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sábado, 21 de julho de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras? - 3º capítulo (Final)


Daslan Melo Lima
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      Este é o terceiro e último capítulo da reportagem “Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras?” escrita por um leitor gaúcho, assíduo visitante desta secção, que prefere ser conhecido no mundo miss apenas como Silveira/Pel. A matéria  tinha sido enviada por ele para o site  www.voy.com/185349.com , que não publicou o texto. Silveira/Pel repassou o mesmo para mim, o qual , devidamente autorizado pelo autor, foi dividido em três capítulos. O primeiro capítulo saiu na edição de PASSARELA CULTURAL de 14 de julho, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/07/sessao-nostalgia.html e o segundo na semana passada. As minhas únicas intervenções no trabalho do Silveira/Pel foram as inserções de imagens de algumas beldades citadas na matéria. Acredito que todos concordam comigo: o texto do Silveira/Pel é uma pérola que enrique as crônicas sobre o mundo miss, bem escrito, elegante, primoroso e lúcido.
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SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS LINDAS BRASILEIRAS? - Capítulo 3 - Final

Texto de Silveira/Pel
      A grande maioria das Rainhas das Piscinas , bem como das misses de todo o país, das primeiras décadas do Miss Brasil, eram beldades pertencentes a uma classe média com mais acesso aos bens de consumo que lhes valorizavam a beleza. Elas faziam parte de uma juventude dourada  impregnada da vida glamurosa das grandes divas do cinema norte americano,  que elas se encantavam vendo em películas filmadas em ambientes requintados, onde tudo lhes servia de inspiração. Estas jovens, desde o aniversário de quinze anos já de salto alto, sem essa do jeans e do tênis, muito cedo participavam de bailes, de desfiles beneficentes, de concursos menores, enfim, de uma vida social bem mais intensa e sofisticada, de forma que, quando chegavam ao Miss Brasil,  já estavam prontas, não precisavam de meses de preparação. Isto também ocorreu praticamente com todas as beldades brasileiras das primeiras décadas do Miss Brasil, que a maioria das vezes eram eleitas muito pouco antes do Miss Universo, com tempo precário até para a preparação do próprio enxoval, e que logo partiam para o exterior, o que não as impedia de ficarem, quase sempre, pelo menos entre as quinze semifinalistas. E, aqui no Rio Grande do Sul, lembro-me, o certame estadual chegava a ser realizado até uma semana antes do Miss Brasil.
           Nesta última década em que voltei a acompanhar os concursos de miss, aqui no estado, temos tido vitoriosas como Fabiane Niclotti, Natália Anderle, Ruth Böch, Juceila Bueno, verdadeiras cinderelas a se alçarem repentinamente nesse mundo cada vez mais complexo, competitivo  e sofisticado de missRejane foi a precursora delas, e só não chegou ao título máximo por enfrentar uma australiana de muito mais cancha. Mas ela rendeu tudo o que podia, sendo ajudada, que isto seja ressaltado, por um suntuoso traje de gala da figurinista da elite gaúcha, que lhe valorizou a beleza, ao contrário de Fabiane, a quem enfiaram  aquele vermelhão e, recentemente, de Juceila que, com um  preto muito feio, deve ter aí  perdido pontos preciosos no momento talvez decisivo para sua classificação. Quanto à Juceila, ainda foi ignorado o lembrete de que, com um leve retoque na ponta do nariz, ela teria se tornado muito mais competitiva. É o tabu contra as cirurgias plásticas, refiro-me às necessárias e bem feitas, inexistente na Venezuela, e que contribuiu para lhe conferir nesse mesmo Miss Mundo mais um título internacional.
Natália Anderle, Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil 2008. Foto: Divulgação.

           Assim, as misses gaúchas mais recentes, não mais sendo sempre escolhidas entre jovens já prontas, nem sendo a mais bela da cidade que representou, mesmo assim, elas tem vencido o Miss Brasil com alguma frequência, apesar de suas maiores limitações pessoais, além de não serem ajudadas convenientemente, tanto naquilo que lhes dão para vestir, como no meio litro de silicone em cada seio que colocados em Fabiane e em menor quantidade e desnecessariamente também em Juceila, deixaram-lhes com a falsa aparência de gordas, quando fotografadas em plano americano, aquele da cintura para cima. Apesar da maior falta de preparo de nossas misses mais recentes, vale ressaltar, no entanto, o fato muito positivo de os certames de beleza estarem se transformando em mais um veículo de ascensão social para essas jovens de origem mais modesta.
             E para o último Miss RS já realizado, o missólogo gaúcho nos brindou com mais um punhado de belas candidatas, como poucas vezes a gente costuma ver nos certames com vistas ao Miss Brasil. E, para comprovarmos isso, basta acessarmos o voy Miss Rio Grande do Sul, de Ander. Mas não vou afirmar que este grupo de bonitas concorrentes possa ser outro indício de que aqui estejam as mais belas mulheres do Brasil. Afinal, muito bem se pode justificar este fato com o argumento de estarem aqui, não as mais belas, mas o maior número de belas interessadas em participar desse tipo de competição.
            Também vou considerar como um ponto de vista meramente pessoal, ainda que embasado em sua longa vivência profissional, em seu olho acurado de fotógrafo, a afirmação de Marcos 56 de ter encontrado no RS as mais lindas brasileiras. Em seu favor, ainda existe o fato dele não poder ser acusado de bairrista, como costumam fazer comigo, quando simplesmente procuro defender certas misses gaúchas, e como já o fiz com não gaúcha, goste ou não de suas belezas, de agressões as mais pesadas que estas costumam ser alvo. Também não pactuo, na controvérsia provocada por Marcos 56  com a maneira agressiva como foi rechaçado  o critério territorial usado por Marcos para fazer sua constatação sobre as mais lindas do país. Por que não se poder usar este critério estadual se, no território de muitas dessas antigas capitanias coloniais, dessas províncias da época do Império, de muitos de nossos estados brasileiros atuais, deram-se processos muito peculiares, muito próprios de ocupação desses espaços, caso do RS? Também vou deixar como mais um bairrismo nostálgico a declaração de um conterrâneo e velho amigo, com quem fiquei embasbacado com a beleza das russas, colega dos tempos de colégio que há décadas foi morar em capital brasileira fora do RS, de que tem ele prazer de retornar à cidade natal, dentre outras razões, para se deleitar na admiração das mulheres bonitas que costuma encontrar por aqui, ao acaso.

