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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 649, referente ao período de 11 a 17 de dezembro de 2017. ***** Grato por sua atenção.

sábado, 19 de abril de 2014

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Memória timbaubense, no tempo das "sopas" - Fabiana e Rosemberg no voo da TP 11

MEMÓRIA TIMBAUBENSE
 No tempo das "sopas"


"Boi Velho"
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"Boneca Cobiçada"

     Houve um tempo em que  "sopa" era sinônimo de ônibus que transportava pessoas e mercadorias de Timbaúba para diversas localidades. Nas foto acima, duas "sopas" , Boi Velho e Boneca Cobiçada. ***** Você conheceu esse tempo? Deixe seu comentário ou envie mensagem para PASSARELA CULTURAL, e-mail daslan@terra.com.br. ***** Foto: Cortesia.
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Ana Glória Araújo - "Boneca Cobiçada" era a "sopa" do meu pai Joel Monteiro de Araújo, apelidado de "Chupeta". Nessa  foto está toda a familia, Joel Monteiro; Maria da Glória; Irene Peixoto (mãe da professora Bel) e amiga; e as crianças Teotônio, Antônio Álvaro e outra. Na frente, Léo, cobrador; Pedro, motorista, e os irmãos Joel e Tranquelino Monteiro. Todos os domingos pela manhã fazíamos  um passeio com a família e os amigos. A "sopa" está estacionada no buraco da nega, antiga estrada para Macaparana. Papai foi pioneiro em ligar Recife-Timbaúba,  através da "sopa". Antônio Monteiro, seu filho mais velho,  criou a linha Timbaúba-Limoeirinho. O professor Pedro Matias tem todo histórico dessa iniciativa com relatos e fotos muito importantes.  
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Celma Lucia Vasconcelos - "Olá, Daslan. Feliz Páscoa para você! Aqui em Timbaúba havia dois empresários que exploravam o transporte coletivo na minha juventude. Eram eles: Joel Monteiro, carinhosamente chamado de Chupeta e Erasmo Carolino. Para chegarmos em Recife, com tempo bom, levávamos quatro horas e se chovesse, só Deus sabia. E as sopas estavam sempre lotadas. Saudades daqueles tempos que não voltam mais. É gostoso lembrar. Um abraço. Celma."
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Adelúcia Pereira de Melo – ”Fiquei muito feliz ao ver o artigo falando a respeito da época, digamos assim, das chamadas sopas em Timbaúba. O meu pai,  Adélio Cabral de Melo,  foi proprietário de uma. Fazia a linha na 2ª feira para Itambé; na 3ª,  Itabaiana; sábado,  São José do Livramento e os povoados vizinhos; no domingo, São Vicente Férrer e Macaparana. Os passageiros eram,  na sua maioria, pessoas que iam vender os seus produtos naquelas cidades, principalmente os fabricantes de rede de Mocós. Esse fim de semana estivemos juntos e eu falei para ele sobre o artigo, aproveitei para perguntar sobre o começo desse seu negócio. Muito amigo do Sr. Joel Monteiro, disse-me que quando o mesmo comprava um ônibus novo, passava o outro para ele e assim por diante. Hoje meu pai está com 89 anos de idade. Gosto de ouvir quando me conta histórias relacionadas à sua sopa."
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Janayna Jussara - "Ouvi inúmeras histórias e causos  do Sr. Adélio  Cabral durante o almoço de Páscoa. Ele está com 89 anos de idade e tem muita energia. Sr. Adélio foi casado com D. Luciola (in memorian) e com ela teve quatorze filhos, hoje são nove, sendo sete mulheres e dois homens. Os encontros são divertidíssimos."
Adélio ladeado pelas filhas Adelúcia e Ana Cláudia Melo.
Adélio ladeado pelos filhos Adeilton Ailton.
As sete filhas do Sr. Adelio, da esquerda para a direita: Audrey Ana CláudiaAdélia PaulaAlbâniaAdelúciaAdelma  Fátima.
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Jeová Barboza de Lira Cavalcanti  - "Boneca cobiçada, nas noites de sereno; teu corpo não tem dono, teus lábios têm veneno... Eis a música que deu nome a essa famosa "sopa", que pertencia a Joel Monteiro, o Chupeta. Ano 1957."
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José Marcos de Vasconcelos Carvalho - "Foi num desses ônibus de propriedade do meu pai que tive meu primeiro emprego como cobrador no final da década de 60. Meu pai, Cecílio Carvalho,  e meu, tio Luiz Carvalho, também possuíram desses veículos na época denominados carinhosamente de "sopa". Um amigo meu que também era meu passageiro apelidou o ônibus de papai de "expresso" em gozação a quantidade de paradas que o mesmo fazia durante o percurso para o sobe e desce de passageiros. Esses ônibus do meu pai e tio eram denominados de ônibus fereiro, que servia principalmente aos feirantes, comerciante e pessoas que iam às feiras das cidades vizinhas à Timbaúba, como São Vicente Férrer, Ferreiros, Itambé e Itabaiana, na Paraíba. Isso foi uma época após Sr. Adélio, que também foi pioneiro na linha cidade em Timbaúba, sucedido por tio Luiz e depois por Luiz Cabral, primeiro com veículos Kombi, depois micro-ônibus, já mais modernos. Segue uma foto do ônibus Chevrolet à gasolina, ano 1959."

