televisão de O Direito de Nascer. Fez dessa oportunidade o seu pulo do gato. E brilhou como nunca.
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Amilton Fernandes e Isaura Bruno
Foto: r7.cartaodevisita.com.br
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Mas a vida é uma caixa de armadilhas e quando menos esperamos, somos surpreendidos por golpes impiedosos que nos afligem sem que saibamos como nos defender. O sucesso alcançado por O Direito de Nascer não foi suficiente para manter Isaura no topo ou pelo menos dar-lhe o conforto de ter contratos de longa duração ou trabalhos contínuos. Os convites rarearam e nos anos seguintes ela fez apenas mais três novelas, até sair de cena para sempre. Incansável que era, voltou à luta e tentou tudo o que pôde. Lançou livros de culinária, vendeu exemplares de porta em porta, foi trabalhar novamente como doméstica e como diarista e nem assim o destino lhe fez o carinho de oferecer-lhe novas oportunidades. Os amigos sumiram. O público agora se encantava por outros rostos e torciam por outros heróis e heroínas. A televisão entrava no frenético ritmo industrial e as pessoas perdiam a identidade tornando-se apenas produtos do veículo. Era a época do milagre brasileiro tão anunciado pelos governos militares. Não havia mais tempo a se “perder” com os dramas pessoais de cada um.

Isaura Bruno jamais perdeu a fibra que tinha, construída em anos de lutas solitárias. Soube digerir a vergonha íntima de após ter sido catapultada à estrela de primeira grandeza, ser lançada novamente com o rosto em terra junto aos mortais, lutando por um pedaço de pão. Tinha a dignidade de uma rainha e peregrinou vendendo doces na Praça da Sé em São Paulo, com a altivez de quem conhece os motivos pelos quais está lutando. Um dia, sem ter onde morar, aceitou o convite da filha adotiva Penha Marise e foi viver com ela em Campinas; onde continuou vendendo seus doces nas praças da cidade. Ninguém mais se lembrava dela. Transitava invisível e desconhecida entre os passantes que olhavam mais para os doces no tabuleiro do que para a conformada vendedora. Cumpria-se o vaticínio de uma das ultimas entrevistas que dera ao Jornal do Brasil, em 24.05.1972 onde dissera. “O negro na tevê nunca passa de papéis secundários. Todos sabem disso. O pior é que alguns colegas, poucos sensatos, disseram que depois de Mamãe Dolores já não haveria outro papel para mim”. Infelizmente, seus colegas tinham razão.

Em primeiro de maio de 1977, aproveitando o feriado do Dia do Trabalho, Isaura saiu para vender seus doces nas ruas e praças de Campinas. Estava na sua lida até que um ataque cardíaco a fez perder os sentidos. Levada a um hospital público, por não portar documentos, foi internada como indigente. No dia seguinte, já identificada, morreu aos sessenta anos de idade.

Nesta semana em que se comemorou os setenta anos da televisão no Brasil e quando tantos e tantos pioneiros simplesmente foram esquecidos ou já não são mais lembrados, escolhi Isaura Bruno para, através dela, homenagear todos aqueles que fizeram e ainda fazem a história da nossa televisão, construída na raça, com o suor, o sangue, o talento, o trabalho, a dedicação e o empenho de gente fantástica como Isaura Bruno, a nossa Estrela Negra de ontem e de hoje, que continua fazendo parte da imensa constelação de astros e estrelas que esse país já produziu.
Bravo!
Muito obrigado queridos pioneiros.
Bravo!
Muito obrigado Isaura Bruno, você ainda é uma estrela! .

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A NEGAÇAO DO BRASIL, trecho do filme de Joel Zito Araujo com as cenas de encerramento da novela,
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NOTA DO EDITOR
Texto originalmente postado no Facebook e editado para o blog com autorização do autor.
Daslan Melo Lima / daslan@terra.com.br / 
WhatSapp: (81) 9-9612.0904 
PASSARELA CULTURAL, edição número 752, semana de 20 a 26 de setembro de 2020 / Timbaúba, PE, Brasil.
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Para uma terça-feira de setembro

PARA UMA TERÇA-FEIRA DE SETEMBRO


Dia santificado.
Dia da padroeira
Nossa Senhora das Dores,
a quem chamo de
Senhora das Dores,
dos Amores
e Desamores.


Diante do seu altar,
só peço a Deus uma coisa:
que Ele torne leve nossa caminhada
por esse planeta conturbado,
mesclado de dores,
possíveis amores
e insensatos desamores.


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Daslan Melo Lima
Timbaúba, PE
15.09.2020
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Imagens:
Jorge Do Pitako
(fachada da Igreja); Daslan Melo Lima (interior do templo) e Facebook/
Everson Bezerra
(escultura de N.S. das Dores).
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