Ruth Böch, A Mais Bela Gaúcha 2009, Miss Brasil Germany 2011 e Garota Verão Agudo 2011. O título de Miss Brasil Germany foi conquistado na  noite de 14/05/2011, quando 26 descendentes de alemães disputaram o título. Os 14 jurados eram do consulado alemão e representantes de agências de modelo de São Paulo e Rio de Janeiro, que após três desfiles - um com roupa vermelha, outro com vestido de gala e o último com maiô - elegeram a representante da cidade de Agudo, Ruth Böch, 18 anos. Além do título a bela ganhou uma viajem de oito dias para a Alemanha, França e Holanda. Rute foi Top 5 no  Miss Rio de Janeiro 2011, representando Guapimirim. 

             Falta, por fim, uma reflexão sobre mais um indício de que estariam no RS as mais belas brasileiras, isto quando Ander traz a informação de que são gaúchas o maior número de garotas que trabalham nas agências de modelo brasileiras. Se não quisermos concordar com Ander, até se poderia contra argumentar afirmando que elas estão aí em maior número, simplesmente porque é no RS que estaria a maioria das interessadas nesse tipo de trabalho. Mas surgiu então, nos replies àquele banner de Marcos 56, um argumento considerado como definitivo, por quem o esgrimiu, e por quem o apoiou entusiasticamente, com o qual não concordo. Assim, para esses, se existem mais gaúchas trabalhando nas agências de modelo do país, não é por serem as mais belas, mas porque são elas que tem mais o perfil que a publicidade procura, pele, olhos e cabelos claros, aliado ao biótipo herdado da colonização européia. Que, se o perfil vigente fosse outro, elas certamente não seriam a maioria. E foi arrematada esta idéia com outra afirmação, contundente para um replicante, de que “a mídia e a cultura brasileira favorecem a beleza dita européia. E que isso acaba refletindo-se nos concursos de beleza”. Por tudo isso, então, as gaúchas são as que costumam aparecer em maior número.
              A estas últimas argumentações conjugadas contra a tese de Ander, vou aqui refutá-las reproduzindo texto de um replie meu que não chegou a ser publicado naquele debate: “Não haverão de querer”, afirmava eu, “que a mídia, a cultura brasileira, as agências de modelo e até os jurados dos concursos de beleza se guiem em suas escolhas pelo ideal de beleza dominante em nossas reservas indígenas, ou no que sobreviveu de nossos mocambos, ou o no interior das florestas do Congo, ou nas savanas da África, ou no Butão, ou entre os esquimós da América do Norte. É mais do que natural que todos aqueles segmentos arrolados guiem-se pelos padrões de beleza feminina da cultura ocidental na qual estamos inseridos, padrão este, diga-se de passagem, amplamente flexível, que não exclui belas afrodescendentes, nem africanas, está aí Leila Lopes, Miss Universo,  além de inúmeras modelos negras em nossas agências, nem exclui orientais, caso de Akiko Kojima, ou sua miscigenação, aí está Cesar Curti para confirmar minhas colocações. Quanto à presença ainda reduzida de afrodescendentes nos concursos de beleza e nas agências de modelo aqui no Brasil, isto é uma verdade que tem causas muito mais complexas  do que a acusação simplista de discriminação.  Isto teria de ser assunto para uma reflexão muito mais profunda e isenta de meros e  demagógicos chavões.




Juceila Bueno, representante brasileira no Miss Mundo 2011. (Fotos: Divulgação).

              E, pensando bem, embora seja uma questão instigante esta suscitada por Marcos 56, acho que não chega a ter maior relevância a definição de onde se localizam as mulheres mais lindas do Brasil, ou onde estão em maior número, se é que não se encontram equitativamente distribuídas por todo o território nacional.  Deixemos de lado tais questões, principalmente se a resposta a elas servir para criar melindres. Mais importante é conseguir trazê-las em quantidade e qualidade para os certames estaduais, e que estes sejam realizados com isenção, com competência, de forma transparente, e que nós, seus seguidores, não nos atiremos sobre candidatas que porventura nos desagradem com preconceitos, com bizantinismos plenos de casuísmos oportunistas, com prevenções e mesquinhas rivalidades regionais, nem despejando sobre elas nem sobre os missólogos nossas neuroses, nossas mesquinhezas, nossa necessidade de agredir, nossa falta do mais comezinho  polimento. Tudo isso termina afugentando ainda mais as verdadeiras beldades da participação em quaisquer dos Miss Brasil, já que existem outros caminhos  menos desgastantes e  muito mais gratificantes. Apreciadores dos concursos de belezas, vamos procurar fazer da melhor forma nossa parte.

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Um comentário:

Anônimo disse...

Acompanhei todos os capítulos desta série e adorei tudo que o Silveira/Pel escreveu.

Nota DEZ!!!!!

Antonio - Natal