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Tranquelino Ferreira Monteiro -   “... aproveito para anexar uma foto de um quadro que possuo e que foi pintado por um artista timbaubense que desconheço. Ele foi ajudado pelo meu pai para chegar a Timbaúba, pois  estava sem dinheiro para pagar a passagem de retorno. Para agradecer esse gesto de  Joel Monteiro, o Chupeta, meu pai,  pintou um quadro com o ônibus que o trouxe de volta à sua terra. Eu gostaria muito de saber quem pintou esse quadro, que quase iria para o lixo, se não fosse a minha inciativa de tirá-lo de um quarto onde se encontrava no meio de velharias e colocá-lo numa moldura à altura de sua importância sentimental  para mim. “

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      O pai de Tranquelino deu carona ao pintor do quadro acima na estação rodoviária do Recife, pois o artista  chegou do Rio sem dinheiro, tinha gasto tudo na viagem. Na placa do ônibus tem o numero 1947, pode ter sido nesse ano que aconteceu o fato, pois o veículo retratado é de 1950. 
    Joel Monteiro de Araújo, o “Chupeta”, nasceu no dia consagrado a São José, 19/03/1926, e morreu na véspera do aniversário de 40 anos de Tranquelino, 15/08/1992. 
     A  história de dar o nome de Rodoviária Monteiro ao terminal rodoviário de Timbaúba partiu de uma iniciativa do vereador Jacques Ferreira Lima Filho e aprovada pela Câmara dos Vereadores, em reconhecimento ao  bom trabalho que o Joel Monteiro de Araújo fez no transporte de passageiros, quando saía de casa de madrugada, acordando seus clientes. A colocação da placa está pendente e a família aguarda ansiosa que a honraria seja realizada.
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UM FATO EM FOCO


         
      Uma aeronave da companhia aérea TAP Portugal, que ia de Lisboa para o Recife, precisou fazer um pouso de emergência na ilha do Sal, em Cabo Verde, arquipélago na costa africana, no início da noite do domingo, 09 de abril. O voo TP 011 partiu da capital portuguesa às 16h38 (13h38 no horário de Brasília) e deveria chegar a Pernambuco às 21h15. O avião, no entanto, pousou no aeroporto da Ilha do Sal, em Cabo Verde, por volta das 20h05, no horário local (18h05 em Brasília), por causa de uma das turbinas que apresentava vazamento de óleo. 

      Fabiana Barbosa de Andrade Lima Vasconcelos e o seu esposo Rosemberg de Andrade Lima Vasconcelos estavam no voo, mas foi o seu filho Marcos Antonio de Vasconcelos Neto, 18 anos, estudante de Engenharia Civil da UFPE, que em depoimento exclusivo à revista TIMBAÚBA  EM FOCO relatou esse drama com final feliz.  

