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sábado, 5 de abril de 2014

SESSÃO NOSTALGIA – Noêmia Nabuco de Castro, Miss Brasil 1912, sem pernas de fora

Daslan Melo Lima

        Foi na revista Fatos & Fotos, Ano II, nº 70, de 02/06/1962, que encontrei assunto para a primeira SESSÃO NOSTALGIA de abril. Uma reportagem de duas páginas descreve como foi o resultado do concurso de beleza realizado em 1912, no Rio de Janeiro, no qual saiu vencedora a jovem Noêmia Nabuco de Castro, considerada a segunda Miss Brasil da era pré-Martha Rocha, ou seja, do período do Miss Brasil tido como não oficial, anterior a 1954. 
         A primeira Miss Brasil de todos os tempos foi Violeta Lima Castro (1879-1965). Conhecida como Bebê Lima Castro, ela concorreu com centenas de candidatas, conseguindo o primeiro lugar no concurso de beleza organizado pelo jornal Rua do Ouvidor, do Rio de Janeiro. 
          As demais rainhas da beleza, reconhecidas como Miss Brasil antes de Martha Rocha, foram Zezé Leone (1922), Olga Bergamini de Sá (1929), Iolanda Pereira (1930), Ieda Telles Menezes (1932) , Vânia Pinto (1939) e Jussara Marques (1949). 
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Detalhe:  Na revista O Cruzeiro, ano XXXVII, de 22/05/1965, o jornalista Brício de Abreu (1903-1970) citou Aymée, artista de opereta e canto, francesa radicada no Rio de Janeiro, como a primeira Miss Brasil. Esse título é questionado por muitos missólogos, pois Aymée simplesmente venceu uma enquete promovida por Gryphus, jornalista do Diário do Rio, para saber, entre críticos e intelectuais, qual era “ a artista mais linda do Rio de Janeiro “. Tal fato só ficou conhecido graças a uma crônica do escritor Machado de Assis (1839-1908) falando sobre a eleição.
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     A matéria que abaixo transcrevo, respeitando a ortografia vigente na época, está com um formato diferenciado do da revista, pois adotei parágrafos, a fim de plasmar melhor a forma. 
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AS DE ONTEM – Texto de Souza Rocha – Fotos do Arquivo de S.R. – Fatos & Fotos, Ano II, Brasília, D.F., 2 de junho de 1962 – Nº 70.



     Em março de 1912, o cronista Figueiredo Pimentel, da famosa seção mundana “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, promoveu no Rio um concurso de beleza feminina que deu no que falar. Foi um concurso sem provas e sem júris. Obviamente, também sem pernas de fora e sem medidas de bustos, cinturas e quadris, coxas ou tornozelos. A escolha da carioca mais bela daqueles tempos recuados fêz-se simplesmente através do voto dos leitores do jornal. Cada voto tinha que ser acompanhado do cupom que o “Binóculo” publicava. Tôda a gente podia votar e tòdas as mademoiselles podiam ser votadas. A concorrente, cujos partidários de dispussem a comprar um maior número de exemplares do jornal seria considerada a mais bela. Houve rapazes que gastaram a metade da mesada paterna para comprar cupons e votar na sua amada. A despeito, porém, das condições simplistas em que foi realizado o concurso, visando mais a estimular a venda do jornal do que apurar realmente quais seriam as môças mais bonitas da cidade, excedeu êle à própria expectativa do organizador: foram recolhidos quase 180.000 votos para 223 candidatas e, com as maturais exceções da praxe, foram distinguidas com as maiores votações mademoiselles melhor sociedade do Rio, belas e prendadas na verdade.


Na sequência de fotos, de cima para baixo, Noêmia Nabuco de Castro, Miss Brasil 1912; Nair de Teffé; Helena de Melo Barreto, colocada no 21º lugar; e Laura Carnichiorio. ***** Detalhe: Nair de Teffé (1886-1981) casou no dia 08/12/1913 com o Marechal Hermes da Fonseca (1855-1923), presidente do Brasil no período de 15/11/1910 a 15/11/1914, tornando-se então a primeira dama do País por quase um ano. 

      A apuração final, publicada a 3 de abril de 1912, apontou para os dois primeiros lugares, com diminuta diferença de sufrágios, as mademoiselles Noêmia Nabuco de Castro e Aluilde Prisco Barbosa – a primeira com 5.860 votos, a segunda com 5.810, distanciadas as duas de quase 3.000 votos da terceira colocada, Maria José Monteiro dos Reis, 3.000 votos. Outras môças, muito bem votadas, foram Risoleta Moura, as irmãs Peckolt (Elza e Judite), Alice Araújo, Maritânia Lírio, Josefina da Conceição, Virgínia Urbano dos Santos Araújo, Helena de Melo Barreto, Ieda Chiabotto e Nair de Teffé, a talentosa caricaturista Rian que viria, em fins de 1913, a desposar o Marechal Hermes da Fonseca, Presidente da República. Sete môças em flor, inicialmente muito sufragadas também, tiveram seus nomes retirados do concurso “a pedido das respectivas famílias”.

Quem seria esta beldade? Não consta seu nome na legenda.. 

     Os prêmios às vencedoras foram apenas quatro:  um jôgo de toucador para a primeira colocada, oferecido pela Joalheria Oscar Machado, e vidros de uma certa loção, Angélica, então muito em moda, para as três seguintes, doados pela Perfumaria Bazin... Descrevendo o primeiro prêmio, Figueredo Pimentel, no seu estilo mundano, dava-o como “um mimo do boudoir mais chic ou mais suntuoso”. Era uma coleção de meia dúzia de escovas de prata lavrada – para cabelo, unhas, dentes, pó-de-arroz etc. – acondicionada “num grande estojo coberto por uma linda fazenda pompadour...” Tôdas as mademoiselles votadas no “Binóculo”, mesmo as que tiveram um voto único, fizeram jus a retratos artísticos. Havia, porém, uma hierarquia: as 30 primeirsa ganharam retratos feitos no “atelier” Sílvio Beviláqua; as demais foram todas retratadas na Fotografia Musso. “Convidamos tôdas as senhoritas a irem às Fotografias Beviláqua e Musso” ´escrevia a Gazeta. E explicava : “Basta comparecerem em companhia de alguém da família, apresentar um exemplar do jornal que publica o resultado e declinar o nome...”
       Ao lado do primeiro concurso de beleza realizado no Rio, em 1900, pelo semanário “Rua do Ouvidor” - do qual saiu vencedora mademoiselle Bebê de Lima Castro – o concurso do “Binóculo”, de 1912, pelo seu êxito e pela sua repercussão, teve garantido um lugar de relevo na história de tais prélios.
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      Faz 102 anos que Noêmia Nabuco de Castro tornou-se uma celebridade nacional, ao vencer um concurso de beleza, sem provas, sem júris, sem pernas de fora e sem medidas de bustos, cinturas, quadris, coxas ou tornozelos. Intervenções cirúrgicas estéticas e silicone eram assuntos que fariam parte de um tempo que estava muito distante.  
     Pergunto a você, leitor, leitora, nesta tarde quente de abril: Como será a eleição de uma rainha da beleza daqui a 102 anos? Acabei de fazer essa pergunta ao Vento. 

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2 comentários:

Anônimo disse...

Que relíquia! Adoro ler estas coisas antigas sobre Misses!

C,Rocha de Floripa

Anônimo disse...

kkkkkk!Que delícia são essas reportagens!Mlle.Nabuco era bonita e,Nair de Teffé,lembrei de seu falecimento.Cadê as personalidades de agora?Japão