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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Elizabeth Ridzi, vice-Miss Guanabara 1966, e os romances de A.J. Cronin


Daslan Melo Lima

      Ana Cristina Ridzi, Miss Marã, tinha 19 anos de idade. Maria Elizabeth Ridzi, Miss Bancremer-Banco de Crédito Mercantil, sua irmã gêmea, tinha 19 anos e 10 minutos de idade. Eram fisicamente idênticas, mas Ana Cristina obteve 97 pontos da comissão julgadora e foi eleita Miss Guanabara 1966, enquanto Maria Elizabeth, com 73 pontos, ficou feliz em ser a vice da irmã. Ana Cristina Ridzi tornou-se Miss Brasil e até hoje seu nome é lembrado com muito carinho, um carinho extensivo àquela que todos confundiam com ela, sua irmã Maria Elizabeth Ridzi.

MARIA ELIZABETH RIDZI


Maria Elizabeth Ridzi, Miss Bancremer-Banco de Crédito Mercantil, vice-Miss Guanabara 1966. (Foto: Revista Manchete, 25/06/1966)

No terraço do Hotel Serrador, enquanto o fotógrafo aciona sua máquina, Maria Elizabeth faz confidências sobre suas predileções: gosta de cinema, seu ator preferido é Sean Connery e admira Johnny Mathis. Seu perfume é Dioríssimo e suas principais leituras Ian Fleming e A.J.Cronin: o livro de que mais gostou foi Noites de Vigília. Acha Cardin extravagante e seu costureiro é Hugo Rocha, “além de mamãe, que é uma fábula”. Coleciona chaveiros e gosta de rosas amarelas. É maluca por feijoada (com pimenta) e, entre as brasileiras mais bonitas que conhece, cita Adalgisa Colombo. Quer casar e gostaria de ter quatro filhos. Se possível, gêmeos. Acha fabulosas as conquistas espaciais e gostaria de dar um passeio na Lua. Seu tipo favorito é o homem alto, moreno, de olhos azuis, igualzinho a um rapaz chamado Sérgio Roberto, de quem gosta muito e com quem pretende se casar, “se papai deixar”.

Quantas vezes foi confundida com a irmã? Dezenas, centenas de vezes. Quando estudavam juntas, na escola pública de Vilar dos Teles ou no Ginásio Santa Maria de São João do Meriti, as professoras e as freiras frequentemente trocavam as notas de comportamento das duas, que eram diferentes. Ana Cristina sempre foi mais extrovertida, mais explosiva, e Maria Elizabeth, mais meiga e mais quieta. No Banco de Crédito Mercantil, onde ambas trabalham, certo cliente ameaçou fechar a conta porque não foi cumprimentado na rua por uma delas: exatamente, ao contrário do que ele pensava, a que não o conhecia. Ao final do concurso, ao sair do Maracanãzinho, Maria Elizabeth foi obrigada a dar centenas de autógrafos antes que os colecionadores entendessem que Ana Cristina ainda estava nos camarins. Na segunda-feira seguinte, Miss Brasil estava exausta, mas tinha o compromisso de comparecer a uma solenidade em sua homenagem. Maria Elizabeth, com um sorriso, mandou-a descansar e foi. Os promotores da festa não sabiam, até hoje, que foi ela quem recebeu as homenagens pela irmã. Ficam sabendo agora. (André Kallás, revista Fatos & Fotos, 09/07/1966)

Entre elas existia apenas uma pequena diferença descoberta pela revista Fatos & Fotos: uma pinta cinzenta sob o lábio inferior, lado direito, de Elizabeth, que ninguém notava. À esquerda, Maria Elizabeth com o cetro e a faixa de Miss Brasil 1996, conquistados pela irmã Ana Cristina. (Foto: Thomas Scheier, Fatos & Fotos, 09/07/1966)


Maria Elizabeth Ridzi, Miss Bancremer-Banco de Crédito Mercantil, vice-Miss Guanabara, e sua irmã gêmea Ana Cristina Ridzi, Miss Marã, Miss Guanabara e Miss Brasil 1966. (Foto: Revista Manchete, 25/06/1966)

NOITES DE VIGÍLIA E OUTROS LIVROS DE CRONIN

      Quando li a reportagem sobre Maria Elizabeth Ridzi na revista Fatos & Fotos, fiquei curioso par conhecer Noites de Vigília, o livro de A.J.Cronin que ela mais tinha gostado. Quando comecei a trabalhar, reservei uma parte do meu primeiro salário e corri para os "sebos" do Recife atrás de um exemplar do referido romance. Comprei uma edição de 1953, da Livraria José Olympio Editora, com tradução de Gulnara Lobato de Morais Pereira.



      O enredo fala de duas irmãs enfermeiras, Anne Lee e Lucy. Anne Lee é responsável, altruísta. Lucy é irresponsável e se redime ao contrair uma infecção hospitalar. Li o livro várias vezes e em todas me emocionei com a cena da morte de Lucy.