    

                Depois de um carnaval diferente, “turistando” por vários países europeus, meus pais voltam pra casa, contudo, com um porém... Bem, tudo começa numa ligação feita por painho no domingo à tarde (09/03). Ele havia dito que o avião no qual vinha precisou fazer um pouso de emergência na Ilha de Sal, Cabo Verde, África; disse que todos estavam assustados, porém calmos. OK, pedi que quando tivessem notícias, ele ligasse. Até então, não dei muita importância, logo passei o recado para os meus avós e meu irmão. De primeira minha avó não acreditou, pensava que eu estivesse brincando, mas logo confirmei. Foi nesse momento, olhando para a expressão do rosto dela pude ver que o assunto era mais sério.
            Minha avó, ainda nervosa ligou para painho para confirmar e saber mais informações e uma delas foi a de que tinha muita gente aperreada, chorando muito, e que até as aeromoças que costumam tranquilizar os passageiros, estavam apavoradas. Disse também que ele havia sentido um cheiro forte de combustível, mas que ninguém sabia ao certo o motivo do pouso. Pronto.  Tudo sob o controle. Todos foram muito bem assistidos pela companhia aérea (TAP). Apesar da situação normalizada, aqui em casa ninguém teve uma noite tranquila de sono.
                No outro dia, com o sol ainda nascendo, painho liga dizendo que o voo iria sair dentro de algumas horas e eu pedi que avisasse novamente na hora em que estivessem embarcando. Ansioso pela chegada, pego o celular, e por coincidência através de um aplicativo de tráfego aéreo vejo o avião, juntamente com o número do voo vindo em direção ao Brasil. Ufa! Já decolaram, pensei. Depois de mais ou menos meia hora, volto a acompanhar o voo no celular. Mas cadê o voo?? O avião havia desaparecido do mapa! Primeiramente, vem na cabeça o pior. Tento achá-lo, faço de tudo e nada. A tensão volta.
                Decido depois de muito tempo ver os horários de chegada dos aviões no site do Aeroporto dos Guararapes e pra nossa felicidade, lá estava o voo confirmado para chegar às 12:06. Fomos para o aeroporto aguardá-los. Mas como nós nordestinos dizemos: “Pra ser desmantelo, tem que ser bem desmantelado”, pois é querido, num foi que o célebre comandante guardava ainda uma surpresinha? Ele quis brincar de sobe e desce justo no final do voo, arremetendo o avião por causa de um forte vento que o impediu de pousar de primeira. Mas enfim, o avião pousa com segurança. Amém!
                E pra completar, papai e mamãe acharam pouco e deram “um chá de cadeira” por mais de uma hora em mim, vovô e vovó. Adivinha o que eles estavam fazendo? O que você acha que os matutos fazem quando chegam de viagem internacional? Isso mesmo meus amigos, é um tal de um negócio chamado Duty Free, onde você compra várias coisas por preços reduzidos, mas que na minha opinião, só tem whisky pra vender.
                Finalmente as portas se abrem e lá vêm eles!
          Brincadeiras à parte, o susto foi grande. Mas desde o momento daquela ligação até a hora em que os vi, elevei meus pensamentos a Ele, nosso pai do céu. Agradeço a Ele por ter feito aquele arquipélago justo naquele lugar; agradeço por Ele ter dado discernimento e competência aos comandantes do avião e principalmente por trazer meus pais de volta com segurança, pois foi só no momento em que os abracei é que pude ter a certeza de que nos meus braços, estavam guardados.

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Um comentário:

Anônimo disse...

Extraordinário, Tranquelino. Os sentimentos valem muito mais que todas as riquezas. Esse quadro, que é uma verdadeira obra de arte, representa a marca de um tempo em que Timbaúba destacava-se como uma das cidades mais progressistas do Brasil. E Joel Monteiro no vai e vem de cada dia, transporte gente de toda parte, contribuiu muito para elevar o nome de nossa terra. Parabéns, por salvar dos escombros tão bela peça!
Jeová Barboza de Lira Cavalcanti