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sábado, 15 de fevereiro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - WALDEILTON COSTA DE PAULA, DI PAULA (1941-2014), O LEGADO DO ESTILISTA BAIANO




      Faleceu na terça-feira, 11, no Hospital das Clínicas, vítima de parada cardíaca, em Salvador, BA, o estilista Waldeilton Costa de Paula, o Di Paula, nascido em Alagoinhas, BA, em 30/12/1941. Ele estava internado desde 29 de dezembro, quando foi hospitalizado com soluços e dores de estômago. 
     Artista de grande talento, Di Paula teve uma trajetória brilhante em várias atividades culturais, além de ter vestido inúmeras misses e criado fantasias para o bloco carnavalesco As Muquiranas, composto em sua maioria por militares vestidos de mulheres. 


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Silvana Marback Magno Batista, Miss Bahia 1983, e Di Paula. Sob a coordenação de Carlos Borges e produzido pela Tv Itapoan, este foi o primeiro concurso de Miss Bahia a contar com o talento do estilista. ***** "Esta é a coroa de Oxum, o orixá da beleza, aliás, a Miss Bahia deveria sempre ser coroada como uma Oxum! Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, quando visse uma moça com essa coroa na cabeça saberia que se tratava de Miss Bahia!", afirmou o jornalista baiano Roberto Macêdo
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Vanessa Blumenfeld Magalhães venceu o Miss Bahia 1988 usando um modelo de Di Paula, premiado como o mais belo vestido do concurso.


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Martha Vasconcellos, Miss Bahia- Miss Brasil- Miss Universo 1968, ao lado de Di Paula, em 1998, na celebração dos 30 anos do título de Miss Universo de Martha, no Hotel Fontainebleau, em Miami Beach. Martha veste um modelo exclusivo de Di Paula.
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Bianca Queiroz Rocha, representante do Jornal da Sociedade, eleita Miss Bahia 1989. Esse traje do Di Paula, uma homenagem às orquídeas da Lagoa do Abaeté, foi premiado como o "Melhor Traje Tipico" do concurso Miss Bahia 1989, no ano onde o tema dos trajes foi Ecologia Nacional.***** (Acervo Antonio Teixeira).

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O traje típico de Carla Nunes de Freitas, Miss Brasil Globo 2013, criado por Di Paula, ganhou o troféu de melhor traje típico do Miss Globo 2013, em Durres, Albânia.