Anne, cante aquele hino que cantávamos quando éramos meninas. Você se lembra? “O dia que nos deste, Senhor, está no fim.” Era o hino que ela cantara em seu delírio. Anne reteve as lágrimas que a encegueciam. Oh, Deus, suplicava ela, permiti que eu ainda não me deixe vencer pela emoção! Daí-me forças para fazer esta última vontade de Lucy. Passou o braço em torno dos ombros de Lucy e apertando-a junto a si, começou a cantar em voz baixa e suave:

É findo, Senhor, o dia que nos deste.
A uma ordem Tua descem sobre nós as trevas;
A Ti subiram os nossos hinos matinais
E teus louvores santificarão nosso repouso.

Terminara o último verso. Lucy suspirou. - Obrigada, Anne. Passou-se um momento. Os olhos de Lucy, muito abertos, pareciam fitos em algo muito distante. - Foi uma noite muito escura, disse ela. (Sua face muito fria apóiava-se no rosto de Anne.) Mas agora está clareando. Anne, querida, deve estar amanhecendo. Com estas palavras seu corpo desfaleceu, sua cabeça pendeu para um lado e sob uma grande paz raiou para ela a eterna manhã.


A.J.Cronin (1896-1981). (Foto: knowledgerush.com)

      O livro Noites de Vigília foi meu primeiro contato com a obra maravilhosa do humanista, escritor e médico escocês Archibald Joseph Cronin (1896-1981). Tenho todos os seus livros, comprados em "sebos" do Recife: A Cidadela, A Dama dos Cravos, Almas em Conflito, Anos de Ternura, Anos de Tormenta, As Chaves do Reino, Encontro de Amor, O Castelo do Homem sem Alma, Os Deseus Riem, Sob a Luz das Estrelas, Uma Estranha Mulher...




LOUVAÇÃO A MARIA ELIZABETH RIDZI

......Nesta minha última Sessão Nostalgia de 2009, louvo a ti, Maria Elizabeth Ridzi, vice-Miss Guanabara 1966, irmã gêmea de Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara e Miss Brasil 1966.
......Nesta minha última Sessão Nostalgia de 2009, louvo a ti, Maria Elizabeth Ridzi, por aquela feliz matéria da revista Fatos & Fotos, onde nasceu em mim a curiosidade para mergulhar na obra maravilhosa e humana de A.J. Cronin, cujos livros volto a ler de vez em quando, para aprender, para sonhar, para chorar e para recordar um tempo mágico que se foi, para sempre se foi.

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Relação das outras crônicas de PASSARELA CULTURAL focalizando as gêmeas Ana e Elizabeth Ridzi:

21/06/2008, SESSÃO NOSTALGIA - ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH RIDZI, AS MISSES GÊMEAS DE 1966,   
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27/08/2011, SESSÃO NOSTALGIA – ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH RIDZI, ONDE O VENTO ENCONTRAVA AS ROSAS, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/08/sessao-nostalgia_27.html
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12/05/2012, SESSÃO NOSTALGIA - MISSES E MÃES NA TARDE QUE MORRE,   http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/05/sessao-nostalgia_12.html

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4 comentários:

DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de Mucíolo Ferreira, jornalista, via e-mail.
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Ao enfocar semanalmente na Sessão Nostalgia misses do passado, o blogueiro, advogado e poeta Daslan Melo Lima não se limita apenas a narrar assuntos estritamente vinculados à beleza como estética. Ele mergulha no interior, na alma da homenageada trazendo à tona sentimentos incontidos.

Com uma das gêmeas Ridzi não foi diferente. Já que Ana Cristina e Maria Elizabeth eram iguais fisicamente em tudo, Daslan tinha que se superar para distinguir algo diferente nas duas. E foi justamente o gosto pela literatura da vice-Miss Guanabara de 1966 que acabou sendo o diferencial da última Sessão Nostalgia de 2009.

Tema bastante interesante, principalmente para dar conhecimento às novas gerações de missólogos que só conhecem as misses atuais pelas "atitudes" que elas adotam traduzidas nas inumeras plásticas e implantes de silicone a que se submetem.

Um abraço.

Muciolo Ferreira
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DASLAN MELO LIMA disse...

"É findo, Senhor, o dia que nos deste.
A uma ordem Tua descem sobre nós as trevas;
A Ti subiram os nosos hinos matinais
E teus louvores santificarão nosso repouso."

Anônimo disse...

Daslan, soube aqui mesmo no seu blog que Ana Cristina Ridzi está enfrentando câncer e que postou no facebook dela que está pronta para o que Deus queira.

Gostaria de saber notícias sobre o seu estado de saúde. Como está a saúde de Ana Cristina Ridzi?

Que ela encontre a cura e supere essa fase ruim.


Abraços.

Anônimo disse...

DASLAN MELO LIMA,COMO ESTA ANA CRISTINA RIDZI,ERA APENAS UMA MENINA ,QUANDO MINHA TIA CHEGOU,COM A REVISTA FATOS E FOTOS,COM A CAPA ,A ELEITA MISS BRASIL 1966,NUNCA ESQUECI DA BELA MISS,RETORNE NO SEU BLOG ,DASLAN ,ESTOU AGUARDANDO,AMO SEU BLOG.