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No mês de outubro, o jornalista Roberto Macêdo colheu um depoimento de Di Paula para constar no livro que está escrevendo sobre Martha Vasconcellos. Na ocasião, o estilista confessou que adoraria ter criado aquele famoso vestido azul que o Gérson fez para a nossa Miss Brasil e Miss Universo 1968.  
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Di Paula
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...Gente, são 40 anos de moda completados ano passado. Di Paula foi reconhecido por Clodovil Hernandes em rede nacional. Certa feita, uma telespectadora baiana mandou uma carta para o também estilista e apresentador pedindo que criasse um vestido pra ela e ele respondeu: "Criatura, você tem estilistas maravilhosos em Salvador como Di Paula e Júlio César Habib e vem me procurar? Valorize a prata da casa!", esbravejou com sua peculiar franqueza. 
Di Paula foi o nome da moda baiana mais respeitado no eixo Rio-São Paulo. Vestiu nomes como Luiza Brunet, Camila Pitanga, Marta Rocha e uma infinidade de estrelas e socialites. Representou a Bahia e o Brasil vestindo Misses em várias partes do mundo. Nas quadrilhas juninas, ajudou a estilizá-las, abolindo a simplicidade e introduzindo o luxo e o glamour aos figurinos, inspirado na versão européia dessa cultura.Toda quadrilha que tinha um figurino assinado pelo estilista, ganhava prêmio de melhor indumentária. Na televisão, foram mais de 15 anos. 
Ele passou pela TV Itapoan (Programa de variedades "Di Tudo" - se não me engano o nome era esse), Rede CNT, TV Salvador e por último a TV Aratu, com o "Di Moda". Produzia e apresentava o Baile dos Artistas no Fantoches, resgatando os antigos carnavais, o concurso Rainha do Carnaval, foi pioneiro ao criar no Bloco Tiete Vip's o carro de apoio Vip, só para convidados, repleto de artistas e sempre brilhava com suas estonteantes fantasias. 
Isso é só um resumo, tem mais coisas que esqueci agora. 
Vamos valorizar a prata da casa! Salve DI PAULA! 
Sou muito grato a você por tudo. Pela amizade, pelas conversas agradáveis, pelas dicas, cada conversa nossa, eu sempre aprendia algo. Era um mestre...
Dono de um coração enorme, você estará sempre vivo na minha memória. 
Que DEUS te conceda a salvação! Vai com DEUS amigão!
- Depoimento de Adan Nascimento, jornalista.
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Não se trata apenas da perda de um artista multitalentoso, um personagem que marcou com brilho, criatividade e intensidade diversas áreas culturais da Bahia nas últimas quarto décadas. A  morte do estilista, ator, cenografista, apresentador, autor e diretor teatral Di Paula deixa um vazio enorme no ambiente cultural baiano. E não é porque sempre fomos amigos muito próximos. Nada disso. Di Paula foi o primeiro personagem assumidamente gay da TV baiana, além de contribuir enormemente para reforçar a imagem dos gays cultos, informados e perfeitamente integrados na sociedade baiana.
Na TV, depois de estrear no "Som do Big Ben", foi protagonista de um dos mais revolucionários e históricos programas locais, o "Na Intimidade", campeão de processos da então horrenda censura federal, por quebrar paradigmas, romper barreiras e antecipar em décadas um formato de talk show "aberto" que só anos mais tarde seria replicado pelas grandes redes da tv brasileira.
No teatro, escreveu, produziu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos, dando inclusive uma nova leitura às revistas de transformistas com o inesquecível "As Estrelas do Cinema Olympia", remontado ano após ano sempre com grande público.
Na moda, foi um criador clássico, fã incondicional de Belenciaga e Paco Rabanne, criando uma marca própria que se destacava pela feminilidade e inspiração no cinema.
No carnaval, sua maior paixão, se tornou indiscutivelmente um dos grandes destaques do Carnaval da Bahia, indisputável estrela do "Tiete Vip's", com suas fantasias, ora luxuosas, ora criativas e satíricas. Também coube a ele resgatar o concurso da Rainha do Carnaval.
Entusiasta dos concursos de Miss, foi em suas mãos e ao lado de Julio César Habib que aconteceram os mais luxuosos desfiles do gênero, na década de 80.
Como se isso não bastasse, Di Paula levou aos Estados Unidos em diversas oportunidades a sua moda inspirada no artesanato de rendas e crochês da Bahia, tendo inclusive Luiza Brunet como modelo. Esse era um de seus maiores orgulhos.
Durante anos Di Paula apresentou seu programa semanal na TV Aratu, um espaço integralmente dedicado aos assuntos das artes e cultura da Bahia. 
Uma estrela que se vai, deixa a cena artística baiana mais pobre e reforça a tese de que não sabemos reconhecer e valorizar nossos aristas que permanecem na terra. 
Di Paula, entretanto, desafiou o velho e modorrento ditado. No seu caso, o "santo de casa", fez milagres.
Aqui vai o Axé de seu amigo há mais de 30 anos, que sempre se orgulhou de seu talento e suas conquistas. 
- Depoimento de Carlos Borges, ex-coordenador do Miss Bahia.

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A morte de Di Paula foi notícia de capa nos principais jornais da Bahia, A Tarde, Correio e Tribuna. No primeiro, sobre fundo preto, a nota ficou ao lado da informação da morte de Shirley Temple, um ícone do cinema. 
       Silêncio e emoção na despedida de Di Paula. Foto: Imagens /TV Bahia, g1.globo.com
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O menino Waldeilton Costa de Paula na sua primeira comunhão.
           Muita gente acompanhou o sepultamento do corpo do Di Paula, realizado na quarta-feira, 12, no cemitério Campo Santo, capital baiana. Entre as personalidades ligadas ao mundo Miss estavam Roberto Macêdo, Martha Vasconcellos e Karoline Araújo, Miss Bahia 2004, que discursou em nome de todas as misses que o estilista vestiu.
  
             Para construir esta Sessão Nostalgia, busquei material em duas fontes: as páginas do estilista e do Roberto Macêdo no FacebookQue a imagem do menino Waldeilton Costa de Paula, sereno no dia da sua primeira comunhão, fique como um suave emblema deste singelo tributo.  

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3 comentários:

Anônimo disse...

Merecido tributo a um grande artista!
Maravilha rever Vanessa Magalhães e Bianca Rocha.

C. Rocha de Floripa

Anônimo disse...

Jamais esquecerei de Waldeilton de Paula crescemos juntos em Alagoinhas e estávamos juntos ate a morte te amarei sempre Ilzinha

Edson disse...

Tocante a trajetória exitosa deste artista. As fotos são perfeitas. E rever a Vanessa, a Miss Bahia injustiçada no Miss Brasil 88, com o segundo lugar, é muito bom. Como o estilista sabia fazer vestidos que se diferenciavam uns dos outros. Hoje, as misses do Miss Brasil, do entram no traje de gala e os vestidos parecem só mudar de cor.